REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503311220
Lilia Rodrigues de Mira Sola1
Vanessa Freitag de Araújo2
Resumo
O letramento literário no contexto educacional, quando associado à literatura infantil, pode promover o desenvolvimento cognitivo e emocional dos alunos, estimulando a imaginação e a criatividade. Tendo em vista essa relevância, a pesquisa investigou o papel da literatura infantil como recurso pedagógico no processo de alfabetização e letramento literário. O objetivo geral foi analisar como a literatura infantil influencia o letramento literário e a alfabetização no início do ensino fundamental, incentivando o interesse pela leitura e o desenvolvimento educacional. Como objetivos específicos, buscou-se: Analisar a evolução histórica da literatura infantil brasileira, do seu surgimento ao contexto contemporâneo; definir os conceitos de alfabetização, letramento e letramento literário; e discutir a importância da literatura infantil na formação de leitores. A pesquisa destaca a importância da literatura infantil para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, motivando esta investigação sobre seu papel no processo de ensino. Fundamentada nos princípios da Teoria Histórico-Cultural, que entende o conhecimento como fruto de relações sociais e históricas, a pesquisa levantou a questão central: de que forma a leitura de literatura infantil influencia o desenvolvimento do letramento literário e da alfabetização? De caráter qualitativo e bibliográfico, o estudo confirma que a literatura infantil é fundamental para o letramento literário, entendendo a alfabetização como um processo que vai além da técnica, construindo significados em contextos sociais e culturais. Assim, a literatura infantil deve ser valorizada não apenas como conteúdo, mas como uma ferramenta essencial que enriquece a experiência de aprendizado.
Palavras-chave: Educação; Letramento Literário; Literatura infantil; Teoria Histórico Cultural.
Abstract
Literary literacy in the educational context, when associated with children’s literature, can promote students’ cognitive and emotional development, stimulating imagination and creativity. Given this relevance, the research investigated the role of children’s literature as a pedagogical resource in the process of literacy and literary literacy. The general objective was to analyze how children’s literature influences literary literacy and literacy at the beginning of elementary school, encouraging interest in reading and educational development. The specific objectives were: To analyze the historical evolution of Brazilian children’s literature, from its emergence to the contemporary context; to define the concepts of literacy, literacy and literary literacy; and to discuss the importance of children’s literature in the formation of readers. The research highlights the importance of children’s literature for the cognitive and emotional development of children, motivating this investigation into its role in the teaching process. Based on the principles of Historical-Cultural Theory, which understands knowledge as the result of social and historical relationships, the research raised the central question: how does reading children’s literature influence the development of literary literacy and literacy? The qualitative and bibliographical study confirms that children’s literature is essential for literary literacy, understanding literacy as a process that goes beyond technique, constructing meanings in social and cultural contexts. Thus, children’s literature should be valued not only as content, but as an essential tool that enriches the learning experience.
Keywords: Education; Literary Literacy; Children’s Literature; Historical-Cultural Theory
INTRODUÇÃO
“[…] o letramento literário não começa e nem termina na escola, mas pode e deve ser ampliado e aprimorado por ela” (Cosson, 2024, p. 172).
Para discorrer sobre a alfabetização e o letramento literário, é fundamental compreender as definições e os contextos que permeiam tais conceitos. Para Magda Soares (2016), a alfabetização é a faceta linguística inicial da aprendizagem da língua escrita, focada na conversão dos sons da fala em símbolos gráficos. Este processo não se restringe apenas ao reconhecimento de letras e palavras, mas envolve a compreensão dos princípios fundamentais da linguagem escrita. No entanto, é necessário, de acordo com a autora, alfabetizar letrando, para que a prática da leitura e da escrita sejam efetivamente exercidas.
Nessa perspectiva, Santos e Moraes (2013) argumentam que o letramento literário desempenha um papel importante no contexto educacional ao promover a prática da leitura literária sem negligenciar o prazer que a atividade proporciona. Essa prática não só estimula a apreciação estética, mas também fortalece o compromisso necessário para o desenvolvimento do conhecimento entre os estudantes.
O letramento literário, especialmente quando associado à literatura infantil, desempenha um papel crucial no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Diante disso, Machado (2018) ressalta a importância de introduzir a literatura infantil desde cedo no ambiente escolar. Para a autora, a literatura infantil não apenas auxilia na aquisição da linguagem escrita, mas também fomenta a imaginação, a criatividade e a capacidade crítica dos alunos.
Machado (2018) argumenta que a inserção de textos literários no processo de alfabetização enriquece o vocabulário das crianças e desenvolve habilidades de interpretação e análise. Além disso, destaca que a literatura infantil é uma ferramenta poderosa para despertar o prazer pela leitura, criando uma base sólida para o letramento literário e incentivando um hábito de leitura que pode perdurar ao longo da vida.
A utilização de literaturas infantis no processo de alfabetização já foi abordada por diversos autores, como por exemplo, Santos e Moraes (2013) e Machado (2018) que enfatizaram a importância dessa conexão. A estratégia de utilizar narrativas voltadas ao público infantil destaca-se como uma opção relevante para aproximar a linguagem do cotidiano à linguagem formal. Ante o exposto, Nacarato et al. (2015, p. 103) enfatizam que “[…] as atividades realizadas passam a ter maior significado, num processo que acaba por constituir um conhecimento contextualizado.” A integração entre a prática e a teoria, realizada por meio da literatura infantil, promove um ensino por meio da contextualização. Essa conexão aprofunda a compreensão, tornando-a um aprendizado eficaz ao estabelecer vínculos com situações do cotidiano.
Aparício e Pareira (2024) discutem que a literatura infantil, muitas vezes subestimada no passado, hoje é reconhecida como uma ferramenta com potencial para o desenvolvimento educacional das crianças. Ao proporcionar novas experiências de mundo por meio de narrativas adequadas e estimulantes, a literatura infantil não apenas enriquece o imaginário das crianças, mas também as auxilia a explorar suas sensibilidades e emoções de maneira lúdica e integrada. Essa interação não se limita ao ambiente familiar, pois é na escola onde se solidifica e se transforma em um instrumento poderoso para o ensino contextualizado e significativo.
Nesse sentido, integrar a literatura infantil ao processo de alfabetização e letramento, conforme proposto por Nacarato et al. (2015), não apenas aproxima o aprendizado da realidade dos alunos, mas também fortalece a compreensão e a retenção de conhecimento ao estabelecer conexões diretas com suas experiências cotidianas. Essa prática enriquece a práxis educativa, como também promove um ambiente de aprendizado dinâmico e envolvente, onde as crianças são incentivadas a explorar, criar e refletir sobre o mundo ao seu redor por meio da magia das narrativas literárias.
Aparício e Pareira (2024) ressaltam que, durante muito tempo, a literatura infantil foi considerada um gênero secundário. Foi apenas no século XX que a criança deixou de ser vista como um adulto em miniatura e passou a ser reconhecida como um ser em desenvolvimento. As obras destinadas ao público infantil então deixaram de ter um aspecto pueril e começaram a proporcionar novas experiências de mundo, aprendizagens e entretenimento, mantendo a autenticidade e o caráter estético da literatura. A prática com a literatura infantil ensina de maneira lúdica e ajuda no pleno desenvolvimento do aluno, conferindo um sentido ao que está sendo ensinado.
Conforme argumentado por Aparício e Pareira (2024, p. 02), “a criança que tem contato com obras da literatura infantil tem o seu imaginário estimulado e, por meio da fantasia, mobiliza sua sensibilidade e emoções”. Assim, o professor, na qualidade de organizador da atividade de aprendizado, deve criar uma situação que estimule a reflexão do aluno.
Machado (2018) acrescenta que o aprendizado da criança começa mesmo antes da escola. Aos três anos, a criança já utiliza um vocabulário que reflete um conjunto de regras gramaticais. Portanto, quando ingressa na escola, a autora ainda diz que é fundamental que a instituição ofereça mecanismos para que o professor considere os conhecimentos prévios que o aluno traz, pois a criança é um ser ativo e pronto para inúmeras aprendizagens. Além disso, aponta ser essencial “[…] aproveitar todo o conhecimento que as crianças trazem, sem sufocá-las ou considerá-las incapazes de aprender” (Machado, 2018, p.24).
Neste estudo, foram apresentados diversos estudiosos da educação, entre eles Cademartori (2010), Cosson (2022; 2024), Hugo de São Vitor (2018), Lajolo e Zilberman (2022), Machado (2018), Soares (2022; 2023), Vigotski (2018), Zilberman (2014). Os pesquisadores desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento da pesquisa, auxiliando a compreender como é possível realizar o letramento literário, explorar a história da literatura infantil brasileira e, por fim, ressaltar a importância de a literatura infantil estar presente na vida da criança, seja por meio da família ou da escola.
A pesquisa realizada confirmou a hipótese inicial de que a incorporação sistemática da literatura infantil, fundamentada nos pressupostos da Teoria Histórico Cultural, impulsiona significativamente a alfabetização e o letramento literário. Os resultados demonstraram que o uso planejado e consciente da literatura infantil não apenas estimula o interesse e o envolvimento dos alunos, mas também facilita uma prática educacional mais significativa e contextualizada. Observou-se com os estudos que a literatura infantil pode contribuir com o letramento literário se a criança tiver contato com ela desde cedo.
O estudo abordou o problema de investigar a função da literatura infantil no processo de alfabetização e letramento literário, partindo da questão: de que forma as práticas de leitura desse gênero influenciam o desenvolvimento do letramento literário e da alfabetização? Os dados coletados mostraram que as práticas de leitura literária têm um impacto positivo tanto no aspecto educacional quanto no prazer de ler, favorecendo o desenvolvimento integral dos alunos.
A base teórica deste estudo é sustentada pela Teoria Histórico-Cultural, que destaca a relevância dos contextos sociais e culturais no desenvolvimento humano e no processo de aprendizagem, proporcionando uma estrutura analítica crucial para investigar como essas configurações influenciam as experiências humanas. A partir dessa fundamentação, apresentamos uma contextualização dos conceitos de alfabetização, letramento e letramento literário. Em seguida, fizemos um breve histórico da literatura infantil brasileira e, por fim, trazemos o papel da literatura infantil no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças.
1. METODOLOGIA
O método de pesquisa adotado neste artigo é o qualitativo de cunho bibliográfico, centrado em um estudo teórico que possibilitou uma exploração aprofundada do fenômeno investigado. Conforme destaca Gil (2023), uma das principais vantagens da pesquisa bibliográfica é sua capacidade de oferecer ao pesquisador uma ampla cobertura de fenômenos, permitindo a análise de aspectos que seriam difíceis de investigar diretamente.
Nesse contexto, Severino (2010) define a pesquisa bibliográfica como um procedimento investigativo fundamentado em materiais previamente elaborados, compostos principalmente por documentos escritos, como livros, artigos, dissertações, entre outros. Para este estudo, foram analisadas obras de autores renomados na área da educação, o que ampliou a compreensão sobre o tema.
A base teórica deste trabalho está ancorada na Teoria Histórico-Cultural, que destaca a relevância dos contextos sociais e culturais no desenvolvimento humano e no processo de aprendizagem.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Literatura infantil brasileira: um século de história e sua interação com o leitor
A pesquisadora Zilberman (2014, p.11) destaca que a literatura infantil brasileira conta com mais de 100 anos de história, com suas primeiras obras surgindo no final do século XIX. Esse longo percurso permitiu o desenvolvimento de um vasto acervo literário, que, segundo Zilberman (2014, p. 11), “proporciona aos leitores atuais um acervo respeitável de boas obras, para serem lembradas por adeptos de várias gerações.”
Além disso, Zilberman (2014, p. 13) ressalta o papel do escritor nesse processo, definindo-o como “um criador” que, ao produzir sua obra, se baseia em suas experiências, leituras e nas expectativas do público. Ela enfatiza ainda que o escritor dispõe de uma grande liberdade criativa, podendo, ao unir experiência e imaginação, “ir longe, inventando pessoas, lugares, épocas e enredos diversificados.” Assim, a literatura infantil brasileira não apenas preserva um legado, mas continua a se renovar e expandir, graças à inventividade de seus autores:
[…] um criador, ele produz uma obra a partir de sua experiência, de leituras e do que esperam dele. […] dispõe também de grande liberdade, pois, somando experiência e imaginação, ele pode ir longe, inventando pessoas, lugares, épocas e enredos diversificados (Zilberman,2014, p. 13).
Vigotski (2018) destaca a imaginação enquanto base fundadora de toda atividade humana criadora, manifestando-se em todos os campos da vida cultural, desde a criação artística até as áreas científica e técnica. Além disso, disserta que,
Na verdade, a imaginação, base de toda atividade criadora, manifesta-se, sem dúvida, em todos os campos da vida cultural, tornando igualmente possível a criação artística, a científica e a técnica (Vigotski, 2018, p.16).
Essa ideia pode ser ilustrada pelo trabalho dos escritores, que utilizando-se da imaginação, consegue construir histórias que divertem e transformam a visão de mundo dos seus leitores, cumprindo, assim, um papel fundamental na sociedade.
No entanto, Zilberman (2014, p. 13) alerta que o escritor deve respeitar seus leitores, pois “eles precisam se reconhecer nos personagens”. A autora enfatiza que “[…] há limites para mexer com a temporalidade, e a ação precisa ter um mínimo de coerência”. Ademais, ela ressalta a importância de respeitar a individualidade do leitor, reconhecendo que este já possui uma história de vida construída. Caso essa individualidade não seja respeitada, pode ocorrer “[…] um choque entre quem escreve e quem lê, rompendo a parceria que só dá certo se ambos se entendem”.
A professora Cademartori (2010, p. 17) diz que: “As obras infantis que respeitam seu público são aquelas que cujos textos têm potencial para permitir ao leitor infantil possibilidade ampla de atribuição de sentidos àquilo que lê.” Isto é, as obras infantis de qualidade não se limitam a uma interpretação única e simplificada, mas sim abrem espaço para que o leitor infantil explore diversos significados e interpretações. Ao oferecer esse potencial, os textos respeitam a inteligência e a sensibilidade da criança, promovendo sua autonomia na construção de sentidos. Isso estimula a criatividade, o pensamento crítico e permite que as crianças façam conexões pessoais com o que estão lendo, enriquecendo sua experiência literária e contribuindo para seu desenvolvimento cognitivo e emocional.
Nesse sentido, Zilberman (2014) narra que, no final do século XIX, o Brasil passou por uma transformação significativa com a ascensão da classe média urbana, trazendo novas demandas, incluindo a necessidade de atender ao público infantil. Foi nesse contexto que surgiram os primeiros livros e escritores brasileiros dedicados às crianças. No entanto, os escritores enfrentam um grande desafio, já que o país não possuía uma tradição literária consolidada voltada para esse novo público.
Diante dessa lacuna, Zilberman (2014) explica que houve a necessidade de recorrer a soluções alternativas, como a tradução de obras estrangeiras, a adaptação de narrativas destinadas a adultos para o público infantil, a reutilização de materiais didáticos e o registro de tradições populares. Entre essas tradições, destacam-se as histórias contadas por amas de leite, escravas e ex-escravas, que acabaram sendo compiladas e publicadas em livros, sob a crença de que interessam às crianças brasileiras.
Nesse contexto, a pesquisadora Silva (2019) apresenta outro aspecto relevante sobre a literatura infantil brasileira, ao destacar que, naquele momento histórico, havia a pretensão de modernização do país, sendo a escola vista como o caminho para alcançar tal propósito. Conforme cita:
Os intelectuais daquele momento histórico, os escritores da incipiente literatura infantil brasileira, pretendiam a modernização de nosso país e para tanto percebiam na escola um meio ao alcance de tal propósito. Desta feita, a literatura infantil escolar estava imbuída de preceitos moralizantes, pedagogizantes e patrióticos (Silva, 2019, p. 4).
Essa visão moralizadora perdurou até o surgimento de um marco decisivo na nossa história literária voltada para o público infantil: o escritor Monteiro Lobato, na década de 1920. Como disse Gregorin Filho (2006, p. 190),
A educação e a leitura no Brasil, até o surgimento de Monteiro Lobato, eram o reflexo dos paradigmas vigentes, ou seja, o nacionalismo, o intelectualismo, o tradicionalismo cultural com modelos de cultura a serem imitados – desprezando-se totalmente as manifestações culturais surgidas aqui no país –; divulgavam-se o humanismo dramático e o moralismo religioso, com as exigências de retidão de caráter, de honestidade, de solidariedade e de pureza de corpo e de alma em conformidade com os preceitos cristãos (Gregorin Filho, 2006, p. 190).
Partindo dessa reflexão, Gregorin Filho (2006) diz que Monteiro Lobato, como precursor da literatura infantil no Brasil, deu voz às crianças em suas narrativas, permitindo que elas se vissem refletidas em suas histórias. Ele argumenta que, embora a literatura infantil seja um espelho das condições sociais de sua época, também se configura como um espaço de diálogo e adaptação às novas realidades culturais e sociais.
Evidentemente, Lobato foi o precursor de uma nova literatura destinada às crianças no Brasil, uma literatura que passaria por inúmeras transformações e ainda por várias transferências, principalmente europeias, por uma ditadura militar e por grandes mudanças na tecnologia e na sociedade, já que os sistemas literários estão vinculados a macrossistemas culturais (Gregorin Filho, 2006, p. 190).
A literatura infantil, por refletir as condições sociais da época em que é produzida e funcionar como um espaço de diálogo e adaptação às novas realidades culturais, revela a complexidade da produção literária ao longo da história. Esse papel dinâmico permite que a literatura infantil não apenas acompanhe as mudanças sociais, mas também contribua para a formação de novas gerações em diferentes contextos.
A partir da década de 1970, segundo Turchi (2008), a literatura infantil brasileira entrou em uma fase de intensa produção. Nesse período, o gênero começou a captar e refletir as questões sociais e históricas do Brasil, conectando o imaginário infantil às discussões sociais mais amplas. Autores emblemáticos como Ruth Rocha, Ana Maria Machado4, Lygia Bojunga Nunes e Ziraldo se destacaram e continuam a produzir obras que dialogam com o cenário sociocultural do país até os dias de hoje. Diante desse contexto de renovação literária, é imprescindível compreender o papel da literatura infantil na vida pessoal e acadêmica das crianças brasileiras.
Para entender a importância da literatura infantil como um instrumento de ensino da leitura, é fundamental, antes de tudo, reconhecer sua relevância na formação intelectual e emocional das crianças em desenvolvimento. Esse reconhecimento estabelece a base para analisarmos a significação pedagógica da literatura infantil. Assim, na próxima seção, exploraremos essa dimensão educacional e suas implicações no processo de ensino e aprendizagem.
2.2 Análise das relações e significados dos termos: Alfabetização, letramento e letramento literário
A alfabetização e o letramento são conceitos fundamentais no processo educativo, e sua compreensão é primordial para o desenvolvimento integral da criança. Assim, ao abordar esses termos, buscamos esclarecer suas interrelações e a importância de um ensino que respeite e amplifique o saber acumulado pelos alunos, preparando-os para uma participação ativa na sociedade.
Nesse contexto, começamos definindo o termo alfabetização que conforme afirma Soares (2022), vai além da simples decodificação de letras e palavras; trata-se de um processo complexo que envolve a apropriação da tecnologia da escrita. Para que esse processo seja efetivo, Soares (2022) também destaca que a alfabetização requer o desenvolvimento de coordenação motora para o uso adequado de instrumentos de escrita, como lápis e caneta, assim como a capacidade de manipular diferentes suportes de leitura e escrita, como livros, jornais e revistas. Isso indica que a alfabetização não é apenas um exercício mental, mas também envolve aspectos físicos e posturas corporais adequadas para ler e escrever.
Assim, esse processo integral prepara o indivíduo para uma participação plena no mundo da leitura e da escrita, integrando aspectos técnicos e cognitivos com práticas sociais. A interdependência entre esses elementos, reforça a importância de um ensino que não só ensina a ler e escrever, mas que também contextualiza, permitindo que os alunos se tornem participantes ativos e críticos em sua realidade.
Isto posto, Soares (2022) disserta que a alfabetização não se baseia apenas em percepção e memorização, mas em um processo de construção de hipóteses sobre o sistema alfabético. Sendo assim, para que o aluno desenvolva a leitura e escrita, é importante que ele vivencie situações que o desafiem e permitam uma reflexão aprofundada acerca desses conhecimentos, compreendendo não apenas o que é a escrita, mas também como ela se organiza e representa graficamente a linguagem.
Para Soares (2022) a alfabetização se concentra nos aspectos técnicos da leitura e escrita, o letramento envolve o uso dessas práticas em situações sociais e culturais para atingir diversos objetivos. Isso inclui, por exemplo, a busca por informações, a interação com outras pessoas e a exploração de aspectos criativos e estéticos. Logo,
[…] a capacidade de uso da escrita para inserir se nas práticas sociais e pessoais que envolvem a língua escrita, o que implica habilidades várias, tais como: capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos – para informar o informar-se, para interagir com outros, para imergir no imaginário, no estético, para ampliar conhecimentos, para seduzir ou induzir, para divertir-se, para orientar-se, para dar apoio à memória etc (Soares, 2022, p.27).
Ante o exposto, Soares (2023) descreve também o conceito de letramento como o resultado do processo de ensinar, e aprender a ler e escrever, representando o estado ou condição que um grupo social ou indivíduo alcança ao se apropriar da escrita. Ademais, Soares (2023) enfatiza que não é suficiente apenas saber ler e escrever; é necessário também atender às exigências contínuas da sociedade em relação à leitura e escrita.
O letramento envolve a interpretação e produção de diferentes gêneros textuais, ajustando-se às convenções de escrita e leitura de acordo com o contexto, o propósito e o interlocutor. Além disso, o letramento requer um engajamento ativo e prazeroso com o mundo da escrita, bem como a flexibilidade necessária para se adaptar a diferentes circunstâncias, permitindo uma participação autônoma e significativa nas práticas sociais mediadas pela escrita (Soares, 2022). Portanto, a alfabetização estabelece a base técnica, enquanto o letramento expande essa base para um uso mais complexo e adaptado da escrita no cotidiano. Nesse sentido, o letramento seria as
[…] habilidades de interpretar e produzir diferentes tipos de gêneros de textos; Habilidade de orientar-se pelas convenções da leitura que marcam o texto ou de lançar mão dessas convenções, ao escrever v; atitudes de inserção efetivo no mundo da escrita, tendo interesse e prazer em ler e escrever, sabendo utilizar a escrita para encontrar ou fornecer informações e conhecimentos, escrevendo ou lendo de forma diferenciada segundo as circunstâncias, os objetivos, o interlocutor (Soares, 2022, p.27).
Mas vale lembrar que, segundo Soares (2022, p. 27), a alfabetização e o letramento ocorrem de forma simultânea e interdependente. A aprendizagem da leitura e da escrita se dá no contexto de práticas sociais que envolvem o letramento, e não apenas pela aquisição técnica da alfabetização. Conforme discorre a estudiosa,
[…] a ciências em que se baseiam em processos e a pedagogia por elas sugeridas evidenciam que são processos simultâneos e interdependentes ponto alfabetização, aquisição da tecnologia da escrita, não precede nem é pré-requisito para o letramento, ao contrário, a criança aprende a ler e escrever envolvendo-se em atividades de letramento, isto é, de leitura e produção de textos reais, de práticas sociais de leitura e de escrita (Soares, 2022, p. 27).
Ademais, Soares (2023, p. 39) reforça que um indivíduo alfabetizado não é necessariamente letrado. Enquanto o alfabetizado é aquele que domina a técnica de ler e escrever, o letrado vai além, é o indivíduo que utiliza essas habilidades de forma funcional em seu contexto social, respondendo adequadamente às demandas de leitura e escrita que encontra no dia a dia. Portanto, para Soares (2023), o letramento não se resume à aquisição de uma habilidade técnica, mas implica o uso social e prático dessa habilidade.
[…] o letramento é um estado, uma condição: o estado ou condição de quem interage com diferentes portadores de leitura e de escrita, com diferentes gêneros e tipos de leitura e de escrita, com as diferentes funções que a leitura e a escrita desempenham na nossa vida ponto enfim: letramento é o estado ou condição de quem se envolve nas numerosas e variadas práticas sociais de leitura e de escrita (Soares, 2023, p. 44).
Ao compreender o letramento como um estado dinâmico, ressaltamos a necessidade de criar oportunidades que estimulem essa interação diversificada. Dessa forma, podemos dizer que o letramento é fundamental para a formação de indivíduos ativos e engajados nas práticas sociais, evidenciando sua relevância tanto no contexto educacional quanto na vida cotidiana.
Ao avançar para a definição de letramento literário, é fundamental compreender que o letramento não é um processo fixo, mas sim um processo contínuo que se desenvolve ao longo da vida. De acordo com Cosson (2024, p. 172), o letramento literário é “o processo de apropriação da literatura enquanto construção literária de sentidos”. Ou seja, vai além da decodificação técnica, e engloba a interação com os sentidos e as emoções que a obra desperta.
Ainda de acordo com Cosson (2024, p. 172), “o letramento literário não começa e nem termina na escola, mas pode e deve ser ampliado e aprimorado por ela”. Assim, a escola desempenha um papel essencial no desenvolvimento do letramento literário, promovendo o contato com textos literários que incentivem a reflexão crítica, a sensibilidade estética e a construção de significados. Esse processo de ampliação vai além da sala de aula, preparando o indivíduo para uma relação mais profunda e duradoura com a literatura ao longo da vida.
Complementando a perspectiva, Cosson (2022, p. 12) define o letramento literário como “[…] o processo de letramento que se faz via textos literários, compreendendo não apenas uma dimensão diferenciada dos usos sociais da escrita, mas também, e sobretudo, uma forma de assegurar seu efetivo domínio.” Ou seja, o letramento literário não se restringe à leitura de textos, mas envolve interpretar e utilizar a literatura para interagir de maneira ativa nas práticas sociais. Ele possibilita um domínio mais profundo da linguagem, integrando aspectos culturais e estéticos fundamentais para a compreensão crítica e criativa, potencializando a autonomia do indivíduo nas práticas sociais mediadas pela escrita literária.
Machado (2018, p. 43) ressalta que o letramento literário “é fundamental para a constituição do leitor, como também para a formação do ser e, consequentemente, de todos que estão inseridos nesse processo de aprendizagem”. Isso significa que o letramento literário não apenas desenvolve leitura e interpretação, mas também desempenha um papel central na formação integral do indivíduo. Ao estimular o engajamento com a literatura, esse processo promove reflexões sobre o mundo, a cultura e a própria identidade, influenciando não só o leitor, mas todos aqueles envolvidos no ambiente de aprendizagem.
Por fim, podemos dizer que o letramento literário é um processo que se estende além da sala de aula, permitindo ao indivíduo não apenas desenvolver a leitura e a interpretação, mas também construir uma relação significativa com a literatura ao longo da vida. Essa prática promove a reflexão crítica, a sensibilidade estética e a autonomia, essencial para a formação integral do ser humano. Ao engajar-se com textos literários, o leitor não apenas amplia seu domínio da linguagem, mas também enriquece sua compreensão do mundo, da cultura e de sua própria identidade.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1 Literatura infantil: sua função na formação do leitor
A literatura infantil, sendo um recurso fundamental para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, precisa ser compreendida em seu significado e influência. Ela ajuda os pequenos a entenderem o mundo ao seu redor e a gerenciar suas emoções. Livros, histórias e poemas elaborados especialmente para o público infantil são adaptados às suas idades e experiências, utilizando uma linguagem simples e ilustrações coloridas para facilitar essa compreensão. Nesse contexto, Lajolo e Zilberman (2022) ressaltam que,
Apesar de um instrumento usual de formação da criança, participando, nesse caso, do paradigma pragmático que rege a atuação da família e da escola, a literatura infantil equilibra – e, frequentemente, até suplanta – aquela inclinação pela introdução, no texto, do universo afetivo e emocional da criança (Lajolo; Zilberman, 2022, p. 41).
Zilberman (2014, p. 11) define literatura infantil como “[…] os livros que lemos antes de chegar à idade adulta”, destacando sua importância na formação intelectual e emocional das pessoas. Esses livros, lidos durante a infância, têm o poder de moldar a memória e o desenvolvimento de adolescentes e adultos, o que se relaciona diretamente com a perspectiva de Vigotski (2018), que afirma que a memória está intimamente ligada ao ato de reproduzir ou repetir experiências e impressões anteriores, mostrando como as leituras da infância ressuscitam marcas e influenciam o comportamento e a formação ao longo da vida.
As histórias ajudam a traduzir a realidade, representando situações que as crianças podem encontrar em seu dia a dia e refletindo experiências comuns na escola e em casa. Essa representação do cotidiano é essencial para que as crianças compreendam melhor o mundo à sua volta. Lajolo e Zilberman (2022, p. 41) afirmam que o escritor, por meio da literatura infantil, “traduz para o leitor a realidade dele, até a mais íntima, fazendo uso de uma simbologia”. Assim, as narrativas, através de sua simbologia, conseguem representar a vivência das crianças, aproveitando sua grande sensibilidade.
Outro ponto importante a ser considerado é o papel da família e da escola, que são fundamentais na educação e no desenvolvimento emocional das crianças. Quando os pais leem histórias para seus filhos antes de dormir, por exemplo, não apenas desenvolvem a imaginação, mas também fortalecem os laços afetivos. Da mesma forma, na escola, os professores podem utilizar histórias como uma ferramenta para ensinar valores, tornando o aprendizado mais significativo.
Zilberman (2014, p. 9) corrobora com tal compreensão na medida em que compreende que “[…] os livros lidos na infância permanecem na memória do adolescente e do adulto, e são responsáveis por momentos agradáveis aos quais as pessoas frequentemente retornam com prazer.” Além disso, grandes escritores, como Moacyr Scliar (1937-2011) e Manuel Bandeira (1886-1968), relataram, segundo Zilberman (2014, p. 9-10), que o contato com obras literárias desde a infância teve uma enorme importância, deixando marcas profundas e positivas em suas vidas. Isso demonstra o impacto duradouro que a literatura infantil pode ter.
Nessa perspectiva, a interação social e as experiências práticas desempenham um papel crucial no desenvolvimento cognitivo e na formação da criatividade, estimulando a imaginação e proporcionando oportunidades ricas e variadas de aprendizado e vivência. Vigotski (2018, p. 24) afirma que
[…] a atividade criadora da imaginação depende diretamente da riqueza e da diversidade da experiência anterior da pessoa porque essa experiência constitui o material com que se criam as construções da fantasia. Quanto mais rica a experiência da pessoa, mais material está disponível para sua imaginação ( Vigotski, 2018, p. 24).
Nesse contexto, a literatura infantil se destaca como uma ferramenta essencial, tanto na escola, ao introduzir a leitura, quanto no ambiente familiar, ao gerar memórias afetivas. Em ambas as situações, a literatura proporciona experiências positivas que enriquecem a vida da criança. Como diz o teólogo Hugo de São Vitor (2018, p. 139):
“[…] o aprendizado começa a partir das coisas que são mais conhecidas e, através do conhecimento delas, é que se alcançará o conhecimento daquilo que estava oculto.” Essa afirmação reforça a ideia de que a literatura infantil, ao estar inserida no cotidiano da criança, não só ajuda o aprendizado inicial, mas também contribui para um aprofundamento nas experiências de vida.
Assim, ao fomentar a interação com a literatura, criamos um ambiente propício para que as crianças desenvolvam sua imaginação, aprendam e se tornem mais criativas e cognitivamente ricas.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nossos estudos demonstram que a literatura infantil vai além de ser um simples conteúdo a ser lido, constituindo-se como uma ferramenta valiosa que enriquece o processo de aprendizagem, promovendo o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Autores como Cademartori (2010), Cosson (2022, 2024), Lajolo e Zilberman (2022) e Machado (2018) corroboram essa perspectiva, reforçando o papel da literatura infantil no contexto educacional.
Essa pesquisa reafirma o valor da literatura infantil como um recurso pedagógico essencial no processo de alfabetização e letramento literário, especialmente sob a ótica da Teoria Histórico-Cultural. Verificou-se que, quando aplicada de forma sistemática e planejada no ambiente escolar, a literatura infantil não só potencializa o desenvolvimento cognitivo e emocional, mas também contribui para a formação de uma base sólida de letramento literário.
A introdução de narrativas literárias desde os primeiros anos de escolarização proporciona às crianças uma oportunidade singular de expandir seu repertório cultural, crítico e imaginativo. Esse processo transcende a simples decodificação de palavras, incentivando a formação de leitores ativos, capazes de se engajar em práticas sociais de leitura e escrita de maneira crítica e criativa. A literatura infantil, além de estimular a imaginação, é também um meio poderoso para o desenvolvimento de competências sociais e emocionais fundamentais.
Concluímos que é fundamental que o ambiente escolar valorize e promova o uso constante da literatura infantil, não apenas como uma ferramenta técnica de ensino, mas como um impulsionador de práticas pedagógicas que despertem o prazer pela leitura, desenvolvam a sensibilidade estética e estimulem a reflexão crítica. Os resultados deste estudo evidenciam o impacto positivo da literatura infantil, reforçando seu papel essencial na formação integral das crianças e na preparação para uma participação ativa e autônoma na sociedade.
REFERÊNCIAS
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1Acadêmica do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá (2024). E-mail: ra64392@uem.br
2Doutora em Educação (2018) e docente do curso de Pedagogia na Universidade Estadual de Maringá (2024). E-mail: vfaraujo2@uem.br