METODOLOGIA ATIVA NO ENSINO SUPERIOR NA ÁREA DA SAÚDE: REVISÃO INTEGRATIVA

ACTIVE METHODOLOGY IN HIGHER EDUCATION IN THE HEALTH FIELD: INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202508311020


Lauany Silva de Medeiros¹; Allan Kardec Lima Brandão²; Fernanda Póvoas dos Anjos³; Ana Costa de Oliveira⁴; Luciana Gonçalves de Oliveira⁵; Priscila Xavier de Araújo⁶; Anderson Bentes de Lima⁷; Amanda da Costa Silveira Sabbá⁸.


Resumo

Este trabalho teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura referente aos tipos de metodologias ativas que estão sendo mais utilizadas na formação de profissionais da saúde no nível superior. Para tanto, utilizou como meio metodológico uma revisão bibliográfica, baseada nas recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses, nas principais bases de dados: United States National Library of Medicine National Institutes of Health, Biblioteca Virtual em Saúde, Web of Science e Scientific Electronic Library Online, com estudos publicados sem data estimada. Foram utilizados os descritores de temática. Dos 179 estudos encontrados, após minuciosa análise 10 documentos foram selecionados seguindo aos critérios de inclusão e exclusão. Observou-se que as metodologias ativas mais utilizadas na formação de profissionais de nível superior na área da saúde no exterior e no Brasil foram:  aplicação da aprendizagem baseada em problemas, simulação na educação em saúde e o uso da casuística. Conclui-se, portanto, que as metodologias ativas têm se difundido na país, sobretudo, nos cursos de ensino superior na área da saúde.

Palavraschave: Metodologias Ativas, Ensino Superior em Saúde, Aprendizagem Baseada em Problemas, Simulação na Educação, Formação Profissional.

1 INTRODUÇÃO

Os modelos tradicionais de ensino transformaram os estudantes em espectadores passivos, sem oportunidade para criticar a realidade ou compartilhar conhecimentos. Para superar isso, foi necessário expandir a visão de mundo dos estudantes, desenvolvendo habilidades de pesquisa, análise, reflexão e criticidade, indo além da educação “bancária”. A educação transformadora é fundamental para empoderar os indivíduos como agentes de mudança (Sousa, 2023).

Desse modo, a educação brasileira precisa de mudanças na formação profissional em diversas áreas. Os profissionais devem ter novas competências para resolver problemas imediatos e reais. Um desafio atual é garantir que estejam preparados para o mercado de trabalho, exigindo mudanças curriculares, especialmente na saúde (Macedo; Nascimento, 2023).

Desde a década de 1980, há uma discrepância entre a formação dos profissionais e a realidade do mercado de trabalho. É necessário que os educadores adotem uma abordagem mais crítica, promovendo mudanças sociais e preparando os estudantes para resolver problemas. A pedagogia libertadora de Paulo Freire enfatiza uma relação dialógica entre docentes e estudantes e nas práticas educativas de saúde (Conceição, 2023).

Atualmente, os docentes têm adotado estratégias de ensino-aprendizagem que contrastam com os métodos tradicionais. Há uma crescente valorização do protagonismo do aluno como agente ativo de seu próprio aprendizado, conhecido como metodologias ativas. Isso se deve à necessidade de os profissionais estarem preparados para lidar com as constantes mudanças da sociedade moderna, sendo abertos à aprendizagem contínua (Santos, 2023).

Essa mudança de paradigma requer dos professores uma postura que integre novas metodologias e recursos, visando desenvolver competências essenciais para os alunos. As abordagens ativas promovem o desenvolvimento e aprimoramento dessas competências, contribuindo para uma aprendizagem significativa (Santos, 2023). Debates sobre a Educação em Saúde no ensino superior destacam a necessidade de formar profissionais alinhados aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde busca integrar políticas públicas e serviços de saúde, conectando a prática acadêmica à assistência populacional. Profissionais de Saúde Pública devem ir além do conhecimento técnico, abordando aspectos sociais e integrando-se a outros setores governamentais (Souza, 2023).

Assim, as metodologias ativas têm sido amplamente adotadas em cursos da área de saúde, visando formar profissionais capazes de desenvolver uma visão crítica, articular teoria e prática, e exercer sua profissão de forma ética e responsável (Silva et al., 2019). Nesse contexto, as estratégias educacionais visam engajar os estudantes na reflexão sobre diversas situações teóricas e práticas, promovendo uma abordagem ativa e colaborativa. Os docentes orientam os alunos através de questionamentos que estimulam a compreensão e resolução de problemas reais, incentivando a aprendizagem significativa e o desenvolvimento de autonomia e responsabilidade (Silva et al., 2019).

A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e as diretrizes curriculares da saúde já contemplam essa abordagem ao promover a integração entre ensino, pesquisa e assistência, demandando inovações nos Projetos Pedagógicos de Cursos da área da saúde. Investir em estratégias didáticas que estimulem a reflexão sobre questões sociais é fundamental para a formação de profissionais da saúde (Silva et al., 2019).

Essa mudança de paradigma no processo de ensino-aprendizagem, baseada na construção colaborativa de saberes e na problematização, substitui o modelo tradicional de transferência de conhecimento. Surge uma era de “problematização-reflexão-criticidade” e interdisciplinaridade, envolvendo tanto alunos quanto professores (Conceição, 2023). Diante dos desafios enfrentados pela educação superior na área da saúde, há uma adaptação e transformação do processo educacional, colocando os estudantes no centro do aprendizado e incentivando-os a aplicar o conhecimento teórico na solução de problemas reais (Souza; Ferreira, 2023).

Para tanto, este trabalho tem por objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura referente aos tipos de metodologias ativas que estão sendo mais utilizadas na formação de profissionais da saúde em nível superior.

2 MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de uma Revisão Integrativa de Literatura acerca das metodologias ativas utilizadas na formação de profissionais da saúde no ensino superior.  Tal metodologia foi escolhida por fundamenta-se na análise de informações provenientes de documentos com alto teor cientifico que proporcionem informações fidedignas ou uma visualização de determinado contexto (Silva et al., 2019)

A abordagem utilizada neste estudo se baseia nas recomendações do Preferred  Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Ademais, para a construção dessa revisão foram perpassadas as seguintes etapas recomendadas por Souza, Silva e Carvalho (2010): 1) Desenvolvimento da pergunta norteadora; 2) Estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão; 3) Análise dos resumos selecionados; 4) Avaliação e categorização dos estudos incluídos na integra; 5) Análise e interpretação dos resultados.

Por meio da estratégia PICo, (População, Interesse e Contexto) visualizaram elaboração do conteúdo, a saber: P – Estudantes de Ensino Superior, I – Estratégias de ensino e aprendizagem e Co – contexto dos cursos superiores da área da saúde. Isto culminou na seguinte questão norteadora:  Quais metodologias ativas são mais utilizadas na formação de profissionais da saúde no ensino superior?

Desse modo, a investigação deste trabalho compreendeu todos os estudos disponíveis nas plataformas online: United States National Library of Medicine National Institutes of Health (PubMed), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Web of Science e Scientific Electronic Library Online (SciELO).

A partir disso, fora empregado como critério de inclusão artigos publicados em português e inglês que apresentavam característica descritiva qualiquantitativo de temas relacionados as metodologias ativas nos cursos de ensino da área da saúde, nos seguintes países: Brasil, Portugal, Estados Unidos e Espanha. Como critérios de exclusão: trabalhos que discorriam sobre metodologias ativas para cursos de ensino técnico da saúde, resumos de congresso, editoriais e cartas ao editor.

A coleta de dados aconteceu, em maio e junho de 2025, por meio da indexação dos termos obtidos por meio do vocabulário controlado nos Descritores da Saúde (DECS), sendo eles: “Ensino Superior”, “Técnicas de Ensino”, “Aprendizagem Ativa”; “Metodologia”; “Educação em Saúde” e “Cursos em Ciências da Saúde”.

Após a realização das buscas, os resultados foram exportados para uma planilha eletrônica, onde foi realizada a triagem inicial com a remoção de duplicatas. Em seguida, os títulos e resumos foram lidos para verificar a aderência aos critérios de inclusão definidos previamente. Por fim, foi realizada a leitura na íntegra dos estudos potencialmente elegíveis para confirmar sua relevância para os objetivos da pesquisa.

Durante as buscas on-line, utilizou-se o operador de pesquisa AND para relacionar um termo ao outro, obtendo ao final 179 trabalhos. Destes, 46 foram excluídos devido à duplicidade, 78 excluídos após rastreio/leitura e 43 excluídos após leitura na íntegra. Restando 10 artigos analisados para a revisão, conforme é possível verificar no fluxograma 1.

Fluxograma 1: Processo de seleção dos artigos para este estudo.

Fonte: Adaptado da base PRISMA

Em seguida, foi realizada a quarta etapa, que consistiu na análise na íntegra dos estudos, por meio de uma releitura minuciosa dos materiais selecionados e no fichamento das partes mais relevantes, que contemplam os autores, ano, objetivo e principais achados. Essa etapa foi conduzida por dois revisores de forma independente, garantindo maior rigor metodológico na seleção e categorização dos dados.

As informações extraídas foram organizadas em planilhas no programa Excel 2016, possibilitando a sistematização dos dados coletados.

Para tal, foi utilizada a metodologia de análise de conteúdo de Bardin, permitindo, assim, a compreensão integral das ideias presentes em todos os artigos selecionados. Posteriormente, ocorreu a quinta etapa, focada na análise e interpretação dos resultados.

3 RESULTADOS

Dos 10 estudos, 9 foram desenvolvidos no Brasil, e tendo um estudo desenvolvido na Austrália. Os locais que foram desenvolvidas as pesquisas no Brasil foram: São Paulo (três estudo), Paraná (três estudos), Minas gerais (um estudo), Mato grosso (um estudo), Pernambuco (um estudo). Em relação à língua de publicação, 4 artigos publicados em português e, todos os outros foram publicados em inglês.

Quadro 1 – Características dos estudos sobre metodologia ativa nos cursos da área da saúde no período de 2019 a 2024.

Autor e anoObjetivoPrincipais Achados
Dias PH (2010)Analisar pela pesquisa bibliográfica a dinâmica das novas tecnologias no ensino superior.As novas tecnologias transformam o ensino, exigindo postura reflexiva dos docentes.
Silva AND (2019)Relatar a experiência da construção de documentários por estudantes do curso de Odontologia da UFF.A estratégia incentiva protagonismo e autonomia dos estudantes, promovendo aprendizagem por descoberta.
Bearman M et al (2019)Identificar como profissionais da saúde narram experiências poderosas de educação baseada em simulação (SBE).Cenários com emoções e reflexões são fundamentais para o aprendizado com SBE.
Soares LS et al (2019)Examinar as opiniões, conhecimentos e atitudes sobre as metodologias ativas dos docentes dos cursos de graduação da área da saúdePrevalência do modelo tradicional; docentes com pouco domínio das metodologias ativas; atitudes imobilistas e reconhecimento de resultados positivos.
Bezerra IN (2020)Relatar a experiência de discentes de um curso da área da saúde no desenvolvimento de um caso e sua aplicação no formato de uma Aprendizagem Baseada em Problemas.A ABP é útil na formação profissional, educação continuada e educação popular em saúde.
Sfredo LR et al (2020)Analisar a aplicabilidade de metodologias ativas em um contexto de educação à distância.Existe uma crescente inserção dos recursos tecnológicos na educação em Saúde como meio recurso de maior praticidade e viabilidade ao ensino em saúde no Brasil.
Marques RH et al (2021)Identificar como as metodologias ativas estão sendo aplicadas nas instituições de ensino atuaisO aprendizado ativo é mais eficaz por aumentar a compreensão dos alunos sobre conceitos difíceis.
Souza et al (2021)Analisar a produção nacional sobre metodologias ativas no ensino superior em saúde entre 2013 e 2018.Metodologias ativas promovem autonomia, pensamento crítico e holístico, mas enfrentam barreiras estruturais.
Leite KNS et al (2021)Investigar quais os tipos de metodologias ativas estão sendo mais utilizadas na formação de profissionais da saúdeObservou os principais tipos de metodologias ativas utilizadas na área da saúde, como a baseada na problematização, participativas e simulação.
Matos SR e Mazzafera BL (2022)Estabelecer reflexões sobre o uso de metodologias ativas e Tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento de competências dos estudantes, destacando-se o papel do professor nesse processo.Encontrados benefícios de um ensino por meio de metodologias ativas, bem como o papel do professor na efetivação do processo proporcionando o ensino por meio do desenvolvimento de competências.
Sousa RRA et al (2022)Mapear a produção científica da última década sobre metodologias aplicadas no ensino de Ética, Bioética e DeontologiaAs metodologias ativas oferecem aprendizagens mais significativas.
Sousa TP (2022)Compreender o uso das metodologias de ensino-aprendizado de Ética, Bioética e Deontologia no contexto da educação superior das profissões da Saúde, na última década.Metodologias ativas apresentam maior aplicabilidade e melhores resultados comparadas ao modelo tradicional.
Noguchi et al (2022)Identificar a aplicabilidade das metodologias ativas em saúde.Uso de TDICs, oficinas, casos reais, tomada de decisão e demonstração de competência.
Macedo YM (2023)Propor uma reflexão sobre a Educação Profissional e Tecnológica frente as novas tendências educacionais no Brasil.O uso de tecnologias melhora o ensino; necessário promover debates para avanços educacionais.
Tureck F et al (2023)Identificar as estratégias utilizadas no processo ensino-aprendizagem do raciocínio clínico, nas escolas médicas brasileiras.O ensino do raciocínio clínico é realizado por meio de discussões de casos clínicos, e metodologias ativas como PBL, TBL e CBL.
Santos AM (2023)Analisar as vantagens e desafios da educação a distância na formação de professores.A formação a distância fortalece a competência pedagógica dos professores.
Conceição LG (2023)Diagnosticar as contribuições da formação inicial no exercício profissional de egressos do curso de Pedagogia da UFT/Campus de Miracema.Incentivo à pesquisa e formação docente são positivos, mas há pontos a melhorar na formação.
Fonte: Autores (2025)


4 DISCUSSÃO

Na presente revisão de literatura pôde-se observar que os estudos realizados acerca das principiais metodologias ativas utilizadas na formação de profissionais de nível superior na saúde no exterior e no Brasil, foram: 1. Aplicação da Aprendizagem Baseada em Problemas – ABP 2. Simulação na educação em saúde, e 3. Uso da casuística (Souza et al., 2021; Bezerra et al., 2020; Leite et al., 2021; Bearman; Greenhill; Nestel, 2019).

Cabe trazer um paralelo entre a metodologia tradicional com as metodologias ativas de ensino na formação superior na área da saúde, uma vez que atualmente tem acontecido uma transição da metodologia tradicional para o ensino baseado nas metodologias ativas de ensino. Enquanto o modelo tradicional se baseia em aulas expositivas, onde o professor é o centro do processo educativo e os alunos são receptores passivos do conhecimento, as metodologias ativas colocam o estudante no papel de protagonista da sua aprendizagem (Leite et al., 2021; Bearman; Greenhill; Nestel, 2019).

Nas metodologias ativas, como por exemplo o aprendizado baseado em problemas (PBL), estudo de caso e simulação, os alunos são incentivados a explorar, questionar e aplicar o conhecimento em situações práticas. Isso contrasta com a memorização e repetição enfatizadas no ensino tradicional (Leite et al., 2021; Bearman; Greenhill; Nestel 2019).

O resultado é uma formação mais dinâmica e interativa, que prepara os profissionais não apenas com conhecimento teórico, mas também com habilidades práticas e capacidade de adaptação às mudanças constantes do mercado de trabalho. Assim, as metodologias ativas representam um avanço significativo na educação superior, alinhando-se mais estreitamente com as necessidades contemporâneas de desenvolvimento profissional (Leite et al., 2021; Bearman; Greenhill; Nestel, 2019).

A aprendizagem baseada em problema é uma abordagem pedagógica que coloca os estudantes no centro do processo de aprendizagem. Nesse método, os alunos trabalham em grupos para resolver problemas do mundo real, aplicando conhecimentos teóricos e desenvolvendo habilidades práticas (Bezerra et al., 2020; Marques et al., 2021).

A relevância da ABP na formação de profissionais de nível superior reside na preparação desses alunos para enfrentar desafios complexos, estimulando o pensamento crítico, a colaboração e a capacidade de aplicar o conhecimento em contextos reais. Além disso, a ABP promove a autonomia e a motivação dos estudantes, tornando-os mais aptos a se adaptarem às demandas do mercado de trabalho. A ABP difere de outras abordagens pedagógicas de várias maneiras: 1. Centralidade do Problema; 2. Atividade Colaborativa; 3. Contextualização e Aplicação; 4. Autonomia do Aluno; 5. Desenvolvimento de Habilidades Transversais (Bezerra et al., 2020).

A simulação em saúde aplicada através da metodologia ativa, transforma o processo de ensino-aprendizagem na formação de profissionais de nível superior em saúde. Neste cenário, estudantes são imersos em simulações realísticas, onde praticam procedimentos e tomam decisões críticas em um ambiente controlado. Essa abordagem promove o aprendizado experiencial, desenvolvendo habilidades técnicas e interpessoais essenciais para a prática clínica. Ao simular situações de vida real, os futuros profissionais de saúde aprendem a agir com confiança e precisão, melhorando a segurança do paciente e a qualidade do atendimento (Souza et al., 2021; Bearman; Greenhill; Nestel 2019)

A metodologia ativa no formato de simulação em saúde é fundamental na formação de profissionais de nível superior, pois oferece uma plataforma segura para o desenvolvimento de competências clínicas sem riscos para pacientes reais. Ela permite que os discentes das mais diversas áreas da saúde se deparem com cenários complexos e tomem decisões sob pressão, refinando suas habilidades de comunicação, raciocínio crítico e trabalho em equipe. Além disso, a simulação prepara os alunos para responderem efetivamente a emergências médicas, contribuindo significativamente para a melhoria dos padrões de cuidado e segurança do paciente no ambiente de saúde (Soares et al., 2019).

Ao analisar os 10 artigos incluídos nesta revisão, observou-se que as metodologias ativas foram aplicadas em diferentes cursos de graduação na área da saúde. Os cursos mais recorrentes foram Enfermagem, Medicina, Fisioterapia e Odontologia, refletindo a ampla aplicabilidade dessas estratégias no ensino superior em saúde. Essa diversidade de contextos evidencia a versatilidade das metodologias ativas, que podem ser adaptadas às especificidades de cada formação profissional, contribuindo para uma aprendizagem mais significativa, prática e alinhada às demandas do mercado e da assistência à saúde.

Por último, outra metodologia amplamente empregada na formação de profissionais de nível superior é a casuística mais conhecida com estudo de caso. A metodologia ativa casuística, ou estudo de caso, é uma técnica de ensino valiosa que coloca os alunos no centro do processo de aprendizagem (Soares et al., 2019).

Através da análise de casos reais ou hipotéticos, os estudantes desenvolvem habilidades analíticas e de tomada de decisão ao aplicarem teorias e conhecimentos em situações práticas. Esta abordagem promove o pensamento crítico e a capacidade de resolver problemas complexos, preparando os alunos para os desafios do mundo real. Além disso, o estudo de caso facilita a aprendizagem interdisciplinar e a colaboração entre pares, elementos essenciais na formação de profissionais competentes e adaptáveis (Soares et al., 2019).

A casuística, ou estudo de caso, é essencial na formação de profissionais da saúde de nível superior, pois aproxima o ensino teórico da prática clínica. Ao analisar e discutir casos reais, os alunos aprendem a integrar conhecimento científico com habilidades práticas, melhorando sua capacidade de diagnóstico e intervenção. Esta técnica também estimula o desenvolvimento de competências como empatia, comunicação eficaz e trabalho em equipe, fundamentais no atendimento humanizado ao paciente. Assim, o estudo de caso contribui para a formação de profissionais reflexivos, críticos e preparados para os desafios da saúde contemporânea (Soares et al., 2019).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se, portanto, de acordo com a literatura que as metodologias ativas de ensino que, atualmente, são as mais utilizadas nos cursos de ensino superior na área da saúde é a aprendizagem baseada em problemas, a simulação na educação em saúde e o uso da casuística. Ademais, ressalta-se que tais abordagens promovem um aprendizado mais dinâmico e centrado nas necessidades dos discentes, contribuindo para o ensino e aprendizagem e, desse modo, para a formação de profissionais mais preparados para enfrentar os desafios.

Além disso, a adoção dessas metodologias reflete a necessidade de inovar nos processos educacionais, visando a formação de profissionais com habilidades críticas e reflexivas, capazes de lidar com as complexidades e transformações constantes do campo da saúde.  Levando tudo isto em consideração, recomenda-se a necessidade de mais estudos sobre as metodologias ativas no ensino.

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¹Mestranda em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará. E-mail: lauanymedeiiros@gmail.com;
²Mestrando em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará. E-mail: allan.kl.brandao@aluno.uepa.br;
³Mestranda em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará. E-mail: fernanda.pd.anjos@aluno.uepa.br;
⁴Mestranda em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará. E-mail: ana.cd.oliveira@uepa.br;
⁵Mestranda em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará. E-mail: lu.med@live.com;
⁶Doutora em Biologia Parasitária pela Universidade do Estado do Pará. E-mail: priscila.araujo@uepa.br;
⁷Doutor em Biotecnologia pela Universidade Federal do Pará. E-mail: andersonbentes@uepa.br;
⁸Doutora em Biologia Parasitária na Amazônia pela Universidade do Estado do Pará. E-mail: amanda.silveira@uepa.br.