O LIVRO ILUSTRADO COMO PROPOSTA  DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503281750


Patrícia Butignol Lúcio


Resumo 

Este artigo apresenta uma proposta pedagógica pensada para o socioeducativo no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo-SCFV, tendo como objeto o livro ilustrado Lá e Aqui, de Carolina Moreira e Odilon Moraes (2015). O percurso proposto baseia-se na análise de estratégias de leitura e literatura infantil, conforme abordado por Girotto e Souza (2011). Focaliza-se entre o texto e as ilustrações presentes nos livros infantis. Analisado com base nos referenciais teóricos do Círculo de Bakhtin e Vigotski, a proposta enfatiza a literatura como prática para a formação humana. Partindo da hipótese que é a literatura infantil em especial o livro ilustrado possibilita reflexões sobre valores humanos, promovendo o diálogo e a interação dos sujeitos. 

Palavra Chave: livro ilustrado; literatura; socioeducativo; SCFV. 

Abstract 

This article presents a pedagogical proposal designed for the socio-educational scope in the Coexistence Service and Strengthening of Bonds-SCFV, using as its object the illustrated book Lá e Aqui, by Carolina Moreira and Odilon Moraes (2015). The proposed path is based on the analysis of reading strategies and children’s literature, as discussed by Girotto and Souza (2011). It focuses on the text and illustrations present in children’s books. Analyzed from the theoretical references of the Circle of Bajtin and Vygotski, the proposal emphasizes literature as a practice of human formation. Starting from the hypothesis that children’s literature, especially illustrated books, enables reflections on human values, promoting dialogue and interaction between subjects. 

Keywords: illustrated book; literature; socio-educational; SCFV. 

Resumen: 

Este artículo presenta una propuesta pedagógica diseñada para el ámbito socioeducativo en el Servicio de Convivencia y Fortalecimiento de Vínculos-SCFV, teniendo como objeto el libro ilustrado Lá e Aqui, de Carolina Moreira y Odilon Moraes (2015). El camino propuesto se basa en el análisis de las estrategias de lectura y la literatura infantil, como lo discuten Girotto y Souza (2011). Se centra en el texto y las ilustraciones presentes en los libros infantiles. Analizada a partir de los referentes teóricos del Círculo de Bajtin y Vygotski, la propuesta enfatiza la literatura como práctica de formación humana. Partiendo de la hipótesis de que la literatura infantil, especialmente los libros ilustrados, posibilita reflexiones sobre los valores humanos, promoviendo el diálogo y la interacción entre los sujetos. 

Palabras-clave: libro ilustrado; literatura; socioeducativo; SCFV. 

1. INTRODUÇÃO

Atuante como educadora social em uma Organização da Sociedade Civil (OSC), desenvolvo atividades no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) por meio da oficina socioeducativa, atendendo a sujeitos de 6 a 17 anos. O objetivo central do SCFV é proporcionar a esse público experiências significativas de aprendizagem, socialização e fortalecimento de vínculos.

Nesse contexto, a literatura surge como uma estratégia importante  para abordar questões sociais, culturais e emocionais, promovendo reflexões que contribuem para a formação integral dos sujeitos. Esta proposta de percurso pensada a partir da disciplina da pós graduação em educação, descreve a possibilidade de uma experiência a partir do livro ilustrado Lá e Aqui, ressaltando sua relevância para a construção de diálogos sobre afeto e convivência familiar, temas essenciais no planejamento do SCFV na oficina socioeducativa.  

A literatura infantil é uma ferramenta de formação, capaz de transcender o espaço escolar e promover diálogos entre os sujeitos sobre temas sensíveis e urgentes, assim como para o deleite. A disciplina da pós graduação em educação foi o ponto de partida para a escolha do livro Lá e Aqui, cuja temática aborda questões como família e afeto. 

As definições sobre estratégias de leitura aplicadas ao texto encontram respaldo teórico nas considerações de Girotto e Souza (2011), que entendem a literatura infantil como uma expressão cultural. Essa forma de manifestação permite ao leitor criar, recriar e se apropriar de seu conteúdo, utilizando a imaginação e elementos de seu conhecimento prévio. Segundo as autoras, essas estratégias desempenham um papel fundamental na formação de leitores proficientes. Com base em seus conhecimentos anteriores, os leitores são capazes de inferir, utilizando as informações já assimiladas, e realizar previsões sobre o conteúdo do texto, atribuindo-lhe novos significados no processo de leitura. 

O livro Lá e Aqui (2015), de Moreyra e Moraes, apresenta-se em um formato compacto, com 56 páginas e dimensões de 16x16cm. Ele possui capa dura, encadernação em brochura, guardas em tom azul e uma paleta de cores que aposta em tons claros e pastéis, enriquecidos por nuances de volume criadas pela variação de tonalidades. 

A narrativa é construída por meio de imagens que ocupam páginas duplas, sem margens ou fundo, utilizando jogos metonímicos para articular os elementos gráficos que dão ritmo à história. 

O enredo acompanha uma criança que vivencia o processo de separação dos pais, apresentando os acontecimentos a partir de sua perspectiva como filho. Sem nome, assim como os demais personagens, é a criança quem conduz o leitor ao longo da narrativa, revelando os detalhes dessa experiência.

O livro mantém em todas as suas páginas uma perspectiva estatística, sem variação do ponto de vista do leitor, que permanece sempre frontal aos acontecimentos, observando de fora para dentro da casa e seguindo a direção da esquerda para a direita. 

A chuva é introduzida de forma repentina, sem aviso prévio, e permanece por cinco páginas, incorporando-se ao cenário narrativo. A metáfora da inundação é desenvolvida tanto no texto quanto nas ilustrações, sempre guiada pelas palavras do narrador, uma criança, sem que seus sentimentos sejam diretamente explicitados no texto. 

O texto ganha destaque ao descrever os efeitos da inundação, que desencadeiam mudanças no espaço: 

“A casa se afogou, os cachorros fugiram, as flores murcharam, o jardim morreu e a casa ficou vazia.” A ampliação do espaço alagado é apresentada pela alteração gradual na perspectiva. 

A angústia da mãe e a percepção infantil se entrelaçam no texto, transformando a dor da separação em imagens poéticas: “Os peixinhos foram morar nos olhos úmidos de minha mãe.” Para o pai, há outro registro simbólico: “Os sapos levaram os ensopados pés de papai para longe.” A representação visual do pai “saindo da página” reforça a ideia do afastamento, sendo seguida pela reconfiguração do espaço familiar: 

“Nossa casa virou duas.” 

As novas casas são descritas a partir das percepções do menino: na casa da mãe, destacam-se a poltrona e a televisão, que, segundo ele, “têm cosquinha”. Na casa do pai, o ambiente é representado pelo quarto, com o violão e a bola de futebol, acompanhados pelo texto: “tem história e violão.” Os detalhes são essenciais para mostrar a relação entre o “antes” e o “agora,” e para explorar os significados sugeridos pelo título, conectando os espaços entre e Aqui. 

O texto, disposto ora na página esquerda, ora na direita, sempre centralizado na margem inferior e de forma sucinta, guia o olhar do leitor entre palavras e imagens, criando um ritmo equilibrado entre as duas linguagens, como observa Linden (2011, p. 47). 

A análise revela que os elementos gráficos do livro constroem significados abertos à interpretação, mas que só adquirem pleno sentido quando considerados em conjunto como parte essencial da narrativa. 

Sob a perspectiva de Bakhtin e Vigotski, a mediação é o processo de construção de sentidos e aprendizagem. Em Bakhtin, o diálogo é à base da interação social, onde os significados são construídos e ressignificados por meio da troca entre sujeitos. Vigotski, por sua vez, enfatiza o papel da mediação cultural – especialmente pela linguagem e outras ferramentas simbólicas – como caminho para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Aplicado aos livros de literatura infantis ilustrados, esse conceito evidencia como a mediação literária, ao articular texto e imagem, potencializa o engajamento das crianças com a obra, favorecendo a interpretação crítica e o desenvolvimento de capacidades cognitivas e emocionais. A leitura mediada pelo livro promove, assim, um espaço de diálogo onde o livro, as crianças e os educadores, criam e recriam significados em conjunto. 

As autoras GIROTO; MARTINS; TRENCHE, 2010 destacam que “os múltiplos sentidos em circulação no texto são constituídos com base nas relações dialógicas estabelecidas entre autor e leitor, entre leitor e texto e entre os múltiplos enunciados, as múltiplas vozes e linguagens sociais que ecoam no texto”. 

O percurso proposto descrito neste artigo integra as discussões promovidas ao longo da disciplina, que aprofundou a temática sobre o papel da mediação literária para crianças, dos anos iniciais. 

2. OBJETIVO

Propor a leitura do livro Lá e Aqui para a formação de valores humanos, convivência e fortalecimento de vínculo com as crianças do socioeducativo, alinhando essa prática aos pressupostos teóricos da Filosofia da linguagem. 

3. REFERNCIAL TEÓRICO 

Os  aportes  teóricos  que  fundamentam  a  prática  desenvolvida  incluem: – Bakhtin (1981): O diálogo como meio essencial de construção de sentidos e reflexões coletivas. 

  • Vigotski (2001): O papel da mediação na aprendizagem e no desenvolvimento das funções  psicológicas  superiores,  particularmente  a  linguagem  e  a  criatividade. – Literatura Infantil e Mediação: Estudos discutidos na disciplina, como os de Cynthia Girotto e Renata Junqueira, abordam a mediação literária como estratégia de educação humanizadora. Girotto e Souza (2011) 
  • De acordo com a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009), o SCFV oferece ações socioeducativas que podem incluir práticas culturais e de leitura adaptadas às faixas etárias dos participantes. 

Os pensamentos de natureza filosófica, psicológica e sociológica de Mikhail Mikhailovich Bakhtin e Lev Semionovitch Vigotski nos afetam de maneira recíproca, proporcionando reflexões potentes fundamentadas em conceitos eticamente sólidos. 

A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que se sabe sobre linguagem, etc. […] (Brasil, 1998: 69). 

Segundo as reflexões de Bakhtin (1992) a situação discursiva determina as práticas culturais do ler e escrever. 

O ato de ler, assim, é entendido como um processo discursivo em que os sujeitos produtores de sentido, leitor e autor, são ambos ideologicamente constituídos e sócio- historicamente determinados. A construção dos sentidos é influenciada por esses elementos constitutivos. 

Neste contexto, destaca-se o termo mediação, conforme aprendemos com Vigotski e seus seguidores. Esse conceito pressupõe um processo de intervenção, no qual um elemento intermediário atua como ponte entre uma coisa e outra. Assim, compreendemos que a relação entre as pessoas e entre elas e os objetos da cultura não ocorre de forma direta, mas é sempre mediada por esse elemento de intermediação. 

A mediação, então, caracteriza-se como um aspecto essencial na interação do homem com o ambiente em que vive e com os demais indivíduos. Dentro dessa relação, Vigotski identifica dois tipos de mediadores: os instrumentos e os signos. Ele explica que “a invenção e o uso de signos como meios auxiliares para solucionar um dado problema psicológico (lembrar, comparar coisas, relatar, escolher, etc.) é análoga à invenção e uso de instrumentos, só que agora no campo psicológico” (VYGOTSKI, 1995, p. 38). Ao tratar das relações humanas como mediadas, Vigotski indica a existência de algo que intercede entre as pessoas: os signos. Em uma perspectiva mais abrangente, pode-se considerar que esses elementos mediadores são os bens culturais constituídos por signos e, de forma mais detalhada, a literatura infantil, seja em formato físico ou virtual, repleta das marcas das ações humanas. 

Segundo Arena (2021) Humanizar-se é, então, experimentar, viver o processo de apropriação dos signos culturais que medeiam as relações 

Ao entender a literatura para crianças e os modos como os homens a criam, a usam e a transmitem como um conjunto semiótico, quero compreender que as gerações humanas em uma cultura determinada, em um espaço geográfico determinado, tomam esse conjunto como o mediador de suas relações. (ARENA, 2021, p. 14). 

O conceito de mediação simbólica refere-se, portanto, às interações entre os sujeitos e o objeto de estudo, contextualizados historicamente, e às ações cooperativas que envolvem aspectos cognitivos e afetivos. Os instrumentos, por sua vez, têm a função de conduzir a influência humana sobre os objetos da atividade. Eles são voltados para a transformação externa, contribuindo para alterar ou dominar os elementos da natureza. Nesse sentido, são descritos como “um meio pelo qual a atividade humana externa é dirigida para o controle e domínio da natureza” (VYGOTSKI, 1995, p. 40). 

É na interação com outros sujeitos e consigo mesmo que o ser humano internaliza saberes, papéis e funções sociais. Esse processo é essencial para a construção de conhecimentos e para a formação da própria consciência, como aponta Vygotski (1995; 2006). 

Ainda, segundo Girotto e Souza (2011) a perspectiva vigotskiana e bakhtiniana sobre a mediação de literatura para crianças ganha concretude. Assim, não se restringe apenas à disponibilização de bons livros, mas envolve o ensino do ato de ler em toda a sua plenitude: gestos, cultura, maneiras de ler e formas de apreciar! Segundo a autora poderá facilmente em relação à leitura compartilhada pelo adulto estabelecer inferências, realizar visualizações, questionamentos, predições, ainda que de forma inicial e embrionária (GIROTTO, 2016, p. 104). 

4. METODOLOGIA 

Os encontros utilizaram como material didático o livro em formato eBook, apresentado em dois momentos. No primeiro encontro,  a apresentação e leitura do livro seguida de uma roda de conversa, momento em que as crianças terão a oportunidade de compartilhar suas reflexões e ideias relacionadas à história. No segundo encontro, retoma-se a leitura para reforçar o entendimento e, em seguida,  solicita-se que os participantes expressassem por meio de ilustração ou desenho o que compreenderam do texto. 

  1. Leitura mediada do livro em formato digital, contextualizando temáticas de afeto e família. 
  2. Roda de conversa, promovendo o diálogo sobre temas emergentes da narrativa.
  3. Produção artística, com desenhos/ilustrações em que as crianças representaram visualmente suas reflexões, evidenciando interpretações emocionais e cognitivas. 

A intencionalidade é de realizar uma leitura que explore estratégias de construção de sentido, com foco nas inferências, e identificar na composição gráfica os elementos que podem ser destacados em cada momento do livro. 

Tomando como ponto de partida a capa, destacam-se as possibilidades de inferência conforme sugerido por Girotto e Souza (2011), tais como: 

a) deduzir o significado de palavras; 
b) interpretar  informações  a  partir  da  capa,  das  ilustrações  e  do  texto; 
c) identificar os temas centrais da narrativa. 

Além disso, busca-se promover discussões com base em questionamentos como: O que observamos na capa? Sobre o que pode ser essa história? Dá para entender onde estão o e o Aqui

As páginas finais trazem imagens que sugerem as duas casas localizadas em diferentes partes das páginas duplas. A retomada do título instiga reflexões: como o pai e a mãe recebem o menino? O que fazem quando ele está em suas respectivas casas? Quais objetos ou ações reafirmam o senso de pertencimento? 

Na leitura final, é essencial observar como os objetos nos ambientes refletem a nova dinâmica familiar. Qual é a reação do menino em cada cena? O que dá a sensação de estar em casa? Como os elementos das ilustrações constroem uma ideia de familiaridade e acolhimento no desfecho? Agora, o menino vê o interior das casas, sentindo-se acolhido e feliz em cada uma delas, que juntas reconstroem seu mundo. 

Essas etapas buscam operacionalizar os princípios teóricos discutidos na disciplina da pós graduação em educação, colocando em prática o que foi aprendido. 

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

O percurso proposto pretende promover  um espaço acolhedor para a realização das atividades, permitindo um trabalho lúdico e significativo. 

A história abordada no eBook tem como foco um menino sem nome narrando suas experiências familiares, incluindo os desafios de viver em duas casas diferentes, uma da mãe e outra do pai. Durante as atividades, observar se as crianças demonstram engajamento com a história e fazem conexões pessoais significativas. Os comentários e as produções ilustrativas assim como os insights sobre como os sujeitos percebem questões familiares e sociais. 

O livro Lá e Aqui aborda de maneira sensível a vivência de uma criança diante da separação dos pais, representada pelas duas casas em que o personagem principal e narrador passa a viver, após sua casa se ‘afogar’. Apesar da mudança na dinâmica familiar, o amor recebido em ambas às casas e por ambos os pais destaca que laços afetivos podem transcender a separação física. A obra promove reflexões importantes sobre as possibilidades e diversidades das configurações familiares, evidenciando que o cuidado, o carinho e a presença emocional dos pais são elementos fundamentais para a segurança e felicidade da criança, mesmo em contextos de mudanças estruturais. A breve análise das ilustrações revelou que há possibilidade das crianças internalizarem os temas apresentados no livro, elaborando conexões significativas com suas próprias vivências. A utilização do formato digital possibilita também uma maior interação com recursos contemporâneos da web, ampliando o alcance da leitura mediada. 

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O percurso explora o potencial transformador da leitura. Literatura infantil não apenas encantam, mas também educam. Assim, reforça-se a necessidade de formar educadores capacitados para integrar práticas literárias e ferramentas digitais no cotidiano educativo. 

A prática de mediação literária proposta no socioeducativo revela-se uma ferramenta importante para promover a formação de valores humanos e a convivência social entre os sujeitos. A escolha do livro e o percurso pedagógico permitem aos sujeitos não apenas explorar a narrativa de maneira lúdica, mas também refletir sobre questões pessoais, culturais e sociais, essas vivências demonstraram que o contato com a literatura pode incentivar habilidades como a empatia, o senso crítico e a comunicação. 

O envolvimento ativo dos sujeitos, especialmente na roda de conversa e nas ilustrações, evidenciam que as atividades propostas favorecem a expressão das ideias e sentimentos dos participantes, possibilitando o fortalecimento do vínculo com o texto e com o grupo. A conexão espontânea entre a história do livro e a realidade vivida pelos sujeitos reforça o papel da literatura como mediadora de debates relevantes e como uma ponte entre o imaginário literário e o cotidiano. Essa abordagem contribuiu para uma vivência educativa alinhada às demandas do desenvolvimento infantil e ao incentivo à leitura crítica. 

Assim, a prática de leitura em ambientes educativos como o socioeducativo vai além do incentivo à leitura: ela promove a construção de valores, amplia a visão de mundo e fomenta discussões pertinentes ao contexto social. A possibilidade dessa vivência reafirma a importância de práticas pedagógicas fundamentadas nas Teorias Histórico Cultural-THC, que buscam não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também o emocional e social alinhadas às reflexões acadêmicas discutidas entre teóricos renomados citados neste artigo. 

REFERÊNCIAS

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