FORÇAS PESSOAIS E BEM-ESTAR EM INDIVÍDUOS COM TDAH: UMA REVISÃO DA LITERATURA A PARTIR DA PSICOLOGIA POSITIVA 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511170428


Fernanda Teles de Aquino1
Coautor: Almir Diego Brito Cardoso2


RESUMO 

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento tradicionalmente compreendido sob uma ótica deficitária, centrada nos sintomas e prejuízos. Contudo, estudos recentes, à luz da Psicologia Positiva, têm buscado identificar forças pessoais, virtudes e fatores de bem-estar associados ao transtorno. Este trabalho teve como objetivo revisar a literatura científica sobre as contribuições da Psicologia Positiva para a compreensão das forças pessoais e outros elementos positivos em indivíduos com TDAH. Trata-se de uma revisão sistemática desenvolvida de acordo com as diretrizes do PRISMA, com busca nas bases PubMed, SciELO, BVS Brasil e Google Acadêmico, incluindo publicações entre 2004 e 2025. Foram selecionados nove estudos que investigaram aspectos positivos associados ao TDAH em diferentes faixas etárias e contextos. Os resultados evidenciaram a presença de forças cognitivas, como criatividade, hiperfoco, atenção e flexibilidade cognitiva; recursos pessoais e emocionais, como resiliência, autoestima, autoconceito, humor, gratidão e otimismo; e recursos contextuais, como apoio social, envolvimento familiar, empatia e comportamento pró-social. Tais forças mostraram-se associadas ao bem-estar, à adaptação e ao funcionamento saudável, indicando que as limitações e as potencialidades coexistem e interagem de forma dinâmica. Conclui-se que integrar os princípios da Psicologia Positiva ao manejo clínico e educacional do TDAH amplia a compreensão do transtorno e favorece intervenções mais humanizadas, centradas tanto na redução de sintomas quanto na promoção do florescimento humano. 

Palavras-chave: TDAH; Psicologia Positiva; forças pessoais; bem-estar; resiliência.

ABSTRACT 

Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD) is a neurodevelopmental disorder traditionally understood from a deficit-based perspective focused on symptoms and impairments. However, recent studies inspired by Positive Psychology have sought to identify personal strengths, virtues, and well-being factors associated with the disorder. This study aimed to review the scientific literature on the contributions of Positive Psychology to understanding personal strengths and other positive elements in individuals with ADHD. A systematic literature review was conducted according to PRISMA guidelines, including searches in PubMed, SciELO, BVS Brasil, and Google Scholar, covering publications from 2004 to 2025. Nine studies were selected, investigating positive aspects related to ADHD across different age groups and contexts. The results revealed the presence of cognitive strengths such as creativity, hyperfocus, attention, and cognitive flexibility; personal and emotional resources such as resilience, self-esteem, self-concept, humor, gratitude, and optimism; and contextual resources such as social support, family involvement, empathy, and prosocial behavior. These strengths were associated with well-being, adaptation, and healthy functioning, indicating that limitations and potentialities coexist and interact dynamically. It is concluded that integrating the principles of Positive Psychology into the clinical and educational management of ADHD broadens the understanding of the disorder and promotes more humanized interventions focused not only on symptom reduction but also on fostering human flourishing. 

Keywords: ADHD; Positive Psychology; personal strengths; well-being; resilience.

INTRODUÇÃO 

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere significativamente no funcionamento e no desenvolvimento do indivíduo (American Psychiatric Association [APA], 2022). De acordo com Barkley (1999), os principais sintomas incluem dificuldade em manter a atenção, impulsividade, inquietação motora, desorganização e dificuldade em inibir respostas inadequadas. O DSM-5-TR (APA, 2022) destaca que tais manifestações devem ocorrer em mais de um contexto e provocar prejuízos clinicamente significativos em domínios acadêmicos, ocupacionais e sociais.

Pesquisas recentes reforçam esses achados, indicando que o TDAH está associado a déficits de autorregulação emocional e controle comportamental, bem como a alterações estruturais e funcionais em áreas cerebrais relacionadas à atenção, motivação e recompensa (Pereira-Sanches & Castellanos, 2021; Shen et al., 2024). Esses fatores contribuem para maior vulnerabilidade a dificuldades de aprendizagem, acidentes, conflitos interpessoais e problemas no desempenho profissional, além de aumentarem o risco de comorbidades como ansiedade, depressão e abuso de substâncias (Faraone et al., 2021). 

Além dos impactos clínicos e funcionais, o estigma social associado ao diagnóstico ainda é um desafio significativo. Pessoas com TDAH frequentemente relatam experiências de discriminação e incompreensão em contextos educacionais e profissionais, o que pode comprometer a autoestima, a adesão ao tratamento e o bem-estar subjetivo (Smith & McVeigh, 2025; Schoeman et al., 2022). Nos últimos anos, contudo, tem crescido o interesse em abordagens que, sem negar os prejuízos, buscam compreender também as potencialidades e os recursos adaptativos presentes nesse público — entre elas, destaca-se a Psicologia Positiva. 

Tradicionalmente, o TDAH, assim como outros transtornos psicológicos, tem sido compreendido sob uma ótica predominantemente deficitária, centrada na identificação de sintomas, disfunções e prejuízos ao funcionamento cotidiano. Essa abordagem reducionista, embora importante para o diagnóstico e manejo clínico, acabou por negligenciar as potencialidades e os recursos individuais das pessoas com o transtorno, reforçando estigmas e limitando a compreensão sobre sua complexidade. Conforme argumenta Maddux (2008), a psicologia clínica tem sido historicamente influenciada por uma “ideologia da doença”, marcada pela ênfase no que é disfuncional ou patológico e pela adoção de uma linguagem médica que reduz o sofrimento humano a categorias diagnósticas. Esse modelo, ao privilegiar a correção de déficits, acaba restringindo o campo de atuação da psicologia e a compreensão mais ampla do funcionamento humano. 

A Psicologia Positiva, proposta por Martin Seligman em 1998, surge como uma mudança de paradigma ao deslocar o foco tradicional da psicologia, historicamente voltado às patologias, para o estudo científico das virtudes e forças humanas que favorecem o florescimento e o bem-estar. Conforme ressaltam Rashid e Seligman (2019), a psicoterapia positiva propõe que as forças humanas sejam consideradas tão essenciais quanto os sintomas na compreensão da psicopatologia, defendendo uma avaliação clínica que integre ambos os aspectos. Essa perspectiva amplia o olhar sobre o sofrimento psicológico, reconhecendo que o bem-estar e as virtudes podem coexistir com as dificuldades e contribuir para o processo terapêutico e para o desenvolvimento humano. Nesse sentido, o olhar sobre o TDAH passa a incluir não apenas as limitações, mas também as características e qualidades que podem se configurar como recursos adaptativos, quando compreendidas e desenvolvidas adequadamente (Peterson; Seligman, 2004). 

A partir dessa mudança de paradigma proposta pela Psicologia Positiva, amplia-se a compreensão sobre os transtornos psicológicos, deslocando o foco exclusivo dos déficits para uma análise mais equilibrada, que também considera os recursos internos e contextuais dos indivíduos. Dentro dessa perspectiva, as forças pessoais são entendidas como traços positivos e duradouros que se expressam em pensamentos, emoções e comportamentos, contribuindo para o funcionamento saudável e o desenvolvimento do potencial humano. O conceito foi sistematizado por Peterson e Seligman (2004), que desenvolveram uma classificação universal das virtudes e forças de caráter baseada em extensas análises de tradições filosóficas, morais e religiosas. O objetivo dessa proposta foi criar um contraponto ao Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), oferecendo uma classificação que descrevesse o que há de saudável e virtuoso no ser humano. Essas forças englobam virtudes como coragem, sabedoria, humanidade, justiça e transcendência, expressas em diferentes combinações de características individuais (Peterson; Seligman, 2004). No campo clínico, o reconhecimento e o fortalecimento dessas forças permitem compreender o sujeito de forma mais ampla, integrando suas potencialidades ao processo terapêutico como elementos promotores de crescimento e enfrentamento (Niemiec, 2018). 

De modo complementar, o conceito de bem-estar amplia a noção de saúde mental, que deixa de ser entendida apenas como ausência de sofrimento para incluir a presença de experiências subjetivas positivas e funcionais. Nesse sentido, o modelo PERMA — proposto por Seligman (2011) — descreve o bem-estar como o resultado da interação entre cinco dimensões: emoções positivas (positive emotions), engajamento (engagement), relacionamentos saudáveis (relationships), sentido de vida (meaning) e realização (accomplishment). Tal perspectiva amplia o olhar clínico e científico, favorecendo práticas que não apenas buscam aliviar o sofrimento, mas também promovem o florescimento psicológico e social (Keyes; Annas, 2009). 

Por sua vez, os conceitos de resiliência e qualidade de vida complementam esse quadro ao enfatizar a capacidade humana de adaptação e reconstrução diante das adversidades. A resiliência, longe de significar invulnerabilidade, representa um processo dinâmico de superação e aprendizado que envolve tanto fatores individuais quanto contextuais (Masten, 2014). Quando aplicada ao estudo do TDAH, essa abordagem permite compreender como pessoas com o transtorno podem desenvolver estratégias adaptativas, utilizar suas forças pessoais e construir redes de apoio que favorecem uma trajetória mais saudável e satisfatória (Climie; Mastoras, 2015). 

Diante dessas considerações, torna-se possível compreender o TDAH sob uma perspectiva mais ampla, que reconhece não apenas os desafios, mas também os potenciais de crescimento e adaptação presentes em cada indivíduo. A incorporação dos princípios da Psicologia Positiva permite explorar como as forças pessoais, o bem-estar, a resiliência e a qualidade de vida se articulam no manejo e na vivência do transtorno, favorecendo uma compreensão mais humana e equilibrada. Assim, este trabalho tem como objetivo revisar a literatura científica a respeito das contribuições da Psicologia Positiva para a compreensão e valorização das forças pessoais e outros elementos positivos em pessoas com TDAH, buscando identificar quais forças e características individuais têm sido associadas ao transtorno em diferentes contextos — clínico, educacional e social — e analisar de que forma essas forças se relacionam com indicadores de bem-estar subjetivo, autoestima, motivação e funcionamento adaptativo. Para o alcance desse objetivo, adotou-se uma metodologia de revisão, que possibilita integrar evidências teóricas e empíricas recentes acerca do tema. 

METODOLOGIA 

Esta revisão sistemática da literatura foi desenvolvida de acordo com as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), conforme proposto por Moher et al. (2009). Essas diretrizes fornecem um conjunto de itens essenciais para garantir a transparência e a completude na elaboração e relato de revisões sistemáticas, contribuindo para a qualidade metodológica e a reprodutibilidade das pesquisas. 

A busca bibliográfica foi realizada entre julho e setembro de 2025, nas bases de dados PubMed, SciELO, Google Acadêmico e BVS Brasil. Essas bases foram selecionadas por contemplarem os principais periódicos científicos que abordam a temática deste estudo. Foram analisados artigos completos, de acesso gratuito, publicados entre 2004 e 2025, considerando-se esse intervalo de tempo a partir da publicação do livro Character Strengths and Virtues: A Handbook and Classification de Peterson e Seligman (2004), que consolidou a classificação das forças de caráter e inaugurou um marco para a Psicologia Positiva. Tal recorte temporal garante a inclusão de estudos atualizados e relevantes, refletindo os avanços no entendimento sobre forças pessoais, bem-estar e Psicologia Positiva em indivíduos com TDAH. 

A estratégia de busca utilizou combinações de descritores com o conector “AND”, de forma a refinar os resultados e garantir a relevância dos estudos selecionados. Em português, foram utilizados os seguintes termos: “TDAH AND forças pessoais”; “TDAH AND bem-estar”; “TDAH AND Psicologia Positiva”; “Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade AND qualidades positivas”; “TDAH AND pontos fortes”; “TDAH AND forças de caráter”. Em inglês, as combinações foram: “ADHD AND personal strengths”; “ADHD AND well-being”; “ADHD AND positive psychology”; “Attention Deficit Hyperactivity Disorder AND strengths”; “ADHD AND positive traits”; “ADHD AND character strengths”. 

A revisão incluiu todos os artigos publicados em periódicos científicos, nos idiomas português, espanhol ou inglês, que abordassem o TDAH em interface com forças pessoais, forças de caráter, aspectos positivos, bem-estar subjetivo ou construtos da Psicologia Positiva, publicados no período entre 2004 e 2025 e disponíveis online na íntegra e de forma gratuita. Foram excluídas teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso, livros, documentos não científicos e estudos cujo foco estivesse apenas em déficits, comorbidades ou intervenções estritamente farmacológicas, sem articulação com forças pessoais ou aspectos positivos. 

Após a busca, foi realizada a triagem inicial por títulos, etapa na qual também foram identificados e excluídos artigos duplicados entre as bases de dados. Os estudos restantes foram avaliados a partir de seus resumos e, em seguida, lidos integralmente quando atendiam aos critérios de elegibilidade, compondo o corpus final desta revisão. 

RESULTADOS 

Na presente revisão sistemática da literatura, foram incluídos 9 artigos que abordam forças pessoais, forças de caráter e bem-estar em indivíduos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), sob a perspectiva da Psicologia Positiva. A Figura 1 apresenta o fluxograma PRISMA, que ilustra o processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos, totalizando 1.839 registros inicialmente encontrados nas bases de dados, posteriormente filtrados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. 

Na base Google Acadêmico, foram identificados 1.190 artigos. Destes, 1.186 foram excluídos por não se enquadrarem na temática. Quatro foram pré-selecionados, mas um era duplicado, restando três para leitura integral. Após análise, apenas um artigo atendeu plenamente aos critérios e foi incluído na revisão. 

Na base SciELO, foram identificados 341 artigos. Desses, 339 foram excluídos por não atenderem ao escopo da pesquisa. Dois estudos foram pré-selecionados para leitura integral, mas ambos foram excluídos, não sendo incorporados à revisão final. 

Na base PubMed, foram identificados 18 artigos, todos inicialmente pré-selecionados. Um deles era duplicado, restando 17 estudos, dos quais 6 foram considerados adequados após leitura integral e incluídos na revisão. 

Na base BVS Brasil, foram identificados 290 artigos. Destes, 283 foram excluídos por não se adequarem ao tema, e 7 foram pré-selecionados. Dois eram duplicados, restando 5. Entre eles, um não estava disponível gratuitamente, resultando em 4 artigos lidos na íntegra. Desses, 2 atenderam aos critérios de inclusão e foram incorporados à revisão. 

Assim, dos 1.839 registros inicialmente identificados, 1.808 foram excluídos por não atenderem ao tema ou aos critérios metodológicos, 4 foram descartados por duplicidade e 1 por indisponibilidade de acesso gratuito. O processo resultou na inclusão de 9 artigos na análise final, sistematizados na Tabela 1, que apresenta informações sobre autores, ano de publicação, título, objetivos e principais resultados.

Figura 1. Fluxograma do processo de delimitação de artigos para a revisão

Tabela 1. Tabela de conteúdo dos artigos

Nº Autor(es) Ano Título Objetivo Resultados
Miranda-Casas et al.2011 Satisfacción con la vida de niños con trastorno por déficit de atención/hiperacti vidadAnalisar relações entre satisfação com a vida de crianças com TDAH e variáveis comportamentais de risco/proteção, e prever o poder dessas variáveis.Problemas de conduta se correlacionaram negativamente com satisfação com a vida; autoconceito e qualidades de adaptação, positivamente. O autoconceito foi o preditor mais forte para crianças.
Schippers, 
Greven & Hoogman
2024 Associations 
between ADHD traits and self-reported strengths in the general 
opulation
Investigar, de forma quantitativa, associações entre traços de TDAH e forças percebidas em adultos da população geral.Traços de TDAH se correlacionaram positivamente 
com hiperfoco, sensibilidade sensorial e flexibilidade cognitiva. Correlacionaram se negativamente com 
perseverança, 
entusiasmo e sociabilidade.
Sedgwick, Merwood & Asherson2019 The positive 
aspects of 
attention deficit hyperactivity disorder: a 
qualitative investigation of successful adults with ADH
Investigar qualitativamente os aspectos positivos do TDAH relatados por adultos com o diagnóstico e bem-sucedidos em suas vidas.Foram identificados seis grandes temas positivos: 
dinamismo cognitivo, coragem, energia, humanidade, resiliência e transcendência, associados à vivência bem-sucedida do TDAH.
Greven, 
Buitelaar & Salum
2018 From positive 
psychology to 
psychopathology: the continuum
of attention-deficit hyperactivity disorder
Investigar traços positivos do TDAH em 
adolescentes, considerando o TDAH como um contínuo dimensional.
Traços positivos (atenção, autocontrole, organização) correlacionaram se com maior bem-estar, funcionamento cognitivo e satisfação com a vida. O estudo defende incluir forças pessoais na avaliação do TDAH.
Caicedo Ortega & Jiménez Cortés2021 Formación 
universitaria basada en la 
neuroeducación y la psicología 
positiva: percepciones de jóvenes con y sin TDAH
Analisar as percepções de universitários 
com e sem TDAH sobre práticas educativas baseadas em Psicologia Positiva e 
Neuroeducação.
Estudantes com TDAH relataram benefícios como aumento da autoestima, motivação, 
atenção, 
confiança e atitude positiva frente aos estudos.
Charabin et al.2023 “I’m Doing Okay”: Strengths and Resilience of Children With and Without ADHDComparar forças pessoais e 
resiliência em 
crianças com e sem TDAH.
Ambos os grupos apresentaram forças e resiliência semelhantes; a única diferença significativa foi na função 
escolar. O envolvimento familiar se destacou como fator de proteção para crianças com TDAH.
Dangmann et al.2024 Life Gets Better: Important Resilience Factors When Growing Up With ADHDExplorar fatores de resiliência 
percebidos por jovens adultos 
diagnosticados com TDAH na infância.
Estratégias de 
autorregulação, apoio afetivo, 
aceitação, participação em atividades 
significativas e valorização de aspectos 
positivos do 
TDAH foram 
fundamentais para o bem-estar percebido.
Miklósi et al. 2024 An investigation of the Bernstein’s strengths Scale: factorial validity and network 
analysis of attention-deficit/h yperactivity 
symptoms, mental health, and the strengths of the healthy 
adult self
Validar a 
Bernstein’s 
Strengths Scale (BSS) e analisar sua relação com sintomas de TDAH e bem-estar mental.
Sintomas de TDAH associaram-se negativamente com forças como autocuidado e autoconfiança, e positivamente 
com humor e criatividade. 
Forças como 
sabedoria e gratidão foram protetoras.
Stenhoff et al. 2025 Distracted, hyperactive, and thriving: factors supporting everyday functioning in adults with ADHDInvestigar fatores que contribuem para o funcionamento bem-sucedido de adultos com TDAH.Autoconhecimento, aceitação, 
estratégias adaptativas e apoio social foram elementos centrais para o funcionamento positivo de adultos com TDAH.

Nos artigos selecionados, observa-se uma diversidade metodológica e populacional, entretanto, todos compartilham a perspectiva de que o TDAH não deve ser entendido apenas sob a ótica do déficit, mas também pela presença de forças, recursos e atributos positivos. De modo geral, os nove artigos analisados demonstram que, tanto em crianças quanto em adultos, em diferentes regiões do mundo, emergem atributos positivos relacionados ao TDAH. 

Os trabalhos abrangeram diferentes faixas etárias, permitindo compreender como forças associadas ao TDAH se manifestam nas diferentes fases da vida. Dois estudos avaliaram crianças, enquanto outros dois contemplaram adolescentes em suas amostras. Também foram identificadas investigações com jovens adultos, totalizando dois estudos, e três pesquisas tiveram como foco os adultos. 

Os métodos de recrutamento também se mostraram diversos. Três estudos utilizaram amostras clínicas, recrutadas em serviços de saúde ou hospitais universitários. Um estudo partiu de um estudo de base populacional de gêmeos, caracterizando-se como investigação epidemiológica. Outros dois estudos recorreram a plataformas online de painel amostral, com adultos da população geral. Além disso, três pesquisas foram desenvolvidas em contextos comunitários e universitários, por meio de convites, cartazes e participação voluntária, sendo uma delas vinculada diretamente a atividades curriculares. 

As pesquisas incluídas foram publicadas entre 2011 e 2025 e foram desenvolvidas em diferentes regiões do mundo, o que demonstra a relevância transcultural da investigação sobre forças associadas ao TDAH. Dois estudos foram realizados na Espanha, dois no Canadá, três no Reino Unido, um na Hungria e um na Noruega, havendo ainda uma colaboração entre Honduras e Espanha. 

As forças e outros elementos positivos identificados se mostraram variados, mas com padrões recorrentes. Entre eles, podem ser destacados os seguintes, bem como o número de estudos em que foram examinados: a) criatividade (n=3); b) hiperfoco (n=3); c) resiliência (n=4); d) apoio social (n=3); e) autoestima (n=2); f) autoconceito (n=1); g) adaptação (n=1); h) empatia (n=2); i) envolvimento familiar (n=1); j) humor (n=2); k) aceitação (n=2); l) otimismo (n=1); m) gratidão (n=1); n) atenção (n=1); o) controle inibitório (n=1); p) flexibilidade cognitiva (n=1); e q) comportamento pró-social (n=1). 

DISCUSSÃO 

Os resultados desta revisão de literatura apontam que, embora o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) seja tradicionalmente compreendido a partir de uma perspectiva deficitária, existem forças e outros elementos positivos associados ao transtorno que merecem destaque. Esse movimento dialoga diretamente com a proposta da Psicologia Positiva, que defende a importância de se investigar não apenas os sintomas e prejuízos, mas também as capacidades e recursos que contribuem para o florescimento humano (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000). Ao considerar esses aspectos positivos, o olhar clínico sobre o TDAH torna-se mais abrangente, permitindo intervenções que não apenas visam minimizar dificuldades, mas também fortalecer o bem-estar, a resiliência e a qualidade de vida. 

Um dos achados mais consistentes entre os estudos analisados foi a presença de forças cognitivas e criativas. Sedgwick et al. (2019) identificaram em adultos de alto funcionamento com TDAH características como dinamismo cognitivo, curiosidade, criatividade e hiperfoco, aspectos que, em determinadas circunstâncias, potencializam a produtividade e a originalidade. De modo semelhante, Schippers et al. (2024) encontraram correlações positivas entre traços de TDAH e habilidades como hiperfoco, atenção sustentada, flexibilidade cognitiva e controle inibitório, sugerindo que processos atencionais e executivos podem ser mobilizados de forma adaptativa quando direcionados a tarefas de interesse. Esses dados indicam que sintomas frequentemente vistos como disfuncionais, quando canalizados para contextos favoráveis, podem se transformar em recursos cognitivos e criativos. O hiperfoco, por exemplo, embora associado à dificuldade de alternar tarefas, pode favorecer alto rendimento em atividades de interesse. Esse estado de absorção e engajamento intenso se aproxima do conceito de flow, descrito por Csikszentmihalyi (1990) como uma experiência de envolvimento total e prazeroso, em que há equilíbrio entre desafio e habilidade e o indivíduo perde a noção do tempo, sentindo satisfação intrínseca na realização da tarefa. 

Além dos recursos cognitivos, os estudos também destacaram elementos ligados à resiliência e ao apoio social. Charabin et al. (2023), ao investigarem crianças com e sem TDAH, observaram que ambas apresentavam níveis semelhantes de resiliência, diferindo apenas no domínio do funcionamento escolar. Essa constatação reforça que, apesar dos riscos e prejuízos associados ao transtorno, há crianças que ativam recursos pessoais e contextuais capazes de superar dificuldades e favorecer percursos de desenvolvimento mais saudáveis. No contexto educacional, tais achados indicam que o estímulo às forças pessoais — como curiosidade, criatividade e persistência — pode atuar como fator de engajamento e aprendizagem significativa, contribuindo para o desenvolvimento socioemocional e acadêmico de estudantes com TDAH. Como afirmam Masten e Barnes (2018), a resiliência é fortalecida por sistemas de apoio familiares e comunitários, o que se confirma nos estudos revisados, que apontam o envolvimento familiar e o suporte social como fatores protetivos relevantes. Outras forças emocionais, como o otimismo, o humor e a gratidão, também foram identificadas como promotoras de bem-estar, auxiliando na reinterpretação de experiências negativas e no fortalecimento do senso de propósito e esperança. Tais aspectos, junto com a autoestima e o autoconceito positivo, sustentam a adaptação emocional e o enfrentamento de adversidades. 

Os recursos relacionais e contextuais também se mostraram fundamentais para o desenvolvimento e o bem-estar de pessoas com TDAH. Diversos estudos indicam que o suporte social, o envolvimento familiar e a aceitação do ambiente exercem papel protetivo frente às dificuldades associadas ao transtorno (Atique et al., 2025; Dangmann et al., 2024; Charabin et al., 2023). O apoio de figuras significativas — como familiares, professores e colegas — contribui para a redução do estigma, o fortalecimento da autoestima e a construção de um senso de pertencimento, fatores que favorecem a adaptação positiva e a autonomia. Elementos como empatia e comportamento pró-social aparecem, nesse contexto, como expressões relacionais das forças individuais, fortalecendo vínculos, ampliando a cooperação e reduzindo a percepção de isolamento social. Nesse sentido, ambientes que validam a experiência do indivíduo e reconhecem suas potencialidades tornam-se promotores de resiliência e engajamento, ampliando as oportunidades de aprendizagem, socialização e crescimento pessoal. Tais evidências reforçam a importância de considerar o contexto relacional não apenas como pano de fundo, mas como elemento ativo no processo de desenvolvimento e manejo do TDAH. 

O amadurecimento e a integração de experiências positivas ao longo do tempo desempenham papel fundamental na construção de uma identidade mais estável e de maior senso de autoeficácia. Essa relação pode ser observada no estudo de Dangmann et al. (2024), que investigou jovens adultos que conviveram com TDAH desde a infância e identificou como tema central a percepção de que “a vida melhora” com o passar dos anos. Segundo os participantes, fatores como aceitação, tanto pessoal quanto social, relações significativas, apoio não estigmatizante e o engajamento em atividades com propósito foram determinantes para um desenvolvimento mais equilibrado e satisfatório. 

De forma geral, os estudos revisados sugerem que as forças e outros elementos positivos associados ao TDAH podem ser compreendidos a partir de três dimensões principais que dialogam entre si. A primeira refere-se às forças cognitivas, como criatividade, curiosidade, hiperfoco e flexibilidade cognitiva, que evidenciam o potencial inventivo e adaptativo de muitas pessoas com o transtorno. A segunda envolve recursos emocionais e pessoais, entre os quais se destacam a resiliência, a autoestima, a autoaceitação e a persistência, importantes para o enfrentamento das adversidades e para a manutenção do bem-estar psicológico. Por fim, a terceira dimensão abrange os recursos relacionais e contextuais, como o apoio social, o envolvimento familiar, a aceitação social e a presença de relações significativas, que atuam como fatores de proteção e sustentação da adaptação positiva. Em conjunto, essas dimensões oferecem uma visão mais equilibrada do TDAH, na qual as limitações e as potencialidades se entrelaçam, indicando que tais recursos se desenvolvem a partir da interação dinâmica entre o indivíduo e o contexto em que está inserido, promovendo adaptação, autoconceito positivo e comportamento pró-social como expressões do desenvolvimento saudável. Assim, abordar o TDAH a partir da Psicologia Positiva implica reconhecer tanto os potenciais internos quanto os fatores externos que sustentam o desenvolvimento saudável. A seguir, a Tabela 2 sintetiza essas dimensões e os principais benefícios associados a cada elemento positivo identificado nos estudos analisados, evidenciando como aspectos cognitivos, pessoais e relacionais contribuem para o funcionamento adaptativo e o bem-estar de pessoas com TDAH. 

Tabela 2 – Dimensões das forças e outros elementos positivos associados ao TDAH e seus benefícios relatados

Dimensão Elementos positivos identificadosBenefícios descritos nos estudosPrincipais referências
1. Forças cognitivas 2. Recursos emocionais e pessoaisCriatividade, curiosidade, hiperfoco, flexibilidade cognitiva Resiliência, autoestima, autoaceitação, persistênciaFavorecem 
desempenho
em tarefas criativas, resolução de problemas e inovação; permitem canalizar energia e foco intenso em atividades de 
interesse,  aumentando 
produtividade e satisfação; ampliam adaptação a contextos diversos. Contribuem para bem-estar 
psicológico e 
enfrentamento das adversidades; 
fortalecem o senso de competência, autenticidade e propósito; estão associados a melhor saúde mental e percepção positiva de si.
Sedgwick et al. (2019); 
Schippers et al. (2024); 
Miklósi et al. (2024) 
Charabin et al. (2023); 
Dangmann et al. (2024); 
Sedgwick et al. (2019); 
Miklósi et al. (2024)
3. Recursos relacionais e contextuaisApoio social, 
envolvimento 
familiar, aceitação social, relações significativas
Funcionam como fatores de proteção e sustentação da adaptação positiva; ampliam o sentimento de pertencimento e reduzem o impacto dos sintomas sobre a funcionalidade; 
favorecem autoestima funcionamento social e qualidade de vida.
Atique et al. (2025); Dangmann et al. (2024); 
Charabin et al. (2023)

Os achados dessa revisão também trazem implicações relevantes para a prática clínica. Sedgwick et al. (2019) e Dangmann et al. (2024) destacam que a ênfase exclusiva na redução de sintomas pode contribuir para a desmotivação e para o reforço de sentimentos de inadequação entre pessoas com TDAH. Por outro lado, Schippers et al. (2024) observaram que a integração de estratégias terapêuticas que valorizem forças pessoais e conquistas cotidianas está associada a maiores níveis de engajamento e bem-estar. Nesse sentido, Seligman et al. (2005) descrevem que intervenções fundamentadas na Psicologia Positiva, como o uso de diários de gratidão, a identificação e aplicação de forças de caráter e incentivo à prática de atividades que promovam flow, favorecem o fortalecimento da autoestima, da motivação e da resiliência. De forma convergente, Rashid e Seligman (2019) ressaltam que a Psicoterapia Positiva parte do princípio de que as forças e virtudes humanas devem ocupar o mesmo lugar de importância que os sintomas na compreensão clínica, propondo intervenções que integrem o tratamento do sofrimento à promoção do bem-estar. Essa perspectiva reforça o papel do terapeuta como facilitador do florescimento humano, estimulando o reconhecimento e o uso das forças pessoais como parte essencial do processo terapêutico. Além disso, Atique et al. (2025) ressaltam a importância de envolver o contexto social e familiar no processo terapêutico, considerando que o apoio emocional e relacional figura entre os principais fatores de proteção para a adaptação positiva e o funcionamento saudável.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O presente estudo teve como objetivo identificar e analisar as contribuições da Psicologia Positiva para o manejo do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), com ênfase nas forças pessoais, nos fatores de resiliência e nos elementos positivos associados ao transtorno. A revisão da literatura evidenciou que, embora o TDAH seja tradicionalmente compreendido a partir de uma ótica deficitária, há um crescente movimento científico que busca reconhecer também os aspectos adaptativos e os recursos que podem favorecer o bem-estar e o funcionamento saudável desses indivíduos. 

Os principais resultados apontam que pessoas com TDAH apresentam potencialidades cognitivas e emocionais que, quando adequadamente compreendidas e estimuladas, podem se transformar em fontes de crescimento pessoal e de realização. Entre os achados mais consistentes destacam-se a criatividade, o hiperfoco, a flexibilidade cognitiva, a curiosidade e a energia (Sedgwick et al., 2019; Schippers et al., 2024). Outros estudos evidenciaram também autoconfiança, senso de humor, empatia e coragem como traços frequentemente relatados por indivíduos com TDAH (Charabin et al., 2023; Miklósi et al., 2024). Fatores como apoio social, experiências positivas na infância e estratégias adaptativas de enfrentamento mostraram-se associados a melhores níveis de funcionamento e bem-estar (Atique et al., 2025; Dangmann et al., 2024). Esses achados reforçam que o desenvolvimento de forças e a ampliação da resiliência podem ter papel relevante tanto no tratamento clínico quanto na promoção de qualidade de vida. 

As contribuições desses estudos são amplas e aplicáveis à prática psicológica. A integração dos princípios da Psicologia Positiva ao manejo do TDAH permite que profissionais adotem uma postura mais equilibrada, reconhecendo as dificuldades sem desconsiderar os potenciais. Essa abordagem favorece intervenções mais humanizadas, que valorizam a autonomia, o engajamento e o florescimento dos pacientes. Além disso, oferece subsídios para práticas psicoeducativas voltadas ao reconhecimento de forças pessoais, à construção de estratégias de enfrentamento e ao fortalecimento das redes de apoio — fatores essenciais para a adaptação e o bem-estar de pessoas com TDAH em diferentes fases da vida. 

Apesar dos avanços observados, esta revisão evidencia limitações importantes nas pesquisas sobre o tema. A maioria dos estudos analisados trabalhou com amostras pequenas e recortes de tempo curtos, o que dificulta generalizações e impede compreender como as forças e os fatores positivos se manifestam ao longo da vida. Charabin et al. (2023) utilizaram dados de autorrelato coletados virtualmente, enquanto Dangmann et al. (2024) contaram com apenas dez participantes, e Atique et al. (2025) reconheceram a necessidade de evidências longitudinais para confirmar suas conclusões. Além disso, Miklósi et al. (2024) apontaram fragilidades psicométricas em subescalas da Bernstein’s Strengths Scale, sugerindo que os instrumentos de mensuração de forças ainda precisam de aprimoramento. 

Observa-se também uma concentração geográfica nas amostras, principalmente em países da Europa e América do Norte, o que limita a diversidade cultural e dificulta a comparação entre contextos. Nenhum estudo brasileiro foi identificado, o que revela uma lacuna importante e reforça a necessidade de pesquisas nacionais que considerem fatores socioculturais, educacionais e o estigma em torno do TDAH. 

Diante dessas limitações, recomenda-se que pesquisas futuras adotem amostras mais amplas e diversas, bem como delineamentos longitudinais e interculturais que permitam compreender como as forças e os fatores de resiliência se manifestam ao longo do tempo e em diferentes contextos. Também se sugere a integração de intervenções baseadas na Psicologia Positiva ao tratamento tradicional, a validação transcultural de instrumentos de medida e a criação de escalas específicas para avaliar forças e virtudes em pessoas com TDAH. Essas iniciativas podem consolidar o conhecimento sobre os aspectos positivos do transtorno e ampliar sua compreensão sob uma perspectiva mais diversa e inclusiva. 

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