REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511161751
Amanda Gonçalves Borges1; Caroline Lima do Nascimento1; Kathelyn Parra Minson1; Kevelyn Vitoriano Queiroz da Costa1; Thaís do Nascimento Almeida1; José Gabriel Oliveira Carvalho2; Silvana Flora de Melo2; Coordenadora da Área da Saúde – Jamila Fabiana Oliveira Costa2
RESUMO
A sepse configura-se como emergência médica de alta gravidade e um dos maiores desafios da saúde pública mundial, associada a elevada morbimortalidade em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como prioridade crítica, sua definição atual pelo Sepsis-3, centrada na disfunção orgânica, trouxe avanços diagnósticos e prognósticos, ampliando a responsabilidade da enfermagem na detecção precoce e no manejo clínico. Este estudo teve como objetivo analisar a produção científica recente acerca da atuação da enfermagem na prevenção da progressão da sepse em UTIs, por meio de revisão integrativa conduzida em bases de dados nacionais e internacionais, considerando artigos publicados nos últimos dez anos. Foram incluídos estudos que abordaram protocolos assistenciais, escores prognósticos, intervenções clínicas e estratégias de liderança da enfermagem. Os achados evidenciaram que a aplicação tempestiva de bundles da Surviving Sepsis Campaign, associada ao protagonismo do enfermeiro em monitoramento, capacitação e coordenação multiprofissional, contribui para a redução da mortalidade e qualificação do cuidado intensivo. Conclui- se que a integração entre protocolos, educação permanente e uso de tecnologias de apoio constitui estratégia essencial para fortalecer a prática da enfermagem e reduzir os desfechos adversos relacionados à sepse.
Palavras-chave: Sepse; Terapia Intensiva; Enfermagem; Protocolos Clínicos; Prevenção.
1. INTRODUÇÃO
A sepse é uma das mais graves síndromes clínicas da atualidade, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde uma prioridade global de saúde pública devido à sua elevada morbimortalidade. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), representa um desafio constante pela complexidade diagnóstica e pela rapidez de progressão, impondo demandas crescentes aos sistemas de saúde (Singer et al., 2016).
A definição estabelecida pelo Sepsis-3 marcou uma mudança decisiva, ao deslocar o foco dos critérios de resposta inflamatória sistêmica para a disfunção orgânica. Essa redefinição permitiu maior precisão diagnóstica e prognóstica, além de realçar a importância da avaliação precoce e do uso de escores clínicos, como o SOFA e o qSOFA, no acompanhamento de pacientes críticos (Cecconi et al., 2018).
O cenário epidemiológico revela disparidades expressivas entre países de alta renda e nações em desenvolvimento. Enquanto avanços científicos e estruturais reduziram gradualmente as taxas de mortalidade em contextos mais favorecidos, no Brasil observa-se prevalência superior a 50% em UTIs, o que expõe falhas assistenciais, carência de recursos e deficiências na formação e atualização das equipes multiprofissionais (Machado et al., 2017).
A enfermagem ocupa posição estratégica nesse panorama, não apenas na execução de cuidados diretos, mas também na liderança de processos assistenciais, no monitoramento contínuo e na coordenação de equipes. A atuação proativa do enfermeiro, especialmente no reconhecimento de sinais precoces e na implementação rápida de protocolos, constitui elemento determinante para reverter desfechos desfavoráveis e otimizar a segurança do paciente (Kleinpell et al., 2021).
Adicionalmente, a sepse impõe custos significativos aos sistemas hospitalares, em virtude de internações prolongadas, utilização de tecnologias avançadas e reabilitação de sobreviventes. Nesse contexto, estudos apontam que a aplicação consistente de bundles clínicos, liderados pela enfermagem, não apenas reduz a mortalidade, mas também minimiza gastos, configurando a prática baseada em evidências como estratégia clínica e gerencial (Lagu et al., 2021).
A relevância da temática também se conecta à necessidade de formação profissional contínua. O fortalecimento da prática assistencial exige preparo técnico, atualização permanente e capacidade de articular protocolos internacionais ao contexto brasileiro, marcado por desigualdades estruturais e limitações de recursos (Rudd et al., 2020).
2. OBJETIVO
Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo analisar de forma abrangente o papel da enfermagem na prevenção da progressão da sepse em Unidades de Terapia Intensiva, enfatizando estratégias de intervenção, monitoramento contínuo e gestão da assistência, de modo a oferecer subsídios teóricos e práticos que contribuam para a qualificação do cuidado intensivo (Rhodes et al., 2017).
3. METODOLOGIA
Este estudo adota o delineamento de revisão integrativa da literatura, reconhecida por permitir a síntese crítica de evidências e a identificação de lacunas relevantes para a prática clínica. Essa abordagem possibilita a análise de pesquisas com diferentes desenhos metodológicos, combinando estudos experimentais e observacionais, o que a torna especialmente apropriada para um tema multifatorial como a sepse em Unidades de Terapia Intensiva (Whittemore; Knafl, 2005).
3.1 Seleção das Bases de Dados e Fontes
As buscas foram realizadas em bases nacionais e internacionais de ampla relevância científica, incluindo PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e Web of Science. A estratégia utilizou descritores controlados do DeCS/MeSH, combinados por operadores booleanos, tais como “Sepsis”, “Septic Shock”, “Nursing Care”, “Intensive Care Unit”, “SOFA score” e “Surviving Sepsis Campaign”. Essa sistematização assegurou abrangência temática e rigor metodológico (Santos et al., 2021).
3.2 Triagem e Seleção dos Materiais
Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, em português, inglês ou espanhol, disponíveis em texto completo e que abordassem pelo menos um dos seguintes tópicos: fisiopatologia, epidemiologia, protocolos clínicos, aplicação de escores prognósticos ou atuação da enfermagem frente à sepse. Foram excluídos estudos duplicados, relatos de casos isolados, resumos sem publicação integral e textos opinativos sem base empírica. Essa delimitação buscou garantir a robustez da amostra e a relevância clínica dos achados (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).
3.3 Fluxograma PRISMA
O processo de seleção seguiu as recomendações do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), que estabelece diretrizes para transparência e reprodutibilidade em revisões sistemáticas. Inicialmente foram identificados 1.280 estudos; após a remoção de duplicatas, restaram 1.050. Na triagem por títulos e resumos, 720 foram excluídos por não atenderem aos critérios. A leitura completa foi realizada em 330 artigos, dos quais 210 foram excluídos por não apresentarem evidências suficientes ou não contemplarem a temática da enfermagem. A amostra final resultou em 120 estudos elegíveis para análise qualitativa.
A Figura 1 apresenta o fluxograma PRISMA adaptado, ilustrando o processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos. Esse recurso gráfico evidencia a progressão metodológica e assegura clareza quanto às etapas seguidas na seleção dos dados (Moher et al., 2009).

Fonte: Autoria própria, 2025.
3.4 Análise Crítica
Para assegurar validade interna, a seleção e extração dos dados foram realizadas de forma independente por dois revisores, reduzindo vieses de interpretação. As informações extraídas incluíram autor, ano, país, objetivos, metodologia e resultados principais. Posteriormente, os estudos foram organizados em cinco categorias temáticas: evolução conceitual e fisiopatologia; epidemiologia; protocolos clínicos; escores prognósticos; e papel da enfermagem na prevenção da sepse. Essa categorização permitiu a construção de uma análise transversal e crítica dos achados (Souza; Silva; Carvalho, 2010).
3.5 Documentação dos Procedimentos
Todos os procedimentos metodológicos serão descritos de forma clara e detalhada, desde os critérios de seleção das fontes até as técnicas de análise dos dados. A documentação incluirá a utilização do fluxograma PRISMA para ilustrar o processo de seleção dos artigos. Todas as fontes bibliográficas consultadas serão devidamente referenciadas, conforme as normas da ABNT, garantindo a reprodutibilidade do estudo e a transparência nos procedimentos.
3.6 Aspectos Éticos
Por fim, ressalta-se que, por se tratar de estudo baseado em dados secundários de domínio público, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Ainda assim, garantiu-se rigor metodológico, com transparência e reprodutibilidade, de modo a reforçar a confiabilidade dos resultados e seu potencial impacto na prática clínica e na formulação de políticas hospitalares (Moher et al., 2009).
4. FISIOPATOLOGIA DA SEPSE
A sepse é definida atualmente como uma disfunção orgânica potencialmente fatal, resultante de uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Essa formulação, estabelecida pelo Terceiro Consenso Internacional para Sepse e Choque Séptico (Sepsis-3), representou uma ruptura paradigmática em relação às concepções anteriores, que vinculavam a condição à mera presença de critérios inflamatórios inespecíficos. Ao situar a disfunção orgânica como eixo central, a definição atual oferece maior precisão diagnóstica e prognóstica, permitindo intervenções mais oportunas e direcionadas. Essa mudança conceitual reforça a necessidade de uma abordagem multiprofissional refinada, em que a enfermagem desempenha papel crucial na detecção precoce dos sinais de deterioração clínica (Singer et al., 2016).
Do ponto de vista fisiopatológico, a sepse decorre de uma complexa cascata de respostas inflamatórias e imunológicas desencadeadas por agentes infecciosos, frequentemente bactérias, mas também vírus e fungos. Essa resposta é caracterizada por um desequilíbrio entre mediadores pró e anti-inflamatórios, que conduz à lesão endotelial difusa e à ativação aberrante da coagulação. Tais eventos culminam na formação de microtrombos e na disfunção da microcirculação, com consequente hipóxia tecidual. A compreensão dessa fisiopatologia sustenta a lógica das intervenções terapêuticas, como a fluidoterapia agressiva inicial e o uso de drogas vasoativas, cujo objetivo é restaurar a perfusão e reverter a falência orgânica iminente (Hotchkiss et al., 2016).
A interação entre a resposta imune do hospedeiro e o agente infeccioso, entretanto, não se limita à cascata inflamatória. Estudos recentes destacam a importância da disfunção mitocondrial e da chamada hipóxia citopática, fenômeno em que as células perdem a capacidade de utilizar adequadamente o oxigênio, mesmo quando este é fornecido em níveis adequados. Essa alteração metabólica explica, em parte, a persistência da hiperlactatemia observada em muitos pacientes sépticos, sendo considerada marcador prognóstico negativo. Para a enfermagem, monitorar níveis de lactato e indicadores clínicos de perfusão é fundamental para avaliar a efetividade da ressuscitação inicial e nortear ajustes terapêuticos (Singer; Deutschman, 2017).
A gravidade da sepse também está intrinsecamente associada às alterações na barreira endotelial e ao aumento da permeabilidade vascular. Esse processo conduz ao extravasamento capilar, à formação de edema intersticial e à consequente disfunção orgânica múltipla. Pulmões, rins e sistema cardiovascular estão entre os sistemas mais frequentemente comprometidos, tornando o monitoramento contínuo uma necessidade inegociável em unidades de terapia intensiva. Nesse cenário, a enfermagem atua na linha de frente, interpretando parâmetros clínicos e laboratoriais para subsidiar decisões terapêuticas rápidas e assertivas, o que reforça seu papel estratégico na gestão da sepse (van der Poll et al., 2017).
O conceito de sepse, portanto, transcende a noção de uma infecção grave e deve ser entendido como um estado de desregulação sistêmica capaz de comprometer múltiplos órgãos. Tal compreensão é vital para o desenvolvimento de protocolos eficazes, tanto em nível hospitalar quanto em políticas públicas. A abordagem contemporânea não se restringe ao tratamento farmacológico, mas envolve também vigilância clínica contínua, padronização de condutas e capacitação das equipes assistenciais. Desse modo, a fisiopatologia da sepse fornece não apenas o alicerce científico, mas também a justificativa prática para a implementação de programas de alta performance liderados pela enfermagem (Cecconi et al., 2018).
4.1 Protocolos de Sepse: Surviving Sepsis Campaign e Bundles
A Surviving Sepsis Campaign (SSC), criada em 2002 por iniciativa conjunta da Society of Critical Care Medicine e da European Society of Intensive Care Medicine, estabeleceu-se como a principal referência internacional para o manejo da sepse e do choque séptico. Sua missão primordial é reduzir a mortalidade global por meio da tradução do conhecimento científico em diretrizes práticas e aplicáveis à beira do leito. Desde a sua criação, a SSC tem atualizado periodicamente suas recomendações, baseando-se em revisões sistemáticas de alto rigor metodológico. Essa característica confere às diretrizes legitimidade e consolida sua adoção por instituições de saúde em diferentes contextos geográficos e socioeconômicos (Levy et al., 2018).
O elemento central da SSC são os chamados bundles, pacotes de intervenções que devem ser executados em tempo crítico e de forma integrada. O mais conhecido é o Hour-1 Bundle, que reúne as medidas mais urgentes após o reconhecimento da sepse: coleta de lactato sérico, obtenção de hemoculturas antes do início da antibioticoterapia, administração precoce de antibióticos de amplo espectro, reposição volêmica com 30 mL/kg de cristaloide e uso de vasopressores para manutenção da pressão arterial média adequada. A lógica dos bundles reside na sinergia: a realização conjunta dessas medidas potencializa resultados, reduzindo a mortalidade e evitando atrasos terapêuticos que, isoladamente, comprometem a eficácia (Rhodes et al., 2017).
Pesquisas recentes, contudo, reforçam que a noção de “primeira hora” deve ser interpretada como um chamado à ação imediata, e não como um prazo confortável de 60 minutos. Estudos multicêntricos demonstraram que atrasos de minutos na administração de antibióticos e na ressuscitação volêmica aumentam significativamente a mortalidade. Dessa forma, a adesão rigorosa aos bundles demanda não apenas conhecimento clínico, mas também eficiência logística hospitalar. Isso inclui a disponibilidade imediata de antimicrobianos, a agilidade laboratorial para análise de lactato e a autonomia da enfermagem para iniciar intervenções críticas sem entraves burocráticos (Seymour et al., 2017).
A implementação efetiva dos bundles enfrenta, no entanto, barreiras distintas em países de baixa e média renda, como o Brasil. Fatores estruturais, como a insuficiência de profissionais treinados, a carência de insumos e a fragmentação do sistema de saúde, comprometem a adesão plena às recomendações da SSC. Apesar disso, experiências nacionais documentaram quedas expressivas na mortalidade após a adoção de protocolos adaptados, com reduções superiores a 20 pontos percentuais em hospitais públicos e privados. Tais resultados reforçam que a aplicação local, ainda que em condições adversas, pode ser eficaz quando associada ao protagonismo da enfermagem na coordenação das medidas (Machado et al., 2017).
Nesse contexto, a enfermagem assume papel estratégico na operacionalização dos bundles, sendo responsável pela coleta precoce de exames, pela administração de antibióticos e fluidos, além do monitoramento contínuo dos parâmetros hemodinâmicos. O êxito da SSC em qualquer instituição depende diretamente do grau de capacitação e empoderamento dos enfermeiros, que atuam como eixo integrador da equipe multiprofissional. A literatura é consistente ao demonstrar que hospitais que concedem autonomia protocolar à enfermagem obtêm maior adesão aos bundles e, consequentemente, melhores indicadores clínicos e econômicos, tornando a SSC não apenas um guia médico, mas um modelo de gestão assistencial liderado pela prática de enfermagem (Kleinpell et al., 2021).
4.2. Escores Prognósticos e Avaliação de Risco
A estratificação de risco na sepse é essencial para orientar decisões clínicas, prever prognósticos e direcionar recursos terapêuticos. Os escores prognósticos emergem, nesse contexto, como ferramentas indispensáveis na prática assistencial, possibilitando uma avaliação objetiva da gravidade do paciente crítico. Tais sistemas permitem reduzir a subjetividade das condutas médicas, uniformizar protocolos institucionais e embasar a comunicação entre equipes multiprofissionais. O uso desses instrumentos não substitui o julgamento clínico, mas o complementa, fornecendo parâmetros mensuráveis que sustentam decisões em cenários de alta complexidade, como as Unidades de Terapia Intensiva (Raith et al., 2017).
O SOFA score (Sequential Organ Failure Assessment) é considerado o padrão ouro no diagnóstico e monitoramento da sepse desde a publicação do Sepsis-3. Ele avalia a disfunção de seis sistemas orgânicos — respiratório, cardiovascular, hepático, renal, hematológico e neurológico — atribuindo pontuações que variam de 0 a 4 para cada um. Um aumento ≥2 pontos em relação ao valor basal é suficiente para confirmar disfunção orgânica, consolidando o diagnóstico de sepse. A aplicação sequencial do escore, repetida diariamente, permite monitorar a progressão clínica, identificando melhorias ou deteriorações, e é de especial relevância para a enfermagem, que realiza a coleta e interpretação contínua dos parâmetros avaliados (Singer et al., 2016).
O qSOFA (quick SOFA), por sua vez, foi desenvolvido como ferramenta simplificada de triagem, ideal para ambientes fora da UTI, como enfermarias e pronto atendimentos. Composto por apenas três variáveis clínicas — alteração do estado mental, frequência respiratória ≥22 incursões por minuto e pressão arterial sistólica ≤100 mmHg —, o escore é aplicado de forma rápida e sem necessidade de exames laboratoriais. Pacientes com dois ou mais critérios positivos apresentam risco elevado de desfechos desfavoráveis, demandando investigação mais detalhada e escalonamento de cuidados. O qSOFA representa, assim, um recurso crucial para o enfermeiro, que frequentemente atua como o primeiro profissional a identificar sinais de deterioração (Seymour et al., 2016).
Entre os sistemas complementares, destaca-se o APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II), amplamente utilizado em UTIs para estimar risco de mortalidade a partir de variáveis fisiológicas, idade e comorbidades. Apesar de sua complexidade, o APACHE II continua sendo referência para estudos comparativos e análises epidemiológicas. Já o MEWS (Modified Early Warning Score) constitui uma ferramenta de alerta precoce aplicável em enfermarias, útil para acionar equipes de resposta rápida. Na pediatria, o PIM-2 (Pediatric Index of Mortality 2) é o escore mais empregado, refletindo a necessidade de instrumentos adaptados a populações específicas. Esses sistemas, em conjunto, fornecem um arcabouço robusto para a prática assistencial (Jones et al., 2011).
É importante salientar que a eficácia desses escores depende diretamente de sua integração em protocolos institucionais. O simples registro de valores em prontuários é insuficiente se não houver mecanismos de resposta rápida associados. A implementação bem-sucedida exige treinamento da equipe de enfermagem para o cálculo e interpretação correta, além de fluxos de comunicação claros que transformem a pontuação em ação imediata. Hospitais que instituem alertas automáticos vinculados aos escores, acompanhados de capacitação multiprofissional, apresentam maior adesão aos protocolos de sepse e reduções expressivas na mortalidade (Raith et al., 2017).
4.3. Gestão da Assistência pela Enfermagem
A gestão da assistência à sepse em Unidades de Terapia Intensiva transcende a execução de intervenções isoladas, exigindo uma estrutura organizacional sólida que privilegie a liderança da enfermagem. O enfermeiro intensivista atua como elo central da equipe multiprofissional, coordenando fluxos de trabalho, integrando protocolos e garantindo a execução tempestiva das condutas. Essa função, mais do que técnica, é estratégica, pois a eficiência do manejo da sepse depende do sincronismo entre diferentes profissionais, e cabe à enfermagem orquestrar essa resposta integrada (Kleinpell et al., 2021).
A educação continuada configura-se como um dos pilares da gestão da assistência em sepse. Programas de capacitação regulares, baseados em simulações clínicas e protocolos institucionais, aumentam a competência da equipe em reconhecer precocemente sinais de deterioração. Estudos demonstram que treinamentos periódicos elevam a adesão aos bundles da Surviving Sepsis Campaign e reduzem significativamente a mortalidade hospitalar. Nesse sentido, investir na formação permanente da enfermagem não é um luxo acadêmico, mas um imperativo clínico e ético para instituições comprometidas com a segurança do paciente (Westphal et al., 2019).
Outro aspecto fundamental da gestão é a padronização de protocolos institucionais que estabeleçam fluxos claros para o reconhecimento e tratamento da sepse. A presença de checklists, algoritmos de decisão e alertas eletrônicos vinculados a escores prognósticos fortalece a vigilância clínica e reduz atrasos na implementação das medidas terapêuticas. A enfermagem, ao aplicar tais protocolos, atua não apenas como executora, mas como guardiã da adesão institucional, assegurando que condutas baseadas em evidências sejam sistematicamente incorporadas à prática (Barreto et al., 2020).
A mensuração de indicadores de qualidade é igualmente relevante na gestão da assistência. Métricas como tempo para início de antibioticoterapia, taxa de adesão aos bundles e mortalidade hospitalar devem ser continuamente monitoradas, de modo a avaliar a efetividade das intervenções. A análise crítica desses indicadores fornece subsídios para ajustes operacionais e estratégias de melhoria contínua. Quando liderada pela enfermagem, essa vigilância transforma o processo assistencial em um ciclo dinâmico de avaliação, intervenção e refinamento, consolidando a UTI como ambiente de alta performance (Levy et al., 2018).
Por fim, a gestão eficaz da assistência em sepse exige não apenas protocolos e indicadores, mas também condições estruturais adequadas, como proporção adequada de enfermeiros por paciente, insumos disponíveis e suporte institucional. Estudos evidenciam que hospitais com equipes de enfermagem dimensionadas corretamente alcançam melhores resultados em sepse, reduzindo complicações e otimizando recursos. A liderança da enfermagem, portanto, não se limita ao cuidado direto, mas envolve advocacy institucional para garantir que os recursos necessários estejam presentes e alinhados às metas de qualidade e segurança (Aiken et al., 2014).
4.4. Impactos Clínicos e Econômicos da Prevenção da Sepse
A implementação rigorosa de protocolos de sepse apresenta impacto clínico imediato, refletido na redução consistente das taxas de mortalidade hospitalar. Estudos multicêntricos apontam que a adesão ao Hour-1 Bundle da Surviving Sepsis Campaign pode reduzir a mortalidade em até 25%, reforçando a relevância de intervenções precoces e sistematizadas. Esses ganhos clínicos são sustentados, sobretudo, pela rapidez na administração de antibióticos e na reposição volêmica, medidas que interrompem a cascata fisiopatológica da disfunção orgânica. Nesse cenário, a enfermagem constitui o principal vetor de mudança, já que sua atuação determina a eficácia do cumprimento dos protocolos no tempo adequado (Seymour et al., 2017).
Além de salvar vidas, a prevenção eficaz da progressão da sepse repercute diretamente na qualidade de vida dos sobreviventes. Pacientes tratados precocemente apresentam menor incidência de sequelas cognitivas, disfunções neuromusculares e transtornos de saúde mental, condições frequentemente descritas como “síndrome pós-sepse”. A mitigação desses desfechos representa uma vitória não apenas clínica, mas também social, pois reduz o impacto a longo prazo sobre famílias e comunidades. A intervenção da enfermagem na fase inicial do cuidado é determinante para limitar tais complicações e favorecer a reintegração funcional dos sobreviventes (Prescott; Angus, 2018).
Do ponto de vista econômico, a sepse configura-se como uma das condições mais onerosas para os sistemas de saúde, consumindo leitos de alta complexidade e demandando terapias intensivas prolongadas. Entretanto, a literatura demonstra que protocolos bem implementados reduzem tempo de internação em UTI, diminuem custos hospitalares e melhoram a eficiência do uso dos recursos. No Brasil, análises de custo-efetividade revelaram que programas de sepse diminuem não apenas as despesas diretas, mas também os custos indiretos, como perda de produtividade e anos de vida ajustados por incapacidade, reforçando a importância estratégica de sua adoção (Paiva et al., 2017).
A enfermagem, ao liderar a execução prática dos protocolos, contribui não apenas para o desfecho clínico, mas também para a sustentabilidade financeira das instituições de saúde. Sua atuação reduz readmissões, otimiza fluxos assistenciais e garante maior rotatividade de leitos, aspectos fundamentais em um sistema cronicamente sobrecarregado. Ao assumir papel protagonista na gestão da sepse, o enfermeiro agrega valor não só à prática clínica, mas também ao planejamento institucional e às políticas públicas de saúde. A prevenção, nesse contexto, deixa de ser vista como custo e passa a ser reconhecida como investimento de alto retorno (Kleinpell et al., 2021).
4.5. Resultados Clínicos e Econômicos do Cuidado Otimizado à Sepse
A consolidação de protocolos de sepse em Unidades de Terapia Intensiva demonstra resultados clínicos inequívocos, traduzidos em reduções significativas das taxas de mortalidade. A literatura internacional evidencia que hospitais que incorporaram sistematicamente o bundle da Surviving Sepsis Campaign registraram quedas de mortalidade superiores a 20 pontos percentuais em comparação com aqueles sem protocolos estabelecidos. Essa melhoria é atribuída à maior rapidez na identificação da sepse e à adoção precoce de intervenções críticas, garantindo que pacientes em risco recebam tratamento intensivo no momento mais oportuno (Rhodes et al., 2017).
No contexto brasileiro, experiências institucionais confirmam a eficácia do cuidado otimizado. Um estudo nacional observou que a implantação de protocolos resultou em queda da mortalidade de 55% para 41%, além de redução no tempo de permanência hospitalar. Esses achados reforçam que a mortalidade elevada por sepse no Brasil não é apenas reflexo da gravidade clínica, mas também da ausência histórica de processos estruturados de resposta. O protagonismo da enfermagem foi determinante para a adesão às medidas, evidenciando que o fator humano e a gestão do cuidado são decisivos na mudança dos desfechos (Barreto et al., 2020).
Os benefícios do cuidado otimizado estendem-se ainda à esfera econômica, evidenciando uma relação de custo-benefício amplamente favorável. Estudos de análise de custo-efetividade demonstram que cada real investido na implementação de protocolos resulta em economias múltiplas para o sistema de saúde, ao reduzir reinternações, complicações e o uso prolongado de tecnologias avançadas. Além disso, a redução da mortalidade e da morbidade impacta positivamente na preservação da força de trabalho e na diminuição de custos indiretos, como aposentadorias precoces e afastamentos laborais. O manejo eficiente da sepse, portanto, transcende a lógica hospitalar, configurando-se como estratégia de saúde pública de alta relevância (Paiva et al., 2017).
5. RESULTADOS
A busca sistematizada nas bases de dados resultou na identificação de 1.280 estudos, dos quais 120 foram incluídos após aplicação dos critérios de elegibilidade. Os artigos selecionados contemplam aspectos relacionados à evolução conceitual da sepse, sua epidemiologia, protocolos clínicos, escores prognósticos e intervenções específicas da enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva. Essa diversidade permitiu uma análise transversal e crítica da literatura (Whittemore; Knafl, 2005).
Os achados demonstraram que a maior parte dos estudos se concentrou em protocolos assistenciais e bundles de sepse, seguidos das discussões sobre intervenções da enfermagem e aplicação de escores prognósticos. A síntese geral da amostra está organizada na Tabela 1, a qual apresenta a distribuição dos artigos conforme categorias temáticas previamente definidas (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).
A análise qualitativa destacou ainda um conjunto de artigos considerados centrais para a compreensão do papel da enfermagem na prevenção da progressão da sepse. Esses trabalhos foram selecionados por sua relevância metodológica e impacto na prática clínica, oferecendo subsídios concretos para a definição de estratégias assistenciais. A Tabela 2 apresenta tais estudos, resumindo título, autores e as principais intervenções de enfermagem identificadas (Singer et al., 2016; Kleinpell et al., 2021).

Fonte: Autoria própria, 2025.

Fonte: Autoria própria, 2025.
A análise dos artigos selecionados evidência que a evolução das definições de sepse trouxe impacto direto sobre os resultados clínicos reportados. Estudos mais recentes, baseados no Sepsis-3, identificaram taxas de mortalidade mais altas do que aquelas relatadas sob os critérios de SIRS, revelando maior especificidade diagnóstica e alinhamento prognóstico. Essa mudança conceitual refletiu-se na prática, pois protocolos baseados no Sepsis-3 permitiram identificar pacientes mais graves, garantindo o direcionamento oportuno de terapias intensivas. Dessa forma, os resultados apontam que a precisão diagnóstica contribui não apenas para a triagem, mas para a racionalização de recursos críticos (Singer et al., 2016).
No cenário nacional, a literatura analisada confirma que a implementação de protocolos de sepse impactou de forma positiva nos desfechos clínicos, mas de maneira desigual entre hospitais públicos e privados.
Pesquisas revelaram que, embora ambos os setores tenham reduzido significativamente a mortalidade após a adoção de bundles, instituições privadas apresentaram resultados mais expressivos, evidenciando o papel da infraestrutura hospitalar e do dimensionamento adequado de equipes de enfermagem.
Esses achados indicam que a simples adoção do protocolo não é suficiente sem suporte estrutural compatível, reafirmando a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do SUS (Machado et al., 2017).
Outro ponto recorrente nos estudos analisados foi a importância da adesão estrita ao Hour-1 Bundle. Resultados multicêntricos demonstraram que atrasos na administração precoce de antibióticos, fluidoterapia e coleta de exames correlacionaram-se diretamente com aumento da mortalidade. A literatura enfatiza que o cumprimento integral do bundle, no menor tempo possível, é um determinante de sobrevida. Nesse aspecto, o protagonismo da enfermagem foi reiteradamente destacado, já que a equipe de enfermagem constitui o primeiro contato assistencial e o principal agente executor das medidas críticas (Seymour et al., 2017).
Do ponto de vista econômico, os estudos discutidos apontam ganhos expressivos com a padronização do manejo da sepse. Instituições que implementaram protocolos relataram redução no tempo de internação hospitalar, diminuição da necessidade de suporte avançado e consequente queda nos custos assistenciais. Em contrapartida, hospitais sem protocolos apresentaram maior tempo de ocupação de leitos de UTI e despesas superiores, muitas vezes associadas a complicações preveníveis. Esses achados confirmam que a prevenção da progressão da sepse é não apenas uma prioridade clínica, mas também uma estratégia de sustentabilidade econômica para os sistemas de saúde (Paiva et al., 2017).
Por fim, os resultados convergem para a conclusão de que a liderança da enfermagem desempenha papel central no sucesso da implementação de protocolos. Estudos nacionais e internacionais confirmam que a capacitação, autonomia e empoderamento dos enfermeiros resultam em melhores indicadores clínicos e em maior eficiência institucional.
A discussão revela que a enfermagem deve ser reconhecida não apenas como executora, mas como agente estratégico na gestão da sepse, capaz de articular protocolos, mobilizar equipes multiprofissionais e transformar a assistência em um processo contínuo de melhoria da qualidade (Kleinpell et al., 2021).
6. DISCUSSÃO
A Enfermagem é o eixo operacional e decisório da resposta à sepse na UTI: é quem reconhece precocemente sinais de deterioração, dispara os fluxos do bundle Hora-1 e sustenta o monitoramento hemodinâmico contínuo. A literatura é convergente ao demonstrar que, onde o enfermeiro lidera a implementação protocolar (coleta de lactato, hemoculturas pré-antibiótico, antimicrobianos precoces, fluidos iniciais e vasopressores conforme necessidade), a mortalidade cai e a adesão às diretrizes sobe (Singer et al., 2016; Levy et al., 2018; Kleinpellet al., 2021).
Esse protagonismo técnico-assistencial posiciona a Enfermagem como condição de possibilidade para que as recomendações internacionais se convertam em desfechos clínicos melhores no leito crítico (Machado et al., 2017).
Os achados desta revisão confirmam que protocolos padronizados e executados em tempo crítico estão diretamente associados à redução de óbitos por sepse em diferentes contextos hospitalares. A robustez desse efeito decorre tanto da rapidez na antibioticoterapia e na ressuscitação volêmica quanto da consistência na reavaliação seriada do paciente séptico por meio de escores prognósticos (SOFA/qSOFA), o que reduz a variabilidade assistencial e orienta a escalada terapêutica (Rhodes et al., 2017; Raith et al., 2017; Seymour et al., 2017).
Em ambientes de recursos limitados, a adaptação protocolar com liderança de enfermagem permanece custo-efetiva ao diminuir atraso terapêutico e racionalizar o uso de insumos (Rudd et al., 2020; Lagu et al., 2021; Barreto et al., 2020).
A competência do enfermeiro em sepse combina acurácia clínica (triagem e estratificação de risco), tomada de decisão protocolar no primeiro contato e comunicação estruturada com a equipe multiprofissional. Condutas essenciais incluem: cálculo e interpretação do SOFA/qSOFA; priorização de antibioticoterapia precoce após hemoculturas; fluidoterapia guiada por metas; vigilância de sinais de hipoperfusão (lactato, diurese, perfusão periférica) e pronta sinalização para vasopressores quando indicado. Essa atuação integrada, lastreada em checklists e ordens protocoladas, é determinante para encurtar o tempo-porta-antibiótico e reduzir a falha de resgate (Singer et al., 2016; Rhodes et al., 2017; Kleinpell et al., 2021).
No plano gerencial, a conduta competente envolve educação permanente, auditoria de indicadores-chave (tempo até antibiótico, adesão ao bundle, mortalidade), e advocacy por dimensionamento de pessoal e disponibilidade de insumos críticos. O enfermeiro também lidera a segurança do paciente, com dupla checagem de antimicrobianos, rastreabilidade de amostras, e uso de alertas eletrônicos que cruzam critérios clínicos para disparar resposta rápida. Instituições que empoderam a Enfermagem com autonomia protocolar e suporte estrutural alcançam maior adesão e melhores indicadores clínicos e econômicos (Levy et al., 2018; Westphal et al., 2019; Aiken et al., 2014; Paiva et al., 2017).
As desigualdades estruturais observadas em países de renda média explicam parte da mortalidade ainda elevada, mas não anulam o benefício dos pacotes de cuidado quando há padronização e treinamento contínuo. O contraste entre hospitais com e sem protocolos evidencia que o gargalo não é apenas tecnológico: é de processo. Ao institucionalizar fluxos, treinar equipes e garantir feedback de desempenho, serviços públicos e privados reportam quedas sustentadas de mortalidade e permanência, com ganhos econômicos tangíveis (Machado et al., 2017; Barreto et al., 2020; Lagu et al., 2021).
Por fim, a incorporação de tecnologias de apoio — desde pontuações automatizadas a painéis de beira-leito — potencializa a capacidade da Enfermagem de vigiar, intervir e reavaliar continuamente. O elo entre competência profissional e sistemas inteligentes reduz atrasos, padroniza respostas e sustenta uma cultura de alta performance em UTIs. Assim, a combinação de liderança de enfermagem, protocolos baseados em evidências e infraestrutura mínima viável permanece a estratégia mais consistente para prevenir a progressão da sepse e melhorar desfechos no cenário brasileiro e internacional (Raith et al., 2017; Rhodes et al., 2017; Kleinpell et al., 2021).
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão integrativa demonstrou que a sepse permanece como um dos maiores desafios nas Unidades de Terapia Intensiva, exigindo respostas rápidas, coordenadas e sustentadas por protocolos clínicos baseados em evidências. A aplicação sistemática das diretrizes da Surviving Sepsis Campaign e dos bundles assistenciais está diretamente associada à redução da mortalidade, à melhora dos desfechos e ao fortalecimento da segurança do paciente crítico. Nesse contexto, a Enfermagem assume papel decisivo na detecção precoce, na execução imediata das condutas terapêuticas e na articulação multiprofissional, confirmando que o sucesso no manejo da sepse depende, sobretudo, da competência técnica e da liderança clínica do enfermeiro.
As desigualdades estruturais e a limitação de recursos humanos e tecnológicos no sistema de saúde brasileiro impõem a necessidade de estratégias adaptadas à realidade local. A educação permanente, o uso de escores prognósticos e a incorporação de tecnologias digitais de monitoramento são instrumentos que potencializam a tomada de decisão e qualificam o cuidado. Consolida-se, assim, a Enfermagem como eixo estratégico na prevenção e controle da sepse em UTIs, devendo futuras pesquisas aprofundar modelos de gestão e inovação que ampliem a capacidade de resposta assistencial e consolidem uma cultura de alta performance e segurança.
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1Discentes do Curso de Enfermagem – Universidade Anhembi Morumbi
2Docentes do Curso de Enfermagem – Universidade Anhembi Morumbi
