MANEJO CLÍNICO DA ESPOROTRICOSE EM IDOSOS

CLINICAL MANAGEMENT OF SPOROTRICHOSIS IN ELDERLY INDIVIDUALS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510262013


Gisele Ribeiro de Oliveira1
Iris Ferreira de Lima1
Maria Simone de Souza Vieira1
Coorientadora: Emanuelle Lira da Silva2
Orientadora: Amanda Bezerra2


Resumo 

A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo gênero Sporothrix, especialmente S. brasiliensis,  cuja incidência tem aumentado no Brasil, com destaque para o Amazonas. A transmissão,  frequentemente associada a felinos, tornou-se um problema de saúde pública, e os idosos representam o  grupo mais vulnerável devido à imunossenescência, comorbidades e polifarmácia, o que favorece  formas clínicas graves e maior risco de complicações. Diante desse cenário, o presente estudo teve como  objetivo analisar o manejo clínico da esporotricose em idosos, com foco na eficácia terapêutica, eventos  adversos e intervenções de suporte. Trata-se de uma revisão sistemática baseada nas diretrizes PRISMA,  com busca nas bases PubMed e BVS, incluindo estudos primários publicados entre 2015 e 2025, em  português, inglês e espanhol. Foram selecionados 15 estudos (coortes, relatos de caso, séries de casos)  que abordaram diferentes formas clínicas da doença em pacientes ≥60 anos. O itraconazol foi  identificado como terapia de primeira linha, com altas taxas de resposta, embora frequentemente  exigindo tratamento prolongado. Em casos graves ou refratários, a anfotericina B lipossomal mostrou-se mais eficaz e segura. O iodeto de potássio permaneceu como alternativa útil em apresentações leves  ou atípicas, porém com risco de recidiva. Os eventos adversos mais relatados incluíram  hepatotoxicidade, nefrotoxicidade e interações medicamentosas, exigindo monitorização laboratorial  constante. As intervenções de suporte, como controle de comorbidades, cuidado de feridas, reabilitação  funcional e educação do paciente, mostraram-se essenciais para adesão e desfechos favoráveis. Conclui-se que o manejo da esporotricose em idosos deve ser individualizado, multidisciplinar e baseado em  protocolos padronizados, garantindo eficácia terapêutica com segurança e cuidado humanizado. 

Palavras-chave: Manejo. Idosos. Manejo farmacêutico. Esporotricose. 

1. INTRODUÇÃO 

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, especialmente Sporothrix brasiliensis, apontada como a espécie mais prevalente no Brasil nos últimos anos (Rodrigues et al., 2023). Trata-se de uma zoonose de grande impacto em ambientes urbanos, com destaque para a transmissão por gatos infectados, que atuam como  importantes vetores (Journals PLoS, 2023; FVS-AM, 2025).  

No Amazonas, observa-se um aumento expressivo da doença. Entre agosto de 2020 e  dezembro de 2023, Manaus registrou 4.301 casos confirmados de esporotricose, sendo 3.403  em animais (99,6% felinos) e 898 em humanos, com crescimento acentuado, os casos humanos  dobraram e os de animais quadruplicaram em apenas um ano (Cadernos de Saúde Pública,  2024). Em 2025, até junho, já haviam sido notificados 1.044 casos humanos no estado, dos  quais 815 confirmados; no mesmo período, foram reportados 3.204 casos animais, com 2.992  confirmados (Tribuna de Minas, 2025; Agência Amazonas, 2025).  

Esse cenário, somado à expansão da doença para municípios do interior, evidencia que  a esporotricose se tornou um relevante problema de saúde pública na região, exigindo atenção  especial a grupos vulneráveis, como os idosos (FVS-AM, 2025). 

Em pessoas idosas, a infecção costuma assumir formas clínicas mais graves devido à  imunossenescência, ou seja, o envelhecimento do sistema imunológico, que reduz a eficácia da  resposta inflamatória e celular frente ao agente infeccioso (Silva; Costa, 2021). Essa diminuição  natural da imunidade favorece a disseminação do fungo e eleva o risco de formas graves, como  a esporotricose disseminada (Bonifaz et al., 2017). Além disso, comorbidades comuns nessa  faixa etária, como diabetes mellitus e doenças hepáticas, podem agravar o quadro clínico (Silva  et al., 2024).  

O tratamento da esporotricose em idosos requer atenção especial não apenas em razão  da vulnerabilidade imunológica, mas também devido às alterações fisiológicas do  envelhecimento, que afetam a absorção, metabolização e excreção dos medicamentos (Kumar;  Sinha; Singh, 2021). O itraconazol é considerado a terapia de primeira escolha; entretanto, sua  eficácia pode ser comprometida quando administrado concomitantemente a inibidores da  bomba de prótons, como o omeprazol, fármaco frequentemente prescrito para essa população  (Almeida et al., 2019). Outro ponto crítico é o risco aumentado de efeitos adversos, como a  hepatotoxicidade, que exige monitoramento laboratorial constante (Gonzalez; Almeida, 2020). 

A terbinafina surge como uma alternativa promissora, sobretudo por apresentar menor  risco de interações medicamentosas, fator especialmente relevante para idosos em polifarmácia  (Ferreira; Lima; Pereira, 2023). Já a anfotericina B é geralmente reservada para quadros graves,  mas deve ser usada com cautela devido ao seu elevado potencial nefrotóxico, particularmente  em pacientes com função renal comprometida (Oliveira et al., 2021).  

Dessa forma, o estudo do manejo clínico da esporotricose em idosos justifica-se pela  relevância crescente dessa micose no Brasil, especialmente na região amazônica, onde a incidência tem apresentado aumento significativo nos últimos anos. A população idosa, além  de estar em expansão demográfica, apresenta maior suscetibilidade às formas graves da doença  e maior risco de complicações em decorrência de comorbidades e da polifarmácia. Assim,  compreender as especificidades do tratamento nessa faixa etária é fundamental para aprimorar  protocolos terapêuticos, reduzir efeitos adversos e garantir uma assistência mais segura e  humanizada (Gomes et al., 2023; Neri et al., 2024). 

Diante desses desafios, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar o tratamento da  esporotricose em idosos, com foco na eficácia dos medicamentos, nas reações adversas e nos  cuidados específicos exigidos por essa população. 

Especificamente, busca-se analisar a eficácia dos tratamentos disponíveis, identificar os  principais efeitos adversos das terapias utilizadas, e avaliar as intervenções farmacológicas e de  suporte adotadas no manejo da doença. Com isso, pretende-se contribuir para uma abordagem  mais segura, eficiente e humanizada no cuidado ao idoso acometido por essa micose emergente. 

2. METODOLOGIA  

Foi realizada uma revisão sistemática conforme as recomendações da metodologia  Prisma “Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and MetaAnalyses”. A escolha dos  artigos ocorreu por meio de busca nos bancos de dados como o PubMed e BVS. Foram  utilizados os seguintes descritores em ciências da saúde (DeCS):” Manejo”, “Idosos”, “Manejo  farmacêutico”,”Esporotricose”. Já em inglês: Management”, “Elderly”, “Pharmaceutical  management”,”Sporotrichosis.

Os dados relevantes foram extraídos e organizados em fluxograma e tabelados (figura1). Todos os tipos de pesquisa devem apresentar material e métodos. 

Os artigos buscados foram selecionados de acordo com os títulos, resumos e ano de  publicação. Artigos online, de acesso livre, publicados nos últimos 10 anos (2015-2025), nos  idiomas português, espanhol e inglês; Artigos dos tipos observacional, descritivos, prospectivos  ou retrospectivos, ensaios clínicos, relatos e séries de casos. Para a análise dos dados, os artigos  selecionados serão avaliados na íntegra e sintetizados de forma sistemática e crítica.  

Além disso, foi realizada uma avaliação criteriosa da qualidade metodológica dos  estudos incluídos, considerando critérios como clareza nos objetivos, delineamento, tamanho  da amostra e robustez estatística. Essa etapa teve como finalidade assegurar a confiabilidade  das evidências reunidas, reduzir vieses e possibilitar uma interpretação crítica dos resultados,  permitindo maior rigor científico e consistência nas conclusões apresentadas. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES  

Os resultados desta pesquisa apresentam 15 estudos primários, publicados entre 2020 e  2025, nacionais e internacionais, que abordam o manejo clínico da esporotricose em pessoas  idosas (≥60 anos). A seleção priorizou pesquisas originais (coortes, séries de casos e relatos 

clínicos) que descrevem desfechos terapêuticos, efeitos adversos e intervenções farmacológicas  e de suporte aplicadas à população idosa, excluindo revisões narrativas ou sistemáticas. Os trabalhos contemplam diferentes formas clínicas (linfocutânea, cutânea localizada,  osteoarticular e apresentações disseminadas/atípicas) e cenários assistenciais variados,  permitindo observar tanto a prática ambulatorial quanto o manejo de casos graves ou refratários. Os estudos em sua maioria apresentaram resultados referentes ao uso de itraconazol  como primeira linha nas formas cutâneas/linfangíticas, a anfotericina B lipossomal em quadros  graves ou refratários, e opções situacionais como iodeto de potássio e terbinafina, sempre à luz  de comorbidades frequentes, que exigem monitorização laboratorial e revisão de interações.  Também são relatadas medidas de suporte (controle glicêmico, cuidado de feridas,  reabilitação funcional e seguimento estruturado), fundamentais para reduzir complicações,  melhorar a adesão a tratamentos prolongados e preservar a funcionalidade. Dessa forma, os estudos selecionados foram tabulados e apresentados na Tabela 1, que  está organizada em três colunas: Autor/ano, Idioma / Tipo de estudo e Resultados encontrados.  Essa estrutura evidencia, de forma comparável a eficácia dos esquemas antifúngicos em idosos,  os principais eventos adversos e a monitorização recomendada, e as intervenções  complementares que potencializam a segurança e a efetividade do cuidado nesta população. A partir dessa base empírica, a discussão subsequente aprofunda convergências e  diferenças entre os achados, alinhando-os aos objetivos do estudo. 

Tabela 1. Síntese dos resultados encontrados

Fonte: Oliveira et al., (2025)

3.1. Eficácia dos tratamentos disponíveis 

A literatura demonstra que o itraconazol permanece como a principal terapia de primeira  linha no manejo da esporotricose em idosos, especialmente nas formas cutâneas e linfangíticas.  Gomes et al., (2023) ressaltam que essa população mantém altas taxas de resposta clínica,  embora frequentemente necessite de cursos mais prolongados em razão das comorbidades  associadas. Em concordância, Sakai et al. (2024) e Yang e Yang (2024) observaram resultados  consistentes com doses de 200–400 mg/dia, reforçando a importância da individualização  conforme tolerância e evolução clínica. 

O iodeto de potássio ainda se mantém relevante em cenários selecionados. De acordo  com Neri et al., (2024), a resposta inicial é favorável, mas há tendência a recidivas tardias, o  que justifica a consolidação com itraconazol após o uso do sal iodado. Juárez-Durán et al.,  (2022) também documentaram esse comportamento, sugerindo que o seguimento prolongado é  essencial para reduzir recaídas. 

Nos casos graves ou refratários, a anfotericina B lipossomal se mostra superior à  formulação deoxicolato, com melhor perfil de segurança renal. Martins et al. (2023)  demonstraram que o escalonamento precoce com anfotericina B seguido de itraconazol garante recuperação clínica mais rápida e redução de sequelas. Ramos et al., (2021) corroboram essa  estratégia, destacando a preservação funcional e melhora da qualidade de vida. 

Estudos adicionais reforçam o padrão terapêutico. Gonçalves et al., (2023)  demonstraram que o itraconazol foi utilizado em 74,2% dos casos (geralmente em doses de  100–200 mg/dia), iodeto em 15,9% e anfotericina B em 0,8%, sendo que 12 pacientes  apresentaram falha com itraconazol e necessitam associação terapêutica. Veasey et al., (2024)  relataram resistência clínica ao itraconazol em 100 mg/dia, com necessidade de associação de  iodeto de potássio (3,5 g/dia) e crioterapia para erradicação após cinco meses, reforçando a  importância da vigilância clínica da resposta ao antifúngico.

No contexto brasileiro, as recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia  (Orofino-Costa, 2022) padronizar protocolos: itraconazol 100–200 mg/dia para formas  cutâneas, até 200–400 mg/dia em casos mucosos, osteoarticulares ou sistêmicos, e anfotericina  B reservada às formas graves. Essas diretrizes mostram a necessidade de alinhar condutas ao  perfil clínico e idade do paciente. 

Avanços diagnósticos também têm impacto direto na eficácia terapêutica. Zhang et al.  (2024) e Yang e Yang (2024) descrevem que o uso de métodos moleculares, como PCR e NGS,  encurtou o tempo até o diagnóstico, permitindo ajustes terapêuticos mais precoces e direcionados. Xia et al., (2024) acrescentam que, em pacientes com diabetes ou hepatopatia, a  seleção de formulações lipossomais e o controle metabólico ampliam a taxa de sucesso  terapêutico. Em estudo nacional, Peçanha et al., (2023) observaram resultados semelhantes,  ressaltando que o sucesso depende não apenas da escolha do antifúngico, mas também da  abordagem clínica integrada. 

Portanto, as evidências indicam que a eficácia terapêutica em idosos decorre da  combinação de agentes antifúngicos clássicos com ajustes individualizados, somada ao  diagnóstico precoce e à avaliação cuidadosa de comorbidades. 

3.2. Principais efeitos adversos das terapias utilizadas 

Apesar da eficácia dos antifúngicos, os eventos adversos são frequentes em idosos e  representam um desafio adicional no manejo da esporotricose. O itraconazol, embora  amplamente utilizado, está associado a risco de hepatotoxicidade e interações via CYP3A4. Freitas et al., (2022) recomendam a realização de transaminases basais e seriadas, sobretudo  nas primeiras semanas, e alertam para interações relevantes com estatinas, benzodiazepínicos e  anti-hipertensivos, amplamente prescritos em idosos. Gomes et al., (2023) reforçam que a  polifarmácia é um fator agravante nesse contexto, exigindo monitorização laboratorial  contínua. 

No caso do iodeto de potássio, Neri et al., (2024) destacam a ocorrência de efeitos  adversos gastrointestinais, como náuseas e desconforto abdominal, além do risco de disfunções  tireoidianas em uso prolongado. Essa constatação é particularmente relevante em idosos frágeis,  nos quais a reserva fisiológica é reduzida.

A anfotericina B, mesmo na formulação lipossomal, requer atenção rigorosa. Martins et  al., (2023) apontaram que, embora o perfil de nefrotoxicidade seja reduzido em comparação ao  deoxicolato, ainda se observam alterações em creatinina e eletrólitos (K⁺ e Mg²⁺), exigindo  correção precoce e adequada hidratação. Ramos et al., (2021) também identificaram que a  interrupção do tratamento pode ser evitada mediante vigilância laboratorial contínua. 

Relatos adicionais, como os de Xia et al., (2024), demonstram que a presença de  hepatopatia crônica ou diabetes aumenta a probabilidade de toxicidade, exigindo avaliação  clínica criteriosa e ajustes individualizados. Juárez-Durán et al., (2022) complementam que a  vulnerabilidade do idoso amplia a incidência de recidivas quando há necessidade de interrupção  por efeitos adversos. 

Ainda, Milan et al., (2023) documentaram que o uso prolongado de itraconazol pode  gerar eventos adversos gastrointestinais e elevações leves de enzimas hepáticas, exigindo  acompanhamento contínuo até a cura clínica. Associado a isso, Veasey et al., (2024)  evidenciaram que, além da toxicidade, pode ocorrer falha terapêutica, o que ressalta a  necessidade de considerar protocolos alternativos em casos de resistência. 

Assim, a análise conjunta dos estudos confirma que a segurança terapêutica depende da  combinação entre seleção racional do antifúngico, monitorização laboratorial sistemática e  vigilância clínica ativa, a fim de minimizar complicações que comprometem a adesão e a  eficácia. 

3.3. Intervenções farmacológicas e de suporte no manejo da doença 

O sucesso terapêutico no idoso com esporotricose vai além da escolha do antifúngico.  Freitas et al., (2022) ressaltam que a condução adequada exige ajustes de dose, monitorização  laboratorial e avaliação individualizada. Xia et al., (2024) reforçam que, em idosos com  diabetes ou hepatopatias, a abordagem integrada, que inclui controle glicêmico, suporte  nutricional e escolha de formulações lipossomais, amplia a efetividade do tratamento e reduz  complicações. Resultados semelhantes foram descritos por Peçanha et al., (2023), destacando  a importância do acompanhamento multiprofissional. 

O suporte não farmacológico também tem relevância. Ramos et al., (2021) observaram  que a combinação de antifúngicos com fisioterapia precoce e reabilitação funcional favorece a  preservação da autonomia e a redução de incapacidades. Gomes et al., (2023) acrescentam que  estratégias educativas direcionadas a pacientes e familiares contribuem para maior adesão ao  tratamento e prevenção de recaídas.

Outro ponto fundamental refere-se ao contexto epidemiológico brasileiro. Gomes et al.,  (2023) destacam que, em regiões com transmissão zoonótica por Sporothrix brasiliensis, ações  de Saúde Única, como o manejo de felinos e a ampliação do acesso a medicamentos pelo SUS,  têm impacto direto na redução de recidivas e hospitalizações. Essas medidas também colaboram  para diminuir atrasos diagnósticos, o que, segundo Zhang et al., (2024), é essencial para evitar  exposição desnecessária a antifúngicos potencialmente tóxicos. 

Nessa perspectiva, Milan et al., (2023) reforçam a importância do seguimento  prolongado em idosos, já que o tempo de cura frequentemente exige uso contínuo de itraconazol  até a completa remissão clínica, enquanto as recomendações oficiais da SBD (Orofino-Costa,  2022) orientam protocolos adaptados à realidade do SUS, assegurando maior padronização no  acesso e uso dos antifúngicos. 

Por fim, os estudos apontam que a integração entre farmacologia e suporte clínico educativo é determinante para garantir não apenas a cura micológica, mas também a  preservação da funcionalidade e qualidade de vida em idosos acometidos por essa micose  emergente. 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Este estudo mostrou que o manejo clínico da esporotricose em idosos funciona melhor  quando une eficácia terapêutica com segurança e cuidado de suporte. O itraconazol permanece  como base do tratamento nas formas cutâneas e linfangíticas, nas formas graves ou refratárias,  a anfotericina B lipossomal oferece resposta mais consistente e o iodeto de potássio segue como  alternativa útil em cenários selecionados.  

No entanto, os resultados também apresentaram divergências, pois em idosos o sucesso  depende tanto da escolha do antifúngico quanto da capacidade de monitorar eventos adversos,  ajustar esquemas à polifarmácia e manejar comorbidades que prolongam o curso terapêutico e  aumentam o risco de complicações. 

Dessa forma, foi possível compreender que com itraconazol acompanhado de exames  basais e seriados (função hepática/renal, eletrólitos) e revisão de interações nos quadros  extensos, osteoarticulares ou com falha clínica, induzir com anfotericina B lipossomal e  consolidar com itraconazo. Também é possível considerar iodeto de potássio quando o perfil clínico permitir, com vigilância tireoidiana e gastrointestinal. A abordagem deve incluir  controle glicêmico, cuidado de feridas, reabilitação para preservar função e seguimento  estruturado com educação clara para paciente e família, com passos que melhoram a adesão em  tratamentos longos e reduzem recidivas. 

Porém, o desenvolvimento dessa pesquisa encontrou limitações, a evidência disponível  ainda é dominada por coortes, séries e relatos, com poucos estudos controlados focados em  idosos e lacunas de farmacocinética/farmacodinâmica nessa população. Isso reforça a  necessidade de protocolos institucionais com monitorização padronizada, fluxos de  referência/contrarreferência e registro sistemático de desfechos. É sugerido um plano  individualizado, guiado por dados e integrado a uma equipe interdisciplinar, é o caminho mais  seguro, eficiente e humanizado para o cuidado do idoso com esporotricose. 

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1Discente do Curso Superior de Bacharel em Farmácia do Centro Universitário Fametro e-mail:  giselleribeiro1020@gmail.com. Discente do Curso Superior de Bacharel em Farmácia do Centro Universitário  Fametro e-mail: iris.limaaf@gmail.com. Discente do Curso Superior de Bacharel em Farmácia do Centro  Universitário Fametro e-mail: msimonevieira13@gmail.com.
2Docente do Curso Superior de Bacharel em Farmácia do Centro Universitário Fametro. Mestre em Doenças  Tropicais e infecciosas pela Universidade Federal do Amazonas (UEA) e-mail: emanuellelira96@gmail.com. Docente do Curso Superior de Bacharel em Farmácia do Centro Universitário Fametro. Mestre em Ciências  Biológicas (instituição: Centro Universitário Fametro) e-mail: amanda.carvalho@fametro.edu.br.