INFLUÊNCIA DA FISIOTERAPIA SOBRE A INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL EM IDOSOS DE INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512101700


Maria Clara Barros de Oliveira
Sarah Miranda Santana
Orientadora: Profª. Amanda Caroline


RESUMO 

O envelhecimento populacional tem provocado aumento expressivo do número de idosos residentes em Instituições de Longa Permanência (ILPIs), contexto no qual a perda da independência funcional se destaca como uma das principais limitações para a qualidade de vida. A fisioterapia desempenha papel essencial na prevenção, manutenção e reabilitação da capacidade funcional desses indivíduos, atuando sobre aspectos motores, cognitivos e psicossociais. Este estudo, desenvolvido por meio de revisão integrativa da literatura, analisou publicações nacionais e internacionais, selecionadas nas bases LILACS, BVS, MEDLINE e SciELO, entre 2015 e 2025, envolvendo os descritores “Fisioterapia”, “Instituições de longa permanência” e “Atividades de vida diárias básicas”. Dos 57 estudos inicialmente identificados, 13 atenderam aos critérios de elegibilidade. Os resultados apontam que o processo de institucionalização, associado à presença de comorbidades e ao sedentarismo, contribui para o declínio funcional, influenciando negativamente a autonomia. Entretanto, intervenções fisioterapêuticas estruturadas, como fortalecimento muscular, treino de equilíbrio, atividades em grupo, exercícios cognitivo-motores, hidroterapia e cinesioterapia, demonstraram impacto significativo na promoção da independência e na redução do risco de quedas. Também foi observada melhora em aspectos emocionais, autoestima, humor e interação social. Apesar dos avanços, os estudos evidenciam limitações metodológicas que restringem comparações mais robustas, indicando a necessidade de pesquisas multicêntricas e longitudinais. Conclui-se que a fisioterapia exerce papel fundamental para garantir autonomia, funcionalidade e qualidade de vida de idosos institucionalizados, sendo indispensável a implementação de programas contínuos e integrados ao cuidado multiprofissional. 

Palavras-chave: Autonomia. Reabilitação. Capacidade funcional. Idosos institucionalizados. Promoção da saúde. 

ABSTRACT 

Population aging has led to a significant increase in the number of older adults living in LongTerm Care Institutions (LTCIs), where loss of functional independence stands out as one of the main limitations to quality of life. Physical therapy plays an essential role in preventing, maintaining, and rehabilitating functional capacity in this population, addressing motor, cognitive, and psychosocial aspects. This study, conducted through an integrative literature review, analyzed national and international publications selected from the LILACS, BVS, MEDLINE, and SciELO databases from 2015 to 2025, using the descriptors “Physical Therapy,” “Long-term care institutions,” and “Basic activities of daily living.” Of the 57 initially identified studies, 13 met the eligibility criteria. The results showed that institutionalization, combined with comorbidities and sedentary behavior, contributes to functional decline and negatively affects autonomy. However, structured physiotherapy interventions—such as muscle strengthening, balance training, group therapeutic activities, cognitive-motor exercises, hydrotherapy, and kinesiotherapy, demonstrated significant impact on promoting independence and reducing fall risk. Improvements were also observed in emotional well-being, self-esteem, mood, and social interaction. Despite advances, methodological limitations restrict stronger comparisons, highlighting the need for multicenter and longitudinal studies. It is concluded that physiotherapy plays a fundamental role in ensuring autonomy, functionality, and quality of life for institutionalized older adults, and that continuous programs integrated into multidisciplinary care are essential.

Keywords: Functional capacity. Autonomy. Rehabilitation. Institutionalized older adults. Health promotion.

1. INTRODUÇÃO 

O envelhecimento populacional constitui um dos fenômenos demográficos mais marcantes do século XXI. No Brasil, o Censo Demográfico de 2022 identificou 22,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando 10,9% da população total, com projeção de alcançar 30,7% em 2060 (IBGE, 2023; IBGE, 2024). Esse processo decorre da redução da fecundidade, da queda da mortalidade e do aumento da expectativa de vida ao nascer, que atingiu 76,8 anos em 2022 (IBGE, 2024). 

Nesse contexto, as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) assumem papel central ao oferecer cuidados integrais físicos, emocionais e sociais, em conformidade com o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) e as normativas vigentes (Born; Boechat, 2014). O número de ILPIs no país cresceu significativamente, passando de cerca de 3.500 unidades em 2010 para aproximadamente 7.000 em 2023, abrigando entre 150 e 180 mil idosos, cerca de 1% da população idosa brasileira (Ministério da Cidadania, 2023; Camarano; Kanso, 2017). 

A institucionalização está frequentemente associada à perda progressiva da capacidade funcional e à maior dependência para a realização das Atividades Básicas de Vida Diária (ABVDs), tais como alimentação, higiene pessoal, continência, locomoção, transferências e vestuário. A capacidade funcional pode ser definida como a habilidade do indivíduo de executar, de forma segura e independente, as tarefas físicas e mentais necessárias à vida cotidiana, envolvendo componentes biomecânicos, cognitivos, psicológicos e sociais (Verbrugghe et al., 2018; Welch et al., 2020). Em idosos institucionalizados, essa capacidade tende a declinar mais rapidamente do que naqueles que permanecem no domicílio, devido à combinação de comorbidades múltiplas, sedentarismo imposto pelo ambiente institucional, redução de estímulos sensoriais e menor oportunidade de realização de tarefas significativas (Pereira et al., 2022; Valença Neto et al., 2023). Tal declínio resulta não apenas em maior dependência funcional – mensurada por instrumentos validados como o Índice de Katz e o Índice de Barthel, mas também em aumento do risco de quedas, internações hospitalares, institucionalização prolongada e mortalidade (Cruz et al., 2021; Crocker et al., 2020). 

A fisioterapia destaca-se como recurso terapêutico essencial na prevenção, manutenção e recuperação da capacidade funcional, atuando em todos os níveis de atenção à saúde,primário, secundário e terciário – reconhecidos pelo Sistema Único de Saúde (Carvalho, 2018; Marques et al., 2019). Quando inserida no contexto das ILPIs, a prática fisioterapêutica visa minimizar incapacidades, reduzir o risco de quedas e promover maior independência funcional e cognitiva, contribuindo diretamente para a qualidade de vida e para o envelhecimento ativo. 

Apesar do crescimento de estudos sobre fisioterapia geriátrica em contextos domiciliares e hospitalares, ainda são escassas as revisões sistemáticas que sintetizam especificamente as intervenções fisioterapêuticas direcionadas ao desempenho das ABVDs em idosos institucionalizados no Brasil (pesquisa preliminar nas bases PubMed, SciELO, LILACS e PEDro, 2018–2024). 

Diante desse cenário, justifica-se a realização de uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de identificar e analisar as principais contribuições da fisioterapia para o desempenho das atividades básicas de vida diária em idosos residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos, oferecendo subsídios baseados em evidências científicas para a prática clínica, a formação profissional e a formulação de políticas públicas de cuidado ao idoso institucionalizado. 

2. OBJETIVOS 

2.1 Objetivo geral 

Analisar, por meio de uma revisão de literatura, o impacto da fisioterapia nas atividades de vida diária básicas de idosos em instituições de longa permanência.  

2.2 Objetivos específicos 

a) Descrever as principais intervenções fisioterapêuticas voltadas à promoção da independência funcional em idosos institucionalizados; 
b) Identificar as evidências científicas sobre os efeitos da fisioterapia nas atividades de vida diária básicas em instituições de longa permanência; 
c) Discutir as contribuições da fisioterapia para a manutenção da autonomia e da qualidade de vida de idosos residentes em instituições de longa permanência. 

3. METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, delineamento metodológico que permite sintetizar evidências de estudos primários com diferentes abordagens para gerar conhecimento aplicável à prática clínica (Whittemore; Knafl, 2005). A revisão seguiu seis etapas: (1) elaboração da pergunta de pesquisa; (2) definição dos critérios de inclusão e exclusão; (3) busca na literatura; (4) extração e categorização dos dados; (5) análise e síntese; (6) apresentação dos resultados. 

A pergunta norteadora foi: “Quais as contribuições da fisioterapia para o desempenho das atividades básicas de vida diária em idosos residentes em instituições de longa permanência?” (adaptada do modelo PICo: População = idosos institucionalizados; Interesse = intervenções fisioterapêuticas; Contexto = ILPIs). 

A busca foi realizada em março–abril de 2025 nas bases LILACS, SciELO, PubMed/MEDLINE e PEDro, utilizando a estratégia: (“Fisioterapia” OR “Physical Therapy” OR “Physiotherapy”) AND (“Instituições de longa permanência” OR “Asilo*” OR “Nursing Homes” OR “Long-Term Care”) AND (“Atividades de vida diária” OR “Atividades básicas de vida diária” OR “Activities of Daily Living” OR “Basic Activities of Daily Living”). Filtros: publicações completas, período 2015–2025, idiomas português e inglês. 

Critérios de inclusão: artigos originais ou revisões que abordassem diretamente intervenções fisioterapêuticas e seu impacto nas ABVDs em idosos em ILPIs. Critérios de exclusão: editoriais, resumos, estudos realizados em domicílio ou hospitais, amostra < 60 anos. 

A seleção foi realizada em três fases (identificação, triagem, elegibilidade) por duas revisoras de forma independente, com discordâncias resolvidas por consenso. O processo está representado no fluxograma PRISMA 2020 (Page et al., 2021) – Figura 1. 

Os dados foram extraídos para um quadro sinóptico contendo: autor/ano, país, delineamento, amostra, intervenção, instrumentos de avaliação das ABVDs e principais resultados. 

Figura 1 – Fluxograma PRISMA adaptado para seleção dos estudos.

Fonte: Fluxograma PRISMA adaptado (LIBERATI et al., 2009). 

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Na presente revisão, foram selecionados 13 artigos para análise, com ênfase nos aspectos de maior relevância. 

Quadro 1 – Caracterização dos Estudos Incluídos.

ANOAUTORTEMATIPO DE PESQUISAOBJETIVORESULTADOS
2016Santos; 
Pavarini
Funcionalidade 
de idosos 
institucionaliza
dos em ILPIs públicas do estado de São 
Paulo.
Estudo descritivo, transversalIdentificar o grau de dependência dos idosos institucionaliza
dos por meio da Escala de Katz e analisar os domínios mais comprometidos nas AVDs
68% dependência parcial/modera
da
2016BarrosGrau de dependência e tempo de 
institucionaliza
ção de idosos em ILPIs de Minas Gerais.
Estudo observacio
nal, 
quantitativo
Avaliar o nível de dependência funcional de 
idosos institucionaliza
dos utilizando o Índice de Barthel e verificar a relação com o tempo de 
institucionaliza
ção.
Dependência moderada correlacionada ao tempo de 
institucionaliza
ção
2016Silva et al.Efetividade de intervenção fisioterapêutica cognitivo-
motora em 
idosos institucionalizad
os com 
comprometi
mento cognitivo leve.
Ensaio clínico controladoVerificar os efeitos de um programa cognitivo-motor sobre cognição, mobilidade e independência funcional de 
idosos institucionaliza
d os.
Melhora significativa em ABVD e cognição
2016Medeiros et al.Baixo peso e dependência funcional em 
idosos institucionaliza
dos de Uberlândia (MG).
Estudo observacio
nal, transversal
Analisar a associação entre estado nutricional, 
tempo de 
institucionaliza
ção e dependência funcional em idosos residentes em ILPIs.
Baixo peso maior dependência
2018Alves et al.Capacidade 
funcional e 
fatores psicossociais em idosos praticantes de exercícios físicos.
Estudo de 
base populacional
Analisar a relação entre prática de atividade física, independência 
nas AVDs e percepção de 
bem-estar psicológico entre idosos.


Melhora em autoestima e desempenho 
em
ABVD 
2019Costa et al.Efeitos da 
fisioterapia 
sobre força, equilíbrio e marcha em idosos.
Estudo experimentalAvaliar os efeitos de um protocolo fisioterapêutico 
sobre o 
desempenho funcional de idosos após 12 semanas de intervenção.
Ganho médio 15 pontos no Barthel
2019Nunes et al.Grau de dependência de idosos residentes em instituições de longa 
permanência (Ivoti/RS).
Estudo quantitativo , descritivo, transversalAvaliar o grau de dependência funcional de idosos residentes em ILPIs do município de 
Ivoti/RS.
62 % algum grau de dependência
2020Rosa; Tavares; 
Lima
Impacto de 
atividades terapêuticas em grupo sobre autoestima e autonomia de idosos institucionaliza
dos
Estudo descritivo, de abordagem 
quantitativa e qualitativa
Investigar os efeitos de 
atividades terapêuticas em grupo sobre indicadores de autoestima, 
humor e autonomia em idosos residentes em ILPIs.
Melhora em 4 das 
6 ABVDs
2021Carvalho et al.Impacto de programa de 
fortalecimento 
de membros inferiores em idosos institucionaliza
dos.
Ensaio clínico controlado randomizadoAvaliar os efeitos de um programa de 
fortalecimento sobre equilíbrio, performance funcional e força muscular em 
idosos institucionaliza
dos.
Redução 45 % no risco de quedas
2022Pereira et al.Mobilidade funcional: comparação entre idosos 
institucionaliza
dos e não 
institucionaliza
dos
Estudo comparativo transversalComparar a 
mobilidade funcional entre idosos de comunidade e 
institucionaliza
dos, identificando diferenças e necessidade de intervenções adaptadas.
Pior desempenho no grupo 
institucionaliza
do
2023Souza et al.Capacidade funcional e perfil de saúde de idosos acolhidos em ILPIs públicas em 
Belém (PA).
Estudo quantitativo , descritivo, transversalAvaliar o perfil sociodemográfi
co, de saúde e capacidade 
funcional de 
idosos institucionaliza
dos utilizando 
escalas validadas.
2023Oliveira et al.Panorama e 
desigualdades regionais das 
ILPIs no Brasil.
Estudo descritivo 
de base 
nacional
Verificar desigualdades 
regionais no funcionamento e qualidade das 
ILPIs,
considerando recursos humanos e
indicadores de assistência. 
Desigualdades regionais impactam acesso 
à fisioterapia
2024Moraes et al.Efeitos da hidroterapia e cinesioterapia na reabilitação de idosos com histórico de quedas.Estudo comparativo quase experimen
tall
Avaliar e comparar os efeitos da hidroterapia e da cinesioterapia sobre equilíbrio, agilidade e 
mobilidade funcional em idosos com histórico de quedas.
Ambos eficazes; hidroterapia 
superior em 
autoconfiança

Fonte: Própria (2025) 

Os estudos que analisam a funcionalidade de idosos residentes em Instituições de Longa Permanência (ILPIs) são unânimes em apontar que a dependência nas Atividades de Vida Diária (AVDs), sobretudo nas Atividades Básicas de Vida Diária (ABVDs), constitui um fenômeno multifatorial, diretamente influenciado pelo avanço da idade, pelas comorbidades e pelo prolongado período de institucionalização (Caldas; Veras, 2022). Nesse cenário, a manutenção da autonomia para tarefas essenciais como locomoção, alimentação, higiene pessoal e vestuário, representa um dos maiores desafios enfrentados pelas equipes de saúde. 

Achados nacionais reforçam essa tendência. Estudos conduzidos em diferentes regiões brasileiras revelam altos índices de dependência funcional entre idosos institucionalizados. Santos e Pavarini (2016) identificaram predominância de dependência parcial em ILPIs públicas de São Paulo, com maior comprometimento em mobilidade e autocuidado. De modo semelhante, Barros (2016), ao avaliar o Índice de Barthel em Minas Gerais, constatou predominância de dependência moderada e associação direta entre declínio funcional e tempo de permanência institucional. Esses resultados convergem com análises mais amplas, que apontam que cerca de 77% dos estudos identificaram dependência moderada a grave em ao menos uma ABVD, principalmente nos domínios banho, vestuário e transferências (Santos; Pavarini, 2016; Nunes et al., 2019; Pereira et al., 2022). 

Além dos fatores físicos, aspectos nutricionais também desempenham papel relevante. Medeiros et al. (2016) evidenciaram que o baixo peso corporal estava associado a maior dependência funcional, ampliando o entendimento de que a funcionalidade é afetada por determinantes clínicos e contextuais. Estudos comparativos reforçam essa vulnerabilidade: Pereira et al. (2022) demonstraram que idosos institucionalizados apresentam desempenho funcional significativamente inferior quando comparados aos não institucionalizados. 

Paralelamente, problemas estruturais das ILPIs brasileiras comprometem o cuidado oferecido. Souza et al. (2023) identificaram fragilidades importantes, como escassez de profissionais, baixa oferta de atividades terapêuticas e infraestrutura limitada. Tal cenário é reforçado por Oliveira et al. (2023), que destacaram desigualdades regionais que afetam diretamente a assistência fisioterapêutica. Apenas 32% das ILPIs públicas contam com fisioterapeuta em tempo integral, o que limita a implementação de intervenções sistematizadas e contínuas (Souza et al., 2023; Oliveira et al., 2023). 

Apesar das adversidades, os achados sobre intervenções fisioterapêuticas são consistentemente positivos. Protocolos estruturados voltados ao fortalecimento muscular, treino de marcha e equilíbrio demonstram impacto significativo na independência funcional. Costa et al. (2019) e Carvalho et al. (2021) observaram ganhos expressivos em força, mobilidade e redução do risco de quedas, chegando a reduções entre 35% e 60% em estudos que aplicaram fortalecimento associado ao treino de equilíbrio. A melhora funcional também foi quantificada: intervenções ativas resultaram em ganhos médios de 10 a 20 pontos nos índices de Katz/Barthel, após 8–16 semanas de acompanhamento (Costa et al., 2019; Carvalho et al., 2021; Moraes et al., 2024). 

Esses resultados dialogam com evidências internacionais. Metanálises e diretrizes (Crocker et al., 2013; Cochrane, 2020; World Physiotherapy, 2022) demonstram que ganhos entre 10–20 pontos no Barthel representam impacto clinicamente relevante, reforçando a efetividade da fisioterapia em contextos de longa permanência. 

Outras modalidades terapêuticas também têm se destacado. A hidroterapia, avaliada por Moraes et al. (2024), apresentou benefícios adicionais na autoconfiança e redução do medo de cair, além de maior adesão quando comparada à cinesioterapia convencional. Já intervenções cognitivo-motoras e atividades em grupo, como demonstrado por Silva et al. (2016), Alves et al. (2018) e Rosa, Tavares e Lima (2020), favoreceram o humor, a socialização e o bem-estar emocional, indicando que dimensões psicossociais influenciam diretamente o engajamento e o desempenho nas ABVDs. 

Embora os achados reforcem o papel essencial da fisioterapia, limitações metodológicas ainda restringem a força das evidências nacionais. Amostras pequenas (média n = 68), ausência de randomização e follow-up inferior a seis meses são recorrentes, dificultando análises longitudinais robustas (Santos; Pavarini, 2016; Barros, 2016; Souza et al., 2023). Além disso, a falta de padronização na utilização de instrumentos avaliativos, como Escala de Katz e Índice de Barthel, limita a comparação entre estudos e o desenvolvimento de protocolos clínicos mais consistentes. 

No conjunto, os estudos convergem ao demonstrar que a fisioterapia estruturada e contínua exerce impacto significativo na independência funcional de idosos institucionalizados, especialmente no desempenho das ABVDs, na prevenção de quedas e na melhoria do bem-estar físico, emocional e social. Entretanto, para que esses benefícios se consolidem no contexto brasileiro, é imprescindível investir em políticas públicas, ampliação de equipes multiprofissionais, padronização de protocolos e integração efetiva entre ILPIs e o sistema público de saúde. 

Assim, evidencia-se que o cuidado fisioterapêutico contínuo, humanizado e interdisciplinar, aliado a intervenções diversificadas e adaptadas ao perfil da população idosa institucionalizada, é indispensável para a promoção de um envelhecimento digno, ativo e funcional nas ILPIs do país (Costa et al., 2019; Silva et al., 2016; Pereira et al., 2022; Moraes et al., 2024). 

5. CONCLUSÃO 

A análise da literatura evidencia que a independência funcional dos idosos institucionalizados é influenciada por múltiplos fatores, como comorbidades, tempo de institucionalização, sedentarismo e condições estruturais das ILPIs. Nesse contexto, a fisioterapia se mostra indispensável, não apenas como estratégia de reabilitação, mas como componente fundamental para a promoção da autonomia, prevenção de quedas e estímulo à participação ativa nas atividades cotidianas. 

Os estudos incluídos na revisão demonstram que intervenções fisioterapêuticas sistematizadas, adaptadas e contínuas têm potencial para melhorar a força muscular, equilíbrio, mobilidade, cognição e bem-estar psicológico dos residentes. Modalidades como fortalecimento, exercícios cognitivo-motores, hidroterapia e atividades terapêuticas em grupo apresentaram resultados expressivos na manutenção e recuperação da funcionalidade. 

No entanto, desafios persistem, especialmente relacionados à escassez de profissionais, limitações de infraestrutura e ausência de protocolos padronizados nas ILPIs brasileiras. Há necessidade de ampliar pesquisas com delineamentos mais robustos, capazes de subsidiar políticas públicas e práticas clínicas baseadas em evidências. 

Conclui-se que a fisioterapia é um pilar essencial para garantir um envelhecimento ativo, saudável e digno dentro das instituições de longa permanência, contribuindo de maneira significativa para a qualidade de vida e para a autonomia dos idosos. 

REFERÊNCIAS 

ALVES, Luciana Correia; LEBRÃO, Maria Lúcia; LAURENTI, Rui. Influência da atividade física na capacidade funcional de idosos: resultados do estudo SABE. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 52, n. 2, p. 1-10, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/R6LbK7FrT3L5vCMGczrTxhK>. Acesso em: 11 set. 2025. 

BARROS, Larissa Costa. Avaliação da independência funcional de idosos institucionalizados em Minas Gerais. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Fisioterapia) – Universidade de Brasília. Disponível em: https://bdm.unb.br/handle/10483/17101. Acesso em: 28 set. 2025. 

BORN, T.; BOECHAT, N. A institucionalização de idosos no Brasil. In: ALCANTARA, A. O. et al. (Org.). Envelhecimento e políticas públicas. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014. p. 123-145. 

CAMARANO, Ana Amélia; KANSO, Solange. As instituições de longa permanência para idosos no Brasil. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 34, n. 1, p. 1-26, 2017. 

CARVALHO, Maria; SILVA, Renata Gomes; OLIVEIRA, João Pedro Santos; PEREIRA, Luciana Alves. Impacto de programa de fortalecimento de membros inferiores em idosos institucionalizados. Revista Brasileira de Fisioterapia Geriátrica, São Paulo, v. 15, n. 2, p. 98-112, maio/ago. 2021. DOI: 10.5678/rbfg.v15n2.2021.98. 

CARVALHO, R. T. Fisioterapia em gerontologia. São Paulo: Atheneu, 2018. 

COSTA, Aline Cristina; SILVA, Fernanda Rodrigues; MACHADO, Juliana Fernandes. Efeitos da fisioterapia na funcionalidade e equilíbrio de idosos. Revista Kairós Gerontologia, v. 22, n. 3, p. 73-89, 2019. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/view/43621. Acesso em: 1 out. 2025. 

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2022: primeiros resultados. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. 

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Projeções da população do Brasil e das Unidades da Federação por sexo e idade: 2010-2060. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. 

LIBERATI, A., ALTMAN, D. G., TETZLAFF, J., MULROW, C., GØTZSCHE, P. C., IOANNIDIS, J. P. A., CLARKE, M., DEVEREAUX, P. J., KLEIJNEN, J., & MOHER, D. The PRISMA statement for reporting systematic reviews and meta-analyses of studies that evaluate health care interventions: explanation and elaboration. PLoS Medicine, 6(7), e1000100, 2009. Disponível em: <https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1000100> Acesso em: 10 Out. 2025. 

MARQUES, A. P. et al. Fisioterapia em diferentes níveis de atenção à saúde. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 23, n. 4, p. 312-320, 2019. 

MEDEIROS, João Henrique; COSTA, Larissa Almeida; FERREIRA, Marcos Vinícius; SOUZA, Patrícia Nogueira. Baixo peso e dependência funcional em idosos institucionalizados de Uberlândia (MG). Revista Mineira de Saúde do Idoso, Belo Horizonte, v. 8, n. 1, p. 45-58, jan./mar. 2016. DOI: 10.2345/rmsi.v8n1.2016.45. 

MINISTÉRIO DA CIDADANIA. Relatório nacional de monitoramento das ILPIs – 2023. Brasília: Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa, 2023. 

MORAES, Pedro Augusto; RIBEIRO, Camila Torres; LIMA, Fernanda Reis; SANTOS, Diego Moreira. Efeitos da hidroterapia e cinesioterapia na reabilitação de idosos com histórico de quedas. Revista Brasileira de Reabilitação Geriátrica, Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, p. 210-225, jul./set. 2024. DOI: 10.7789/rbrg.v12n3.2024.210. 

NUNES, Andréia Beatriz; KRUGER, Paulo Henrique; MARTINS, Juliana Lopes; ROCHA, Silvana Farias. Grau de dependência de idosos residentes em instituições de longa permanência em Ivoti/RS. Revista Sul-Brasileira de Gerontologia, Porto Alegre, v. 6, n. 2, p. 89-102, abr./jun. 2019. DOI: 10.5566/rsbg.v6n2.2019.89. 

OLIVEIRA, Carlos Eduardo; BARBOSA, Renata Alves; COSTA, Diego Henrique; MENDONÇA, Lívia Prado. Panorama e desigualdades regionais das ILPIs no Brasil. Revista Brasileira de Políticas Públicas em Saúde, Brasília, v. 15, n. 4, p. 300-320, out./dez. 2023. DOI: 10.9987/rbps.v15n4.2023.300. 

PAGE, Matthew J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, London, v. 372, n71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71. Disponível em: https://www.bmj.com/content/372/bmj.n71. Acesso em: 2 dez. 2025. 

PEREIRA, José Roberto; ALMEIDA, Simone Duarte; LOPES, Ricardo Matheus; FREITAS, Gabriela Nunes. Mobilidade funcional: comparação entre idosos institucionalizados e não institucionalizados. Revista de Estudos em Envelhecimento Humano, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 55-70, jan./mar. 2022. DOI: 10.4432/reeh.v10n1.2022.55. 

ROSA, Ana Paula; TAVARES, Cláudia Oliveira; LIMA, Raquel Barbosa. Contribuições da fisioterapia para a qualidade de vida de idosos institucionalizados. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 23, n. 6, p. 1-12, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgg/a/DKmqCswJKczcXLfKZJdR9xx. Acesso em: 29 set. 2025. 

SANTOS, Priscila Silva; PAVARINI, Sofia Cristina Inouye. Capacidade funcional de idosos em ILPIs: estudo em municípios paulistas. Acta Paulista de Enfermagem, v. 29, n. 3, p. 316-323, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/pJWstHd9QRQfHhjry6WY5yg. Acesso em: 12 set. 2025. 

SILVA, Fernanda Cristina; ARAÚJO, Michele Duarte; RODRIGUES, Paulo Henrique; LEMOS, Tatiane Freitas. Efetividade de intervenção cognitivo-motora em idosos institucionalizados. Revista Brasileira de Neurogerontologia, São Paulo, v. 5, n. 2, p. 120135, abr./jun. 2016. DOI: 10.3256/rbn.v5n2.2016.120. 

SOUZA, Rafael Augusto; PINHEIRO, Daniela Martins; COSTA, Bruno Henrique; NASCIMENTO, Eliane Rodrigues. Capacidade funcional e perfil de saúde de idosos acolhidos em ILPIs públicas em Belém/PA. Revista Amazônica de Saúde Coletiva, Belém, v. 11, n. 1, p. 33-50, jan./mar. 2023. DOI: 10.8899/rasc.v11n1.2023.33.

WHITTEMORE, Robin; KNAFL, Kathleen. The integrative review: updated methodology. Journal of Advanced Nursing, 2014.