THE STATE OF THE ART OF FOOD INTRODUCTION IN INFANTS FROM SIX MONTHS OF AGE*
EL ESTADO DEL ARTE DE LA INTRODUCCIÓN ALIMENTARIA AL LACTANTE A PARTIR DE LOS SEIS MESES DE EDAD*
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511140714
Nicole Souza Rosa1
Diego Alex Oliveira Silva2
Priscila Carvalho Fogaça3
RESUMO
Introdução: A introdução alimentar é um marco significativo no desenvolvimento infantil, marcando a transição da amamentação exclusiva do leite materno ou fórmula infantil para os alimentos sólidos e exige atenção especializada para garantir que os primeiros passos na nutrição infantil sejam dados de forma segura e eficaz. Recomenda-se o início da alimentação complementar somente após os seis meses de vida do lactente, já que todas as necessidades nutricionais do bebê são supridas pela amamentação exclusiva sendo ela leite materno ou fórmula infantil. Objetivos: Identificar na literatura científica nacional o estado da arte da introdução alimentar em lactentes a partir de seis meses. Metodologia: Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura. As buscas pelas produções foram realizadas no mês de setembro de 2024. A base de dados estabelecidas para as buscas foram Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Periódicos CAPES utilizando respectivamente os seguintes descritores na DecS com os operadores booleanos: “Alimentação complementar “ AND “ Nutrição lactente” AND “ Lactente. Resultados: Os resultados destacam a necessidade de programas de intervenção direcionados e abordagens holísticas que reconheçam a importância da interação entre fatores fisiológicos, comportamentais e ambientais na nutrição infantil. Conclusão: Em resumo, este estudo destaca o papel multifacetado dos enfermeiros na promoção da saúde e nutrição durante a fase inicial da vida do lactente.
Descritores:Alimentação complementar, nutrição lactente, lactente.
ABSTRACT
Introduction: The introduction of solid foods is a significant milestone in child development, marking the transition from exclusive breastfeeding of breast milk or infant formula to solid foods, and requires specialized care to ensure that the first steps in infant nutrition are taken safely and effectively. It is recommended that complementary feeding be initiated only after the infant is six months old, since all of the infant’s nutritional needs are met by exclusive breastfeeding until the sixth month. Objectives: Identify in the national scientific literature the state of the art of introducing food to infants from six months of age. Methodology:This is an integrative literature review study. The searches for the publications were conducted in September 2024. The databases used for the searches were the Virtual Health Library (VHL) and CAPES Journals, using the following descriptors in DeCS with Boolean operators: “Complementary feeding” AND “Infant nutrition” AND “Infant.” Results: The results highlight the need for targeted intervention programs and holistic approaches that recognize the importance of the interaction between physiological, behavioral, and environmental factors in infant nutrition. Conclusion: In summary, this study highlights the multifaceted role of nurses in promoting health and nutrition during the early phase of infant life.
Descriptors: Complementary Feeding, Infante Nutrition, Infant
RESÚMEN
Introducción: La introducción de alimentos es un hito importante en el desarrollo infantil, que marca la transición de la lactancia materna exclusiva con leche materna o fórmula infantil a alimentos sólidos y requiere atención especializada para garantizar que los primeros pasos en la nutrición infantil se tomen de forma segura y eficaz. Se recomienda iniciar la alimentación complementaria sólo a partir de los seis meses de edad del lactante, ya que todas las necesidades nutricionales del bebé quedan cubiertas con lactancia materna exclusiva hasta el sexto mes. Objetivos: Identificar en la literatura científica nacional el estado del arte de la introducción de alimentos a los lactantes a partir de los seis meses. Metodología:Se trata de un estudio de revisión integrativa de la literatura. Las búsquedas de las publicaciones se realizaron en el mes de septiembre de 2024. Las bases de datos utilizadas para las búsquedas fueron la Biblioteca Virtual en Salud (BVS) y los Periódicos CAPES, utilizando los siguientes descriptores en DeCS con los operadores booleanos: “Alimentación complementaria” AND “Nutrición del lactante” AND “Lactante”. Resultados: Los resultados resaltan la necesidad de programas de intervención específicos y enfoques holísticos que reconozcan la importancia de la interacción entre factores fisiológicos, conductuales y ambientales en la nutrición infantil. Conclusión: En resumen, este estudio destaca el papel multifacético de las enfermeras en la promoción de la salud y la nutrición durante las primeras etapas de la vida del bebé.
Descriptores: Alimentación Complementaria, Nutrición del Lactante, Lactante.
1. INTRODUÇÃO
A introdução alimentar é um marco significativo no desenvolvimento infantil, marcando a transição da amamentação exclusiva do leite materno ou fórmula infantil para os alimentos sólidos e exige atenção especializada para garantir que os primeiros passos na nutrição infantil sejam dados de forma segura e eficaz. Recomenda-se o início da alimentação complementar somente após os seis meses de vida do lactente, já que todas as necessidades nutricionais do bebê são supridas pela amamentação exclusiva até o sexto mês, sendo ela leite materno ou fórmula infantil (Brasil, 2023).
A partir dos seis meses de vida do bebê deve-se iniciar a introdução alimentar gradual e diária de alimentos complementares, a qual deve ser baseada em alimentos in natura (Carvalho et. al.,2020). Quando os bebês começam a introdução alimentar, a oferta de novos alimentos devem ser amassados (Brasil, 2023). Os alimentos a partir dos seis meses podem ser cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes. Oferecendo-os três vezes ao dia enquanto se mantém a amamentação (Brasil, 2021).
A introdução inadequada de alimentos à dieta do lactente pode resultar em consequências danosas para a saúde, principalmente quando a oferta é realizada antes do completo desenvolvimento fisiológico. Quanto ao aspecto nutricional é desfavorável, pois aumenta o risco de contaminação e reações alérgicas interferem na absorção de nutrientes importantes do leite materno e implica em risco de desmame precoce. Por outro lado, a iniciação tardia de alimentos é desvantajosa na medida em que a partir do sexto mês o leite materno não mais atende às necessidades energéticas da criança, levando a desaceleração do crescimento e aumentando o risco de deficiência nutricional (Lopes et al, 2018).
A consulta de puericultura é uma estratégia eficaz para a vigilância do crescimento e desenvolvimento infantil, realizada por meio de ações contínuas de promoção e proteção à saúde, prevenção e detecção precoce de agravos de modo a ser essencial para a vigilância da saúde da primeira infância, destacando a educação permanente como estratégia necessária (Vieira et al., 2023).
Esse período é primordial para o desenvolvimento nutricional, sensorial e motor do bebê, adotar hábitos alimentares saudáveis desde cedo pode estabelecer uma base sólida que perdura por toda a vida. Os enfermeiros, em sua prática diária, encontram-se em uma posição única para influenciar positivamente as escolhas alimentares durante os primeiros estágios de vida, proporcionando conselhos baseados em evidências que são essenciais para o desenvolvimento saudável do bebê. No entanto, a eficácia dessas orientações e a abrangência de seu papel frequentemente são impactadas por diversos fatores, incluindo a formação profissional, recursos disponíveis e a comunicação com os pais ou responsáveis. A literatura aponta que uma introdução alimentar bem orientada pode contribuir para a prevenção de alergias alimentares, desnutrição e obesidade infantil, além de fortalecer o vínculo entre o bebê e seus cuidadores (Silva; Peixoto, 2021).
Ao considerar o ambiente dinâmico e interdisciplinar da saúde infantil, é essencial destacar a importância da colaboração entre enfermeiros e outros profissionais da saúde, como pediatras, nutricionistas e assistentes sociais. Essa interação enriquece a abordagem multidimensional necessária para uma introdução alimentar eficaz. Enfermeiros, com seu conhecimento especializado e frequente contato com famílias, estão bem posicionados para liderar essa frente, integrando e coordenando os esforços para garantir que cada criança tenha o melhor início possível na alimentação. Além disso, a capacidade de adaptar estratégias educativas às necessidades culturais, socioeconômicas e individuais de cada família é um aspecto fundamental que potencializa o impacto das intervenções (Mendes et al., 2023).
O enfermeiro precisa realizar uma avaliação mais aprofundada, utilizando o método recordatório alimentar das últimas 24 horas, para se ter melhor detalhamento sobre o consumo alimentar do dia anterior por completo, a frequência de sua alimentação na última semana e a forma de preparo e consistência dos alimentos. Sendo o enfermeiro o transmissor do conhecimento, o profissional deve orientar pais e cuidadores a evitarem alimentos ultraprocessados, industrializados e açucarados. O enfermeiro possui papel importante, visto que sua atuação nas consultas de puericultura está baseada em ações educativas e de orientação (Modes; Gaíva; Monteschio, 2020).
Portanto, este trabalho visa não apenas destacar a importância clínica e educativa do enfermeiro, mas também contribuir para uma melhor compreensão de como esses profissionais podem ser empoderados e equipados para melhorar os resultados de saúde e bem-estar na primeira infância. Espera-se que este estudo identifique práticas eficazes e destaque áreas que requerem atenção adicional, oferecendo assim diretrizes para políticas de saúde e práticas aprimoradas de cuidados infantis. Diante disso, essa temática me motivou a compreender melhor sobre o assunto, eu como mãe de um bebê e futura enfermeira procuro contribuir para a saúde e bem estar tanto do meu filho como dos pacientes e outros bebês ajudando-os a receber nutrientes necessários para crescerem fortes e saudáveis.
Este trabalho tem como objetivo Identificar na literatura científica nacional o estado da arte da introdução alimentar em lactentes a partir de seis meses. A atuação desses profissionais é essencial para assegurar que a introdução alimentar seja realizada de maneira segura, adequada e que promova hábitos alimentares saudáveis (Alarcão et al.,2023).
Diante do exposto, faz-se o seguinte questionamento: Qual o estado da arte da introdução alimentar em lactentes a partir de seis meses no Brasil?
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura baseada em artigos, este método é utilizado na área da saúde para sintetizar evidências científicas na área da saúde, identificar lacunas do conhecimento e orientar futuras pesquisas.
O processo de construção do estudo seguirá as seis etapas estabelecidas para elaboração da revisão integrativa conforme Mendes, sendo elas: (a) identificação do tema (b) elaboração da pergunta norteadora, (c) estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão de estudos, (d) definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados, (e)interpretação/ discussão dos resultados, (f)apresentação da revisão/ síntese do conhecimento (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).
Para nortear a pesquisa formulou-se a seguinte questão: Qual o estado da arte da introdução alimentar em lactentes a partir de seis meses no Brasil?
As bases de dados estabelecidas para a busca foram Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Periódicos CAPES.
A partir da questão norteadora, as buscas nas bases de dados foram realizadas utilizando respectivamente um termo e dois descritores indexadas nos Descritores em Ciências da Saúde(DeCS) com operador de proximidade e os operadores booleanos: AND (OR ou NOT) “Alimentação complementar “ AND “ Nutrição lactente” AND “ Lactente”. A busca pelos estudos foi realizada em setembro de 2024. Nesta etapa foram encontrados 72 resultados. Na base de dados BVS foram encontrados 71 resultados e na CAPES foram encontrados 1 resultado.
Foram incluídos no estudo os artigos publicados no ano de 2019 a 2024 na língua portuguesa que estiveram disponíveis na íntegra e que abordassem o tema.
Foram excluídos os estudos que não tratavam diretamente o tema da pesquisa, artigos de revisão, guidelines, tese, resumo de anais.
Após leitura dos resumos, foram identificados 53 artigos que não contemplavam o tema. Nos resultados estavam presentes 10 artigos repetidos. Nesta etapa após aplicado os critérios preconizados foram pré-selecionados 19 artigos. Após leitura dos artigos na íntegra foram selecionados 4 artigos que respondem a pergunta norteadora para compor a amostra.
Os artigos selecionados foram submetidos a uma minuciosa leitura. Suas proporções de análise foram as seguintes: (a) ano de publicação; (b) fonte de publicação; ( c) tipo de estudo; (d) amostra; (e) objetivos e (f) principais resultados. Os resultados oriundos dessa leitura foram organizados na tabela 1, contendo seis dimensões de análise, a fim de possibilitar a categorização dos mesmos. Já na Tabela 2 e na Tabela 3 se encontram, respectivamente, a categorização dos artigos recuperados quanto a seus objetivos e principais resultados. Os dados da literatura revisada foram discutidos e analisados.
Os resultados dos artigos foram sintetizados, interpretados e organizados em quatro categorias de acordo com os conteúdos predominantemente: Diversidade Alimentar; Consistência Alimentar; Açúcar; Alimentos Ultraprocessados.
As informações adquiridas visam proporcionar compreensão ampla e crítica das informações coletadas baseadas em evidências científicas, voltadas para o desenvolvimento infantil na introdução de qualidade de alimentos em bebês a partir dos seis meses e, ao mesmo tempo, ressaltar a importância do enfermeiro em estar apto e qualificado para fazer esse acompanhamento junto com a família e equipe multiprofissional.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Tabela 1 – Categorização dos artigos recuperados quanto à identificação, ano de publicação, fonte, tipo de estudo, amostra (n=4).

Tabela 2 – Categorização dos artigos recuperados quanto aos objetivos (n=4)


Tabela 3 – Categorização dos artigos recuperados quanto aos principais resultados (n = 4)

4.1 Diversidade Alimentar
O artigo 1 , traz uma pesquisa realizada no estado de São Paulo na cidade de Jacareí com 290 lactentes com idades entre 6 e 12 meses a qual objetivou identificar as práticas alimentares e a promoção da alimentação complementar. Esse estudo identificou que das crianças estudadas, apresentavam introdução alimentar adequada apenas 24,2% dos participantes com idade entre 6 e 7 meses e 29,6% das crianças de 6 a 9 meses de idade no que tange a frequência alimentar mínima.
No que relaciona-se aos tipos de alimentos oferecidos, a pesquisa 2, realizada com 51 crianças com idades entre 6 meses e 2 anos no estado de Santa Catarina identificou que no dia anterior à pesquisa 74,5% das crianças consumiram frutas; 72,5% ingeriram legumes; 80,4% carnes ou ovos; 84,3% feijão e 98% haviam consumido arroz ou batata, ou inhame ou aipim, farinha ou macarrão.
Corroborando com estes achados, o Ministério da Saúde do Brasil, refere que uma alimentação adequada e com diversidade dos alimentos precisa levar em conta os seus impactos sobre o ambiente e formas a serem ofertadas para a criança. Alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados sendo eles leguminosas(feijão), cereais (arroz branco), raízes e tubérculos( mandioca, aipim), legumes,(cenoura) e verduras(alface), frutas(mamão), carne e ovos, leites, oleaginosas(castanha), havendo um consumo adequado estes alimentos propiciam saúde, visto que são ricos em nutrientes (Brasil, 2020).
O Enfermeiro tem o dever de orientar os pais e cuidadores a forma de melhor estimular a criança colocando para alimentar junto com a família, deixando-a livre para pegar nos alimentos, deixando o prato atrativo, cheiroso, isso motiva a criança comer, é de extrema necessidade interagir, falando o nome dos alimentos que está sendo oferecido, se dedicar e ter paciência nesse momento, estar sempre elogiando ao consumir as refeições, nunca forçar a criança a comer se ela estiver satisfeita, evitar ligar a televisão, tablet, etc, enquanto a criança se alimenta (Brasil, 2019).
Os alimentos complementares devem ser oferecidos gradualmente, um de cada vez, de 3 a 7 dias. É normal que o bebê recuse os novos alimentos . Em média a criança precisa ser exposta ao alimento de 8 a 10 vezes para que o aceite bem (Monte; Giugliani 2004). A melhor forma de saber se a quantidade de alimentos está apropriada deve ser avaliando o crescimento da criança, pela Caderneta da Criança onde os profissionais de saúde registram o peso e altura na curva do crescimento (Brasil, 2019).
4.2 Consistência Alimentar
No que tange à consistência alimentar o artigo 1 avaliou a frequência alimentar mínima e a consistência adequada dos alimentos oferecidos às crianças com idade entre 6 a 12 meses, destas 68,6% recebiam os alimentos de forma apropriada. Em relação à consistência dos alimentos oferecidos, o estudo 3 foi elaborado no estado de Minas Gerais com 22 pais ou responsáveis de crianças entre 13 e 24 meses e constatou que no início da introdução alimentar uma criança recebia o alimento em forma de pedaço, 16 de forma amassada, uma na forma amassada e peneirado e duas na textura peneirada. Sobre a forma da oferta dos alimentos o estudo 3 encontrou os seguintes resultados: 12 crianças recebiam os alimentos de forma misturada; para uma os alimentos eram oferecidos separados e misturados e sete dos participantes relataram oferecer os alimentos separados.
No que tange a essa categoria, é recomendado que no início da introdução alimentar os alimentos sejam oferecidos de forma amassada e posteriormente picados em pedaços pequenos, raspados ou desfiados. Não há indicação de prepará-los na forma líquida, utilizando liquidificador, mixer ou peneira (Brasil, 2021).
4.3 Açúcar
No que diz respeito à ingestão de açúcar, o artigo 2 evidenciou o consumo de bebidas adoçadas em 42,5% das crianças pesquisadas. Já no estudo 4, o consumo de bebidas adoçadas identificado foi significativamente maior, atingindo 72,5%. Esses dados sugerem uma tendência preocupante no aumento de consumo de açúcar, principalmente bebidas adoçadas entre a população infantil e como esses hábitos podem impactar negativamente a saúde ao longo da vida.
As crianças brasileiras consomem de forma habitual açúcar adicionado, principalmente através de alimentos ultraprocessados. Um estudo realizado por Silva et.al (2022) constatou que 60% das crianças brasileiras fazem esse consumo. Esses hábitos alimentares precoces estão associados à obesidade infantil, cáries dentárias e outros distúrbios metabólicos, favorecendo hábitos alimentares não saudáveis na vida adulta. Seu consumo excessivo tem decorrido o aumento exacerbado de peso na população pediátrica, o que favorece o desenvolvimento precoce de doenças crônicas não transmissíveis, como a diabetes e a hipertensão arterial (Reis et al., 2022).
Conforme os estudos se faz necessário intervenções no consumo excessivo de açúcar na primeira infância no Brasil, este tema é uma questão de saúde pública que demanda atenção urgente. Diante desse cenário, torna-se fundamental a implementação de intervenções eficazes para reduzir o consumo de açúcar entre as crianças, incluindo políticas que regulamentem a publicidade infantil de alimentos.
Essas regulamentações podem limitar estratégias de marketing que promovam produtos ricos em açúcar e incentivar a divulgação de alimentos saudáveis, contribuindo para um ambiente mais propício à formação de hábitos saudáveis.
4.4 Alimentos Ultraprocessados
Segundo os dados encontrados no artigo 1, os entrevistados que tinham de 6 a 12 meses na cidade de São Paulo tinham consumido precocemente algum Alimento Ultraprocessado (AUP) chegando a 51,7% de prevalência. O elevado consumo de AUP evidenciou a necessidade das intervenções não serem singular, apenas com as crianças mas com toda a família, visto que o hábito familiar reflete no consumo alimentar da criança.
No artigo 2, a ingestão de iogurte ocorreu por 66,7% das crianças avaliadas, sendo assim os ultraprocessados foram associados ao baixo nível de escolaridade materno, foram encontradas associações significativas entre a condição materna de trabalho fora do lar e o maior consumo de embutidos. Em relação ao artigo 4, realizado em Foz do Iguaçu, traz uma abordagem qualitativa mostrando a perspectiva dos profissionais e preconizando suas orientações sobre alimentação complementar e que seja ofertado a todos os grupos alimentares. Nessa pesquisa, uma mãe relata que o profissional de saúde orientou que poderia ser introduzido os alimentos mas que tinha que ter cuidado com os industrializados o açúcar, o sal e o “Danoninho” que muitas mães oferecem.
Convergindo com estes achados, um estudo realizado em Minas Gerais que avaliou o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças menores de 24 meses de idade e seus fatores associados trás que o consumo de ultraprocessados chegou a 74,3%. As crianças com idade superior a seis meses já utilizavam em seu cotidiano algum tipo de alimento ultraprocessado como queijo petit suisse, e que 67% das mães destes não trabalhavam fora de casa (Lopes et al., 2020).
Os alimentos ultraprocessados são produzidos industrialmente, de diversas técnicas e etapas de processamento, com pouca ou nenhuma quantidade de produto in natura ou minimamente processado (Brasil, 2021). A Sociedade brasileira de pediatria orienta que para diminuir o consumo de ultraprocessados deve-se evitar comprá-los e tê-los em casa.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo exigiu uma análise mais aprofundada em razão da escassez de evidências sobre o assunto, enquanto se encontra uma vasta gama de estudos sobre o aleitamento materno, os estudos sobre a introdução alimentar ainda são bem limitados. A diversidade alimentar e a consistência alimentar são aspectos fundamentais no modo de introduzir os alimentos na dieta infantil. A introdução gradual dos alimentos com diferentes texturas auxilia no desenvolvimento de habilidades motoras, orais e a preparar o bebê para uma alimentação mais complexa.
Os resultados obtidos indicam uma correlação direta entre o consumo excessivo de açúcar e ultraprocessados, relacionado com possíveis consequências à saúde como aumento do risco para obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e outras doenças relacionadas com o seu consumo elevado já nos primeiros anos de vida e que podem perdurar por toda ela. Os estudos evidenciam a falta de entendimento e conscientização entre familiares e cuidadores a respeito do consumo destes alimentos e os malefícios a longo prazo para a saúde de seus filhos.
Os profissionais de saúde e principalmente os enfermeiros devem progressivamente ser capacitados quanto à introdução alimentar, visto que são os profissionais que desempenham um papel primordial no atendimento direto aos pacientes. Medidas educativas e políticas de saúde públicas devem ser necessárias para amenizar esses hábitos alimentares prejudiciais à saúde. Por isso os enfermeiros devem estar atualizados e habilitados para orientar pais e cuidadores sobre a importância desse processo e como implementá-lo de forma adequada, garantindo uma alimentação eficaz e saudável.
Por fim, este estudo ressalta a necessidade de pesquisas com amostras maiores e um enfoque mais preciso diante da introdução alimentar, além da formação de profissionais qualificados para promover hábitos alimentares saudáveis desde a primeira infância. Estas medidas podem ter efeitos duradouros na saúde no Brasil.
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*Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Enfermeira
1Aluna do Curso de Enfermagem da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) Canoas/RS. E-mail: nicole.rosa@rede.ulbra.br
2Enfermeiro, mestre e professor do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) Canoas/RS. E-mail: diego.dasilva@ulbra.br
