INFARTO EM HOMENS: FATORES BIOLÓGICOS E SOCIAIS ASSOCIADOS À MAIOR MORTALIDADE E O PAPEL DA ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511211206


Ana Clara Paulos Bispo Quaresma1
Camille Araújo Amorim de Sousa1
Gabriela Muller Santos1
Jorge Felipe da Silva1
Maria Quiteria Silva Soares1
Tatiane Oliveira de Lima1
Silvana Flora Melo2
Kathleen Melchior Altruda3
Jamila Fabiana Costa4


RESUMO 

As doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte no mundo, sendo o infarto agudo do miocárdio (IAM) uma das manifestações mais graves, caracterizada pela obstrução do fluxo sanguíneo coronariano e consequente necrose do tecido cardíaco. No Brasil, a incidência e a mortalidade por IAM permanecem elevadas, especialmente entre homens adultos e idosos, o que revela um importante problema de saúde pública associado tanto a fatores biológicos quanto a condicionantes socioculturais. A masculinidade hegemônica, marcada por comportamentos de negação da vulnerabilidade e resistência à procura por cuidados, somada à exposição a fatores de risco como tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemia, sedentarismo e estresse ocupacional, contribui significativamente para a maior prevalência da doença neste grupo. Diante desse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel estratégico na prevenção, diagnóstico precoce e manejo dos fatores de risco cardiovasculares, atuando como porta de entrada e elo entre os diferentes níveis de atenção. A enfermagem, enquanto categoria central nesse processo, possui papel essencial na identificação precoce de sinais e sintomas, no acompanhamento longitudinal de pacientes crônicos, na implementação de ações educativas e na promoção do autocuidado. Sua atuação envolve desde a estratificação de risco e vigilância clínica até o desenvolvimento de estratégias de educação em saúde voltadas à adesão terapêutica e à modificação de hábitos de vida. O presente estudo teve como objetivo analisar os fatores biológicos e sociais associados à maior mortalidade por infarto agudo do miocárdio em homens e discutir o papel da enfermagem na atenção primária à saúde na prevenção e mitigação desses impactos. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que incluiu vinte artigos publicados entre 2015 e 2025, nas bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS, SciELO e PubMed. A análise dos estudos permitiu identificar três eixos principais: a influência dos determinantes sociais e culturais sobre o adoecimento masculino; a importância da APS como espaço de prevenção e cuidado contínuo; e a relevância da atuação da enfermagem na promoção da saúde cardiovascular e na redução da mortalidade por IAM. Constatou-se que a prática de enfermagem baseada em evidências e articulada à interdisciplinaridade contribui para maior resolutividade do cuidado, redução dos agravos e fortalecimento do vínculo entre equipe e comunidade. Conclui-se que investir na capacitação profissional, na estruturação dos serviços de atenção primária e na valorização das práticas de enfermagem é fundamental para o enfrentamento efetivo do infarto agudo do miocárdio e para a promoção de uma assistência integral, humanizada e centrada no paciente.

Descritores: Infarto Agudo do Miocárdio; Atenção Primária à Saúde; Enfermagem; Saúde do Homem; Prevenção Cardiovascular.

1. INTRODUÇÃO 

As doenças cardiovasculares (DCV) configuram-se como a principal causa de morte no mundo, sendo responsáveis por cerca de 17,9 milhões de óbitos anuais, o que corresponde a aproximadamente 32% das mortes globais (World Health Organization [WHO], 2023). Entre as DCV, o infarto agudo do miocárdio (IAM) representa uma das manifestações mais graves, caracterizando-se pela obstrução parcial ou total das artérias coronárias, resultando em isquemia e necrose do tecido cardíaco (SILVA et al., 2021). afetando significativamente a população masculina, que representa cerca de 65% dos casos, especialmente indivíduos acima de 55 anos (SILVA et al., 2021). 

O quadro clínico pode incluir dor torácica intensa, dispneia, sudorese e alterações eletrocardiográficas típicas, exigindo diagnóstico rápido e tratamento imediato para reduzir danos miocárdicos e risco de morte (ALMEIDA; BARROS, 2023). 

O IAM pode ser classificado em com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) e sem supradesnivelamento (IAMSSST), distinção que orienta a conduta terapêutica e o prognóstico clínico (LIMA et al., 2022). Entre os principais fatores de risco destacam-se o tabagismo, a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes mellitus, a dislipidemia, o sedentarismo e o estresse psicossocial (COSTA et al., 2023). Observa-se, ainda, uma prevalência significativamente maior entre os homens, especialmente aqueles em idade produtiva e com jornadas de trabalho extenuantes, devido à combinação de fatores biológicos e comportamentais (MOURA et al., 2021). 

O tratamento do IAM envolve medidas farmacológicas e intervencionistas. Em ambiente hospitalar, incluem-se o uso de trombolíticos, antiagregantes plaquetários, anticoagulantes, betabloqueadores e procedimentos de reperfusão, como a angioplastia coronária (SOUZA et al., 2021). No entanto, a eficácia dessas intervenções depende, em grande parte, do reconhecimento precoce dos sintomas e da rapidez no encaminhamento ao serviço especializado (MOURA et al., 2021). Nesse contexto, o manejo adequado do paciente nas redes de atenção à saúde primária, secundária e terciária é essencial para garantir continuidade e integralidade do cuidado (FREITAS; LOPES; GOMES, 2023). 

Na Atenção Primária à Saúde (APS), o foco está na prevenção, detecção precoce e controle dos fatores de risco cardiovascular. O acompanhamento sistemático de pacientes hipertensos e diabéticos, a promoção de hábitos de vida saudáveis e a educação em saúde são estratégias fundamentais para reduzir a incidência de IAM (NASCIMENTO et al., 2022). A APS também atua como porta de entrada para o sistema de saúde, desempenhando papel estratégico na coordenação do cuidado e no encaminhamento rápido de casos suspeitos (RODRIGUES, PEREIRA, 2023). 

Já na atenção secundária, o manejo do paciente pós-infarto envolve acompanhamento multiprofissional, reabilitação cardíaca, monitoramento medicamentoso e prevenção de novos eventos (SANTANA; MEDEIROS, 2024). Identificar a vulnerabilidade dos homens frente à busca por cuidados de saúde na Atenção Primária é essencial, uma vez que barreiras socioculturais, como o estigma relacionado à masculinidade, dificultam o acesso precoce e o acompanhamento contínuo, contribuindo para o agravamento do quadro clínico. Segundo Sousa et al. (2021), a construção social da masculinidade está fortemente associada à resistência masculina em procurar serviços de saúde, o que eleva a incidência de agravos cardiovasculares e a mortalidade por infarto agudo do miocárdio. Reconhecer o papel da enfermagem na Atenção Primária à Saúde permite fortalecer vínculos com o paciente, implementar estratégias de educação em saúde, monitorar sinais de alerta e realizar intervenções de prevenção de novos eventos cardiovasculares. 

Nesse nível, a enfermagem assume papel essencial na vigilância clínica, na adesão ao tratamento e na orientação quanto ao autocuidado. O enfermeiro atua na avaliação dos sinais vitais, controle de dor, administração de medicamentos e apoio emocional, promovendo recuperação segura e redução de complicações (FERREIRA et al., 2023). 

A atuação da enfermagem na APS e nos demais níveis de atenção é um eixo estruturante da assistência ao paciente com IAM. O enfermeiro é responsável por identificar precocemente sinais de risco, realizar estratificação clínica, planejar intervenções educativas e coordenar ações interdisciplinares voltadas à prevenção cardiovascular (OLIVEIRA; SANTOS; RIBEIRO, 2023).  

Além disso, o profissional de enfermagem é responsável por realizar ações educativas, estimular o autocuidado, acompanhar a adesão ao tratamento e promover intervenções intersetoriais que envolvam a comunidade no enfrentamento das causas sociais do adoecimento. Sua atuação contribui significativamente para o fortalecimento do vínculo entre os serviços de saúde e a população, favorecendo uma abordagem integral, resolutiva e humanizada do cuidado em saúde cardiovascular (CINTRA et al., 2021). 

Dessa forma, compreender os fatores que aumentam a vulnerabilidade masculina ao infarto e reconhecer a importância da enfermagem na rede de atenção são passos fundamentais para o aprimoramento da assistência.  

Assim, este artigo tem como objetivo analisar os fatores biológicos e sociais associados à maior mortalidade por infarto agudo do miocárdio em homens e discutir o papel da enfermagem na atenção primária à saúde na prevenção e mitigação desses impactos, com base em uma revisão integrativa de vinte estudos científicos publicados entre 2019 e 2024. 

2. OBJETIVO 

Identificar os fatores biológicos e aspectos culturais associados à maior mortalidade em homens por infarto, e discutir o papel da enfermagem na atenção primária à saúde, atuando na prevenção e redução desses impactos. 

3. MATERIAIS E MÉTODOS  

Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura, abordagem metodológica que permite sintetizar resultados de pesquisas publicadas sobre um tema específico, com o objetivo de reunir e analisar criticamente as evidências disponíveis. Essa modalidade é amplamente utilizada na área da saúde por possibilitar a inclusão de estudos com diferentes delineamentos metodológicos, contribuindo para a construção do conhecimento científico, o aprimoramento da prática clínica e a formulação de políticas públicas. 

A definição da questão de pesquisa foi guiada pela estratégia PICo, indicada para estudos qualitativos, composta por três elementos: (P) homens adultos acometidos por infarto agudo do miocárdio; (I) ações de prevenção, acompanhamento e educação em saúde desenvolvidas pela enfermagem na atenção primária; (C) ausência de intervenção ou outro tipo de cuidado, como atendimento especializado sem acompanhamento na atenção primária; e (O) melhoria na qualidade de vida e prevenção de novos episódios de infarto. Essa estrutura metodológica possibilitou delimitar o foco da investigação e direcionar a busca por estudos relevantes. 

O desenvolvimento da revisão seguiu as seis etapas propostas por Whittemore e Knafl (2005): identificação do problema, definição dos critérios de inclusão e exclusão, busca sistematizada da literatura, avaliação crítica dos estudos selecionados, análise e interpretação dos dados e apresentação dos resultados. Essas etapas asseguram rigor metodológico, garantindo validade e reprodutibilidade dos achados. 

A busca foi realizada entre os meses de agosto e setembro de 2025, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando as bases de dados LILACS, BDENF, MEDLINE e WPRIM. Os descritores utilizados, controlados pelo DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), foram: infarto do miocárdio, doenças cardiovasculares, saúde do homem, enfermagem e atenção primária, combinados com operadores booleanos AND e OR. 

Como critérios de inclusão, foram considerados os artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra e gratuitamente, em português, que abordassem diretamente a atuação da enfermagem na atenção primária à saúde de homens com infarto agudo do miocárdio, com foco na prevenção, controle e manejo clínico. Foram excluídos artigos pagos, duplicados, teses, dissertações, revisões de opinião, editoriais e estudos que não abordassem especificamente o tema proposto. 

Durante o processo de filtragem, foram inicialmente identificados 58.430 artigos nas bases pesquisadas. Após aplicação dos filtros de idioma, tipo de documento e disponibilidade gratuita, restaram 1.254 estudos. Em seguida, realizou-se a leitura dos títulos e resumos, dos quais 83 foram selecionados por apresentarem relação direta com o tema. Após a leitura na íntegra e aplicação dos critérios de elegibilidade, 20 artigos foram incluídos na amostra final da revisão por responderem de forma consistente à questão norteadora. 

A análise dos estudos selecionados considerou variáveis como autoria, ano de publicação, base de dados, tipo de estudo, objetivos, principais resultados e nível de evidência científica. Para organização e gerenciamento das referências, utilizou-se o software Zotero, que auxiliou na padronização, armazenamento e sistematização dos dados. 

4. RESULTADOS  

No Quadro 1 estão detalhados os estudos incluídos em relação ao ano de publicação, autoria, título do artigo, base de dados, principais resultados e resposta à pergunta problema.

NúmeroAutor, Ano de
Publicação
Título do
Artigo
Tipo de
Pesquisa
ObjetivoTipo de AmostraResultado
1Miranda et al. 
(2019)
Necessid
ades e 
reivindicações de homens trabalhadores rurais frente à atenção Primária à Saúde
Estudo 
qualitativo
Compreender as principais necessidades e reivindicações de homens 
trabalhadores rurais frente a uma equipe de Atenção 
Primária à 
Saúde.
Foi realizada com 
41 homens 
trabalhadores rurais entre 40 e 60 anos cadastrados na APS no norte de Minas Gerais.
Analisar as dificuldades de homens trabalhadores rurais no acesso à Atenção Primária à Saúde, 
evidenciando 
desigualdades de gênero e classe que reforçam um modelo curativista. Destacar a necessidade de escuta qualificada, 
fortalecimento de vínculos e políticas públicas adaptadas à realidade local. 
Propor a reorganização dos serviços de saúde do campo, promovendo o empoderamento e a participação ativa da população masculina rural. 
2Dias et al. 
(2019)
Infarto do miocárdio recorrente sob a 
perspectiva do familiar da vítima: relato de caso
Estudo descritivo qualitativoRelatar a recorrência do infarto agudo do miocárdio em um paciente atendido em 
unidade 
coronariana, 
sob a 
perspectiva familia
Realizada com 1 familiar de paciente internado1. O caso é de uma paciente idosa que sofreu um infarto agudo do miocárdio (IAM) recorrente, analisado sob a perspectiva da família. Era preciso entender os fatores que contribuíram para o novo episódio. A paciente não aderiu corretamente ao 
tratamento 
medicamentoso após o primeiro infarto e continuou com hábitos prejudiciais à saúde, como trabalho físico intenso, consumo de álcool e falta de acompanhamento médico. A família percebeu que as orientações recebidas na alta hospitalar foram limitadas, focando apenas nos medicamentos, sem abordar outros fatores de risco modificáveis (como alimentação, sedentarismo e uso de álcool).  
2. O caso evidencia a importância do apoio familiar, da adesão ao tratamento e da educação em saúde para prevenir novos infartos.
3Alves et al. 
(2020)
Hospitalização por Infarto 
Agudo do Miocárdio: Um Registro 
de Base Populacional
Estudo de coorte (transversa
l), observacio
nal, descritivo
Descrever a incidência, o manejo terapêutico, os desfechos clínicos hospitalares e os eventos 
cardiovasculares durante o primeiro ano de seguimento em pacientes hospitalizados por STEMI.
A amostra do estudo incluiu 554 pacientes 
hospitalizados por STEMI ao longo de quatro anos no Hospital de 
Cardiologia/Santa Casa do Rio Grande
1. O estudo analisou as hospitalizações por infarto agudo do miocárdio com 
supradesnivelamento 
do segmento ST 
(STEMI) na cidade de Rio Grande (RS), entre 2011 e 2014. Foram avaliados 554 casos em uma população de cerca de 160 mil habitantes. A taxa anual de hospitalização por STEMI foi de 108 casos por 100 mil habitantes. mostra que, entre 2011 e 2014, o município de Rio Grande (RS) teve uma taxa considerável de hospitalizações por infarto grave (STEMI), especialmente em homens com mais de 55 anos. A maioria dos pacientes receberam tratamentos adequados 
(principalmente angioplastia), mas a mortalidade hospitalar ainda foi significativa, principalmente entre os mais velhos. Após um ano, alguns pacientes sofreram novos eventos cardiovasculares.  
2. O salienta a importância de acesso rápido ao tratamento, educação sobre sintomas e políticas públicas para reduzir desigualdades na saúde.
4Souza et al. 
(2020)
Aplicativo móvel como 
ferramenta de assistência e prevenção ao infarto 
agudo do miocárdio
Pesquisa tecnológicaRelatar desenvolvimento de 
aplicativo móvel em saúde para 
apoio paciente 
sinais de Infarto 
Agudo 
Miocárdio.
A amostra foi composta por 4.118 pacientes com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio 
(IAM), com idade média de 63 anos
O artigo descreve a criação de um aplicativo chamado S.O.S Infarto, feito para ajudar pessoas a identificarem sinais de infarto e buscarem ajuda rapidamente. O app permite cadastrar sintomas, calcular o IMC, localizar unidades de saúde próximas e acionar contatos de emergência. Foi desenvolvido por universidades de Recife-PE e tem como objetivo facilitar o atendimento rápido, reduzir riscos e ajudar na prevenção do infarto. Ele também pode ser usado por profissionais de saúde na atenção primária.
5Souza et al. 
(2020)

Vivências de 
homens idosos acerca do acometim
ento por 
infarto agudo do miocárdio.
Estudo 
qualitativo

Analisar as 
vivências masculinas de homens idosos acerca do 
acometimento por infarto agudo do 
miocárdio antes, durante e depois do 
diagnóstico clínico.
Investigou as vivências de 13 homens idosos (62 a 72 anos) com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio (IAM), em dois hospitais de Feira de Santana (BA).1. Os participantes demonstraram 
dificuldade em reconhecer os sintomas iniciais do IAM e relutância em buscar atendimento, 
influenciados por valores da 
masculinidade 
hegemônica, que associam.  
2. Os achados destacam a importância de considerar os marcadores de gênero nas ações de prevenção e cuidado às doenças cardiovasculares em homens.
6Soares et al. 
(2020)
Condutas de enfermagem aplicadas ao paciente com infarto 
agudo do 
miocárdio 
no pré-
hospitalar.
Revisão integrativaObjetivo de 
descrever 
condutas de enfermagem aplicadas ao paciente com IAM no âmbito pré-hospitalar
A amostra desta revisão integrativa de estudo foi composta por 25 estudos realizados entre Janeiro e Março de 2019.1. Identificou-se que o enfermeiro atua desde a triagem e reconhecimento dos sinais e sintomas até o monitoramento e cuidados contínuos, sendo essencial no atendimento pré-hospitalar. 
2. Evidenciar que a atuação do enfermeiro é determinante para melhorar o quadro clínico e aumentar a sobrevida dos pacientes com IAM, mediante assistência técnica e científica qualificada.
7Oliveira e Sousa (2021)Os cuidados de 
enfermagem em pacientes 
com infarto 
agudo do miocárdio em uma Unidade de Terapia 
Intensiva
Abordagem revisão 
integrativa, 
compleme ntada por Revisão integrativa e narrativa
Descrever cuidados enfermagem com pacientes vítimas de IAM em UTI.A amostra desta revisão integrativa foi não probabilística e intencional, 
composta por 16 artigos publicados entre 2012 e 2020.
Destaca a importância do profissional de enfermagem no cuidado a pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). 
A enfermagem é responsável por cuidados técnicos e também pelo apoio emocional dos pacientes, contribuindo para a recuperação e redução de complicações. tem a necessidade de mais estudos voltados para essa área, visando aprimorar a assistência prestada e garantir um tratamento mais eficiente e humanizado, há poucos estudos focados nessa área específica.  
2. Garantir um tratamento eficiente, promover a recuperação rápida do paciente e minimizar complicações são aspectos fundamentais do trabalho da enfermagem. Além dos cuidados técnicos, é essencial oferecer conforto e apoio emocional ao paciente.
8Nicolau et al. 
(2021)
Diretrizes da Sociedade 
Brasileira de Cardiologia sobre Angina 
Instável e Infarto 
Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST
Revisão de diretrizes 
clínicas 
baseada 
em 
evidências científicas 
e estudos 
multicêntricos
Apresentar as recomendações e evidências 
atualizadas 
para o diagnóstico e tratamento da angina instável e do infarto agudo do miocárdio sem supradesnível do segmento 
ST.
A amostra Revisão de diretrizes clínicas baseada em 
evidências 
científicas e estudos multicêntricos
1. Reúne orientações sobre estratificação de risco, condutas diagnósticas, terapias antiplaquetárias, anticoagulantes e hipolipemiantes.  
2. Evidenciar a importância das condutas baseadas em evidências científicas para otimizar o tratamento, reduzir complicações e melhorar o prognóstico de pacientes com angina instável e IAM sem supra de ST.
9Nava et al. 
(2021)
Monitoramento avançado de enfermagem: pacientes de risco na atenção primária.Estudo quantitativo, quase experimentalAvaliar o efeito do 
monitoramento de enfermagem na identificação do risco cardiovascular e renal, na 
adesão medicamentosa e na prática de exercícios na atenção 
primária à saúde.
A amostra foi por 86 usuários cadastrados no programa saúde da família, sendo 
43 do grupo intervenção e 43 do grupo controle com diagnóstico médico de diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica. 
Sendo entre fevereiro e dezembro de 
2019.
1. Foi avaliado o efeito do monitoramento de enfermagem avançado em um estudo quantitativo, realizado por meio de consultas trimestrais e exames laboratoriais, em comparação ao cuidado usual na Atenção Primária à Saúde. Foram analisados aspectos como risco cardiovascular e renal, adesão medicamentosa e prática de exercícios físicos. Os resultados mostraram que o grupo com monitoramento avançado apresentou melhor identificação dos riscos, maior adesão aos medicamentos e maior envolvimento em atividades físicas, evidenciando a efetividade da atuação da enfermagem nesse contexto. Conclui-se que as ações sistemáticas de 
enfermagem contribuem significativamente para a prevenção de agravos, promoção do autocuidado e melhoria dos desfechos em saúde na Atenção 
Primária.
10Dalla Lana et al. (2021)Características clínicas de pacientes 
submetidos à intervenção coronária percutânea (2014–2019)
Estudo 
transversal, 
retrospectivo, de abordagem 
quantitativa
Dentificar as 
características clínicas de 
pacientes 
submetidos a 
intervenção coronária percutânea entre os anos de 2014 e 2019
A amostra foi realizada com 344 prontuários de pacientes adultos (≥18 anos), de ambos os sexos, submetidos à ICP diagnóstica e/ou terapêutica1.Predomínio do sexo masculino, média de idade de 63 anos, diagnóstico frequente de angina e infarto, presença de HAS e diabetes como 
principais 
comorbidades, e alta hospitalar na maioria dos casos. 
2. Conclui-se que conhecer o perfil clínico dos pacientes submetidos à ICP é essencial para otimizar o cuidado, fortalecer a atuação do enfermeiro e articular ações de prevenção e reabilitação na rede de 
atenção à saúde.
11Sousa et al. 
(2021)
Implemen tação da 
Política Nacional de Atenção 
Integral à Saúde do Homem: 
desafios 
vivenciados por 
enfermeiras
Estudo 
descritivo, qualitativo
Analisar desafios vivenciados por enfermeiras na implementação da PNAISH.A amostra foi realizada com 40 enfermeiras que atuam na APS, especificamente na ESF, sendo sete Unidades Básicas de Saúde 
(UBS) e 26 
Unidades de 
Saúde da Família (USF), em um município da 
Bahia, Brasil.
1. A saúde do homem é uma preocupação crescente, marcada por menor expectativa de vida e maiores índices de morbimortalidade em comparação às mulheres. Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde instituiu, em 2009, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem 
(PNAISH), com foco ampliação do acesso e no cuidado integral na Atenção Primária à Saúde (APS). 
2. A enfermagem enfrenta desafios de macrogestão, como limitações estruturais, falta de recursos e dificuldades na organização dos serviços, é uma realidade constante para as enfermeiras na execução dessa política. Ainda assim, promover o acolhimento, a prevenção e o cuidado contínuo constitui parte essencial de seu trabalho, contribuindo para transformar a realidade da saúde masculina no Brasil.
12Cintra 
et al. 
(2021)
Infarto 
agudo do miocárdio no Brasil: e nas regiões: Impacto da pandemia 
da COVID-19 na taxa de 
Mortalida
de e 
hospitalizações
Estudo ecológico, descritivo e analíticoO objetivo analisar se a pandemia de COVID-19 
interferiu nas taxas de mortalidade e hospitalizações por IAM no Brasil e regiões.
Na amostra foi considerada 
pacientes 
maiores de 20 anos, de ambos os sexos, 
hospitalizados por infarto agudo do miocárdio no Brasil nos anos de 2019 e 2020.
A redução significativa nas hospitalizações por infarto agudo do miocárdio durante a pandemia de COVID-
19, mantendo-se o perfil sociodemográfico semelhante entre os anos analisados. 
Verificar que os homens e idosos permanecem como os mais acometidos, com predominância de atendimentos de urgência. 
Concluir que a pandemia de COVID-19 influenciou a dinâmica dos atendimentos e óbitos por infarto agudo do miocárdio no Brasil, reduzindo as hospitalizações e modificando a taxa de mortalidade, mas sem alterar o perfil dos pacientes afetados.
13Camargo et al. (2022)Prevenção
de eventos cardiovas culares na atenção primária: prescrição
de AAS 
e anti-
hipertensivos
Estudo 
bibliográfico, qualitativo,
e de caráter descritivo
Analisar a segurança das evidências 
científicas para a prescrição racional de 
ácido 
acetilsalicílico (AAS) e otimizar o uso de antihipertensivos no período 
noturno, como forma de prevenção de eventos cardiovasculares na atenção 
primária
São estudos selecionados nas bases PubMed e UpToDate 
(metanálises e ensaios clínicos multicêntricos 
publicados entre 2000 e 2022), sem número definido de artigos.
O uso de anti-
hipertensivos à noite mostrou melhor controle da pressão arterial, melhora da função renal e perfil lipídico, reduzindo risco cardiovascular. O AAS mostrou eficácia na prevenção secundária, mas na primária deve ser prescrito com cautela devido ao risco de sangramento. Evidenciar a importância da prescrição racional de 
AAS e anti-
hipertensivos na atenção primária, de modo a contribuir para a redução de eventos cardiovasculares e para o uso seguro das terapias medicamentosas.
14Soares Júnior 
et al. (2022)
Infarto 
agudo do miocárdio recorrente sob a 
perspectiva do 
paciente
Estudo 
qualitativo, descritivo e exploratório
O objetivo, compreender o IAM recorrente sob a    perspectiva    da pessoa 
que 
vivenciou o 
evento isquêmico.
A amostra foi composta por quatro pacientes do sexo masculino, com idades entre 43 e 
76 anos, internados em uma unidade coronariana de hospital do sul de 
Mato Grosso, com histórico de IAM prévio.
1. Pacientes que sofreram IAM recorrente relatam falhas na continuidade do cuidado, ausência de orientações adequadas na alta hospitalar e dificuldades no acesso a serviços de reabilitação.  
2. A recorrência está associada a fatores como baixa adesão ao tratamento e falta de 
acompanhamento especializado.
15Cidade et al. 
(2022)
Prevenção do infarto 
agudo do 
miocárdio 
feita pelos 
enfermeiros em uma 
clínica da família de 
Realengo, Rio de Janeiro
Estudo de campo, exploratório, descritivo, qualitativoO objetivo foi investigar as 
ações preventivas realizadas por enfermeiros na Atenção 
Primária à 
Saúde voltadas à prevenção do infarto agudo do miocárdio.
A amostra foi de nove enfermeiros participantes, sendo um preceptor e oito residentes de enfermagem atuantes em uma Clínica da Família na zona oeste do Rio de Janeiro.Identificar a autonomia dos enfermeiros na prevenção e acompanhamento de usuários hipertensos e de risco cardiovascular; analisar as práticas de autocuidado e educação em saúde realizadas; observar o impacto da pandemia de COVID-19 na redução das atividades de educação permanente e nos 
atendimentos presenciais. 
Concluir que os enfermeiros da Atenção 
Primária possuem autonomia no acompanhamento e prescrição conforme os programas do Ministério da Saúde, mas que durante a pandemia houve redução significativa nas ações educativas e de prevenção. Reforçar a importância da atuação da enfermagem e da educação permanente na prevenção do infarto agudo do miocárdio.
16Rocha et al. 
(2022)
Programa 
Mais Médicos na Bahia e o 
impacto no diagnóstico precoce do IAM: relato de  experiência
Estudo 
descritivo, qualitativo
Demonstrar uma 
experiência exitosa 
envolvendo a 
articulação resolutiva da rede pública de saúde a partir da Atenção 
Primária e do Programa Mais Médicos no 
diagnóstico 
precoce do 
Infarto Agudo do Miocárdio com supradesnível do segmento ST (IAMCSST) em zona rural da Bahia.
Caso único 
(paciente de 50 anos, sexo masculino, 
residente em zona rural da Bahia, atendido em uma Unidade de Saúde da 
Família vinculada ao Programa 
Mais Médicos).
1. Homem de 50 anos, morador da zona rural da Bahia, apresentou dor torácica intensa e foi atendido na USF pelo 
Programa Mais Médicos. O ECG confirmou infarto agudo do miocárdio com supra de ST. Recebeu medicação imediata e foi transferido ao hospital, onde realizou trombólise em tempo hábil, evoluindo bem e retornando às atividades.  
2. O caso evidenciou a eficácia da APS e do PMM no diagnóstico e atendimento rápido ao IAM em áreas rurais. 
17Felix et al. 
(2024)
Práticas de cuidado compartilhadas por enfermeiros e médicos na APSEstudo exploratório qualitativoCompreender os desafios e possibilidades do cuidado 
compartilhado na atenção primária à saúde na perspectiva de profissionais e gestores, visando refletir sobre a prática avançada de enfermagem.
A amostra foi realizada com 29 profissionais (médicos e enfermeiros) com experiência de 01 ano na APS na região de Paraná e Rio de Janeiro.Foi abordado as possibilidades e desafios do cuidado compartilhado entre médicos e enfermeiros na Atenção Primária à Saúde (APS), com destaque para a Prática Avançada de 
Enfermagem (PAE). 
Evidenciam-se experiências positivas de interconsulta e protocolos clínicos compartilhados, 
especialmente em unidades com 
residência multiprofissional. No entanto, obstáculos como hierarquia profissional, sobrecarga de trabalho e desconhecimento das atribuições dos enfermeiros ainda limitam a colaboração. 
A valorização da equipe, a escuta qualificada e o fortalecimento do trabalho em conjunto são apontados como caminhos para ampliar o acesso e qualificar o cuidado centrado no usuário.
18ORGANIZAÇÃO 
MUNDIAL DA 
SAÚDE (2025)
Doenças Cardiova sculares (DCV)Estudo descritivo informativoO objetivo principal do documento é informar sobre a carga global das doenças cardiovascula 
res e orientar ações para reduzir esse problema de saúde pública.
Não há amostra 
definida participantes. população abordada é população mundial.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, com cerca de 19,8 milhões de óbitos em 2022, sendo o infarto e o AVC os mais comuns. Mais de 75% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda. 
Os principais fatores de risco são comportamentais e ambientais, como tabagismo, má alimentação e sedentarismo.  
A maioria dos casos poderia ser evitada com prevenção, acesso à saúde e diagnóstico precoce. A Organização 
Mundial da Saúde 
(OMS) atua para reduzir essas mortes, com foco na atenção primária.
19Siqueira et al. 
(2025)
Perfil 
epidemiol ógico da mortalidade por IAM no 
Brasil ocorrido 
entre 
(2016– 2022), e suas 
repercussões em relação à pandemia da Covid19
Estudo epidemioló gico, descritivo e quantitativoObjetivo de analisar índices de mortalidade por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) no Brasil entre 2016 e 2022, e suas repercussões durante a pandemia de Covid-19.Amostra foi realizada no Sistema de 
Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS), referente a todos os óbitos por IAM registrados no Brasil entre 2016 e 2022.
1. Foram registrados 680.876 óbitos por IAM, com taxa média de mortalidade de 
46,26/100.000 
habitantes. Houve redução no primeiro ano da pandemia (2020) e aumento progressivo nos anos seguintes, principalmente em 
2022. As maiores taxas ocorreram nas regiões Sudeste e Nordeste e entre idosos acima de 70 anos 
2. Analisou o perfil epidemiológico da mortalidade por IAM para auxiliar no direcionamento de políticas e recursos de saúde, especialmente em situações de crise como a pandemia da 
Covid-19.
20Leite et al. 
(2025).
Evolução temporal e perfil epidemiológico da incidência e 
mortalidade e Letalidade do Infarto 
Agudo do Miocárdio no Brasil (2008-2024): 
Um Estudo Transversal.
Estudo transversal 
de série 
temporal ecológica, quantitativo, com dados 
secundários nacionais.


O objetivo é analisar a evolução 
temporal e o
perfil 
epidemiológico da incidência, mortalidade e letalidade do infarto agudo do miocárdio no Brasil entre 2008 e 2024.
Considerar 
1.910.231 casos de IAM registrados entre 2008-2024 e 199.947 óbitos por IAM no mesmo período.
1. Observar que entre 2008 e 2024 foram registrados cerca de 1,91 milhão de casos de IAM, com letalidade estimada em cerca de 10,47%. Verificar as tendências de aumento ou redução por ano, bem como variações por região, sexo ou faixa etária. 
2. Concluir que o IAM permanece elevado no Brasil, com perfil predominante no sexo masculino, em faixas etárias mais avançadas, e que as taxas de incidência, mortalidade e letalidade variaram ao longo dos anos, exigindo estratégias de prevenção e atenção à saúde direcionadas.

5. DISCUSSÃO  

Compreender que as doenças cardiovasculares, especialmente o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), permanecem como a principal causa de mortalidade global é essencial para o planejamento em saúde. A Organização Mundial da Saúde (2025) aponta que o impacto é mais expressivo em países de baixa e média renda, onde os determinantes sociais e o acesso limitado à assistência potencializam a gravidade dos casos. 

Miranda et al. (2019) identificam que, no Brasil, os casos de IAM predominam entre homens trabalhadores rurais, evidenciando que fatores biológicos, sociais e culturais interagem no aumento do risco e na gravidade dos eventos cardiovasculares. Essa vulnerabilidade está relacionada, em parte, à sobrecarga laboral, ao baixo acesso a serviços de saúde e à pouca adesão a medidas preventivas. 

Sob o ponto de vista biológico, Alves e Polanczyk (2019) reconhecem que os homens apresentam maior predisposição ao IAM devido a fatores genéticos, variações hormonais e presença de comorbidades como hipertensão e diabetes mellitus. Contudo, os aspectos socioculturais exercem influência decisiva, como ressalta Sousa et al. (2021b), ao discutir a masculinidade hegemônica que associa o cuidado em saúde à fragilidade, retardando a procura por atendimento e o reconhecimento precoce dos sintomas. 

Rocha et al. (2022) enfatizam a importância de políticas públicas integradas e da qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS), com ampliação da infraestrutura e capacitação das equipes multiprofissionais. Essas medidas fortalecem a continuidade do cuidado, a detecção precoce de fatores de risco e a prevenção de novos episódios de IAM. 

Nava et al. (2021) destacam o papel central da enfermagem na APS, tanto na avaliação de fatores de risco quanto no monitoramento de doenças crônicas, na orientação sobre hábitos saudáveis e na promoção do autocuidado. O enfermeiro atua como elo entre o paciente, a família e a equipe de saúde, contribuindo para o acompanhamento longitudinal e a adesão terapêutica, conforme também evidenciam Cidade et al. (2022). 

Soares et al. (2020) reforçam que o manejo do IAM deve seguir protocolos conforme o nível de atenção. Na APS, cabe à equipe de enfermagem identificar precocemente os sinais de alerta, administrar medicações iniciais como o ácido acetilsalicílico, estabilizar clinicamente o paciente e realizar o encaminhamento rápido e seguro para unidades de maior complexidade. Já nos níveis secundário e terciário, Alves et al. (2020) apontam o uso de intervenções como angioplastia, trombólise e administração de antiplaquetários, anticoagulantes e betabloqueadores, em articulação com a equipe médica. 

Souza et al. (2020) sugerem a incorporação de tecnologias digitais para apoiar o trabalho da enfermagem, como aplicativos de alerta e monitoramento de sintomas, que podem agilizar o atendimento e potencializar o autocuidado. Essas ferramentas ampliam a autonomia do paciente e otimizam o acompanhamento contínuo pela equipe de enfermagem. 

Felix et al. (2024) ressaltam a importância do cuidado compartilhado entre médicos e enfermeiros em equipes multiprofissionais, promovendo atenção integral, resolutiva e humanizada. Entretanto, desafios como a hierarquia profissional e a sobrecarga de trabalho ainda precisam ser superados. A expansão da Prática Avançada de Enfermagem (PAE) é apontada como estratégia para fortalecer a APS, ampliar a autonomia dos enfermeiros e promover maior eficiência no atendimento. 

Por fim, Dias et al. (2019) e Sousa et al. (2021b) convergem ao afirmar que fortalecer o vínculo entre enfermagem, paciente e família é essencial para prevenir novos episódios de IAM, enfrentar desigualdade de gênero e reduzir a mortalidade masculina. Assim, a atuação integral e educativa da enfermagem na APS representa um eixo fundamental na promoção da saúde do homem e na prevenção de complicações cardiovasculares.  

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Concluir que o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) representa um grave problema de saúde pública, cuja elevada mortalidade entre homens, especialmente trabalhadores rurais, resulta da interação entre fatores biológicos, sociais e culturais. Reconhecer que a masculinidade hegemônica, o acesso limitado aos serviços de saúde e a baixa adesão ao cuidado configuram barreiras que precisam ser enfrentadas por meio de políticas integradas e práticas assistenciais mais humanizadas. 

Destacar a atuação da enfermagem como elemento central na prevenção, monitoramento contínuo e promoção do autocuidado, fortalecendo o vínculo entre o paciente, a família e a equipe multiprofissional. Implementar monitoramento avançado de enfermagem para identificar fatores de risco, ampliar a adesão terapêutica e reduzir a ocorrência de novos episódios de IAM. 

Ampliar a Prática Avançada de Enfermagem (PAE) como estratégia para aumentar a autonomia do profissional, fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS) e qualificar o cuidado integral e resolutivo. Integrar tecnologias inovadoras, como aplicativos de alerta e monitoramento, para facilitar a identificação precoce de sintomas, agilizar a resposta assistencial e salvar vidas. 

Investir na capacitação contínua da equipe de enfermagem, valorização profissional e implementação de modelos colaborativos de trabalho para melhorar a qualidade do cuidado. Promover o empoderamento dos homens, educação em saúde voltada para prevenção de doenças cardiovasculares e ações de autocuidado contínuas como forma de reduzir a mortalidade por IAM. 

Garantir que a enfermagem atue de maneira estratégica, articulando ações preventivas, educativas e de acompanhamento longitudinal, contribuindo para a construção de um sistema de saúde mais equitativo, resolutivo e centrado nas necessidades da população masculina. Reconhecer que essas medidas representam passos essenciais para fortalecer a APS, reduzir desigualdades em saúde e melhorar os desfechos clínicos relacionados ao Infarto Agudo do Miocárdio. 

REFERÊNCIAS 

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¹Dicentes da Universidade Anhembi Morumbi
²Docente da Universidade Anhembi Morumbi
³Coorientadora da Universidade Anhembi Morumbi
4Coordenadora Geral da área da saúde da Universidade Anhembi Morumbi