REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511190503
Vanessa Nayara Zimmer Mota
Yasmin Pereira Farias
Orientador: Prof. Me. Wilson Alexandre Cabral Costa
RESUMO
INTRODUÇÃO: A fibromialgia é uma doença reumatológica caracterizada por dor musculoesquelética crônica e hipersensibilidade, sendo uma condição que produz impacto importante na qualidade de vida dos indivíduos acometidos. Diante desse cenário, a fisioterapia aquática tem demonstrado bons resultados no tratamento de diversas patologias, combinando os efeitos terapêuticos das propriedades da água com os benefícios dos exercícios físicos. OBJETIVO: Investigar os efeitos da fisioterapia coletiva por meio da hidroterapia no tratamento de pacientes com fibromialgia. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, com abordagem quanti-qualitativa. Com a aplicação de um protocolo de hidrocinesioterapia, totalizando 13 sessões, em grupo fisioterapêutico. Utilizou-se os instrumentos FIQ para medir o impacto da fibromialgia, SF-36 para qualidade de vida, e o PSQI para qualidade do sono. RESULTADOS: Intervenções coletivas (hidroginástica, grupos terapêuticos) promovem reconstrução simbólica e bem-estar global.
Palavras-chave: Fibromialgia; Hidroterapia; Fisioterapia coletiva.
ABSTRACT
INTRODUCTION: Fibromyalgia is a rheumatologic condition characterized by chronic musculoskeletal pain and hypersensitivity, which significantly impacts the quality of life of affected individuals. In this context, aquatic physical therapy has shown positive results in the treatment of various pathologies, combining the therapeutic effects of water properties with the benefits of physical exercise. OBJECTIVE: To investigate the effects of collective physiotherapy through hydrotherapy in the treatment of patients with fibromyalgia. METHODOLOGY: This is a descriptive and exploratory study with a quantitative and qualitative approach. A hydrokinetic therapy protocol was applied, totaling 13 group physiotherapy sessions. The FIQ was used to assess the impact of fibromyalgia, the SF-36 to evaluate quality of life, and the PSQI to measure sleep quality. RESULTS: Collective interventions (water aerobics, therapeutic groups) promote symbolic reconstruction and overall well-being.
Keywords: Fibromyalgia; Hydrotherapy; Group physiotherapy
INTRODUÇÃO
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, atualmente a fibromialgia é a segunda doença reumatológica mais prevalente no Brasil, afetando cerca de 2,5% a 4,4% da população, o que representa aproximadamente 6 milhões de pessoas (SIRACUSA et al., 2021).
A fibromialgia é uma condição caracterizada por causar dor musculoesquelética crônica e generalizada. É uma patologia que afeta diversas regiões do corpo e possui diagnóstico complexo, uma vez que não se manifesta por meio de sinais clínicos visíveis (SIRACUSA et al., 2021) e atualmente no Brasil é considerada uma deficiência de acordo com a Lei 15.176/2025 (Brasil, 2025).
Entre os possíveis tratamentos, está a hidroterapia, é uma abordagem terapêutica que utiliza a água como recurso principal, geralmente por meio da imersão do corpo em água aquecida entre 35ºC a 36ºC. Esta importante ferramenta da fisioterapia no tratamento de diversas disfunções musculoesqueléticas e neuromotoras, baseia-se nos efeitos físicos da água, como a flutuação, pressão hidrostática e temperatura. Dentre suas principais indicações, destacam-se: a diminuição da dor (quadro álgico), o relaxamento muscular, a melhora da amplitude de movimento, o fortalecimento muscular, além do desenvolvimento do equilíbrio e da coordenação motora (VASCONCELOS et al., 2021).
A fibromialgia é influenciada por diversos fatores, incluindo predisposição genética, experiências pessoais, fatores emocionais e cognitivos, a relação mente-corpo e a capacidade biopsicológica de lidar com o estresse. Assim, ela pode ser vista como uma condição que reflete uma hiperconexão entre a mente e o corpo, em vez de uma desconexão. Portanto, o tratamento da fibromialgia deve ser holístico e abrangente, envolvendo uma abordagem terapêutica integrada e multidisciplinar para o manejo eficaz dos pacientes (PUTTINI et al., 2020).
No contexto de Saúde Coletiva, a epidemiologia social trouxe uma reflexão do conhecimento sobre os conceitos, métodos e formas, que transforma o processo saúde – doença na dimensão do social e/ ou coletiva. A junção de indivíduos na coletividade estabelece o vínculo entre fisioterapeuta e doentes; entrelaçam técnicas de reabilitação, em aspectos de comum interesses, a saúde do paciente (CASELLATO et al, 2020).
O objetivo geral deste estudo foi investigar os efeitos da fisioterapia coletiva por meio da hidroterapia no tratamento de pacientes com fibromialgia. Os objetivos específicos consistiram em: identificar o impacto da fibromialgia no cotidiano das pessoas; investigar a qualidade de vida do paciente com fibromialgia; e analisar a percepção dos pacientes sobre a fibromialgia antes e após a terapêutica.
REFERENCIAL TEÓRICO
FIBROMIALGIA
A fibromialgia (FM), também conhecida como síndrome da fibromialgia, foi reconhecida pela primeira vez no século XIX. No entanto, foi nas décadas de 1970 e 1980 que, embora ainda não fosse chamada de fibromialgia, Philip Graham G. iniciou a nomenclatura da patologia, atribuindo-lhe o conceito de “síndrome da dor” na ausência de uma causa específica (YUNUS et al., 2004).
O termo “fibromialgia” foi oficialmente utilizado por Smythe e Moldofsky na década de 1970, a partir de estudos que estabeleceram a conexão entre dor musculoesquelética crônica, distúrbios do sono e a importância do conhecimento dos pontos de dor. Já na década de 1980, Muhammad Yunus deu continuidade ao uso do termo fibromialgia e, no desenvolvimento de seu trabalho, ajudou a criar critérios diagnósticos formais para a condição, além de promover uma compreensão mais ampla da fibromialgia como uma síndrome de dor crônica.
Em 1990, o comitê do American College of Rheumatology (ACR), juntamente com os estudiosos e médicos mencionados anteriormente, aprovou os critérios de diagnóstico para a classificação da fibromialgia (FM), que permanece em constante mudança, sendo ainda o foco de muitas pesquisas. Segundo a ACR de 1990, o diagnóstico da FM inclui duas variáveis: (1) dor centralizada bilateral, acima e abaixo da cintura, dor nos lados esquerdo e direito do corpo, dor no esqueleto axial (coluna cervical e tórax anterior, coluna torácica ou parte inferior das costas); e (2) dor crônica generalizada, que dura pelo menos três meses, caracterizada por dor à palpação em pelo menos 11 dos 18 pontos sensíveis, essenciais para o diagnóstico (ARNOLD et al., 2019; SIRACUSA et al., 2021).
Apesar de a ACR ter contribuído significativamente para os avanços dos estudos sobre a fibromialgia, os critérios inicialmente estabelecidos não eram eficazes nas práticas clínicas, pois não se concentravam nos sintomas associados e exigiam um exame de pontos sensíveis, o que dificultava seu uso no ambiente clínico. Com a publicação dos critérios de 2010 e 2011, surgiu uma nova definição para a fibromialgia (FM), com o objetivo de aprimorar seu entendimento (SIRACUSA et al., 2021).
A condição passou a ser descrita de “um distúrbio de dor predominantemente crônica” para “um distúrbio multisintomático”, o que ajudou na inclusão de novas definições de dor generalizada no diagnóstico e enfatizou a importância dos sintomas associados. No entanto, os critérios de 2010/2011 também apresentavam problemas significativos, como a classificação incorreta de pacientes que não apresentavam dor generalizada, pois não consideravam a distribuição espacial dos locais dolorosos.
A partir de 2011, novos critérios exigem que os profissionais de saúde avaliem a presença de outros distúrbios, medicamentos que possam aumentar a dor e que os pacientes apresentam dor em quatro das cinco regiões por mais de três meses, para caracterizar a chamada “dor generalizada”, enquadrando-se, assim, no padrão crônico dos critérios para diagnosticar a fibromialgia (ARNOLD et al., 2019).
A fibromialgia foi incluída na CID-10 com o código M79.7 em 2004. A partir de janeiro de 2022, a Classificação Internacional de Doenças (CID-11) passou a classificá-la sob o código MG30.01 (Dor crônica generalizada). No Brasil é considerada uma deficiência de acordo com a Lei 15.176/2025 (BRASIL, 2025).
MANIFESTAÇÕES
A FM é atualmente reconhecida como uma doença reumatológica caracterizada por causar dor musculoesquelética crônica generalizada, sem estímulos ou causas externas aparentes. Trata-se de uma patologia que afeta diversas regiões do corpo e é de difícil diagnóstico, pois, ao contrário de outras doenças reumáticas, não se manifesta por meio de sinais clínicos visíveis, mas universalmente exibem-se por meio de pontos de tensão chamados de “tender points” e hipersensibilidade ao toque chamada de alodinia, principalmente nos tecidos moles e músculos (SIRACUSA et al., 2021).
Os primeiros sinais da fibromialgia costumam surgir ainda na infância ou adolescência. Entre seus principais sintomas, destaca-se a dor generalizada, que afeta todo o corpo, da cabeça aos pés, e se assemelha à dor neuropática. Além disso, é comum a ocorrência de formigamento ou dormência nos membros superiores, conhecida como parestesia dos membros. Por afetar o sistema nervoso central (SNC), a fibromialgia pode causar fadiga física e mental, variando de um leve cansaço até a exaustão extrema (ARNOLD et al., 2019).
Também são frequentes distúrbios do sono, como insônia e despertares constantes, que podem incluir apneia obstrutiva e central do sono, além da síndrome das pernas inquietas. Apesar de alguns pacientes relatarem uma aparente qualidade do sono, muitos descrevem a sensação de não terem descansado adequadamente. Outros sintomas associados incluem síndrome do intestino irritável, dor pélvica crônica e cistite intersticial, além de condições crônicas que afetam a região da cabeça e da face, como disfunção temporomandibular, sintomas otológicos, dores de cabeça persistentes e enxaqueca (HEYMANN et al., 2010).
Também são comuns disfunções cognitivas e déficits de memória, considerados sintomas graves da doença. Além disso, a fibromialgia está frequentemente associada a alterações no humor, com maior predisposição ao transtorno depressivo maior e ao transtorno bipolar como também os transtornos de ansiedade, incluindo síndrome do pânico, estresse pós-traumático, fobia social e transtorno obsessivo-compulsivo (WOLFE et al., 2010).
O diagnóstico da fibromialgia depende de fatores como o tipo, a intensidade e a localização da dor, sendo influenciado por aspectos como atividades diárias, presença de comorbidades especialmente obesidade e níveis de estresse. Esses fatores podem contribuir para o aumento da intensidade da dor, piora do sono, redução da força física e perda da flexibilidade, podendo até mesmo ser gatilhos para o desenvolvimento da condição. Devido à complexidade do seu reconhecimento, o diagnóstico pode ser desafiador e exige uma avaliação criteriosa (PUTTINI et al., 2020).
EPIDEMIOLOGIA
Possui maior incidência no sexo feminino em comparação ao masculino, tendo proporção de 9:1 e a faixa etária de início prevalente entre 30 e 35 anos, aumentando na meia idade e diminuindo em faixas etárias mais avançadas, não há evidências de variação entre etnias. (ATHAYDE et al., 2022).
Os fatores de risco para o desenvolvimento da fibromialgia incluem também dor persistente por seis anos ou mais, autopercepção de depressão, ausência de formação profissional e a presença de quatro ou mais sintomas associados, como alterações na função intestinal, sono não reparador, parestesia e sensação subjetiva de inchaço (ARNOLD et al., 2019).
FISIOPATOLOGIA
Estudos sugerem que alterações no sistema nervoso central (SNC) desempenham um papel fundamental na amplificação da dor nesses pacientes, com influência de fatores genéticos e ambientais (ARNOLD et al., 2019; SIRACUSA et al., 2021) ou seja a FM está relacionada a uma maior excitabilidade das vias nociceptivas no SNC, fenômeno conhecido como sensibilização central. Estudos de neuroimagem funcional demonstraram a hiperatividade na parte do cérebro que processa sensações, emoções e linguagem chamado de lobo insular e em outras áreas do cérebro responsáveis pelo processamento da dor. Além disso, há um aumento nos níveis de glutamato e redução de GABA em pacientes com FM, o que pode justificar a eficácia de fármacos como pregabalina e gabapentina no tratamento dos sintomas (WOLFE et al., 2010; PUTTINI et al., 2020).
A predisposição genética para a FM tem sido investigada por meio de estudos de genes candidatos e de ligação genômica ampla. Polimorfismos em genes relacionados à serotonina, dopamina e catecol-O-metiltransferase (COMT) foram identificados com maior frequência em indivíduos com FM. No entanto, fatores ambientais, como estresse crônico e traumas físicos ou emocionais, também desempenham um papel relevante na manifestação da doença (HEYMANN et al., 2010).
Embora a FM não seja considerada uma doença autoimune, algumas pesquisas sugerem que inflamação de baixo grau pode contribuir para a patogênese da síndrome. Alterações no sistema imunológico e ativação da microglia têm sido apontadas como possíveis fatores envolvidos na amplificação da dor. Além disso, comorbidades como obesidade e síndrome metabólica podem intensificar os sintomas da FM, reforçando a necessidade de uma abordagem multidisciplinar no tratamento (SIRACUSA et al., 2021).
Nos últimos 20 anos, pesquisas identificaram alterações neurobiológicas associadas à dor nociplástica da fibromialgia, essas evidências indicam que o processamento da dor no cérebro é alterado, com maior ativação nas áreas responsáveis pela dor, o que faz com que pacientes com fibromialgia precisem de estímulos menores para gerar a mesma resposta cerebral que indivíduos saudáveis. Pacientes apresentam níveis elevados de substância P (um neurotransmissor que medeia a facilitação da dor) e neurotransmissores excitatórios, o que contribui para a hipersensibilidade (PUTTINI et al., 2020).
A dor é um estado mental que envolve fatores educacionais, sociais e cognitivos, alinhado ao modelo biopsicossocial da medicina, que é cada vez mais reconhecido. Estilos de enfrentamento desadaptativos, como baixa autoeficácia, hipervigilância aos estímulos dolorosos, evitação e catastrofização, podem influenciar de forma disfuncional a dor, afetando sua intensidade subjetiva e a saúde geral do paciente, além de aumentar a ativação de áreas cerebrais associadas à dor. Esse mecanismo pode ser denominado sensibilização cognitivo-emocional à dor (PUTTINI et al., 2020).
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
O diagnóstico da fibromialgia é clínico, uma vez que exames físicos possuem baixa validade e reprodutibilidade. No entanto, eles são fundamentais para excluir outras condições que possam justificar sintomas como dor e fadiga. Como a fibromialgia não apresenta características patognomônicas, a anamnese detalhada torna-se essencial para identificar sinais diagnósticos. Os sintomas físicos da fibromialgia, como distúrbios do sono, fadiga e dificuldades cognitivas, distribuem-se na população geral seguindo um padrão contínuo, tornando a definição do diagnóstico subjetiva. Dessa forma, a utilização de escalas padronizadas permite avaliar a gravidade da condição e acompanhar a evolução do paciente. Atualmente os testes validados, como o Questionário de Impacto da Fibromialgia (FIQ) e sua versão revisada (FIQR), o Status de Avaliação da Fibromialgia (FAS), os Critérios de Pesquisa de Fibromialgia (FSC) e o Questionário de Saúde do Paciente 15 (PHQ15), são amplamente utilizados (PUTTINI et al., 2020).
DIAGNÓSTICO CINÉTICO FUNCIONAL
Após o diagnóstico clínico da doença é importante a realização de testes específicos para avaliar a aptidão física do paciente, pois é imprescindível que os exercícios propostos para tratamento estejam dentro do limiar suportado pelo paciente (SANTOS et al., 2013).
O questionário de qualidade de vida da fibromialgia (FIQ) é amplamente utilizado, pois avalia diversas áreas de impacto na vida do paciente. Outro teste muito utilizado é a palpação dos tender points, considerado uma avaliação de confiabilidade pois apresenta pontos dolorosos pré-definidos pelo ACR – Colégio Americano de Reumatologia (AMÉLIO; IKEZAKI, 2018).
TRATAMENTOS
No tratamento de pacientes com fibromialgia são necessárias abordagens multidisciplinares como encaminhamento ao médico especializado para uma melhor compreensão da condição, consultas psicológicas, nutricionais que ajudam a entender e a lidar com o fator emocional que agrava os sintomas antes de iniciar qualquer medicação. Os pacientes também devem ser informados de que terão um papel central no tratamento e precisam desenvolver consciência para melhorar sua qualidade de vida e participar de programas de atividades físicas para retomar as atividades de vida diária com menos dores. (PUTTINI et al., 2020).
Carrasco-Vega et al. (2024) afirmam que diante da complexidade da FM, o tratamento não farmacológico, particularmente a fisioterapia, é frequentemente recomendado pelas diretrizes clínicas, essas intervenções podem ser organizadas em dois grupos principais: terapias ativas e terapias passivas.
As terapias ativas exigem a participação direta do paciente e envolvem a realização de movimentos voluntários, sendo amplamente indicadas para a obtenção de benefícios sustentáveis a longo prazo. Nesse conjunto incluem-se práticas de movimento e consciência corporal, como alongamentos, Tai Chi e Pilates; programas de exercício físico, tanto geral quanto aeróbico; intervenções realizadas em ambiente aquático, como a hidroterapia; o treinamento baseado em terapia ativa (ATBT); e programas multidisciplinares que combinam duas ou mais modalidades, frequentemente associando exercícios aeróbicos, alongamentos e, em alguns casos, técnicas aquáticas ou resistidas (CARRASCO-VEGA et al., 2024).
Em contrapartida, as terapias passivas são aplicadas pelo profissional ou por dispositivos externos e apresentam resultados particularmente relevantes para o alívio de sintomas em curto prazo. Entre essas modalidades destacam-se a terapia manual, que engloba técnicas como liberação miofascial, drenagem linfática manual e abordagens osteopáticas, além da neuromodulação não invasiva, representada pela estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS) e pela estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS). Complementarmente, outras abordagens fisioterapêuticas têm sido investigadas e demonstram potencial benefício no manejo da fibromialgia, incluindo a terapia de oxigênio hiperbárico (HBOT), terapias por vibração de corpo inteiro, intervenções baseadas em realidade virtual (VRBT), educação em neurociência da dor (PNE) e acupuntura (CARRASCO-VEGA et al., 2024).
HIDROTERAPIA
A Hidroterapia é caracterizada pelo uso da imersão do corpo em água aquecida com a temperatura entre 33°C e 36,5°C (BIASOLI; Machado, 2006; VASCONCELOS et al., 2021). É um importante recurso fisioterapêutico para o tratamento de diversas alterações funcionais e tem como princípio os efeitos físicos da água (RAMOS; JUNIOR, 2025).
A fisioterapia aquática proporciona diversos benefícios e algumas de suas indicações são: diminuição do quadro álgico; relaxamento muscular; melhora da amplitude de movimento; fortalecimento muscular; desenvolvimento do equilíbrio e coordenação motora (VASCONCELOS et al., 2021); evolução da marcha; diminuição de espasmos musculares; melhora da circulação sanguínea; das condições psicológicas do paciente; independência funcional (BIASOLI; Machado, 2006); condicionamento cardiorrespiratório e redução de impacto articular (PEREIRA; BARATELLA, 2011).
Suas contraindicações, para pacientes com infecções urinárias, incontinência fecal ou alergias aos componentes utilizados na água da piscina (RAMOS; JUNIOR, 2025).
O que possibilita tais benefícios, são as propriedades físicas da água atuantes no corpo durante a imersão, associadas à prática de exercícios específicos (BIASOLI; Machado, 2006). De acordo com Pereira e Baratella (2011), “Dentre tais propriedades, destacam-se a pressão hidrostática, a força de empuxo, a termocondutividade da água e a força de resistência ao movimento”.
O Princípio de Pascal fundamenta a compreensão da pressão hidrostática, estabelecendo que a água exerce pressão sobre qualquer corpo em imersão e repouso. Essa pressão aumenta proporcionalmente à profundidade e à densidade do líquido, atuando de maneira uniforme em todas as direções com a mesma intensidade. Esse efeito contribui para o retorno venoso, uma vez que reduz a necessidade de esforço do organismo para promover esse processo (PEREIRA; BARATELLA, 2011).
O princípio de Arquimedes explica a força de empuxo, estabelecendo que qualquer corpo, sendo parcial ou totalmente submerso, é submetido a uma força de empuxo equivalente ao peso do volume de líquido deslocado, tal força atua em sentido oposto à gravidade, produzindo equilíbrio entre essas duas forças. Consequentemente, a imersão do corpo na água proporciona uma redução do peso aparente, também denominado peso hidrostático, uma vez que este corresponde à força resultante da interação entre o peso do corpo (PEREIRA; BARATELLA, 2011).
No ambiente aquático, a termocondutividade é ampliada, sendo aproximadamente 25 vezes maior em comparação ao ar. Essa intensificação na troca de calor, especialmente em temperaturas termoneutras, favorece respostas fisiológicas relevantes no contexto terapêutico. Em terra, a principal via de perda térmica é a evaporação, processo que se torna menos eficiente na água. Em contrapartida, no meio aquático, a regulação térmica ocorre predominantemente por meio de convecção e condução (PEREIRA; BARATELLA, 2011).
A pressão exercida no corpo pela água proporciona troca gasosa e é benéfica para o fortalecimento da musculatura respiratória, contribuindo com o sistema cardiorrespiratório (RAMOS; Junior, 2025) ao proporcionar melhoria da capacidade aeróbica e de troca gasosa, reeducação respiratória, aumento no consumo de energia e outros (BIASOLI; MACHADO, 2006).
O sistema renal é beneficiado através da imersão, que estimula a circulação linfática e consequentemente o aumento da diurese, fenômeno decorrente da melhoria na circulação venosa (RAMOS; JUNIOR, 2025; BIASOLI; MACHADO, 2006). Já no sistema nervoso o calor contribui para a redução da sensibilidade das terminações nervosas sensitivas e, conforme o sangue aquece os músculos ao percorrê-los, ocorre uma diminuição do tônus muscular, resultando no relaxamento da musculatura (BIASOLI; MACHADO, 2006).
A abordagem hidroterapêutica também contribui para o bem-estar emocional, em razão do ambiente em que é realizada. Quando utilizada em sessões de grupos terapêuticos, podem promover a interação social e estimular a motivação dos pacientes. Assim, além dos benefícios relacionados à recuperação funcional, a terapia auxilia na melhora do estado emocional e na qualidade de vida (RAMOS; JUNIOR, 2025).
Muitos estudos indicam que a Hidroterapia é um recurso fisioterapêutico de suma importância no tratamento de Fibromialgia, isso porque os efeitos físicos da água, junto ao exercício trazem grandes benefícios para o paciente portador da doença (REIS, 2022).
PERCURSO METODOLÓGICO
Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva e exploratória, com abordagem quanti-qualitativa. Participaram indivíduos diagnosticados com fibromialgia atendidos em uma clínica escola de fisioterapia localizada no município de Foz do Iguaçu – PR. O período de realização ocorreu entre os meses de outubro e novembro de 2025, totalizando 13 sessões de intervenção em formato de grupo terapêutico, com frequência de três atendimentos semanais. Foi aplicado um protocolo de tratamento de hidrocinesioterapia (Anexo) elaborado seguindo recomendações da literatura científica, apresentados no quadro 1.

A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas individuais conduzidas pelos pesquisadores, com foco em uma avaliação fisioterapêutica direcionada aos principais sintomas da fibromialgia. Foram utilizados como instrumentos de coleta o Questionário de Impacto da Fibromialgia (FIQ), o questionário de Qualidade de Vida (SF-36), e o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI).
O questionário sobre o impacto da fibromialgia (QIF), trata-se de uma escala de avaliação específica para pacientes com fibromialgia, que envolve perguntas sobre sintomas físicos, psicológicos e funcionais, sua composição conta com 19 questões divididas e organizadas em 10 sub-categorias e quanto maior o score, maior o impacto da fibromialgia na qualidade de vida, o resultado final corresponde à média de todos os 10 itens do QIF (MARQUES et al., 2006).
O Questionário Medical Outcomes Study 36 – Item Short-Form Health Survey (SF-36) se apresenta como uma ferramenta de autorrelato que contabiliza a qualidade de vida relacionada à saúde de cada paciente, através de 36 questões divididas e organizadas em 8 domínios, sendo eles: capacidade funcional, limitação por aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, limitações por aspectos emocionais e saúde mental. Quanto mais próximo de 100% melhor a percepção de qualidade de vida (FONSECA et al., 2019).
O índice de qualidade do sono de Pittsburgh (PSQI) é um questionário desenvolvido para mensuração da qualidade e distúrbios de sono com questões que geram pontuações em sete componentes: qualidade subjetiva do sono, latência do sono, duração do sono, eficiência habitual do sono, distúrbios do sono, uso de medicações para dormir e disfunção diurna. Quanto maior a pontuação, pior a qualidade de sono (BERTOLAZI, 2008).
As entrevistas foram gravadas em áudio e, posteriormente, transcritas utilizando a inteligência artificial (IA) por meio do ChatGPT e NotebookLM. Para análise de discurso e qualitativa utilizou-se a IA por meio do BardinGPT. Para os dados quantitativos e estatísticos utilizou-se o Excel e SPSS-21 para médias, desvio padrão, erro padrão, e o teste “t” de Student para nível de significância, onde considerou-se o nível de significância de 5% (p≦0,05).
O ChatGPT é um modelo de inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI capaz de compreender e gerar textos em linguagem natural. Ele pode responder perguntas, redigir textos, traduzir, resumir informações, criar códigos, auxiliar em pesquisas e muito mais, interagindo de forma conversacional.
O NotebookLM é uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Google, projetada para auxiliar na organização, análise e síntese de informações a partir de diversos documentos. Ele funciona como um “assistente de pesquisa” que permite ao usuário carregar textos, PDFs, anotações ou links, e a IA então gera resumos, insights, perguntas e conexões entre os materiais.
O BardinGPT interpreta discursos com rigor epistemológico. Um assistente científico que aplica a metodologia de Laurence Bardin para análise de conteúdo. Pode apoiar desde a análise manual até o planejamento de uso de softwares (NVivo, MAXQDA).
Os aspectos éticos foram respeitados seguindo todos os princípios estabelecidos pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi apresentado e explicado de maneira clara, garantindo que os participantes compreendessem plenamente os objetivos e procedimentos do estudo. A pesquisa foi aprovada pelo CEP/UDC sob o nº CAAE: 88451725.3.0000.8527.
RESULTADOS
Participaram do estudo quatro mulheres diagnosticadas com fibromialgia. No entanto, houve a desistência de uma participante. As características sociodemográficas dos participantes estão apresentadas na tabela 1. A maioria apresentava grau de sobrepeso, tempo mínimo de diagnóstico de fibromialgia de 2 anos, todas eram trabalhadoras ativas.
TABELA 1
DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS DAS AMOSTRAS

A tabela 2 apresenta os valores dos escores dos questionários QIF, SF-36, PSQI nos diferentes domínios/componentes organizados por pacientes, médias, erro padrão, desvio padrão, e nível de significância.
TABELA 2
Média (M) e Erro-Padrão (EP) da versão final, por item (QIF)

Média (M) e Desvio-Padrão (DP) dos pacientes (P) em cada domínio do questionário (SF-36)

Score (S) dos componentes do questionário (PSQI) de cada paciente (P)

O resultado dos questionários utilizados para avaliar inicialmente os participantes apontaram níveis altos de impacto na qualidade de vida dos pacientes no enfrentamento da fibromialgia. No entanto, apesar de apresentarem melhora perceptiva após a intervenção, como se observa na tabela 2 (redução dos escores finais do QIF e PSQI, e aumento dos escores finais do SF-36), não foi possível observar significância estatística nos escores totais dos instrumentos.
Todavia, observou-se melhora significativa no aspecto enfrentamento da depressão no QIF (p=0,037) e nos aspectos sociais no SF-36 (p=0,20), além de uma melhora significativa na percepção de qualidade de vida também pelo SF-36 (0,041).
Nesta fase, o corpus textual foi submetido a uma leitura analítica (BardinGPT), identificando-se os núcleos de sentido recorrentes nas falas das participantes. A pesquisa qualitativa seguiu critérios de rigor científico conforme Bardin (2016), e utilizou a IA para análise do conteúdo.
Para etapa de análise o objetivo foi transformar as unidades de sentido (falas brutas) em categorias interpretativas robustas que permitiram responder às questões de pesquisa sobre a experiência da fibromialgia (dimensões corporais, sociais e de enfrentamento). Como resultado identificou-se um conjunto final de categorias temáticas, definição operacional de cada categoria, matriz de incidência e inferências teóricas sustentadas.
Na sequência, o quadro 2 apresenta os procedimentos técnicos passo a passo para análise do conteúdo. Não foi utilizado cálculo de concordância devido apenas um coder (pesquisador) ter feito o tratamento da transcrição, e também pela quantidade amostral, não sendo necessário análise de consenso.

A seguir, a tabela 3 apresenta a síntese de categorias, subcategorias e trechos ilustrativos, conforme o modelo proposto por Bardin e adaptado por Minayo (2012) e Franco (2018). A análise de conteúdo, segundo Bardin (2016), indicou cinco categorias centrais: vivência corporal da dor; impactos psicossociais; estratégias de enfrentamento; representações identitárias; e percepções sobre tratamento. Cada categoria foi definida operacionalmente e exemplificada com unidades de registro extraídas das transcrições.
TABELA 3
Categorias temáticas, subcategorias e codificação dos discursos analisados


Para sistematização das unidades de registro foi elaborado uma tabela expandida com a codificação das principais unidades de registro, seus respectivos códigos, categorias temáticas e significados interpretativos (Apêndice). Foram codificadas um total de 68 unidade (trechos significativos), resultando em 5 macrotemas (categorias) e 15 subtemas específicos (subcategorias derivadas).
DISCUSSÃO
O presente estudo buscou investigar os efeitos da hidroterapia por meio de um grupo terapêutico como intervenção no impacto da fibromialgia em pacientes diagnosticados. Os resultantes da pesquisa guiaram para uma análise semântica de categorias a serem o foco desta discussão e será apresentada usando como guia uma rede categórica apresentada na figura 1.
FIGURA 1
Rede semântica de categorias

Estudos recentes (OLIVEIRA et al., 2022) reconhecem a síndrome de fibromialgia como uma condição multifatorial, capaz de afetar tanto a saúde física quanto a mental, e que responde de forma favorável às terapias aquáticas e exercícios supervisionados.
A pesquisa foi realizada com mulheres adultas, devido o problema ter maior incidência no sexo feminino, na proporção de 9:1 e faixa etária entre 30 e 35 anos, não há evidências de variação entre etnias (ATHAYDE et al., 2022).
A leitura preliminar revela um discurso fortemente marcado pela experiência subjetiva da dor e pela busca de legitimidade social. As participantes constroem narrativas que articulam sofrimento físico e emocional, em uma tentativa de reconstruir o sentido de “viver com dor”.
De acordo com Bardin (2016) e Minayo (2012), essas falas constituem unidades de significação que expressam não apenas sintomas, mas modos de existência mediada pela dor — revelando dimensões simbólicas (como o desejo de “acordar sem dor”) e sociais (como o sentimento de incompreensão alheia). O estudo sugere, ainda, uma dialética entre limitação e resistência, em que as participantes reconhecem suas restrições, mas afirmam também práticas de enfrentamento e esperança.
A dor é descrita como difusa, imprevisível e totalizante, afetando o corpo como um todo e dificultando atividades cotidianas simples. Conforme Bardin (2016), essas unidades de registro revelam a dimensão sensorial e simbólica da experiência, o corpo torna-se o mediador do sofrimento e da percepção de si.
As participantes expressam retraimento social, solidão e incompreensão, evidenciando o caráter invisível da fibromialgia. A dor transcende o físico, atingindo o campo relacional. Segundo Franco (2018), o adoecimento crônico cria uma “ruptura biográfica”, forçando a reconstrução da identidade e das relações sociais.
Apesar das limitações, emergem narrativas de resistência e adaptação, uso de medicamentos, acompanhamento psicológico, grupos de apoio e espiritualidade. Gibbs (2009) destaca que tais estratégias representam mecanismos simbólicos de reordenação da vida, nos quais o sujeito tenta retomar o controle sobre o próprio corpo e destino.
As alterações do sono favorecem níveis mais elevados da dor e à intensificação dos sintomas em geral, como fadiga e rigidez matinal. Hormônios do crescimento, que possui ligação direta com manutenção e regeneração do músculo, é produzido durante o período de sono, o distúrbio do sono, portanto, tem relação direta com as dores musculares durante o dia (FERRO. 2005, SILVA et al., 2018).
As falas expressam um processo de reconstrução identitária, de uma autoimagem de impotência para uma aceitação gradual. O discurso “queria acordar um dia sem dor” simboliza não apenas a cura física, mas a busca de restituição da normalidade e da autonomia.
A literatura evidencia que pessoas com fibromialgia apresentam índices de qualidade de vida em níveis insatisfatórios, o que reforça a necessidade de intervenções que proporcionem melhor qualidade de vida para esse público (AGOSTINI et al., 2018).
Os relatos revelam ambivalência, sentimentos de acolhimento em alguns contextos e de descrédito em outros. A reabilitação física (hidroginástica, fisioterapia) aparece como espaço terapêutico e social, que promove não apenas melhora corporal, mas reintegração simbólica (reconexão com o grupo e consigo mesma).
Estudos abordam que a hidroterapia é capaz de reduzir o impacto da fibromialgia (SEVIMLI et al., 2015; AGOSTINI et al., 2018; SILVA et al., 2018). Outro fator importante é o peso corporal, o estudo de Neváres et al. (2023) evidenciou correlação positiva entre os índices de obesidade e a gravidade da síndrome, indicando que o aumento do peso corporal pode estar associado ao agravamento dos sintomas clínicos.
Tratamentos comunitários (hidroginástica/grupos) têm efeito multidimensional, as participantes relatam melhora subjetiva do sono, mobilidade e ânimo após adesão. A hidroginástica funciona não só por mecanismos físicos (aquecimento, mobilidade), mas também como espaço de validação e suporte social — fenômeno com respaldo em literatura qualitativa sobre reabilitação grupal (Flick, 2014).
A análise sugere que a fibromialgia, para essas mulheres, é vivida como uma condição totalizante, que atravessa o corpo, as emoções e as relações. A dor é real, mas socialmente contestada, gerando necessidade constante de legitimação. O enfrentamento se dá por meio de resiliência, fé e busca de sentido, constituindo um discurso de resistência frente à invisibilidade da doença.
A fibromialgia, nas falas analisadas, aparece como um fenômeno biopsicossocial: os relatos articulam sensações corporais intensas e difusas (dor, rigidez, fadiga) com efeitos emocionais (tristeza, desânimo) e sociais (retraimento, estigma). Esta integração apoia um modelo interpretativo que rompe com a dicotomia corpo/mente, reforçando a visão sistêmica descrita por Minayo (2012).
O estigma e invisibilidade do sofrimento estão bem presentes, os comentários sobre “frescura” e descrédito médico/social apontam para lacunas de legitimação que agravam o sofrimento, favoreceram estratégias de isolamento e demandam intervenção educativa comunitária e profissional.
Sobre a heterogeneidade nas trajetórias e respostas, embora categorias emergentes sejam comuns, há variação individual (ex.: algumas melhoram com exercício; outras pioram se excedem). Recomenda-se não generalizar o cuidado, privilegiando análise por casos e devires temporais. Uma possível limitação do presente estudo se deve a uma longitudinalidade curta já presente nas reavaliações.
A relação com o sistema de saúde aparece de forma ambivalente: descrédito inicial de profissionais (“ninguém acreditava em mim”); diagnósticos tardios; dificuldade de legitimar a dor; sentimento de acolhimento posterior em práticas como hidroginástica e fisioterapia. Esses achados dialogam com Minayo (2012), que descreve a importância do cuidado integral e da escuta qualificada, especialmente em condições crônicas complexas. A validação profissional aparece como elemento crucial para a reconstrução da confiança e da autonomia das participantes.
O reconhecimento do efeito positivo da hidroginástica também encontra respaldo em literatura sobre terapias baseadas em movimento e água, que destacam benefícios físicos e sociais, reforçando a percepção das participantes de que a intervenção promove “melhora em tudo — socialmente, fisicamente e emocionalmente”.
A análise reafirma que a qualidade da relação terapêutica é tão importante quanto o procedimento clínico em si — convergindo com o modelo biopsicossocial.
A seguir, o quadro 3 apresenta um resumo dos discursos codificados e suas categorias temáticas vigentes de acordo com os critérios semânticos, recorrência e pertinência ao objetivo da pesquisa.
QUADRO 3
Resumo da análise das categorias temáticas emergentes


7. CONCLUSÃO
Este estudo evidencia que a fibromialgia ultrapassa os limites biomédicos e se inscreve na esfera da experiência humana integral. Dor, identidade, relações sociais e práticas de enfrentamento se entrelaçam na construção de sentidos que definem a vida cotidiana das mulheres entrevistadas. Reconhecer essa complexidade é condição indispensável para um cuidado ético, humano e transformador.
A associação entre os efeitos físicos da água e os benefícios dos exercícios realizados em grupo promove ganhos tanto físicos quanto psicológicos, favorecendo o bem-estar geral e a socialização dos participantes.
As limitações do estudo reconhece que o número amostral e a periodicidade de intervenção são fatores a serem considerados. Portanto, recomenda-se que outros estudos sejam realizados na busca por menores índices sintomáticos da doença.
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