THE STRATEGIC ROLE OF THE PHARMACIST IN THE MANAGEMENT AND SAFETY OF ORAL CHEMOTHERAPY: AN ANALYSIS OF PHARMACEUTICAL CARE IN ONCOLOGY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511221757
Mylena Ribeiro Liberalino
Pamela Fernanda da Silva Amaral
Romer Antônio Carneiro de Oliveira Junior
Sinara de Fátima Freire dos Santos
Kédma Maria Carneiro
Resumo
O presente artigo tem como objetivo analisar o papel estratégico do farmacêutico na gestão e segurança do uso da quimioterapia oral, avaliando sua atuação no âmbito da atenção farmacêutica para melhorar à adesão ao tratamento, prevenir efeitos adversos e garantir a eficácia terapêutica. A quimioterapia oral, embora ofereça conforto e autonomia ao paciente, demanda acompanhamento especializado para evitar complicações e assegurar o sucesso terapêutico. A revisão integrativa de literatura foi utilizada como metodologia, permitindo reunir estudos entre 2020 e 2025 sobre a atuação farmacêutica em oncologia. Os resultados demonstram que o farmacêutico, quando integrado à equipe multidisciplinar, é essencial na educação do paciente, no monitoramento de efeitos adversos e na promoção de segurança medicamentosa, fortalecendo políticas públicas e contribuindo significativamente para a qualidade de vida dos pacientes oncológicos.
Palavras-chave: Atenção farmacêutica. Oncologia. Quimioterapia oral. Segurança medicamentosa. Adesão ao tratamento.
Abstract
This article aims to analyze the strategic role of the pharmacist in managing and ensuring the safe use of oral chemotherapy, evaluating their role within pharmaceutical care to improve treatment adherence, prevent adverse effects, and ensure therapeutic efficacy. Although oral chemotherapy provides comfort and autonomy to patients, it requires specialized monitoring to avoid complications and ensure therapeutic success. An integrative literature review methodology was applied, compiling studies published between 2020 and 2025 regarding pharmaceutical practice in oncology. The results demonstrate that the pharmacist, when integrated into a multidisciplinary team, plays an essential role in patient education, monitoring adverse effects, and promoting medication safety, thereby strengthening public health policies and significantly improving the quality of life of oncology patients.
Keywords: Pharmaceutical care. Oncology. Oral chemotherapy. Medication safety. Treatment adherence.
1 INTRODUÇÃO
O aumento expressivo da incidência de câncer nas últimas décadas, associado ao avanço das terapias antineoplásicas, tem impulsionado o uso crescente de quimioterápicos orais como alternativa aos tradicionais tratamentos intravenosos. Essa modalidade terapêutica representa um marco na oncologia moderna, por permitir maior autonomia ao paciente, praticidade na administração e redução da necessidade de longas internações hospitalares. No entanto, a autoadministração desses medicamentos em ambiente domiciliar requer extrema cautela, uma vez que o uso inadequado pode resultar em sérias complicações, incluindo falhas terapêuticas, interações medicamentosas, reações adversas e até mesmo toxicidade sistêmica.
Nesse contexto, a Atenção Farmacêutica assume papel central na promoção da segurança e eficácia da quimioterapia oral. O farmacêutico atua de forma estratégica na orientação ao paciente e à família, no acompanhamento contínuo da terapia e na detecção precoce de possíveis eventos adversos, assegurando que o tratamento seja seguido de maneira correta e eficaz. Além disso, sua intervenção contribui para otimizar resultados clínicos, aumentar a adesão ao tratamento e reduzir a ocorrência de internações evitáveis. O acompanhamento farmacoterapêutico individualizado possibilita identificar precocemente problemas relacionados a medicamentos e implementar ajustes que garantam a continuidade segura do tratamento. Assim, a atuação do farmacêutico não apenas aprimora a qualidade do cuidado, mas também fortalece o vínculo entre o paciente e a equipe multiprofissional, promovendo uma abordagem integral e humanizada no tratamento oncológico.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A oncologia, ciência dedicada ao estudo, diagnóstico e tratamento do câncer, tem passado por profundas transformações nas últimas décadas, impulsionadas por inovações tecnológicas e pelo avanço do conhecimento acerca dos mecanismos moleculares das neoplasias. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2023), a compreensão dos processos genéticos e celulares envolvidos no desenvolvimento tumoral permitiu o surgimento de terapias cada vez mais direcionadas e eficazes. Essa evolução tem contribuído para o aumento da sobrevida e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes oncológicos, consolidando a medicina personalizada como um dos pilares do tratamento moderno do câncer (SILVA; MOURA; LOPES, 2021).
O desenvolvimento de novas modalidades terapêuticas, como os agentes antineoplásicos orais, reflete essa tendência de personalização e autonomia no cuidado. A quimioterapia oral, de acordo com Costa et al. (2020), surgiu como uma alternativa promissora aos tratamentos intravenosos tradicionais, oferecendo benefícios como praticidade, conforto e a possibilidade de continuidade do tratamento no ambiente domiciliar. Além disso, esse tipo de terapia reduz custos hospitalares e o tempo de permanência dos pacientes nas unidades de saúde, favorecendo a humanização do cuidado (FERREIRA; SANTOS; AMORIM, 2019).
Contudo, a transição do tratamento hospitalar para o domiciliar exige maior responsabilidade do paciente e de seus cuidadores. Segundo Pereira e Andrade (2021), a autoadministração de quimioterápicos orais aumenta o risco de erros de dosagem, esquecimentos, interações medicamentosas e manejo inadequado de efeitos adversos. Esses fatores comprometem a adesão terapêutica e podem interferir diretamente na eficácia do tratamento. Além disso, a falta de monitoramento profissional contínuo pode contribuir para o surgimento de eventos adversos graves, o que reforça a necessidade de acompanhamento especializado (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2021).
Nesse cenário, o papel do farmacêutico torna-se indispensável para garantir a segurança e a efetividade da terapêutica. Conforme Mendonça e Carvalho (2020), o farmacêutico é responsável por orientar o paciente quanto à posologia, armazenamento, interações medicamentosas e efeitos colaterais dos quimioterápicos, assegurando o uso racional dos medicamentos. Sua atuação não se restringe à dispensação, mas abrange a educação em saúde e o acompanhamento contínuo do paciente, contribuindo para a adesão ao tratamento e para a prevenção de complicações.
A presença do farmacêutico na equipe multiprofissional de oncologia fortalece a integração entre as diversas áreas da saúde. De acordo com Souza e Almeida (2022), o farmacêutico atua como mediador entre paciente, médico e enfermagem, promovendo uma comunicação mais eficaz e reduzindo falhas no processo terapêutico. Essa colaboração interdisciplinar é essencial para o sucesso do tratamento, pois permite o monitoramento constante da resposta clínica e a implementação de intervenções precoces diante de reações adversas (ALMEIDA et al., 2022).
Estudos apontam que a atuação do farmacêutico oncológico está diretamente relacionada à redução de eventos adversos e à melhora da qualidade de vida dos pacientes. Segundo Gonçalves et al. (2021), programas de acompanhamento farmacoterapêutico em oncologia resultaram em índices significativamente mais altos de adesão ao tratamento e maior controle dos sintomas relacionados à quimioterapia. Além disso, o acompanhamento sistemático do farmacêutico favorece o uso seguro das terapias e contribui para o empoderamento do paciente sobre seu próprio cuidado (CARVALHO; FREITAS, 2020).
Outro ponto relevante é a educação em saúde, considerada uma das principais atribuições do farmacêutico oncológico. Conforme Ferreira e Lima (2022), o paciente bem informado sobre o uso correto dos medicamentos, os possíveis efeitos colaterais e as medidas preventivas tende a apresentar maior comprometimento com o tratamento. Essa orientação contínua também reduz a ansiedade e melhora o enfrentamento da doença, especialmente em terapias de longa duração. O farmacêutico, portanto, assume papel essencial na promoção da autonomia e no fortalecimento do vínculo terapêutico (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2021).
Além de sua atuação clínica direta, o farmacêutico contribui também para o desenvolvimento de protocolos de segurança e boas práticas na manipulação e dispensação de medicamentos oncológicos. De acordo com Almeida et al. (2022), a implementação de protocolos padronizados nas unidades de oncologia hospitalar tem reduzido significativamente a ocorrência de erros de medicação e exposições ocupacionais. Essas medidas reforçam a importância do farmacêutico não apenas como executor, mas também como gestor de qualidade e segurança no uso de antineoplásicos.
Dessa forma, observa-se que o farmacêutico é um agente transformador no cuidado oncológico, atuando desde o planejamento terapêutico até o acompanhamento pós-tratamento. Conforme INCA (2023), sua presença nas equipes de atenção especializada é determinante para alcançar resultados terapêuticos mais eficazes, humanizados e seguros. A valorização desse profissional representa um avanço significativo na construção de um modelo de assistência centrado no paciente, que integra ciência, empatia e compromisso ético. Portanto, a ampliação da atuação farmacêutica em oncologia, especialmente no acompanhamento de pacientes em tratamento com quimioterapia oral, é fundamental para promover um cuidado integral, reduzir riscos e otimizar os resultados clínicos. A consolidação dessa prática reafirma o papel do farmacêutico como protagonista na promoção da saúde, na segurança do paciente e na efetividade terapêutica em um cenário cada vez mais complexo e desafiador.
3 METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, método que possibilita a análise ampla e sistemática do conhecimento já produzido sobre determinado tema, integrando resultados de pesquisas teóricas e empíricas. Essa abordagem é amplamente utilizada em estudos na área da saúde por permitir a síntese de evidências disponíveis, identificando lacunas, avanços e tendências relacionadas ao objeto de investigação.
A pesquisa teve como foco central o papel estratégico do farmacêutico na gestão e segurança do uso da quimioterapia oral em oncologia, com ênfase na sua atuação clínica e nos impactos da atenção farmacêutica sobre a adesão, prevenção de eventos adversos e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Para tanto, foram consultadas bases de dados nacionais e internacionais, como SciELO, PubMed, LILACS, Google Acadêmico e ScienceDirect, utilizando-se combinações de descritores em português e inglês, tais como: “atenção farmacêutica”, “oncologia”, “quimioterapia oral”, “adesão ao tratamento” e “segurança do paciente”.
Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, selecionados com base em critérios de relevância científica, atualidade, rigor metodológico e pertinência temática. Excluíram-se trabalhos duplicados, estudos que não abordavam diretamente a atuação do farmacêutico na oncologia ou que apresentavam metodologias inconsistentes. Após a triagem inicial, os artigos elegíveis foram submetidos a uma leitura criteriosa, permitindo identificar os principais resultados e contribuições para a prática clínica.
A análise e a interpretação dos dados foram realizadas de forma descritiva e analítica, possibilitando a comparação entre diferentes contextos e perspectivas sobre o tema. Essa abordagem permitiu compreender como a atenção farmacêutica contribui para a segurança, eficácia e humanização do tratamento oncológico, bem como reconhecer desafios e oportunidades para aprimorar o papel do farmacêutico no cuidado integral ao paciente com câncer.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A revisão da literatura revelou que a adesão ao tratamento com quimioterápicos orais continua sendo um dos maiores desafios da oncologia contemporânea, refletindo a complexidade dos regimes terapêuticos e as múltiplas variáveis que influenciam o comportamento do paciente diante da terapia. Apesar das vantagens proporcionadas por essa modalidade como maior autonomia, conforto e redução da necessidade de hospitalizações a autoadministração dos medicamentos demanda elevado grau de comprometimento e compreensão por parte do paciente.
Diversos fatores interferem diretamente na adesão, incluindo esquemas terapêuticos complexos, frequência e duração prolongada do tratamento, ocorrência de efeitos adversos (náuseas, fadiga, mucosite, entre outros), além de barreiras psicossociais como ansiedade, depressão, medo da doença, baixo nível de letramento em saúde e limitações financeiras. A ausência de um acompanhamento multiprofissional efetivo pode agravar esses obstáculos, culminando em falhas terapêuticas, resistência tumoral e aumento do risco de hospitalizações evitáveis.
Nesse contexto, o farmacêutico clínico assume papel fundamental como agente de promoção da adesão, da segurança e da eficácia terapêutica. Por meio de intervenções educativas estruturadas, orientações personalizadas e monitoramento clínico contínuo, o profissional contribui para o fortalecimento do vínculo entre paciente e equipe de saúde, estimulando a compreensão e a responsabilidade quanto ao uso correto dos medicamentos.
Além disso, a integração do farmacêutico às equipes médicas e de enfermagem potencializa a qualidade da assistência prestada, permitindo a prevenção de interações medicamentosas, o manejo racional de efeitos colaterais e a otimização de resultados clínicos. A utilização de tecnologias digitais, como aplicativos de lembrete, telemonitoramento e plataformas de acompanhamento remoto, tem se mostrado um recurso eficaz para apoiar o autocuidado e promover maior engajamento do paciente no tratamento.
Evidências científicas recentes reforçam que a atuação ativa e contínua do farmacêutico em programas de atenção oncológica tem impacto direto e mensurável sobre a segurança e a efetividade dos tratamentos com quimioterapia oral. Diversos estudos apontam que a presença desse profissional está associada à redução significativa da incidência de eventos adversos, melhoria na adesão aos esquemas terapêuticos, menor taxa de abandono do tratamento e aumento expressivo na qualidade de vida dos pacientes.
Esses resultados decorrem principalmente da implementação de práticas sistemáticas de monitoramento farmacoterapêutico, educação em saúde, avaliação de interações medicamentosas e ajuste de condutas clínicas em parceria com a equipe multiprofissional. O farmacêutico, ao acompanhar de forma próxima e individualizada o paciente, identifica precocemente sinais de toxicidade, orienta sobre o manejo dos efeitos colaterais e assegura que as doses sejam administradas corretamente, prevenindo falhas terapêuticas e complicações potencialmente graves.
Além dos benefícios clínicos, a presença do farmacêutico contribui também para melhorar a comunicação entre paciente e equipe de saúde, favorecendo o entendimento sobre o tratamento, o engajamento no autocuidado e a confiança no processo terapêutico. Essa relação humanizada e baseada em apoio contínuo é fundamental para o enfrentamento do câncer, uma condição que impõe desafios físicos, emocionais e sociais ao paciente e à família.
Dessa forma, reafirma-se o papel indispensável do farmacêutico como elo essencial entre o tratamento medicamentoso e o cuidado integral, unindo conhecimento técnico e sensibilidade humana. Sua atuação consolida-se como um pilar estratégico na gestão segura e eficaz da quimioterapia oral, garantindo que os avanços terapêuticos da oncologia sejam plenamente traduzidos em benefícios reais para os pacientes e para o sistema de saúde como um todo.
5 CONCLUSÃO
O farmacêutico desempenha um papel estratégico e indispensável na gestão e segurança do uso da quimioterapia oral, consolidando-se como um agente fundamental na promoção do cuidado integral ao paciente oncológico. Sua inserção efetiva nas equipes multiprofissionais de saúde fortalece a prática clínica, garantindo não apenas a adesão ao tratamento, mas também a prevenção de eventos adversos e a promoção do uso racional dos medicamentos antineoplásicos.
A atuação do farmacêutico vai muito além da simples dispensação de medicamentos ela envolve monitoramento contínuo, acompanhamento terapêutico individualizado, educação em saúde e intervenção clínica, aspectos que se mostram essenciais para assegurar a eficácia e a segurança da terapia oral. Esse acompanhamento sistemático permite identificar precocemente sinais de toxicidade, falhas na adesão e potenciais interações medicamentosas, possibilitando ajustes oportunos que preservam a qualidade do tratamento e a segurança do paciente.
Os achados desta revisão integrativa reforçam que a atenção farmacêutica é uma prática clínica indispensável para o fortalecimento da assistência oncológica moderna. Ao integrar conhecimento técnico, empatia e comunicação eficaz, o farmacêutico contribui de forma decisiva para o empoderamento do paciente, tornando-o mais consciente, participativo e comprometido com sua própria terapêutica.
Além disso, observa-se que a presença ativa do farmacêutico na oncologia traz benefícios que transcendem o âmbito clínico, impactando também os sistemas de saúde por meio da redução de custos hospitalares, diminuição de internações evitáveis e melhoria dos indicadores de segurança do paciente.
Conclui-se, portanto, que o fortalecimento da atuação farmacêutica na oncologia é uma necessidade urgente e estratégica para o avanço das políticas públicas de saúde, devendo ser incentivado por meio de capacitação contínua, integração interprofissional e valorização do farmacêutico como profissional essencial no cuidado oncológico. A atenção farmacêutica, quando aplicada de forma ética, científica e humanizada, representa um instrumento transformador para a segurança, eficácia terapêutica e melhoria da qualidade de vida de pacientes com câncer.
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