REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511170501
Maria Inês Ferreira Da Silva1; Sidioney Miguel De Souza2; Ruthilene Bastos Cabral Malcher3; Guajarina Do Socorro Carmo De Sousa Camarão4; Regiane De Paula Ferreira Da Silva5; Juciane Pereira Rios6; Daisi Ferreira Vilhena7; Zeneide Luiza Leite Moreira8; Eliane Do Socorro Ferreira Da Silva9; Aylla Jamylly Santiago Nunes10
Resumo: O estudo aborda a influência do uso da calculadora no aprendizado das quatro operações básicas da matemática, destacando o impacto pedagógico, cognitivo e tecnológico desse recurso no processo de ensino-aprendizagem. O objetivo geral é analisar como o uso da calculadora interfere no desenvolvimento das habilidades matemáticas fundamentais, e, especificamente, identificar seus benefícios, desafios e propor estratégias pedagógicas para um uso equilibrado. A pesquisa, de caráter qualitativo e descritivo, baseou-se em revisão bibliográfica e análise documental, utilizando autores como Martins (2010), Pires (2012), Oliveira (2015) e Ferreira e Feitosa (2019). Os resultados indicaram que, quando utilizada de forma orientada, a calculadora potencializa o raciocínio lógico e o interesse dos alunos, sem comprometer o cálculo mental. Assim, o estudo conclui que o uso pedagógico e controlado da calculadora pode favorecer o aprendizado desde que aliado à práticas que estimulem o domínio manual das operações promovendo uma formação matemática mais completa e adaptada às demandas tecnológicas atuais.
Palavras chave: Aprendizagem matemática. Cálculo mental. Impacto da calculadora. Operações básicas
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a inserção da tecnologia no ambiente educacional tem gerado mudanças significativas na forma como os conteúdos são ensinados. No ensino da matemática, as calculadoras tornaram-se ferramentas comuns, proporcionando maior agilidade na resolução de cálculos complexos. No entanto, seu uso em operações básicas como adição, subtração, multiplicação e divisão levanta debates acerca do impacto no desenvolvimento das habilidades cognitivas fundamentais. É necessária uma reflexão sobre a relação entre matemática e tecnologia. Quando se refere à tecnologia, o uso da calculadora nas aulas de matemática, pelos impactos que a mesma vem atingindo na vida de cada indivíduo, exige competências matemáticas, tais como: investigação e compreensão; representação e comunicação; contextualização sociocultural, que vão além do simples lidar com as máquinas.
Ferreira, Feitosa (2019) ressaltam que a calculadora faz parte dos recursos pedagógicos que potencializam o processo de ensino-aprendizagem da matemática que, como sabemos, é também um instrumento da vida cotidiana dos alunos e de suas famílias. Hoje, a máquina de calcular é popular em todos os lugares, seja nas mãos de crianças, jovens ou adultos. As calculadoras auxiliam no foco em tarefas mais analíticas e interpretativas. Por outro lado, podem desencadear uma dependência precoce e limitar o raciocínio lógico dos estudantes, especialmente nos anos iniciais.
Este artigo tem como objetivo investigar como o uso da calculadora influencia o aprendizado de operações básicas, considerando aspectos pedagógicos, cognitivos e tecnológicos. Mas, será que realmente este recurso prejudica a habilidade dos alunos em realizar operações básicas manualmente? o uso da calculadora afeta a confiança dos alunos em suas habilidades matemáticas, especialmente em operações básicas?. Dado essas dúvidas vemos a importância de uma pesquisa a fundo na literatura com o objetivo de responder a essas perguntas e assim ter uma compreensão concreta acerca da temática.
METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa e descritiva, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental. A escolha desse método justifica-se pela necessidade de explorar conceitos teóricos e discutir os resultados de pesquisas anteriores sobre o tema. Como descrevida por Schmidt(1995) a pesquisa qualitativa ocupa um reconhecido lugar entre as várias possibilidades de se estudar os fenômenos que envolvem os seres humanos e suas intrincadas relações sociais, estabelecidas em diversos ambientes.
Nesse sentido, acredita-se que a pesquisa documental representa uma forma que pode se revestir de um caráter inovador, trazendo contribuições importantes nos estudos de determinados temas. Schmidt (1995). Os documentos normalmente são considerados importantes fontes de dados para outros tipos de estudos qualitativos, merecendo, portanto, atenção especial. Na pesquisa documental, três aspectos devem merecer atenção especial por parte do investigador: a escolha dos documentos, o acesso a eles e a sua análise.
Como base nisso foram selecionados os seguintes documentos, que serviram como contribuição para a presente pesquisa. Foram eles: Martins(2010); Pires(2012); Oliveira(2015); Ferreira; Feitosa(2019); Alves, Sabel(2022). Tais documentos podem ser procurados e acessados através do Google Scholar, utilizando para a busca palavras chaves como: “uso da calculadora no ensino”, “quatro operações básicas” e “calculo mental”. Os dados foram analisados criticamente, destacando os benefícios e desafios do uso da calculadora, com sugestões para práticas pedagógicas eficazes.
REFERENCIAL TEÓRICO
Inicialmente precisamos voltar na história dos números, onde no início o homem primitivo não tinha a necessidade de fazer cálculos tão extensos, pois colhiam o necessário para sua sobrevivência, retiravam seu alimento da própria natureza e pescando o necessário para sua alimentação. Com o passar dos anos surgiu essa necessidades do homem a elaborar seus primeiros cálculos, pois suas plantações aumentaram, seus rebanho começou a ter uma maior quantidade de animais, para obtenção maior de lã e leite. Dai surgir a necessidade de contar coisas em quantidades maiores onde o contar com os dedos ou com objetos tipo pedras ou galhos não conseguiam acompanhar.
Dessa forma, com essa grande necessidade de cálculos maiores surge o ábaco um importante instrumento de cálculos que surgiu na mesopotâmia por volta de 5500 A.C, como uma forma mais elementar de fazer cálculos de soma, subtração, multiplicação e divisão, muito necessárias, uma vez que os sistemas de numeração, então vigentes não facilitavam os cálculos mentais.
Com o surgimento de novas áreas do conhecimento tal como astronomia ouvi mais uma vez a necessidade de encontrar um outro dispositivo para acelerar os cálculos. Foi então que surgiu a primeira versão de calculadora, criada em 1642, por um filósofo e matemático francês chamado Blaise Pascal
Em 1642, o filosofo, teólogo, escritor, físico e matemático francês Blaise Pascal com apenas 19 anos, construiu a 1ª calculadora com rodas e engrenagens, onde os números a serem somados eram introduzidos discando-se numa série de rodas dentadas, onde havia algarismos de 1 a 9. As rodas representavam unidades, dezenas, centenas e sucessivamente, cada roda ao completar um giro fazia a roda a sua esquerda avançar um digito. Pascal construiu mais de 50 versões de sua máquina durante a sua vida.(MARTINS, 2010, p. 20).
Mesmo com tantas versões criadas por Pascal, suas calculadoras eram capazes apenas de fazer cálculos de adição e subtração. Foi então que em 1671 o filosofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm Von Leibniz aperfeiçoando o projeto de Pascal, criou um mecanismo denominada “roda graduada”, que permitiu com que seu modelo de calculadora conseguisse executar operações de soma, subtração, multiplicação e divisão, além de extrair raiz quadrada.
Com o passar do tempo as calculadoras foram se modificando, tornando-se dispositivos mais maneáveis e mais flexíveis, como afirma Martins (2010) no final do século XIX, os pesquisadores conceberam máquinas de calcular cada vez menores e mais fáceis de utilizar. As calculadoras tornaram-se populares em meados do século XX, e, são para o homem moderno, do estudante ao profissional, um instrumento de trabalho, ou seja, uma máquina que realiza operações aritméticas e executa determinadas funções matemáticas.
Para Ferreira e Feitosa (2019) a matemática passou a ter demanda crescente ao longo da história e sofreu uma evolução teórica, que, de certa forma, antecipou os instrumentos necessários para o desenvolvimento científico e tecnológico num processo exponencial que ainda não parou e que não se sabe onde vai parar. Hoje em dia sendo um instrumento fundamental na vida cotidiana a calculadora passou por diversas mudanças até os dias atuais, sendo inserida em diversos lugares um deles a sala de aula, onde costuma ser usada para cálculos matemáticos e afins.
Benefícios do Uso da Calculadora
O uso da calculadora apresenta diversas vantagens no ensino de Matemática, especialmente em níveis avançados como: Redução de erros, onde as ferramentas como calculadoras científicas minimizam erros em cálculos extensos e facilitam a obtenção de resultados precisos, Economia de tempo para os alunos poderem dedicar mais tempo à interpretação e análise de problemas matemáticos e Integração tecnológica Estimulando o contato com ferramentas tecnológicas, essencial para o mercado de trabalho e para a vida cotidiana.
Hoje o ser humano já nasce com a necessidade de contar, e à medida que o tempo vai passando, essa necessidade vai aumentando. Ao ir à padaria é preciso verificar o troco, somar a quantidade de pães que você irá levar, ou seja, saber realizar contas com as “quatro operações” é essencial para o ser humano em sua vida diária. Imagina ir a um supermercado ou loja de roupas onde ninguém saiba contar (MARTINS, 2010, p. 22).
Essa citação de Martins reflete uma verdade fundamental sobre a natureza humana e a importância das habilidades matemáticas básicas no cotidiano. Desde tempos imemoriais, a necessidade de contar e realizar operações matemáticas tem sido intrínseca ao desenvolvimento humano.
De fato, as operações básicas como adição, subtração, multiplicação e divisão são essenciais para uma série de atividades diárias: calcular o troco na padaria, somar itens no supermercado, ou até mesmo planejar um orçamento doméstico. Esses exemplos sublinham a onipresença das habilidades matemáticas em nossas vidas e como elas são fundamentais para a funcionalidade e organização da sociedade.
Além disso, imaginar um cenário onde ninguém saiba realizar essas operações básicas revela o caos e a ineficiência que se instalariam. É por isso que a educação em matemática é tão crucial desde a infância. Ensinar essas habilidades promove não apenas a competência em matemática, mas também desenvolve o raciocínio lógico e a capacidade de resolver problemas.
Na era da tecnologia, essa necessidade permanece relevante, mesmo com a disponibilidade de ferramentas como calculadoras e aplicativos, como afirma Martins (2010) no mundo atual, a tecnologia vem tomando conta de todas as áreas. Quem não saiba manejar um computador é considerado um analfabeto. As calculadoras também fazem parte de nossa rotina diária como já foi dito anteriormente. A compreensão conceitual e a habilidade de realizar operações básicas manualmente são importantes para garantir que o indivíduo não dependa exclusivamente de dispositivos externos e possa funcionar de forma independente em situações práticas.
Desafios do Uso da Calculadora
O uso precoce e indiscriminado da calculadora pode gerar efeitos adversos como a dependência tecnológica onde estudantes tendem a depender excessivamente da ferramenta, dificultando a realização de cálculos mentais ou manuais ou além a perda de habilidades básicas, pois a prática constante de operações básicas é essencial para a construção de uma base matemática sólida, importantíssima para que a falta de compreensão conceitual não afete os alunos, levando a uma dificuldade em interpretar erros ou compreender as etapas do cálculo.
Muito se fala na importância do calculo mental para um aluno, importantíssimo para seu desenvolvimento cognitivo além do desenvolvimento do raciocino logico, que por sua vez contribui para uma maior agilidade na resolução de determinadas questões matemáticas.
O Cálculo Mental visa mais que o desenvolvimento de procedimentos e técnicas de cálculo, destina-se a expandir as relações que os alunos criam para tentar estabelecer um vínculo entre o que se tem e o que se pretende obter, ou seja, que sejam capazes de articular o conhecimento já adquirido com uma situação de aprendizagem nova, enfrentando desafios sem se ater a busca de algoritmos ou fórmula que levem à resposta.(Oliveira, 2015, p. 24)
A autora destaca a importância de ir além da mera aplicação de técnicas e procedimentos de cálculo, enfatizando o desenvolvimento de cálculos mentais como uma ferramenta fundamental para expandir as conexões cognitivas dos alunos.
O cálculo mental tem um papel crucial no aprendizado matemático, pois incentiva os alunos a fazerem relações entre o conhecimento existente e novas situações de aprendizagem. Em vez de apenas seguir algoritmos ou fórmulas, o cálculo mental promove uma compreensão mais profunda e flexível da matemática. Ao enfrentarem desafios sem recorrer imediatamente a métodos padronizados, os alunos aprendem a pensar criticamente e a aplicar suas habilidades em contextos variados.
Essa abordagem também desenvolve a capacidade de resolver problemas de maneira independente, cultivando a confiança e a autonomia dos estudantes em matemática. Eles aprendem a articular o conhecimento adquirido com novas situações de maneira criativa e adaptativa, o que é essencial para a solução de problemas na vida real.
Além disso, o cálculo mental pode melhorar a memória e a velocidade de processamento, ajudando os alunos a se tornarem mais proficientes e eficientes em matemática. Ele permite que os alunos pratiquem a matemática de maneira mais dinâmica, o que pode torná-la mais acessível e interessante.
Em resumo, a perspectiva de Oliveira (2015) reflete uma visão holística da educação matemática, onde o objetivo não é apenas ensinar operações, mas também capacitar os alunos a aplicar seus conhecimentos de maneira inovadora e eficiente, fortalecendo suas habilidades de resolução de problemas e expandindo suas conexões cognitivas.
Outra concepção muitas vezes adotada, porém que nos afasta dos estudos sobre o cálculo mental, diz da sua substituição ao cálculo escrito. Isso, todavia, impossibilitaria o aluno de registrar seus procedimentos e técnicas particulares, ao passo que o registro escrito pudesse ser um caminho para retomar os procedimentos feitos identificando falhas ou lacunas ou até mesmo uma maneira de validar seu raciocínio(OLIVEIRA, 2015, p. 23).
Tal citação sublinha uma questão vital na educação matemática: a importância de encontrar um equilíbrio entre o cálculo mental e o cálculo escrito. A substituição do cálculo mental pelo cálculo escrito pode ter implicações significativas na forma como os alunos desenvolvem e registram suas habilidades matemáticas.
Os argumentos a favor do cálculo escrito são válidos, pois permitem que os alunos documentem seus processos, técnicas e raciocínios de maneira organizada. Essa prática de registro pode servir como uma ferramenta valiosa para revisar e identificar possíveis falhas ou lacunas no entendimento. Além disso, o registro escrito pode fornecer uma forma de validação do raciocínio, tornando o processo de aprendizagem mais transparente e sistemático.
No entanto, é importante reconhecer que o cálculo mental não deve ser desvalorizado. Ele desempenha um papel crucial em desenvolver a agilidade mental, a flexibilidade de pensamento e a capacidade de resolver problemas de forma rápida e eficiente. O desafio é combinar esses dois métodos de maneira complementar, em vez de vê-los como mutuamente exclusivos.
Incorporar tanto o cálculo mental quanto o cálculo escrito pode criar um ambiente de aprendizagem mais equilibrado, onde os estudantes podem desenvolver suas habilidades de forma holística. O cálculo mental pode ser usado para resolver problemas rapidamente e desenvolver o pensamento crítico, enquanto o cálculo escrito pode ajudar a registrar, revisar e validar esses processos.
Tal abordagem nos lembra que, para uma educação matemática completa, precisamos proporcionar aos alunos as ferramentas e oportunidades para desenvolver competências tanto no cálculo mental quanto no cálculo escrito. Dessa forma, eles estarão preparados para aplicar suas habilidades de maneira eficaz em diferentes contextos e desafios.
Estratégias Pedagógicas para um Uso Equilibrado
Uma abordagem que poderia ser adotada para ter esse equilíbrio seria como uma restrição inicial no ensino fundamental, e assim priorizar métodos manuais e introduzindo a calculadora gradativamente. Sendo essa de uso pedagógico integrando a calculadora em atividades específicas que demandam maior complexidade, como estatística ou álgebra. Visando um desenvolvimento de senso crítico, pois ensinar os alunos a verificar os resultados fornecidos pela calculadora, incentivando o raciocínio lógico.
Dito por Ferreira e Feitosa (2019) o problema não é usar ou não a calculadora, mas trabalhar os cálculos sem dar significado aos mesmos para o aluno. É importante que, se estabeleça um contrato didático durante as atividades que envolvem a calculadora, essa condição enriquecerá seu uso, porque o aluno vai usá-la de modo inteligente.
Ou seja a calculadora não vai fazer com que o aluno deixe de desenvolver cálculos mentais ou seu raciocínio logico, mas pra que isso não aconteça as atividades proposta devem dar sentido ao cotidiano em que o aluno vivencia. Ferreira, Feitosa(2019) observa uma grande resistência dos professores em relação ao uso da calculadora em sala de aula, surgindo argumentos como: acomodação mental, pois, todo cálculo aritmético pode ser feito na calculadora, trazendo assim dependência da máquina e inibição da aprendizagem.
Martins (2010) destaca que apesar da chegada da tecnologia, na escola não há apenas aulas criativas, a presença do quadro-negro ainda é grande, principalmente nas aulas de matemática, onde se acaba obtendo um elo entre o tradicional e as tendências inovadoras de ensino. Mais em meios aos dias atuais é inevitável o uso das TIC(Tecnologias de informação e Comunicação) nos ambientes escolares visto que os jovens são um público alvo dessas tecnologias.
Os professores não podem ignorar os veículos de informação como a televisão, o computador, as calculadoras, os vídeos, os jornais, o telefone, o fax, o mundo caminha em direção a era digital, com utensílios domésticos diferenciados. A escola não deveria ser obrigatória, mas sim um local para obter informação, conhecimento, comunicação, enfim um local onde o aluno sinta prazer em frequentar, tendo motivação e principalmente seja um participante ativo nela, desenvolvendo a sua criatividade e o seu raciocínio crítico frente aos obstáculos na sociedade(Martins, 2010, p. 27).
Tal citação remete a uma visão contemporânea sobre a integração das tecnologias da informação e comunicação na educação e a necessidade de transformar a escola em um ambiente mais estimulante e significativo para os alunos. Os professores não podem ignorar os diversos veículos de informação e tecnologia que permeiam a sociedade moderna. Ferramentas como a televisão, computadores, calculadoras, vídeos, jornais, telefones, e até utensílios domésticos tecnológicos são parte integrante da vida cotidiana. Ignorar esses recursos seria um desserviço aos estudantes que vivem em uma era digital.
A proposta de transformar a escola em um local de aprendizado mais flexível, onde os alunos sentem prazer em frequentar, ressalta a necessidade de uma reforma educacional que vá além da tradicional obrigatoriedade escolar. Em vez de obrigar os alunos a frequentarem a escola, a ideia é criar um ambiente de aprendizado onde eles se sintam motivados e engajados, desenvolvendo criatividade e pensamento crítico.
O conceito de um aluno ativo e participante é fundamental. Ao engajar os estudantes de forma mais significativa, proporcionando-lhes as ferramentas e o ambiente necessário para explorar, questionar e desenvolver suas habilidades, a educação se torna mais relevante e adaptativa às necessidades da sociedade moderna. A escola deve ser um lugar onde o aprendizado é prazeroso e motivador, e onde o desenvolvimento do raciocínio crítico é prioridade.
Essa perspectiva sugere uma mudança de foco, onde o objetivo principal não é apenas transmitir conhecimento, mas também capacitar os alunos a utilizar esse conhecimento de maneira crítica e criativa para enfrentar os desafios do mundo em constante transformação. A escola se torna, assim, um espaço dinâmico de troca de ideias, inovação e crescimento pessoal e intelectual.
Impacto da calculadora nas quatro operações
Antes de vemos como a calculadora impacta no aprendizado das quatros operações temos que saber a importância das quatro operações para a vida tanto acadêmica quando profissional.
Nosso primeiro contado dentro da escola com as operações básicas, vem no inicio de nossa jornada acadêmica lá no fundamental, onde temos o contado primeiro com adição, depois subtração, seguido para a multiplicação, pôr fim a divisão. Pires (2012) é de fundamental importância que os alunos comecem a ter uma relação com a matemática, aprendendo corretamente as operações básicas, pois elas são a base de todo um processo acadêmico posterior.
Onde percebemos a presença de certas matemáticas para ensinar, como por exemplo: usar a noção de juntar para ensinar a adição; pensar no resto, excesso ou diferença para a subtração; apresentar a ideia de sucessivas somas para a multiplicação; e a quantidade de vezes que um número contém o outro para a ensinar a divisão(ALVES, SABEL, 2022, p. 06)
A citação acima aborda a pedagogia da matemática, destacando métodos básicos e intuitivos para ensinar as operações fundamentais de adição, subtração, multiplicação e divisão.
Adição: A noção de “juntar” é uma maneira acessível e tangível de ensinar adição aos alunos. Quando pensamos em somar dois números como juntar quantidade de objetos, torna-se mais fácil para as crianças visualizar e compreender o conceito. Por exemplo, unir 3 maçãs com mais 2 maçãs resulta em 5 maçãs no total.
Subtração: Utilizar conceitos como resto, excesso ou diferença ajuda os alunos a entenderem que a subtração é essencialmente remover ou separar uma quantidade de outra. Quando se explica que subtrair 5 de 8 resulta no resto de 3, os alunos passam a perceber a subtração como a remoção de uma quantidade.
Multiplicação: Apresentar a ideia de sucessivas somas é uma excelente técnica para ensinar multiplicação. Isso ajuda a entender que multiplicar é adicionar repetidamente o mesmo número. Por exemplo, 5 multiplicado por 3 (5 x 3) é igual a somar 5 + 5 + 5, resultando em 15.
Divisão: A explicação de quantas vezes um número contém outro é um recurso eficaz para ensinar divisão. Isso ajuda os alunos a visualizar a divisão de maneira prática. Por exemplo, 12 dividido por 4 pode ser entendido como quantas vezes 4 cabe em 12, e a resposta é 3 vezes.
Estes métodos de ensino são extremamente valiosos porque conectam a aprendizagem matemática a conceitos e experiências cotidianas. Isso faz com que os alunos não apenas memorizem operações matemáticas, mas também compreendam seus significados e aplicações práticas.
Além disso, esses métodos incentivam o desenvolvimento de uma base sólida e intuitiva para a aprendizagem matemática, promovendo um entendimento mais profundo e duradouro das operações básicas. Alves, Sabel (2022) a fixação das operações é dita como importante e pode se dar por meio do treino com exercícios, jogos e problemas variados.
Pires (2012) as operações básicas da soma ou adição, subtração, multiplicação e divisão são vitais para a compreensão e iniciação matemática do aluno, por isso é importante aprender com boas técnicas, primeiramente, a tabuada do 1 ao 10, que é a base de um bom matemático.
Aprender a tabuada não apenas facilita a realização de cálculos rápidos e precisos, mas também ajuda os alunos a compreenderem melhor os conceitos por trás das operações matemáticas. Quando os alunos internalizam a tabuada, eles conseguem reconhecer padrões numéricos, o que pode ajudar na resolução de problemas mais complexos no futuro. Além disso, o domínio da tabuada é fundamental para muitas outras áreas da matemática, como frações, porcentagens e álgebra. Ele fornece uma base que os alunos podem construir ao longo de sua educação, tornando a matemática menos intimidadora e mais acessível.
No entanto, é igualmente importante que o aprendizado da tabuada seja acompanhado por técnicas pedagógicas que incentivem a prática e o entendimento. Jogos, atividades interativas e o uso de tecnologias podem tornar o processo de aprendizado mais envolvente e eficaz. Portanto, há não apenas a necessidade de aprender as operações básicas e a tabuada, mas também a importância de métodos de ensino eficazes que possam motivar e apoiar os alunos em sua jornada matemática. A combinação de uma base sólida com boas práticas pedagógicas pode fazer toda a diferença no desenvolvimento das habilidades matemáticas dos estudantes.
A maioria dos alunos gostam de utilizar a calculadora em sala de aula, por si tratar de uma tecnologia que torna as aulas mais atrativas, ou seja, os alunos demonstram mais interesse em aprender o conteúdo, os cálculos são resolvidos rapidamente, economizando mais tempo, e podendo analisar melhor os dados e até desenvolver diferentes formas para se chegar ao resultado, ocorrendo então o raciocínio lógico mediante novas possibilidades para solução do problema (MARTINS, 2010, p. 33).
Tal citação traz à tona a relevância e os benefícios do uso de calculadoras em sala de aula. A presença de tecnologia como a calculadora nas aulas de matemática pode tornar o ambiente de aprendizado mais atraente para os alunos. O simples fato de usar uma ferramenta tecnológica conhecida e prática pode aumentar o interesse dos alunos pelo conteúdo, tornando as aulas mais engajantes e dinâmicas.
O uso de calculadoras permite que os cálculos sejam feitos de maneira rápida e eficiente. Isso economiza tempo valioso em sala de aula que pode ser utilizado para aprofundar a compreensão de conceitos matemáticos ou para explorar diferentes problemas e soluções mais complexas. Com os cálculos básicos sendo realizados rapidamente, os alunos podem dedicar mais tempo à análise dos dados e ao desenvolvimento de formas variadas de chegar ao resultado. Isso promove o raciocínio lógico e incentiva os alunos a pensarem criticamente sobre os problemas matemáticos e suas possíveis soluções.
O uso de calculadoras pode ajudar os alunos a explorar diferentes métodos e estratégias para resolver um problema, permitindo que eles encontrem novas possibilidades e abordagens criativas. Isso os prepara para enfrentar situações reais onde o raciocínio lógico e a flexibilidade são essenciais. No entanto, é importante equilibrar o uso de calculadoras com atividades que desenvolvam habilidades matemáticas básicas manualmente. Os alunos devem ser encorajados a entender os conceitos subjacentes e a realizar cálculos mentais ou escritos quando necessário. O objetivo é usar a tecnologia como um complemento, não como um substituto total, garantindo uma educação matemática completa.
Alves, Sabel (2022) voltando para os dias atuais, temos um contexto onde a tecnologia é uma realidade que não pode mais ser desconsiderada. Por que não deixar os estudantes usarem a calculadora? Talvez o que precisa ser questionado é a forma de utilização desse recurso. O uso adequado de calculadoras pode transformar a experiência de aprendizado, tornando-a mais interessante e produtiva, ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento integral das habilidades matemáticas dos alunos.
A presença constante da tecnologia já é uma realidade inescapável. Em um mundo onde a tecnologia está profundamente enraizada em praticamente todas as atividades diárias, ignorar seu uso no contexto educacional não faz sentido. Em vez de proibir o uso de calculadoras, é mais produtivo ensinar aos estudantes como utilizá-las de maneira eficaz.
CONCLUSÃO
Diante do que foi apresentado vemos temos a capacidade de responder as seguintes perguntas propostas no início do texto. Mas, será que realmente este recurso prejudica a habilidade dos alunos em realizar operações básicas? Como foi visto, tendo um controle por parte do professor em relação ao uso adequado da calculadora, o aluno tem uma transformação no seu aprendizado, sendo mais interessante e produtivo para si mesmo, e ao mesmo tempo, promove seu desenvolvimento integral e de suas habilidades matemáticas. O uso da calculadora afeta a confiança dos alunos em suas habilidades matemáticas, especialmente em operações básicas? Pelo contrario o uso da calculadora permiti com que o aluno explorar diferentes métodos e estratégias para resolver um problema, permitindo que eles encontrem novas possibilidades e abordagens criativas, os preparando para enfrentar situações reais onde o raciocínio lógico e a flexibilidade são essenciais.
O uso da calculadora no ensino de operações básicas é uma questão que exige equilíbrio e planejamento pedagógico. Embora apresente benefícios claros, como a redução de erros e a economia de tempo, é fundamental que seu uso seja controlado, especialmente nos primeiros anos escolares. A prática manual continua indispensável para o desenvolvimento das habilidades fundamentais, garantindo que os alunos construam uma base sólida para enfrentar desafios matemáticos mais complexos.
O sucesso do uso da calculadora no ambiente escolar depende, portanto, de práticas pedagógicas bem estruturadas, que integrem tecnologia e métodos tradicionais de forma equilibrada e eficaz. Ferramentas tecnológicas, como as calculadoras, podem ser imensamente úteis quando usadas corretamente, capacitando alunos a resolver problemas mais rapidamente e se concentrar na compreensão de conceitos mais complexos.
REFERÊNCIAS
FERREIRA, Janilton Vicente et al.. A calculadora na sala de aula: concepções de professores de matemática da cidade de sertânia – pe. Anais VI CONEDU… Campina Grande: Realize Editora, 2019. Disponível em: <https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/58084>. Acesso em: 27/01/2025.
Fontes, Maurício de Moraes, and Escola Técnica Estadual Magalhães Barata–ETEMB. USAR OU NÃO USAR A CALCULADORA NO ENSINO DA MATEMÁTICA?. Disponível em:< https://www.sbembrasil.org.br/files/XIENEM/pdf/3529_1974_ID.pdf>. Acessado em: 27 de jan. de 2025.
GODOY, Arilda Schmidt. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. RAE – Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 57-63, 1995.
JACOMELLI-ALVES, K. Z.; SABEL, E. O ensino das operações básicas antes da calculadora. Anais do ENAPHEM – Encontro Nacional de Pesquisa em História da Educação Matemática, n. 6, 1 nov. 2022. Disponível em:< https://periodicos.ufms.br/index.php/ENAPHEM/article/view/16633>. Acessado em: 27 de jan. de 2025.
MARTINS, Viviane Otaviano. O uso da calculadora no ensino da matemática. 2010. 47 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Matemática) – Câmpus Cora Coralina, Universidade Estadual de Goiás, Goiás, GO, 2010. Disponível em: <https://repositorio.ueg.br/jspui/handle/riueg/3302>. Acessado em: 27 de jan. de 2025.
OLIVEIRA, Vanessa de. Cálculo mental e a produção do conhecimento matemático. 2015. 75 f. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura em Matemática) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, 2015. Disponível em:< http://hdl.handle.net/11449/139061>. Acessado em: 27 de jan. de 2025.
Pires, Fábio. Operações básicas da Matemática: sua importância no ensino fundamental e seus reflexos nos ensinos médio e superior na contemporaneidade/Fábio Pires – Santos: 2012. Disponível em: https://periodicos.unimesvirtual.com.br/index.php/paideia/article/view/546. Acessado em 27 de jan. de 2024.
seniregi@yahoo.com.br1;
sidioneymiguel.souza@gmail.com2;
ruthilenemalcher@hotmail.com3;
guajarinadosocorros@gmail.com4;
regi_ourem@yahoo.com.br5;
jucianestudos@gmail.com6;
daisiferreira26@gmail.com7;
zeneidemoreira@gmail.com8;
eliane.mum@gmail.com9;
ayllasilva1304@gmail.com10
