REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507211010
Alan Filipe Santos Araújo
Resumo:
A educação financeira no Brasil enfrenta desafios históricos ligados à desigualdade social, ao analfabetismo funcional e à exclusão digital. Este artigo discute o potencial da inteligência artificial (IA) como ferramenta transformadora no processo de aprendizagem da educação financeira. São analisadas experiências internacionais, como DreamBox (EUA), Squirrel AI (China), Byju’s (Índia) e Cleo (Reino Unido), e propostas de adaptação ao contexto educacional brasileiro. A pesquisa propõe o uso de tecnologias adaptativas para promover personalização, inclusão e desenvolvimento do pensamento crítico, com atenção às limitações estruturais e éticas. A análise combina dados secundários, referências institucionais e exemplos aplicados, indicando caminhos possíveis para políticas públicas voltadas à educação financeira assistida por IA.
Palavras-chave: inteligência artificial; educação financeira; inclusão digital; tecnologia educacional; desigualdade social.
Introdução:
A educação financeira é essencial no contexto educacional e financeiro brasileiro, principalmente diante dos desafios econômicos e sociais enfrentados pela população atual. A desigualdade de renda, a alta taxa de endividamento das famílias e a crescente complexidade do mercado financeiro demandam maior conhecimento por parte dos cidadãos para gerirem suas finanças de forma eficiente e coesa. Essa necessidade é ampliada pela inclusão de novos produtos financeiros, como cartões de crédito e plataformas digitais de pagamento, que exigem maior compreensão sobre juros, planejamento orçamentário e investimentos, pessoas que não entendem de finanças hoje em dia infelizmente ficam para trás no cotidiano da vida. A baixa escolaridade financeira da população compromete muito o desenvolvimento econômico sustentável, pois limita a capacidade das famílias de poupar e investir de maneira produtiva. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre 2017 e 2018, 46,2% da população brasileira vivia em famílias com atraso em pelo menos uma conta do domicílio, realidade maçante. Dado a interpretação dos dados percebemos que a ausência de uma cultura de planejamento financeiro também agrava o endividamento prejudicando a qualidade de vida das famílias que muitas vezes não têm nem o que comer, criando ciclos repetitivos de instabilidade que afetam não apenas indivíduos, mas também a economia nacional brasileira como um todo.
A inserção da educação financeira no sistema de educação brasileiro tem como prioridade educacional visa capacitar os jovens desde cedo, para que possam tomar as melhores decisões para se preparar, buscando serem conscientes e estratégicos ao longo da vida adulta. Essa formação, integrada ao sistema educacional nacional, busca contribuir para a redução das desigualdades e promover uma sociedade mais equilibrada e financeiramente responsável. E como a inteligência artificial pode ajudar nesse processo? Essa é a pergunta do presente artigo, as AIs (Artificial Intelligence), em português inteligência artificial, andam tendo um grande crescimento nos últimos tempos, sendo usadas tanto para tarefas simples como para a educação, é de extrema importância tirarmos proveito disso para ajudar melhorar a taxa de educação financeira no Brasil. A inteligência artificial (IA) tem se consolidado como uma ferramenta transformadora na educação, proporcionando personalização, eficiência e acessibilidade no processo de aprendizagem, algo extremamente importante quando falamos de inclusão e de individualidade. Em diferentes áreas do conhecimento, a IA (Inteligência Artificial) é utilizada para criar plataformas adaptativas que ajustam conteúdos e metodologias com base no desempenho individual dos estudantes, de forma mais básica, ela se adapta a cada estudante. Essa capacidade de adaptação permite que as necessidades específicas de cada aluno sejam atendidas, reduzindo lacunas de aprendizagem e promovendo um desenvolvimento mais uniforme, além de identificar possíveis condições ocultas, como por exemplo a dislexia ou TDAH. Outro uso relevante e bastante interessante da IA (Inteligência Artificial) é a automação de tarefas administrativas e de ensino, como a correção de avaliações e a análise de dados de desempenho, poupando os profissionais da educação dessas tarefas pesadas, consequentemente, gerando maior tempo para a dedicação dos alunos. Com a liberação dessas funções os educadores podem para focar em aspectos mais estratégicos e criativos do ensino, estimulando a busca por conhecimento e pela pesquisa, e tudo isso ao mesmo tempo que fornecem informações detalhadas sobre o progresso dos estudantes. Tecnologias como chatbots e assistentes virtuais estão sendo empregadas para auxiliar alunos fora do ambiente de sala de aula, oferecendo suporte contínuo e imediato, Um bom exemplo de uma ferramenta de pesquisa usada amplamente pela população é o Google. A IA (Inteligência Artificial) tem sido uma aliada na democratização do acesso ao conhecimento, democratização extremamente necessária nos dias atuais, pois cria soluções inovadoras para pessoas com necessidades especiais ou que vivem em áreas de difícil acesso. Denotamos isso nitidamente na série da Netflix, “Black Mirror”, onde a tecnologia é mostrada de várias formas inclusive para auxiliar os seres humanos em tarefas de difícil resolução, para ampliar o conhecimento ou para explorar o desconhecido, a realidade fictícia dessa série de streaming Britânica está cada vez mais parecida com a nossa realidade, ferramentas como tradutores automáticos, sistemas de reconhecimento de voz e aplicativos educacionais têm ampliado a inclusão e a diversidade no processo educacional, tornando a aprendizagem mais acessível e eficiente em um cenário de mundo globalizado.
Fundamentação Teórica:
A integração da IA (Inteligência Artificial) ao ensino da educação financeira no Brasil pode ocorrer de forma estratégica e precisa, levando em consideração as demandas específicas da população e as oportunidades proporcionadas pela tecnologia. Uma das principais formas de integração é por meio de plataformas educacionais interativas que utilizam algoritmos para personalizar o aprendizado de acordo com o perfil financeiro e comportamental de cada indivíduo. Um grande exemplo é nos Estados Unidos, algumas escolas têm adotado ferramentas como o DreamBox Learning, fundada em 2006, a empresa oferece programas que personalizam a instrução e o aprendizado, ajustando-se em tempo real às necessidades individuais de cada estudante. O DreamBox Math, atende alunos do jardim de infância até o 8º ano do fundamental, oferecendo mais de 2.000 lições que abrangem tópicos como adição, subtração, multiplicação, divisão, frações, geometria e álgebra entre outros conceitos e operações da matemática. O programa utiliza um algoritmo que analisa as estratégias e ações dos alunos durante as lições, ajustando instantaneamente o nível de dificuldade, o sequenciamento dos tópicos e o suporte fornecido, proporcionando uma experiência de aprendizado personalizada e única para cada aluno. Tal ferramenta de aprendizado desenvolvida pelos Estados Unidos pode ser adaptada para ensinar conceitos de educação financeira por meio de algoritmos que ajustam o conteúdo conforme o desempenho dos alunos brasileiro, visando sempre o aprendizado e a independência de cada um. Outras iniciativas como as da China, são bastante relevantes e interessantes, tecnologias de IA (Inteligência Artificial) são amplamente utilizadas para personalizar o aprendizado em diversas disciplinas, mostrando o potencial da aplicação em larga escala. A Squirrel IA, uma plataforma chinesa que utiliza inteligência artificial para criar experiências educativas sob medida, a Squirrel IA, é uma plataforma educacional que personaliza o ensino, ajustando-se às necessidades individuais dos alunos em tempo real. Fundada em 2014 na China, a empresa de educação personalizada tem se destacado por sua abordagem extremamente inovadora na educação, oferecendo planos de aula personalizados que visam preencher lacunas específicas no conhecimento dos estudantes. O uso do Squirrel IA pode estar associado a melhorias no desempenho acadêmico. Observou-se que a eficácia do sistema adaptativo da plataforma no aprendizado de inglês e matemática no ensino fundamental foi surpreendentes gerou muitos resultados positivos, sugerindo que os alunos obtiveram melhor desempenho utilizando o Squirrel IA em comparação com a instrução tradicional em sala de aula conduzida por professores experientes e com outra plataforma de aprendizado adaptativo. Tal ferramenta poderia ser replicada no Brasil em contextos financeiros, ajudando alunos a aprender sobre planejamento orçamentário e gestão de dívidas. Tais exemplos revelam que a aplicação da IA (Inteligência Artificial) não está só limitada a contextos econômicos, mas pode ser um recurso poderoso e inovador em diferentes áreas educacionais, como a educação ambiental e a formação profissional.
No Brasil, essas tecnologias poderiam ser incorporadas tanto no ensino formal quanto em parcerias com empresas privadas, como bancos e fintechs – fintechs são empresas que usam tecnologia para inovar o mercado financeiro, a maioria dos bancos e fintechs de hoje em dia já utilizam assistentes virtuais para atender clientes e agilizar processos. A adaptação dessas ferramentas para programas educacionais em escolas públicas ou comunidades carentes seria um grande passo na democratização da educação financeira, garantindo que todos os brasileiros, independentemente da condição social, tenham acesso a um aprendizado eficiente e inovador. Já no contexto das aplicações de ferramentas de inteligência artificial (IA) na aprendizagem de educação financeira no Brasil, podemos ter certeza que pode trazer benefícios significativos, especialmente pela personalização do ensino e pela ampliação do alcance educacional, como já foi descrito anteriormente. No filme da Marvel “Homem de Ferro”, vemos um universo fictício no qual uma inteligência artificial é criada e incorporada a artifícios físicos, dando possíveis super poderes ao seu portador Tony Stark, no filme de ficção futurística percebemos que sem esses apetrechos concluir os objetivos do protagonista seria muito mais difícil, denota-se isso durante todo o filme, quando trazemos para a realidade essa incógnita que nos faz pensar durante toda a obra cinematográfica, temos uma noção de como a tecnologia pode ajudar em certas tarefas, no filme o protagonista tem problemas cardíacos que é substituído por tecnologia avançada, no Brasil o problema é outro, crianças de periferia ou até de zona rural tem dificuldade em se adaptar ao sistema formal de ensino e aprender com ele. Segundo o segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o analfabetismo é mais prevalente em áreas rurais, segundo os indicadores a taxa de analfabetismo atinge 10% da população brasileira, sendo mais elevada no Nordeste (19,4%) e nas zonas rurais (23,5%). Entre os mais pobres e de periferia podendo chegar a taxa de 19%, esses são dados marcantes e esmagadores. Está problemática pode ser diminuída ou até erradicada com o uso de inteligência artificial na educação brasileira, mas os desafios desta aplicação também são consideráveis. A implementação de tecnologias de IA (inteligência artificial) exige infraestrutura digital robusta, algo que o Brasil tarda a ter no momento, o que pode ser um obstáculo em regiões com baixo acesso à internet ou dispositivos eletrônicos, principalmente nas zonas rurais e periferias, também, há certas preocupações éticas relacionadas ao uso de dados pessoais, especialmente em um contexto onde muitos brasileiros não possuem familiaridade com questões de privacidade digital e tem muito conhecimento sobre o assunto. Outro desafio relevante é a necessidade de capacitação de professores e educadores, que devem estar aptos a integrar essas tecnologias em suas práticas pedagógicas.
Embora ainda seja um campo emergente, já existem exemplos e estudos concretos que demonstram como a inteligência artificial pode impactar positivamente o ensino da educação financeira na sociedade contemporânea brasileira. Foi abordado exemplos como a Squirrel IA e DreamBox Learning, mas, um exemplo notável é o uso do chatbot Cleo, na qual é uma aplicação de IA (Inteligência Artificial) desenvolvida para auxiliar na gestão financeira pessoal no cotidiano, fundada em 2016 pelo empreendedor britânico Barney Hussey-Yeo, a Cleo conecta-se às contas bancárias dos usuários, analisa seus hábitos de consumo e fornece orientações financeiras personalizadas, plataforma amplamente utilizada no Reino Unido e nos Estados Unidos, que combina IA com educação financeira na prática, algo extremamente interessante e utilitário. Isso promove a aprendizagem financeira direta por meio da interação cotidiana com os usuários e utilizadores. Embora seja mais voltada para os consumidores, o modelo de Cleo pode ser adaptado para escolas e programas educacionais brasileiros. Outro caso relevante vem da Índia, onde a plataforma Byju’s, que utiliza IA (Inteligência Artificial) para personalizar o aprendizado em várias disciplinas, começou a incorporar conteúdos de educação financeira em seu portfólio. A empresa foi fundada por Byju Raveendran em 2011, inicialmente oferecendo um aplicativo de aprendizado focado em exames acadêmicos e preparatórios para concursos. O conceito principal da plataforma é tornar o aprendizado mais interativo e envolvente por meio de vídeos, animações e simulações, utilizando IA (Inteligência Artificial) para adaptar os conteúdos de acordo com as necessidades do aluno. Através desses recursos, os estudantes aprendem conceitos como poupança, investimentos e gestão de dívidas de forma eficiente e eficaz. Esses elementos tornam o processo de aprendizagem mais engajador, especialmente para jovens que possuem maior afinidade com tecnologias digitais. No Brasil, apesar de ainda haver poucos casos ou nenhum direcionado à educação financeira especificamente, empresas como o Banco Inter e Nubank utilizam ferramentas de IA (inteligência artificial) para ensinar práticas financeiras básicas a seus usuários, como planejamento de gastos e controle de dívidas, essas experiências mostram o potencial de expansão para o setor educacional formal, especialmente se ferramentas semelhantes forem introduzidas em escolas públicas ou em programas de inclusão financeira.
A inteligência artificial (IA) tem um grande potencial de auxiliar no desenvolvimento de diversas habilidades e competências essenciais para um gestão financeira eficaz, principalmente em jovens e adultos em processo de alfabetização financeira, uma das competências mais importantes que a IA (Inteligência Artificial) pode vir a ajudar a desenvolver o pensamento crítico em relação ao consumo. Ferramentas baseadas em IA (Inteligência Artificial) podem analisar o comportamento financeiro do usuário e fornecer insights sobre padrões de gastos, alertando para decisões financeiras impulsivas ou mal planejadas, isso contribui para a formação de uma mentalidade mais estratégica, que considera as consequências de curto e longo prazo de cada decisão. A IA (Inteligência Artificial) pode promover a compreensão de conceitos financeiros fundamentais, como juros compostos, planejamento de orçamento e gestão de dívidas, de forma intuitiva e interativa, como já citado e mostrado anteriormente. Por exemplo, ao usar simuladores de orçamento alimentados por IA (inteligência artificial), os estudantes podem aprender a criar planos financeiros pessoais, testar diferentes cenários de receitas e despesas, e visualizar os efeitos de suas escolhas. Essa aplicação prática é fundamental para reforçar conceitos abstratos e promover a aprendizagem ativa. Outra competência que a IA (Inteligência Artificial) pode aprimorar é a habilidade de tomada de decisões financeiras informadas. A análise de grandes volumes de dados, algo que a IA (Inteligência Artificial) faz de forma eficiente, permite aos estudantes entender as tendências do mercado, avaliar as opções de investimento e tomar decisões financeiras baseadas em informações detalhadas e contextualizadas, essa capacidade é particularmente relevante em um cenário onde o acesso a produtos financeiros digitais e a mercados globais está cada vez mais democratizado.
É válido também levar em consideração os impactos negativos que o uso de IA (Inteligência Artificial) pode vir a causar na educação brasileira. O uso da inteligência artificial (IA) na educação financeira brasileira, desde a alfabetização até a educação de jovens e adultos, pode trazer desafios significativos quando não implementado de forma estratégica e correta. Em primeiro lugar, a IA (Inteligência Artificial) depende de dados de alta qualidade e de uma infraestrutura tecnológica robusta, algo ausente em muitas escolas brasileiras, principalmente no contexto rural e periférico, a falta de acesso à internet, dispositivos adequados e capacitação de professores pode agravar as desigualdades educacionais, deixando regiões menos favorecidas ainda mais distantes de um ensino de qualidade. Além disso, há o risco de a IA simplificar excessivamente conceitos financeiros, sem levar em conta as especificidades culturais e sociais de diferentes comunidades, comprometendo a eficácia do aprendizado. Um exemplo que ilustra como a implementação inadequada da IA (Inteligência Artificial) pode ser prejudicial ocorreu em algumas escolas de países em desenvolvimento, onde plataformas automatizadas de ensino financeiro foram introduzidas sem treinamento prévio para educadores, nessas ocasiões, os professores acabaram se tornando meros supervisores das ferramentas tecnológicas, sem compreender seu funcionamento ou como adaptá-las às necessidades dos alunos, o resultado, claro, foi uma aprendizagem superficial e muito básica, com estudantes reproduzindo informações sem internalizar os conceitos. Esse cenário evidencia que a tecnologia, quando utilizada sem planejamento, suporte pedagógico e estudos sobre o assunto em que será implantada, pode gerar mais confusão do que benefícios, limitando o potencial transformador da educação financeira. Apesar dessas dificuldades, os impactos positivos da IA (Inteligência Artificial) na educação financeira superam os negativos, desde que a implementação seja feita de forma criteriosa e assertiva, ferramentas baseadas em IA (Inteligência Artificial) podem oferecer conteúdos personalizados, adaptados ao nível de conhecimento e ao ritmo de aprendizado de cada aluno, algo extremamente benéfico, e isso é especialmente valioso em um país diverso como o Brasil, onde as necessidades educacionais variam amplamente de estado para estado, cidade para cidade e até de bairro para bairro. Projetos bem-sucedidos em outros países mostram que, com treinamento adequado para professores, investimento em infraestrutura, e tecnologia de qualidade, a IA (Inteligência Artificial) pode transformar o ensino financeiro, capacitando gerações a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e contribuindo para a redução das desigualdades econômicas, redução extremamente necessária no conceito econômico atual. O ponto chave está em um planejamento estratégico e rigoroso que alinhe tecnologia e pedagogia, garantindo que os benefícios da IA (Inteligência Artificial) sejam distribuídos de forma justa e eficaz.
Metodologia Propositiva:
A avaliação da eficácia da inteligência artificial (IA) no ensino de educação financeira pode ser realizada por diversas metodologias, que envolvem tanto abordagens quantitativas quanto qualitativas, e isso deve ser feito de forma meticulosa e atenta. A análise quantitativa pode ser feita por meio de testes de desempenho antes e depois do uso das ferramentas de IA (Inteligência Artificial), comparando os resultados obtidos pelos estudantes ao longo do processo de aprendizagem ando também com outros resultados do banco de dados de quem está implantando, esse tipo de avaliação pode incluir a medição da melhoria no entendimento de conceitos financeiros, como orçamento pessoal, controle de dívidas e investimentos, três coisas já abordadas durante esse artigo, além disso, a coleta de dados sobre o tempo de interação com as ferramentas de IA (Inteligência Artificial), a taxa de conclusão de módulos e a frequência de uso também pode fornecer uma visão precisa, e até mesmo exata, da eficácia do método. Uma metodologia importante é a análise de dados gerados pelas plataformas de IA (Inteligência Artificial), como relatórios de progresso individualizados, esses dados podem revelar padrões de comportamento, como quais áreas financeiras os alunos dominam mais rapidamente e onde enfrentam mais dificuldades, permitindo uma avaliação mais detalhada do impacto da IA (Inteligência Artificial) no aprendizado, a partir disso é possível ajustar o conteúdo e as estratégias pedagógicas para maximizar a aprendizagem e atender às necessidades específicas dos alunos. Tais dados também permitem medir a eficiência das ferramentas no que tange à adaptação ao ritmo individual de cada estudante. Um bom exemplo dessa aplicação no Brasil aconteceu em 2024, a Seduc (Secretaria de Estado de Educação do Piauí) implantou a disciplina obrigatória de Inteligência Artificial (IA) no currículo do 9º ano do Ensino Fundamental e nas três séries do Ensino Médio, essa iniciativa pioneira beneficia mais de 120 mil estudantes em 508 unidades de ensino. Para viabilizar a implementação, cerca de 700 professores foram capacitados em 2024 para ensinar a disciplina de IA (Inteligência Artificial), o projeto também conta com a parceria do Google, que forneceu plataformas e serviços essenciais para o desenvolvimento do curso, tornando-o um dos maiores do mundo em termos de quantidade de estudantes e profissionais envolvidos, ou seja, um orgulho nacional. A Seduc oferece cursos técnicos em áreas como desenvolvimento de sistemas com ênfase em IA (Inteligência Artificial), programação de jogos digitais e marketing digital, com mais de 25 mil alunos matriculados. Tal iniciativa teve um reconhecimento tão grande que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) destacou o Piauí como o primeiro território nas Américas a implementar o ensino de inteligência artificial (IA) na educação básica. Este exemplo do Piauí mostrou que a implementação de IA (Inteligência Artificial) nas escolas para o ensino da educação financeira é viável e benéfico, no exemplo acima não foi mostrado a ligação direta com a tecnologia de inteligência e a educação financeira, mas, mostra-se um ambiente fértil para tal aplicação e ligação. Os estudos qualitativos, como entrevistas com alunos e educadores ou até grupos focais, são de extrema essencialidade para compreender a percepção dos usuários sobre a experiência de aprendizado com a IA (Inteligência Artificial). A análise de feedback subjetivo pode revelar aspectos não capturados pelas métricas quantitativas, como a motivação dos alunos, a clareza do conteúdo e a facilidade de interação com as plataformas, também, a integração dessas informações qualitativas com os dados quantitativos cria uma avaliação mais robusta e holística, permitindo uma análise completa da eficácia das ferramentas de IA (Inteligência Artificial) no ensino de educação financeira. A Seduc com certeza investiu em análise de dados para conseguir implantar de forma clara e coerente as matérias de Inteligência Artificial (IA), análise quantitativas e qualitativas são extremamente importante, para um a metodologia assertiva é necessário fazer comparações e o mais importante fazer testes em certos grupos, pois vemos que o nosso Brasil é extenso e a desigualdade é massante e moedora.
Resultados e Discussão:
As tecnologias de inteligência artificial (IA) têm um grande potencial para serem adaptadas às necessidades de diferentes grupos sociais no Brasil, considerando a diversidade socioeconômica e cultural do país. Em primeiro lugar, é fundamental que as ferramentas de IA (Inteligência Artificial) sejam acessíveis, levando em conta as disparidades no acesso à tecnologia e à internet entre diferentes regiões do Brasil. Isso significa que as plataformas de educação financeira baseadas em IA (Inteligência Artificial) devem ser projetadas para funcionar em dispositivos móveis, já que muitos brasileiros, especialmente em áreas mais remotas, acessam a internet principalmente através de smartphones, o uso de dados de desempenho para personalizar o ensino deve ser sensível às realidades econômicas de diferentes grupos sociais, oferecendo conteúdos que se conectem diretamente com a realidade financeira dos usuários. Outra adaptação importantíssima é a customização do conteúdo de acordo com o nível de conhecimento prévio dos estudantes, ou seja, um nivelamento, em um país com altos índices de desigualdade, a educação financeira deve ser moldada de forma a atender tanto aos indivíduos com mais acesso à educação formal quanto àqueles com menos recursos, adaptando o conteúdo de acordo com o grau de sofisticação dos alunos. Ferramentas de IA (Inteligência Artificial) podem identificar essas diferenças e ajustar automaticamente os níveis de complexidade dos conteúdos financeiros, acontecendo assim um nivelamento entre os estudantes, começando com noções básicas para os iniciantes e avançando conforme a evolução do aprendizado, sem deixar os alunos para trás. A inteligência artificial (IA) pode ser adaptada para diferentes perfis culturais e regionais, o Brasil é um país vasto, com uma grande diversidade cultural, e as tecnologias de IA (Inteligência Artificial) podem se beneficiar dessa diversidade ao incorporar elementos regionais, como exemplos financeiros baseados na economia local ou questões específicas que impactam diferentes grupos, por exemplo, o agronegócio no Centro-Oeste, economia quilombola nos quilombos, elementos da cultura dos povos originários , culinária de pé das regiões do nordeste, mas claro sem discriminar ou usar de maneira pejorativa e sim com responsabilidade para a educação, pois a personalização cultural não apenas torna o conteúdo mais relevante, mas também pode aumentar o engajamento dos estudantes, ao verem suas próprias realidades refletidas nas ferramentas de aprendizado que estão usando. A má aplicação dos métodos pode levar o ensino da educação financeira brasileiro de mal a pior, deve-se ter responsabilidade. O uso de IA (Inteligência Artificial) também pode ajudar na criação de ambientes de aprendizagem inclusivos para grupos em situação de vulnerabilidade social, como pessoas com deficiência, as plataformas adaptativas podem oferecer recursos como leitores de tela, legendas e traduções para Libras, garantindo que a educação financeira seja acessível para todos. Esse tipo de adaptação é crucial para garantir que as tecnologias de IA (Inteligência Artificial) não aprofundem as desigualdades existentes, mas sim contribuam para a inclusão de todas as camadas da sociedade brasileira.
Considerações Finais e Propostas de Políticas Públicas:
O potencial da inteligência artificial (IA) para transformar a educação financeira no Brasil é imenso, especialmente ao considerar as características e desafios do país. Em um futuro próximo, a IA (Inteligência Artificial) pode democratizar o acesso ao aprendizado financeiro de forma personalizada, escalável e interativa, um grande exemplo de uma forma que pode ser escalável é o uso de ferramentas adaptativas, como já tratado anteriormente, a IA (Inteligência Artificial) pode fornecer um ensino altamente personalizado, que ajusta o conteúdo de acordo com o ritmo de aprendizagem de cada estudante, superando as limitações dos métodos tradicionais e arcaicos. Isso permitiria que uma pessoa no Brasil, independentemente de sua localização ou condição socioeconômica, tivesse acesso a materiais e práticas financeiras adaptados às suas necessidades individuais. O uso de IA (Inteligência Artificial), em plataformas de educação financeira, pode resultar em uma abordagem mais eficiente e dinâmica, ajudando os brasileiros a aprender de forma mais prática e envolvente, esse é o principal foco, a IA (Inteligência Artificial) pode integrar dados de comportamento dos usuários para criar trajetórias de aprendizagem customizadas, oferecendo recomendações personalizadas com base no desempenho e nas preferências dos alunos, como é o caso já citado anteriormente da Byju’s. A interatividade das ferramentas que usam tecnologia inteligente, como chatbots financeiros e simuladores de orçamento, pode tornar o processo de aprendizagem mais atrativo e acessível, permitindo que os estudantes aprendam na prática como gerenciar suas finanças pessoais e a começar a planejar seu futuro desde cedo. Esse tipo de aprendizado ativo é mais eficaz do que o modelo passivo tradicional, pois permite que os alunos experimentem cenários financeiros reais de forma simulada, ajudando-os a tomar decisões mais informadas sobre o uso do dinheiro, poupança e investimentos, proporcionando um aprendizado mais individualizado e prático, a inteligência artificial (IA) pode promover a inclusão financeira em um país com grandes desigualdades, as ferramentas de de tecnologia inteligência artificial podem ajudar a superar barreiras educacionais, oferecendo cursos e conteúdos acessíveis em diferentes formatos (vídeos, textos, jogos), e até mesmo em diferentes idiomas e dialetos regionais, atendendo a uma população diversificada, e para isso podemos tomar o exemplo da Seduc, a secretaria de educação do Piauí, que além de plantar matéria sobre inteligência artificial (IA) também oferece cursos na área da tecnologia, isso é extremamente importante para capacitação do estudante para o mercado de trabalho e para sua vida pessoal. A personalização do conteúdo também pode garantir que as informações sejam relevantes para os contextos financeiros específicos de diferentes regiões do Brasil, tornando o aprendizado mais conectado com a realidade do aluno, a IA (Inteligência Artificial) tem o potencial de transformar o ensino de educação financeira no Brasil ao fomentar uma cultura de aprendizagem contínua, isso pode resultar bem uma população mais informada e empoderada, capaz de tomar decisões financeiras mais equilibradas e sustentáveis.
Embora a inteligência artificial (IA) ofereça enormes benefícios no ensino de educação financeira, sua implementação não está isenta de limitações e desafios que precisam ser cuidadosamente considerados, e uma das principais limitações é o acesso desigual à tecnologia, como já desenvolvido melhor anteriormente, no Brasil, muitas regiões, especialmente as mais periféricas e rurais, ainda enfrentam dificuldades no acesso à internet e a dispositivos adequados, algo nítido. Isso pode criar um obstáculo significativo para a utilização plena das ferramentas de IA (Inteligência Artificial), aprofundando as desigualdades no acesso à educação financeira, pois as pessoas que têm acesso podem se desenvolver frente aqueles que não possuem. A implementação de IA (Inteligência Artificial) deve ser acompanhada de estratégias para garantir a inclusão digital, como programas de acesso a dispositivos móveis e à internet em comunidades carentes, outro ponto extremamente importante é a questão da privacidade e da segurança dos dados. As plataformas baseadas em IA (Inteligência Artificial) coletam grandes volumes de informações sobre os usuários, pois é assim que muitas se adaptam ao usuário e evoluem para o mesmo, os dados podem ser comportamentos financeiros, preferências e progressos de aprendizado entre outras informações. Embora esses dados sejam essenciais para personalizar a experiência de aprendizagem, eles também levantam preocupações sobre a privacidade dos alunos e o uso indevido dessas informações. O risco maior é, hackers, obviamente mal intencionados, invadirem esses bancos de dados e usarem de forma indevida, tendo em vista que muitos possíveis usuários são menores de idade ou até crianças, portanto, é crucial que as plataformas de inteligência artificial (IA) adotem medidas rigorosas de segurança cibernética e conformidade com as leis de proteção de dados, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), garantindo que os dados pessoais dos usuários sejam tratados de forma ética e transparente. Outrossim, a dependência excessiva de ferramentas automatizadas pode reduzir a interação humana no processo de ensino, a educação financeira, como qualquer outra área de aprendizado, se beneficia da mediação de educadores que podem fornecer contexto, apoio emocional e esclarecimentos que vão além do que as máquinas podem oferecer, para as interações humanas não serem completamente “extintas” nesse contexto de ensino de educação financeira, as ferramentas de IA (Inteligência Artificial) devem ser vistas como complementares ao trabalho dos educadores, e não como substitutos. A formação de professores para o uso de IA (Inteligência Artificial) de maneira eficaz, garantindo que saibam interpretar os dados gerados e interajam com os alunos de forma construtiva, isso é fundamental para a eficácia do ensino.
As tecnologias artificiais inteligentes, embora poderosas, podem não ser capazes de lidar com todas as variáveis envolvidas no comportamento financeiro humano, isso é perceptível.
A gestão financeira é, muitas vezes, influenciada por aspectos emocionais, culturais e contextuais, que são complexos e difíceis de modelar digitalmente, as ferramentas de IA (Inteligência Artificial) precisam ser constantemente atualizadas para refletir mudanças econômicas, comportamentais e culturais, para evitar que os alunos sejam treinados com informações desatualizadas ou simplificadas demais, sem estimular o aprendizado e o avanço. A integração da tecnologia artificial inteligente no ensino de educação financeira exige uma abordagem equilibrada, que combine a precisão das máquinas com a sabedoria humana.
Referências:
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