COMPLICATIONS ASSOCIATED WITH THE USE OF HYALURONIC ACID AND BOTULINUM TOXIN IN AESTHETICS: A SYSTEMATIC LITERATURE REVIEW.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511161012
Bárbara Toti Anselmo da Silva
Gessica Caroline da Silva
Resumo
O envelhecimento cutâneo desencadeia alterações estruturais, como perda de firmeza, diminuição do volume facial e formação de rugas, fatores que impulsionam a busca por procedimentos estéticos minimamente invasivos. Nesse contexto, destacam-se o ácido hialurônico e a toxina botulínica, amplamente utilizados na harmonização facial, mas associados a intercorrências de diferentes gravidades. Este estudo teve como objetivo, analisar as principais complicações relacionadas à aplicação de ácido hialurônico e de toxina botulínica em estética facial, por meio de uma revisão sistemática da literatura. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e Google Acadêmico, abrangendo artigos publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português e inglês, que abordavam intercorrências decorrentes da utilização desses materiais e suas formas de condução clínica. Os resultados mostraram que, nos procedimentos com ácido hialurônico, as intercorrências mais frequentes foram dor, edema, eritema e, em casos graves, necrose tecidual e oclusão vascular. Já nas aplicações de toxina botulínica, observaram-se principalmente hematomas, ptose palpebral, assimetrias e reações alérgicas ocasionais. Apesar de a maioria dos efeitos adversos serem leves e de fácil controle, constatou-se a necessidade de protocolos bem definidos para garantir a segurança do paciente e minimizar complicações graves. Assim, a capacitação profissional, o uso de técnicas adequadas e a padronização de protocolos clínicos são determinantes para a prevenção e o manejo eficaz das intercorrências, reforçando a importância de práticas seguras e responsáveis nos procedimentos estéticos injetáveis.
Palavras-chave: Preenchimento dérmico. Estética facial. Complicações clínicas. Segurança em estética. Protocolos terapêuticos.
Abstract
Skin aging triggers structural changes such as loss of firmness, facial volume reduction, and wrinkle formation, factors that drive the demand for minimally invasive aesthetic procedures. In this context, hyaluronic acid and botulinum toxin stand out as widely used substances in facial harmonization but are associated with complications of varying severity. This study aimed to analyze the main complications related to the application of hyaluronic acid and botulinum toxin in facial aesthetics through a systematic literature review. The research was conducted through searches in the PubMed, SciELO, and Google Scholar databases, covering articles published between 2020 and 2025, in Portuguese and English, that addressed complications resulting from the use of these materials and their clinical management approaches. The results showed that, in procedures with hyaluronic acid, the most frequent complications were pain, edema, erythema, and, in severe cases, tissue necrosis and vascular occlusion. In botulinum toxin applications, the most common complications were bruising, eyelid ptosis, asymmetry, and occasional allergic reactions. Although most adverse effects are mild and easily manageable, the study emphasizes the need for well-defined protocols to ensure patient safety and minimize severe complications. Therefore, professional training, appropriate techniques, and standardized clinical protocols are essential for the effective prevention and management of complications, reinforcing the importance of safe and responsible practices in injectable aesthetic procedures.
Keywords: Dermal filler. Facial aesthetics. Clinical complications. Aesthetic safety. Therapeutic protocols.
1 INTRODUÇÃO
A procura por uma aparência mais jovem tem se intensificado, especialmente devido ao processo de envelhecimento cutâneo, que provoca alterações musculares, diminuição da firmeza da pele e redução do volume facial. Esse interesse está associado ao aumento da valorização da qualidade de vida, o que eleva a demanda por procedimentos estéticos invasivos ou não, visando melhorar a aparência e harmonizar a face (Freitas et al., 2022; Petryet al., 2024).
Dentro dos métodos não invasivos, o ácido hialurônico (AH) é um dos principais recursos utilizados na estética facial. O AH é um polímero naturalmente presente no organismo, localizado em tecidos, articulações e olhos, cuja função é promover hidratação e prevenir sinais do envelhecimento, como rugas e flacidez. Na prática estética, este polímero é aplicado para preenchimento de linhas finas de expressão, aumento de volume labial, restauração do contorno facial e melhora do aspecto da pele (Kyriazidis et al., 2023; Colon et al., 2023). Apesar de ser um procedimento seguro, complicações graves, como necrose tecidual e eventos vasculares, já foram descritas, exigindo manejo imediato e uso de hialuronidase quando necessário (Petry et al., 2024; Hyaluronidase for Dermal Filler Complications, 2024).
Por sua vez, a toxina botulínica (TB) é uma neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, responsável por inibir a liberação do neurotransmissor acetilcolina nas junções neuromusculares, promovendo relaxamento temporário da musculatura. Na estética facial, a TB é amplamente utilizada no tratamento de linhas de expressão e rugas faciais (Sethi et al., 2021; Freitas et al., 2022). Apesar do perfil de segurança, intercorrências como ptose palpebral, assimetrias e reações locais podem ocorrer, exigindo reconhecimento precoce e condutas clínicas adequadas (Skin Toxicities Associated with Botulinum Toxin, 2023; Exploring Nonresponse to Botulinum Toxin, 2025).
Os efeitos decorrentes dos procedimentos estéticos podem surgir de maneira imediata ou tardia, sendo frequentes sinais como edema, dor, vermelhidão e, em situações raras, reações anafiláticas, que requerem atendimento emergencial. Esses sinais clínicos são essenciais para o pré-diagnóstico das complicações, permitindo intervenções rápidas (Freitas et al., 2022).
A abordagem clínica depende da gravidade das reações adversas. Para casos leves, medidas de suporte como compressas frias e anti-inflamatórios são recomendadas. Em situações críticas, como necrose tecidual ou obstrução vascular, recomenda-se o uso de hialuronidase, associada a terapias complementares e, quando necessário, intervenção cirúrgica (Petry et al., 2024).
Considerando o aumento da procura por procedimentos estéticos e das possíveis intercorrências associadas, esta revisão sistemática teve como objetivo descrever as complicações associadas ao uso do ácido hialurônico e da toxina botulínica na estética facial.
2 METODOLOGIA
Este estudo consistiu em uma revisão sistemática da literatura, com abordagem qualitativa, cujo objetivo foi identificar e analisar as intercorrências decorrentes da aplicação de ácido hialurônico (AH) e toxina botulínica (TB) em procedimentos faciais, bem como as estratégias de manejo recomendadas.
A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e Google Acadêmico, utilizando descritores em português e inglês: ácido hialurônico (hyaluronic acid), toxina botulínica (botulinum toxin), procedimentos estéticos faciais (facial aesthetic procedures), eventos adversos (adverse events), complicações (complications) e manejo clínico (clinical management). Para otimizar os resultados, foram aplicados os operadores booleanos “AND”, “OR” e “NOT”.
Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025 que abordassem intercorrências ou efeitos adversos relacionados ao uso do AH e/ou da TB em estética facial, com metodologia clara, fundamentação científica explícita, acesso aberto e disponibilidade integral. Foram excluídos estudos sem metodologia definida ou adequada, que não descreviam complicações ou estratégias de manejo, publicações duplicadas, resumos sem texto completo disponível e revisões sem caráter científico.
O processo de identificação, triagem, avaliação de elegibilidade e inclusão dos artigos foi conduzido conforme as diretrizes PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), a fim de garantir transparência e reprodutibilidade na seleção dos estudos. A busca inicial resultou em 44 artigos, dos quais 12 atenderam integralmente aos critérios de inclusão e foram selecionados para análise detalhada. Para melhor organização, elaborou-se um fluxograma detalhando todas as etapas de seleção e os motivos de exclusão, seguindo o modelo PRISMA 2020 (Figura 1).
A análise qualitativa contemplou a descrição das intercorrências mais frequentes, a gravidade dos efeitos adversos e os protocolos clínicos utilizados para seu manejo, fornecendo subsídios para a prática segura de procedimentos faciais com AH e TB (Freitas et al., 2022; Petry et al., 2024; Kyriazidis et al., 2023; Colon et al., 2023).

Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção dos artigos, elaborado conforme as diretrizes PRISMA 2020. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 12 artigos compuseram a amostra final da pesquisa. Fonte: Autores (2025).
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A busca bibliográfica realizada nesta revisão sistemática resultou na seleção de 12 estudos publicados entre 2020 e 2025, que abordam intercorrências relacionadas ao ácido hialurônico (AH) e à toxina botulínica (TB). De modo geral, os artigos analisados demonstram que ambos os procedimentos possuem elevado perfil de segurança, embora eventos adversos ainda possam ocorrer, exigindo reconhecimento precoce, técnica adequada e condutas clínicas padronizadas (Freitas et al., 2022; Petry et al., 2024).
Quadro 1 – Artigos inclusos no estudo de acordo com os critérios de inclusão previamente estabelecidos, categorizados por autor/ano, objetivo e resultados principais


No grupo de estudos sobre AH, as intercorrências mais frequentes foram edema, eritema, dor local e equimoses, geralmente leves e autolimitadas (Kyriazidis et al., 2023; Colon et al., 2023). Entretanto, eventos moderados e graves, como nódulos inflamatórios, reações tardias e complicações vasculares, também foram relatados, embora com menor frequência (Adverse Events Associated with HA Filler Injection, 2024). Petry et al. (2024) destacam que a necrose tecidual, embora rara, representa um risco significativo e exige intervenção imediata, incluindo aplicação precoce de hialuronidase, massagem local, calor úmido e, em casos críticos, encaminhamento cirúrgico (Hyaluronidase for Dermal Filler Complications, 2024).
Reações tardias também foram identificadas, podendo surgir semanas ou meses após o procedimento, e estão frequentemente relacionadas a respostas inflamatórias ou imunológicas (Late-Onset Reactions after HA Fillers, 2024). Além disso, a literatura recente evidencia que a segurança do procedimento depende do conhecimento técnico do profissional sobre o tipo de preenchedor, considerando características como reticulação, viscosidade e coesividade, que influenciam diretamente o risco de nódulos, assimetrias e eventos vasculares (Colon et al., 2023).
Em relação à toxina botulínica, os efeitos adversos mais comuns incluem edema, hematomas, dor local e pequenas assimetrias, geralmente transitórios e manejáveis com compressas frias e acompanhamento clínico (Freitas et al., 2022; Sethi et al., 2021). Contudo, eventos mais graves, como ptose palpebral, reações alérgicas e resistência à toxina, também foram relatados, principalmente em pacientes submetidos a múltiplas aplicações (Skin Toxicities Associated with Botulinum Toxin, 2023; Exploring Nonresponse to Botulinum Toxin, 2025). No caso da ptose, essa ocorre devido à difusão do produto para o músculo levantador da pálpebra superior, sendo tratada com colírios simpatomiméticos e acompanhamento clínico até a resolução (Sethi et al., 2021).
O efeito da toxina é dose-dependente, de modo que aplicações excessivas ou técnicas inadequadas podem levar a fraqueza muscular indesejada, assimetrias persistentes e difusão para regiões vizinhas (Kroumpouzos, 2021). Além disso, a individualização do tratamento é enfatizada em praticamente todos os estudos, considerando espessura tecidual, força muscular, histórico clínico e padrões de envelhecimento, o que reduz significativamente a ocorrência de intercorrências e melhora a eficácia do procedimento (Freitas et al., 2022; Colon et al., 2023).
Outro ponto relevante destacado nos artigos é a importância da comunicação clara com o paciente, incluindo orientações sobre cuidados pós-procedimento e sinais de alerta. A informação adequada e o acompanhamento próximo reduzem riscos, aumentam a segurança e melhoram a satisfação do paciente (Skin Toxicities Associated with Botulinum Toxin, 2023; Colon et al., 2023).
Em síntese, os achados desta revisão sistemática indicam que ácido hialurônico e toxina botulínica são procedimentos seguros quando realizados por profissionais capacitados, com conhecimento anatômico aprofundado e domínio técnico, utilizando produtos adequados e protocolos baseados em evidências. O reconhecimento precoce de complicações, a padronização de protocolos de emergência e a atualização constante do profissional são essenciais para garantir segurança e eficácia em intervenções estéticas minimamente invasivas (Freitas et al., 2022; Petry et al., 2024; Kroumpouzos, 2021; Colon et al., 2023).
4 CONCLUSÃO
Os estudos demonstram que os efeitos adversos leves, como dor, edema e equimoses, ocorrem com frequência, porém de forma transitória e manejável, enquanto complicações severas, embora pouco frequentes, exigem intervenção imediata e protocolos de conduta bem estabelecidos.
Constata-se que a segurança e eficácia desses procedimentos dependem diretamente da capacitação técnica do profissional, da adoção de protocolos padronizados e da orientação adequada ao paciente antes e após o procedimento. Dessa forma, o trabalho contribui para a prática clínica ao oferecer bases teóricas que auxiliam na prevenção, detecção e manejo das intercorrências, promovendo práticas estéticas mais seguras e eficazes.
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