SHOULDER INSTABILITY CAUSED BY BANKART INJURY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511291950
Eduardo Santos de Miranda1
Matheus Soares Pontes1
Orientador: Prof. Leonardo Eglan Moreira da Costa2
Resumo: Introdução: O ombro é uma das articulações que mais sofre luxações no corpo. As lesões que acometem o complexo do ombro podem ser divididas de acordo com a região afetada e seu mecanismo de acometimento. A reabilitação da lesão de Bankart desempenha um papel fundamental tanto na restauração e otimização da amplitude de movimento. Objetivo: Mostrar a importância da fisioterapia na reabilitação da lesão de Bankart e as diferentes intervenções fisioterapêuticas utilizadas para ajudar o paciente. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica conduzida com descritores em português e inglês, aplicando critérios de inclusão e exclusão previamente definidos para seleção dos estudos nas bases de dados PubMed, SciELO, PEDro, LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) Discussão: Na reabilitação, destacam-se intervenções focadas no controle da dor, recuperação da amplitude de movimento, melhora da coordenação motora e fortalecimento progressivo, associando recursos conservadores associados com mobilizações articulares, cinesioterapia, exercícios resistidos, propriocepção e programas domiciliares, que contribuem para a continuidade do tratamento e evolução funcional. Conclusão: A fisioterapia desempenha papel fundamental na prevenção e tratamento das lesões do ombro, especialmente em indivíduos expostos a movimentos repetitivos ou traumáticos, promovendo melhora significativa da dor, mobilidade, estabilidade e qualidade de vida.
Palavras-chave: lesão de Bankart; ombro; reabilitação; fisioterapia.
Abstract: Introduction: The shoulder is one of the joints most prone to dislocations in the human body. Injuries affecting the shoulder complex can be classified according to the compromised region and the mechanism of injury. Rehabilitation of Bankart lesions plays a fundamental role in restoring and optimizing range of motion. Objective: To highlight the importance of physiotherapy in the rehabilitation of Bankart lesions and the different physiotherapeutic interventions used to support patient recovery. Methodology: This is a literature review conducted using descriptors in both Portuguese and English, applying predefined inclusion and exclusion criteria for the selection of studies in the PubMed, SciELO, PEDro, LILACS and Virtual Health Library (VHL) databases. Discussion: In rehabilitation, interventions are mainly focused on pain control, recovery of range of motion, improvement of motor coordination and progressive strengthening. Conservative resources are combined with joint mobilizations, kinesiotherapy, resistance exercises, proprioceptive training and home based programs, which contribute to treatment continuity and functional improvement. Conclusion: Physiotherapy plays a key role in the prevention and treatment of shoulder injuries, especially in individuals exposed to repetitive or traumatic movements, promoting significant improvements in pain, mobility, stability and overall quality of life.
Keywords: Bankart injury; shoulder; rehabilitation; physiotherapy.
1 INTRODUÇÃO
Com uma incidência de até 25 casos por 100.000 pessoas-ano, o ombro é uma das articulações que mais sofre luxações no corpo, causando preocupações acerca de um possível comprometimento da amplitude de movimento dele (VILLARREAL-ESPINOSA et al., 2024). O ombro é a articulação proximal do membro superior com a maior amplitude de movimento do corpo humano, destacando-se por sua hipermobilidade em diversos planos e exigindo estabilidade articular (SOUZA; CHAGAS, 2025).
Sua estrutura é composta pelos músculos que constituem o manguito rotador: subescapular, supraespinal, infraespinal e redondo menor, tendões, bursas e três ossos principais: escápula, clavícula e úmero. Essa anatomia complexa atua de forma integrada para permitir os movimentos, mas a movimentação dessa estrutura multiarticular pode causar riscos de lesões nessa região. Por isso, quando submetida a esforços repetitivos ou traumas, como quedas e impactos, comuns no ambiente esportivo, essa articulação torna-se vulnerável a lesões (SOUZA; CHAGAS, 2025).
As lesões que acometem o complexo do ombro podem ser divididas de acordo com a região afetada e seu mecanismo de acometimento. Os tipos de lesões podem ser de origem traumática: luxações ou fraturas, e as não traumáticas: subluxações e/ou processos inflamatórios. Um exemplo é a Lesão do Lábio Glenoidal Superior de Anterior para Posterior da cavidade, conhecida como SLAP (Superior Labrum Anterior and Posterior). Essa área é funcionalmente importante na estabilidade superior do ombro e ainda atua como “âncora” para a inserção da cabeça longa do tendão do músculo bíceps braquial (REBOUÇAS et al., 2015 apud ANDRADE et al., 2025).
O tratamento das lesões SLAP varia desde o conservador até o cirúrgico artroscópico. No procedimento artroscópico, na maioria da vezes, usa-se o portal anterossuperior e/ou ântero- -inferior, através do intervalo rotador, para abordagem das lesões labiais da glenóide superior e anterior. Esses portais limitam o acesso à região posterior e superior da glenóide para colocação de uma âncora e reinserção do lábio posterior (REBOUÇAS et al. 2015). Após determinar se a cirurgia é a melhor opção de tratamento, um programa de reabilitação pós-operatória bem planejado e supervisionado é essencial para recuperar a amplitude de movimento, a força muscular e a estabilidade do ombro, reduzindo a rigidez articular e melhorando os resultados em longo prazo (OLIVEIRA; CABRAL, 2024).
A reabilitação da lesão de Bankart desempenha um papel fundamental tanto na restauração e otimização da amplitude de movimento quanto na promoção da cicatrização adequada das estruturas posteriores (VILLARREAL-ESPINOSA et al., 2024). No entanto, a duração e a qualidade da reabilitação após esse procedimento desempenham um papel importante na obtenção de estabilidade funcional e no retorno às atividades (DEFRODA et al.,2018)
O objetivo desse trabalho é mostrar a importância da fisioterapia na reabilitação da lesão de Bankart e as diferentes intervenções fisioterapêuticas utilizadas para ajudar o paciente.
2 METODOLOGIA
2.1 TIPO DE ESTUDO
Este artigo trata-se de uma revisão bibliográfica.
2.2 COLETA DE DADOS
A coleta dos dados foi feita através de pesquisa bibliográfica e documental online, em língua portuguesa e língua inglesa, com o intuito de relacionar os dados a serem interpretados para apresentá-los. Buscas concentradas nas seguintes bases de dados: PubMed, SCIELO, Biblioteca Virtual da Saúde (BVS) e Researchgate.
A pesquisa teve como parâmetro as palavras-chave: “lesão de Bankart”; “ombro”; reabilitação; fisioterapia; “Bankart injury”; “shoulder”; “rehabilitation”; “physiotherapy”
2.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
• Estudos que falam sobre a lesão de Bankart;
• Estudos que falam sobre mulheres e homens, atletas ou não, que tiveram esse tipo de lesão;
• Estudos que falam sobre homens e mulheres que passaram por tratamento de reabilitação após diagnóstico;
• Estudos que falam sobre a ortopedia como uma subespecialidade médica específica da fisioterapia, nesse caso;
2.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
• Estudos que falam sobre outras lesões no ombro não relacionadas a lesão de Bankart;
• Estudos que falam sobre homens e mulheres que não fizeram nenhum tipo de intervenção ou tratamento após diagnóstico confirmado
• Artigos não disponibilizados na íntegra;
• Artigos sem literatura para discussão;
• Qualquer publicação sem caráter científico.
2.5 PERÍODO ANALISADO
Artigos que datam 2015 até 2025.
A Figura (1) mostra o fluxograma de escolha de artigos usados para referência
Figura 1: Fluxograma dos artigos escolhidos

Fonte: Elaborado pelos alunos, 2025
3 RESULTADOS
A Tabela (1) mostra os autores escolhidos para discussão
Tabela 1: Autores escolhidos para discussão
| AUTORES | DISCUSSÃO | CONCLUSÃO |
| SOUZA; CHAGAS, 2025 | Reconhecendo a alta incidência de lesões no ombro no contexto esportivo e a crescente demanda de atletas em busca de atendimento fisioterapêutico, o artigo tem como propósito identificar e analisar programas de prevenção e protocolos de reabilitação, com base na literatura científica, que evidenciem a eficácia da fisioterapia nas lesões do ombro | Os programas de prevenção e protocolos de reabilitação fisioterapêutica descritos nos estudos analisados caracterizam recursos que ainda são pouco registrados na literatura acadêmica, mas que evidenciam a eficácia da fisioterapia tanto na prevenção quanto na reabilitação, sobretudo com a significativa analgesia resultante do tratamento da dor |
| AMDRADE et al., 2025 | O complexo da articulação do ombro é uma região do corpo humano que possui alta complexidade na integração de várias articulações e maior mobilidade estando, portanto, mais suscetível aos traumatismos e/ou lesões. A lesão de SLAP apresenta séries de casos, sendo o tipo II, o mais comum. | É importante realizar uma correta avaliação clínica e de imagens da lesão de SLAP, já que existem diversos testes específicos, exames e técnicas de tratamento conservador para casos iniciais deste tipo de lesão, onde com estudos detalhados sobre cada paciente é possível se obter tratamentos fisioterapêuticos satisfatórios e promissores. |
| KIM; SO, 2019 | A abordagem conservadora para a lesão de Bankart tem se mostrado uma alternativa ao tratamento cirúrgico. Após a fase inicial, introduzem-se exercícios leves de fortalecimento, exercícios proprioceptivos e de estabilização. A progressão ocorre de forma gradual, combinando exercícios supervisionados por fisioterapeutas, valorizando a aderência do paciente ao tratamento. | Os exercícios de reabilitação após a luxação foram conduzidos por 8 meses ou 3 meses. Com base nos resultados, é possível afirmar que um programa inicial de reabilitação, com acompanhamento frequente, seja tentado antes da indicação de reparo cirúrgico. |
| FORTUNA, 2024 | Sendo a lesão de SLAP do tipo II a mais comum, torna-se pertinente analisar os efeitos dos diferentes métodos terapêuticos utilizados na sua recuperação após intervenção artroscópica. A medida que a reabilitação evolui, os protocolos enfatizam o fortalecimento progressivo da coifa dos rotadores, estabilizadores da escápula e bíceps, bem como exercícios específicos para restaurar estabilidade e controle neuromuscular do ombro. | A realização de uma intervenção fisioterapêutica pós-artroscopia na lesão SLAP tipo II é benéfica na redução da dor, no aumento de funcionalidade, satisfação do paciente e performance desportiva, assim como na melhoria de força e de amplitude de movimento, mas com déficits relativamente ao membro contralateral. |
Fonte: Elaborado pelos alunos, 2025.
4 DISCUSSÃO
Para Souza e Chagas (2025), os programas de prevenção de lesões do ombro em atletas baseiam-se na identificação das causas e dos movimentos esportivos que apresentam maior risco para essa articulação, levando em consideração fatores modificáveis, como força rotacional e discinesia escapular, e não modificáveis, como a posição de jogo. A avaliação individual do atleta é fundamental para a construção de um programa de prevenção eficaz, que inclui análise dos gestos esportivos, amplitude de movimento e controle motor. A fisioterapia preventiva utiliza exercícios específicos voltados ao fortalecimento da musculatura do ombro e do tronco, equilíbrio escapular e melhora da estabilidade dinâmica, buscando reduzir o impacto dos movimentos repetitivos e a sobrecarga articular. Esses programas mostraram-se eficientes em modalidades como natação e handebol, com significativa redução da incidência de lesões.
No contexto da reabilitação, os protocolos fisioterapêuticos priorizam o tratamento da dor e da disfunção do movimento, utilizando técnicas como a Mobilization With Movement (MWM), que associa mobilização articular ativa ao movimento funcional, promovendo alívio da dor e ganho de amplitude. A cinesioterapia é outro recurso amplamente aplicado nas primeiras semanas pós-lesão, com foco na restauração da força, coordenação e controle motor. Além disso, os programas domiciliares, com o uso de cartilhas ilustradas de exercícios, contribuem para a adesão e continuidade do tratamento, ampliando os resultados clínicos. De modo geral, Souza e Chagas (2025) observam que, tanto os programas de prevenção quanto os protocolos de reabilitação fisioterapêutica, apresentam eficácia comprovada na redução do risco de novas lesões e na recuperação funcional do ombro em atletas, reforçando a importância da fisioterapia baseada em evidências nesse contexto.
Para Andrade e colaboradores (2025), a anamnese é o ponto de partida essencial para o diagnóstico das disfunções do ombro, pois permite levantar informações detalhadas sobre a queixa principal, histórico da lesão, atividades diárias, profissão, mecanismo de trauma e evolução temporal dos sintomas. Pacientes com suspeita de lesão do complexo superior do lábio glenoidal costumam relatar dor mal localizada, geralmente desencadeada em movimentos específicos, especialmente em indivíduos que realizam atividades esportivas com uso repetitivo do ombro. Queixas de instabilidade, dor ao deitar sobre o ombro afetado, dor ao elevar o braço acima da cabeça, dificuldade para carregar objetos e perda de força também são frequentes, especialmente quando há comprometimento associado do labrum e da cápsula articular.
Andrade e colaboradores (2025) afirmam que o diagnóstico e o exame físico devem incluir a avaliação minuciosa da história clínica, palpação e análise da amplitude de movimento, que em muitos casos permanece preservada, dificultando a identificação precisa da lesão apenas pelo exame clínico. Por esse motivo, exames de imagem como a Ressonância Magnética e a Artro-Ressonância tornam-se fundamentais por permitirem visualização detalhada das estruturas intra-articulares. Essas modalidades apresentam alta capacidade de identificar alterações do labrum superior, evidenciando desprendimentos, irregularidades e sinais característicos da lesão. A análise em diferentes planos proporciona maior precisão diagnóstica e auxilia no planejamento adequado da reabilitação e do tratamento fisioterapêutico.
Neste contexto, Andrade e colaboradores (2025) explicam que existem inúmeros testes de exames físicos específicos descritos para detectar uma lesão SLAP. Com relação aos princípios de sensibilidade e especificidade do teste diagnóstico, estes devem ser empregados para identificação precisa das incapacidades e da patologia específica do paciente. No início, por exemplo, devem ser feitos os testes mais sensíveis, a fim de ajudar a focar o exame físico e evitar procedimentos desnecessários. Com base nos procedimentos de qualidade é importante ressalta os seguintes testes:
• Teste de O’Briens: quando o paciente está sentado com 90 ° de flexão do ombro e 10° de adução horizontal, roda completamente internamente o ombro e deixa o cotovelo em pronação, será aplicada então, uma força descendente no pulso ou no cotovelo e o paciente resiste à força. A dor em cima ou dentro do ombro é considerada uma prova positiva.
• Teste de Carga do Bíceps: o paciente supina o braço, roda o ombro a 120º, flexiona o cotovelo a 90º, devendo girar externamente o braço até se tornar apreensivo e assim, proporcionar resistência contra a flexão do cotovelo. A dor é considerada uma prova positiva;
• Teste de Cisalhamento Dinâmico de O’Driscoll: quando o paciente está de pé com o braço girado lateralmente em 120º de abdução, o examinador aplica força de corte anterior. Um teste positivo é indicado pela dor;
• Teste de Speed: o paciente fica sentado na mesa de exame ou em pé. O ombro afetado é flexionado a 90º, o cotovelo fica em extensão completa e o antebraço em supinação. O examinador apoia uma das mãos sobre a face medial do antebraço e a outra mão na região proximal do úmero do paciente próximo ao sulco intertubercular;
• Teste de Recolocação de Jobe: o paciente fica em decúbito dorsal com o ombro afetado em adução de 90º e rotação lateral completa. O examinador fica em pé com a mão distal segurando o punho e a mão do paciente. A mão proximal do examinador é colocada sobre a cabeça do úmero do paciente anteriormente.
Andrade e colaboradores (2025) finalizam falando que a patologia SLAP pode ser isolada ou associada a outros problemas, tornando importante diagnosticá-la e tratá-la simultaneamente com a restante associada patologia do ombro. O tratamento conservador da dor no ombro deve ser personalizado de acordo com os sintomas individuais, o quadro clínico e os objetivos funcionais. Quanto à evidência sobre a intervenção e o tratamento conservador das lesões SLAP, a articulação deve ser tratada de acordo com sua instabilidade, com exercícios de estabilização dinâmica, incluindo alongamento dos tecidos e técnicas de mobilizações articulares úteis a restauração da mobilidade do ombro. As opções de tratamento conservador são:
• Tratamento á curto prazo: Inicialmente, para se obter um bom resultado o fisioterapeuta deve iniciar o tratamento com a analgesia e o reparo tecidual. As técnicas mais utilizadas para tratar a dor são: ultrassom, ondas curtas, eletroestimulação e crioterapia. O paciente pode fazer o uso de medicamentos antiinflamatórios não esteroides (AINE) e/ou injeções intra articulares de glicocorticóide. E já nesse primeiro momento é indicado começar atividades com o objetivo de ganho de amplitude de movimento.
• Tratamento á médio prazo: Logo após a fase inflamatória, deve-se iniciar os alongamentos da cápsula posteroinferior e mobilização dos tecidos moles e articular, trabalhando a estabilidade articular, aumentando por meio de reforço do manguito rotador e dos músculos periescapulares, desenvolvendo exercícios em cadeia cinética, bem como também é de grande importância tratar o equilíbrio e força de membros inferiores (CORE).
• Tratamento á longo prazo À medida que a força do paciente for aumentando, o volume de exercícios com resistência também deve aumentar, gerando resistência muscular ao paciente, evoluindo para atividades pliométricas de cadeia cinética fechada, buscando a máxima utilização dos músculos em movimento e assim o fisioterapeuta juntamente com o paciente deverá criar um programa progressivo.
Kim e So (2019) falam sobre como a abordagem conservadora para a lesão de Bankart tem se mostrado uma alternativa viável ao tratamento cirúrgico em casos selecionados, especialmente em pacientes não atletas ou com menor exposição a atividades de alto impacto.
O programa fisioterapêutico concentra-se inicialmente na redução da dor e na recuperação da amplitude de movimento, evitando períodos prolongados de imobilização que podem levar à rigidez, fibrose e maior instabilidade do ombro. Após a fase inicial, introduzem-se exercícios leves de fortalecimento, seguidos de exercícios proprioceptivos e de estabilização, sempre respeitando os limites anatômicos e evitando posições que colocam estresse excessivo sobre as estruturas anteriores do ombro, como rotação externa associada à abdução a 90° e atividades acima da cabeça. A progressão ocorre de forma gradual, com combinação de exercícios supervisionados e domiciliares, valorizando a aderência do paciente ao tratamento.
Ao longo da reabilitação, utiliza-se treinamento resistido com faixas elásticas, isometrias de curta duração e, em fases posteriores, máquinas de musculação para garantir maior controle e segurança articular. A fisioterapia também inclui exercícios de estabilização dinâmica, com apoio de peso dos membros superiores e estímulos de propriocepção, a fim de recuperar a função neuromuscular e prevenir novos episódios de subluxação ou luxação. Embora o tratamento conservador não elimine totalmente o risco de recorrência em situações imprevisíveis, ele pode proporcionar alívio significativo dos sintomas, melhora da estabilidade e retorno seguro às atividades da vida diária. Diante desses resultados, Kim e So (2019) recomendam que a reabilitação fisioterapêutica seja considerada como primeira opção antes da indicação cirúrgica, desde que acompanhada de monitoramento frequente e orientação adequada sobre atividades de risco.
A análise dos estudos de Fortuna (2024) sobre reabilitação após artroscopia do ombro em casos de lesão SLAP tipo II demonstra que, apesar das variações nos protocolos, há um padrão comum nas intervenções fisioterapêuticas. Nos estágios iniciais, predominam a imobilização temporária, exercícios pendulares e mobilizações passivas com amplitude reduzida, avançando progressivamente para mobilizações ativas e ativa-assistidas. O foco inicial é o controle da dor, a proteção das estruturas reparadas e o restabelecimento gradual da amplitude de movimento, evitando posições de risco, como rotação externa em abdução. Essa abordagem conservadora inicial mostra-se eficaz na redução da dor nas primeiras semanas, indicando que a fisioterapia desempenha papel fundamental no alívio dos sintomas pós cirúrgicos.
Fortuna (2024) continua, dizendo que a medida que a reabilitação evolui, os protocolos enfatizam o fortalecimento progressivo da coifa dos rotadores, estabilizadores da escápula e bíceps, bem como exercícios específicos para restaurar estabilidade e controle neuromuscular do ombro. São utilizados exercícios isométricos, elásticos resistidos, treino com máquinas e atividades proprioceptivas em diferentes níveis de complexidade, respeitando a cicatrização tecidual e as respostas individuais de cada paciente. A fisioterapia também contribui para melhorias funcionais, permitindo o retorno gradual a atividades diárias e esportivas, com progressão planejada entre 3 e 6 meses, especialmente em atletas overhead. Embora nem sempre se alcance simetria de amplitude ou força quando comparado ao membro contralateral, observa-se melhora considerável desses parâmetros em relação ao período pós-operatório imediato.
Fortuna (2024) finaliza afirmando que a intervenção fisioterapêutica mostra impacto positivo na satisfação dos pacientes e no desempenho físico, refletindo melhorias na funcionalidade e na qualidade de vida. Apesar de alguns déficits residuais em amplitude e força, a combinação de exercícios de mobilidade, fortalecimento e treino de estabilidade permite restaurar boa parte da capacidade funcional e esportiva. Assim, a fisioterapia pós-artroscopia da lesão SLAP tipo II evidencia-se como componente essencial do processo de recuperação, capaz de promover redução da dor, otimizar a função do ombro e favorecer o retorno seguro às atividades cotidianas e esportivas.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A fisioterapia desempenha papel fundamental na prevenção e tratamento das lesões do ombro, especialmente em indivíduos expostos a movimentos repetitivos ou traumáticos. Programas preventivos eficazes incluem exercícios direcionados ao fortalecimento do manguito rotador, estabilizadores da escápula e musculatura do tronco, aliados a estratégias de estabilidade dinâmica para reduzir o impacto das cargas repetitivas. Na reabilitação, destacam se intervenções focadas no controle da dor, recuperação da amplitude de movimento, melhora da coordenação motora e fortalecimento progressivo, associando recursos como mobilizações articulares, cinesioterapia, exercícios resistidos, propriocepção e programas domiciliares, que contribuem para a continuidade do tratamento e evolução funcional.
No manejo conservador das lesões de Bankart, a fisioterapia utiliza protocolos que evoluem gradualmente conforme a cicatrização tecidual, iniciando com analgesia, mobilidade e proteção articular, e avançando para fortalecimento específico, estabilização dinâmica e atividades funcionais. Mesmo em casos pós-cirúrgicos, o processo de reabilitação se mostra essencial para restaurar força, estabilidade e desempenho funcional, favorecendo o retorno seguro às atividades esportivas e da vida diária. De modo geral, os achados apontam que a fisioterapia baseada em evidências promove melhora significativa da dor, da mobilidade, da estabilidade e da qualidade de vida, configurando-se como intervenção central na prevenção, recuperação e otimização da função do ombro.
REFERÊNCIAS
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1 Acadêmicos do curso Fisioterapia do Centro Universitário IBMR. E-mail: dudu_pda22@hotmail.com
2 Orientador. Professor Fisioterapeuta.
