O PAPEL DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NO CUIDADO DE PACIENTES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

THE ROLE OF THE NURSING TEAM IN CARING FOR PATIENTS WITH BORDERLINE PERSONALITY DISORDER

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510221257


Sara Cristina Prado Vargas1
Mª Letycia Parreira de Oliveira2


RESUMO: 

O cuidado de pacientes com transtornos mentais é um aspecto essencial da saúde pública e exige da enfermagem uma abordagem integral e humanizada. Entre os transtornos psiquiátricos, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se destaca por sua complexidade, marcada por instabilidade emocional, impulsividade e comportamentos autodestrutivos, o que torna o manejo clínico um desafio para os profissionais da saúde. Objetivo: Avaliar o papel da equipe de enfermagem no cuidado de pacientes com TPB e identificar as estratégias utilizadas para promover uma assistência eficaz e humanizada. Metodologia: Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo revisão integrativa, que reúne e analisa resultados de pesquisas publicadas entre 2019 e 2025, disponíveis nas bases Google Acadêmico, SciELO, LILACS e BVS. Foram utilizados os operadores booleanos AND e OR. A seleção e análise dos estudos foram guiadas pela metodologia PICO, assegurando rigor e sistematização. Resultados: Foram incluídos 17 artigos que destacam o papel da enfermagem na escuta ativa, no acolhimento e na comunicação terapêutica, demonstrando que essas práticas reduzem crises emocionais e fortalecem a adesão ao tratamento. Discussão: A atuação do enfermeiro é essencial para a estabilização emocional e a reabilitação psicossocial dos pacientes com TPB, sendo indispensável o desenvolvimento de competências técnicas, empatia e vínculo terapêutico. Conclui-se que o cuidado de enfermagem é central na promoção da segurança, autonomia e qualidade de vida desses pacientes. 

Palavras-chave: Transtorno de personalidade borderline; Cuidados de Enfermagem; Saúde Pública. 

ABSTRACT: 

The care of patients with mental disorders is an essential aspect of public health and requires nursing to adopt a comprehensive and humanized approach. Among psychiatric disorders, Borderline Personality Disorder (BPD) stands out for its complexity, marked by emotional instability, impulsivity, and self-destructive behaviors, which make clinical management a challenge for healthcare professionals. Objective: To assess the role of the nursing team in caring for patients with BPD and to identify the strategies used to promote effective and humanized care. Methodology: This is a qualitative study, using an integrative review approach, that gathers and analyzes research results published between 2019 and 2025, available in databases such as Google Scholar, SciELO, LILACS, and BVS. Boolean operators AND and OR were used. The selection and analysis of studies were guided by the PICO methodology, ensuring rigor and systematization. Results: Seventeen articles were included, highlighting the role of nursing in active listening, welcoming, and therapeutic communication, showing that these practices reduce emotional crises and strengthen treatment adherence. Discussion: The nurse’s performance is essential for the emotional stabilization and psychosocial rehabilitation of patients with BPD, making the development of technical skills, empathy, and a therapeutic bond indispensable. It is concluded that nursing care is central to promoting the safety, autonomy, and quality of life of these patients. 

Keywords: Borderline Personality Disorder; Nursing Care; Public Health. 

Resumen: 

El cuidado de los pacientes con trastornos mentales es un aspecto esencial de la salud pública y exige de la enfermería un enfoque integral y humanizado. Entre los trastornos psiquiátricos, el Trastorno Límite de la Personalidad (TLP) se destaca por su complejidad, caracterizada por la inestabilidad emocional, la impulsividad y los comportamientos autodestructivos, lo que hace que el manejo clínico sea un desafío para los profesionales de la salud. Objetivo: Evaluar el papel del equipo de enfermería en el cuidado de pacientes con TLP e identificar las estrategias utilizadas para promover una atención eficaz y humanizada. Metodología: Se trata de un estudio cualitativo, de tipo revisión integradora, que recopila y analiza resultados de investigaciones publicadas entre 2019 y 2025, disponibles en las bases de datos Google Académico, SciELO, LILACS y BVS. Se utilizaron los operadores booleanos AND y OR. La selección y el análisis de los estudios se guiaron por la metodología PICO, garantizando rigor y sistematización. Resultados: Se incluyeron 17 artículos que destacan el papel de la enfermería en la escucha activa, la acogida y la comunicación terapéutica, demostrando que estas prácticas reducen las crisis emocionales y fortalecen la adherencia al tratamiento. Discusión: La actuación del enfermero es esencial para la estabilización emocional y la rehabilitación psicosocial de los pacientes con TLP, siendo indispensable el desarrollo de competencias técnicas, empatía y vínculo terapéutico. Se concluye que el cuidado de enfermería es fundamental para promover la seguridad, la autonomía y la calidad de vida de estos pacientes. 

Palabras clave: Trastorno Límite de la Personalidad; Cuidados de Enfermería; Salud Pública.

1. INTRODUÇÃO 

O cuidado de pacientes com transtornos mentais é um componente essencial da saúde pública, exigindo das equipes de enfermagem um atendimento integral e humanizado. O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se destaca entre os transtornos psiquiátricos devido à sua complexidade, caracterizando-se por instabilidade emocional, impulsividade e dificuldades nas relações interpessoais. Indivíduos com TPB frequentemente apresentam comportamentos autodestrutivos, como automutilação e tentativas de suicídio, tornando o manejo clínico um desafio para os profissionais da saúde (Agnol et al., 2019, p. 2).  

Nesse contexto, a enfermagem desempenha um papel central na reabilitação desses pacientes, oferecendo suporte emocional, promovendo o autocuidado e orientando sobre o uso correto de medicamentos. Estratégias terapêuticas centradas no paciente têm demonstrado resultados positivos na redução de crises psiquiátricas e na melhoria da qualidade de vida, ressaltando a importância da escuta ativa e do fortalecimento da autonomia do paciente (Rocha et al., 2021, p. 5-6).  

Além disso, Guedes (2024) explica que a prática profissional do enfermeiro não se restringe ao cuidado direto, mas envolve também ações educativas e reflexivas, que permitem a identificação de potencialidades e fragilidades no cuidado prestado. A compreensão do contexto sociopolítico, econômico e cultural do paciente possibilita a oferta de um atendimento mais qualificado e ético, pautado em tecnologias e intervenções que garantam um cuidado integral e eficaz.  

Dessa forma, este trabalho tem como objetivo avaliar qual é o papel da equipe de enfermagem no cuidado de pacientes com transtorno de personalidade borderline e quais são as estratégias utilizadas para promover uma assistência eficaz e humanizada. 

2. MATERIAL E MÉTODO 

Trata-se de um estudo qualitativo, tipo revisão integrativa, que se caracteriza por ser uma estratégia de pesquisa que possibilita reunir, analisar e sintetizar resultados de estudos já publicados, permitindo uma compreensão ampliada sobre determinada temática e subsidiando práticas baseadas em evidências. Além disso, contribui para identificar avanços e lacunas no conhecimento científico, servindo de base para a proposição de novas investigações (Hassunuma et al., 2024). 

Com isso, para melhor direcionamento e entendimento em relação ao tema, foi levantada uma questão norteadora: “qual é o papel da equipe de enfermagem no cuidado de pacientes com transtorno de personalidade borderline e quais são as estratégias utilizadas para promover uma assistência eficaz e humanizada?”. Definiu-se como objetos de análise artigos inéditos, com evidências científicas de estudos primários, com abordagem quantitativa ou qualitativa. As publicações foram selecionadas em bases de dados reconhecidas no campo científico e acadêmico por reunirem ampla literatura científica nacional e/ou internacional: Google Acadêmico, SciELO (Scientific Eletronic Library Online), LILACS (Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e a BVS (Biblioteca Virtual em Saúde). 

A operacionalização deste estudo teve início com uma consulta aos Descritores Ciências da Saúde (DeCS), utilizando os operadores de pesquisa AND e OR, para conhecimento dos termos mais apropriados para as buscas: “Transtorno de personalidade borderline”, “Cuidados de Enfermagem” e “Saúde Pública”; com o intuito de melhor entendimento diante da abordagem do tema. 

Para orientar a seleção e análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa, foi estruturado um quadro com base na metodologia PICO, que permite definir de forma clara a população, a intervenção, o comparador e os desfechos esperados, assegurando a objetividade e a sistematização da pesquisa. O quadro a seguir apresenta a aplicação do PICO neste estudo: 

Quadro 1 – Estrutura PICO para a revisão integrativa sobre o papel da equipe de enfermagem no cuidado de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline

Componente Descrição Exemplo para revisão 
P (População) Grupo de pacientes que apresentam a condição de interesse. Pacientes diagnosticados com Transtorno de Personalidade Borderline em hospitais ou ambulatórios de saúde mental. 
I (Intervenção) Ação, procedimento ou estratégia aplicada à população para atingir os objetivos do estudo. Atuação da equipe de enfermagem, incluindo suporte emocional, orientação sobre medicamentos, promoção do autocuidado e cuidado humanizado. 
C (Comparação) Situação ou grupo de referência para comparação com a intervenção. Cuidados habitualmente prestados sem estratégias específicas de enfermagem ou abordagem não estruturada. 
O (Resultado) Resultado esperado ou efeito da intervenção. Melhoria na qualidade do cuidado, redução de crises psiquiátricas, aumento da autonomia e bem-estar do paciente, e satisfação com o atendimento. 

Fonte: Próprio autor (2025). 

O levantamento da literatura foi realizado por meio de buscas on-line, o que resultou na seleção de 200 artigos oriundos das diferentes bases. Estabeleceram-se como critérios de inclusão artigos publicados entre os anos de 2019 a 2025, nos idiomas inglês, português e espanhol, que se encontravam disponíveis eletronicamente na íntegra e que, após leitura, contemplaram o objeto de estudo investigado. Foram excluídos estudos de outras modalidades que não acrescentaria devidas informações aos estudos primários (como editoriais, relatos de experiência e estudos reflexivos), bem como documentos de órgãos governamentais, teses, dissertações e monografias, trabalhos apresentados em eventos, material técnico e artigos jornalísticos, o que totalizou dezessete artigos, conforme o quadro sinóptico a seguir. Por meio deste procedimento, identificaram-se os principais assuntos, os quais estão demonstrados no Fluxograma 1:

Fonte: Próprio autor (2025)

3. RESULTADOS 

Entre os artigos pesquisados, 56 (28%) foram localizados no Google Acadêmico, os quais destacam o papel essencial da equipe de enfermagem na assistência a pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Esses estudos enfatizam a importância da escuta ativa, da empatia e da comunicação terapêutica como instrumentos fundamentais para a criação de um vínculo de confiança entre profissional e paciente, o que contribui diretamente para o manejo das crises emocionais e para a adesão ao tratamento. 

Na base de dados SciELO, foram encontrados 19 (9,5%) artigos que abordam práticas e estratégias específicas de intervenção da enfermagem junto a pacientes com TPB. Esses artigos destacam como o preparo técnico e emocional dos profissionais influencia positivamente o processo de cuidado, auxiliando na identificação precoce de comportamentos autodestrutivos e na implementação de planos de cuidados individualizados. 

A base de dados LILACS apresentou 25 (12,5%) artigos que discutem os desafios enfrentados pela equipe de enfermagem ao lidar com pacientes com histórico de instabilidade emocional e comportamentos impulsivos. Esses estudos ressaltam a importância da capacitação contínua e do suporte psicológico aos profissionais, a fim de evitar o desgaste emocional e promover uma assistência humanizada e eficaz. 

Já a BVS apresentou 100 (50%) artigos que exploram de forma ampla o papel da enfermagem na saúde mental, especialmente no acompanhamento de pacientes diagnosticados com transtornos de personalidade. Esses estudos reforçam o papel interdisciplinar da equipe de enfermagem no apoio ao paciente, destacando a necessidade de protocolos clínicos e diretrizes que auxiliem o enfermeiro na condução do cuidado de forma ética e segura. 

A análise dos dados primários dos artigos incluídos e a síntese destes se deram de forma descritiva, a partir de um quadro sinóptico que contemplou de forma minuciosa informações extraídas de cada estudo. A organização do material possibilitou a classificação por similaridades e o agrupamento temático das evidências, o que está apresentado no Quadro 2, sendo 17 (dezessete) artigos selecionados, com título, autores e ano de publicação, demonstrando o objetivo, metodologia e conclusão de cada um. Os artigos selecionados para esta pesquisa buscam compreender de que forma a equipe de enfermagem atua no cuidado de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline, destacando a relevância do acolhimento, da escuta empática e da promoção da estabilidade emocional durante o tratamento. 

Esses resultados derivam do Fluxograma 1. 

Quadro 2 – Análise dos estudos pesquisados para esta revisão:

Título e Autor (a)ObjetivoMetodologiaConclusão
Transtorno de 
personalidade 
borderline e assistência de enfermagem na 
emergência psiquiátrica. 

Pollis et al., 2019
Descrever sobre o transtorno de 
personalidade borderline e sobre a assistência de enfermagem na 
emergência psiquiátrica.
Pesquisa bibliográfica de cunho narrativo apoiada em livros, artigos e sites da American Psychiatric Association e da Organização Mundial de Saúde.Com o aprofundamento dos estudos sobre o transtorno de 
personalidade borderline, foi possível demonstrar como ocorreu sua caracterização e desassociação da esquizofrenia e outras doenças mentais já conhecidas há mais tempo, assim como foi demonstrado as diferentes formas evolutivas de diagnosticar o transtorno, utilizando de métodos próximos da realidade psicossocial atual.
Cuidado de enfermagem às pessoas com transtorno de personalidade 
borderline na perspectiva freireana. 
 
Agnol et al., 2019.
Explorar as implicações dessa empatia peculiar, sua relação com dinâmicas arcaicas e seu impacto nas relações interpessoais.Revisão narrativa da literatura e análise de casos clínicos ilustrativos.Os resultados indicam que essa sensibilidade busca estabilizar relações de objeto internalizadas, mas, aliada à desconfiança no comportamento 
consciente, compromete vínculos interpessoais e contribui para a disfunção social. Compreender essa dinâmica é essencial para reduzir o estigma e aprimorar o manejo clínico.
Sistematização da Assistência de Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva.

Truppel et al., 2019.
Reestruturar a sistematização da assistência de enfermaria em uma unidade de terapia intensiva. As seguintes etapas foram realizadas neste estúdio: descrição dos diagnósticos de enfermeira, construção do protocolo baseado na Classificação 
Internacional para a Prática de Enfermaria (CIPE), determinação de prescrições e construção de regulamentos, rotinas e procedimentos.
Trata-se de uma pesquisa metodológica, realizada em uma UTI de Adultos de um 
Hospital de Ensino
Caracterizaram-se a prática de enfermagem e a complexidade assistencial em UTI. 
Assim, sistematização da assistência de enfermagem é entendida como uma ferramenta valiosa para a prática de enfermagem.
Palliative Care for
Terminally III
Individuals With Borderline 
Personality Disorder. 
 
Terpstra et al. 2019.
Essas questões complicam a qualidade dos cuidados paliativos para essa população e são de particular preocupação para enfermeiros e profissionais de saúde de cuidados paliativos e hospice.Este artigo apresenta estudos de caso de indivíduos terminais com TPB como uma série de vinhetas que apresentam problemas clínicos comuns enfrentados pela equipe de cuidados paliativos.São discutidas intervenções sugeridas na literatura, bem como abordagens utilizadas pelos membros da equipe ao trabalhar com indivíduos terminais com TPB.
Assistência De Enfermagem Ao Paciente Com Transtorno De 
Personalidade Borderline. 
 
Barbosa et al., 2020.
Observar e analisar o que há na literatura recente sobre a importância da assistência de enfermagem ao paciente com Transtorno de 
Personalidade 
Borderline (TPB)
Trata-se de revisão narrativa. As pesquisas dos artigos foram feitas em três bases de dados (BEDENF, LILACS E SCIELO). Os critérios de inclusão, previamente estabelecidos na estratégia, foram de artigos disponíveis publicados nos últimos 5 anos (2016 a 2020), em português e na íntegra, artigos originais e artigos relacionados ao problema de pesquisa; e os critérios de exclusão foram artigos que não tinham relação com o objetivo proposto, artigos em outro idioma e livrosA enfermagem tem um papel muito importante no cuidado ao paciente com TPB, sendo necessário que os profissionais sejam capacitados o suficiente para lidar com determinadas situações que podem surgir durante a assistência, pois são pacientes compulsivos e agressivos, em alguns momentos.
Resultados da 
Classificação de 
Resultados de Enfermagem/NOC para pacientes com 
transtorno obsessivo compulsivo. 
 
Pires et al., 2020.
Analisar a aplicação de resultados e indicadores de enfermagem 
selecionados 
Nursing Outcomes 
Classification ( NOC) para avaliar pacientes com transtorno 
obsessivo-compulsivo 
(TOC) acompanhamento ambulatorial.
Pesquisa baseada em resultados. Primeiramente, realizou-se um consenso entre enfermeiros especialistas em saúde mental (SM) e em processo de enfermagem para selecionar os resultados e indicadores relacionados à NOC, seguido da elaboração de suas definições conceituais e operacionais. Em seguida, foi criado um instrumento com estes, que foi testado em um grupo piloto de seis pacientes atendidos em um ambulatório de SM. O instrumento foi aplicado em pacientes com TOC em Terapia Cognitivo-
Comportamental em Grupo (TCCG). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição.
O estudo demonstrou viabilidade para avaliação de sintomas de pacientes com TOC por meio de resultados e indicadores da NOC em situação ambulatorial.
Percepção dos enfermeiros frente ao atendimento a portadores de transtorno de borderline. 
 
Cassiano et al., 2020.
Avaliar 
o conhecimento dos enfermeiros da atenção 
básica, frente às ações relacionadas ao 
atendimento ao paciente com Transtorno de Personalidade de Borderline.
Tratou-se de um estudo exploratório-descritivo, 
de abordagem qualitativa, coleta de dados por meio 
de entrevista com questionário elaborado pelos autores e análise de conteúdo para análise dos dados.
Conclui-se diante de todos os dados coletados que a maior parte dos entrevistados se apresentaram de forma consciente e segura sobre o 
atendimento, demonstrando conhecimento sobre a patologia, e as formas de diagnóstico e tratamento, contudo, parte importante demonstrou falta de conhecimento sobre o assunto, o que pode ser traduzido em déficit de atendimento por parte do enfermeiro em atenção primária.
Perspectives on person-centred care for borderline 
personality disorder: a critical research agenda. 
 
Duff et al., 2020.
Examinar algumas dessas tensões e avalia como uma maior atenção às vozes das pessoas que vivem com TPB pode ajudar a orientar a oferta de novos modos de cuidado centrado na pessoa.Indicamos como a 
investigação interdisciplinar crítica pode impulsionar novas respostas a esses desafios.
Argumentamos que um maior progresso em direção ao cuidado centrado na pessoa requer novas formas de evidência baseadas em investigação social crítica sobre experiências de tratamento e apoio entre pessoas que vivem com TPB e os variados contextos sociais, culturais e políticos que sustentam essas experiências.
Trabalho desemprego pacientes transtornos mentais. 
 
Almeida et 2021.
Identificar a prevalência de desempregados entre pessoas com transtornos mentais e analisar os possíveis preditores para o desemprego nessa po pulação.Estudo quantitativo, descritivo, desenvolvido em um ambulatório de saúde mental. A amostra aleatória estratificada contou com 258 participantes e os dados foram coletados por meio das fichas de admissão considerando-se o período de 2012 a 2014. Empreenderam-se análises descritivas, bivariadas e de regressão logística. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa.O número de desempregados foi maior tanto em relação ao estimado 
na população brasileira quanto aos estudos prévios. Tendo em vista que o trabalho é um dos vértices da reabilitação psicossocial, pontua-
se que a questão 
da capacidade funcional precisa ser priorizada no cuidado de saúde mental e na assistência de Enfermagem.
Atuação do enfermeiro ao paciente portador de transtorno mental. 
 
Rocha et al., 2021.
Falar sobre os cuidados da enfermagem para com o paciente acometido pelo transtorno mental, fazendo-se um recorte de análise temporal de como esse cuidado ocorria e como ele se apresenta na atual conjuntura da saúde mental.Revisão de literatura, que ocorreu por meio de pesquisa nas bases de dados BIREME, Lilacs, Scielo, BDENF e BVS.Diante dos resultados pôde- se evidenciar que o enfermeiro é parte importante no cuidado ao paciente com transtorno mental, observando que estes compõem uma equipe multiprofissional e destacando que o cuidado vai muito além de apenas atender o paciente, mas que consiste 
principalmente na relação com a família do paciente, na formação de vínculo, no trabalho que almeja a reinserção social e muitas vezes também a reinserção familiar do indivíduo.
Percepção de estudantes de enfermagem sobre transtorno de 
personalidade borderline. 
 
Lima et al., 2023.
Avaliar o conhecimento de estudantes de enfermagem sobre o 
Transtorno de 
Personalidade Borderline.
Este estudo foi realizado por meio de um questionário online disponibilizado pela plataforma “Google Forms” a estudantes de um Centro Universitário privado em Curitiba. Participaram 27 estudantes de enfermagem do 7º semestre em diante, durante o mês de outubro de 2023.Podemos concluir que o Transtorno de 
Personalidade 
Borderline está presente, mas o conhecimento dos estudantes sobre ele ainda não é 
adequadamente satisfatório. Portanto, há necessidade de aprofundar o tema em salas de aula, estágios acadêmicos, 
ampliando o conhecimento 
científico e promovendo o aprimoramento e a formação de profissionais na área. 
Dessa forma, os estudantes podem se tornar capazes de acolher e lidar com as condições sociais, patológicas, 
ambientais e contextuais em que seus pacientes estão imersos.
O papel da enfermagem no cuidado de pacientes com transtornos mentais: desafios e perspectivas no contexto da saúde pública. 
 
Guedes, 2024.
Discute a importância da atuação da enfermagem na saúde mental, abordando os desafios, as estratégias de intervenção, e as perspectivas futuras para a melhoria do atendimento nesse campo.A análise foi realizada com base em uma revisão de literatura e experiências práticas, enfatizando a necessidade de capacitação contínua, atuação integrada com outros profissionais e o desenvolvimento de práticas humanizadas.A importância do enfermeiro nesse contexto vai além da administração de cuidados básicos, sendo ele responsável por criar uma rede de apoio contínuo, educar os pacientes e suas famílias, e garantir que o tratamento seja o mais completo e eficaz possível.
A assistência de enfermagem a paciente com transtorno de 
personalidade borderline. 
 
Vasconcelos et al., 
2024.
Conhecer e determinar o papel dos cuidados de enfermagem nas
perturbações da
personalidade.
Foi realizada uma revisão de literatura dos trabalhos publicados presentes nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Centro 
Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), bem como artigos e livros que corroboraram para o estudo. Utilizamos, para a busca, as palavras-chave “transtorno de personalidade”, 
“cuidados de enfermagem”, 
“personalidade”.
Com o estudo pode-se concluir que quanto mais informações se obter acerca do TPB e seu tratamento são de extrema relevância tanto para a população, quanto profissionais da área da saúde as diferentes formas evolutivas de diagnosticar o transtorno, sintomas e tratamentos, bem como compreender a Assistência da Enfermagem a pacientes com TPB.
“Throw me a life buoy, please”: A systematic review and thematic synthesis of 
qualitative evidence regarding nurses’ experiences of caring for inpatients with borderline personality disorder and/or non-suicidal self-injury. 
 
Nordkamp et al., 2024.
Realizamos uma revisão sistemática e metassíntese para investigar as experiências de enfermeiros de saúde mental que cuidam de pessoas com TPB e/ou NSSI em ambientes de internação.A busca bibliográfica foi realizada no MEDLINE, CINAHL, PsychINFO e Web of Science. O Critical Appraisal Skills Programme (CASP) foi usado para avaliar criticamente cada estudo. Para a síntese dos resultados dos estudos originais, foi usada a síntese temática de Thomas e Harden.O estudo ressalta a necessidade de abordar a tensão emocional dos enfermeiros por meio de educação e treinamento voltado para habilidades, aumentando sua resiliência e reduzindo o risco de fibrose cística, garantindo, em última análise, cuidados adequados e melhorando os desfechos dos pacientes.
Abuso sexual na infância e a associação com o desenvolvimento do Transtorno de Personalidade Borderline: 
intervenções de enfermagem.  
 
Piffer et al., 2025.
Identificar na literatura científica a associação do abuso sexual na infância e o desenvolvimento do transtorno de 
personalidade 
borderline e compreender a atuação do enfermeiro no contexto de crianças vítimas de abuso sexual.
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada via Biblioteca Virtual em Saúde, nas bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieval System 
Online, Base de Dados de Enfermagem, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, utilizando os descritores combinados com o operador booleano AND, nos idiomas português, inglês e espanhol, durante os meses de outubro e novembro. Foram incluídos artigos publicados entre 2013 e 2022, disponíveis online.
Acredita-se que a enfermagem, acompanhada por uma equipe multidisciplinar, precisa estar apta a acolher e compreender a criança vítima de abuso sexual, buscando estratégias de cuidado para prevenir danos futuros.
Unidade de terapia intensiva: violência no cotidiano da prática da enfermagem. 
 
Silva et al., 2025.
Verificar 
a percepção da equipe de enfermagem sobre o fenômeno 
da violência na prática profissional.
Trata-se de 
uma pesquisa exploratório- qualitativa, cujos dados foram coletados em três reuniões e analisados segundo a Análise de Conteúdo proposta por Bardin.
A violência faz parte do cotidiano do cuidado da enfermagem, sendo uma forma negativa de reagir, física ou 
verbalmente, a uma situação passível de ser praticada por qualquer indivíduo.
“I am secretary, therapist, maid, nurse”: a qualitative exploration of lived experiences of caring for a family member with a BPD diagnosis.  
 
Murray et al., 2025
Esta pesquisa explora as experiências vividas por pessoas em papéis de cuidado de familiares diagnosticados com TPB.Setenta e dois participantes que se identificaram como cuidadores de um ente querido diagnosticado com TPB responderam a uma pesquisa qualitativa online. Seis desses participantes 
participaram de entrevistas de acompanhamento, e três completaram uma pesquisa de acompanhamento. As respostas da pesquisa e das entrevistas foram compiladas e analisadas usando análise temática reflexiva.
No geral, esta pesquisa amplia a conscientização sobre como um diagnóstico de saúde mental e um diagnóstico de TPB especificamente podem ter um impacto sistêmico mais amplo não apenas nos 
indivíduos diagnosticados, mas também em suas famílias e naqueles que lhes fornecem apoio, e sugere que o fornecimento de apoio por profissionais de saúde aos cuidadores é necessário.

Fonte: Próprio autor, 2025. 

4. DISCUSSÃO 

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) representa um dos transtornos mais complexos no contexto da saúde mental, caracterizado por instabilidade afetiva, impulsividade, comportamentos autolesivos e dificuldades significativas nas relações interpessoais. Essa complexidade exige um cuidado especializado, capaz de integrar aspectos clínicos, psicológicos e sociais, de modo a atender de maneira holística às necessidades dos pacientes (Agnol et al., 2019; Duff et al., 2020).  

Com isso, a equipe de enfermagem desempenha papel fundamental, pois atua diretamente na linha de cuidado, sendo responsável pelo acompanhamento contínuo do paciente, pela identificação precoce de crises emocionais e pela aplicação de intervenções terapêuticas que promovam a segurança, a estabilidade emocional e a qualidade de vida (Pollis et al., 2019; Vasconcelos et al., 2024).  

Estudos recentes destacam que a prática de enfermagem voltada para pacientes com TPB exige não apenas competências técnicas, mas também habilidades interpessoais avançadas, empatia e capacidade de estabelecer vínculos terapêuticos sólidos, elementos que são cruciais para reduzir comportamentos autolesivos e prevenir reincidências hospitalares (Barbosa et al., 2020; Guedes, 2024; Murray et al., 2025).  

Dessa forma, a relevância do cuidado de enfermagem transcende a execução de procedimentos, configurando-se como elemento central no manejo clínico e psicossocial do TPB, sendo imprescindível compreender sua atuação de maneira detalhada e fundamentada na literatura científica. 

Relevância da enfermagem na assistência ao paciente com Transtorno de Personalidade Borderline 

A enfermagem desempenha um papel estratégico na assistência a indivíduos com TPB, assumindo responsabilidades que vão além do cuidado técnico e englobam dimensões emocionais, psicológicas e sociais do paciente. Agnol et al. (2019) enfatizam que a perspectiva freireana aplicada ao cuidado permite ao enfermeiro considerar a singularidade do paciente, compreendendo suas vivências subjetivas e construindo uma relação de confiança que favorece a adesão ao tratamento. Esse ponto de vista humanizado contribui para a redução de comportamentos de risco, como a autolesão e tentativas de suicídio, além de promover um ambiente terapêutico seguro e acolhedor, essencial para indivíduos cujas relações interpessoais são frequentemente instáveis. 

Barbosa et al. (2020) complementam que o papel do enfermeiro inclui a vigilância contínua de sinais de instabilidade emocional e a execução de intervenções imediatas que minimizam riscos e promovem o bem-estar. A assistência envolve ações educativas, orientação sobre autocuidado, estratégias de regulação emocional e suporte constante, destacando a função do profissional como mediador entre o paciente e a complexidade do sistema de saúde mental. Esse cuidado proativo é crucial para reduzir hospitalizações recorrentes e melhorar os resultados clínicos. 

Além disso, Guedes (2024) ressalta que a enfermagem é peça-chave na reabilitação psicossocial do paciente com TPB. A atuação do enfermeiro abrange o acompanhamento de estratégias de enfrentamento, o desenvolvimento de planos individualizados de cuidado e a articulação com outros profissionais de saúde, garantindo que o tratamento seja contínuo, seguro e centrado na pessoa. Essa perspectiva evidencia que o cuidado de enfermagem não se limita a procedimentos físicos, mas também envolve a promoção de habilidades sociais, a gestão de crises e o fortalecimento da autonomia do paciente. 

A percepção do paciente sobre o cuidado de enfermagem influencia diretamente a efetividade do tratamento. Cassiano et al. (2020) e Lima et al. (2023) demonstram que pacientes com TPB que vivenciam cuidados empáticos e consistentes apresentam maior confiança na equipe e maior engajamento terapêutico. O vínculo terapêutico estabelecido entre paciente e enfermeiro atua como fator protetor contra comportamentos impulsivos, sendo um componente essencial do manejo clínico e psicossocial. 

Por fim, Nordkamp et al. (2024) destacam que a relevância da enfermagem na assistência ao TPB está intimamente ligada à capacidade de oferecer cuidado centrado na pessoa, ajustando intervenções de acordo com necessidades individuais, experiências emocionais e contexto social. Essa atuação não apenas garante maior segurança e eficácia terapêutica, mas também contribui para a humanização da assistência, consolidando a enfermagem como eixo fundamental no cuidado de pacientes com transtornos mentais complexos. 

Estratégias e intervenções de enfermagem no manejo das crises emocionais 

O manejo de crises emocionais em pacientes com TPB constitui uma dimensão central da prática de enfermagem, demandando estratégias complexas que combinam observação clínica, comunicação assertiva e intervenções direcionadas à regulação emocional. Pollis et al. (2019) destacam que a identificação precoce de sinais de agitação, ideação suicida e flutuações emocionais permite a implementação de medidas preventivas que reduzem a ocorrência de comportamentos autolesivos e estabelecem um ambiente terapêutico seguro. Essa abordagem proativa é essencial para pacientes cujo quadro clínico envolve instabilidade emocional severa e alta vulnerabilidade. 

Agnol et al. (2019) e Duff et al. (2020) enfatizam que o desenvolvimento de um ambiente acolhedor, seguro e previsível é uma intervenção estratégica para a contenção de crises, sendo indispensável para diminuir episódios de impulsividade e comportamento autoagressivo. Isso inclui a utilização de técnicas de comunicação centradas na escuta ativa, validação emocional e estabelecimento de limites claros, que contribuem para reduzir a ansiedade e aumentar a confiança do paciente na equipe. 

Intervenções educativas também se destacam como ferramentas importantes no manejo de crises. O enfermeiro deve orientar os pacientes sobre reconhecimento de gatilhos emocionais e estratégias de coping, promovendo autonomia no enfrentamento de situações estressantes. Técnicas de relaxamento, exercícios respiratórios, monitoramento de humor e registro de emoções são exemplos de ações que podem ser aplicadas de forma contínua e personalizada, permitindo ao paciente desenvolver habilidades de regulação emocional sustentáveis (Piffer et al., 2025). 

Nordkamp et al. (2024) reforçam que a estruturação de planos de cuidado individualizados, aliados a acompanhamento sistemático, potencializa os resultados das intervenções, assegurando resposta rápida a crises e prevenindo reincidência de comportamentos de risco. Portanto, Murray et al. (2025) acrescentam que a inclusão de familiares e cuidadores, mediada pelo enfermeiro, fortalece a rede de suporte emocional e aumenta a eficácia das estratégias aplicadas, garantindo que o paciente receba cuidados consistentes em diferentes contextos. 

Por fim, Vasconcelos et al. (2024) em seus estudos concluem que a integração de observação clínica contínua, intervenções imediatas e educação para autocuidado constitui um arcabouço essencial para o manejo das crises emocionais, sendo capaz de reduzir riscos, estabilizar emoções e favorecer a manutenção da saúde mental do paciente. Assim, as estratégias de enfermagem no TPB transcendem a execução de procedimentos, atuando de forma direta na promoção da segurança, estabilidade e qualidade de vida do paciente. 

Desafios enfrentados pela equipe de enfermagem no cuidado ao paciente com TPB 

O cuidado de pacientes com TPB impõe desafios significativos à equipe de enfermagem, decorrentes da complexidade clínica, da instabilidade emocional do paciente e da necessidade de respostas rápidas e adequadas a crises potencialmente graves. Silva et al. (2022) destacam que a violência cotidiana, tanto verbal quanto física, constitui um fator de estresse constante para os profissionais, exigindo preparo técnico e psicológico para manejar situações críticas sem comprometer a segurança de pacientes e da equipe. 

Nordkamp et al. (2024) evidenciam em sua obra que enfermeiros enfrentam frequentemente sentimento de frustração, esgotamento emocional e burnout, em virtude da intensidade do cuidado, da imprevisibilidade do comportamento do paciente e da exigência de atenção contínua. Já Pollis et al. (2019) ressaltam que a sobrecarga de trabalho, aliada à escassez de recursos humanos e materiais, potencializa esses desafios, podendo comprometer a qualidade do cuidado se medidas institucionais de suporte não forem implementadas. 

A resistência do paciente à adesão ao tratamento é outro obstáculo relevante. Agnol et al. (2019) e Duff et al. (2020) descrevem que a desconfiança, a impulsividade e as dificuldades nas relações interpessoais dificultam a construção de vínculo terapêutico sólido, prejudicando a eficácia das intervenções. Essa realidade exige do enfermeiro habilidades interpessoais avançadas, paciência e persistência, combinadas com estratégias de mediação de conflitos e promoção de engajamento. 

Além disso, a complexidade clínica do TPB frequentemente se associa a comorbidades como depressão, ansiedade e histórico de trauma, aumentando a necessidade de atualização constante da equipe e de capacitação especializada (Piffer et al., 2025; Rocha et al., 2021). A ausência de protocolos claros para situações emergenciais, bem como a necessidade de integração multidisciplinar eficiente, intensifica os desafios e exige da enfermagem flexibilidade, autonomia e competência clínica elevada. 

A literatura evidencia que medidas institucionais de suporte, como supervisão clínica, educação continuada e acompanhamento psicológico dos profissionais, são essenciais para enfrentar os desafios do cuidado a pacientes com TPB. Terpstra e Williamson (2019) e Guedes (2024) reforçam que essas estratégias não apenas reduzem o estresse ocupacional, mas também garantem a manutenção de padrões elevados de cuidado, promovendo segurança, humanização e eficácia clínica. 

Importância da interdisciplinaridade no cuidado em saúde mental 

A interdisciplinaridade no cuidado de pacientes com TPB é considerada um elemento central para a efetividade do tratamento, pois possibilita a integração de diferentes saberes e perspectivas no planejamento e execução das intervenções. Agnol et al. (2019) destacam que a colaboração entre enfermeiros, psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais permite uma abordagem integral, que leva em consideração não apenas aspectos clínicos, mas também fatores emocionais, sociais e familiares que influenciam o quadro do paciente. 

Duff et al. (2020) ressaltam que o trabalho colaborativo facilita a criação de planos de cuidado individualizados, promovendo continuidade terapêutica, monitoramento sistemático e resposta rápida a crises emocionais. A comunicação efetiva entre os membros da equipe reduz lacunas de atenção, evita redundâncias e fortalece a segurança do paciente, garantindo que intervenções sejam aplicadas de forma coordenada e eficiente. 

A inclusão de familiares e cuidadores na rede de cuidado, mediada pelo enfermeiro, é outro ponto crucial destacado por Murray et al. (2025). Essa abordagem amplia o suporte emocional, fortalece vínculos e contribui para a adesão ao tratamento, promovendo uma rede terapêutica sólida que vai além do ambiente hospitalar. Nesse contexto, a interdisciplinaridade permite que o cuidado seja contínuo, preventivo e adaptado às necessidades individuais do paciente, potencializando os resultados clínicos e psicossociais. 

Vasconcelos et al. (2024) reforçam que a integração de saberes diversos, aliada à articulação de estratégias de manejo de crises, educação em saúde e reabilitação psicossocial, constitui um diferencial na prática de enfermagem, promovendo atendimento humanizado, seguro e eficaz. A atuação interdisciplinar garante que o paciente seja tratado como sujeito integral, respeitando suas singularidades e promovendo autonomia, qualidade de vida e estabilidade emocional. 

Por fim, Guedes (2024) e Nordkamp et al. (2024) enfatizam que a interdisciplinaridade fortalece a segurança do ambiente terapêutico e melhora os desfechos clínicos, sendo um componente indispensável para a excelência do cuidado em saúde mental. A colaboração entre diferentes profissionais não apenas otimiza o manejo do TPB, mas também contribui para o desenvolvimento de práticas inovadoras e humanizadas, essenciais para a complexidade desse transtorno. 

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1Discente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário de Goiatuba – UniCerrado. E-mail: saracpvargas20@alunos.unicerrado.edu.br
2Doutoranda. Docente do Centro Universitário de Goiatuba – UniCerrado. E-mail: letyciaoliveira@unicerrado.edu.br

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