NURSING FOLLOW-UP OF PATIENTS WITH TUBERCULOSIS IN PRIMARY HEALTH CARE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202601071542
Gerusa da Costa Barbosa1
Gloria do Carmo dos Santos Souza1
Yasmin Danielle Botelho Santana1
Esther Lobato Brito2
Amanda Loyse da Costa Miranda3
Tainá Sayuri Onuma de Oliveira4
Resumo
Introdução: A tuberculose (TB) continua sendo um problema de saúde pública no Brasil, associada a determinantes sociais como pobreza, vulnerabilidade e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel fundamental na prevenção, diagnóstico precoce, acompanhamento do tratamento e promoção da adesão terapêutica. Objetivo: analisar a atuação do enfermeiro da Atenção Básica no acompanhamento terapêutico do paciente com tuberculose, a partir das evidências disponíveis na literatura científica. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com busca de artigos publicados entre os anos de 2020 e 2025 nas bases PubMed, SciELO e LILACS. Foram incluídos estudos que abordassem a atuação do enfermeiro na APS no manejo da tuberculose. Os dados foram organizados segundo categorias temáticas relacionadas às ações de enfermagem. Resultados: A análise dos estudos evidenciou que a enfermagem realiza acompanhamento clínico, educação em saúde, visitas domiciliares e supervisão do Tratamento Diretamente Observado (TDO). Essas práticas contribuem para melhorar a adesão ao tratamento, fortalecer o vínculo com o paciente e reduzir a transmissão da doença na comunidade. Conclusão: Os resultados indicam que a atuação da enfermagem é estratégica para o controle da TB na APS. A integração entre equipe de saúde, capacitação contínua e abordagem centrada no paciente potencializa a eficácia das ações de cuidado, promovendo integralidade e continuidade assistencial. Conclusão: O fortalecimento da atuação do enfermeiro na APS é essencial para o controle da tuberculose, contribuindo para a adesão ao tratamento, prevenção da transmissão e promoção de cuidado integral aos pacientes.
Palavras-chave: Tuberculose. Atenção Primária à Saúde. Enfermeiro. Tratamento. Adesão.
1 INTRODUÇÃO
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui o nível organizador do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo responsável pela coordenação do cuidado e pela resolução da maior parte das demandas de saúde da população. Como principal porta de entrada da rede, a APS desempenha papel decisivo no enfrentamento de doenças transmissíveis, entre elas a tuberculose (TB), que permanece como importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, sobretudo em contextos marcados por desigualdades sociais (Brasil, 2023; Organização Mundial da Saúde, 2023).
A TB, embora prevenível e tratável, apresenta elevados índices de adoecimento e mortalidade, especialmente entre grupos vulneráveis, como pessoas em situação de pobreza, população privada de liberdade e indivíduos vivendo com HIV. A persistência da doença está relacionada a fatores socioeconômicos, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, abandono terapêutico e estigma social, o que torna a APS um espaço estratégico para intervenções precoces, humanizadas e contínuas (Brasil, 2024; Maciel; Reis-Santos, 2015).
No contexto da APS, o enfermeiro desempenha funções centrais no cuidado ao paciente com TB, atuando na detecção de sintomáticos respiratórios, solicitação de exames, educação em saúde, acompanhamento clínico e realização do Tratamento Diretamente Observado (TDO), estratégia recomendada pelo Ministério da Saúde para garantir adesão e evitar resistência medicamentosa (Santos et al., 2022; Silva et al., 2021). Além disso, sua prática envolve visitas domiciliares, escuta qualificada e orientação individualizada, permitindo compreender o impacto dos determinantes sociais no processo saúde-doença e adaptar intervenções às necessidades de cada usuário.
A complexidade da TB exige do enfermeiro uma atuação integrada entre vigilância epidemiológica, cuidado clínico e ações educativas, permitindo a construção de vínculos e a continuidade do tratamento. Assim, estudar como se organiza esse acompanhamento é fundamental para fortalecer a qualidade da atenção, reduzir o abandono terapêutico e melhorar os indicadores da doença no país. A literatura aponta que a efetividade das políticas de controle da TB depende diretamente da atuação qualificada da equipe de enfermagem, que possui contato direto e frequente com os usuários (Souza et al., 2022).
Dessa maneira, a presente pesquisa justifica-se pela relevância da atuação do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde, especialmente no contexto do controle da tuberculose, uma vez que esse profissional desempenha papel fundamental na detecção precoce, no acompanhamento terapêutico e na prevenção da transmissão. Além disso, torna-se imprescindível compreender de forma aprofundada como suas práticas assistenciais contribuem para a adesão ao tratamento, para a organização do cuidado e para a articulação das ações no território. A investigação também se justifica pela necessidade de subsidiar estratégias que qualifiquem o acompanhamento clínico, a educação em saúde e o fortalecimento das redes de cuidado, promovendo melhorias na assistência prestada às pessoas acometidas pela tuberculose.
Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a atuação do enfermeiro da Atenção Básica no acompanhamento terapêutico do paciente com tuberculose, a partir das evidências disponíveis na literatura científica, buscando, de modo específico, identificar as atribuições desse profissional no manejo da doença conforme as diretrizes do SUS e discutir as estratégias empregadas para potencializar a adesão ao tratamento e reduzir a transmissão da tuberculose no âmbito da Atenção Primária à Saúde.
2 REVISÃO DA LITERATURA
Referencial teórico
A TB permanece como uma das infecções de maior relevância epidemiológica no cenário global, apesar de ser conhecida há milênios e de existirem tratamentos efetivos. A identificação do Mycobacterium tuberculosis por Robert Koch, em 1882, representou um divisor de águas para o desenvolvimento de ações diagnósticas e terapêuticas, mas a doença continua profundamente associada a determinantes sociais, especialmente pobreza, condições inadequadas de moradia, desigualdade e barreiras no acesso aos serviços de saúde (WHO, 2023). Assim, a persistência da TB não é apenas resultado da dinâmica biológica do agente infeccioso, mas também da vulnerabilidade social e estrutural de populações expostas a contextos de marginalização.
Mesmo com terapias eficazes, os indicadores globais demonstram a magnitudade do problema: em 2022, mais de 10 milhões de pessoas adoeceram e cerca de 1,3 milhão foram a óbito por TB, o que evidencia a sua posição como uma das principais causas de morte por doença infecciosa (WHO, 2023). Além disso, a emergência de cepas resistentes, como a tuberculose multirresistente (TB-MDR) e a extensivamente resistente (TB-XDR), representa um desafio adicional, pois exige tratamentos mais longos, complexos e com maior custo, ampliando a carga da doença e a necessidade de estratégias inovadoras (Dheda et al., 2024).
No Brasil, a situação epidemiológica reflete desigualdades históricas e regionais. O país integra a lista das 30 nações com maior carga de TB, com cerca de 78 mil novos casos registrados em 2022 (Brasil, 2023). A distribuição, entretanto, é heterogênea: regiões Norte e Nordeste apresentam incidência elevada, influenciada por precariedade habitacional, dificuldades de acesso à atenção primária e desigualdade socioeconômica; já nas regiões Sul e Sudeste, o maior número absoluto de casos se relaciona à elevada densidade populacional e aos bolsões de vulnerabilidade nos grandes centros urbanos. Em áreas rurais e entre populações indígenas, o diagnóstico tardio e as barreiras culturais e geográficas configuram desafios adicionais (Souza et al., 2022).
A resposta à TB no Brasil é organizada principalmente por meio do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), que orienta ações de vigilância, diagnóstico e tratamento. O Tratamento Diretamente Observado (TDO) permanece como estratégia prioritária, ao garantir a ingestão supervisionada de medicamentos e reduzir o abandono terapêutico, um dos fatores mais críticos na persistência da transmissão e na emergência de resistência medicamentosa (Brasil, 2019). O esquema terapêutico padrão, composto pela combinação de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, permanece eficaz quando a adesão é adequada. Avanços recentes também introduziram regimes encurtados para tuberculose resistente, reduzindo tratamentos de até dois anos para cerca de seis meses, o que representa um marco importante no enfrentamento da doença (OMS, 2023).
Em convergência com o cenário internacional, o Brasil adota as diretrizes da End TB Strategy, que propõe metas ambiciosas de eliminação da tuberculose como problema de saúde pública até 2035. A estratégia fundamenta-se em três pilares: atenção centrada na pessoa, políticas de proteção social e fortalecimento da pesquisa e inovação (Brasil, 2021). Esses pilares reforçam que o enfrentamento da TB exige ações multissetoriais, que integrem cuidados clínicos, combate às desigualdades, vigilância epidemiológica e desenvolvimento de novas tecnologias diagnósticas e terapêuticas.
Nesse contexto, a atuação do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde (APS) é central e estratégica. O profissional participa desde a suspeição clínica inicial e solicitação de exames, como baciloscopia, teste rápido molecular e radiografia, até a condução do TDO, educação em saúde, acompanhamento da adesão e vigilância de contatos (Silva; Almeida, 2021).
O Protocolo de Enfermagem na APS reforça a autonomia clínica do enfermeiro, fortalecendo sua capacidade resolutiva no território (Brasil, 2024). Estudos recentes demonstram que práticas de enfermagem bem estruturadas contribuem para a detecção precoce, redução de abandono, melhores desfechos clínicos e interrupção da cadeia de transmissão (Souza et al., 2023).
Além disso, a literatura destaca que o trabalho do enfermeiro é atravessado por desafios significativos, como recursos limitados, estigmatização social da TB, complexidade da gestão do cuidado e necessidade de capacitação contínua (Ferreira et al., 2022). A presença desses desafios evidencia que o controle da TB requer não apenas conhecimento técnico-científico, mas também competências relacionais, educativas e de gestão territorial.
Nesse sentido, a enfermagem configura-se como protagonista na resposta à tuberculose, articulando ações clínicas, educativas e sociais que garantem continuidade do cuidado, ampliam o acesso e fortalecem o papel da APS como coordenadora do cuidado. A força da atuação do enfermeiro reside justamente em sua capacidade de integrar o acompanhamento clínico, a vigilância ativa e a educação em saúde a uma abordagem centrada na pessoa e no contexto comunitário.
3 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de revisão integrativa da literatura, com o objetivo de analisar a atuação do enfermeiro na APS no manejo da tuberculose, especialmente no que se refere às estratégias de adesão ao tratamento e ao estabelecimento de vínculo terapêutico. A revisão integrativa foi escolhida por permitir a síntese de diferentes tipos de estudos e subsidiar a incorporação de evidências científicas à prática em saúde (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).
A pesquisa foi norteada pela questão: Quais são as principais estratégias utilizadas pelos enfermeiros da APS no cuidado a pacientes com tuberculose? Seguiram-se as seis etapas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008): definição da questão de pesquisa; busca na literatura; seleção dos estudos; avaliação crítica; análise e interpretação dos dados; e apresentação dos resultados.
As buscas foram realizadas nas bases SciELO, Web of Science, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), no período de agosto a setembro de 2025. Foram incluídos artigos completos, publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês ou espanhol, que abordassem a atuação do enfermeiro no manejo da tuberculose na APS, utilizando os descritores “tuberculose”, “enfermeiro”, “Atenção Primária à Saúde”, “Tratamento Diretamente Observado” e “adesão ao tratamento”, combinados pelo operador booleano AND. Excluíram-se estudos indisponíveis na íntegra, duplicados ou que não abordassem diretamente o objeto da pesquisa.
A coleta de dados foi realizada com auxílio de formulário baseado em Ursi (2006), contendo informações referentes ao diagnóstico, tratamento, práticas de adesão e vínculo terapêutico. Os dados foram organizados em categorias temáticas e analisados segundo a técnica de análise de conteúdo de Bardin (2011), contemplando as etapas de pré-análise, exploração do material e interpretação dos resultados.
Por se tratar de revisão, o estudo dispensa apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa, mantendo, contudo, rigor ético e respeito aos direitos autorais, conforme normas da ABNT. Os resultados serão divulgados em eventos científicos e submetidos à publicação.
A Tabela 1 demonstra o fluxo realizado durante a seleção dos estudos para essa pesquisa.
Figura 1 – Fluxograma de seleção dos estudos, conforme PRISMA 2020.

Fonte: Autoras, 2025.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A revisão integrativa resultou na seleção de 20 estudos que atenderam aos critérios de inclusão, publicados entre 2020 e 2025. A maioria dos trabalhos utilizou abordagens qualitativas ou estudos descritivos, predominando pesquisas realizadas no contexto da APS. As informações dos estudos são apresentadas segundo título do artigo, autores, ano de publicação, objetivo, tipo de estudo, país, principais achados, base de dados e revista, como observa-se no quadro 1, a seguir:
Quadro 1 – Caracterização dos estudos incluídos na revisão integrativa.
| N | Título do artigo | Autores/ Ano e País | Objetivo | Tipo de estudo | Base de dados | Revista |
| 1 | A visita domiciliar como ferramenta promotora de cuidado na Estratégia Saúde da Família | Ramon Martins Gomes et al. (2021), Brasil. | Analisar, a partir da literatura científica, o papel da visita domiciliar enquanto ferramenta promotora de cuidado na ESF. | Revisão integrativa da literatura | BVS | Research, Society and Developmen t |
| 2 | Avaliação das estratégias de prevenção e controle da tuberculose no contexto da atenção primária à saúde | Mariana Cristina Mendes Almeida et al. (2025), Brasil. | Avaliar as estratégias utilizadas na APS voltadas à prevenção e controle da TB, identificando desafios e potencialidades no contexto brasileiro. | Revisão integrativa da literatura | BVS | REVISTA ARACÊ |
| 3 | Percepções de enfermeiros e doentes sobre A adesão ao tratamento diretamente Observado em tuberculose | Marune Melo Távora et al. (2021), Brasil. | Analisar os fatores intervenientes na adesão ao TDO em TB, na percepção de doentes e de enfermeiros de unidades básicas de saúde. | Pesquisa qualitativa descritiva com participação de 13 enfermeiros e 52 doentes de 12 UBS de Belém-Pará, Brasil. | SciELO | Cogitare Enfermagem |
| 4 | Atuação do enfermeiro na atenção básica frente ao paciente com tuberculose e hanseníase: desafios e perspectivas | Maria Vitalina Alves de Sousa Maria Isabelle Brito et al. (2024), Brasil. | Analisar a atuação do enfermeiro na AB frente aos pacientes com TB e hanseníase, destacando os principais desafios enfrentados e as perspectivas para qualificação do cuidado. | Revisão integrativa da literatura | BVS | Revista Brasileira de Atualizações em Ciências e Saúde (REAC) |
| 5 | Percepções de enfermeiros sobre gestão do cuidado e seus fatores intervenientes para o controle da tuberculose | Silva, F. O. et al. (2022), Brasil. | Analisar as percepções de enfermeiros sobre gestão do cuidado e seus fatores intervenientes para o controle da TB na APS. | Estudo descritivo, qualitativo, realizado com 29 enfermeiros que atuavam no controle da TB em 23 UBS de Belém, Pará. | SciELO | Revista da Escola Anna Nery |
| 6 | Tecnologias para a educação no trabalho de enfermeiros sobre tuberculose multirresistente na atenção primária: revisão sistemática | Sibele Naiara Ferreira Germano et al. (2023), Brasil. | Identificar na literatura científica as tecnologias usadas para educar enfermeiros que geram conhecimento sobre TB multirresistente na APS. | Revisão sistemática | BVS | Revista Eletrônica Acervo Saúde |
| 7 | Conhecimento sobre cuidados de enfermagem em pessoas com Tuberculose drogarresistente na atenção primária à saúde | Sibele Naiara Ferreira Germano et al. (2024), Brasil. | Identificar, em contexto prático, os conhecimentos de enfermeiros da APS à saúde sobre os cuidados com pessoas em tratamento de TB drogarresistente. | Pesquisa qualitativa, realizada com 26 enfermeiros da APS do Distrito de Saúde Sul em Manaus, Amazonas. | SciELO | Enfermagem em Foco |
| 8 | Cuidados de enfermagem à pessoa com tuberculose na atenção primária de saúde | Cynthya Lays Batista Barroso de Sousa et al. (2024), Brasil. | Descrever os cuidados de enfermagem na rede primária de atenção à pessoa com TB a partir de uma revisão integrativa. | Revisão Integrativa da Literatura. | BVS | Revista Eletrônica Acervo Saúde |
| 9 | O papel do enfermeiro na busca ativa de pacientes em abandono do tratamento de tuberculose: uma revisão integrativa da literatura | Denise Silva Araújo et al. (2020), Brasil. | Descrever através de uma revisão sobre o papel do profissional enfermeiro na busca ativa de pacientes no abandono do tratamento de TB pulmonar. | Revisão Integrativa da Literatura. | BVS | Revista Eletrônica Acervo Saúde |
| 10 | Ações de enfermagem promotoras da adesão ao tratamento da tuberculose: revisão de escopo | Priscila Tadei Nakata Zago et al. (2021), Brasil. | Analisar as ações de promoção da adesão ao tratamento da TB que vêm sendo realizadas pela enfermagem em diferentes países. | Revisão de escopo | SciELO | Revista Escola de Enfermagem da USP |
| 11 | Prevalência do não recebimento de visita domiciliar pelo Agente Comunitário de Saúde no Brasil e fatores associados | Marciane Kessler et al. (2021), Brasil. | Identificar a prevalência de não recebimento de visita domiciliar por Agente Comunitário de Saúde (ACS) e os fatores associados. | Estudo transversal realizado com 38.865 equipes e 140.444 usuários em todo o território nacional, que participaram da avaliação externa do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica | SciELO | Ciência & Saúde Coletiva |
| 12 | Contribuições do enfermeiro no autocuidado ao paciente com Tuberculose multirresistente na atenção primária à saúde | Miriam Maria Ferreira Guedes et al. (2024), Brasil. | Compreender as ações do enfermeiro no autocuidado do paciente com TB multirresistente. | Revisão bibliográfica narrativa | BVS | Revista Ibero- Americana de Humanidade s, Ciências e Educação- REASE |
| 13 | Avaliação do desempenho dos serviços de atenção primária à saúde no controle da tuberculose em metrópole do Sudeste do Brasil | Juliana Veiga Costa Rabelo et al. (2020), Brasil. | Avaliar o desempenho dos serviços de APS em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, em relação às ações de controle da tuberculose nos eixos Estrutura e Processo, antes e após a utilização do instrumento validado denominado Estratificação por Grau de Risco Clínico e de Abandono do Tratamento da TB (ERTB). | Estudo descritivo e prospectivo, no qual foram realizadas duas entrevistas (455 profissionais), tendo a segunda ocorrido após a ERTB. | SciELO | Cadernos de Saúde Pública |
| 14 | Atuação do enfermeiro no tratamento de paciente com tuberculose na Atenção Primária à Saúde | Eduarda Gomes Torquato Rodrigues et al. | Analisar o desempenho do enfermeiro no tratamento da TB na APS, destacando adesão terapêutica, acolhimento e promoção da saúde. | Revisão de literatura | PubMed, SciELO | Revista Ibero- Americana de Humanidade s, Ciências e Educação – REASE |
| 15 | Atuação do enfermeiro no controle da tuberculose na saúde primária no Amazonas: revisão de literatura | Lazarina Teixeira Reis et al. (2024), Brasil. | Analisar a atuação do enfermeiro no controle da TB pulmonar na APS no Amazonas. | Revisão integrativa da Literatura | BVS | Brazilian Journal of Implantolog y and Health Sciences |
| 16 | Letramento em saúde como ferramenta estratégica da enfermagem para a resposta à tuberculose | Isadora Gabriella Silva Palmieri1et al. (2025), Brasil. | Identificar estratégias de letramento em saúde adotadas por enfermeiros no cuidado à TB, considerando sua aplicabilidade, efetividade e relevância para a prática profissional. | Revisão integrativa da Literatura | SciELO | Enfermagem em Foco |
| 17 | Abandono do tratamento da tuberculose no Brasil, 2012– 2018: tendência e distribuição espaço-temporal | Vanessa Moreira da Silva Soeiro et al. (2022), Brasil. | Analisar a tendência e a distribuição espaço-temporal dos casos novos de TB que abandonaram o tratamento no Brasil, notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação no período de 2012 a 2018. | Estudo epidemiológico de análise espacial | PubMED e SciELO | Ciência & Saúde Coletiva |
| 18 | Atuação do enfermeiro acerca da tuberculose na Atenção Primária à Saúde: revisão de literatura | Marina Gomes Martellet et al. (2020), Brasil. | Analisar a atuação deste profissional da APS nas dimensões “enfoque na família” e “orientação para a comunidade acerca da TB”. | Revisão integrativa da Literatura | SciELO | Revista de Epidemiolog ia e Controle de Infecção |
| 19 | Tuberculose drogarresistente: revisão integrativa dos cuidados de enfermagem na atenção primária à saúde | Sibele Naiara Ferreira Germanoet al. (2024) | Identificar, na literatura científica, os cuidados que devem ser prestados às pessoas com TB drogarresistente pelos enfermeiros na APS | Revisão integrativa da Literatura | PubMED e SciELO | Revista Brasileira de Enfermagem |
| 20 | Vulnerabilidade e estratégias de adesão ao tratamento da tuberculose: discurso Vulnerabilidade e estratégias de adesão ao tratamento da tuberculose: discurso Vulnerabilidade e estratégias de adesão ao tratamento da tuberculose: discurso dos enfermeiros da atenção primária | Jonh Jorge Costa Barros et al. (2021), Brasil | Identificar as estratégias dos enfermeiros para potencializar a adesão de pacientes em tratamento de tuberculose diante de suas vulnerabilidades ao abandono. | Estudo descritivo de abordagem qualitativa, realizado com 13 enfermeiros da APS de um município do Ceará, Brasil. | SciELO | Revista de Enfermagem da UFSM |
Fonte: Autoras, 2025.
A seguir, são apresentados no quadro 2 os principais achados identificados nos estudos analisados, organizados de forma a sintetizar as contribuições, enfoques temáticos e evidências relacionadas à atuação do enfermeiro no manejo da tuberculose na Atenção Primária à Saúde. O quadro permite visualizar de maneira objetiva os aspectos recorrentes na literatura, destacando intervenções, desafios, estratégias de cuidado e elementos que influenciam a adesão terapêutica e a continuidade do tratamento.
Quadro 2 – Principais achados dos estudos selecionados.
| N | Principais achados |
1 | Evidenciou-se que a visita domiciliar é uma ferramenta imprescindível de trabalho da APS e que viabiliza a organização da ESF, por meio da inserção dos trabalhadores de saúde nos espaços familiares e na comunidade. |
| 2 | Fragilidades estruturais, lacunas na biossegurança, baixa adesão ao tratamento supervisionado e falhas na articulação dos serviços. Estratégias como o TDO, fortalecimento do vínculo terapêutico, ações educativas e melhoria da infraestrutura das UBSs são apontadas como fundamentais. |
| 3 | Através da análise emergiram duas categorias: Percepções sobre o TDO de doentes e enfermeiros e Operacionalização do tratamento diretamente observado: aspectos positivos e limitantes. |
| 4 | o enfermeiro desempenha papel central na detecção precoce, na orientação terapêutica, no monitoramento clínico e nas ações educativas junto aos pacientes e suas famílias. Desafios como baixa adesão ao tratamento, escassez de recursos nas unidades de saúde, estigma social e necessidade de capacitação permanente foram recorrentes nas publicações analisadas. |
| 5 | Originaram-se duas categorias temáticas: “A gestão do cuidado de enfermeiros para o controle da tuberculose nas Unidades Básicas de Saúde” e “Fatores intervenientes na efetivação da gestão do cuidado no controle da tuberculose nas Unidades Básicas de Saúde”. |
| 6 | Diversidade de tecnologias educacional sobre tuberculose e tuberculose multirresistente, como: educação a distância, workshop, pacote de intervenção com aplicativo e atualizações eletrônicas, curso on-line síncrona/assíncrona, mensagem por celulares e sistema de terapia observada por drone. |
| 7 | Os participantes demonstraram conhecimento insuficiente sobre os cuidados de enfermagem em pessoas em tratamento de tuberculose drogarresistente na APS, ao verbalizarem, em seus discursos, sobre não saber quais cuidados devem realizar, como acompanhar e orientar o TDO dessas pessoas. |
| 8 | A incompletude do cuidado pode afetar negativamente a adesão ao tratamento e a evolução clínica dos pacientes. A vulnerabilidade das pessoas com tuberculose, que muitas vezes enfrentam situações socioeconômicas desfavoráveis, pode dificultar o acesso aos serviços de saúde e a adesão ao tratamento. |
| 9 | O enfermeiro exerce um papel fundamental na busca ativa de pacientes que estejam abandonando o tratamento de tuberculose, através da elaboração de estratégias de acompanhamento satisfatórias, favorecendo a adesão ao tratamento, executando políticas públicas já existentes. |
| 10 | Os estudos analisados revelaram duas grandes categorias de ações de enfermagem. A primeira, “Cuidado de enfermagem voltado às necessidades específicas da pessoa com tuberculose”, abrange intervenções clínicas, domínio técnico-profissional e práticas educativas e relacionais que favorecem a adesão ao tratamento. A segunda, “Atuação da enfermagem frente aos determinantes sociais da saúde”, contempla ações voltadas ao fortalecimento do suporte familiar e comunitário, à consideração das condições socioeconômicas no planejamento do cuidado e ao respeito às diferenças culturais, elementos essenciais para promover a continuidade terapêutica. |
| 11 | A prevalência de não recebimento de visita domiciliar pelo ACS foi de 18,6% e os principais motivos foram: ACS não realiza visita na casa, desconhecimento da existência de ACS no bairro ou unidade, e não tem ninguém em casa para atendê-lo. |
| 12 | Realizar a consulta, estabelecer o diagnóstico de enfermagem, sistematizar a assistência e elaborar o plano de cuidados são atribuições próprias do enfermeiro. Contudo, orientar o paciente para o autocuidado é uma etapa indispensável, pois quando esse autocuidado é ineficaz, torna-se um fator determinante no sucesso terapêutico e, consequentemente, na recuperação da pessoa com tuberculose multirresistente. |
| 13 | Foi possível identificar o desempenho satisfatório dos serviços de APS em Belo Horizonte em relação às ações de controle da tuberculose, na maioria das variáveis avaliadas nos eixos Estrutura e Processo. |
| 14 | O estudo revelou que fatores como baixa escolaridade, tabagismo, estigma social e condições precárias de moradia influenciam diretamente na adesão ao tratamento da tuberculose. A atuação do enfermeiro se mostrou fundamental ao integrar ações educativas, escuta qualificada e vigilância do TDO |
| 15 | As visitas domiciliares, a educação em saúde e o monitoramento cuidadoso do tratamento foram algumas das medidas usadas que ajudaram a diminuir a incidência da doença na região. |
| 16 | As estratégias identificadas adotam abordagens acessíveis, culturalmente adequadas e interativas — como jogos, mídias digitais e apoio familiar, que ampliam a compreensão, estimulam a adesão ao tratamento e fortalecem a autonomia de populações vulneráveis. Destaca-se ainda o papel da escuta qualificada, da comunicação sensível e da enfermagem como ponte entre o conhecimento técnico e as realidades sociais, em consonância com a perspectiva intersetorial do Programa Brasil Saudável. |
| 17 | A proporção de abandono do tratamento da TB no Brasil encontra-se acima do aceitável e que a identificação de áreas de alto risco pode contribuir para a elaboração e fortalecimento de ações de controle mais específicas. |
| 18 | Destaca-se a necessidade da atuação do enfermeiro nas ações de controle da tuberculose, especialmente na capacitação e integração dos Agentes Comunitários de Saúde para a identificação precoce de casos na comunidade. Além disso, é fundamental promover atividades de educação em saúde que contribuam para reduzir estigmas e (re)significar percepções sobre a doença. |
| 19 | Os estudos destacaram a importância do TDO realizado pelo enfermeiro; a necessidade de gestão integrada do cuidado entre tuberculose e HIV; a realização de consultas de enfermagem abrangentes baseadas no processo de enfermagem; e a adoção de cuidados centrados na pessoa, incluindo planejamento de alta e melhoria da comunicação entre o hospital e a APS |
| 20 | As vulnerabilidades associadas ao abandono do tratamento incluíram problemas de saúde, fatores comportamentais, ausência de moradia e recursos financeiros, falta de apoio familiar e insuficiente incentivo por parte dos profissionais de saúde. Para fortalecer a adesão, destacaram-se estratégias como ações educativas, acolhimento com co-rresponsabilização, busca ativa de faltosos, monitoramento de exames e da continuidade terapêutica, além da atuação interdisciplinar e intersetorial. |
Fonte: Autoras, 2025.
4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUDOS INCLUÍDOS
A busca sistematizada identificou inicialmente 230 registros, dos quais 20 estudos (8,7%) atenderam aos critérios de inclusão e compuseram o corpus final desta revisão. As publicações selecionadas distribuíram-se entre os anos de 2020 a 2025, refletindo a produção científica mais recente sobre a atuação da enfermagem no cuidado à tuberculose na AB. Observou-se predominância de estudos nacionais (100%), evidenciando o forte interesse brasileiro em aprimorar estratégias de controle da doença no âmbito do SUS.
Quanto ao delineamento metodológico, verificou-se que revisões integrativas e estudos qualitativos foram os mais frequentes, representando, respectivamente, 40% (n = 8) e 35% (n = 7) das publicações. Estudos quantitativos corresponderam a 15% (n = 3), enquanto revisões sistemáticas e outros tipos de estudo somaram 10% (n = 2). Essa predominância de metodologias qualitativas e de revisão demonstra o foco da literatura em compreender práticas assistenciais, percepções profissionais e desafios operacionais relacionados ao acompanhamento terapêutico da tuberculose.
No que se refere aos cenários de realização, a maioria dos estudos (85%; n = 17) foi conduzida em serviços da AB, contemplando UBS, ESF e Centros de Saúde. Esse dado reforça a centralidade da APS nas ações de vigilância, educação em saúde, monitoramento do TDO e acompanhamento longitudinal dos casos de tuberculose no território. Os demais estudos (15%; n = 3) incluíram análises em níveis de gestão, vigilância epidemiológica ou abordagens multicêntricas.
As populações investigadas também apresentaram diversidade: 50% (n = 10) envolveram exclusivamente profissionais de enfermagem; 30% (n = 6) incluíram equipes multiprofissionais; e 20% (n = 4) investigaram usuários, contatos ou gestores. Essa variedade permitiu uma compreensão abrangente do fenômeno, articulando dimensões assistenciais, educativas e gerenciais da prática da enfermagem.
De modo geral, a caracterização dos 20 estudos evidencia um corpo de conhecimento consistente e recente sobre a atuação do enfermeiro na APS, destacando tanto atribuições essenciais, como TDO, busca ativa, consultas e educação em saúde, quanto desafios relacionados às condições estruturais, organização do processo de trabalho, vulnerabilidades sociais e adesão ao tratamento. Esses elementos fundamentam as análises subsequentes apresentadas nesta revisão.
4.2 ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO NA APS NO MANEJO DA TUBERCULOSE
A análise dos estudos selecionados evidencia que o enfermeiro desempenha um papel essencial no controle da tuberculose na APS, atuando como figura central na coordenação do cuidado, vigilância dos casos e continuidade terapêutica. Entre as atribuições mais recorrentes encontram-se o acolhimento qualificado, a consulta de enfermagem, a educação em saúde, a busca ativa de sintomáticos respiratórios e o acompanhamento sistemático da farmacoterapia (Martellet et al., 2020; Rodrigues; Tavares; Ribeiro, 2025; Araújo et al., 2020).
A visita domiciliar é uma das ações mais enfatizadas pelos estudos, constituindo importante recurso para fortalecer o vínculo, conhecer o contexto de vida do usuário, monitorar a evolução clínica e identificar precocemente fatores que possam comprometer a adesão, como dificuldades socioeconômicas, condições habitacionais desfavoráveis ou ausência de suporte familiar (Gomes et al., 2021; Clementino; Miranda, 2015; Sousa et al., 2024).
Nos casos de tuberculose drogarresistente, o trabalho da enfermagem se amplia, incluindo o planejamento de cuidados individualizados, a aplicação do processo de enfermagem, a articulação com serviços especializados e a comunicação efetiva entre APS e hospitais, garantindo continuidade assistencial na alta e no seguimento terapêutico (Guedes et al., 2024; Germano et al., 2024).
Outro aspecto relevante identificado nas publicações são os desafios enfrentados pelos enfermeiros no cotidiano da APS, especialmente relacionados à sobrecarga de trabalho, limitações estruturais, escassez de recursos e fragilidades nos processos de educação permanente, fatores que podem comprometer a efetividade das ações de cuidado (Silva et al., 2022; Sousa; Brito, 2025). Esses achados reforçam a necessidade de investimentos em condições de trabalho, capacitação contínua e fortalecimento da rede de atenção para qualificar o manejo da tuberculose na APS.
4.3 ESTRATÉGIAS DE ADESÃO AO TRATAMENTO E REDUÇÃO DA TRANSMISSÃO
Os estudos também apontam que a adesão terapêutica permanece como um dos maiores desafios no controle da tuberculose, sobretudo em cenários marcados por vulnerabilidades sociais. Fatores como baixa escolaridade, dificuldades econômicas, limitado letramento em saúde, ausência de apoio familiar e descontinuidade do vínculo com a equipe podem aumentar o risco de abandono do tratamento (Barros et al., 2021; Soeiro; Caldas; Ferreira, 2022; Kessler et al., 2022). Nesse sentido, a atuação do enfermeiro é determinante para antecipar riscos, implementar intervenções oportunas e reduzir a transmissibilidade da doença no território.
A literatura destaca que estratégias educativas estruturadas, individuais, coletivas ou baseadas no letramento em saúde, exercem impacto positivo na compreensão do tratamento, no empoderamento do usuário e na adesão à terapêutica (Palmieri et al., 2025; Germano et al., 2023; Germano et al., 2024). Essas ações fortalecem a autonomia do paciente, favorecem a compreensão sobre o regime medicamentoso e contribuem para minimizar abandono, recaídas e prolongamento da transmissibilidade.
Outro componente estratégico é a articulação entre a APS, a vigilância epidemiológica e as políticas públicas de controle da tuberculose, uma vez que a integração intersetorial potencializa a detecção oportuna de casos, o monitoramento de contatos e a continuidade do cuidado (Rabelo et al., 2021; Almeida et al., 2025). Nos casos de tuberculose drogarresistente, essa integração torna-se ainda mais crucial, pois permite alinhar intervenções de cuidado, reduzir falhas assistenciais e aprimorar o acompanhamento clínico ao longo do tratamento (Guedes et al., 2024; Germano et al., 2024).
De forma geral, os estudos convergem ao demonstrar que estratégias centradas no usuário, combinadas com educação em saúde, visitas domiciliares, fortalecimento do vínculo e integração em rede, são fundamentais para assegurar adesão, reduzir abandono e minimizar a transmissão comunitária da tuberculose.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados desta revisão integrativa evidenciam que a atuação do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde desempenha papel fundamental no controle da tuberculose, especialmente por meio de ações voltadas à detecção precoce, educação em saúde, acompanhamento terapêutico e fortalecimento do vínculo com o paciente. As estratégias identificadas nos 20 estudos analisados mostram que a prática da enfermagem é determinante para promover a adesão ao tratamento e reduzir as taxas de abandono, contribuindo diretamente para a interrupção da cadeia de transmissão da doença.
Apesar dos avanços observados, diversos desafios persistem no cotidiano dos serviços de saúde, incluindo sobrecarga de trabalho, condições estruturais insuficientes, lacunas na capacitação profissional e fragilidade na articulação entre vigilância epidemiológica e equipes de APS. Esses obstáculos limitam a efetividade das ações planejadas e revelam a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, educação permanente e políticas de fortalecimento do cuidado territorial. A integração das equipes de saúde e o apoio institucional surgem como elementos essenciais para consolidar práticas resolutivas e sustentáveis.
Dessa forma, conclui-se que o papel do enfermeiro é estratégico e imprescindível para o alcance das metas de controle e eliminação da tuberculose no país. Recomenda-se que futuras pesquisas aprofundem a avaliação de intervenções inovadoras, o impacto das políticas públicas e os determinantes sociais que influenciam a assistência, ampliando a compreensão sobre os caminhos possíveis para qualificar o cuidado em saúde. Os achados deste estudo reforçam que o fortalecimento da prática da enfermagem na APS contribui significativamente para a melhoria dos indicadores epidemiológicos e para a promoção de um cuidado mais integral, humano e efetivo.
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1 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade da Amazônia e-mail: gerusabarbosa2025@gmail.com / gloriasouza7724@gmail.com / ysmin.santana@gmail.com
2 Docente. Especialista. Universidade da Amazônia.
3 Mestrado em Enfermagem pela Universidade Federal do Pará.
4 Docente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade da Amazônia. Mestre em Enfermagem (PPGENF/UFPA). e-mail: taina.onuma.oliveira@ics.ufpa.br
