INFLUÊNCIA DA ADUBAÇÃO ORGANOMINERAL NO DESENVOLVIMENTO DO CAFEEIRO E NA DINÂMICA BIOLÓGICA DO SOLO EM ÁREAS DE CERRADO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511112224


Leandro Vinícius Belarmino
Jonathan Paulo da Silva
Orientador: Dr. Alian Cássio Pereira Cavalcante


RESUMO  

O estudo investigou os impactos da adubação organomineral sobre o crescimento e  a atividade biológica do solo em cafezais do Cerrado, buscando alternativas  sustentáveis para o manejo nutricional do cafeeiro. O experimento foi realizado em  Rio Paranaíba (MG), com a cultivar Catucaí Amarelo 2-SL, em delineamento de  blocos casualizados, com cinco tratamentos e seis repetições. Foram avaliados  parâmetros biométricos das plantas (altura, diâmetro do caule, número e comprimento  de ramos), teores foliares de nutrientes e atividade enzimática do solo. Os resultados  indicaram ausência de diferenças estatisticamente significativas entre os tratamentos  nos parâmetros de crescimento, embora as adubações que incluíram matéria  orgânica, especialmente o tratamento com Yoorin Master + esterco de galinha,  apresentassem tendência de maior vigor vegetativo. Em contrapartida, o tratamento  00-10-00 02 destacou-se pela maior atividade enzimática e teor de matéria orgânica  do solo, evidenciando benefícios biológicos associados à ciclagem de nutrientes.  Conclui-se que, embora não tenham sido observadas diferenças expressivas no  crescimento inicial do cafeeiro, a adubação organomineral e o uso de fontes orgânicas  promovem melhoria da qualidade biológica do solo, apontando para potenciais  ganhos produtivos em médio e longo prazo. Esses resultados reforçam a importância  de estratégias de manejo que conciliam eficiência agronômica, sustentabilidade  ambiental e viabilidade econômica na cafeicultura do Cerrado. 

Palavras-chave: Cafeicultura. Fertilizante organomineral. Fósforo. Atividade biológica do solo. Sustentabilidade agrícola. 

ABSTRACT 

The study investigated the impacts of organomineral fertilization on growth and soil  biological activity in coffee plantations in the Cerrado region, seeking sustainable  alternatives for coffee crop nutrient management. The experiment was conducted in  Rio Paranaíba (MG), using the Catucaí Amarelo 2-SL cultivar, in a randomized block  design with five treatments and six replications. Biometric parameters of the plants  (height, stem diameter, number and length of branches), foliar nutrient contents, and  soil enzymatic activity were evaluatedThe results indicated no statistically significant  differences among treatments for growth parameters, although fertilizations that  included organic matter—especially the treatment with Yoorin Master + chicken  manure—showed a tendency toward greater vegetative vigor. Conversely, treatment  00-10-00 02 stood out for its higher enzymatic activity and soil organic matter content,  evidencing biological benefits associated with nutrient cycling. It is concluded that,  although no expressive differences were observed in the initial coffee growth,  organomineral fertilization and the use of organic sources improve the biological  quality of the soil, suggesting potential productive gains in the medium and long term.  These results reinforce the importance of management strategies that combine  agronomic efficiency, environmental sustainability, and economic viability in Cerrado  coffee production. 

Keywords: Coffee cultivation. Organomineral fertilizer. Phosphorus. Soil biological  activity. Agricultural sustainability.

1. Introdução 

O café constitui um dos produtos agrícolas de maior relevância no comércio  internacional, ocupando posição estratégica tanto no mercado global de commodities  quanto no contexto socioeconômico dos países produtores. O Brasil destaca-se como  o principal protagonista desse setor, mantendo-se, de forma consistente, como o  maior produtor e exportador mundial, responsável por cerca de 35% da produção  global (CONAB, 2023). A cafeicultura nacional, além de representar uma expressiva  fonte de geração de divisas, exerce papel estruturante no desenvolvimento  econômico e social de diversas regiões, com destaque para o estado de Minas  Gerais, que concentra parcela significativa da produção nacional (VILELA et al.,  2017). Essa atividade agrícola, portanto, transcende sua dimensão meramente  econômica, constituindo-se como elemento central na configuração territorial e nas  dinâmicas socioambientais das regiões produtoras. 

Entretanto, a sustentabilidade da cafeicultura está intrinsecamente  condicionada à adoção de práticas de manejo adequadas, capazes de assegurar a  produtividade e a resiliência dos sistemas de produção ao longo do tempo. Entre  essas práticas, a adubação assume papel de destaque, uma vez que o manejo  nutricional eficiente é fator determinante para a manutenção da longevidade e do  potencial produtivo das lavouras. Essa necessidade torna-se ainda mais premente  em ambientes tropicais, como os encontrados no Brasil, cujos solos geralmente  apresentam elevada acidez e baixa disponibilidade de nutrientes essenciais,  notadamente o fósforo (NOVAIS et al., 2007). A adoção de estratégias de adubação  que considerem as particularidades edafoclimáticas das regiões produtoras constitui  condição indispensável para o desenvolvimento sustentável e produtivo da  cafeicultura. 

Nesse contexto, o fósforo (P) destaca-se como um nutriente essencial ao pleno  desenvolvimento do cafeeiro, especialmente durante as fases iniciais do ciclo da  cultura. Esse elemento exerce papel central em diversos processos metabólicos  fundamentais, como a respiração celular, a fotossíntese, a divisão e diferenciação  celular, além da síntese de ácidos nucleicos, os quais sustentam a formação e a  manutenção dos tecidos vegetais (MALAVOLTA et al., 1997). A presença adequada  de fósforo nesse estágio inicial é particularmente decisiva, uma vez que favorece o  crescimento radicular vigoroso, condição indispensável para a adaptação eficiente das mudas ao ambiente de campo e para o estabelecimento de bases fisiológicas  que sustentem elevados patamares produtivos ao longo do ciclo da cultura (LIMA et  al., 2019). 

Entretanto, a eficiência de utilização do fósforo em solos tropicais apresenta-se notoriamente limitada. Esse cenário decorre da elevada capacidade de fixação do  elemento em formas quimicamente pouco disponíveis às plantas, por meio de sua  adsorção a óxidos de ferro e alumínio presentes em alta concentração nesses solos  (NOVAIS et al., 2007). Como consequência, estima-se que, em muitas situações,  menos de 20% do fósforo aplicado por meio de fertilizantes seja efetivamente  absorvido pelas plantas (SANTOS et al., 2018). Essa baixa eficiência de  aproveitamento não apenas eleva os custos de produção, pela necessidade de  aplicações frequentes e em maiores doses, como também acarreta riscos ambientais  associados ao uso intensivo de fontes fosfatadas solúveis, comprometendo a  sustentabilidade do sistema produtivo. 

Estratégias que promovam o uso mais eficiente do fósforo, associadas à  exploração de fontes alternativas e à adoção de manejos integrados, assumem papel  central. Práticas como a aplicação localizada de fertilizantes, o uso de fósforo reativo  ou solúvel moderado, e a incorporação de microrganismos benéficos ao sistema  radicular, têm se mostrado promissoras para aumentar a disponibilidade do nutriente  às plantas, reduzir perdas por fixação e minimizar os impactos ambientais. Tais  abordagens não apenas elevam a eficiência agronômica, mas também contribuem  para a sustentabilidade econômica e ecológica das lavouras, fortalecendo a  resiliência do sistema produtivo frente às variações do mercado global e às limitações  naturais dos solos tropicais (SANTOS et al., 2018; LIMA et al., 2019). 

Ademais, a integração de práticas nutricionais com manejo do solo, rotação de  culturas e tecnologias de fertirrigação constitui um caminho estratégico para  assegurar produtividade consistente, qualidade do grão e preservação dos recursos  naturais. Nesse sentido, a pesquisa científica desempenha papel crucial, ao oferecer  subsídios técnicos e inovadores que orientem a tomada de decisão do produtor,  promovendo um equilíbrio entre desempenho agronômico, viabilidade econômica e  responsabilidade ambiental. Assim, avançar na compreensão e aplicação de  estratégias sustentáveis de adubação revela-se essencial para consolidar a  competitividade da cafeicultura brasileira em um cenário global cada vez mais  exigente e dinâmico.

A dependência de fertilizantes minerais solúveis, como o superfosfato simples,  constitui uma vulnerabilidade significativa para a agricultura tropical. Além da baixa  eficiência agronômica desses insumos, seu custo está sujeito à volatilidade do  mercado internacional, uma vez que o fósforo é extraído de jazidas não renováveis,  concentradas em poucos países (OLIVEIRA et al., 2021). Essa realidade torna-se  ainda mais preocupante diante da crescente necessidade de práticas agrícolas  sustentáveis, que promovam a conservação dos recursos naturais e reduzam a  dependência de insumos externos. 

Dessa forma, a busca por alternativas capazes de conciliar eficiência técnica,  menor impacto ambiental e viabilidade econômica assume caráter urgente,  configurando-se como condição fundamental para a manutenção da competitividade  da cafeicultura brasileira (MEDEIROS et al., 2020). A implementação de estratégias  que otimizem o uso do fósforo, incluindo aplicação localizada, aproveitamento de  fontes alternativas e incorporação de microrganismos benéficos, emerge como  abordagem promissora. Tais medidas não apenas elevam a eficiência agronômica,  mas também fortalecem a sustentabilidade econômica e ambiental do sistema  produtivo, constituindo um caminho estratégico para assegurar produtividade  consistente e qualidade do grão em consonância com a preservação dos recursos  naturais. 

Os fertilizantes organominerais têm se destacado como alternativa promissora  para superar limitações frequentemente observadas nas fontes minerais  convencionais. Ao combinar nutrientes minerais a uma matriz orgânica, esses  insumos apresentam maior capacidade de retenção e liberação gradual de nutrientes,  além de proporcionarem efeitos positivos sobre a estrutura do solo e a atividade  microbiológica, favorecendo a sustentabilidade dos sistemas agrícolas (COSTA et al.,  2015). 

A presença de matéria orgânica nos fertilizantes organominerais desempenha  papel crucial ao atuar como agente complexante, reduzindo a fixação do fósforo e  ampliando sua disponibilidade para as plantas ao longo do ciclo da cultura (SANTOS  et al., 2018). Simultaneamente, o aporte orgânico estimula a microbiota edáfica,  promovendo processos enzimáticos de ciclagem de nutrientes que são fundamentais  para a manutenção da fertilidade e produtividade em solos tropicais (MEDEIROS et  al., 2020).

No cenário da cafeicultura, estudos recentes indicam que a aplicação de  fertilizantes organominerais à base de fósforo pode favorecer significativamente o  desenvolvimento inicial das mudas, a biomassa radicular e o equilíbrio nutricional das  plantas, quando comparada a fontes minerais tradicionais (LIMA et al., 2019;  OLIVEIRA et al., 2021). Tais achados reforçam a necessidade de expandir a pesquisa  aplicada em condições de campo, permitindo validar a tecnologia em diferentes  ambientes edafoclimáticos. 

O Cerrado brasileiro, bioma que concentra grande parte da cafeicultura  tecnificada, apresenta solos naturalmente pobres em nutrientes, elevada acidez e alta  capacidade de fixação de fósforo, características que limitam o crescimento inicial do  cafeeiro e podem comprometer a sustentabilidade do sistema produtivo (NOVAIS et  al., 2007). Dessa forma, avaliar a eficiência de fertilizantes organominerais, em  comparação com fontes minerais convencionais, torna-se essencial para embasar  práticas de manejo que conciliam produtividade, sustentabilidade e redução de  custos. 

Diante do exposto, o estudo objetiva investigar a eficiência de diferentes fontes  de fósforo, incluindo a tecnologia organomineral Valoriza, no desenvolvimento inicial  do cafeeiro. Serão analisados parâmetros biométricos das plantas, características  químicas e biológicas do solo, bem como a composição nutricional foliar, com o intuito  de fornecer subsídios científicos que orientem recomendações técnicas e promovam  a consolidação de práticas sustentáveis na cafeicultura do Cerrado mineiro. 

2. Materiais e Métodos  

O experimento foi conduzido na Fazenda Curiango, localizada no município de  Rio Paranaíba, estado de Minas Gerais, a uma altitude de 1.038 metros. O solo da  área experimental apresenta textura média argilosa. A implantação da lavoura  ocorreu em 29 de janeiro de 2024, utilizando-se a cultivar de café Catucaí Amarelo 2-SL, disposta no espaçamento de 3,70 × 0,60 m, totalizando uma densidade  populacional de 4.505 plantas por hectare. Logo após o transplantio das mudas, foi  instalado um sistema de irrigação por gotejamento, a fim de garantir o adequado  suprimento hídrico às plantas durante o estabelecimento da cultura. 

O delineamento experimental adotado foi o de blocos casualizados (DBC),  constituído por cinco tratamentos e seis repetições, perfazendo um total de 30 parcelas experimentais. Cada parcela foi composta por 25 plantas, das quais as seis  plantas centrais foram consideradas úteis para as avaliações, a fim de minimizar os  efeitos de bordadura. A descrição dos tratamentos encontra-se apresentada na  Tabela 1. 

Tabela 1. Descrição dos tratamentos utilizados para a implantação dos tratamentos. Rio Paranaíba, MG, 2024.

Fonte: Elaborada pelo autor (2025).

A adubação de plantio foi realizada no sulco, em solo previamente umedecido,  durante o período chuvoso, sendo a primeira aplicação efetuada em 29 de dezembro  de 2023. O transplantio das mudas ocorreu em 29 de janeiro de 2024, e a primeira  avaliação experimental foi realizada em 24 de junho de 2024 (Tabela 2).  

Tabela 2. Descrição das datas e atividades realizadas. Rio Paranaíba – MG, 2024.  Fonte: Elaborada pelo autor (2025).

Fonte: Elaborada pelo autor (2025).

Além da adubação de base, foi realizada a aplicação de 80 kg de ureia  (formulação 00-45-00) via fertirrigação em todos os tratamentos, divididos em dez  aplicações semanais de 8 kg ha⁻ ¹, com início em 15 de fevereiro de 2024, conforme  descrito na Tabela 3. 

Tabela 3. Descrição das datas de aplicação de N:P:K em cobertura durante a safra  2023/2024. Rio Paranaíba, MG, 2024.

Fonte: Elaborada pelo autor (2025).

A avaliação do crescimento do cafeeiro foi realizada aos seis meses após o  transplantio, em parcelas compostas por 25 plantas, considerando-se como unidades  experimentais úteis as cinco plantas centrais de cada parcela, a fim de reduzir a  interferência de efeitos de bordadura. Foram mensuradas as seguintes variáveis de  crescimento vegetativo: altura da planta (cm), diâmetro do caule (mm), número de  ramos plagiotrópicos, comprimento dos ramos plagiotrópicos (cm) e número de nós  por ramo plagiotrópico. 

A altura das plantas foi determinada com o auxílio de uma régua graduada,  posicionada rente ao caule e aferida do nível do solo até o meristema apical do ramo  ortotrópico. O diâmetro do caule foi mensurado próximo à superfície do solo,  utilizando-se um paquímetro digital de precisão. O comprimento dos ramos  plagiotrópicos foi obtido por meio de régua graduada, posicionada paralelamente ao  ramo, considerando-se a distância entre o caule principal e a inserção do último par  de folhas em desenvolvimento. O número de ramos plagiotrópicos e o número de nós  por ramo foram obtidos por contagem direta em cada uma das cinco plantas centrais,  sendo posteriormente calculada a média por parcela para fins de análise estatística.

Para a análise enzimática do solo, foi coletada uma amostra composta por  tratamento, formada a partir de subamostras simples obtidas em um ponto no centro  de cada parcela experimental. A coleta foi realizada com o auxílio de um trado  holandês, previamente marcado no 11º centímetro, de forma a garantir a extração de  solo na camada de 0 a 10 cm de profundidade. Após a coleta, as subamostras foram  homogeneizadas para formar a amostra composta representativa de cada tratamento,  as quais foram acondicionadas em sacos plásticos devidamente identificados e  encaminhadas ao Laboratório Biotech, localizado no município de São Gotardo – MG,  em um intervalo inferior a 24 horas após a coleta, assegurando a integridade e  representatividade das amostras. 

As análises químicas do solo foram conduzidas a partir da coleta de  subamostras simples realizadas entre as plantas no centro de cada parcela, também  com auxílio de um trado holandês. As subamostras foram posteriormente  homogenizadas, formando uma amostra composta representativa para cada  tratamento. As amostras foram acondicionadas em sacos plásticos identificados e  enviadas ao laboratório de análises de solo da Cooperativa Regional de Cafeicultores  em Guaxupé (Cooxupé), no município de Rio Paranaíba – MG. Para a determinação  dos teores foliares de nutrientes, foram coletados os 3º ou 4º pares de folhas a partir  do ápice dos ramos plagiotrópicos das cinco plantas centrais de cada parcela,  seguindo a metodologia recomendada para a cultura do cafeeiro. As folhas coletadas  foram reunidas para formar uma amostra composta representativa de cada  tratamento, posteriormente encaminhadas para análise laboratorial. 

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as  médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de  probabilidade, utilizando-se o software estatístico SpeedStat 2.5 (Carvalho et al.,  2020). 

3. Resultados e Discussão 

A Tabela 4 apresenta os tratamentos de adubação avaliados durante a safra  2023/2024 em Rio Paranaíba-MG, com o objetivo de organizar os principais  indicadores utilizados na análise da biometria das plantas, composição foliar de  nutrientes e atividade enzimática do solo. Esta tabela permite uma visão estruturada dos parâmetros considerados no experimento, servindo como referência para a  discussão subsequente sobre o efeito dos diferentes manejos testados. 

Tabela 4 – Resumo dos indicadores biométricos, foliares e enzimáticos do cafeeiro  submetido a diferentes tratamentos de adubação na safra 2023/2024, Rio Paranaíba MG. 

Fonte: Elaborada pelo autor (2025).

Neste estudo, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas  entre os tratamentos de adubação organomineral (ou combinados com esterco de  galinha) e os demais tratamentos para os indicadores biométricos avaliados; altura  das plantas, diâmetro do caule, número de ramos plagiotrópicos e comprimento de  ramos (Tabela 4). Embora diferenças numéricas possam ser notadas, como nos  tratamentos T2 e T5, essas variações não ultrapassaram o limite de significância  estabelecido pelo teste de Tukey a 5%, indicando que, no presente experimento, os  ajustes em fertilização não se traduziram em melhorias biométricas mensuráveis  distintas entre os tratamentos, corroborando estudos de Santos et al. (2021) e Gomes  et al. (2020), que também relataram ausência de diferença significativa em variáveis  de crescimento do cafeeiro em curto prazo após aplicação de adubação  organomineral.

Apesar disso, padrões relevantes podem ser destacados. O tratamento T5  (Yoorin Master + esterco de galinha) apresentou as maiores médias para altura (35,44  cm), diâmetro de caule (8,55 mm) e número de ramos plagiotrópicos (9,36), sugerindo  tendência de resposta positiva à adubação que incorporam matéria orgânica, ainda  que sem significância estatística. Essa tendência está de acordo com Souza e Pereira  (2023), que ressaltam que adubações organominerais combinadas com fontes  orgânicas podem promover maior vigor vegetativo e melhor capacidade de retenção  de nutrientes no solo. 

A ausência de diferenças estatisticamente significativas pode estar relacionada  à alta variabilidade natural do campo, ao número limitado de repetições ou ao curto  período de avaliação. Oliveira et al. (2022) destacam que efeitos da adubação  organomineral sobre crescimento do cafeeiro tendem a se manifestar de forma mais  evidente a partir do segundo ou terceiro ciclo produtivo, quando o equilíbrio biológico  do solo está mais estabilizado. 

Nos indicadores enzimáticos e de qualidade do solo, o tratamento T2 (00-10- 00 02) apresentou os maiores valores de β-glicosidase (47 µg pNF/g solo/h),  arilsulfatase (135 µg pNF/g solo/h), matéria orgânica (44 g/dm³) e índice de qualidade  do solo (0,75), conforme registrado na Tabela 4. Esses resultados indicam que,  mesmo sem refletir em diferenças biométricas imediatas, esse tratamento favoreceu  maior atividade biológica e ciclagem de nutrientes no solo. Meena et al. (2021) e  Couto et al. (2023) destacam que atividades enzimáticas do solo são indicadores  sensíveis da qualidade do solo e respondem rapidamente a alterações no manejo. 

Quanto à análise foliar, o tratamento T1 (00-10-00 01) apresentou o maior teor  de fósforo (2,37 g/kg), seguido por T5 e T4, enquanto os demais nutrientes (N, K, Ca,  Mg, S e micronutrientes) apresentaram valores semelhantes entre os tratamentos,  indicando que todos os manejos forneceram condições nutricionais adequadas ao  desenvolvimento inicial do cafeeiro (Tabela 4). Essa observação é consistente com  Silva et al. (2021) e Gomes et al. (2020), que destacam que a absorção de nutrientes  pode se manter homogênea mesmo em sistemas com diferentes estratégias de  adubação. 

De forma geral, embora os indicadores biométricos não tenham apresentado  diferenças significativas, os dados de qualidade do solo e atividade enzimática  sugerem que os tratamentos que incluem matéria orgânica e adubação organomineral  (principalmente T2 e T5) podem favorecer o solo para ciclos futuros, refletindo em ganhos produtivos de médio a longo prazo. Isso reforça a ideia de que melhorias na  fertilidade biológica e na ciclagem de nutrientes precedem efeitos observáveis na  biometria das plantas, indicando sustentabilidade do sistema cafeeiro (SOUZA e PEREIRA, 2023). 

4. Conclusão  

Os tratamentos de adubação organomineral, isolados ou combinados com  esterco de galinha, não provocaram diferenças significativas nos indicadores  biométricos do cafeeiro no curto prazo. Entretanto, os tratamentos que incorporaram  esterco mostraram tendência de maior vigor vegetativo, enquanto o tratamento 02  destacou-se pela maior atividade enzimática e teor de matéria orgânica no solo. As  análises foliares indicaram absorção adequada de nutrientes em todos os  tratamentos. Dessa forma, embora o crescimento inicial não tenha sido impactado, os  dados sugerem que esses manejos melhoram a qualidade biológica do solo,  indicando potencial benefício produtivo em médio e longo prazo. 

Referências 

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