INTEGRAÇÃO DA ROBÓTICA, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E IMAGENS AVANÇADAS INTRAOPERATÓRIAS

INTEGRATION OF ROBOTICS, ARTIFICIAL INTELLIGENCE, AND ADVANCED INTRAOPERATIVE IMAGING

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511082317


Kelly Teles Lima da Silva1; Érica Harumi Kanai Suzuki1; Cecília Carúcio Solymossy1; Catharyna Macedo Carrasquel1; Lívia Helene da Costa Rabelo1; Bruna Barbosa de Miranda1; Isabela Barbosa Pinto de Araújo1; Leonardo Anicio Viana Vieira1; Melina Calmon Silva1; Alexandre Sampaio Rodrigues Pereira2


Resumo

O presente estudo busca analisar a integração das novas tecnologias como robótica, inteligência artificial (IA) e imagens intraoperatórias na medicina a fim de elevar padrões de intervenções cirúrgicas. Entre os objetivos consta a descrição das atuais aplicações da IA para navegação e planejamento cirúrgico, avaliação crítica dos desafios técnicos e éticos dessas implementações e identificação de futuras tendências e lacunas de pesquisa na convergência entre tecnologia e cirurgia. Foi realizada uma pesquisa nas plataformas PubMed, Brasil Scientific Electronic Library Online (SciELO) com os descritores “Cirurgia Robótica”, “Inteligência Artificial” e “Imagens Avançadas Intraoperatórias” sendo selecionados 10 artigos para a presente revisão. A cirurgia robótica apresenta-se como uma alternativa minimamente invasiva da cirurgia aberta e proporciona diminuição da dor pós-operatória, da morbidade e do tempo de internação hospitalar, com destaque para as cirurgias oncológicas. Além da opção robótica, a laparoscopia também é amplamente adotada nos tempos modernos e sua comparação com a cirurgia robótica ainda não está completamente definida. A IA pode auxiliar no suporte da decisão em tempo real e na análise preditiva otimizando a cirurgia, apesar de ainda existirem desafios éticos, regulatórios e econômicos. Em conclusão, a combinação do uso de IA e cirurgia robótica é uma nova fase na prática cirúrgica que traz diversos benefícios de padronização e segurança, desde que acompanhadas de rigor científico e regulamentações. 

Palavras-chave: Inteligência artificial. Imagens avançadas intraoperatórias. Cirurgia robótica. Cirurgia minimamente invasiva.

1 INTRODUÇÃO

O avanço exponencial em tecnologias de imagem e robótica tem transformado radicalmente o cenário cirúrgico, impulsionando a era da Medicina de Precisão. A integração dessas ferramentas com a Inteligência Artificial (IA) representa uma fronteira promissora, visando não apenas otimizar a performance cirúrgica, mas também aumentar a segurança e a acurácia dos procedimentos intraoperatórios (LEEUWEN et al., 2024; CHENG et al., 2024).

A complexidade de certas intervenções, particularmente em oncologia, demanda sistemas que consigam processar e correlacionar grandes volumes de dados em tempo real, fornecendo aos cirurgiões informações essenciais sobre a anatomia, a patologia e a fisiologia do tecido em questão. Nesse contexto, a IA tem sido empregada para refinar a interpretação de dados obtidos por imagens avançadas – como a fluorescência, PET e ressonância magnética – permitindo a navegação assistida e a delimitação mais precisa das margens tumorais (CHENG et al., 2024).

A robótica, por sua vez, oferece plataformas que traduzem os comandos do cirurgião em movimentos de alta precisão e estabilidade, superando as limitações da mão humana. A fusão da robótica com a IA não se restringe à manipulação, mas avança para a autonomia assistida, onde algoritmos podem auxiliar em tarefas repetitivas ou complexas, como o planejamento de trajetórias ou a identificação de estruturas críticas durante a ressecção (KNUDSEN et al., 2024). A convergência entre cirurgia robótica e IA é tida como um ambiente perfeito para que modelos de inteligência artificial aprimorem as capacidades cirúrgicas e o ensino operatório (KNUDSEN et al., 2024).

Portanto, este artigo se propõe a analisar a convergência dessas tecnologias – robótica, IA e imagens intraoperatórias – como um paradigma emergente para elevar os padrões da intervenção cirúrgica. A compreensão detalhada de suas sinergias é crucial para nortear o desenvolvimento de novas metodologias clínicas e educacionais na cirurgia minimamente invasiva ( LEEUWEN et al., 2024).

Objetivos

Objetivo Geral: Analisar a sinergia e o impacto da integração entre sistemas robóticos, inteligência artificial e tecnologias avançadas de imagem intraoperatória no aprimoramento da acurácia e segurança dos procedimentos cirúrgicos contemporâneos, com foco na precisão oncológica.

Objetivos Específicos

– Mapear e descrever as aplicações atuais da inteligência artificial no processamento e na fusão de dados de imagem intraoperatória (como imagens moleculares e ressonância magnética) para a navegação e o planejamento cirúrgico.

– Avaliar criticamente os desafios técnicos e éticos inerentes à implementação de plataformas robóticas assistidas por IA, incluindo o potencial para a automação cirúrgica e a necessidade de validação clínica rigorosa.

– Identificar as tendências futuras e as lacunas de pesquisa na convergência entre robótica, IA e visualização avançada, visando o desenvolvimento de protocolos de intervenção minimamente invasiva mais eficazes e seguros.

2 METODOLOGIA 

O presente estudo consiste em uma revisão bibliográfica integrativa da literatura, cujo objetivo foianalisar a sinergia e o impacto da integração entre sistemas robóticos, inteligência artificial e tecnologias avançadas de imagem intraoperatória no aprimoramento da acurácia e segurança dos procedimentos cirúrgicos contemporâneos, com foco na precisão oncológica. Dessa forma, a busca de artigos foi realizada nas bases de dados eletrônicas PubMed e Brasil Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizando os descritores de saúde “Cirurgia Robótica”, “Inteligência Artificial” e “Imagens Avançadas Intraoperatórias”. De forma adicional, foram usados os operadores booleanos “AND” e “OR” para combinação dos termos citados. Ao todo, foram encontrados 375.944 artigos relacionados ao tema.

A partir disso, foram aplicados os critérios de inclusão e exclusão. Os critérios de inclusão foram: ensaios clínicos randomizados, estudos de coorte, revisões sistemáticas e publicados em inglês, espanhol ou português, de acesso aberto e publicados entre os anos de 2020 a 2025. Outrossim, os critérios de exclusão foram: estudos com metodologia inadequada ou dados incompletos, participantes com comorbidades que interferem no desfecho estudado, artigos sem acesso ao texto completo, estudos duplicados em bases de dados diferentes e que não estavam de acordo com o tema proposto. Com isso, restaram 119 artigos para a leitura completa. Destes, 15 foram eleitos para embasar esta revisão de literatura com base na maior pertinência e relevância ao tema.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Cirurgias robóticas

A cirurgia robótica, reconhecida como minimamente invasiva, é uma alternativa em relação a cirurgia aberta, pois proporciona benefícios como diminuição da dor pós-operatória, morbidade reduzida, menor tempo de internação hospitalar e um retorno mais rápido às atividades diárias. É notório que a cirurgia robótica está sendo cada vez mais adotada devido à melhora da visão, destreza e ergonomia cirúrgica, além disso, estudos evidenciam que em diferentes procedimentos, o suporte robótico demonstra a mesma eficácia e menor morbidade (KAWKA, FONG & GALL, 2023).

Zou et al. (2024) demonstraram que a cirurgia robótica proporciona uma probabilidade 58% menor de conversão para cirurgia aberta e 55% menor de reoperação. Apresentou-se também uma melhor qualidade na ressecção das margens cirúrgicas e foram colhidos mais linfonodos acometidos. De modo semelhante, Safiejko et al. (2022) relataram melhores índices de recuperação pós-operatória, menor tempo de internação e redução de complicações em cirurgias oncológicas.

Em conformidade ao exposto acima, um exemplo seria o tratamento de câncer retal por meio da cirurgia robótica, a qual pode oferecer benefícios de curto prazo, como menor perda de sangue, redução de complicações cirúrgicas e menor tempo de recuperação para cirurgia aberta. Quando comparada à cirurgia aberta, a cirurgia robótica também permite melhor preservação da bexiga e da função sexual, com resultados oncológicos de longo prazo comparáveis (CHANG et al., 2023).

A cirurgia robótica guiada por imagem molecular também pode ser uma forma de aumentar a percepção dos cirurgiões durante a operação, melhorando sua capacidade de tomada de decisões e sua precisão. Van Leeuwen et al (2024) apontam que os movimentos refinados da cirurgia robótica, somados ao uso de radiofármacos e corantes fluorescentes que permitem uma detecção mais precisa do tecido-alvo, podem ser ferramentas de grande impacto no cuidado ao paciente. Ademais, os autores consideram o uso de imagem molecular como um componente importante para o desenvolvimento de cirurgias robóticas autônomas no futuro, sendo esse recurso também interessante para o desenvolvimento de mais pesquisas (LEEUWEN et al., 2024).

Ricciardi et al. (2025) avaliaram os desfechos em 30 dias da cirurgia oncológica assistida por robô da Vinci (dV-RAS) em comparação com a cirurgia laparoscópica/toracoscópica tradicional (lap/VATS) e a cirurgia aberta. Nesta meta-análise, concluiu-se que a cirurgia assistida por robô da Vinci (dV-RAS) conferiu benefícios significativos nos desfechos perioperatórios em procedimentos oncológicos, especialmente quando comparada à cirurgia aberta. Embora o tempo operatório seja consistentemente mais longo com o robô, os pacientes submetidos à cirurgia robótica têm um tempo de internação significativamente mais curto, menos perda sanguínea (vs. aberta), menos transfusões e menores taxas de complicações, readmissões e óbitos, tanto em comparação com a laparoscopia/VATS quanto com a cirurgia aberta.

Cirurgias minimamente invasivas

No campo das cirurgias minimamente invasivas, o procedimento por via laparoscópica foi descrito no início dos anos 1900 e amplamente adotada no final do século XX, sendo considerada o padrão ouro para operações comuns, como colecistectomia e apendicectomia. Um dos avanços mais importantes na técnicas de cirurgias minimamente invasivas foi a introdução de plataformas robóticas, no final da década de 1980, desde então, operações robóticas foram realizadas em várias especialidades cirúrgicas. (KAWKA, FONG & GALL, 2023)

Ao realizar uma análise comparativa acerca dos resultados clínicos e radiográficos do tratamento do hálux valgo usando a cirurgia minimamente invasiva (MIS) versus a cirurgia aberta (OS) tradicional, destaca-se que não houve diferença clinicamente significativa entre a cirurgia minimamente invasiva e a cirurgia aberta em termos de escores funcionais, como o AOFAS (American Orthopaedic Foot and Ankle Society Score). No que tange às complicações, não foram identificadas diferenças significativas na frequência ou gravidade das complicações entre o grupo de cirurgia minimamente invasiva e o grupo de cirurgia aberta (ALIMY et al., 2023).

Embora a cirurgia minimamente invasiva (MIS) tenha se tornado popular por seus benefícios em termos de recuperação, o princípio cirúrgico fundamental para o câncer de pulmão (remoção do tumor e dos linfonodos) é o mesmo em ambas as abordagens. Os autores buscaram uma comparação rigorosa para dissipar a ideia dicotômica de que o MIS é inerentemente superior. Os resultados demostraram que não houve diferença significativa entre a cirurgia aberta e a MIS (VATS/RATS) nas taxas de sobrevivência global ou sobrevivência livre de doença em 5 anos. Contudo, a cirurgia minimamente invasiva oferece melhores desfechos na recuperação a curto prazo para os pacientes (menos complicações e internação mais curta). O estudo apoia o uso da MIS como uma abordagem preferencial devido aos seus benefícios na recuperação, sem comprometer os resultados de sobrevivência a longo prazo (KIM et al.,2023).

Dessa forma, as evidências atuais são inconclusivas sobre se a cirurgia robótica é a plataforma ideal para cirurgia minimamente invasiva em comparação com a laparoscópica. Nesse sentido, a cirurgia robótica é frequentemente associada a tempos operatórios mais longos e custos gerais mais elevados, não demonstrando diferenças significativas entre essas cirurgias com relação aos desfechos de mortalidade e morbidade. (KAWKA, FONG & GALL, 2023)

Contudo, o campo visual 3D e a destreza adicional de movimento fornecida por instrumentos dotados, bem como a eliminação de tremores, permitindo maior precisão, dão à plataforma robótica uma vantagem potencial sobre a laparoscopia. Ademais, foi associada a melhores resultados estéticos e satisfação do paciente, porém, os altos custos adicionais dificultam a ampla adoção clínica dessa plataforma. (KAWKA, FONG & GALL, 2023)

Inteligência artificial

Nesse contexto, as cirurgias robóticas que exigem precisão e destreza excepcionais, podem ser aprimoradas por meio de sistemas de assistência cirúrgica alimentados por inteligência artificial (IA). Em procedimentos cirúrgicos complexos, onde a precisão é crítica, como em neurocirurgia e cirurgia cardiovascular, a IA auxilia no suporte à decisão em tempo real, automação robótica e análise preditiva para otimizar a segurança e os resultados do paciente. Dessa forma, surge uma nova plataforma de cirurgias minimamente invasivas com a associação de cirurgia robótica e inteligência artificial (IA). Essa nova modalidade aborda questões importantes, incluindo precisão cirúrgica e acessibilidade à saúde, à medida que os sistemas globais de saúde adotam cada vez mais tecnologias baseadas em IA. (OSMAN et al., 2025)

Bektas et al. (2022) forneceram uma visão geral das aplicações de Aprendizado de Máquina (ML), um subcampo da Inteligência Artificial (IA), dentro da cirurgia bariátrica e investigar a qualidade metodológica dos estudos. Neste estudo, identificou-se que os modelos de aprendizado de máquina foram eficazes na previsão de diversas complicações que podem ocorrer após a cirurgia bariátrica. Ademais, os algoritmos demonstraram a capacidade de prever a quantidade de perda de peso que os pacientes podem esperar após o procedimento. A acurácia na predição dos valores chegou em até 98% em alguns dos estudos analisados. 

Cheng et al. (2024) apontaram a IA como uma ferramenta promissora para o futuro da cirurgia de precisão oncológica, devido a seu desempenho no aprimoramento de imagens de fluorescência. A inteligência artificial amplia os benefícios previamente conhecidos desse tipo de imagem durante a cirurgia, aprimorando ainda mais a precisão da detecção de tecido-alvo e auxiliando na tomada de decisões intraoperatórias, devido à grande habilidade da IA de reconhecer padrões e distinguir quais partes da imagem destoam do padrão. (CHANG et al., 2023)

Nesse contexto, com a integração da cirurgia robótica e IA, iniciou-se a cirurgia guiada por imagem que melhora amplamente os resultados cirúrgicos e minimiza o potencial tratamento excessivo. Com o desenvolvimento da ciência, várias técnicas de imagem foram desenvolvidas para melhorar a visão cirúrgica e fornecer orientação intraoperatória. (CHENG et al., 2024) 

Dessa forma, surge uma nova plataforma de cirurgias minimamente invasivas com a associação de cirurgia robótica e inteligência artificial (IA). O uso de IA, especialmente na análise de vídeos intraoperatórios e no reconhecimento de fases cirúrgicas, ainda é um campo relativamente novo que precisa ser mais explorado. As vantagens do uso de algoritmos de IA para avaliar vídeos intraoperatórios de forma automatizada podem ser aproveitadas para aprimorar o desempenho técnico e a tomada de decisões intraoperatórias, alcançar maior qualidade cirúrgica e aprimorar os resultados pós-operatório. (AMILA CIZMIC et al., 2025)

A IA foi utilizada para aprimorar a imagem de fluorescência, auxiliando na computação de dados, análise de imagem e reconhecimento de padrões, o que melhorou significativamente a qualidade da imagem. Essa estratégia auxilia no suporte à tomada de decisão intraoperatória e no desenvolvimento de cirurgias, como por exemplo de câncer, com maior precisão e melhores resultados cirúrgicos dos pacientes. (CHENG et al., 2024) 

Em pacientes oncológicos, podem ser aplicadas ferramentas de machine learning e deep learning, uma vez que apresentam alta eficácia na identificação de padrões moleculares, previsão de riscos e suporte à decisão terapêutica. Contudo, o grande potencial da IA no controle do câncer é acompanhado por significativos desafios éticos, técnicos e regulatórios (AZIZ et al., 2022). 

Entre os principais problemas identificados, ressalta-se que 34,2% do total de recomendações realizadas pela IA eram inconsistentes e inviáveis no tratamento de pacientes com câncer de pulmão. Dentre os principais desafios encontrados, destaca-se a dificuldade no reconhecimento de medicamentos que poderiam ser adquiridos pelos pacientes de acordo com as condições financeiras de cada um. Ainda, torna-se imprescindível atentar-se para questões como a falta de regulamentação clara e de diretrizes específicas para o uso clínico de IA em saúde, bem como a sua responsabilização legal, de modo a assegurar uma segurança maior durante as práticas médicas na prevenção e controle do câncer (ZHU et al., 2025).

Knudsen et al (2024) encontraram no campo da cirurgia robótica um ambiente propício para o uso de IA, principalmente para automatizar tarefas cirúrgicas, aumentar a segurança intraoperatória e auxiliar no treinamento de novos cirurgiões, devido à sua capacidade de fornecer feedback com alta precisão. 

A integração da inteligência artificial em procedimentos cirúrgicos, está sendo cada vez mais adotada para aprimorar a tomada de decisões, otimizar o planejamento cirúrgico e melhorar a navegação intraoperatória. Esses avanços oferecem maior precisão, eficiência e melhores resultados para os pacientes, levando a redução de complicações, tempos de recuperação mais curtos e melhor precisão cirúrgica, tornando a IA um recurso valioso na prática cirúrgica moderna. (OSMAN et al., 2025)

Apesar desses desafios, demonstrou-se alguns benefícios da integração da IA nas cirurgias robóticas como a cirurgia autônoma, assistência intraoperatória, feedback intraoperatório e a avaliação de habilidades cirúrgicas. Dessa forma, os avanços estão focados na criação de ambientes para a tomada de decisões cirúrgicas seguras e informadas por dados e no aprimoramento da educação cirúrgica. (KNUDSEN et al., 2024)

4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

O avanço das técnicas cirúrgicas, particularmente com a chegada da cirurgia robótica e da inteligência artificial (IA), constitui um marco importante na medicina contemporânea. A cirurgia robótica se estabeleceu como uma opção eficiente em relação aos métodos tradicionais, oferecendo vantagens como redução da dor pós-operatória, diminuição da morbidade, redução do tempo de internação e aceleração do processo de recuperação. Ademais, sua elevada precisão e visão tridimensional proporcionam benefícios técnicos significativos, especialmente em procedimentos complexos e oncológicos, nos quais a preservação funcional e a qualidade da ressecção são cruciais para o prognóstico.

Embora tenha havido progressos, ainda há debates sobre a comparação entre as plataformas robótica e laparoscópica, principalmente em relação aos altos custos e ao maior tempo de operação da primeira. No entanto, a robótica se destaca em ergonomia, precisão e satisfação do paciente, o que sugere um potencial para melhorias constantes, especialmente com a integração de novas tecnologias no campo cirúrgico.

A inclusão da inteligência artificial expande ainda mais esse contexto, possibilitando análises preditivas, apoio à decisão intraoperatória e automação de tarefas, o que aumenta a segurança e a eficácia dos procedimentos. No âmbito oncológico, a inteligência artificial combinada com cirurgia robótica e imagem molecular têm demonstrado potencial na identificação de tecidos-alvo e na personalização de tratamentos. No entanto, ainda existem desafios éticos, regulatórios e econômicos, que exigem cuidado e padronização para garantir a implementação responsável dessas inovações.

Em síntese, a combinação da cirurgia robótica com inteligência artificial marca o início de uma nova fase na prática cirúrgica, caracterizada por precisão, personalização e segurança. O progresso dessas tecnologias indica um futuro em que a automação e o suporte inteligente poderão melhorar resultados clínicos e educacionais, contanto que sejam acompanhados de rigor científico, regulamentação apropriada e compromisso ético com o cuidado ao paciente.

REFERÊNCIAS

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1Discente do Curso Superior de Medicina do Instituto Universidade Central de Brasília Campus Asa Norte e-mail: kteleslimadasilva@gmail.com 

2Docente do Curso Superior de Medicina do Instituto Universidade Central de Brasília Campus Asa Norte
Mestre em Ciências e Tecnologias em Saúde. e-mail: alexandre.pereira@ceub.edu.br