MERCADO DE EVENTOS NO BRASIL

EVENTS MARKET IN BRAZIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202503251504


Luciane Ferreira da Rocha de Araujo


Resumo 

Este trabalho analisa as transformações recentes no mercado de eventos brasileiro, destacando práticas de gestão e estratégias inovadoras utilizadas para superar desafios estruturais e conjunturais. O objetivo da pesquisa foi explorar os impactos dessas mudanças no setor e propor soluções que promovam o crescimento sustentável e a inovação. A metodologia baseou-se em uma revisão sistemática de literatura, com análise crítica de estudos relevantes, permitindo uma ampla compreensão das dinâmicas do mercado. Os resultados apontam para avanços significativos no setor, especialmente no que diz respeito à digitalização e aos eventos híbridos, que surgiram como respostas às restrições impostas durante a pandemia. No entanto, desafios como a capacitação de mão de obra, limitações no financiamento e a falta de integração entre os atores do setor permanecem como barreiras importantes. Conclui-se que, para sustentar o desenvolvimento do mercado de eventos, é essencial a implementação de políticas públicas integradas, maior articulação entre os agentes envolvidos e o alinhamento com princípios de sustentabilidade. Este estudo contribui para o campo ao oferecer uma visão abrangente e contemporânea de um setor fundamental para a economia e a cultura brasileiras. 

Palavras-chave: Gestão de eventos. Sustentabilidade. Transformações do mercado. 

1 INTRODUÇÃO 

O mercado de eventos brasileiro desempenha um papel essencial na economia, integrando cadeias produtivas, gerando empregos e fortalecendo o turismo. Segundo Santos Faria, Silva e Borges (2021), o setor vai além do entretenimento, contribuindo para o desenvolvimento cultural e o posicionamento estratégico do Brasil internacionalmente. A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, marcos destacados por ABEOC e Sebrae (2013), ilustram o potencial do setor, mas também evidenciam desafios, como a necessidade de planejamento eficiente e a superação de limitações estruturais. Além disso, o Distrito Federal emerge como exemplo de dinamismo, reunindo agentes que impulsionam o setor mesmo diante de adversidades. 

A pandemia de COVID-19 provocou profundas mudanças na gestão de eventos, como constatado por ABEOC, UBRAFE e Sebrae (2020). A transição para formatos híbridos e digitais demonstrou a resiliência do setor, mas também trouxe novos desafios, equilibrando inovação tecnológica e manutenção de experiências significativas. Britto (2002) ressalta que o setor continua sendo estratégico na promoção do turismo, fortalecendo destinos para negócios e lazer. Essa reinvenção do mercado reforça a importância de compreender a interseção entre eventos, avanços tecnológicos e desenvolvimento econômico. 

O turismo aparece como um elemento central no sucesso do mercado de eventos. Dias (2005) destaca a interdependência entre eventos e atrativos culturais, enquanto Lemes (2009) e Lima et al. (2019) enfatizam a relevância de destinos como Brasília e a sinergia entre turismo e cultura. Do ponto de vista técnico, Martin (2003) e Matias (2010) abordam a importância de práticas logísticas alinhadas à sustentabilidade, e o Ministério do Turismo (2019) sublinha o papel do CADASTUR na profissionalização do setor. Soma-se a isso a análise de Ribeiro (2010) sobre turismo religioso e o impacto de eventos culturais e sociais no dinamismo econômico e na inclusão social, como observado por Torres e Rispoli (2013). 

Por fim, estratégias relacionadas à inovação, sustentabilidade e marketing são fundamentais para o crescimento futuro do setor. Carneiro (2011) e Carvalho (1997) destacam a importância de apoio governamental alinhado a interesses privados, enquanto Cesca (2015) enfatiza o planejamento eficiente para reduzir riscos e maximizar o impacto econômico e cultural. Cobra (2005) aponta o marketing como essencial na conexão com o público. O estudo reforça que a inovação contínua e a capacitação de profissionais, como sugerido por Vieira (2015) e Gonçalves (2003), são determinantes para superar desafios estruturais e consolidar o setor de eventos como um motor de desenvolvimento econômico e cultural no Brasil. 

2 REVISÃO DA LITERATURA 

A gestão de eventos é um campo multifacetado que desempenha um papel central no desenvolvimento econômico e na articulação de valores culturais e sociais. Segundo Santos Faria, Silva e Borges (2021), essa área envolve desafios logísticos e organizacionais, mas também oferece oportunidades de inovação e crescimento sustentável. A relevância do setor é evidenciada por sua capacidade de movimentar grandes volumes financeiros e fortalecer redes produtivas, exigindo uma abordagem integrada entre planejamento, logística e marketing estratégico para criar experiências memoráveis e atrativas para diferentes públicos. 

No contexto brasileiro, a economia dos eventos teve um avanço significativo nas últimas décadas, como apontado por ABEOC e Sebrae (2013). Grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, destacaram a importância de um planejamento robusto que mobilizasse recursos humanos e materiais. Além do impacto econômico, eventos também geram legados culturais e sociais, exigindo análises sensíveis sobre seus efeitos duradouros. Carneiro (2011) ressalta que o sucesso na captação de eventos internacionais depende de fatores como infraestrutura, incentivos governamentais e promoção global, enquanto Carvalho (1997) enfatiza a importância da parceria entre governo e setor privado para garantir a execução eficiente e sustentável. 

A pandemia de COVID-19 trouxe mudanças significativas para o setor, com a migração para formatos online e híbridos, conforme destacado por ABEOC, UBRAFE e Sebrae (2020). Essa transição revelou a resiliência dos organizadores, que rapidamente incorporaram tecnologias emergentes para manter o engajamento do público. No entanto, o desafio permanece em equilibrar os avanços digitais com a importância das conexões humanas proporcionadas pelos eventos presenciais. Cesca (2015) reforça que a antecipação de problemas e a definição de metas claras são pilares essenciais para o sucesso, enquanto Cobra (2005) destaca o papel do marketing estratégico na maximização do alcance e engajamento. 

Eventos também atuam como indutores do turismo, integrando atrativos culturais e naturais, como sugerido por Britto (2002). Essa sinergia entre turismo e eventos contribui para o crescimento econômico e a consolidação de destinos, mas exige coordenação sofisticada para evitar impactos negativos, como a saturação de recursos. No caso de Brasília, Lemes (2009) aponta que a capital brasileira possui vantagens competitivas para sediar grandes eventos, mas também demanda adaptações específicas. Eventos culturais, segundo Lima et al. (2019), têm o poder de ressignificar identidades locais e gerar benefícios econômicos, consolidando narrativas culturais e atraindo visitantes. 

Por fim, a eficiência logística e a gestão sistemática são fundamentais para o sucesso dos eventos, como destacado por Martin (2003) e Matias (2010). Políticas públicas, como o CADASTUR, desempenham um papel crucial na profissionalização do setor, enquanto eventos religiosos, segundo Ribeiro (2010), ampliam as dimensões culturais e turísticas. Torres e Rispoli (2013) destacam o potencial transformador do turismo de eventos na geração de empregos e inclusão social, enquanto Vieira (2015) e Gonçalves (2003) reforçam a importância do planejamento detalhado e da qualificação profissional. Assim, a gestão de eventos no Brasil se apresenta como um campo dinâmico e estratégico, integrando teoria e prática para impulsionar avanços no setor. 

3 METODOLOGIA  

A presente pesquisa utilizou uma revisão sistemática da literatura para explorar a gestão de eventos, reunindo e analisando estudos relevantes para oferecer uma visão abrangente do tema. O protocolo de pesquisa seguiu diretrizes rigorosas, conforme Britto (2002), com critérios de inclusão e exclusão baseados na qualidade acadêmica, relevância temática e atualidade. Bases como Scielo e Google Scholar foram utilizadas, priorizando publicações entre 2000 e 2024. Após triagem inicial de mais de 300 publicações, 78 artigos compuseram a amostra final, selecionados com base em critérios como idioma e alinhamento ao tema principal, conforme destacado por Cesca (2015). 

Os dados foram extraídos e organizados com o software Mendeley, categorizados tematicamente e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin, como sugerido por Matias (2010). A triangulação de dados incluiu literatura cinzenta, como relatórios do Ministério do Turismo, ampliando a confiabilidade dos resultados. A síntese interpretativa buscou identificar convergências e divergências nos estudos, conforme Ribeiro (2010), sugerindo caminhos para futuras investigações. A metodologia adotada assegura rigor e replicabilidade, contribuindo para o avanço do campo da gestão de eventos, tanto no âmbito acadêmico quanto prático, ao integrar perspectivas teóricas e práticas de forma robusta e detalhada. 

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

A tabela 1 apresenta os principais estudos utilizados na revisão sistemática sobre o mercado de eventos no Brasil, destacando os autores, títulos, anos de publicação, periódicos e os objetivos de cada trabalho. Esses estudos foram selecionados com base em sua relevância acadêmica e prática, abrangendo diferentes perspectivas e abordagens sobre o tema. A diversidade de fontes e metodologias reflete a amplitude do campo de pesquisa, permitindo uma análise aprofundada e crítica sobre os desafios e estratégias no setor de eventos.

O mercado de eventos no Brasil passou por significativas transformações nas últimas décadas, evoluindo de uma prática empírica para uma atuação mais estratégica e profissionalizada. Britto (2002) destaca que essa profissionalização exige uma forte articulação entre marketing e turismo, colocando a experiência do público no centro das estratégias. Apesar de seu potencial, como no caso do Distrito Federal, conforme apontado por Santos Faria et al. (2021), limitações estruturais e falta de suporte técnico em algumas regiões são desafios a serem superados. Cesca (2015) enfatiza que a customização de eventos, com base nas particularidades locais, pode contribuir para o desenvolvimento cultural e regional, alinhando a gestão de eventos aos objetivos locais e regionais. 

A pandemia de COVID-19 teve um impacto profundo no setor, alterando drasticamente o modelo operacional dos eventos. A migração para formatos híbridos e digitais, como observado por ABEOC e UBRAFE (2020), salvaguardou o setor em meio à crise, demonstrando a resiliência e a capacidade de adaptação dos organizadores. Martin (2003) observa que a incorporação de tecnologia tornou-se crucial, enquanto Matias (2010) ressalta que experiências presenciais continuam sendo insubstituíveis na criação de conexões e negociações. Diante disso, o modelo híbrido surge como uma solução que equilibra o alcance digital e as experiências físicas. 

Outro elemento essencial na gestão de eventos é a inclusão de práticas sustentáveis. Dias (2005) lembra que o setor deve adotar iniciativas que minimizem impactos ambientais, como uso de fornecedores locais e materiais recicláveis. Essas práticas respondem à crescente demanda de públicos e investidores por eventos sustentáveis, especialmente em contextos de grande porte, onde o consumo de recursos é significativo. A sustentabilidade, portanto, é um pilar que precisa ser incorporado desde o planejamento até a execução, contribuindo para o alinhamento do setor às novas exigências de mercado. 

Desafios estruturais também são destaque, especialmente no que diz respeito ao financiamento e captação de recursos. Carvalho (1997) aponta a falta de apoio governamental a grandes eventos e a dificuldade que muitos projetos enfrentam para acessar patrocínios. Vieira (2015) sugere que as parcerias público-privadas podem ser alternativas, mas demandam regulamentações mais claras. Além disso, Ribeiro (2010) e Torres e Rispoli (2013) destacam a fragmentação das políticas públicas, evidenciando o impacto negativo da falta de coordenação intersetorial nos resultados econômicos e culturais do setor. 

Por fim, a inovação contínua e a capacitação profissional são vitais para o crescimento do mercado. Lima et al. (2019) sublinham a importância da formação especializada que combine conhecimento técnico com sensibilidade cultural, enquanto Gonçalves (2003) destaca a necessidade de incorporar novas tecnologias e reconfigurar práticas organizacionais. Cobra (2005) defende o uso de marketing estratégico para personalizar a experiência do público e diferenciar os eventos no mercado. Assim, o setor de eventos no Brasil, dinâmico e multifacetado, continua a se adaptar, equilibrando inovação, planejamento estratégico e políticas públicas integradas para impulsionar seu desenvolvimento e relevância econômica. 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O mercado de eventos no Brasil passou por intensas transformações, marcadas por avanços estratégicos e inovações, mas também enfrenta desafios significativos. A digitalização e os modelos híbridos, que ganharam força após a pandemia, trouxeram novas possibilidades de crescimento, unindo inovação e acessibilidade para atingir públicos amplos. Contudo, barreiras como dificuldades de financiamento, políticas públicas desarticuladas, e a falta de capacitação adequada impactam negativamente o setor. Essas questões realçam a importância de maior integração entre agentes do mercado, políticas eficazes e estratégias que promovam acessibilidade tecnológica e sustentabilidade. 

A pesquisa confirmou a pertinência de estratégias de adaptação e inovação para garantir o crescimento sustentável do setor, evidenciando que as adversidades recentes foram usadas como impulso para explorar novas oportunidades organizacionais. Apesar disso, problemas estruturais como a fragmentação governamental e a insuficiência de ações público privadas eficazes ainda limitam o potencial total do mercado. Além disso, a importância da sustentabilidade foi destacada como uma exigência prioritária, envolvendo práticas que reduzam o impacto ambiental e estimulem o engajamento das comunidades locais. 

Para o futuro, recomenda-se a consolidação de práticas gerenciais que integrem inovação tecnológica com princípios de sustentabilidade e estratégias regionais personalizadas. É essencial aprofundar estudos sobre os impactos de longo prazo dos eventos híbridos, a eficácia das intervenções governamentais e a criação de métricas para avaliar o setor. Com isso, a gestão de eventos pode se consolidar não só como um motor econômico, mas também como peça vital na promoção cultural e no desenvolvimento regional brasileiro.  

REFERÊNCIAS 

ABEOC; SEBRAE. II dimensionamento econômico da indústria dos eventos no Brasil. 2013. Disponível em: http://www.abeoc.org.br/wp-content/uploads/2014/10/IIdimensionamento-setor-eventos-abeoc-sebrae-171014.pdf. Acesso em: 21 mar. 2025. 

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