O PAPEL DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA AO PACIENTE COM TRANSTORNO DE ANSIEDADE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510211104


Beatriz Baraçal Pascoalini de Jesus1
Ruth Vitória Guimarães de Araújo2
Sara Luiza Guimarães de Araújo3
Lucia Helena Ferreira Viana4
Fernanda Carini da Silva5


Resumo: O transtorno de ansiedade representa uma condição de saúde mental com incidência crescente, impactando significativamente a qualidade de vida dos indivíduos. Este estudo objetivou analisar o papel do enfermeiro na assistência a esses pacientes, evidenciando as intervenções mais eficazes para o cuidado integral e humanizado. Por meio de uma revisão de literatura que analisou doze artigos de bases de dados como SciELO, Cofen e PubMed publicados entre 2020 e 2025, os resultados demonstram que o enfermeiro exerce um papel fundamental tanto na Atenção Primária à Saúde quanto no ambiente hospitalar. As estratégias de cuidado incluem acolhimento, escuta qualificada, intervenções educativas, suporte emocional, e a sistematização da assistência. Conclui-se que a atuação do enfermeiro é essencial, pois ao aplicar essas estratégias de forma consciente, é possível fortalecer o vínculo profissional-paciente, reduzir o medo e a insegurança, e contribuir para a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida. 

Palavras-chave: ansiedade; enfermagem; saúde mental. 

Introdução

A ansiedade é uma emoção que representa um “sinal de alarme” diante de perigos reais ou imaginários, sendo considerada um fator evolutivo de proteção. No entanto, quando exacerbada e desproporcional, pode constituir um problema de saúde, passível de tratamento. Em geral, a experiência de ansiedade é caracterizada por sintomas físicos, acompanhados, na maioria das vezes, de pensamentos de dúvida, antecipação de problemas ou pensamentos catastróficos, associados a modificações no comportamento, especialmente evitação de situações temidas. Pode ser vista como sintomas de transtornos psiquiátricos e/ou como reação emocional não patológica associada a diversos contextos de vida (Brasil, 2025). 

O Brasil possui a população com maior taxa de transtornos de ansiedade no mundo, totalizando aproximadamente 9,3% da população com o quadro (Organização Mundial da Saúde, 2023). Entre 2020 e 2023, houve um aumento de casos de 15% para 18%, o maior número de casos foi entre os jovens de 18 a 24 anos. (Oliveira; Santos, 2024).  

Segundo o estudo de Oliveira, Marques e Silva (2020) ansiedade pode ser considerada como manifestação de uma doença psiquiátrica como reação emocional não patológica associada a diversas circunstâncias de vida, é um sentimento que acompanha um sentido geral de aflição, como terror, horror, alarme e pânico. Incluem sintomas como taquicardia, tontura, dor de cabeça, dores musculares, formigamento, suor, além de insônia, tensão, irritabilidade e angústia.  

O profissional enfermeiro é responsável pela gestão do processo de enfermagem e, de acordo com sua conduta, coordena a sistematização que deve abordar o indivíduo de uma forma holística, utilizando-se de estratégias que minimizem a ansiedade proveniente da doença e/ou tratamento associado. 

De acordo com Lima et al. (2021) O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) divide os transtornos de ansiedade em: transtorno de ansiedade de separação, mutismo seletivo, fobia específica, transtorno de ansiedade social (fobia social), transtorno de pânico, agorafobia, transtorno de ansiedade generalizada, ansiedade induzida por substâncias/medicamentos e ansiedade devida à outra condição médica. Além destes, inclui-se também outro transtorno de ansiedade especificado e transtorno de ansiedade não especificado. 

O autor Guedes (2024) no seu estudo descreve que o enfermeiro no âmbito da saúde mental exerce funções que vão além  das práticas convencionais, uma vez que o cuidado está presente em cada ação, valorizando a escuta qualificada, a empatia e a confiança, sempre com o propósito de melhorar a vida do paciente. 

Além disso, os profissionais de enfermagem precisam propor novas formas de cuidado, que envolvam tanto as intervenções sobre o corpo quanto aquelas mediadas pela comunicação. Dessa maneira, a enfermagem reconhece o paciente em sua integralidade, contemplando aspectos que muitas vezes não são percebidos por outros profissionais de saúde.  

No entanto, a falta de infraestrutura adequada para atender à complexidade dos casos é um obstáculo, visto que os pacientes frequentemente apresentam comorbidades, como depressão, abuso de substâncias e doenças crônicas, exigindo uma abordagem integrada (Guedes; Pereira, 2024). 

A abordagem terapêutica ao transtorno de ansiedade requer planejamento da equipe multiprofissional. A confiança do paciente nos profissionais está diretamente relacionada à efetividade do tratamento. Nesse cenário, a participação do enfermeiro é fundamental, pois esse profissional tem um olhar crítico e atua com foco na promoção da saúde, na humanização e integralidade do cuidado (Albuquerque; Almeida, 2020). 

Existem diversas estratégias eficazes de cuidado, como o acolhimento, a escuta ativa e o suporte emocional. Para que essas ações sejam efetivas, o enfermeiro deve adotar uma postura empática, acolhedora e ética, sendo um pilar essencial no cuidado ao paciente com transtorno de ansiedade (Oliveira et al., 2020). 

Diante do exposto, este estudo tem como objetivo analisar o papel do enfermeiro na assistência ao paciente com transtorno de ansiedade, destacando as intervenções mais eficazes na Atenção Primária à Saúde (APS) e na assistência hospitalar para promover um cuidado integral e humanizado. 

Metodologia 

Trata-se de uma revisão de literatura, desenvolvida com o objetivo de analisar o papel do enfermeiro na assistência ao paciente com transtorno de ansiedade, destacando as intervenções mais eficazes no âmbito da APS e no âmbito hospitalar. 

As buscas foram realizadas nas bases de dados SciELO, Cofen e PubMed, contemplando publicações no período de 2020 a 2025. Para isso, foram utilizados os descritores: “assistência”, “transtorno de ansiedade”, “enfermagem” e “saúde mental”, combinados por meio do operador booleano “AND”, a fim de refinar os resultados encontrados. 

Os critérios de inclusão adotados foram artigos publicados em português e inglês, que abordassem diretamente a atuação do enfermeiro na assistência ao paciente com transtorno de ansiedade. Foram excluídos estudos que tratavam de outros transtornos, como depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e síndrome de burnout, além de artigos que não detalharam intervenções específicas de enfermagem voltadas para esse público, assegurando a relevância dos estudos selecionados aos objetivos propostos. 

Desenvolvimento 

A palavra “ansiedade”, em latim, é anxietas, na qual, significa angústia. Ela está presente em muitos dos sintomas psicológicos. De acordo com Brasil (2025), a ansiedade se caracteriza como uma emoção normal, que pode funcionar como um sinal de alerta ou perigo, sendo acompanhada de sintomas físicos, psicológicos e da antecipação de problemas. É por meio desses sintomas que se consegue identificar e tratar o transtorno. 

Entretanto, antes de ser compreendida como transtorno de ansiedade que conhecemos atualmente, a ansiedade passou por diversas interpretações ao longo da história. Conforme o estudo de Albuquerque e Almeida (2020), na antiguidade, era associada à neurose, devido ao conjunto de transtornos ansiosos, denominado “neurose de ansiedade”. Somente em 1980 ela passou a ser reconhecida como uma patologia. 

A ansiedade é uma reação normal a uma ameaça ou estresse psicológico, desempenhando um papel fundamental na sobrevivência e sendo enraizada no medo. No entanto, há uma diferença entre ansiedade fisiológica (“normal”) e ansiedade patológica, observando-se principalmente a duração e a intensidade dos estímulos,  A ansiedade fisiológica ocorre em momentos específicos, enquanto a patológica se manifesta de forma contínua e intensa, tornando-se doença quando começa a interferir na qualidade de vida do indivíduo (Barnhill, 2024; Lima et al., 2021). 

A partir de várias pesquisas sobre o transtorno de ansiedade, Oliveira et al. (2020) apontam os sintomas mais frequentes, como insônia, angústia constante, irritabilidade aumentada e dificuldade de concentração. Segundo esses autores, a ansiedade sempre esteve presente em nosso cotidiano humano. No entanto, a sociedade atual tem sido frequentemente considerada como a “sociedade da ansiedade”, devido à sobrecarga de prazos, à competitividade, ao consumismo e às múltiplas obrigações. 

Diante de tantos acontecimentos cotidianos que influenciam e potencializam o transtorno de ansiedade, observa-se que o número de pessoas que têm ou estão desenvolvendo esse transtorno só aumenta. De acordo com Oliveira e Santos (2024), jovens de 18 a 24 anos apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento da ansiedade, em razão das intensas pressões sociais, acadêmicas e profissionais que marcam essa etapa da vida. 

Frente a essa realidade, em que a ansiedade é entendida como uma condição que causa sintomas físicos, psicológicos e patológicos, surge a pergunta: Quais estratégias de cuidado dos enfermeiros são mais eficazes na assistência aos pacientes com transtorno de ansiedade no âmbito da APS e no âmbito hospitalar?  

A Resolução COFEN nº 678/2021 normatiza a atuação do enfermeiro especialista em saúde mental e em enfermagem psiquiátrica, o qual é o profissional mais indicado para a prática clínica nesta área. No entanto, o atendimento a indivíduos com transtornos de ansiedade é uma realidade frequente em Unidades de saúde, sendo comumente realizado por enfermeiros que, em muitos casos, não possuem a especialização formal na área de saúde mental. 

Nesses cenários, a articulação multiprofissional é imprescindível e se concretiza por meio de diferentes ferramentas que visam qualificar a atenção e promover a integração entre equipes de saúde, permitindo a construção colaborativa e individualizada de propostas terapêuticas. Entre essas estratégias destacam-se o Matriciamento em Saúde Mental, o Projeto Terapêutico Singular (PTS), as interconsultas, grupos terapêuticos, visitas domiciliares, além de outras práticas que favorecem a integração entre os diversos níveis de atenção, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o ambiente hospitalar.

Essa integração é essencial para ampliar a resolutividade do cuidado, garantindo suporte técnico e multiprofissional ao enfermeiro, fortalecendo a tomada de decisão clínica e a implementação de intervenções baseadas em evidências. 

Conforme a Resolução COFEN nº 678/2021, o enfermeiro nos serviços de saúde mental, incluindo os CAPS, possui autonomia para planejar e executar atividades voltadas ao bem-estar individual e coletivo, elaborar estratégias que priorizem a recuperação da saúde, organizar campanhas de promoção da saúde e coordenar ações da equipe multiprofissional. Essas atribuições reforçam o papel estratégico do enfermeiro na atenção psicossocial, alinhando-se às diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental, Lei nº 10.216/2001, e à Rede de Atenção Psicossocial  (Albuquerque; Almeida, 2020). 

Neste cenário, destaca-se a atuação da enfermagem, cuja prática é voltada para o cuidado integral do indivíduo. Visto que, de acordo com Reis (2024) a assistência do enfermeiro ao paciente com transtorno de ansiedade deve ser humanizada e individualizada independente do âmbito a ser tratado, com o objetivo de promover bem-estar e autonomia.  

A assistência de enfermagem é essencial à pessoa com transtornos de ansiedade. Além de fazer uma avaliação geral do paciente, não somente em questões clínicas, mas também às suas necessidades psicológicas, o enfermeiro especialista em saúde mental é capaz de compreender e identificar os sinais e sintomas mesmo em suas manifestações iniciais. Para traçar um plano de cuidados de enfermagem ao paciente com transtorno de ansiedade, são realizadas algumas intervenções, tais como orientações sobre os efeitos colaterais das medicações, abordagens tranquilizantes, atenção e escuta para promover o encorajamento do paciente, encorajar a participação da família durante todo o tratamento, ensinar técnicas de relaxamento e respiração, encorajar a prática de exercícios para alívio dos sintomas físicos, identificar mudança nos níveis de ansiedade e auxiliar o paciente a identificar situações que sejam gatilhos para ansiedade (Oliveira; Marques; Silva 2020). 

A Atenção Primária à Saúde (APS) é um ponto estratégico de cuidado em saúde mental, com foco na promoção e prevenção. Nesse cenário, o enfermeiro tem a função crucial de atuar na identificação de pacientes em sofrimento psíquico, garantindo a assistência humanizada e integral, o que envolve a articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) (Bernardo et al., 2024). 

Na APS, estudos como o de Lima e Silva (2024) destacam a escuta qualificada e o acolhimento humanizado como estratégias centrais. Tais práticas criam vínculos de confiança, favorecem a detecção precoce dos sinais e permitem encaminhamentos oportunos. Assim, o enfermeiro atua não apenas como cuidador, mas também como facilitador do acesso à rede de apoio, impactando diretamente na prevenção do agravamento dos sintomas.  

De acordo com Albuquerque e Almeida (2020),  o enfermeiro também atua na orientação sobre manejo do estresse a partir de terapias complementares, denominadas Práticas Integrativas e Complementares (PIC), que correspondem a um conjunto de terapêuticas que incluem a acupuntura, auriculoterapia, homeopatia, termalismo, a fitoterapia, a massagem oriental, entre outros. Evidências científicas mostram que essa terapia é promissora e sua incorporação no tratamento da ansiedade na prática clínica de enfermagem, no contexto do Sistema Único de Saúde, poderá contribuir para a redução do tratamento farmacológico e o seu uso indiscriminado e prolongado, evitando aos pacientes prejuízos ou mesmo a morte.

Quadro 1: Síntese das estratégias de cuidado do enfermeiro ao paciente com transtorno de ansiedade no contexto da Atenção Primária à Saúde.

Contextos da atuação  Principais Estratégias de cuidado Efeitos observados 
Atenção Primária à Saúde. Acolhimento e vínculo: escuta qualificada, acolhimento humanizado, construção de vínculo terapêutico, comunicação empática e respeito.  Favorece a confiança do paciente, adesão ao tratamento e detecção precoce de sinais de agravamento do transtorno. 
Orientação e educação: manejo do estresse, técnicas de relaxamento, estratégias de autocuidado, orientação para desenvolvimento de estratégias de enfrentamento.Fortalece a autonomia do paciente e promove habilidades de enfrentamento do transtorno.
  
Suporte social e familiar: atuação como facilitador do acesso à rede de apoio social e de saúde, acompanhamento familiar, grupos de ajuda e suporte mútuo. Reduz o risco de agravamento dos sintomas, promove integração social e apoio emocional. 
Práticas terapêuticas e integrativas: atividades terapêuticas individuais e coletivas, práticas integrativas e complementares (PIC), como auriculoterapia, acupuntura, homeopatia e massagem oriental.  Contribuem para redução do estresse e da ansiedade, promovendo empoderamento, bem-estar e recuperação da saúde mental. 

Fonte: Adaptado de Lima; Silva (2024), Albuquerque; Almeida (2020), Barnhill (2024), Guedes (2024), Reis (2024), Lima et al. (2021). 

A assistência ao paciente com transtorno mental deve ser digna, humanizada e sistematizada, com foco na construção de um plano de ação que favoreça a estruturação da vida emocional e social do indivíduo, bem como na capacitação contínua dos profissionais de saúde e na aplicação de protocolos adequados durante o atendimento (Reis, 2024). No contexto hospitalar, é fundamental que a equipe de enfermagem adote uma abordagem calma e tranquilizadora, mantendo proximidade física e encorajando a presença de familiares, além de disponibilizar objetos que transmitam segurança e estabilidade emocional (Oliveira; Marques; Silva, 2020). Tais práticas fortalecem o vínculo terapêutico, reduzem sintomas de medo e insegurança, promovem a adesão às orientações médicas e de enfermagem e tornam o cuidado mais eficaz e personalizado, garantindo que o paciente seja atendido de forma íntegra e acolhedora, mesmo em situações de crise (Reis; 2024; Oliveira; Marques; Silva, 2020).

Quadro 2: Síntese das estratégias de cuidado do enfermeiro ao paciente com transtorno de ansiedade no contexto Hospitalar.

Contextos da atuação  Principais Estratégias de cuidado Efeitos observados 
 Hospitalar Oferecer assistência sistematizada, baseada nas necessidades humanas básicas, com enfoque na dignidade e humanização do atendimento, como por exemplo: registrar sinais vitais, monitorar sintomas de ansiedade e oferecer acolhimento verbal).  Amplia o cuidado para além do paciente, envolvendo a família e promovendo suporte emocional integral. 
Manter abordagem calma e tranquilizadora, permanecer próximo ao paciente, encorajar a presença de familiares e disponibilizar objetos pessoais que transmitam segurança e estabilidade emocional. Reduz sintomas de medo e ansiedade, fortalece o vínculo terapêutico e contribui para adesão ao tratamento 
Aplicar raciocínio clínico para avaliar a urgência do caso, priorizando intervenções e acompanhamento adequado.Assegura intervenções seguras e oportunas, garantindo resposta adequada às necessidades do paciente.
  
Criar rotina previsível e manter o paciente sempre ciente dos procedimentos hospitalares, como por exemplo explicar antes do exame ou medicação o que será feito.  Facilita o entendimento das ações de cuidado, reduz ansiedade e contribui para adesão ao tratamento. 

Fonte: Adaptado de Lima; Silva (2024), Oliveira, Marques; Silva (2020), Albuquerque; Almeida (2020), Barnhill (2024), Guedes (2024), Reis (2024), Lima et al. (2021) 

Diante das diferentes abordagens sobre o papel do enfermeiro na assistência ao paciente com transtorno de ansiedade nos contextos da Atenção Primária à Saúde (APS) e hospitalar, torna-se possível estabelecer um comparativo entre os ambientes de cuidado. No Quadro 1, observa-se que, na APS, o foco do cuidado se concentra na prevenção, detecção precoce e no fortalecimento do vínculo terapêutico por meio de estratégias como a escuta qualificada, o acolhimento humanizado, a orientação para manejo do estresse e a utilização de PIC. Essas ações permitem ao enfermeiro atuar não apenas como cuidador, mas também como facilitador do acesso à rede de apoio social e de saúde, promovendo autonomia do paciente, empoderamento e integração social, além de reduzir o risco de agravamento dos sintomas. 

Em contrapartida, no Quadro 2, evidencia-se que o contexto hospitalar demanda uma abordagem mais imediata e estruturada, voltada para o manejo de crises e estabilização emocional do paciente. Nesse ambiente, a atuação do enfermeiro é marcada pela aplicação de protocolos clínicos, manutenção de proximidade física, estímulo à presença familiar e oferta de recursos que transmitam segurança e estabilidade emocional. Tais estratégias fortalecem o vínculo terapêutico, promovem a adesão às orientações médicas e de enfermagem e asseguram um cuidado humanizado e personalizado, mesmo em situações de maior vulnerabilidade do paciente. 

Portanto, a análise dos quadros permite identificar que, enquanto a APS prioriza a prevenção, acompanhamento contínuo e suporte integral, o ambiente hospitalar enfatiza a intervenção imediata, estabilização emocional e cuidados sistematizados. Como enfatizado por Lima e Silva (2024), juntas, essas abordagens complementam-se, evidenciando a importância de um cuidado integral que considere a dimensão física, emocional e social do indivíduo com transtorno de ansiedade. 

Conclusão  

Este estudo teve como objetivo evidenciar o papel do enfermeiro frente ao paciente com transtorno de ansiedade, analisando as principais estratégias de cuidado vivenciadas na APS e na assistência hospitalar. 

A revisão evidenciou que as intervenções mais eficazes incluem manter uma abordagem calma e tranquilizadora, realizar uma escuta qualificada, promover o acolhimento humanizado e oferecer suporte emocional. Essas ações contribuem para fortalecer a confiança e o vínculo profissional-paciente, favorecendo a redução do medo e da insegurança durante o cuidado. 

As estratégias mencionadas demonstram a importância da atuação do enfermeiro em situações de saúde mental, considerando que esses profissionais estão na linha de frente do cuidado e presentes nos momentos de maior vulnerabilidade do paciente. Quando aplicadas de forma consciente, essas intervenções podem melhorar significativamente a experiência e a qualidade de vida do paciente, especialmente diante do crescente número de casos de transtornos de ansiedade. 

Dessa forma, a atuação do enfermeiro torna-se essencial em todos os âmbitos da saúde, pois, por meio de práticas eficazes como escuta qualificada, acolhimento humanizado e suporte emocional contínuo, o profissional não apenas reduz o medo e a insegurança, mas também promove confiança, conforto e esperança, evidenciando que a essência do cuidado está em uma prática baseada no cuidado integral e humanizado, que ampara o paciente em sua totalidade. 

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REIS, Lorena Tomaz dos. Assistência do enfermeiro ao paciente com transtorno de ansiedade. 2024. Monografia (Graduação em Enfermagem) – Centro Universitário Atenas, Paracatu, 2024.


1Discente de Enfermagem – bbaracal12@gmail.com / Centro Universitário Piaget-UNIPIAGET.
2Discente de Enfermagem – ruguiara91@gmail.com / Centro Universitário Piaget-UNIPIAGET.
3Discente de Enfermagem – Luizasara834@gmail.com / Centro Universitário Piaget-UNIPIAGET.
4Mestre em políticas sociais e enfermeira – Luciaviana@faculdadepiaget.com.br / Centro Universitário Piaget-UNIPIAGET.
5Doutora em enfermagem – enfermagem@faculdadepiage.com.br / Centro Universitário-Piaget-UNIPIAGET.