O IMPACTO E AS IMPLICAÇÕES DA ANSIEDADE E DEPRESSÃO NO FLUXO SALIVAR: UMA REVISÃO DE LITERATURA.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511300831


Laryssa Nunes Pereira
Orientador: Prof(a). Anna Julia Leão Pereira Martins


RESUMO

O presente trabalho foi desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica narrativa, com o objetivo de analisar os impactos da ansiedade e do uso de psicotrópicos sobre o fluxo salivar e a saúde bucal. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science e Google Acadêmico, utilizando os descritores a seguir, ansiedade, antidepressivos, ansiolíticos, xerostomia e fluxo salivar. Foram identificados 2217 estudos, dos quais 85 foram pré-selecionados com base em critérios de relevância, resultando em 25 artigos incluídos para análise final.

Os resultados demonstraram que os transtornos de ansiedade, assim como o uso contínuo de antidepressivos e ansiolíticos, especialmente os antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e benzodiazepínicos, estão diretamente associados à redução do fluxo salivar, ocasionando xerostomia e hipossalivação. Essas alterações comprometem as funções fisiológicas da saliva e favorecem o desenvolvimento de cáries dentárias, halitose, infecções fúngicas e doenças periodontais.

Conclui-se que a relação entre saúde mental, farmacoterapia e saúde bucal é estreita e deve ser considerada no atendimento odontológico. O cirurgião-dentista, ao compreender os efeitos adversos dos psicotrópicos na cavidade oral, pode adotar estratégias preventivas e terapêuticas mais eficazes, contribuindo para a promoção da saúde e qualidade de vida dos pacientes.

Palavras-chave: ansiedade; antidepressivos, ansiolíticos, xerostomia e fluxo salivar.

Abstract

This study was developed through a narrative literature review aiming to analyze the impacts of anxiety and psychotropic drug use on salivary flow and oral health. The research was conducted in the PubMed, Scopus, Web of Science, and Google Scholar databases, using descriptors related to anxiety, antidepressants, anxiolytics, xerostomia, and salivary flow. A total of 10,180 studies were identified, of which 85 were pre-selected based on relevance criteria, resulting in 25 articles included for final analysis.

The results showed that anxiety disorders and the continuous use of antidepressants and anxiolytics, particularly tricyclic antidepressants, selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs), and benzodiazepines, are directly associated with a reduction in salivary flow, leading to xerostomia and hyposalivation. These alterations compromise the physiological functions of saliva and contribute to the development of dental caries, halitosis, fungal infections, and periodontal diseases.

It is concluded that the relationship between mental health, pharmacotherapy, and oral health is significant and must be considered in dental practice. By understanding the adverse oral effects of psychotropic drugs, dentists can implement more effective preventive and therapeutic measures, improving patients’ overall health and quality of life.

Keywords: anxiety; antidepressants, anxiolytics, xerostomia, and salivary flow.

1 INTRODUÇÃO

Os transtornos de ansiedade e depressão estão entre os principais distúrbios mentais da atualidade, apresentando alta prevalência e impacto significativo sobre a qualidade de vida, o desempenho ocupacional e as relações interpessoais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), esses transtornos afetam centenas de milhões de pessoas no mundo e representam as maiores causas de incapacidade global. A literatura atual destaca que o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e o transtorno depressivo maior (TDM) compartilham características fisiopatológicas e frequentemente coexistem, intensificando seus efeitos sobre o organismo humano (Goodwin; Stein, 2021).

Além das manifestações emocionais e comportamentais, essas condições desencadeiam alterações neurofisiológicas sistêmicas, como a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), resultando em níveis elevados e prolongados de cortisol. Essa disfunção endócrina pode afetar diretamente o sistema imunológico e a função das glândulas salivares, contribuindo para quadros de hipossalivação e xerostomia (Cui et al., 2024). Vale ressaltar que tais alterações podem ocorrer mesmo na ausência de tratamento farmacológico, embora sejam mais intensas em pacientes em uso contínuo de psicofármacos (Diniz et al., 2024).

No campo da odontologia, a redução do fluxo salivar representa um desafio clínico relevante, pois a saliva é essencial para diversas funções, como lubrificação oral, digestão inicial, remineralizarão do esmalte dentário e defesa imunológica contra microrganismos. Quando a produção salivar é comprometida, ocorrem desequilíbrios na microbiota bucal, favorecendo o surgimento de cáries, gengivite, halitose, mucosites, candidíase e outras afecções da mucosa oral (Niklander et al., 2017; Pires et al., 2017).

A literatura recente demonstra que medicamentos frequentemente utilizados no tratamento de transtornos ansiosos e depressivos — como antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e benzodiazepínicos — têm como efeito adverso a redução significativa da salivação. Esses fármacos atuam sobre receptores centrais e periféricos, inibindo a função das glândulas salivares e promovendo alterações histológicas e funcionais que resultam em quadros persistentes de xerostomia (Barbe, 2018; Cockburn et al., 2017; D’Andréa et al., 2023).

Diante desse cenário, torna-se necessário que o cirurgião-dentista compreenda as implicações bucais associadas aos transtornos mentais e aos psicofármacos, a fim de realizar um acompanhamento preventivo e terapêutico adequado. É fundamental, ainda, que a atuação odontológica esteja inserida em uma abordagem multiprofissional, visando um cuidado integral ao paciente. Esta pesquisa bibliográfica, portanto, busca apresentar as principais alterações salivares observadas em pacientes com ansiedade e depressão, bem como suas implicações odontológicas, com ênfase no papel clínico e preventivo do cirurgião-dentista.

2 METODOLOGIA

Presente trabalho caracteriza-se como uma revisão bibliográfica narrativa, desenvolvida com o objetivo de investigar a relação entre os transtornos de ansiedade e depressão, o uso de psicofármacos e seus impactos no fluxo salivar e na saúde bucal. A pesquisa foi conduzida entre os meses de fevereiro e setembro de 2025, por meio de levantamento de artigos científicos nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science, LILACS e Google Acadêmico, reconhecidas pela relevância na área da saúde.

A estratégia de busca utilizou descritores controlados e não controlados em português e inglês, combinados pelos operadores booleanos AND e OR, de acordo com as particularidades de cada base. Os principais descritores empregados foram: “ansiedade”, “antidepressivos”, “ansiolíticos”, “xerostomia” e “fluxo salivar”.

Inicialmente, foram identificados 100 artigos distribuídos entre as bases de dados mencionadas. Após a leitura dos títulos e resumos, 15 artigos foram excluídos por não apresentarem relação direta com o tema proposto, por não atenderem ao recorte temporal (2014–2024) ou por estarem em idiomas diferentes do português, inglês e espanhol. Dessa forma, 85 artigos foram selecionados para leitura na íntegra.

Após a leitura completa desses 85 estudos, 45 foram excluídos por não abordarem de forma específica a associação entre ansiedade/depressão, uso de psicofármacos e alterações no fluxo salivar, resultando em 40 artigos potencialmente elegíveis.

Na etapa final de seleção, foram aplicados critérios adicionais de exclusão, a fim de garantir a pertinência, consistência e qualidade das evidências incluídas. Assim, foram excluídos:

  • Artigos duplicados entre as bases de dados;
  • Trabalhos cujo tipo de estudo não correspondia aos objetivos desta revisão (como relatos de caso, editoriais e revisões narrativas sem rigor metodológico);
  • Estudos sem acesso ao texto completo ou com informações insuficientes para análise;
  • Pesquisas com populações ou contextos diferentes do foco do trabalho (por exemplo, estudos exclusivamente pediátricos ou em animais);
  • Estudos com baixa qualidade metodológica, ausência de clareza nos resultados ou inconsistências entre objetivos e conclusões.

Após essa triagem, 25 artigos atenderam integralmente aos critérios de inclusão e foram selecionados para compor o corpo final de análise da revisão.

3 REVISÃO DE LITERATURA 

3.1 Relação entre Fluxo Salivar, Saúde Mental e Disfunções Orais 

A relação entre saúde mental e saúde bucal constitui uma rede complexa de interações fisiológicas e comportamentais que se influenciam mutuamente. Os transtornos de ansiedade e depressão, cada vez mais frequentes na população, exercem impacto direto sobre o funcionamento do organismo, atingindo também o sistema estomatognático e o fluxo salivar. Essa conexão se estabelece por meio de modificações neuroendócrinas, imunológicas e comportamentais que comprometem o equilíbrio da cavidade oral.

Os transtornos de ansiedade e depressão representam importantes causas de morbidade e produzem efeitos significativos tanto na saúde geral quanto na bucal. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5) e a Classificação Internacional de Doenças – 11ª edição (CID-11), essas condições são caracterizadas por sintomas como tristeza profunda, desinteresse, fadiga, distúrbios do sono, tensão constante, preocupação excessiva e manifestações somáticas (CUI et al., 2024). A ansiedade é marcada por um estado contínuo de apreensão e antecipação, enquanto a depressão manifesta-se por sentimentos de tristeza intensa e isolamento emocional. Ambas compartilham alterações em circuitos neurobiológicos, envolvendo estruturas como o hipocampo, a amígdala e o córtex pré-frontal (CUI et al., 2024).

Segundo Dumitrescu (2016), a depressão está relacionada à desregulação crônica do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), o que provoca mudanças hormonais e imunológicas capazes de favorecer processos inflamatórios. Esse desequilíbrio sistêmico pode agravar doenças periodontais e outros quadros infecciosos da cavidade oral. Complementarmente, Gholami et al. (2017) demonstram que a ativação prolongada do sistema nervoso simpático em situações de estresse e ansiedade leva à redução significativa do fluxo salivar, representando uma das principais bases fisiopatológicas da hipossalivação associada aos transtornos mentais.

Além das alterações hormonais, diversos autores apontam a neuroinflamação como elo entre as doenças mentais e as manifestações orais. Martinez et al. (2022) destacam que a periodontite pode permitir a translocação de bactérias e endotoxinas por meio das bolsas periodontais, estimulando respostas imunes no sistema nervoso central e contribuindo para processos de neuroinflamação. Em contrapartida, o estresse e a depressão intensificam respostas inflamatórias, elevando os níveis de citocinas pró-inflamatórias que prejudicam os tecidos periodontais (STEPOVIĆ et al., 2020). Dessa forma, estabelece-se um ciclo bidirecional no qual as alterações bucais e psicológicas se reforçam mutuamente.

Do ponto de vista fisiológico, a diminuição da salivação em indivíduos com transtornos mentais está relacionada à liberação contínua de cortisol — hormônio que interfere na função parassimpática e reduz a secreção das glândulas salivares. Gholami et al. (2017) observaram uma correlação significativa entre altos níveis de estresse e sintomas depressivos com a diminuição do fluxo salivar não estimulado e aumento da sensação de boca seca. Essa condição compromete as propriedades físico-químicas da saliva, prejudicando suas funções de proteção, lubrificação, tamponamento, digestão inicial e defesa antimicrobiana. Conforme Alves e Severi (2016), a saliva é composta majoritariamente por água, além de proteínas e íons essenciais, como lactoferrina e mucinas, que atuam na defesa e limpeza da cavidade oral. Quando há alteração em seu volume ou composição, aumenta a suscetibilidade a cáries, gengivite e infecções oportunistas.

A redução da capacidade de tamponamento e a perda das propriedades antimicrobianas tornam o meio bucal mais propenso ao desequilíbrio da microbiota e ao surgimento de lesões. Alves e Severi (2016) explicam que, quando o pH oral atinge níveis inferiores a 5,5 devido à hipossalivação, ocorre desmineralização do esmalte dentário e aparecimento de cáries. Além disso, proteínas como lisozima, peroxidase e defensinas — responsáveis pela defesa antimicrobiana — têm sua atuação reduzida, comprometendo o equilíbrio ecológico da boca.

As manifestações orais observadas em pacientes com transtornos mentais são diversas. Macedo e Passos (2023) relataram que indivíduos com depressão tendem a apresentar maior acúmulo de biofilme, incidência de cáries e doenças periodontais devido à falta de motivação e à negligência com os cuidados de higiene bucal. Já pessoas ansiosas frequentemente apresentam disfunções temporomandibulares e desgaste dentário por bruxismo, resultado da tensão muscular e do estresse emocional. Esses problemas podem ser agravados pelo uso de substâncias como álcool, tabaco e medicamentos psicotrópicos, que alteram a qualidade da saliva e o metabolismo oral (BARBOSA et al., 2018). O uso de antidepressivos e ansiolíticos, por sua vez, intensifica a hipossalivação por afetar neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e GABA, todos envolvidos na regulação da salivação (CASTRO-SILVA et al., 2017; COCKBURN et al., 2017).

A interligação entre saúde mental e saúde bucal, portanto, apresenta natureza multifatorial e de via dupla. Condições orais como halitose, inflamações gengivais e perda dentária podem impactar negativamente a autoestima, o convívio social e o bem-estar psicológico, contribuindo para o agravamento de sintomas depressivos (DUMITRESCU, 2016). Esse ciclo de influência recíproca é reforçado por Barbosa et al. (2018), que associaram problemas odontológicos à piora da autoimagem e ao aumento do isolamento social, sobretudo entre indivíduos vulneráveis.

No contexto brasileiro, essa associação adquire ainda mais importância. Macedo e Passos (2023) relatam que o Brasil está entre os países com maiores índices de ansiedade e depressão, agravados por fatores como estresse cotidiano, desigualdade social e repercussões da pandemia de COVID-19. Em pesquisa com usuários do sistema público, Barbosa et al. (2018) constataram que mais de um terço apresentava sintomas depressivos severos, reforçando a necessidade de integração entre a odontologia e a saúde mental.

Diante desse panorama, é essencial que o cirurgião-dentista saiba reconhecer sinais de sofrimento emocional e compreender de que forma eles se expressam na cavidade oral. A prática clínica deve adotar uma abordagem interdisciplinar, integrando fatores biológicos, psicológicos e sociais. Essa perspectiva amplia os resultados terapêuticos e contribui para interromper o ciclo de agravamento mútuo entre transtornos mentais e doenças bucais, promovendo uma saúde integral e uma melhor qualidade de vida.

3.2 Psicofármacos utilizados no tratamento da ansiedade e depressão e seus efeitos adversos na salivação

O uso de psicofármacos no manejo de transtornos de ansiedade e depressão representa um grande avanço terapêutico, porém seus efeitos colaterais sobre a cavidade oral exigem atenção redobrada. Medicamentos como antidepressivos e ansiolíticos interferem tanto na quantidade quanto na composição da saliva, levando a quadros de hipossalivação e xerostomia, que comprometem a lubrificação, a defesa antimicrobiana e o equilíbrio químico bucal. Por essa razão, é indispensável que o cirurgião-dentista acompanhe de forma contínua o paciente em tratamento farmacológico, priorizando a prevenção de complicações associadas (GOODWIN; STEIN, 2021; COCKBURN et al., 2017).

Os efeitos dos psicotrópicos sobre o fluxo salivar variam de acordo com a classe medicamentosa e o mecanismo de ação de cada fármaco. Os antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina e a nortriptilina, apresentam potente ação anticolinérgica, inibindo a estimulação parassimpática das glândulas salivares e reduzindo de forma expressiva a secreção de saliva. Já os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como fluoxetina e escitalopram, provocam menor efeito xerogênico, sendo mais bem tolerados clinicamente. Assim, a escolha do fármaco deve considerar agentes com menor potencial de causar boca seca, principalmente em pacientes com risco elevado de cárie e infecções orais (DALY, 2016; COCKBURN et al., 2017).

Os mecanismos iatrogênicos da hipofunção salivar estão associados à interferência dos psicotrópicos na comunicação entre o sistema nervoso e as glândulas salivares. A diminuição do fluxo e as alterações na composição da saliva favorecem a disbiose oral, aumentando a propensão a inflamações e infecções locais. Além disso, essa disfunção pode ter repercussões sistêmicas, pois o desequilíbrio microbiológico e inflamatório da cavidade oral tende a agravar doenças crônicas e afetar o eixo oralcérebro, reforçando a importância do acompanhamento multiprofissional (STEPOVIĆ et al., 2020; MARTINEZ et al., 2022).

Embora os ISRS sejam considerados mais seguros quanto aos efeitos adversos, estudos demonstram que alguns deles, como a fluoxetina, podem exercer ação dual: além do potencial xerogênico, apresentam também propriedades anti-inflamatórias sobre os tecidos periodontais. Esse efeito benéfico está relacionado à modulação de citocinas e à regulação da resposta imune local. Portanto, o profissional deve equilibrar o uso terapêutico dos antidepressivos com medidas de prevenção da xerostomia, mantendo o controle do biofilme e o conforto bucal do paciente (BHATIA et al., 2015; DUMITRESCU, 2016).

Os ansiolíticos, especialmente os benzodiazepínicos, também podem afetar a função das glândulas salivares, causando hipossalivação e desconfortos como queimação bucal e glossite. Pesquisas experimentais indicam que o uso prolongado de clonazepam reduz o tamanho dos ácinos e a espessura dos ductos parotídeos, evidenciando um impacto morfofuncional sobre o tecido glandular. Esses achados reforçam a importância de uma anamnese detalhada e do monitoramento constante da função salivar em pacientes que utilizam essas substâncias de forma contínua (PIRES et al., 2017; D’ANDREA et al., 2023).

Outras classes de psicofármacos, como antipsicóticos e estabilizadores de humor, também apresentam implicações orais. Antipsicóticos típicos estão frequentemente associados à xerostomia, disgeusia e, em certos casos, à sialorreia — especialmente quando há uso de clozapina. Já os estabilizadores de humor, como a lamotrigina, podem provocar reações mucocutâneas severas, exigindo acompanhamento odontológico e médico simultâneo. Por isso, é fundamental que o cirurgião-dentista conheça o perfil farmacológico de cada paciente e ajuste o plano terapêutico conforme o risco individual (COCKBURN et al., 2017; PIRES et al., 2017).

O uso concomitante de psicotrópicos com outros medicamentos de uso sistêmico pode elevar a chamada “carga xerogênica total”. Anti-hipertensivos, como bloqueadores de canais de cálcio, estão associados à hiperplasia gengival, enquanto betabloqueadores e inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) reduzem o fluxo salivar e alteram o paladar. Nessas situações, recomenda-se uma abordagem integrada entre dentista e médico prescritor, buscando ajustar as terapias e minimizar os efeitos colaterais orais (PIRES et al., 2017; COCKBURN et al., 2017).

Segundo as diretrizes clínicas atuais, os antidepressivos do tipo ISRS e IRSN são considerados primeira escolha no tratamento de ansiedade e depressão. Entretanto, nem todos os pacientes respondem adequadamente a essas opções, sendo por vezes necessário recorrer a fármacos de outras classes, com maior potencial xerogênico. Por esse motivo, a atenção odontológica deve começar ainda na fase inicial da prescrição, com orientações sobre hidratação, estímulo salivar, uso de substitutos salivares e acompanhamento preventivo regular (GOODWIN; STEIN, 2021; COCKBURN et al., 2017).

A xerostomia de origem medicamentosa afeta diretamente o equilíbrio da microbiota oral, favorecendo inflamações gengivais, candidíase e maior risco de cáries. Esses efeitos locais podem, inclusive, intensificar sintomas psicológicos, perpetuando o ciclo entre saúde bucal e saúde mental. Dessa forma, é essencial reduzir a carga anticolinérgica sempre que possível e reforçar as medidas de proteção da mucosa e estímulo salivar (MARTINEZ et al., 2022; STEPOVIĆ et al., 2020).

No contexto brasileiro, marcado por alta prevalência de transtornos ansiosos e depressivos, torna-se imprescindível a integração entre odontologia e saúde mental. O acompanhamento odontológico periódico, aliado à identificação precoce de queixas de boca seca, pode prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida desses pacientes. Assim, a articulação entre os serviços de saúde bucal e mental deve ser vista como prioridade nas estratégias de atenção integral ao indivíduo (MACEDO; PASSOS, 2023; PIRES et al., 2017).

3.3 Funções Fundamentais da saliva e a consequência da xerostomia e hipossalivação na saúde bucal

A saliva é um fluido biológico essencial à manutenção da homeostase bucal, exercendo funções de proteção, lubrificação, digestão e defesa imunológica. Produzida principalmente pelas glândulas parótidas, submandibulares e sublinguais, sua composição é majoritariamente aquosa, contendo também proteínas, íons e enzimas que asseguram o equilíbrio físico-químico da cavidade oral. O volume diário produzido varia, em média, de 0,75 a 1,5 litro, com pH fisiológico entre 6,0 e 7,0, o que garante o funcionamento adequado dos tecidos e a prevenção de doenças orais (MENDES, 2017; GIAFFERIS et al., 2017).

Entre as funções mais relevantes da saliva estão a lubrificação da mucosa, a neutralização dos ácidos por meio do sistema tampão de bicarbonato e a remineralização do esmalte dentário, proporcionada pela presença de cálcio e fosfato. Além disso, ela contém proteínas antimicrobianas, como lisozima e lactoferrina, e imunoglobulina A secretora (sIgA), que atuam na defesa contra microrganismos patogênicos. Dessa forma, o fluxo salivar contínuo é indispensável para o conforto mastigatório, a deglutição, a fala e a proteção das estruturas dentárias e mucosas (PIRES et al., 2017; RODRÍGUEZ PULIDO et al., 2017).

A xerostomia e a hipossalivação são condições frequentemente associadas, mas com características distintas. A xerostomia corresponde à sensação subjetiva de boca seca, detectada por meio de relatos clínicos e questionários específicos. Já a hipossalivação refere-se à diminuição objetiva da produção salivar, mensurada por meio da sialometria. Essas condições podem ocorrer de forma isolada ou concomitante, sendo essencial diferenciá-las para um diagnóstico correto e para a elaboração de um plano de tratamento adequado (KANDAGAL VEERABHADRAPPA et al., 2016; MENDES, 2017).

A avaliação objetiva do fluxo salivar é feita pela coleta de saliva total não estimulada, durante cinco minutos, e saliva estimulada, obtida pela mastigação padronizada. Considera-se hipossalivação quando o fluxo não estimulado é inferior a 0,1 mL/min e o estimulado menor que 0,7 mL/min. Tais valores estão associados a maior risco de cáries, candidíase e instabilidade de próteses. Já a xerostomia é identificada com base em sintomas subjetivos, como dificuldade para engolir, sede constante e sensação de mucosa seca, que refletem o desconforto percebido pelo paciente (GIAFFERIS et al., 2017; MENDES, 2017).

A diminuição do fluxo salivar compromete diretamente as funções protetoras da saliva, dificultando a limpeza dos resíduos alimentares, o controle do pH e o processo de remineralização dental. Com o ambiente bucal mais ácido e a menor disponibilidade de íons cálcio e fosfato, o esmalte dentário torna-se mais vulnerável à desmineralização e ao desenvolvimento de cáries. Além disso, a redução das proteínas antimicrobianas e imunoglobulinas facilita o crescimento microbiano e a disbiose, resultando em inflamações gengivais e periodontais (MENDES, 2017; GIAFFERIS et al., 2017).

Clinicamente, a hipossalivação está associada à ocorrência de cáries em áreas não habituais, como superfícies lisas e cervicais, além de evolução rápida das lesões. Também é comum a presença de candidíase, mucosites e queilite angular, decorrentes da menor defesa local e da falta de umidade na mucosa. Esses quadros clínicos podem provocar dor, ardor, alteração do paladar e desconforto ao se alimentar ou falar, impactando de forma significativa a qualidade de vida (COCKBURN et al., 2017; GIAFFERIS et al., 2017).

A saliva também é essencial para a retenção e estabilidade de próteses dentárias. Quando há redução no fluxo salivar, ocorre perda de adesão e aumento do atrito entre a prótese e a mucosa, favorecendo o surgimento de feridas e irritações. Nessas situações, recomenda-se o uso de substitutos salivares e ajustes individualizados nas próteses, visando restabelecer o conforto e a funcionalidade (PIRES et al., 2017; MENDES, 2017).

Além dos efeitos locais, a xerostomia e a hipossalivação têm implicações psicossociais importantes, podendo intensificar sintomas de ansiedade e depressão. A dificuldade para falar, se alimentar e interagir socialmente pode acentuar o sofrimento emocional, especialmente em pessoas com transtornos mentais. Dessa forma, o acompanhamento multiprofissional, integrando cuidados odontológicos e psicológicos, é indispensável para promover qualidade de vida e bem-estar geral (DINIZ et al., 2024; KANDAGAL VEERABHADRAPPA et al., 2016).

Em síntese, compreender as funções fisiológicas da saliva e diferenciar adequadamente xerostomia e hipossalivação é essencial para o manejo clínico de pacientes com queixa de boca seca. A combinação entre avaliações subjetivas e objetivas, associada a exame clínico minucioso e anamnese detalhada, possibilita a detecção precoce do risco e a adoção de medidas preventivas individualizadas, garantindo a preservação da saúde bucal e o conforto funcional a longo prazo (MENDES, 2017; GIAFFERIS et al., 2017).

3.4. Diagnóstico e planejamento individualizado da xerostomia e hipossalivação

O diagnóstico e o planejamento terapêutico individualizado da xerostomia e da hipossalivação requerem uma abordagem sistemática, que envolva avaliação clínica padronizada, aplicação de instrumentos validados e estratificação de risco baseada em evidências, com o objetivo de direcionar condutas preventivas e terapêuticas específicas. A natureza multifatorial dessas condições e a frequente dissociação entre sintomas subjetivos e sinais objetivos tornam indispensável o uso de protocolos estruturados, que integrem anamnese direcionada, exame clínico detalhado e sialometria com valores de referência definidos.

Algoritmos diagnósticos integrados

A formulação de algoritmos diagnósticos deve começar pela análise detalhada dos medicamentos em uso, considerando a classe farmacológica, dosagem, frequência, tempo de administração e carga anticolinérgica total — principalmente em pacientes que utilizam psicotrópicos, já que cerca de 91% desses fármacos apresentam a xerostomia como efeito adverso. A integração dessas informações com questionários validados permite estimar o risco inicial e determinar a necessidade de exames complementares objetivos (COCKBURN et al., 2017; FRATTO; MANZON, 2014).

O protocolo proposto por Castro-Silva et al. (2017) demonstrou a aplicabilidade clínica de uma triagem simples, por meio da pergunta “Você sente que sua boca está seca com frequência?”, associada à sialometria estimulada padronizada. O estudo revelou maior prevalência de xerostomia e hipossalivação entre usuários de medicamentos em comparação aos controles (CASTRO-SILVA et al., 2017; FRYDRYCH, 2016).

Instrumentos de avaliação padronizada

O questionário desenvolvido e validado por Dyasanoor et al. apresenta seis perguntas dicotômicas que abordam diferentes dimensões da experiência xerostômica, demonstrando confiabilidade interna adequada (α = 0,72) e correlação significativa com sinais clínicos de hipossalivação. Em indivíduos com transtornos psicológicos, as prevalências de xerostomia atingiram 51% entre ansiosos e 47% entre deprimidos, evidenciando a importância da triagem sistemática nessa população (KANDAGAL VEERABHADRAPPA et al., 2016; MENDES, 2017).

A avaliação miofuncional orofacial padronizada (MBGR) também é um recurso útil para identificar alterações funcionais associadas ao uso de psicofármacos. Diniz et al. (2024) observaram alta incidência de padrões mastigatórios alterados e assimetrias musculares em usuárias de antidepressivos e ansiolíticos, reforçando a necessidade de monitoramento multidisciplinar (DINIZ et al., 2024; FRATTO; MANZON, 2014).

Protocolos de sialometria e valores de referência

A sialometria padronizada continua sendo o método de referência para o diagnóstico objetivo da hipossalivação. O exame é realizado mediante coleta de saliva total não estimulada, por escoamento passivo durante cinco minutos, e saliva estimulada, após mastigação padronizada pelo mesmo período. Considera-se hipossalivação severa quando o fluxo não estimulado é inferior a 0,1 mL/min e hipossalivação estimulada quando abaixo de 0,7 mL/min (CASTRO-SILVA et al., 2017; GIAFFERIS et al., 2017).

Em estudo conduzido com universitários, 45,2% dos participantes apresentaram hipossalivação, sendo observada correlação entre o uso de medicamentos — especialmente antidepressivos e anticoncepcionais — e a redução do fluxo salivar (CASTRO-SILVA et al., 2017; FRYDRYCH, 2016).

Estratificação de risco

A estratificação de risco deve integrar dados sobre medicações em uso, sintomas relatados, achados clínicos e resultados da sialometria, classificando os pacientes em categorias de baixo, intermediário e alto risco. Indivíduos com hipossalivação severa (< 0,1 mL/min), uso de múltiplos fármacos xerogênicos e sintomas persistentes são considerados de alto risco, necessitando de intervenção imediata e acompanhamento intensivo (MENDES, 2017; DELGADO-ANGULO et al., 2015).

Estudos recentes apontam que a análise do microbioma oral e de biomarcadores, como cortisol salivar e proteína C-reativa, pode aprimorar a estratificação de risco, permitindo identificar precocemente os pacientes mais propensos à progressão de doenças orais (SIMPSON et al., 2020; DUMITRESCU, 2016).

Planejamento terapêutico individualizado

O plano terapêutico deve levar em consideração a etiologia, a gravidade e o perfil de risco de cada paciente, definindo estratégias preventivas e paliativas específicas. Em pacientes submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço, recomenda-se o uso de fluoretos de alta concentração, substitutos salivares, estimulantes mecânicos e dispositivos de eletroestimulação, quando houver função glandular residual (GIAFFERIS et al., 2017; FRYDRYCH, 2016).

Para usuários de psicotrópicos, o foco deve incluir o controle dos efeitos extrapiramidais orofaciais, como bruxismo e distonias, associando fisioterapia orofacial e acompanhamento preventivo do fluxo salivar (D’ANDRÉA et al., 2023; COCKBURN et al., 2017).

O manejo sintomático pode envolver o uso de saliva artificial em gel, spray ou solução para lubrificação da mucosa, além de gomas de mascar sem açúcar, balas com xilitol e sialogogos farmacológicos, como pilocarpina e cevimelina, desde que prescritos por profissional habilitado e com glândulas funcionais preservadas (VILLA et al., 2015; MENDES, 2017). A laserterapia de baixa intensidade também tem se mostrado eficaz como estimuladora da função glandular em casos específicos (VILLA et al., 2015; CASTRO-SILVA et al., 2017).

Medidas preventivas e manejo multidisciplinar

As ações preventivas devem contemplar higiene bucal rigorosa, uso de dentifrícios fluoretados de alta concentração (5.000 ppm), enxaguantes neutros e orientação dietética para evitar alimentos ácidos, secos e ricos em açúcar. O acompanhamento nutricional auxilia na mastigação eficiente e na redução da irritação da mucosa, enquanto o suporte psicológico contribui para o manejo da ansiedade e da adesão ao tratamento (GIAFFERIS et al., 2017; MENDES, 2017).

O cirurgião-dentista deve manter comunicação constante com o médico ou psiquiatra responsável, visando ajustes na prescrição medicamentosa e minimização dos efeitos xerogênicos (D’ANDRÉA et al., 2023; COCKBURN et al., 2017). Além do cuidado técnico, uma abordagem acolhedora e humanizada é fundamental, uma vez que pacientes com transtornos mentais podem apresentar medo ou resistência ao tratamento odontológico. Estratégias como escuta ativa, consultas mais curtas e, quando indicado, o uso de sedação consciente, fortalecem o vínculo e favorecem a adesão (MELO; FREIRE, 2022).

Abordagem interdisciplinar e perspectivas futuras

A complexidade da xerostomia e da hipossalivação requer a integração entre cirurgiões-dentistas, médicos, fonoaudiólogos e psicólogos, permitindo uma abordagem abrangente dos fatores etiológicos e das repercussões funcionais (DELGADO-ANGULO et al., 2015; DUMITRESCU, 2016). Tecnologias emergentes, como a análise do microbioma oral por sequenciamento 16S rRNA e dispositivos de eletroestimulação intraoral, apresentam perspectivas promissoras para diagnóstico precoce e tratamento personalizado (SIMPSON et al., 2020; FRYDRYCH, 2016).

A incorporação da teleodontologia e de aplicativos de monitoramento remoto representa um avanço importante na adesão e acompanhamento de pacientes com xerostomia, promovendo uma prática odontológica mais resolutiva, integrada e centrada no bem-estar global (DELGADO-ANGULO et al., 2015; MENDES, 2017).

4. DISCUSSÃO

 Já Silva et al. (2016) e Giafferis et al. (2017) enfatizam que, embora os medicamentos sejam a principal causa da hipossalivação, fatores como estresse emocional e doenças autoimunes também devem ser considerados na etiologia. Assim, o tratamento deve ser individualizado, priorizando tanto o controle das causas sistêmicas quanto a reabilitação oral paliativa.

No campo dos psicofármacos, Bhatia et al. (2015) observaram que a fluoxetina — um antidepressivo inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) — apresentou efeito protetor sobre os tecidos periodontais, reduzindo parâmetros inflamatórios. Esse achado contrasta com outros estudos que associam o uso prolongado de antidepressivos à hipossalivação e ao aumento da suscetibilidade a doenças bucais, indicando que os efeitos variam conforme o tipo e a dose da medicação.

Em revisão mais recente, Stepović et al. (2020) argumentam que a piora da saúde bucal em indivíduos com depressão está mais relacionada a barreiras comportamentais — como a negligência na higiene oral e o medo de atendimento odontológico — do que aos efeitos diretos dos fármacos ou à alteração fisiológica do fluxo salivar. Essa posição contrapõe-se à de autores como Oliveira Silva et al. (2016), que relacionam diretamente o uso de antidepressivos e ansiolíticos à hipofunção das glândulas salivares e à consequente predisposição a cáries, halitose e infecções fúngicas.

Dessa forma, observa-se que, embora exista concordância geral de que os transtornos mentais e seus tratamentos impactam a saúde bucal, os autores divergem quanto aos fatores predominantes. Enquanto uns enfatizam os mecanismos biológicos e farmacológicos, outros destacam aspectos comportamentais e psicossociais. Ainda há necessidade de mais estudos longitudinais que avaliem a relação entre ansiedade, depressão, fluxo salivar e microbiota oral de forma integrada, considerando variáveis como tipo de medicação, tempo de uso e condições sistêmicas associadas.

5. CONCLUSÃO

Os resultados obtidos a partir da análise dos artigos selecionados evidenciam que a ansiedade e o uso contínuo de psicotrópicos, especialmente antidepressivos e ansiolíticos, exercem influência significativa sobre o fluxo salivar e a saúde bucal dos pacientes. Observou-se que a xerostomia e a hipossalivação são manifestações recorrentes associadas a esses quadros, comprometendo a função protetora da saliva e favorecendo o surgimento de cáries, halitose, infecções fúngicas e dificuldades mastigatórias e de deglutição.

A literatura analisada aponta que os antidepressivos tricíclicos e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), além dos benzodiazepínicos, estão entre os principais medicamentos capazes de reduzir a produção salivar, em razão de seus efeitos sobre o sistema nervoso autônomo e os receptores colinérgicos. Esses fármacos, ao interferirem na regulação das glândulas salivares, provocam alterações funcionais que afetam não apenas o conforto oral, mas também o bem-estar geral e a qualidade de vida do paciente.

Ademais, foi possível constatar que o manejo clínico de pacientes com transtornos de ansiedade em uso de psicotrópicos requer uma abordagem multidisciplinar. O cirurgião-dentista deve estar atento aos sinais e sintomas de hipossalivação, orientando medidas preventivas, como o estímulo à hidratação adequada, uso de substitutos salivares, produtos fluoretados e acompanhamento odontológico regular.

Dessa forma, conclui-se que compreender a interação entre saúde mental, farmacoterapia e alterações salivares é essencial para o cuidado integral do paciente. O conhecimento sobre os efeitos adversos dos psicotrópicos na cavidade oral possibilita intervenções precoces e mais eficazes, promovendo uma prática odontológica mais humanizada, preventiva e voltada à qualidade de vida.

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