REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503171802
Cleide Alves dos Santos Conceição de Souza1
Maristela Batista Gomes dos Santos2
Resumo
Este artigo científico analisa as inovações na avaliação no século XXI, considerando as mudanças tecnológicas, a diversidade cultural, as novas abordagens pedagógicas e as demandas sociais. O estudo busca entender como essas inovações podem promover uma educação eficaz e inclusiva em um mundo em constante evolução. O objetivo da pesquisa é apontar para a avaliação eficaz como elemento essencial para identificar o progresso dos alunos, adaptar as práticas pedagógicas para atender às necessidades individuais de aprendizado; fornecendo uma contribuição valiosa para educadores e pesquisadores interessados em aprimorar sua práxis de avaliação. Utilizou-se da Metodologia da revisão bibliográfica com base em autores como: Villas Boas (2011), Freitas (2017) e outros. Os resultados destacam que: as mudanças tecnológicas possibilitam a personalização da avaliação envolvendo os alunos de forma mais ativa; que a diversidade cultural requer uma avaliação inclusiva, valorizando as diferentes culturas; as novas perspectivas pedagógicas enfatizam a avaliação formativa, permitindo uma medição mais autêntica das habilidades dos alunos e, por fim, que as demandas sociais atuais exigem uma avaliação holística que prepare os alunos para as habilidades necessárias no século XXI. Este estudo contribui para compreender as tendências e desafios na avaliação contemporânea, ressaltando a necessidade de abordagens flexíveis e equitativas. Como sugestão para futuras pesquisas, recomenda-se explorar a acessibilidade digital, aprimorar a avaliação inclusiva, investigar o impacto das novas perspectivas pedagógicas no engajamento dos alunos e analisar como a avaliação se relaciona com as demandas sociais em constante evolução.
Palavras-chave: Avaliação. Inovações. Mudanças tecnológicas.
Abstract
This scientific article analyzes innovations in assessment in the 21st century, considering technological changes, cultural diversity, new pedagogical approaches and social demands. the study seeks to understand how these innovations can promote effective and inclusive education in a constantly evolving world. The objective of the research is to point to effective assessment as an essential element for identifying student progress, adapting pedagogical practices to meet individual learning needs; providing a valuable contribution to educators and researchers interested in improving their assessment praxis. The bibliographic review methodology was used based on authors such as: Villas Boas (2011), Freitas (2017) and others. The results highlight that: technological changes make it possible to personalize assessment by involving students more actively; that cultural diversity requires an inclusive assessment, valuing different cultures; new pedagogical perspectives emphasize formative assessment, allowing for a more authentic measurement of students’ abilities and, finally, that current social demands require holistic assessment that prepares students for the skills needed in the 21st century. This study contributes to understanding trends and challenges in contemporary evaluation, highlighting the need for flexible and equitable approaches. As a suggestion for future research, it is recommended to explore digital accessibility, improve inclusive assessment, investigate the impact of new pedagogical perspectives on student engagement and analyze how assessment relates to constantly evolving social demands.
Keywords: Assessment. Innovations. Technological changes.
1. Introdução
A avaliação é uma área fundamental no contexto da educação contemporânea, desempenhando um importante papel no desenvolvimento dos alunos. Ao longo das últimas décadas, ela tem passado por transformações significativas devido às mudanças tecnológicas, sociais e pedagógicas que moldam o ambiente educacional atual. Este artigo científico propõe-se a explorar as inovações na avaliação educacional, discutindo as abordagens contemporâneas que têm emergido no século XXI.
A relevância desse tema reside no fato de que uma avaliação bem planejada é primordial para medir o progresso dos alunos, identificar áreas de melhoria e adaptar as práticas pedagógicas para atender às necessidades individuais de aprendizado. Nesse contexto, este artigo abordará as principais tendências e desafios na avaliação do século XXI, explorando como as inovações tecnológicas, a diversidade cultural, as mudanças nas demandas da sociedade contemporânea influenciam a forma como o conhecimento e as habilidades dos alunos são avaliados.
A escrita deste artigo foi estruturada da seguinte forma: abordagem sobre as mudanças tecnológicas e sua influência na avaliação; a diversidade cultural e seu impacto na avaliação inclusiva; as novas perspectivas pedagógicas e como elas afetam os métodos de avaliação; e por fim, reflexão acerca das demandas sociais em constante evolução e como elas moldam a avaliação educacional.
Para fundamentar esta pesquisa e buscar a resposta para seu questionamento, utilizou-se a metodologia da revisão bibliográfica, que permitirá uma análise de autores conceituados. Neste contexto, os aportes teóricos de Villas Boas (2011), Freitas (2017) e outros, embasarão este trabalho fornecendo subsídios relevantes, que possibilitarão o aprofundamento das discussões deste artigo.
O objetivo deste trabalho é analisar criticamente as abordagens contemporâneas na avaliação e responder à seguinte questão de pesquisa: Como as inovações na avaliação do século XXI podem promover uma educação mais eficaz e inclusiva, que atenda às necessidades dos alunos em um mundo em constante transformação? Este trabalho acadêmico busca oferecer uma contribuição valiosa para educadores e pesquisadores interessados em aprimorar as práticas de avaliação na educação do século XXI.
2. Inovações tecnológicas e sua influência na avaliação
A quantidade de informações disponíveis cresce de forma exponencial, acompanhada pelo aumento da interconectividade entre os dados, seja em bancos de dados, hipertextos ou redes digitais. O fluxo de informações se torna cada vez mais intenso e desordenado, caracterizando um cenário de excesso informacional, no qual a comunicação se estabelece de maneira caótica. Esse fenômeno gera um ambiente de dispersão e sobrecarga cognitiva, marcado pela proliferação incessante de conteúdos midiáticos, pela disputa constante entre discursos publicitários e ideológicos e pela dificuldade de discernimento crítico diante da multiplicidade de estímulos disponíveis (Levy, 1999).
Este notável progresso nas tecnologias de informação e comunicação do século XXI Levy (1999) desempenharam um papel transformador na esfera da avaliação contemporânea, inaugurando uma era de inovação e oportunidades sem precedentes, redefinindo a maneira como se avalia o aprendizado dos alunos, utilizando-se de instrumentos e metodologias que sirvam, por exemplo para o diagnóstico.
A prática de provas e exames exclui parte dos alunos, por basear-se no julgamento, a avaliação pode incluí-los devido ao fato de proceder por diagnóstico e, por isso, pode oferecer-lhes condições de encontrar o caminho para obter melhores resultados na aprendizagem. (Luckesi, 1997, p. 173).
A introdução de plataformas de ensino online e ferramentas de avaliação digital representa um marco fundamental nesse contexto. Esses recursos tecnológicos oferecem aos educadores respostas imediatas e detalhadas sobre o desempenho dos alunos, como destacado por Freitas (2017). Essa capacidade de análise em tempo real possibilita uma intervenção mais eficaz, uma vez que permite aos professores identificar rapidamente quais alunos estão enfrentando dificuldades e oferecer o suporte necessário.
Uma estratégia de intervir nas dificuldades apresentadas pelos educandos é realizando a avaliação formativa. Haydt (2004), introduz o conceito de avaliação formativa e sua importância. Através dela é possível levantar informações importantes para planejar atividades de ensino e acompanhar o desenvolvimento do aprendiz.
[…] a avaliação formativa não apenas fornece dados para que o professor possa realizar um trabalho de recuperação e aperfeiçoar seus procedimentos de ensino como também oferece ao aluno informação sobre seu desempenho em decorrência da aprendizagem, fazendo-o conhecer seus erros e acertos e dando-lhe oportunidade para recuperar suas deficiências. (Haydt, 2004, p. 21).
A personalização da avaliação é outra faceta significativa dessa revolução tecnológica. Através de abordagens adaptativas, as avaliações podem ser moldadas de acordo com as necessidades individuais do aluno. Isso promove uma aprendizagem mais eficaz, uma vez que os alunos são desafiados de maneira adequada ao seu nível de conhecimento e podem progredir em seu próprio ritmo. Haydt (2004), percebe a avaliação como oportunidade para o aluno aperfeiçoar suas deficiências.
Ao permitir que os alunos influenciem o ritmo e o foco de suas avaliações, as abordagens adaptativas capacitam os estudantes a se tornarem protagonistas ativos de seu processo educacional. Eles têm a oportunidade de definir metas, identificar áreas de melhoria e tomar decisões informadas sobre como aprimorar suas habilidades. Essa capacidade de autorregulação é uma competência valiosa e prepara os alunos para uma busca contínua pelo aperfeiçoamento pessoal e profissional.
Além disso, ao enxergar a avaliação como uma oportunidade para o aperfeiçoamento, como sugerido por Haydt (2004), os alunos são incentivados a adotar uma mentalidade de crescimento. Eles percebem os desafios e as avaliações como oportunidades de aprendizado e desenvolvimento, em vez de simples medidas de sucesso ou fracasso. Essa mentalidade positiva em relação à avaliação pode ter um impacto significativo na motivação e no engajamento dos alunos, contribuindo para uma aprendizagem mais eficaz e duradoura, conforme aponta Pischetola:
A inclusão digital passa também pelas práticas de produção de conteúdo, orientadas a uma cultura que auxilia os jovens na construção de suas identidades sociais e na conexão do livro de texto com as suas experiências concretas no mundo. O mundo que – apesar de, às vezes, considerar esses jovens como autores ilegais – os coloca, atualmente, na posição de participantes ativos e autores da produção cultural. (Pischetola, 2019).
É fundamental reconhecer que a inovação tecnológica não ocorre sem desafios Pischetola (2019). A acessibilidade digital emerge como um fator determinante na eficácia da avaliação. No entanto, não podemos ignorar o fato de que nem todos os alunos têm igualdade de acesso às tecnologias necessárias para participar de avaliações online. Essa disparidade de acesso pode ampliar as lacunas já existentes entre os alunos e comprometer a equidade na educação.
Ao abordar conceitos como “revolução digital”, “sociedade da informação”, “sociedade do conhecimento” ou “sociedade em rede”, muitas vezes desconsidera-se que o acesso às tecnologias digitais ainda é uma realidade restrita a uma parcela limitada da população mundial. De fato, apenas uma fração das pessoas tem a possibilidade de participar ativamente dos fluxos globais de comunicação, de produzir informações e de construir conhecimento. A maior parte da população permanece à margem desse processo, enfrentando barreiras que limitam sua inclusão digital e, consequentemente, sua participação efetiva na sociedade contemporânea (Pischetola, 2019).
3. A diversidade cultural e seu impacto na avaliação inclusiva
É fundamental integrar as inovações tecnológicas ao planejamento das avaliações, considerando, como ressalta Freitas (1995), que a acessibilidade digital é um fator determinante na eficácia desse processo. Além disso, é importante reconhecer a diversidade cultural presente no ambiente de aprendizado, pois, isso contribui significativamente para a equidade neste ambiente Freitas (2017). À medida que as sociedades se tornam cada vez mais heterogêneas e plurais em termos de origens étnicas, culturais e linguísticas, é imperativo que a abordagem à avaliação reflita essa realidade nas salas de aula.
Uma abordagem de avaliação inclusiva e sensível à diversidade cultural implica em considerar e valorizar as experiências e perspectivas únicas de cada aluno. Isso requer uma mudança de paradigma, passando de uma visão uniforme da avaliação para uma que compreenda e respeite as diferenças culturais como ativos valiosos para a aprendizagem.
A diversidade cultural não deve ser vista como um obstáculo, mas como uma oportunidade de enriquecer o processo de avaliação e a educação como um todo. Segundo Freitas (2017), é preciso incorporar o aluno a um novo processo de produção de conhecimento onde ele se sinta incluído e a avaliação não pode obstruir esta possibilidade. Freitas ressalta que:
É importante que o professor lide com as diferenças dos alunos como “simples diferenças” e não como “diferenças antagônicas” que conduzam à exclusão. A partir desta compreensão é fundamental reinventar as práticas de avaliação no interior da sala de aula e da escola. Tais práticas deverão ser vistas como instrumento de permanente superação da contradição entre o desempenho real do aluno e o desempenho esperado pelos objetivos, através de um processo de produção de conhecimento que procure incluir o aluno e não o alienar. (Freitas, 2017, p. 32)
Uma abordagem altamente eficaz para promover a sensibilidade cultural na avaliação é a adaptação de métodos de avaliação, Freitas (1995). Essa adaptação envolve a inclusão deliberada de exemplos e contextos culturais relevantes nas questões de avaliação, com o objetivo de tornar as tarefas mais acessíveis e significativas para todos os alunos, independentemente de sua origem cultural.
Além disso, para garantir a equidade na avaliação, é fundamental levar em conta as diferenças linguísticas entre os alunos. Libâneo (1994), diz que a competência linguística pode variar consideravelmente entre os estudantes. Portanto, é necessário adaptar os instrumentos de avaliação para acomodar diferentes idiomas, assegurando que a avaliação seja justa e equitativa para todos.
Outro aspecto crucial da avaliação culturalmente sensível envolve a criação de ambientes de avaliação que sejam inclusivos e respeitosos. Isso inclui a promoção de um clima de sala de aula onde os alunos sintam-se valorizados e seguros. Professores e educadores desempenham um papel fundamental nesse aspecto, criando um ambiente que celebre as diferenças e incentiva o diálogo intercultural.
4. As novas perspectivas pedagógicas e os métodos de avaliação
Uma revolução nas perspectivas pedagógicas está redefinindo fundamentalmente o processo de ensino e aprendizagem. O paradigma tradicional, centrado no professor e baseado em aulas expositivas, está gradualmente cedendo lugar a abordagens pedagógicas mais centradas no aluno, em consonância com os princípios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Essa mudança tem implicações profundas e essenciais para a avaliação educacional, à medida que buscamos alinhar nossas práticas avaliativas com as metas e objetivos estabelecidos por este documento.
A avaliação na perspectiva da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) assume um papel central no processo educacional, indo além da mera verificação do desempenho dos alunos e adotando uma abordagem mais abrangente e formativa, Brasil (2018). A BNCC propõe que a avaliação seja uma ferramenta essencial para o desenvolvimento integral dos estudantes, permitindo não apenas a mensuração de conhecimentos, habilidades e competências, mas também o acompanhamento do progresso individual, o estímulo à reflexão crítica e a promoção de aprendizagens significativas, Brasil (2018). Nessa visão, a avaliação deixa de ser um evento isolado e passa a ser integrada ao processo de ensino-aprendizagem.
A aprendizagem participativa e o ensino adaptado, colocam o aprendiz no centro do processo educacional. Isso significa que a avaliação também deve se adaptar para medir de maneira eficaz o aprendizado em ambientes mais interativos e personalizados. Nesse contexto, os métodos tradicionais de avaliação, como os testes padronizados, podem não ser adequados para capturar a amplitude das habilidades e competências que os alunos desenvolvem. Villas Boas (2011), aponta para essa importante questão quando afirma que:
Quanto ao envolvimento dos estudantes na avaliação, abre-se a oportunidade de eles se tornarem parceiros dessa importante atividade. Como cuidadoso acompanhamento dos professores, eles são convidados a participar da definição dos critérios de avaliação do seu trabalho e aplicálos. Isso lhes possibilita compreender onde estão no que diz respeito à aprendizagem e o que dele se espera. (Villas Boas, 2011).
Uma das mudanças mais notáveis é a ênfase crescente na avaliação formativa. Ao contrário da avaliação somativa, que mede o aprendizado após a conclusão de um período de ensino, a avaliação formativa ocorre durante o processo de aprendizagem, conforme preconiza a BNCC. Ela fornece feedback contínuo e específico aos alunos e aos professores, permitindo ajustes em tempo real no ensino e aprendizado. Isso ajuda os alunos a entenderem seus pontos fortes e áreas de melhoria, promovendo um maior engajamento e autoconsciência.
Na prática da avaliação formativa, o docente pode seguir duas abordagens distintas. A primeira permite que o aluno reconheça e compreenda suas dificuldades de aprendizagem, incentivando-o a assumir a responsabilidade pelo planejamento e pela execução das estratégias necessárias para superá-las. Esse caminho demanda o desenvolvimento da autoavaliação e da colaboração entre os colegas no processo avaliativo. Já a segunda abordagem coloca o professor no papel central de conduzir atividades direcionadas, com o objetivo de estimular e fortalecer as aprendizagens dos estudantes (Villas Boas, 2011).
Ao praticar avaliação formativa, o professor pode se deparar com dois caminhos. O primeiro consiste em dar oportunidade ao estudante de desenvolver sua capacidade de identificar e compreender as lacunas de aprendizagem, deixando que ele se responsabilize por planejar e desenvolver as ações necessárias, isso requer o desenvolvimento da capacidade de autoavaliação e do processo colaborativo de avaliação entre colegas. Optando pelo segundo caminho, o professor toma para si a responsabilidade de direcionar atividades que promovam as aprendizagens. (Villas Boas, 2011).
Além disso, vemos a ascensão da avaliação baseada em projetos e portfólios como métodos mais adequados para medir as habilidades e competências adquiridas em ambientes de aprendizado centrados no aluno. Essas abordagens permitem aos alunos demonstrar sua compreensão e aplicação do conhecimento de maneira mais autêntica, por meio de tarefas práticas e projetos relacionados ao mundo real. Os portfólios, em particular, permitem que os alunos colecionem evidências ao longo do tempo, mostrando seu crescimento e desenvolvimento.
[…] O Portfólio constitui uma forma de avaliação dinâmica realizada pelo próprio aluno e que mostra o seu desenvolvimento e as suas mudanças através do tempo. Os portfólios enriquecem o processo de avaliação porque revelam um conjunto de competências, ajudam a clarificar objetivos de aprendizagem, encorajam a reflexão de todos os intervenientes, refletem a evolução ao longo do tempo e favorecem a continuidade de um ano para o outro. (Brito, 2009).
A utilização de portfólios e projetos no processo de ensino e aprendizagem possibilita ao discente um movimento constante de autoavaliação. Villas Boas (2006), trata a autoavaliação como uma aliada do aluno por possibilitar-lhe refletir sobre o seu progresso e participar da tomada de decisão sobre as futuras atividades.
A autoavaliação dos alunos também desempenha um papel fundamental nesse novo paradigma. Encorajar os alunos a refletirem sobre seu próprio aprendizado, estabelecer metas pessoais e avaliar seu progresso não apenas empodera os alunos, mas também os torna participantes ativos no processo de avaliação. Corrobora com esse pensamento Villas Boas (2006), quando afirma:
A autoavaliação não visa à atribuição de notas ou menções pelo aluno; tem o sentido emancipatório de possibilitar-lhe refletir continuamente sobre o processo da sua aprendizagem e desenvolver a capacidade de registrar suas percepções. Cabe ao professor incentivar a prática da autoavaliação pelos alunos, continuamente, e não apenas nos momentos por ele estabelecidos, e usar as informações fornecidas para reorganizar o trabalho pedagógico, sem penalizá-los. (Villas Boas, 2006).
5. As demandas sociais e a avaliação educacional
À medida que a sociedade avança e se transforma, as habilidades e competências necessárias para o sucesso no mundo real também se modificam. De acordo com as ideias de Freitas (2017), essa dinâmica impõe desafios significativos para a avaliação, uma vez que é vital que ela esteja alinhada com as expectativas e necessidades da sociedade em evolução. Portanto, a avaliação precisa considerar não apenas a aquisição de conhecimentos, mas também o desenvolvimento de habilidades críticas e a capacidade de aplicar o aprendizado de maneira prática e significativa, conforme afirma Vasconcelos (1998);
A Avaliação deve ser um processo abrangente da existência humana, que implica uma reflexão crítica sobre a prática no sentido de captar seus avanços e possibilitar uma tomada de decisões, acompanhando a pessoa em seu processo de crescimento. (VASCONCELOS, 1998, p. 43)
Um exemplo evidente dessa mudança é a crescente demanda por habilidades de resolução de problemas, pensamento crítico, colaboração e competência digital. Como argumentado por Castells (2002), à medida que a tecnologia desempenha um papel cada vez mais central em nossa vida cotidiana e no mercado de trabalho, os alunos devem ser preparados para enfrentar desafios complexos que exigem essas habilidades. A avaliação deve, portanto, se adaptar para medir e desenvolver essas habilidades essenciais, indo além da simples memorização de fatos e fórmulas. O autor reafirma:
Nossa sociedade está organizada em redes e essa lógica modifica substancialmente os processos produtivos de experiência, poder e cultura onde a base material é fornecida pelo novo paradigma da tecnologia da informação. (CASTELLS, 2002).
Além disso, a avaliação também desempenha um papel crucial na promoção da cidadania ativa e da responsabilidade social. Em uma sociedade democrática, é imperativo que os alunos se tornem membros informados e engajados, capazes de participar de debates significativos, tomar decisões, compreender questões sociais, avaliar informações de forma crítica e comunicar suas ideias de maneira clara e responsável.
Nesse sentido, a análise contínua das demandas sociais é essencial para garantir que a avaliação cumpra sua função de preparar os alunos para os desafios do século XXI, como destacado pela BNCC (Brasil, 2018). Isso requer uma abordagem flexível e adaptável, que esteja em sintonia com as mudanças rápidas e complexas que ocorrem em nossa sociedade. Os educadores e pesquisadores devem colaborar de perto para identificar as habilidades e competências mais relevantes e garantir que a avaliação esteja alinhada com essas necessidades em evolução.
6. Considerações Finais
Este artigo científico explorou as inovações na avaliação educacional no século XXI, destacando quatro pontos cruciais: as mudanças tecnológicas, a diversidade cultural, as novas perspectivas pedagógicas e as demandas sociais. Cada um desses aspectos representa uma peça fundamental no quebra-cabeça da educação contemporânea, e juntos eles moldam o futuro da avaliação educacional.
No que diz respeito às mudanças tecnológicas, ficou claro que a tecnologia desempenha um papel transformador na avaliação, permitindo a personalização, a adaptabilidade e a análise em tempo real. No entanto, também reconhecemos que a acessibilidade digital ainda é um desafio que precisa ser superado para garantir a equidade na educação.
A diversidade cultural emergiu como um tópico fundamental na avaliação inclusiva. Celebrar as diferenças culturais como ativos valiosos enriquece a aprendizagem e promove a equidade. A adaptação de métodos de avaliação e a criação de ambientes inclusivos são passos essenciais para atender às necessidades de uma sociedade cada vez mais diversificada.
As novas perspectivas pedagógicas colocam o aluno no centro do processo educacional, exigindo uma revisão dos métodos de avaliação tradicionais. A avaliação formativa, os projetos e os portfólios surgem como abordagens mais eficazes para medir as habilidades e competências desenvolvidas em ambientes de aprendizado centrados no aluno. A autoavaliação também desempenha um papel vital, capacitando os alunos a se tornarem participantes ativos no processo de avaliação.
Por fim, as demandas sociais em constante evolução destacam a importância de uma avaliação holística que promova habilidades essenciais para o século XXI, como resolução de problemas, pensamento crítico e responsabilidade social. A avaliação deve preparar os alunos não apenas para o sucesso acadêmico, mas também para uma participação significativa na sociedade.
Em resposta à questão de pesquisa sobre como as inovações na avaliação educacional podem promover uma educação mais eficaz e inclusiva, pode-se concluir que essas inovações oferecem oportunidades valiosas para melhorar o ensino e a aprendizagem. No entanto, elas também apresentam desafios que precisam ser abordados para garantir que a equidade e a qualidade educacional sejam alcançadas.
Para estudos futuros, é fundamental continuar a pesquisar as abordagens de avaliação inclusiva e as melhores práticas para acomodar a diversidade cultural, como também é importante aprofundar os estudos sobre como as novas perspectivas pedagógicas afetam o engajamento dos alunos e os resultados de aprendizado.
Referências
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1Mestranda em Ciências da Educação, Pedagoga, Licenciada em Letras, Psicopedagoga, Especialista em AEE, Tutoria EAD. E-mail:cleidecads@yahoo.com.br
2Mestranda em Ciências da Educação, Pedagoga, Licenciada em Letras, Psicopedagoga, Especialista em AEE, Tutoria EAD. E-mail: maristelambg@yahoo.com.br