INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA 

ARTIFICIAL INTELLIGENCE IN BRAZILIAN SCIENTIFIC PRODUCTION: A SYSTEMATIC REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202508192240


Jackson Roberto Sousa de Oliveira1
Aracélia Vieira da Silva1
Lucas Henrique de Amorim Lima1
Marcus Vinícius Henriques Brito2


RESUMO 

Esse artigo buscou analisar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, estudos empíricos que  investigaram o uso da Inteligência Artificial (IA) na produção de artigos científicos no Brasil entre 2020  e 2025. Foram realizadas buscas nas bases SciELO, Web of Science e Portal de Periódicos da  CAPES/Clarivate, utilizando descritores em português e inglês relacionados à “inteligência artificial”,  “produção científica” e “Brasil”. Aplicaram-se critérios de inclusão que priorizaram apenas artigos  originais, excluindo revisões e textos teóricos. Ao final da triagem, três estudos foram incluídos: um de  abordagem qualitativa, um quantitativo e um estudo de caso. Os resultados apontaram que a IA é  utilizada tanto na redação parcial de textos acadêmicos quanto na busca e organização de referências,  proporcionando ganhos de eficiência e qualidade. Contudo, emergiram preocupações éticas relacionadas  à autoria, originalidade e confiabilidade das informações. Conclui-se que, embora recente, o uso da IA  na produção científica brasileira já apresenta impacto relevante, demandando regulamentações, políticas  institucionais e capacitação contínua para assegurar a integridade acadêmica. 

Palavras-chave: Inteligência Artificial. Produção Científica. Brasil. 

ABSTRACT 

This article sought to analyze, through a systematic literature review, empirical studies investigating  the use of Artificial Intelligence (AI) in the production of scientific articles in Brazil between 2020 and  2025. Searches were conducted in the SciELO, Web of Science, and CAPES/Clarivate Journals Portal  databases, using Portuguese and English descriptors related to “artificial intelligence,” “scientific  production,” and “Brazil.” Inclusion criteria prioritized only original research articles, excluding  reviews and theoretical works. After screening, three studies were included: one qualitative, one  quantitative, and one case study. Results indicated that AI is used both for partial drafting of academic  texts and for searching and organizing references, providing efficiency and quality gains. However,  ethical concerns emerged regarding authorship, originality, and reliability of generated information. It  is concluded that, although recent, the use of AI in Brazilian scientific production already has a  significant impact, requiring regulations, institutional policies, and continuous training to ensure  academic integrity. 

Keywords: Artificial Intelligence; Scientific Production; Brazil 

1. INTRODUÇÃO 

A incorporação de tecnologias de Inteligência Artificial (IA) na produção científica tem  modificado substancialmente os processos de elaboração de artigos acadêmicos. Ferramentas  de IA generativa, sistemas de busca com processamento de linguagem natural e assistentes de  escrita automatizada vêm sendo utilizados para apoiar desde a coleta e organização de  referências até a redação e revisão textual (Stokel-Walker; Van Noorden, 2023). Essa  transformação tecnológica, embora recente, levanta questões sobre seus efeitos na integridade  acadêmica, na originalidade e na autoria dos trabalhos (Floridi; Chiriatti, 2020). 

No cenário internacional, universidades, editoras científicas e órgãos reguladores têm  discutido e implementado diretrizes para o uso responsável da IA em publicações acadêmicas  (Kroll; Barocas; Felten, 2023). No Brasil, o tema começou a ganhar relevância nos últimos  anos, com relatos crescentes de uso dessas ferramentas por pesquisadores e estudantes para  elaborar trechos de artigos, estruturar introduções e realizar revisões bibliográficas assistidas  (Soares, 2024). Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com práticas éticas e a necessidade de  validação humana do conteúdo gerado por IA (Thornton; Peters, 2023). Nesse contexto,  emergem debates sobre a criação de políticas institucionais específicas que possam guiar a  utilização dessas ferramentas de maneira responsável e transparente. 

A crescente utilização da IA na elaboração de artigos demanda investigação empírica  sobre como essas ferramentas estão sendo integradas à prática científica no Brasil. É  fundamental compreender quais etapas do processo de produção textual recebem maior apoio  da IA, quais benefícios são percebidos pelos pesquisadores e quais riscos são identificados,  especialmente no que se refere à confiabilidade das informações e à manutenção de padrões  éticos (Thornton; Peters, 2023). Esse entendimento possibilita mapear tendências, antecipar  impactos e propor estratégias que fortaleçam a qualidade e a credibilidade da produção  acadêmica nacional (Kroll; Barocas; Felten, 2023). Além disso, contribui para ampliar a  reflexão sobre o papel da tecnologia na construção do conhecimento e no futuro da  comunicação científica.

A identificação do perfil e do contexto de uso dessas tecnologias em território nacional  permite orientar políticas institucionais e capacitações direcionadas. A literatura internacional  sugere que a adoção da IA na escrita acadêmica tende a crescer rapidamente, mas que seu uso  deve ser acompanhado de protocolos claros e treinamentos para evitar dependência excessiva e  problemas de plágio ou deturpação de dados (Floridi; Chiriatti, 2020; Stokel-Walker; Van  Noorden, 2023). Ao compreender essas dinâmicas, é possível alinhar a inovação tecnológica  com a preservação da integridade e dos valores da pesquisa científica (Thornton; Peters, 2023).  Além disso, a análise dessas práticas possibilita identificar lacunas na formação de  pesquisadores, sobretudo no que tange à ética digital e ao uso crítico de novas ferramentas.  

Diante desse panorama, o presente estudo tem por objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, evidências empíricas sobre o uso da Inteligência Artificial na  produção de artigos científicos no Brasil entre 2020 e 2025, identificando aplicações práticas,  benefícios, desafios e implicações éticas. Busca-se, assim, oferecer uma síntese crítica que  subsidie reflexões e decisões quanto à incorporação responsável dessas tecnologias no meio  acadêmico. 

2. METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura. As buscas foram realizadas nas bases  SciELO, Web of Science e Portal de Periódicos da CAPES/Clarivate, abrangendo o período de  janeiro de 2020 a março de 2025. Utilizaram-se descritores em português e inglês combinados  por operadores booleanos: (“inteligência artificial” OR “artificial intelligence”) AND  (“produção científica” OR “scientific production” OR “artigo científico” OR “scientific article”) AND (Brasil OR Brazil). 

Como critérios de inclusão, utilizou-se estudos originais empíricos realizados no Brasil  ou com foco explícito no contexto brasileiro; abordando diretamente o uso de IA na produção  de artigos científicos; apresentando dados coletados por meio de experimentos, entrevistas,  estudos de caso ou análises documentais. Foram excluídas revisões de literatura, ensaios  teóricos, editoriais, cartas e estudos cujo foco de IA não estivesse relacionado à elaboração de  artigos científicos. 

A busca resultou em 37 registros. Após a remoção de duplicatas e triagem por título e  resumo, 9 estudos permaneceram para leitura na íntegra. Destes, 3 atenderam a todos os  critérios e foram incluídos na síntese. A extração de dados registrou autor, ano, título, tipo de estudo, método e principais achados. A síntese foi realizada de forma narrativa e categórica,  agrupando evidências por tipo de aplicação da IA. 

3. RESULTADO

Tabela 1 – Estudos incluídos na revisão sistemática 

Fonte: elaborado pelos autores a partir das bases e documentos citados (2020–2025).

4. DISCUSSÃO 

Os resultados desta revisão sistemática revelam que o uso da Inteligência Artificial na  produção de artigos científicos no Brasil já não se restringe a experiências isoladas ou  experimentações informais, mas configura um fenômeno em expansão, permeando múltiplas  etapas do processo de escrita acadêmica. A análise dos três estudos empíricos incluídos permite  identificar padrões, benefícios e desafios que se entrelaçam e moldam a compreensão atual  sobre essa integração tecnológica. 

O trabalho de Soares (2024) evidencia que estudantes de pós-graduação utilizam  ferramentas de IA principalmente para a redação parcial de trechos de artigos, dissertações e teses. Essa utilização está associada à necessidade de agilizar a produção textual, especialmente  em contextos de prazos acadêmicos rigorosos e alta demanda de publicação. No entanto, o  estudo também revela tensões em torno da originalidade e da autoria, questões que se  intensificam na medida em que o texto gerado pela IA se torna mais elaborado e menos  distinguível da escrita humana. 

Complementando essa perspectiva, Silva & Souza (2025) trazem dados quantitativos  que indicam percepções amplamente positivas sobre os benefícios da IA na redação acadêmica.  Entre os respondentes, predominou a visão de que as ferramentas auxiliam na melhoria da  clareza e da organização do texto, funcionando como um apoio técnico e linguístico. Entretanto,  mesmo entre os usuários entusiastas, há o reconhecimento de que a IA deve ser tratada como  recurso auxiliar, não substitutivo da reflexão e argumentação próprias da pesquisa científica.  Este ponto reforça a importância de capacitar pesquisadores para o uso crítico dessas  tecnologias, garantindo que elas ampliem, e não substituam, o raciocínio científico. 

Já o estudo de Bot & Santos (2025) amplia o escopo da discussão ao mostrar que o  impacto da IA se manifesta desde a escrita quanto na busca, seleção e organização de  referências bibliográficas. Ao utilizar sistemas como SciSpace e Perplexity, os pesquisadores  conseguiram otimizar etapas iniciais da pesquisa, encontrando literatura relevante com maior  rapidez e precisão. Essa dimensão revela que a IA pode influenciar na forma como se escreve e na maneira como o conhecimento é construído e fundamentado. No entanto, a confiança nos  resultados dessas ferramentas depende de uma revisão criteriosa, pois o risco de vieses e  omissões permanece. 

Ao integrar os achados, observa-se que os três estudos convergem em um ponto  fundamental: o uso ético e eficaz da IA na produção científica depende de intervenção humana  qualificada. As ferramentas demonstram potencial para ampliar a eficiência e a produtividade  dos pesquisadores, mas sua adoção sem parâmetros claros pode comprometer a integridade  acadêmica. Esse equilíbrio entre benefício e risco, já identificado no cenário internacional,  reforça a pertinência do presente estudo, que buscou justamente mapear como a IA está sendo  aplicada no contexto brasileiro e quais implicações isso traz para o futuro da produção  científica. 

A reflexão que emerge é que a IA, quando utilizada com consciência crítica, pode se  tornar uma aliada estratégica da ciência nacional, ajudando a superar barreiras de tempo, acesso  e até de proficiência linguística. Porém, seu uso irrefletido pode produzir textos tecnicamente  corretos, mas cientificamente frágeis. Assim, os resultados apontam para a necessidade urgente  de políticas institucionais, regulamentações editoriais e programas de formação que orientem o uso dessas ferramentas, preservando tanto a qualidade do conhecimento produzido quanto os  valores que sustentam a pesquisa acadêmica. 

A emergência da Inteligência Artificial (IA) como ferramenta de apoio à produção  científica representa um marco significativo na história da pesquisa acadêmica. Seu potencial  para automatizar tarefas, processar grandes volumes de dados e oferecer suporte à redação de  textos científicos tem despertado crescente interesse entre pesquisadores de diferentes áreas do  conhecimento. No contexto contemporâneo, a utilização de sistemas baseados em IA redefine  processos metodológicos e instiga reflexões sobre a natureza da autoria e a preservação da  integridade acadêmica, tornando-se, portanto, um campo fértil para investigação. 

5. CONCLUSÃO 

As evidências demonstram que o uso da Inteligência Artificial na produção de artigos  científicos no Brasil já é uma realidade, ainda que em fase inicial de consolidação. Ferramentas  de IA têm sido aplicadas tanto na redação quanto na busca e organização de referências,  trazendo benefícios à eficiência e qualidade do processo de produção. Contudo, permanecem  desafios ligados à integridade acadêmica e à necessidade de regulamentações e treinamentos  adequados. O cenário observado indica que, se utilizada de forma ética e transparente, a IA  pode se tornar uma aliada valiosa na qualificação da ciência brasileira. 

REFERÊNCIAS 

BOT, Carlos A.; SANTOS, Mariana F. Ferramentas de busca acadêmica baseadas em IA:  impactos na pesquisa científica. Revista Brasileira de Informação e Ciência, v. 15, n. 2, p. 45- 60, 2025. 

FLORIDI, Luciano; CHIRIATTI, Massimo. GPT-3: Its nature, scope, limits, and  consequences. Minds and Machines, v. 30, n. 4, p. 681-694, 2020. 

KROLL, Joshua A.; BAROCAS, Solon; FELTEN, Edward W. Accountability in AI: Ethical  considerations for responsible AI adoption in research. Communications of the ACM, v. 66,  n. 3, p. 36-39, 2023. 

SILVA, João P.; SOUZA, Renata M. Uso de IA na redação acadêmica universitária. Revista  Brasileira de Estudos Acadêmicos, v. 12, n. 1, p. 78-94, 2025. 

SOARES, Fábio. Tese de doutorado em educação escrita por inteligência artificial? Revista  Brasileira de Educação, v. 29, p. 1-19, 2024.

STOKEL-WALKER, Chris; VAN NOORDEN, Richard. What ChatGPT and generative AI  mean for science. Nature, v. 614, p. 214-216, 2023. 

THORNTON, Katharine; PETERS, Michael A. Artificial intelligence and academic integrity:  The ethical challenges of AI in higher education. Educational Philosophy and Theory, v. 55,  n. 4, p. 351-361, 2023.


1Discente do Programa de Pós-Graduação em Cirurgia e Pesquisa Experimental da Universidade Estadual do  Estado do Pará (PPGCIPE UEPA). E-mail: jack.roberto21@gmail.com 

2Docente do Programa de Pós-Graduação em Cirurgia e Pesquisa Experimental da Universidade Estadual do  Estado do Pará (PPGCIPE UEPA). Doutor em Técnicas Operatórias e Cirurgia Experimental. E-mail:  marcusvhbrito@gmail.com