INSUCESSO EM TRATAMENTOS ENDODÔNTICOS: CAUSAS, DESAFIOS E PERSPECTIVAS DE SOLUÇÃO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512181457


Janiel Gonçalves Silva
Orientador: Prof. Dr. Nielsen Barros de Sousa


RESUMO 

As principais causas de falhas no tratamento endodôntico incluem a persistência de bactérias nos canais e no ápice, a qualidade insatisfatória da obturação, a falta de selamento coronário adequado e a inadequada instrumentação. Outros fatores relevantes para o insucesso são as dificuldades com a anatomia dental como presença de canais atrésicos, calcificados ou curvos. O principal objetivo desse estudo foi compreender e identificar as principais falhas que ocorrem, buscando o entendimento das técnicas endodônticas, o uso de novas tecnologias em equipamentos e materiais. A pesquisa foi realizada por meio da revisão de literatura sistemática narrativa, propostas por diferentes autores.  Bases de dados consultadas: PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Brasileira de Odontologia (BBO), Google Acadêmico e Periódicos Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).  Foram utilizados artigos publicados nos últimos 10 (dez) anos.  Estudos em português e inglês, artigos originais, revisões relacionadas a falhas endodônticas, e possíveis orientações para minimizar essas falhas. Desta forma é necessário o conhecimento do relativo às possíveis causas da falha do tratamento e como as mesmas ocorrem, sendo necessário o acompanhamento, observando os aspectos, melhoria no diagnóstico com uso de tecnologias avançadas e educação continuada para profissionais de odontologia, a fim de minimizar ao máximo as possíveis falhas do tratamento endodôntico. 

Palavras chave: Endodontia. Reinfecção. Retratamento. 

ABSTRACT 

The main causes of failure in endodontic treatment include the persistence of bacteria within the root canals and apical region, inadequate obturation quality, insufficient coronal sealing, and improper instrumentation. Other relevant factors contributing to treatment failure are related to dental anatomy challenges, such as the presence of narrow, calcified, or curved canals. This study aimed to identify and understand the primary reasons for endodontic failures, analyzing current techniques as well as new technologies applied to equipment and materials. The research was conducted through a narrative systematic literature review based on studies from various authors. The consulted databases included PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Brazilian Library of Dentistry (BBO), Google Scholar, and CAPES Journals. Articles published in the last ten years, in Portuguese and English, including original studies and reviews related to endodontic failures and prevention strategies, were included. The findings highlight the importance of understanding the causes of treatment failure and how they occur, emphasizing the need for clinical follow-up, improved diagnostics through advanced technologies, and continuous education for dental professionals to minimize endodontic treatment failures.

Keywords: Endodontics. Reinfection. Retreatment.

1. INTRODUÇÃO 

O tratamento endodôntico é um procedimento amplamente realizado na odontologia com o objetivo de preservar o elemento dentário na cavidade oral, eliminando a infecção pulpar e permitindo a reabilitação funcional. Para alcançar o sucesso, é necessário que todas as etapas — diagnóstico, instrumentação, irrigação, obturação e selamento coronário — sejam executadas de forma precisa. Apesar dos avanços nos materiais, equipamentos e técnicas clínicas, o tratamento endodôntico ainda apresenta taxas significativas de falhas, muitas vezes relacionadas à complexidade anatômica dos canais radiculares, à persistência microbiana e a erros operatórios.

O diagnóstico constitui o primeiro passo e um dos aspectos mais críticos para o sucesso do tratamento. A correta identificação da origem da dor, a distinção entre patologias pulpares, a análise criteriosa de exames radiográficos e a utilização de testes complementares são fundamentais para evitar intervenções desnecessárias. Erros nessa etapa podem levar ao tratamento de dentes hígidos, além de comprometer o prognóstico do dente acometido. A literatura enfatiza que diagnósticos incorretos podem gerar sequelas irreversíveis, além de expor o profissional a riscos éticos e legais.2 

Durante a fase operatória, a instrumentação dos canais representa uma das etapas mais suscetíveis a falhas. Acidentes como perfurações, fratura de instrumentos, degraus e bloqueios são recorrentes, especialmente em dentes com anatomia complexa, canais calcificados ou curvos. Uma instrumentação inadequada compromete a remoção do tecido pulpar e de microrganismos, favorecendo a permanência de focos infecciosos. Além disso, erros na determinação do comprimento de trabalho podem resultar em subinstrumentação — que impede a limpeza completa — ou em sobreinstrumentação, que pode causar danos ao tecido periapical e promover inflamação.2,3 

A irrigação, essencial para a desinfecção do sistema de canais radiculares, também pode ser comprometida pela má técnica ou insuficiência de volume. Quando inadequada, permite a sobrevivência de microrganismos resistentes, como Enterococcus faecalis, além de impedir a remoção de smear layer e biofilme. Da mesma forma, a complexidade anatômica dos canais radiculares, marcada por ramificações e regiões de difícil acesso, representa um desafio para a completa desinfecção e modelagem do sistema.

A obturação do sistema de canais é outra etapa determinante. Quando realizada de forma incompleta, com vazios ou extravasamento de material, compromete o selamento apical e aumenta o risco de infiltração e reinfecção. A ausência de cones de guta-percha, o uso inadequado de cimento e técnicas incorretas de compactação contribuem significativamente para o insucesso. Ainda que a obturação seja executada adequadamente, o selamento coronário final é indispensável para evitar a penetração de saliva e bactérias no interior do dente. A falta de restauração definitiva é uma das principais causas de reinfecção e necessidade de retratamento.5  

Paralelamente às questões técnicas, o avanço tecnológico tem permitido melhorias significativas na prática endodôntica. O uso da microscopia operatória proporciona visualização ampliada, auxiliando na identificação de canais acessórios, fraturas e detalhes anatômicos que passariam despercebidos em métodos convencionais. A tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) amplia a capacidade diagnóstica ao oferecer imagens tridimensionais de alta resolução, essenciais para casos complexos. Sistemas rotatórios de Níquel-Titânio (NiTi), localizadores apicais modernos, técnicas de irrigação ativada e métodos termoplásticos de obturação contribuem para maior precisão, segurança e eficiência no tratamento.6  

Além disso, a educação continuada assume papel essencial na endodontia contemporânea. A constante evolução das técnicas e dos materiais exige que o cirurgião-dentista mantenha-se atualizado para oferecer o melhor atendimento e reduzir a ocorrência de erros operatórios. Profissionais capacitados e em constante aprimoramento conseguem identificar fatores de risco, planejar adequadamente os casos e realizar procedimentos com maior previsibilidade.7  

Diante desse cenário, torna-se evidente que compreender as causas e consequências das falhas no tratamento endodôntico é fundamental para aprimorar a prática clínica, aumentar as taxas de sucesso e garantir a preservação dos dentes naturais. A análise dessas falhas e das estratégias preventivas representa um elemento essencial para o desenvolvimento da endodontia moderna, contribuindo para melhores resultados terapêuticos e maior qualidade de vida dos pacientes.8 

2. METODOLOGIA  

O presente trabalho configura-se como uma revisão de literatura, elaborada com o objetivo de reunir, analisar e sintetizar o conhecimento científico disponível sobre as principais falhas relacionadas ao tratamento endodôntico, bem como suas causas, consequências e possibilidades de prevenção. A escolha desse método justifica-se pela ampla produção científica existente sobre o tema e pela necessidade de uma análise integrativa que permita compreender de maneira crítica o estado atual das evidências. Assim, optou-se por uma revisão narrativa com características sistematizadas, o que possibilitou incluir estudos de diferentes delineamentos e, ao mesmo tempo, garantir maior controle na busca, seleção e análise dos materiais. 

A pesquisa bibliográfica foi realizada durante o período de janeiro a novembro de 2025, utilizando bases de dados reconhecidas na área odontológica, tais como PubMed/MEDLINE, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Brasileira de Odontologia (BBO), Portal de Periódicos Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Google Acadêmico. A utilização simultânea dessas plataformas permitiu incluir estudos nacionais e internacionais, compondo um panorama amplo e representativo da literatura sobre falhas endodônticas. Para a realização das buscas foram empregados descritores em português e inglês, isolados ou combinados entre si por meio dos operadores booleanos AND e OR. Entre os principais termos utilizados destacam-se “tratamento endodôntico”, “falhas endodônticas”, “instrumentação”, “obturação”, “reinfecção”, “retraimento”, “endodontic treatment”, “endodontic failure”, “root canal instrumentation” e “root canal obturation”. A seleção desses descritores decorreu da necessidade de contemplar os diferentes fatores implicados no sucesso ou insucesso do tratamento endodôntico, abrangendo aspectos técnicos, microbiológicos, anatômicos e restauradores. 

Com o intuito de assegurar a qualidade e atualidade das informações analisadas, adotaram-se critérios de inclusão que contemplaram artigos publicados nos últimos dez anos, escritos em português ou inglês, com disponibilidade integral e que abordassem, de forma direta, falhas endodônticas, complicações operatórias, reinfecção, obturação inadequada, restauração coronária, retratamento ou avanços tecnológicos aplicados à endodontia. Foram aceitos estudos originais, revisões, ensaios clínicos, revisões sistemáticas e relatos de caso que apresentassem relevância clínica. Em contrapartida, foram excluídos artigos que não guardavam relação direta com o tema, publicações fora do período estabelecido, materiais sem revisão por pares, textos indisponíveis e duplicatas encontradas entre as bases. 

O processo de seleção dos estudos ocorreu em três etapas sucessivas. Inicialmente, realizou-se a triagem dos títulos e palavras-chave, eliminando-se os textos que claramente não atendiam aos critérios de inclusão. Na segunda etapa, os resumos dos artigos pré-selecionados foram analisados, permitindo identificar aqueles que possuíam pertinência temática. Por fim, os estudos que permaneceram foram lidos integralmente, possibilitando a extração detalhada das informações necessárias para a construção da revisão. Esse procedimento buscou reduzir vieses e garantir maior rigor metodológico na identificação das evidências mais relevantes. 

Após a leitura integral dos artigos selecionados, iniciou-se a organização e análise dos dados. O conteúdo foi agrupado de acordo com os principais aspectos discutidos na literatura sobre falhas endodônticas, permitindo a construção de uma análise crítica e estruturada. Foram considerados fatores relacionados ao diagnóstico incorreto, à instrumentação inadequada, às intercorrências operatórias, à irrigação deficiente, às falhas de obturação, à infiltração coronária e às implicações microbiológicas decorrentes da persistência de microrganismos no sistema de canais radiculares. Também foram incluídos estudos que abordavam a influência da anatomia complexa na ocorrência de falhas, bem como aqueles que descreviam as consequências clínicas, como dor persistente, desenvolvimento de lesões periapicais e necessidade de retratamento ou cirurgia apical. Paralelamente, analisaram-se estratégias de prevenção e condutas recomendadas, incluindo o avanço de novas tecnologias, como o uso de microscopia operatória, tomografia computadorizada de feixe cônico, sistemas rotatórios de NiTi e métodos aprimorados de irrigação e obturação. 

A análise dos dados foi conduzida de maneira descritiva e comparativa, considerando pontos de convergência e divergência entre os estudos. Esse processo permitiu identificar tendências gerais na literatura, bem como lacunas e controvérsias ainda presentes na área. Buscou-se apresentar uma síntese que abrangesse desde os fundamentos do diagnóstico inicial até o acompanhamento pós-operatório, destacando fatores determinantes para o sucesso ou insucesso do tratamento endodôntico. 

Por tratar-se de uma revisão de literatura, sem envolvimento direto de seres humanos ou coleta de dados clínicos, o presente estudo não exige aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa. No entanto, todas as fontes utilizadas foram citadas de acordo com normas acadêmicas, garantindo o respeito aos princípios éticos e evitando plágio. Apesar do rigor metodológico empregado, reconhece-se que uma revisão narrativa possui limitações, como a possibilidade de viés de seleção e a ausência de análise estatística, o que impede a quantificação dos resultados. Ainda assim, a diversidade de bases consultadas, os critérios utilizados e a abrangência dos estudos selecionados contribuem para a confiabilidade e relevância das conclusões apresentadas. 

Assim, a metodologia adotada permitiu construir um panorama abrangente sobre as falhas no tratamento endodôntico, favorecendo a integração de diferentes perspectivas teóricas e clínicas, além de fundamentar a discussão sobre as estratégias que podem minimizar essas falhas e melhorar a qualidade dos tratamentos realizados.

3. FALHAS NOS PROCEDIMENTOS DO TRATAMENTO ENDODÔNTICO 

Além da origem microbiana, as falhas podem decorrer pela falta de habilidade profissional, técnica aplicada de forma inadequada, diagnóstico incorreto e a complexa anatomia do sistema de canais radiculares que pode dificultar a ação dos instrumentos e agentes químicos nos procedimentos endodônticos. 

3.1 Falhas no diagnóstico e planejamento do tratamento endodôntico 

O diagnóstico dental é um componente essencial da odontologia moderna, a precisão no diagnóstico não apenas garante a saúde bucal do paciente, mas também aumenta as chances de sucesso no tratamento. 

As falhas e acidentes ocasionados durante o tratamento endodôntico podem acontecer antes mesmo do início do tratamento, durante a fase pré-operatória, quando o profissional pode cometer erros de diagnóstico. Dessa forma, através de falhas ao localizar o elemento que está originando a dor, ou mesmo através de erros durante avaliação radiográfica, pode-se, infelizmente, realizar a intervenção endodôntica na unidade dental não responsável pela dor e não no elemento causador do problema.9,10  

O diagnóstico na endodontia é de extrema importância para garantir um tratamento efetivo ao paciente, além de poder evitar o surgimento de problemas jurídicos, tendo em vista que erros ao identificar a causa e origem da doença podem ocasionar falhas irremediáveis e consequências graves ao profissional, o qual devido a um erro de diagnóstico, pode condenar um dente que até então se apresentava hígido.10 Para formulação efetiva de um plano de tratamento ideal, é importante que o profissional esteja preparado, e tenha conhecimento suficiente para recolher todas as informações necessárias durante a anamnese, avaliando de forma precisa a cavidade oral do paciente durante o exame físico, além de utilizar exames complementares como testes térmicos, palpação, percussão e exames radiográficos.11  

Segundo Koyess e Fares12, quando o paciente se apresenta com sintomatologia dolorosa, a análise clínica e radiográfica deve ser minuciosa para estabelecimento de diagnóstico correto, tendo em vista que muitas vezes o paciente pode se confundir em relação ao dente que está sendo a origem da dor, e o profissional deve estar atento quanto às evidências que indicam se o referido dente apresenta características e sinais para ser a real causa do desconforto. O profissional deve sempre adotar medidas a fim de prevenir que falhas nesta etapa venham a ocorrer, pois em casos em que há erro de diagnóstico, e portanto, o tratamento é iniciado em outro elemento dentário que até então se apresentava hígido, a situação terá se tornado irreversível, considerando que a partir do momento em que há o acesso direto ao canal radicular do elemento, o tratamento endodôntico inevitavelmente deve ser concluído.  

Por ser uma condição extremamente desagradável tanto ao paciente quanto ao profissional, todos os cuidados devem ser tomados para garantir que o diagnóstico seja estabelecido corretamente, e assim, evitar maiores problemas com processo e envolvimento jurídico contra o profissional pelo erro cometido.9 No entanto, erros de diagnóstico não se limitam apenas à escolha do elemento dental a ser tratado. A decisão pela conduta endodôntica a ser empregada no tratamento de um dente também pode ser feita de maneira equivocada. Sendo assim, deve ser empregado o máximo cuidado ao diferenciar elementos que apontem para 5 casos de caráter inflamatório ou infeccioso, pois além de condutas endodônticas apropriadas, as medicações sistêmicas e intracanais a serem utilizadas serão também distintas. Um erro no planejamento do manejo do paciente pode resultar na complicação do tratamento. O profissional deve também se atentar em relação à hipersensibilidade, e não a confundi-la com a pulpite irreversível, tratando o canal de um elemento que na realidade necessitaria de outro tipo de manejo.

3.2 Falhas na instrumentação e limpeza dos canais radiculares  

O sucesso do tratamento endodôntico depende de uma série de fatores técnicos, biológicos e anatômicos que, quando comprometidos, podem levar a falhas no procedimento. A instrumentação inadequada é uma das principais responsáveis pelo insucesso do tratamento endodôntico. Erros técnicos durante o preparo do canal podem resultar em sub ou sobre-instrumentação, fratura de instrumentos, formação de degraus e perfurações. A sub-instrumentação ocorre quando o comprimento de trabalho não é corretamente determinado, seja por falha na interpretação radiográfica ou uso inadequado de localizadores eletrônicos apicais. Isso pode levar a bloqueios no canal, dificultando a continuidade da instrumentação e comprometendo a limpeza e desinfecção adequadas. Por outro lado, a sobreinstrumentação, que ocorre quando se ultrapassa o comprimento de trabalho ideal, pode causar perfurações e danos ao tecido periapical, resultando em inflamação e necessidade de retratamento.13 

A irrigação inadequada também é uma causa comum de falhas no tratamento endodôntico. A irrigação insuficiente pode resultar em bloqueios e degraus, além de perfurações. A presença de microrganismos persistentes, como o Enterococcus faecalis, é frequentemente associada a falhas no tratamento endodôntico. A irrigação adequada é essencial para remover a “smear layer”, eliminar restos de tecido pulpar e microrganismos patogênicos, além de lubrificar os canais durante a instrumentação.14 

A complexidade anatômica dos canais radiculares, com suas ramificações e reentrâncias, dificulta a completa limpeza e obturação. Além disso, erros durante o tratamento, como instrumentação inadequada e a formação de biofilme bacteriano, podem contribuir para a persistência da infecção. Erros durante o preparo do canal, como instrumentação inadequada, obturação incompleta ou com defeitos, além de procedimentos iatrogênicos (perfurações, fraturas de instrumentos), podem permitir a permanência de bactérias e levar à falha do tratamento.15 

As falhas no tratamento endodôntico podem resultar em persistência de inflamação e dor, necessidade de retratamento ou cirurgia endodôntica para corrigir os erros e eliminar a infecção, e comprometimento da saúde periapical, com risco de reabsorção óssea e perda dentária. A literatura científica destaca que a desinfecção insuficiente e a obturação inadequada são as principais causas de insucesso, seguidas por acidentes operatórios e ausência de selamento coronário.16  

Para evitar falhas no tratamento endodôntico, é fundamental que o profissional endodôntico siga um protocolo de tratamento adequado, utilizando a técnica correta, escolhendo os instrumentos apropriados, e realizando a limpeza e desinfecção adequadas dos canais. A adoção dessas estratégias contribui para o sucesso do tratamento endodôntico e a saúde bucal do paciente.17  

As falhas endodônticas podem ocorrer em casos de persistência microbiana no sistema de canais radiculares. A irrigação com clorexidina e a ativação ultrassônica demonstraram eficácia na redução da carga microbiana durante o tratamento, melhorando a segurança do procedimento.18  

Pode ocorrer acidentes e complicações durante o tratamento endodôntico, algumas de suas principais causas é anatomia do dente que pode apresentar raiz com curvatura acentuada, avaliação incorreta da direção do canal radicular.

A fratura de instrumentos endodônticos pode ocorrer durante todas as etapas do tratamento e pode envolver muitos tipos de instrumentos, como as limas endodônticas. Fraturas podem ocorrer devido à falta de experiência dos profissionais, uso excessivo ou inadequado dos instrumentos, presença de microfissuras em novos instrumentos, e canal curvo ou calcificado.19 A quebra do instrumento endodôntico pode ocorrer sem apresentar sinais prévios de deformação em duas situações: fratura por torção e por fadiga cíclica. A fratura por torção acontece quando a ponta do instrumento, ou outra parte dele, fica presa às paredes do canal enquanto o eixo do instrumento continua girando. Já a fratura por fadiga cíclica ocorre quando o instrumento gira dentro de um canal curvo, gerando tensões alternadas de tração e compressão. Essas tensões repetitivas causam mudanças microestruturais acumulativas, levando à formação de trincas que se propagam até a fratura por fadiga cíclica.20 

3.3 Falhas na Obturação dos Sistemas de Canais Radiculares (SCR) 

O principal motivo pelo fracasso no tratamento endodôntico é o déficit na obturação do sistema de canais radiculares, uma vez que permitem a colonização bacteriana. Entretanto, mesmo que o canal esteja bem obturado, não significa que o tratamento teve êxito. Existem casos ainda onde os canais são obturados apenas com cimento, sem o uso de cones de guta-percha, e não conseguem o selamento apical desses elementos.21,22 Ainda durante a obturação, pode ocorrer a sobreobturação, que é a passagem do material obturador além do ápice, esse erro se deve a falha durante a etapa da prova do cone. Esse erro prejudica o importante selamento da porção apical.23 

3.4 Falhas na restauração dos dentes 

Para Al-Amad et al.24, uma das causas das falhas em restaurações é a contaminação por saliva e por bactérias presentes na cavidade bucal. O isolamento absoluto é indicado para todas as restaurações, pois apresenta vantagens como: melhor acesso e visibilidade, proteção dos tecidos moles, aproveitamento do tempo de trabalho, proteção da saliva e fluidos sanguíneos e consequentemente o aumento da longevidade das restaurações. 

O isolamento absoluto é fundamental na hora de realizar a técnica adesiva, tendo em vista o controle da umidade, permitindo uma melhor adesão da resina à superfície dentária. Porém, devido a queixas de alguns pacientes em relação a utilização do isolamento absoluto, muitos profissionais acabam optando por usar o isolamento relativo.24-27  

Segundo Haruyama et al.28, o isolamento relativo não é totalmente eficaz quando comparados ao isolamento absoluto e enfatiza que para um bom resultado é de suma importância o seu uso, pois a umidade é um dos principais motivos das falhas em restaurações. Uma pesquisa realizada por Lawson et al.29 mostram que de mil quatrocentos e noventa dentistas, 697 (47%) relataram sempre usar o isolamento absoluto. Foi relatado que o uso do isolamento absoluto varia de acordo o treinamento dos dentistas na graduação, o dente a ser restaurado e o tipo de paciente.28,30 

Conduta após insucesso do tratamento endodôntico: para determinar se o tratamento endodôntico teve sucesso ou fracasso, deve ser realizado acompanhamento, observando os aspectos clínicos e exames complementares, como radiográficos e tomográficos.31,32 

O período de acompanhamento pós-tratamento endodôntico varia nas diversas pesquisas, de 1 ano até um período mínimo de 4 a 5 anos para determinação do sucesso; com o intuito de solucionar os casos de insucesso do tratamento supracitado, existem duas formas de tratamento comuns: o retratamento endodôntico e a cirurgia apical. Para determinar a melhor conduta e intervenção, deve ser realizada uma avaliação criteriosa.31,32 

4. ANÁLISE DAS CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DAS FALHAS NOS PROCEDIMENTOS DO TRATAMENTO ENDODÔNTICO

As causas das falhas no tratamento endodôntico possuem diversas origens e podem surgir através do operador (perfurações, instrumentação inadequada, falha na localização de canais), falhas no processo de limpeza e obturação (infiltração coronária, obturação insuficiente/excessiva), e fatores biológicos (reinfecção por bactérias, anatomia complexa). As consequências incluem a persistência da infecção, o desenvolvimento de lesões perirradiculares, dor, e a necessidade de retratamento ou perda do dente.33 

4.1 Erros do operador  

a) Perfuração Iatrogênica: Criar orifícios acidentais na raiz ou no assoalho da câmara pulpar, conforme descrito em Pubmed;34 
b) Falha na Localização de Canais: Não identificar e tratar todos os canais radiculares presentes no dente;35 
c) Fratura de Instrumentos: Separação de instrumentos dentro do canal;36 
d) Obturação Incorreta: Obturação insuficiente, excessiva ou inadequada do canal radicular.37 

4.1.2 Fatores relacionados à anatomia e infecções 

a) Anatomia Complexa:  Presença de canais radiculares com anatomia não tratada, como canais acessórios, que podem abrigar bactérias, canais calcificados;38 
b) Bactérias Persistentes:  Microrganismos que resistem ao processo de desbridamento e irrigação, levando à reinfecção;39 
c) Infiltração Coronária: Microorganismos e fluidos que conseguem penetrar o dente por falhas na restauração;40 
d) Lesões Perirradiculares: Formação de lesões na região ao redor da raiz do dente, muitas vezes resultado de infecção persistente;2 
e) Fatores Extrínsecos e Intrínsecos: Alguns casos podem falhar devido a fatores que não estão diretamente relacionados a microrganismos ou erros técnicos.41 

4.2 Consequências das falhas 

a) Falha na eliminação da infecção:  

A principal consequência é a persistência ou o surgimento de novas infecções, o que pode levar à progressão da lesão perirradicular, a infecção não tratada pode levar ao aparecimento de uma área inflamatória ou infecciosa na região próxima à ponta da raiz.42 

b) Insucesso do tratamento 

O resultado final pode ser o insucesso do tratamento, com a necessidade de um retratamento endodôntico. Em casos mais graves e não tratados, a falha pode levar à necessidade de extração do dente e perda do dente.43 

c) Complicações adicionais 

Em casos de extravasamento de irrigantes, pode haver dor intensa, inchaço e até necrose tecidual.44  

5. ESTRATÉGIAS PARA PERMITIR A PERMANÊNCIA DOS DENTES NA CAVIDADE ORAL 

5.1 Índice de sucesso do tratamento endodôntico  

O êxito ou falha no tratamento endodôntico é determinado à longo prazo, com acompanhamento clínico e radiográfico.45 Dentre os aspectos fundamentais relacionados ao sucesso do tratamento endodôntico, podem ser citados o silêncio clínico (ausência de dor, fístula e edema), ausência de rarefação óssea, tecido ósseo periapical de aspecto normal, dente em função e selamento coronário perfeito.13,46  

Para o acompanhamento radiográfico, os profissionais odontológicos lançam mão de radiografias periapicais. Essas tomadas radiográficas podem ser utilizadas ainda no pré-tratamento e durante o tratamento endodôntico.47 Entretanto, é imprescindível que o cirurgião-dentista conheça e domine as técnicas radiográficas, solicite-as quando for necessário e que interprete os resultados de forma correta.48 Quando o elemento dentário recebe um tratamento endodôntico efetivo, instrumentado, descontaminado e obturado adequadamente, as taxas de sucesso variam entre 80% a 90%.49  

Em um estudo realizado, 19 dentes foram tratados endodonticamente, dentre esses, 15 elementos tiveram êxito na terapêutica, resultando em um percentual de 78,9% de sucesso.50 De acordo com outro estudo, o índice de sucesso do tratamento elucidado tem aumentado, a taxa de êxito varia de 60 a 90%, isso se deve ao aumento de odontólogos especialistas nesses tratamentos.51 

Ademais, a evolução das técnicas, materiais e instrumentais vêm contribuindo para resultados positivos dessa intervenção.52  

Cuidados a fim de evitar a falha do tratamento. Para evitar o insucesso do tratamento endodôntico, o cirurgião-dentista deve ter embasamento teórico, dominar as técnicas e conhecer os materiais. O profissional deve fazer um planejamento individual respeitando a anatomia de cada caso, a fim de evitar iatrogênicas.50,52  Deve-se ainda, fazer acompanhamento clínico e radiográfico do paciente.46 Por isso, dominar as técnicas radiográficas, já que elas fazem parte do cotidiano do odontólogo e auxiliam em diagnóstico e proservação.50,52 Referente a obturação, ela não deve ficar muito aquém ou além do forame apical.21,22 O profissional deve se atentar a possíveis patologias como, reabsorções internas, externas e calcificação, uma vez que elas dificultam o êxito do tratamento.22 Indubitavelmente é de extrema importância, a restauração definitiva no dente que tenha tratamento endodôntico, para que se crie um selamento efetivo.21,53,54  

Além disso, o cirurgião-dentista deve ser cuidado para seguir todos os princípios quando for realizar desobturação e posterior cimentação de pinos intrarradiculares.21,46,54  

Para determinar se o tratamento endodôntico teve sucesso ou fracasso, deve ser realizado acompanhamento, observando os aspectos clínicos e exames complementares, como radiográficos e tomográficos.31,32 O período de acompanhamento pós-tratamento endodôntico varia nas diversas pesquisas, de 1 ano até um período mínimo de 4 a 5 anos para determinação do sucesso.53 Com o intuito de solucionar os casos de insucesso do tratamento supracitado, existem duas formas de tratamento comuns: o retratamento endodôntico e a cirurgia apical. 

Para determinar a melhor conduta e intervenção, deve ser realizada uma avaliação criteriosa.31,32 O retratamento endodôntico é geralmente a intervenção de primeira escolha por ser um tratamento menos invasivo. O objetivo dessa terapêutica é reverter fracassos originados de terapias anteriores e promover a obturação completa de todos os canais existentes no elemento 15 dentário. O novo tratamento endodôntico consiste em remover o material obturador, cones de gutapercha e cimentos obturadores, visando a antissepsia dos canais para nova obturação completa e compacta dos sistemas de canais radiculares.22,32,46,55 

Durante a reinstrumentação, o cirurgião-dentista pode usar solventes, pois contribuem com a penetração dos instrumentos. Se tratando de solventes, atualmente existe uma diversidade de produtos que podem ser utilizados, como eucaliptol, laranja, halotano e Hemo-De. Não obstante, alguns solventes são tóxicos e podem ainda ser carcinogênicos, como clorofórmio e xilol.55,56 

5.2 Importância do diagnóstico correto 

A importância do diagnóstico em endodontia não pode ser subestimada. Um bom diagnóstico é o primeiro passo para um tratamento eficaz. Quando um paciente visita o dentista com dor, a identificação precisa da causa é essencial. Sem um diagnóstico correto, o tratamento pode falhar. 

O diagnóstico ajuda a determinar se a dor vem de problemas com os nervos, como uma pulpite, ou de um abcesso. Cada condição requer um tratamento diferente. Por isso, é fundamental saber exatamente o que está acontecendo. Além disso, um diagnóstico preciso auxilia na prevenção de complicações futuras. Ao tratar o problema na fase inicial, é possível evitar intervenções mais complexas. Isso pode resultar em menos dor e uma recuperação mais rápida para o paciente. Um bom diagnóstico em endodontia também fortalece a relação entre dentista e paciente. Quando o dentista explica claramente o que está acontecendo, o paciente se sente mais seguro e confiante no tratamento. Assim, a comunicação é a chave para o sucesso. Por tudo isso, investir no diagnóstico correto é investir na saúde bucal do paciente. Esse é um compromisso que todo profissional deve ter.13 

5.3 Uso de novas tecnologias 

Nos últimos anos, a odontologia passou por uma verdadeira revolução, impulsionada por inovações tecnológicas que aprimoram os tratamentos e a experiência do paciente. Um dos campos que mais se beneficia dessa transformação é a Endodontia, especialmente no que se refere ao tratamento de canal. Neste artigo, vamos explorar como as novas tecnologias estão moldando a Endodontia Avançada e o que os dentistas e pacientes podem esperar nas próximas etapas desse campo em constante evolução. O tratamento de canal, um procedimento tradicionalmente temido, está se tornando mais eficaz, rápido e menos doloroso. A combinação de tecnologias digitais, impressões 3D e equipamentos modernos está tornando os procedimentos menos invasivos e mais precisos. Ao longo deste artigo, discutiremos as inovações que estão salvando dentes e mudando a percepção pública sobre os tratamentos endodônticos. Você vai descobrir quais são as principais tecnologias em uso, como elas funcionam e quais são os benefícios concretos que oferecem tanto para os dentistas quanto para os pacientes. Além disso, vamos trancar um olhar para o futuro da Endodontia em 2025 e como essas novas abordagens estão moldando o cenário da odontologia.48 

5.3.1 Visualização ampliada e diagnóstico de alta precisão 

Microscopia Odontológica na Endodontia é essencial quando se busca um nível máximo de controle em procedimentos de alta precisão. Para garantir excelência em cada etapa do tratamento, a endodontia de alta precisão exige atenção absoluta aos mínimos detalhes clínicos. Com o suporte da tecnologia de aumento, proporcionado pelo microscópio odontológico, o profissional consegue detectar com muito mais clareza canais acessórios, microfraturas e alterações anatômicas sutis — que, em métodos convencionais, poderiam facilmente passar despercebidas. Como resultado, essa visualização significativamente aprimorada não só melhora a qualidade geral do atendimento, como também reduz consideravelmente os riscos de falhas, retratamentos e complicações futuras. Dessa forma, o procedimento se torna mais previsível, seguro e alinhado aos padrões mais elevados da odontologia moderna.57 

Quando se busca um resultado realmente eficaz e duradouro, associar o tratamento endodôntico à essa tecnologia torna-se não apenas recomendável, mas essencial para elevar significativamente a precisão em cada etapa do procedimento. Além disso, essa combinação proporciona uma reabilitação muito mais segura e previsível, sobretudo em casos considerados complexos ou com anatomia dentária desafiadora. Nesses cenários específicos, a precisão obtida com o uso do microscópio odontológico torna-se determinante para o sucesso da intervenção.57  

Dessa maneira, o tratamento ganha mais controle, qualidade técnica e, principalmente, a confiança necessária por parte do paciente. Além dos benefícios já citados, a Microscopia Odontológica na Endodontia também favorece, de maneira significativa, uma abordagem minimamente invasiva, alinhada aos princípios da odontologia moderna e conservadora. Graças à visualização altamente ampliada e detalhada, o profissional consegue atuar com muito mais exatidão, o que significa que, em vez de remover tecidos saudáveis desnecessariamente, ele consegue intervir apenas nas áreas realmente comprometidas. Com isso, há uma preservação maior da estrutura dentária original, o que, por sua vez, contribui diretamente para a longevidade do dente tratado. Além disso, essa conservação natural resulta não apenas em tratamentos mais duradouros, mas também em um resultado final mais estético e harmônico. Portanto, ao adotar a microscopia no planejamento endodôntico, eleva-se não só a precisão clínica, mas também a qualidade da experiência do paciente.58 

5.3.2  Tomografias Computadorizada/ Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC) 

A tomografia computadorizada e tomografia de feixe cônico (TCFC) são ferramentas cruciais na endodontia, proporcionando imagens tridimensionais que aprimoram diagnósticos e tratamentos, especialmente em casos complexos. Ela facilita a identificação de canais radiculares e o planejamento cirúrgico, assegurando precisão e eficácia, enquanto seu uso criterioso minimiza os riscos associados à radiação, complementando as radiografias tradicionais e otimizando a prática odontológica.59 

A tomografia computadorizada tem se tornado uma ferramenta indispensável na endodontia e representa um avanço significativo devido sua capacidade de oferecer imagens detalhadas permitindo diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes. Com a introdução da tomografia de feixe cônico (TCFC), os cirurgiões dentistas agora podem acessar imagens tridimensionais que revelam a complexidade da anatomia dental de uma forma que as radiografias tradicionais não conseguem. Antes da TCFC, a radiografia periapical era a escolha padrão, oferecendo apenas uma visão bidimensional que muitas vezes deixava de capturar nuances críticos, levando a possíveis erros de diagnóstico, com a TCFC supera essa limitação, proporcionando uma visão completa das estruturas internas do dente e suas relações com os tecidos circundantes com a TCFC, é possível identificar lesões periapicais que não são visíveis em radiografias convencionais, avaliar com precisão a morfologia do canal radicular e detectar fraturas ou reabsorções que poderiam passar despercebidas.60 

5.3.3 Treinamento e educação continuada para profissionais de odontologia 

A educação continuada é um dos pilares para o desenvolvimento profissional em qualquer área, mas na odontologia ela se torna ainda mais crucial. Isso porque a tecnologia está em constante avanço: Novos equipamentos, técnicas e materiais exigem atualização constante para oferecer tratamentos modernos e eficazes.61 

Os benefícios da Educação Continuada na Odontologia fazem com que os profissionais que buscam capacitação consigam oferecer tratamentos mais eficazes, alcançar melhores resultados clínicos e ampliar suas possibilidades de atuação.  

Em relação à concorrência, o mercado odontológico é altamente competitivo. Ter especializações odontológicas pode ser o diferencial para se destacar e atrair mais pacientes.  

5.4  Melhoria na comunicação entre os profissionais de odontologia e os pacientes 

A comunicação clara com o paciente odontológico é fundamental para criar uma relação de confiança e segurança. Técnicas como escuta ativa, uso de tecnologia e feedback ajudam a otimizar essa interação, enquanto um ambiente acolhedor acrescentando conforto ao paciente, tornando a experiência mais positiva e humanizada.62 

5.5 Restauração definitiva 

Segundo Ribeiro63, em seu estudo que visa a importância da restauração definitiva após o tratamento endodôntico, para a obtenção do sucesso na terapia endodôntica é de extrema importância a limpeza, a desinfecção e obturação do canal radicular, do mesmo modo o selamento hermético do elemento dentário através da restauração coronária definitiva. Objetivando impedir que ocorra contaminação das estruturas do periápice através de microinfiltração, devido à passagem de fluídos da cavidade oral para o interior do dente, é o mais indicado de forma prudente, restaurar o remanescente dentário com um material restaurador permanente após a finalização do tratamento endodôntico. Os materiais restauradores permanentes normalmente utilizados na dentística restauradora são: amálgama de prata, resina composta e cimento de ionômero de vidro. 

6. CONCLUSÃO 

Ao longo deste estudo, ficou evidente que a Insucesso em tratamentos endodônticos: causas, desafios e perspectivas de solução, desempenha um papel fundamental na Odontologia. A análise realizada permitiu compreender não apenas os aspectos teóricos que sustentam o tema, mas também a aplicação prática das abordagens discutidas, evidenciando suas contribuições e limitações. Observou-se durante a pesquisa que pode ocorrer diferentes falhas no tratamento endodônticos porém, encontramos estudos já realizados que nos dão embasamentos para que seja realizado um diagnóstico correto com o uso de novas tecnologias que nos permite uma visualização ampliada, entre estas a tomografia computadorizada de feixe Cônico que é uma ferramenta indispensável e crucial na endodontia o que reforça ainda, que o profissional esteja sempre se adequando as novas mudanças para que o tratamento seja um sucesso.  

Além disso, os resultados obtidos destacam que é possível realizar o tratamento endodôntico com sucesso desde que haja um acompanhamento entre o paciente e o profissional, mostrando que essa constatação corrobora com estudos anteriores e ao mesmo tempo em que traz novas perspectivas, especialmente no que se refere a tratamentos endodônticos. Tal abordagem permite não apenas um aprofundamento do conhecimento sobre Insucesso em tratamentos endodônticos: causas, desafios e perspectivas de solução, mas também abre caminho para futuras pesquisas, estimulando questionamentos sobre novas perspectivas e soluções. 

Por fim, os resultados obtidos reforçam a relevância do tema e destacam a necessidade de continuidade das pesquisas. Aprofundar-se em conceitos já consolidados, novas técnicas e tecnologias que permitirá um entendimento ainda mais detalhado, possibilitando o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e fundamentadas. Assim, este artigo não apenas consolida conhecimentos já existentes, mas também impulsiona o avanço da área, propondo caminhos para novas investigações e práticas mais embasadas, contribuindo para o desenvolvimento acadêmico e social relacionado a Endodontia. 

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