TE MYOCARDIAL INFARCTION: A NARRATIVE REVIEW ON EPIDEMIOLOGY, CLINICAL PRESENTATION, DIAGNOSIS, AND MANAGEMENT IN URGENT AND EMERGENCY CARE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202510310719
João Neto Marques Borges1
Amador Alves Santos1
Stefane Alves de Almeida1
Pedro Lucas Rodrigues Araújo1
Amanda Bruniely Machado de Brito1
Luis Felipe Tredicci Mota1
Jessica Godoy Nascimento1
Divino de Assis Junior1
Yan Alarcão Monteiro1
Eduarda Andrelino Costa1
Resumo
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais manifestações da Doença Arterial Coronariana, caracterizado pela necrose do músculo cardíaco devido à interrupção súbita do fluxo sanguíneo coronariano. É uma das principais causas de morte no mundo, com as doenças cardiovasculares responsáveis por aproximadamente 17,9 milhões de óbitos anuais, cerca de 32% do total global, sendo mais de 80% desses em países de baixa e média renda, devido ao acesso limitado à prevenção e tratamento. Apesar da queda da mortalidade em países desenvolvidos, a incidência do IAM permanece elevada, com 7 a 10 milhões de novos casos por ano. No Brasil, o IAM representa uma das principais causas de morbimortalidade, com mais de 90 mil mortes anuais por doenças isquêmicas do coração, sendo o IAM predominante. A mortalidade hospitalar varia entre 6% e 10%, podendo superar 20% em casos com diagnóstico ou tratamento tardio. A incidência é maior em homens acima de 45 anos, porém a mortalidade proporcionalmente maior em mulheres, especialmente pós-menopausa. Nas últimas décadas, observa-se aumento de casos em faixas etárias mais jovens, relacionado a fatores como estilo de vida urbano, obesidade, sedentarismo e uso de drogas ilícitas, como a cocaína. O reconhecimento precoce dos sintomas, aliado a medidas de prevenção cardiovascular, continua sendo essencial para reduzir mortalidade e complicações do IAM. A adoção de estratégias de intervenção rápida, prevenção primária e promoção de hábitos saudáveis são fundamentais para o controle dessa condição de alta morbimortalidade.
Palavras-chave: Doença coronariana. Infarto. Urgência
1. INTRODUÇÃO
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais manifestações da Doença Arterial Coronariana (DAC), caracterizada pela necrose de parte do músculo cardíaco decorrente da interrupção abrupta do fluxo sanguíneo coronariano. O IAM é uma das principais causas de morte em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares (incluindo o infarto e o AVC) são responsáveis por aproximadamente 17,9 milhões de óbitos anuais, representando cerca de 32% de todas as mortes globais (Mueller et al., 2019; Task Force on Primary PCI, 2022). Desses, mais de 80% ocorrem em países de baixa e média renda, onde há menor acesso a medidas preventivas e tratamento adequado. Apesar da redução da mortalidade nos países desenvolvidos (graças à prevenção e avanços terapêuticos), a incidência do IAM ainda é elevada, com cerca de 7 a 10 milhões de novos casos por ano (Mohseni et al., 2017; Cardiovascular Research, 2024).
No Brasil, o IAM representa uma das principais causas de morbimortalidade. Dados do Ministério da Saúde e do DATASUS indicam que as doenças isquêmicas do coração são responsáveis por mais de 90 mil mortes por ano, sendo o IAM a principal entre elas (Mohseni et al., 2017; Cardiovascular Research, 2024). A mortalidade hospitalar varia entre 6% e 10%, podendo ultrapassar 20% nos casos em que há atraso no diagnóstico e tratamento. A incidência é maior em homens acima dos 45 anos, mas a mortalidade é proporcionalmente maior em mulheres, especialmente após a menopausa. Nas últimas décadas, observou-se tendência de aumento de casos em faixas etárias mais jovens, associada ao estilo de vida urbano, obesidade, sedentarismo e uso de drogas ilícitas (como cocaína) (Batista et al., 2023).
O presente artigo tem como objetivo realizar uma revisão narrativa sobre a fisiopatologia clínica da sepse de foco pulmonar.
2. METODOLOGIA
Este estudo trata-se de uma revisão narrativa com o propósito de discutir e descrever sobre linha fisiopatológica, clínica e diagnóstica do IAM. Foi utilizado o banco de dados: SciElo (Scientific Eletronic Library Online) e PubMed (US National Library of Medicine), com restrição de idioma (português) e dando prioridade a artigos publicados entre 2008 e 2025.
Estratégia de pesquisa
Utilizou-se os termos para ir de encontro à temática com um desenho prospectivo: “Infarto”, “Doença coronariana”, “Urgência”. Para complementar as buscas nas bases de dados, revisamos todas as referências dos artigos selecionados e dos artigos de revisão.
Critérios de inclusão e exclusão
Critério de inclusão: estudo publicado em periódico com corpo editorial. Dentro do banco de dados da SciElo, foram selecionados 10 de 100 artigos, dos quais, foram excluídos 2 e incluídos 8. Assim como, foram selecionados 10 dos 150 artigos do PubMed, onde foram excluídos 4 e incluídos 6. Foram excluídos, editoriais, comentários, cartas aos editores, resumos, estudos qualitativos, estudos que relataram apenas uma análise transversal, ensaios, estudos que relataram método de pesquisa ou validação de instrumento e estudos de acompanhamento que não tiveram um grupo de comparação de resultados.
Seleção e extração dos artigos
A seleção dos estudos foi realizada de forma independente pelo autor principal, seguindo três etapas: I- análise dos títulos dos artigos, II- leitura dos resumos e III- leitura dos textos completos. A cada fase, caso houvesse divergências, um segundo autor era solicitado a julgar, e a decisão final era tomada por consenso ou maioria.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) caracteriza-se pela necrose de uma área do músculo cardíaco decorrente da interrupção prolongada do fluxo sanguíneo coronariano. Essa interrupção geralmente ocorre por ruptura ou erosão de uma placa aterosclerótica instável, com consequente formação de um trombo que obstrui parcial ou totalmente a luz da artéria coronária (Roger, 2007; Reddy, Khaliq e Henning, 2015). O processo isquêmico leva à morte celular em cerca de 20 a 30 minutos após o bloqueio total do fluxo, e quanto mais tardia for a reperfusão, maior será a extensão do dano miocárdico (Agüero e Marrugat, 2015).
Clinicamente, o IAM pode se apresentar de forma típica ou atípica. A forma clássica é caracterizada por dor torácica retroesternal intensa, em aperto, queimação ou peso, podendo irradiar para o ombro e braço esquerdos, mandíbula, dorso ou região epigástrica (Rathore, Singh e Mahat, 2018). A dor costuma ter duração superior a 20 minutos, não melhora com o repouso e pouco responde ao uso de nitratos sublinguais. Frequentemente, é acompanhada de sintomas autonômicos como sudorese fria, náuseas, vômitos, palidez e sensação de morte iminente (Salari et al., 2023). Em alguns casos, especialmente em idosos, mulheres e diabéticos, o quadro clínico pode ser atípico, com dor epigástrica, dispneia isolada, fraqueza intensa, síncope, confusão mental ou até ausência de dor — os chamados “infartos silenciosos” (Mohseni et al., 2017; Cardiovascular Research, 2024).
O exame físico no IAM é frequentemente inespecífico, mas pode revelar sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, taquicardia e sudorese profusa (Bussons et al., 2023). Em casos de comprometimento ventricular extenso, podem ser observados sinais de insuficiência cardíaca, como estertores pulmonares, turgência jugular e presença de B3 à ausculta cardíaca. Arritmias também são comuns, variando desde extrassístoles até fibrilação ventricular (StatPearls, 2024).
O diagnóstico do IAM é essencialmente clínico-laboratorial e baseia-se na combinação de três elementos principais: quadro clínico compatível, alterações eletrocardiográficas e elevação de marcadores de necrose miocárdica (Mueller et al., 2019). O eletrocardiograma (ECG) é o exame inicial e deve ser realizado em até 10 minutos após a chegada do paciente ao serviço de saúde. Ele permite classificar o infarto em dois grandes grupos: IAM com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) e IAM sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST) (Levine e Bittl, 2015).
Os marcadores séricos de necrose miocárdica são fundamentais para confirmar o diagnóstico. As troponinas cardíacas (TnI e TnT) são os biomarcadores de escolha, por apresentarem alta sensibilidade e especificidade para lesão miocárdica (Mueller et al., 2019; StatPearls, 2024). Elas começam a se elevar entre 3 e 6 horas após o início dos sintomas, atingem o pico em 24 horas e permanecem elevadas por até 10 a 14 dias. Em situações em que o diagnóstico ainda é duvidoso, exames complementares como o ecocardiograma podem demonstrar alterações segmentares da contratilidade compatíveis com necrose isquêmica (CC Forum, 2010).
O tratamento do IAM tem como principal objetivo restabelecer o fluxo sanguíneo coronariano o mais rápido possível, limitando a área de necrose e reduzindo complicações (Reddy, Khaliq e Henning, 2015; Task Force on Primary PCI, 2022). As medidas terapêuticas variam conforme o tipo de infarto e o tempo de evolução, mas seguem princípios gerais.
Inicialmente, é fundamental garantir suporte hemodinâmico e ventilatório, com monitorização contínua, acesso venoso calibroso e oxigênio suplementar se houver hipoxemia (Pharmaceutical Journal, 2025). O manejo da dor deve ser feito com morfina em casos refratários, pois a dor intensa aumenta a demanda miocárdica por oxigênio. O uso de aspirina (AAS) deve ser imediato, com dose de ataque de 160 a 325 mg mastigável, pois reduz em até 25% a mortalidade precoce (Levine e Bittl, 2015). Associam-se também antiagregantes plaquetários adicionais (como clopidogrel, prasugrel ou ticagrelor) e anticoagulantes (como heparina não fracionada ou de baixo peso molecular) (Task Force on Primary PCI, 2022).
Nos casos de IAM com supra de ST, a estratégia fundamental é a reperfusão imediata, que pode ser feita por angioplastia coronariana primária ou trombólise química (Reddy, Khaliq e Henning, 2015). A angioplastia é o método de escolha, devendo ser realizada idealmente em até 90 minutos após o primeiro contato médico (tempo porta-balão). Quando esse procedimento não está disponível nesse intervalo, indica-se a trombólise venosa com agentes fibrinolíticos (como alteplase, tenecteplase ou reteplase) nas primeiras 12 horas após o início dos sintomas (Task Force on Primary PCI, 2022).
Já no IAM sem supra de ST, o tratamento inicial visa estabilizar o paciente e evitar progressão da isquemia (Agüero e Marrugat, 2015). A reperfusão imediata não é indicada, mas a estratégia invasiva precoce (cateterismo e possível angioplastia) deve ser considerada em pacientes de alto risco, com dor recorrente, instabilidade hemodinâmica ou elevação significativa de troponina (Wallace et al., 2019). Além disso, são administrados betabloqueadores, estatinas de alta potência e inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina II, que reduzem o remodelamento ventricular e melhoram o prognóstico (Reddy, Khaliq e Henning, 2015; Heart Views, 2017).
O tratamento do IAM não se encerra na fase aguda. A reabilitação cardiovascular e o controle rigoroso dos fatores de risco são essenciais para prevenir recorrências (Ferreira et al., 2023). Isso inclui suspensão do tabagismo, dieta equilibrada, prática regular de atividade física, controle da pressão arterial, glicemia e perfil lipídico, além do uso contínuo de medicações como AAS, estatina, betabloqueador e IECA (European Heart Journal, 2024).
Em resumo, o Infarto Agudo do Miocárdio é uma das principais causas de morte no mundo, e seu prognóstico depende diretamente da rapidez no diagnóstico e na instituição do tratamento adequado (Salari et al., 2023). O reconhecimento precoce dos sintomas, o uso imediato de antiagregantes e a reperfusão oportuna constituem os pilares para reduzir a mortalidade e as complicações associadas à doença (Mueller et al., 2019; Task Force on Primary PCI, 2022).
4. CONCLUSÃO
O IAM é uma emergência médica potencialmente fatal, sendo o tempo entre o início dos sintomas e a reperfusão o principal determinante do prognóstico.Apesar disso, a prevenção primária, que envolve o controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo e dislipidemia, mostra-se essencial para reduzir a incidência de novos eventos.
Além do controle individual dos fatores de risco, a educação populacional desempenha papel fundamental, uma vez que o reconhecimento precoce dos sintomas do infarto agudo do miocárdio permite que o paciente procure atendimento médico rapidamente, aumentando significativamente as chances de sucesso da reperfusão e diminuindo a mortalidade.Programas de conscientização pública, campanhas educativas e orientação sobre hábitos de vida saudáveis são estratégias complementares que contribuem para a redução da mortalidade e morbidade associadas ao IAM.
Portanto, a combinação de ações preventivas, reconhecimento precoce dos sinais clínicos e intervenção médica imediata constitui o pilar para melhorar o prognóstico dos pacientes com infarto agudo do miocárdio, reforçando a importância de políticas de saúde públicas e medidas individuais de prevenção.
5. REFERÊNCIAS
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1Universidade de Rio Verde, Goianésia, Brasil / unirvpesquisa@gmail.com
