THE IMPACT OF CONTEMPORARY EATING HABITS ON ORAL AGING
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512041433
Bárbara Laudares Mendonça; Breno Paraíso Coutinho; Letícia Batista Soares; Maria Luiza Mendes Machado; Raquel Gonçalves Marra; Sávio Morato de Lacerda Gontijo; Margarete Aparecida Gonçalves Melo Guimarães
Resumo
O envelhecimento bucal tem sido influenciado de forma significativa pelos padrões alimentares contemporâneos, caracterizados pela elevada ingestão de alimentos ultraprocessados, bebidas ácidas e produtos industrializados, que alteram a homeostase oral. Essas mudanças interferem diretamente no pH da cavidade bucal, na composição e no fluxo salivar, reduzindo o potencial remineralizador natural e favorecendo processos erosivos e inflamatórios relacionados à Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal (SEPB). A exposição frequente a ácidos extrínsecos, aliada ao baixo estímulo mastigatório decorrente da ingestão reduzida de alimentos naturais, contribui para desgaste dentário, recessão gengival, hipersensibilidade e perda funcional precoce. Este artigo apresenta uma revisão narrativa da literatura sobre o impacto dos hábitos alimentares modernos no envelhecimento bucal, discutindo mecanismos fisiopatológicos e estratégias preventivas que envolvem a integração entre odontologia, nutrição e saúde pública. A compreensão desses fatores é essencial para o desenvolvimento de ações educativas e políticas voltadas à preservação da saúde oral ao longo da vida.
Palavras-chave: Erosão dentária. Envelhecimento bucal. Ultraprocessados. Saliva. Dieta ácida.
Abstract
Oral aging has been significantly influenced by contemporary dietary patterns characterized by high intake of ultra-processed foods, acidic beverages, and industrialized products that modify oral homeostasis. These changes directly affect oral pH, saliva composition and flow, reducing its natural remineralizing potential and promoting erosive and inflammatory processes associated with the Early Oral Aging Syndrome (EOAS). Frequent exposure to extrinsic acids and the reduced masticatory stimulus caused by low consumption of natural foods contribute to tooth wear, gingival recession, hypersensitivity, and premature functional loss. This narrative review discusses the impact of modern dietary habits on oral aging, outlines the pathophysiological mechanisms involved and highlights preventive strategies integrating dentistry, nutrition, and public health. Understanding these factors is essential for developing educational actions and policies aimed at preserving oral health throughout life.
Keywords: dental Erosion. Oral aging. Ultra-processed foods. Saliva. Acidic diet.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento bucal é um processo complexo que envolve alterações estruturais, funcionais e biológicas decorrentes da deterioração progressiva dos dentes, periodonto, mucosa e das glândulas salivares. Quando essas mudanças ocorrem de forma acelerada e desproporcional à idade cronológica, caracteriza-se a Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal (SEPB). Nesse contexto, fatores comportamentais, emocionais e, sobretudo, alimentares têm sido apontados como determinantes centrais da progressão desse quadro. A alimentação contemporânea, marcada pela presença constante de ultraprocessados e bebidas com baixo pH, altera de maneira significativa o equilíbrio da cavidade oral. Essas exposições frequentes favorecem a biocorrosão dental, influenciam a composição salivar, aumentam a acidez bucal e contribuem para o desenvolvimento de lesões não cariosas. Assim, compreender a relação entre hábitos alimentares e envelhecimento bucal é fundamental para estabelecer estratégias de prevenção, manejo clínico e promoção da saúde.
2 ALIMENTAÇÃO CONTEMPORÂNEA E SUAS REPERCUSSÕES NA SAÚDE BUCAL
A substituição de alimentos naturais por produtos industrializados tem sido um dos fatores mais relevantes associados ao envelhecimento bucal precoce. Alimentos ultraprocessados apresentam altas concentrações de açúcares livres, aditivos químicos e substâncias acidificantes que alteram a microbiota oral, potencializando a proliferação de microrganismos acidúricos e reduzindo a capacidade tampão da saliva.
Bebidas energéticas, refrigerantes, sucos industrializados e frutas cítricas apresentam pH baixo e elevada titulação ácida, promovendo a dissolução dos minerais do esmalte e aumentando a suscetibilidade ao desgaste erosivo. Mesmo alimentos considerados saudáveis podem, quando consumidos em excesso, contribuir para a biocorrosão dental devido à acidez elevada.
Além disso, mudanças culturais e comportamentais, como a ingestão contínua de bebidas ao longo do dia, prolongam o tempo de exposição dos dentes aos ácidos. A realização de escovação imediata após o consumo desses alimentos agrava ainda mais o risco, uma vez que o esmalte se encontra momentaneamente amolecido.
3 SALIVA, DIETA E ACELERAÇÃO DO ENVELHECIMENTO BUCAL
A saliva desempenha papel primordial na manutenção da homeostase oral por meio de suas funções lubrificantes, digestivas, antimicrobianas e remineralizadoras. Entretanto, dietas pobres em fibras e ricas em carboidratos simples reduzem o estímulo mastigatório e promovem hipossalivação. O fluxo salivar diminuído compromete a capacidade tampão, eleva o risco de xerostomia, reduz a autolimpeza e favorece processos erosivos e infecciosos.
Deficiências nutricionais também exercem impacto significativo sobre os tecidos periodontais. Baixa ingestão de vitaminas antioxidantes, como C e E, e alimentos ricos em betacaroteno está associada à maior inflamação gengival, perda periodontal e reabsorção óssea. Já dietas equilibradas, ricas em micronutrientes e alimentos naturais, favorecem o equilíbrio do pH e a regeneração tecidual, contribuindo para retardar o envelhecimento oral.

Figura 1. A influência dos alimentos na saúde oral (Fonte: Autoria própria utilizando a ferramenta Gemini, 2025).
4 MEDIDAS PREVENTIVAS E ESTRATÉGIAS INTERDISCIPLINARES
A prevenção da SEPB depende da integração entre hábitos alimentares saudáveis, higiene bucal adequada e acompanhamento profissional periódico. Entre as medidas recomendadas destacam-se:
Redução do consumo de bebidas ácidas e açucaradas;
Aumento da ingestão de fibras e alimentos naturais;
Enxágue com água após ingestão de alimentos ácidos;
Aguardar 30 minutos antes da escovação;
Utilizar dentifrícios fluoretados e agentes remineralizadores;
Realizar acompanhamento conjunto entre odontologia e nutrição.
Além disso, programas educativos e políticas públicas associadas à redução do consumo de ultraprocessados são essenciais para mitigar os impactos da dieta moderna na saúde bucal.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os hábitos alimentares contemporâneos exercem influência direta na aceleração do envelhecimento bucal, contribuindo para desgaste dentário, hipersensibilidade, inflamação periodontal e redução da função salivar. A dieta moderna, rica em ultraprocessados e alimentos ácidos, está claramente associada ao desenvolvimento da SEPB e ao comprometimento precoce das estruturas orais.
Torna-se fundamental promover ações preventivas integradas entre profissionais de saúde, bem como incentivar escolhas alimentares mais equilibradas que favoreçam a manutenção da homeostase bucal. Dessa forma, é possível reduzir o avanço dos processos erosivos e inflamatórios, garantindo melhor qualidade de vida e preservação das funções orais ao longo do tempo.
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