MINHA TRAJETÓRIA NO EMPREENDEDORISMO FEMININO MULTISSETORIAL: UMA ANÁLISE REFLEXIVA SOBRE DIVERSIFICAÇÃO ESTRATÉGICA E COMPETÊNCIAS EM GESTÃO DE PESSOAS 

MY TRAJECTORY IN MULTISECTORAL FEMALE ENTREPRENEURSHIP: A REFLECTIVE ANALYSIS ON STRATEGIC DIVERSIFICATION AND PEOPLE MANAGEMENT COMPETENCIES 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202507091039


Andressa Cristina Jankosz1


RESUMO 

Neste artigo, apresento uma análise reflexiva sobre minha trajetória empreendedora, explorando como as competências desenvolvidas em minha formação em Tecnologia em Recursos Humanos facilitaram minha diversificação empresarial nos setores de construção civil e joalheria. Como mulher empreendedora no cenário brasileiro, onde representamos 34,4% do universo total de empreendedores, busco contribuir para a literatura acadêmica através de uma perspectiva autoetnográfica que combina experiência pessoal com análise teórica. Meu objetivo é demonstrar como as competências em gestão de pessoas proporcionaram uma base sólida para minha transição eficaz entre setores tradicionalmente distintos. Através de uma metodologia qualitativa e reflexiva, analiso minha própria experiência à luz das teorias de empreendedorismo feminino e diversificação empresarial. Os resultados evidenciam que minhas competências desenvolvidas na formação em gestão de pessoas – comunicação interpessoal, liderança adaptativa, gestão de relacionamentos e compreensão do comportamento humano – constituíram ativos intangíveis fundamentais para meu sucesso em múltiplos setores. Proponho um framework integrador baseado em minha experiência, denominado “Modelo de Diversificação Baseada em Competências Relacionais” (DBCR), que pode orientar outras empreendedoras em trajetórias similares. Minhas principais contribuições incluem a identificação de competências transversais que facilitaram minha diversificação empresarial e a proposição de um modelo conceitual inédito que integra gestão de pessoas e estratégia empresarial no contexto do empreendedorismo feminino brasileiro.

Palavras-chave: Empreendedorismo feminino. Diversificação empresarial. Competências em gestão de pessoas. Estratégia multissetorial. Autoetnografia. 

ABSTRACT 

In this article, I present a reflective analysis of my entrepreneurial trajectory, exploring how the competencies developed in my Human Resources Technology training facilitated my business diversification in the civil construction and jewelry sectors. As a female entrepreneur in the Brazilian scenario, where we represent 34.4% of the total universe of entrepreneurs, I seek to contribute to academic literature through an autoethnographic perspective that combines personal experience with theoretical analysis. My objective is to demonstrate how people management competencies provided a solid foundation for my effective transition between traditionally distinct sectors. Through a qualitative and reflective methodology, I analyze my own experience in light of theories of female entrepreneurship and business diversification. The results show that my competencies developed in people management training – interpersonal communication, adaptive leadership, relationship management and understanding of human behavior – constituted fundamental intangible assets for my success in multiple sectors. I propose an integrative framework based on my experience, called “Relational Competency-Based Diversification Model” (RCBD), which can guide other female entrepreneurs in similar trajectories. My main contributions include the identification of transversal competencies that facilitated my business diversification and the proposition of an unprecedented conceptual model that integrates people management and business strategy in the context of Brazilian female entrepreneurship. 

Keywords: Female entrepreneurship. Business diversification. People management competencies. Multisectoral strategy. Autoethnography. 

1. INTRODUÇÃO 

Minha trajetória como empreendedora no Brasil reflete uma realidade que tem se tornado cada vez mais comum: o crescimento exponencial do empreendedorismo feminino em nosso país. Quando iniciei meus primeiros empreendimentos, não imaginava que faria parte de uma estatística que hoje representa 10,35 milhões de mulheres à frente de negócios no Brasil, conforme dados do quarto trimestre de 2024 [1]. Esta jornada, que começou com minha formação em Tecnologia em Recursos Humanos, evoluiu para uma diversificação empresarial que abrange setores aparentemente distintos: construção civil e joalheria. 

Ao refletir sobre minha experiência, percebo que minha trajetória desafia algumas perspectivas tradicionais sobre diversificação empresarial. Enquanto a literatura acadêmica frequentemente enfatiza a importância de diversificar para setores relacionados, minha experiência demonstra que as competências desenvolvidas na formação em gestão de pessoas podem servir como ponte entre setores aparentemente desconectados. Esta reflexão motivou-me a sistematizar minha experiência em uma análise acadêmica que possa contribuir para outras empreendedoras e para o avanço do conhecimento científico. 

Minha formação em Tecnologia em Recursos Humanos proporcionou-me um conjunto de competências que inicialmente pareciam específicas para a área de gestão de pessoas. No entanto, ao longo de minha jornada empreendedora descobri que essas competências são altamente transferíveis e constituem uma base sólida para empreender em diversos setores. A capacidade de compreender comportamentos humanos, gerenciar relacionamentos complexos e liderar equipes multidisciplinares revelou-se fundamental tanto na construção civil quanto na joalheria. 

A decisão de empreender na construção civil surgiu de uma oportunidade identificada no mercado, mas também de minha percepção de que as competências relacionais desenvolvidas em minha formação poderiam ser um diferencial competitivo em um setor tradicionalmente masculino e técnico. A gestão de equipes multidisciplinares, a coordenação de projetos complexos e o relacionamento com clientes de alto valor são aspectos centrais na construção civil que se beneficiam diretamente das competências em gestão de pessoas. 

A posterior diversificação para o setor de joalheria pode parecer, à primeira vista, uma mudança radical de direção. No entanto, ao analisar retrospectivamente esta decisão, percebo que ela foi facilitada pelas mesmas competências relacionais que me permitiram ter sucesso na construção civil. O atendimento personalizado, a compreensão das motivações emocionais dos clientes e a gestão de processos criativos são aspectos da joalheria que se alinham naturalmente com minha formação em recursos humanos. 

Este artigo representa minha tentativa de sistematizar essas reflexões em uma contribuição acadêmica que possa ser útil tanto para outras empreendedoras quanto para pesquisadores interessados no empreendedorismo feminino. Utilizo uma abordagem autoetnográfica, combinando minha experiência pessoal com análise teórica, para explorar como as competências em gestão de pessoas facilitaram minha diversificação empresarial multissetorial. 

Meu objetivo geral é analisar como as competências que desenvolvi na formação em gestão de pessoas facilitaram minha diversificação empresarial multissetorial. Para alcançar este objetivo, estabeleci os seguintes objetivos específicos: identificar as competências-chave que desenvolvi na formação em tecnologia em recursos humanos e que apliquei no contexto empreendedorial; analisar as estratégias que utilizei na transição entre os setores de construção civil e joalheria; examinar os fatores que facilitaram e limitaram minha diversificação multissetorial; e propor um framework teórico baseado em minha experiência que possa orientar outras empreendedoras.

A relevância deste estudo justifica-se por múltiplas dimensões. Do ponto de vista pessoal, representa uma oportunidade de reflexão sistemática sobre minha própria trajetória, permitindo uma compreensão mais profunda dos fatores que contribuíram para meu sucesso. Do ponto de vista acadêmico, contribui para uma lacuna identificada na literatura sobre empreendedorismo feminino, oferecendo uma perspectiva insider sobre os mecanismos pelos quais a formação em recursos humanos pode facilitar a diversificação empresarial. 

Do ponto de vista prático, espero que minha experiência possa inspirar e orientar outras mulheres que, como eu, possuem formação em gestão de pessoas e consideram empreender em setores diversos. Acredito que minha trajetória demonstra que as competências relacionais não são limitantes, mas sim facilitadoras de oportunidades empreendedoras em múltiplos contextos. 

A estrutura deste trabalho reflete minha jornada de reflexão e análise. Após esta introdução, apresento o referencial teórico que utilizei para compreender minha experiência, abordando teorias sobre empreendedorismo feminino, competências em gestão de recursos humanos e diversificação empresarial. Em seguida, detalhou a metodologia autoetnográfica que adotei para esta análise. A seção de análise e discussão constitui o coração do trabalho, onde reflito sobre meu perfil, as competências que desenvolvi, minhas estratégias de diversificação e proponho um framework baseado em minha experiência. Finalizo com considerações sobre os aprendizados obtidos e suas implicações para outras empreendedoras e para futuras pesquisas. 

2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 Empreendedorismo Feminino: Contextualizando Minha Experiência 

Para compreender minha trajetória empreendedora, busquei fundamentação nas teorias sobre empreendedorismo feminino que têm emergido como um campo consolidado nas ciências sociais aplicadas. Descobri que minha experiência se alinha com o framework proposto por Azevedo (2020), que estrutura o empreendedorismo feminino em três frentes centrais: os papéis socialmente atribuídos à mulher, o contexto social onde se situa o negócio e a personalidade e competências apresentadas pela empreendedora [2]. 

Ao refletir sobre minha própria experiência, reconheço como esses três elementos influenciaram minha trajetória. Os papéis sociais que assumi como mulher, incluindo responsabilidades familiares e expectativas sociais, moldaram minha abordagem ao empreendedorismo de forma diferente do que observo em empreendedores masculinos. Minha tendência a incorporar elementos como colaboração, sustentabilidade e impacto social em meus negócios refletem características que a literatura identifica como distintivas do empreendedorismo feminino [4]. 

O contexto social brasileiro, onde 80% das mulheres empreendem por necessidade ou falta de emprego [6], ressoa com minha própria motivação inicial. Embora minha formação em recursos humanos me proporcionasse oportunidades de emprego formal, a busca por autonomia e realização pessoal me levou ao empreendedorismo. Esta motivação mista – entre necessidade e oportunidade – caracteriza minha experiência e a de muitas empreendedoras brasileiras. 

A teoria do effectuation, desenvolvida por Sarasvathy (2001), oferece uma lente particularmente útil para compreender minha abordagem empreendedorial [7]. Ao longo de minha trajetória, utilizei consistentemente uma lógica effectual, baseando minhas decisões nos recursos disponíveis, parcerias estratégicas e controle de perdas aceitáveis, em contraste com planejamentos extensivos e previsões detalhadas. Esta abordagem foi especialmente relevante quando decidi diversificar para setores onde não possuía experiência técnica específica. 

Minha experiência também se alinha com o conceito de “mixed embeddedness”, que descreve como empreendedoras navegam simultaneamente entre múltiplos contextos sociais, econômicos e culturais [5]. Reconheço como minhas redes familiares, profissionais e comunitárias influenciaram minhas decisões estratégicas, desde a escolha dos setores para diversificação até as estratégias de marketing e vendas. 

2.2 Competências em Gestão de Recursos Humanos: Minha Base Formativa 

Minha formação em Tecnologia em Recursos Humanos constituiu a base fundamental para todo meu desenvolvimento empreendedorial subsequente. Ao analisar retrospectivamente esta formação através da lente do modelo de competências proposto por Dutra (2017), identifico três dimensões que foram fundamentais para meu sucesso: conhecimentos, habilidades e atitudes [9]. 

Os conhecimentos que adquiri durante minha formação abrangeram aspectos teóricos relacionados ao comportamento organizacional, psicologia do trabalho, legislação trabalhista e estratégias de desenvolvimento humano. Inicialmente, percebia esses conhecimentos como específicos para a área de recursos humanos. No entanto, ao empreender, descobri sua aplicabilidade universal. A compreensão do comportamento humano, por exemplo, revelou-se fundamental tanto para gerenciar equipes na construção civil quanto para compreender as motivações emocionais dos clientes na joalheria. 

As habilidades práticas que desenvolvi – comunicação interpessoal, liderança, negociação e resolução de conflitos – tornaram-se meus principais diferenciais competitivos. Na construção civil, essas habilidades me permitiram coordenar eficazmente equipes multidisciplinares e estabelecer relacionamentos de confiança com clientes, fornecedores e subcontratados. Na joalheria, essas mesmas habilidades facilitaram o atendimento personalizado e a construção de relacionamentos duradouros com clientes. 

As atitudes que desenvolvi durante minha formação – ética profissional, orientação para resultados e capacidade de adaptação – constituíram a base de minha identidade empreendedora. A ética profissional, em particular, tornou-se um diferencial em ambos os setores onde atuo, contribuindo para a construção de uma reputação sólida que facilita novos negócios e parcerias. 

A Teoria do Capital Humano de Becker (1964) oferece uma perspectiva valiosa para compreender como consegui transferir essas competências entre diferentes contextos [10]. O investimento em minha educação em recursos humanos gerou capital humano que pude aplicar em diversas situações, proporcionando retornos econômicos superiores aos que obteria limitando-me a uma única área de atuação. 

A abordagem sistêmica que desenvolvi durante minha formação, baseada na Teoria Geral dos Sistemas, revelou-se particularmente valiosa no contexto empreendedorial [11]. A capacidade de visualizar a interconexão entre diferentes subsistemas organizacionais me permitiu gerenciar eficazmente pequenos negócios que requerem integração entre aspectos financeiros, operacionais, comerciais e humanos. 

2.3 Diversificação Empresarial: Minha Estratégia de Crescimento 

Minha estratégia de diversificação desafia algumas perspectivas tradicionais da literatura sobre diversificação empresarial. Segundo a classificação clássica de Ansoff (1965), minha diversificação seria categorizada como “não relacionada”, uma vez que construção civil e joalheria possuem características tecnológicas, mercadológicas e competitivas distintas [15]. No entanto, minha experiência sugere que esta classificação pode ser insuficiente quando consideramos as competências do empreendedor como elemento de ligação. 

A Teoria dos Recursos e Capacidades oferece uma perspectiva mais adequada para compreender minha estratégia [16]. As competências relacionais que desenvolvi constituem recursos intangíveis únicos que pude aplicar em diferentes contextos, gerando vantagens competitivas sustentáveis. Esta perspectiva explica como consegui ter sucesso em setores aparentemente desconectados. 

O conceito de “economia de escopo” é particularmente relevante para compreender como minha diversificação gerou valor [18]. Embora meus negócios operem em setores distintos, compartilham competências gerenciais, redes de relacionamento e recursos administrativos. Esta sobreposição de recursos gera eficiências que não seriam possíveis se operasse cada negócio de forma completamente independente.

Minha diversificação também funcionou como estratégia de redução de riscos, aspecto especialmente importante considerando as dificuldades que nós, mulheres empreendedoras, frequentemente enfrentamos no acesso a recursos financeiros [19]. A diversificação me permitiu reduzir a dependência de um único negócio, proporcionando maior estabilidade financeira e flexibilidade estratégica. 

2.4 Lacunas Teóricas e Contribuições de Minha Experiência 

Ao revisar a literatura existente, identifiquei uma lacuna significativa: a ausência de estudos que integrem especificamente as competências em gestão de pessoas com estratégias de diversificação multissetorial no contexto do empreendedorismo feminino. Minha experiência oferece uma perspectiva única para contribuir com o preenchimento desta lacuna. 

A literatura sobre empreendedorismo feminino tende a focar em aspectos como barreiras enfrentadas, motivações para empreender e características dos negócios liderados por mulheres. Há menos atenção para os mecanismos específicos pelos quais as competências desenvolvidas na formação acadêmica facilitam estratégias de crescimento e diversificação. 

Similarmente, a literatura sobre diversificação empresarial concentra-se predominantemente em grandes corporações, com menos atenção para pequenos empreendimentos e para as especificidades do empreendedorismo feminino. Minha experiência sugere que os mecanismos de diversificação em pequenos negócios liderados por mulheres podem diferir significativamente daqueles observados em grandes empresas. 

Minha contribuição específica reside na demonstração empírica de como competências relacionais podem servir como base para diversificação multissetorial bem-sucedida. Esta perspectiva desafia visões tradicionais que enfatizam sinergias tecnológicas ou mercadológicas como pré-requisitos para diversificação eficaz. 

3. METODOLOGIA 

Para esta análise de minha trajetória empreendedora, adotei uma abordagem metodológica autoetnográfica, que me permite combinar análise pessoal com rigor acadêmico. A autoetnografia, conforme definida por Ellis, Adams e Bochner (2011), é uma abordagem de pesquisa e escrita que busca descrever e analisar sistematicamente a experiência pessoal para compreender a experiência cultural [25]. Esta metodologia é particularmente adequada para meu estudo, pois me permite explorar minha experiência individual como representativa de fenômenos mais amplos no empreendedorismo feminino brasileiro. 

Minha escolha pela autoetnografia justifica-se pela natureza íntima e complexa da experiência empreendedora, que envolve aspectos emocionais, relacionais e estratégicos que são melhor compreendidos através de uma perspectiva insider. Como protagonista de minha própria história, possuo acesso privilegiado às motivações, decisões e reflexões que moldaram minha trajetória, informações que seriam difíceis de capturar através de métodos tradicionais de pesquisa. 

O processo metodológico que adotei seguiu as diretrizes propostas por Chang (2008) para pesquisa autoetnográfica [26]. Iniciei com um período de reflexão sistemática sobre minha trajetória, utilizando técnicas de memória autobiográfica para reconstruir cronologicamente os eventos significativos de minha jornada empreendedora. Este processo envolveu a revisão de documentos pessoais, registros acadêmicos, materiais de divulgação de meus negócios e correspondências relevantes. 

Para garantir o rigor analítico, estruturei minha reflexão em torno de categorias teóricas derivadas da literatura sobre empreendedorismo feminino e diversificação empresarial. Esta abordagem me permitiu manter o foco analítico enquanto explorava minha experiência pessoal. As categorias principais incluíram: competências desenvolvidas na formação, estratégias de diversificação, fatores facilitadores e limitadores, e aprendizados obtidos. 

A coleta de dados autoetnográficos envolveu múltiplas estratégias. Utilizei técnicas de escrita reflexiva, produzindo narrativas detalhadas sobre episódios específicos de minha trajetória. Complementei essas narrativas com análise documental de materiais relacionados aos meus empreendimentos, incluindo planos de negócio, contratos, materiais de marketing e registros financeiros. Adicionalmente, conduzi conversas informais com clientes, fornecedores e parceiros para triangular minhas percepções com perspectivas externas. 

A análise dos dados seguiu um processo iterativo de reflexão e teorização. Iniciei com uma análise temática de minhas narrativas reflexivas, identificando padrões recorrentes e temas emergentes. Em seguida, relacionei esses temas com conceitos teóricos da literatura, buscando conexões entre minha experiência pessoal e teorias mais amplas sobre empreendedorismo feminino e diversificação empresarial. 

Para assegurar a validade de minha análise autoetnográfica, adotei várias estratégias de verificação. A triangulação foi alcançada através da combinação de múltiplas fontes de dados – memórias pessoais, documentos e perspectivas de terceiros. A reflexividade foi mantida através de questionamento constante de minhas próprias interpretações e busca por explicações alternativas para os fenômenos observados. 

O critério de credibilidade foi atendido através da riqueza de detalhes em minhas descrições e da honestidade em reconhecer limitações e incertezas em minha análise. A transferibilidade foi considerada através da conexão explícita entre minha experiência particular e contextos mais amplos do empreendedorismo feminino brasileiro.

Reconheço as limitações inerentes à abordagem autoetnográfica. A subjetividade é uma característica intrínseca desta metodologia, e minha análise está inevitavelmente influenciada por minhas próprias perspectivas e vieses. Para mitigar esta limitação, mantive um posicionamento reflexivo constante, questionando minhas próprias interpretações e buscando evidências que pudessem contradizer minhas conclusões iniciais. 

A natureza retrospectiva de parte de minha análise também constitui uma limitação, uma vez que memórias podem ser seletivas e influenciadas por eventos posteriores. Para minimizar este problema, utilizei documentos contemporâneos aos eventos sempre que possível, e fui explícita sobre as limitações de minha memória em situações específicas. 

A questão da generalização em pesquisa autoetnográfica é complexa. Embora minha experiência seja única, acredito que oferece insights transferíveis para outras mulheres empreendedoras com formação similar. A generalização analítica, baseada na conexão entre minha experiência e teorias mais amplas, é mais apropriada do que a generalização estatística neste contexto. 

Do ponto de vista ético, esta pesquisa envolveu principalmente minha própria experiência, minimizando riscos para terceiros. No entanto, quando menciono interações com clientes, fornecedores ou parceiros, mantenho sua privacidade através de anonimização. Adicionalmente, reconheço minha responsabilidade de apresentar uma análise honesta e equilibrada, evitando tanto autopromoção excessiva quanto autocrítica destrutiva. 

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO: MINHA JORNADA REFLEXIVA 

4.1 Meu Perfil e Formação: As Bases de Minha Trajetória 

Ao refletir sobre minha trajetória, reconheço que minha formação em Tecnologia em Recursos Humanos foi muito mais do que uma escolha acadêmica – foi o alicerce que possibilitou toda minha jornada empreendedora subsequente. Quando ingressei neste curso, minha motivação estava alinhada com uma tendência que observo em muitas mulheres: a busca por áreas que enfatizam desenvolvimento humano e aspectos relacionais. 

Esta escolha, que alguns poderiam considerar “tradicionalmente feminina”, revelou-se estratégica de formas que eu não poderia prever na época. A formação em recursos humanos me proporcionou uma visão holística das organizações que transcendem departamentos e funções específicas. Aprendi a ver as empresas como sistemas complexos onde pessoas, processos e objetivos se interconectam de maneiras nem sempre óbvias.

Durante minha formação, desenvolvi competências que inicialmente percebia como específicas para a área de RH. A psicologia organizacional me ensinou a compreender motivações humanas, dinâmicas de grupo e processos de tomada de decisão. A gestão estratégica de pessoas me mostrou como alinhar talentos individuais com objetivos organizacionais. A legislação trabalhista me deu uma base sólida para estruturar relacionamentos de trabalho de forma ética e legal. 

O que não percebia na época era como essas competências seriam transferíveis para contextos empreendedores diversos. A capacidade de compreender motivações humanas, por exemplo, revelou-se fundamental tanto para gerenciar equipes na construção civil quanto para entender as necessidades emocionais dos clientes na joalheria. A visão sistêmica me permite hoje gerenciar múltiplos negócios de forma integrada, identificando sinergias e otimizando recursos. 

Minha experiência confirma os dados do SEBRAE sobre a maior escolaridade das empreendedoras brasileiras [23]. No entanto, acredito que não é apenas o nível educacional que faz diferença, mas sim o tipo de competências desenvolvidas durante a formação. Minha formação em recursos humanos me deu ferramentas para lidar com a complexidade humana que está presente em qualquer negócio, independentemente do setor. 

Reconheço também como meu contexto pessoal influenciou minha abordagem empreendedora. Como mulher, enfrentei expectativas sociais específicas e precisei desenvolver estratégias para equilibrar responsabilidades pessoais e profissionais. Esta experiência me deu uma perspectiva única sobre gestão de tempo, priorização e eficiência que se tornou uma vantagem competitiva em meus negócios. 

4.2 As Competências que Desenvolvi: Meus Diferenciais Competitivos 

Ao analisar retrospectivamente minha trajetória, identifico um conjunto específico de competências desenvolvidas durante minha formação que se tornaram meus principais diferenciais competitivos. Estas competências, que inicialmente percebia como específicas para recursos humanos, revelaram-se altamente transferíveis e valiosas em contextos empresariais diversos. 

A comunicação interpessoal foi, sem dúvida, a minha competência mais fundamental. Durante minha formação, aprendi não apenas a me comunicar claramente, mas também a adaptar minha comunicação ao perfil e às necessidades de diferentes interlocutores. Esta habilidade revelou-se crucial na construção civil, onde preciso me comunicar eficazmente com arquitetos, engenheiros, mestres de obra e clientes, cada grupo com sua linguagem técnica e expectativas específicas. 

Na joalheria, esta mesma competência assume características diferentes mas igualmente importantes. Preciso compreender não apenas o que o cliente está dizendo explicitamente, mas também suas motivações emocionais subjacentes. Uma cliente que busca um anel de noivado tem necessidades muito diferentes de alguém que procura uma joia para presentear a mãe. Minha formação em psicologia organizacional me deu ferramentas para fazer essas distinções sutis. 

A liderança foi outra competência central que desenvolvi. Durante minha formação, aprendi que liderança não é apenas sobre dar ordens, mas sobre inspirar, motivar e coordenar pessoas em direção a objetivos comuns. Na construção civil, esta competência é essencial para gerenciar equipes multidisciplinares onde cada profissional tem sua expertise específica, mas todos precisam trabalhar de forma coordenada. 

Descobri que minha abordagem de liderança, influenciada por teorias de liderança colaborativa que aprendi na formação em RH, é particularmente eficaz em contextos onde preciso coordenar profissionais especializados. Em vez de tentar controlar cada aspecto do trabalho, foco em criar condições para que cada pessoa possa contribuir com sua expertise da melhor forma possível. 

A gestão de relacionamentos tornou-se talvez minha competência mais valiosa. Na construção civil, onde projetos são de longo prazo e envolvem investimentos significativos, a confiança é fundamental. Minha capacidade de construir e manter relacionamentos sólidos com clientes, fornecedores e parceiros tem sido crucial para o sucesso de meus projetos. 

Na joalheria, a gestão de relacionamentos assume uma dimensão ainda mais pessoal. Joias frequentemente têm significado emocional profundo – representam marcos de vida, expressões de amor, símbolos de conquistas. Minha capacidade de compreender e honrar esses significados, desenvolvida através de minha formação em comportamento humano, me permite criar experiências verdadeiramente personalizadas para meus clientes. 

A capacidade de resolução de conflitos, desenvolvida durante minha formação, revelou-se valiosa em ambos os setores. Na construção civil, conflitos podem surgir entre diferentes profissionais, entre cronogramas e orçamentos, ou entre expectativas dos clientes e limitações técnicas. Minha abordagem, baseada em compreensão das necessidades de todas as partes e busca por soluções win-win, tem me permitido resolver essas situações de forma construtiva. 

A visão sistêmica que desenvolvi é talvez a competência que mais me diferencia de outros empreendedores. Consigo ver conexões entre aspectos aparentemente desconectados de meus negócios. Por exemplo, um cliente satisfeito na construção civil pode se tornar um cliente na joalheria, ou um fornecedor de um setor pode me indicar oportunidades no outro. Esta visão integrada me permite otimizar recursos e identificar sinergias que outros podem não perceber.

4.3 Minha Estratégia de Diversificação: Construção Civil e Joalheria 

Minha decisão de diversificar para a construção civil não foi planejada de forma estratégica desde o início. Surgiu de uma oportunidade específica que identifiquei no mercado, combinada com minha percepção de que minhas competências em gestão de pessoas poderiam ser um diferencial em um setor tradicionalmente dominado por homens e focado em aspectos técnicos. 

O setor de construção civil apresentou desafios únicos que testaram minhas competências de formas que eu não havia antecipado. A natureza técnica do setor exigiu que eu desenvolvesse rapidamente conhecimentos sobre materiais, processos construtivos e regulamentações específicas. No entanto, descobri que minha formação em recursos humanos me deu uma vantagem inesperada: a capacidade de aprender rapidamente através de relacionamentos. 

Em vez de tentar me tornar uma especialista técnica, foquei em construir relacionamentos sólidos com profissionais especializados – arquitetos, engenheiros, mestres de obra experientes. Minha competência em gestão de pessoas me permitiu criar uma rede de colaboradores que complementam minhas habilidades técnicas limitadas. Esta abordagem colaborativa, em contraste com abordagens mais hierárquicas comuns no setor, revelou-se muito eficaz. 

A gestão de projetos na construção civil beneficiou-se diretamente de minhas competências em coordenação de equipes e gestão de relacionamentos. Cada projeto envolve múltiplos profissionais que precisam trabalhar de forma coordenada dentro de prazos e orçamentos específicos. Minha capacidade de facilitar a comunicação entre diferentes especialistas e manter todos alinhados com os objetivos do projeto tornou-se um diferencial competitivo significativo. 

O relacionamento com clientes na construção civil também se beneficiou de minhas competências relacionais. Projetos de construção são investimentos significativos e de longo prazo, gerando ansiedade e expectativas elevadas nos clientes. Minha capacidade de comunicar-me claramente, gerenciar expectativas e manter os clientes informados sobre o progresso dos projetos tem sido fundamental para minha reputação no setor. 

A diversificação para a joalheria surgiu de uma reflexão sobre como poderia aplicar minhas competências em um contexto completamente diferente. Enquanto a construção civil é predominantemente masculina e focada em funcionalidade, a joalheria envolve aspectos artísticos, emocionais e simbólicos que pareciam mais alinhados com minha formação em comportamento humano. 

Descobri que a joalheria, embora superficialmente muito diferente da construção civil, na verdade requer competências similares em aspectos fundamentais. Ambos os setores envolvem projetos personalizados, relacionamentos de longo prazo com clientes e coordenação de diferentes especialistas. Na joalheria, preciso coordenar designers, ourives e fornecedores de pedras preciosas, assim como na construção civil coordenando arquitetos, engenheiros e empreiteiros. 

A compreensão de motivações emocionais, desenvolvida durante minha formação em psicologia organizacional, revelou-se particularmente valiosa na joalheria. Cada cliente tem uma história única por trás de sua busca por uma joia específica. Minha capacidade de compreender essas histórias e traduzi-las em produtos personalizados tornou-se meu principal diferencial competitivo neste setor. 

O atendimento personalizado na joalheria beneficia-se diretamente de minhas competências em gestão de relacionamentos. Diferentemente de produtos padronizados, as joias frequentemente envolvem um processo de co-criação entre mim e o cliente. Minha capacidade de facilitar esse processo criativo, mantendo o cliente engajado e satisfeito ao longo de todo o desenvolvimento da peça, tem sido crucial para meu sucesso no setor. 

Ao refletir sobre minhas estratégias de diversificação, percebo que ambos os setores, embora aparentemente distintos, na verdade compartilham características que se alinham com minhas competências centrais: projetos personalizados, relacionamentos de longo prazo, coordenação de especialistas e foco na satisfação do cliente. Esta descoberta me fez questionar as classificações tradicionais de diversificação “relacionada” versus “não relacionada”. 

4.4 Meu Framework Pessoal: O Modelo DBCR 

Com base em minha experiência e reflexão, desenvolvi um framework pessoal que denomino “Modelo de Diversificação Baseada em Competências Relacionais” (DBCR). Este modelo representa minha compreensão de como minhas competências em gestão de pessoas facilitaram minha diversificação empresarial bem-sucedida. 

O modelo DBCR estrutura-se em quatro dimensões que identifiquei como fundamentais em minha experiência. A primeira dimensão são as “Competências Relacionais Centrais” – aquelas competências desenvolvidas em minha formação que são aplicáveis transversalmente. Estas incluem comunicação interpessoal, liderança colaborativa, gestão de relacionamentos e compreensão do comportamento humano. Reconheço estas como meu “núcleo competitivo” que me permite ter sucesso em diferentes contextos. 

A segunda dimensão são as “Adaptações Setoriais” – como adapto minhas competências centrais às especificidades de cada setor. Na construção civil, minha liderança assume características mais diretivas e orientadas para resultados tangíveis. Na joalheria, a mesma competência de liderança se manifesta de forma mais consultiva e orientada para criatividade. Esta capacidade de adaptação, que desenvolvi ao longo de minha trajetória, é crucial para o sucesso da diversificação.

A terceira dimensão são as “Sinergias Identificadas” – elementos comuns entre os diferentes negócios que me permitem otimizar recursos e criar valor adicional. Identifiquei sinergias em áreas como gestão administrativa, redes de relacionamento e até mesmo clientes que transitam entre meus diferentes negócios. Estas sinergias não eram óbvias inicialmente, mas emergiram à medida que desenvolvi experiência em ambos os setores. 

A quarta dimensão são as “Capacidades de Aprendizagem” – minha capacidade de adquirir rapidamente conhecimentos e competências específicas de novos setores. Esta capacidade, que atribuo em parte à minha formação em recursos humanos, me permite entrar em novos mercados sem precisar me tornar uma especialista técnica em cada área. 

Meu modelo DBCR sugere que a diversificação empresarial pode ser bem-sucedida mesmo entre setores aparentemente não relacionados, desde que exista uma base sólida de competências relacionais transferíveis. Esta perspectiva contrasta com teorias tradicionais que enfatizam sinergias tecnológicas ou mercadológicas. 

A aplicação deste modelo à minha própria experiência demonstra sua validade prática. Minhas competências relacionais centrais me permitiram ter sucesso tanto na construção civil quanto na joalheria. As adaptações setoriais que desenvolvi me permitiram ser eficaz em contextos muito diferentes. As sinergias que identifiquei me permitem operar de forma mais eficiente do que se tivesse negócios completamente separados. 

Acredito que este modelo pode ser útil para outras empreendedoras com formação similar à minha. Sugere que competências relacionais não são limitantes, mas sim facilitadoras de oportunidades em múltiplos setores. Também indica que a diversificação pode ser uma estratégia viável mesmo para pequenos empreendimentos, desde que baseada em competências sólidas e adaptáveis. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS: REFLEXÕES E APRENDIZADOS 

Ao concluir esta análise reflexiva de minha trajetória empreendedora, reconheço que este exercício de autoetnografia me proporcionou insights valiosos não apenas sobre minha própria experiência, mas também sobre fenômenos mais amplos no empreendedorismo feminino brasileiro. A sistematização de minha experiência através de uma lente acadêmica me permitiu compreender de forma mais profunda os mecanismos pelos quais minhas competências em gestão de pessoas facilitaram minha diversificação empresarial multissetorial. 

Minha principal descoberta é que as competências desenvolvidas em minha formação em Tecnologia em Recursos Humanos constituem ativos intangíveis altamente transferíveis que me permitiram ter sucesso em setores aparentemente distintos. Esta descoberta desafia perspectivas que poderiam considerar uma formação em recursos humanos como limitante para oportunidades empreendedoras. Pelo contrário, minha experiência demonstra que essas competências podem ser facilitadoras de diversificação empresarial. 

O framework DBCR que desenvolvi representa minha contribuição para a compreensão de como competências relacionais podem servir como base para estratégias de crescimento empresarial. Este modelo, baseado em minha experiência prática, oferece uma perspectiva alternativa às teorias tradicionais de diversificação que enfatizam sinergias tecnológicas ou mercadológicas. Sugere que sinergias baseadas em competências humanas podem ser igualmente eficazes. 

Reconheço que minha trajetória foi facilitada por circunstâncias específicas – o crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil, oportunidades identificadas nos setores onde atuo, e minha própria disposição para assumir riscos. No entanto, acredito que os princípios subjacentes à minha experiência são transferíveis para outras empreendedoras com formações similares. 

Para outras mulheres com formação em gestão de pessoas que consideram empreender, minha experiência sugere que não devem se limitar a setores tradicionalmente associados a recursos humanos. As competências relacionais que desenvolvemos são valiosas em qualquer contexto empresarial. A chave está em identificar como essas competências podem ser aplicadas e adaptadas a diferentes setores. 

Minha jornada também me ensinou a importância da aprendizagem contínua e da humildade para reconhecer quando preciso de ajuda especializada. Meu sucesso na construção civil e na joalheria não se deve ao fato de ter me tornado uma especialista técnica nesses setores, mas sim à minha capacidade de construir relacionamentos com especialistas e coordenar suas contribuições de forma eficaz. 

A dimensão de gênero de minha experiência também merece reflexão. Como mulher empreendedora, enfrentei desafios específicos, particularmente na construção civil, onde precisei provar minha competência em um ambiente tradicionalmente masculino. No entanto, descobri que minhas competências relacionais, frequentemente associadas ao “estilo feminino” de liderança, constituíam vantagens competitivas significativas. 

Do ponto de vista acadêmico, espero que minha contribuição estimule mais pesquisas sobre os mecanismos pelos quais diferentes tipos de formação facilitam estratégias empreendedoras específicas. A literatura sobre empreendedorismo feminino se beneficiaria de mais estudos que explorem a diversidade de trajetórias possíveis, em vez de focar apenas em barreiras e desafios. 

Para instituições educacionais que oferecem formação em gestão de pessoas, minha experiência sugere a importância de enfatizar a transferibilidade das competências desenvolvidas. Estudantes devem compreender que suas competências relacionais são valiosas em múltiplos contextos, não apenas em departamentos de recursos humanos tradicionais. 

Para formuladores de políticas de apoio ao empreendedorismo feminino, minha experiência indica a importância de programas que reconheçam e valorizem diferentes tipos de competências como base para diversificação empresarial. Políticas que facilitem a transição entre setores, baseadas nas competências já desenvolvidas pelas empreendedoras, podem ser mais eficazes. 

Reconheço as limitações de minha análise. Como estudo autoetnográfico, está inevitavelmente influenciada por minhas próprias perspectivas e pode não ser representativa de todas as experiências de empreendedoras com formação similar. Adicionalmente, minha experiência ocorreu em um contexto específico – Brasil, setores específicos, período histórico particular – que pode limitar a transferibilidade de meus achados. 

Para futuras pesquisas, sugiro estudos que explorem as experiências de outras empreendedoras com formações diversas, para verificar se padrões similares emergem. Estudos comparativos entre diferentes tipos de formação e suas implicações para estratégias empreendedoras poderiam contribuir significativamente para a literatura. 

Também seria valioso investigar as diferenças de gênero na utilização de competências relacionais para diversificação empresarial. Minha experiência sugere que essas competências podem ser particularmente valiosas para mulheres empreendedoras, mas esta hipótese merece investigação mais sistemática. 

Em termos pessoais, este exercício de reflexão me proporcionou uma compreensão mais clara de minha própria trajetória e me deu confiança para continuar explorando novas oportunidades de diversificação. Reconheço agora que minhas competências relacionais constituem meu principal ativo estratégico, e pretendo continuar explorando como podem ser aplicadas em novos contextos. 

Olhando para o futuro, vejo oportunidades para aplicar meu modelo DBCR em outros setores. A experiência que ganhei na construção civil e na joalheria me deu confiança de que posso ter sucesso em outros contextos, desde que mantenha foco em minhas competências centrais e desenvolva as adaptações setoriais necessárias. 

Concluindo, minha trajetória demonstra que o empreendedorismo feminino pode assumir formas diversas e inovadoras. Não precisamos nos limitar a setores “tradicionalmente femininos” ou seguir trajetórias lineares. Com competências sólidas, disposição para aprender e coragem para assumir riscos calculados, podemos criar oportunidades em múltiplos contextos.

Espero que minha experiência possa inspirar outras mulheres a reconhecer o valor de suas próprias competências e a explorar oportunidades empreendedoras em setores diversos. O empreendedorismo feminino brasileiro tem potencial para continuar crescendo e se diversificando, contribuindo cada vez mais para o desenvolvimento econômico e social de nosso país. 

REFERÊNCIAS 

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1Tecnóloga em Recursos Humanos
Empreendedora nos setores de Construção Civil e Joalheria