INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA AOS ESFORÇOS: INDICAÇÕES CIRÚRGICAS

FEMALE STRESS URINARY INCONTINENCE: SURGICAL INDICATIONS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512161351


Whallas da Silva Coutinho1
Amanda Costa Souza2
Caroline Pereira Souto3
Júlio Davi Costa e Silva4
Augusto José de Aragão5
Erika Aranha Fernandes Barbosa6


RESUMO 

Este estudo analisa as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para o tratamento da incontinência urinária feminina aos esforços (IUE). A pesquisa objetivou descrever o processo de avaliação diagnóstica, comparar os principais tipos de slings suburetrais (retropúbico/TVT e transobturatório/TOT) e investigar os resultados clínicos dos tratamentos cirúrgicos. E os específicos, em descrever o processo de avaliação diagnóstica, comparar os principais tipos de slings suburetrais e investigar os resultados clínicos dos tratamentos cirúrgicos. A metodologia utilizada foi uma revisão integrativa de literatura com abordagem qualitativa de leitura narrativa, com o total de vinte e oito artigos encontrados e na seleção final do estudo de dez artigos científicos. A busca ocorreu na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), abrangendo as bases de dados MEDLINE/PubMed, SciELO e, principalmente, LILACS. Os resultados evidenciam que a colocação de slings sintéticos constitui o padrão-ouro, apresentando altas taxas de sucesso clínico, variando entre 80% e 95%. No entanto, a análise reforça a importância crucial de uma avaliação diagnóstica rigorosa e individualizada que precede a cirurgia. Esta abordagem personalizada influencia diretamente a escolha da técnica (TVT e TOT) e otimiza a satisfação da paciente, minimizando riscos de complicações pós-operatórias. Conclui-se que a intervenção cirúrgica é segura e eficaz quando a indicação é guiada pela análise detalhada do histórico clínico e das comorbidades da mulher. 

Palavras-chave: Incontinência Urinária de Esforço. Slings Cirúrgicos. Avaliação Diagnóstica. 

ABSTRACT 

This study analyzes surgical consultations and the effectiveness of procedures for the treatment of female exercise urinary incontinence (SUI). The research aimed to describe the diagnostic evaluation process, compare the main types of suburethral slings (retropubic/TVT and transobturator/TOT), and investigate the clinical outcomes of surgical treatments. The specific objectives were to describe the diagnostic evaluation process, compare the main types of suburethral slings, and investigate the clinical outcomes of surgical treatments. The methodology used was an integrative literature review with a qualitative narrative approach, with a total of twenty-eight articles found and the final selection of ten scientific articles.The search was conducted in the Virtual Health Library (BVS), covering the MEDLINE/PubMed, SciELO, and primarily the LILACS databases. The results show that the placement of synthetic slings constitutes the gold standard, demonstrating high clinical success rates, ranging between 80% and 95%. However, the analysis also highlights the crucial importance of a rigorous and individualized diagnostic evaluation that precedes the surgery. This personalized approach directly influences the choice of technique (TVT versus TOT) and optimizes patient satisfaction, minimizing the risks of postoperative complications. It is concluded that surgical intervention is safe and effective when the indication is guided by a detailed analysis of the woman’s clinical history and comorbidities.

Keywords: Stress Urinary Incontinence. Surgical Slings. Diagnostic Evaluation.

1. INTRODUÇÃO 

A incontinência urinária de esforço (IUE) é um distúrbio prevalente que afeta a qualidade de vida, especialmente das mulheres. Definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a perda involuntária de urina, a IUE é um sintoma isolado que atinge aproximadamente 27% da população global. A pesquisa de Moreira et al. (2024) reforça a compreensão da IUE não apenas como um sintoma, mas como uma condição médica reconhecida. Em 1998, a OMS incluiu a IUE na Classificação Internacional de Doenças (CID), solidificando seu status como uma enfermidade. Embora afete ambos os sexos, a IUE é mais comum em mulheres devido às alterações físico-funcionais associadas ao processo de envelhecimento. A condição impacta negativamente o bem-estar social e a higiene pessoal, sublinhando a necessidade de abordagens de tratamento e prevenção. 

Estudos de Rodrigues e Iamamoto (2022) demonstram que a IUE exerce um impacto significativo na qualidade de vida dos indivíduos afetados, especialmente nas mulheres. Essa condição compromete atividades diárias essenciais, prejudicando a rotina e o bem-estar geral. Além disso, os episódios de incontinência estão frequentemente associados a constrangimento social, disfunção sexual e diminuição do desempenho profissional, fatores que podem agravar ainda mais os efeitos psicológicos e emocionais da doença. O impacto multidimensional da incontinência exige uma abordagem terapêutica abrangente e personalizada, visando à melhoria da função urinária e à redução das consequências psicossociais. 

As consequências podem acarretar diversos tipos de constrangimentos no cotidiano do paciente, impactando de maneira significativa sua qualidade de vida. Entre os efeitos mais prevalentes, destacam-se o isolamento social, o estresse, a depressão, além do embaraço emocional e da diminuição da autoestima. Esses fatores podem gerar uma sensação de incapacidade, resultando em uma morbidade substancial, com comprometimento funcional e psicossocial (Duarte, 2023). 

A IUE é uma condição que pode afetar milhões de pessoas em todas as faixas etárias, com maior incidência entre mulheres e idosos. Os sintomas associados a essa enfermidade impactam significativamente a qualidade de vida dos indivíduos. Com o aumento da expectativa de vida da população, espera-se que a prevalência da IUE continue a crescer, tornando-se um desafio de saúde pública cada vez mais relevante (Izidro et al., 2021). 

A falta de um diagnóstico precoce está relacionada muitas vezes à ausência da procura por assistência, devido a muitos pacientes olharem a atual situação com certo constrangimento e, com isso, adiarem a busca por tratamento, em que, em muitos casos, existe a cura. Outra problemática é por essas pessoas acreditarem que a IUE é uma condição normal e resultado do processo de envelhecimento e não uma doença (Coelho, 2024). Quando analisamos a incidência da IUE, notamos variações. Um estudo com norueguesas mostrou que cerca de 25% das mulheres de 20 anos já apresentam incontinência urinária. No entanto, a prevalência é significativamente maior em faixas etárias mais avançadas, atingindo o pico entre mulheres de 80 a 89 anos (Moser et al., 2022). 

Os tratamentos para a IUE envolvem mudanças no estilo de vida, como o controle da ingestão de líquidos, exercícios de fortalecimento muscular do assoalho pélvico e reeducação vesical. Nos casos em que tratamentos conservadores não são eficazes, pode ser necessário recorrer a intervenções cirúrgicas (Abreu; Almeida; Souza, 2025). 

Entre as opções cirúrgicas, destacam-se a colocação de sling (tira de suporte) para mulheres com incontinência de esforço, a suspensão da bexiga para corrigir o prolapso, que trata de uma condição caracterizada pelo deslocamento e descida de um órgão pélvico, e a neuromodulação, que utiliza impulsos elétricos para melhorar a função da bexiga. Cada tipo de tratamento é individualizado conforme as características do paciente, visando à melhora da qualidade de vida e ao controle dos sintomas (Rocha et al., 2024). 

A medicina desempenha um papel crucial na identificação dos fatores responsáveis pela incontinência urinária, um distúrbio que afeta muitas pessoas, especialmente mulheres. A avaliação detalhada dos sintomas, histórico médico, exames clínicos e, quando necessário, exames complementares permite a compreensão precisa das causas subjacentes da condição, que podem incluir fraqueza muscular, problemas neurológicos, infecções urinárias ou alterações hormonais (Wibelinger et al., 2025). 

Com base nesse diagnóstico, os profissionais da saúde podem escolher o tratamento mais adequado, que varia desde abordagens conservadoras, como fisioterapia e medicamentos, até intervenções cirúrgicas, se necessário. A personalização do tratamento é essencial para promover a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e minimizar os impactos da incontinência urinária em suas rotinas diárias (Rocha et al., 2024). 

A incontinência urinária de esforço (IUE) é um problema comum em mulheres, especialmente após a gravidez e com o envelhecimento. Ela causa a perda de urina durante atividades físicas e ao realizar mínimos esforços como tossir, espirrar, rir, se agachar, afetando a qualidade de vida e gerando impactos físicos, emocionais e sociais. Apesar de tratamentos conservadores serem a primeira opção, muitas mulheres não buscam ajuda e, em casos mais graves, as cirurgias se tornam essenciais. A justificativa deste estudo é a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as indicações cirúrgicas para o tratamento da IUE, explorando os procedimentos, benefícios e riscos. A relevância da pesquisa está em fornecer uma visão detalhada para melhorar a tomada de decisão clínica, auxiliando profissionais de saúde a oferecerem um tratamento mais adequado e personalizado, desmistificando a cirurgia e ajudando a restaurar a qualidade de vida das pacientes. 

O objetivo principal deste estudo foi analisar as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para o tratamento da incontinência urinária feminina aos esforços, com base na literatura científica. Para isso, a pesquisa visou descrever o processo de avaliação diagnóstica como histórico clínico, exame físico e exames complementares que precedeu a indicação cirúrgica; comparou os principais tipos de slings suburetrais (retropúbico – TVT e transobturatório – TOT), destacando as vantagens e desvantagens de cada técnica; e investigou os resultados clínicos dos tratamentos cirúrgicos, incluindo taxas de sucesso, satisfação da paciente e as principais complicações pós-operatórias. 

2. METODOLOGIA  

O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, seguindo as seis etapas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008): elaboração da pergunta norteadora, busca ou amostragem na literatura, formação do banco de dados, avaliação dos estudos, discussão dos resultados e apresentação da revisão. A pesquisa foi realizada de junho a agosto de 2025. 

A pergunta norteadora foi elaborada utilizando a estratégia PICO (População: público feminino; Intervenção: indicações cirúrgicas; Desfecho: incontinência urinária aos esforços), resultando na seguinte questão: “Quais as indicações cirúrgicas para incontinência urinária feminina aos esforços?”. 

Para a coleta de dados, a busca foi efetuada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), incluindo as bases de dados LILACS, MEDLINE/PubMed e SciELO, garantindo uma cobertura abrangente da literatura. Foram utilizados os “Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) “Incontinência urinária”, “Mulheres” e “Indicações cirúrgicas”, combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos estudos originais publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra. Foram excluídos da amostra artigos de revisão, teses, dissertações e artigos com resumos indisponíveis ou não disponíveis na íntegra. 

A seleção dos artigos foi feita em duas etapas: inicialmente por meio da leitura de títulos e resumos, seguida pela leitura na íntegra para confirmar a elegibilidade. Os dados dos estudos selecionados foram extraídos e organizados em um quadro analítico, contendo informações como autores, ano, título, objetivos e conclusões. 

A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, por meio de leitura narrativa, em que o foco foi determinar as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para a incontinência urinária aos esforços. A análise concentrou-se nos critérios clínicos de avaliação diagnóstica, na comparação dos slings suburetrais (TVT e TOT), e na investigação dos resultados clínicos e das complicações pós-operatórias dos tratamentos. 

O processo de seleção dos estudos começou com uma busca em bases de dados eletrônicas. Foram identificados 28 artigos no total, provenientes das bases MEDLINE/PubMed, LILACS e SciELO. A distribuição inicial evidenciou que 14 artigos foram encontrados na LILACS, enquanto MEDLINE/PubMed e SciELO juntas forneceram os outros 14 artigos iniciais. Na primeira fase de triagem, 12 artigos foram excluídos por duplicidade, resultando em 16 estudos únicos. Posteriormente, esses 16 artigos restantes passaram pela triagem de títulos e resumos, na qual 6 artigos foram descartados por não se adequarem ao tema ou ao período de tempo estipulado. Concluídas as etapas de triagem e seleção, a amostra final foi composta por 10 artigos, com a seguinte distribuição de origem: LILACS (5), MEDLINE/PubMed (3) e SciELO (2). Os 10 estudos remanescentes foram lidos na íntegra, resultando na seleção final a todos os critérios de inclusão. A amostra final foi composta por estudos publicados entre 2019 e 2025, abrangendo diferentes desenhos metodológicos. Os achados principais de cada estudo estão detalhados na Tabela 1 nos resultados. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Esta análise apresenta e discute os resultados obtidos por meio da revisão integrativa da literatura. A análise dos estudos selecionados permitiu sintetizar as principais evidências científicas sobre os critérios de indicação cirúrgica, os tipos de procedimentos e as taxas de sucesso no tratamento da incontinência urinária de esforço (IUE), conforme detalhado nos parágrafos a seguir.

Tabela 1. Características dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre indicações cirúrgicas para incontinência urinária de esforço.

BASE DE DADOS ANO AUTOR TÍTULO OBJETIVO CONCLUSÃO 
MEDLINE/ Pub-Med 2019 HU, J. S.; PIERRE, E. F. Incontinência urinária em mulheres: avaliação e tratamento. Oferecer uma abordagem abrangente para a avaliação e o manejo da incontinência urinária (IU) em mulheres para o médico de atenção primária. A principal conclusão é que, com base em uma anamnese cuidadosa e um exame físico completo, o médico de atenção primária pode iniciar o tratamento eficaz para a maioria das pacientes com incontinência urinária sem a necessidade de testes invasivos ou referência imediata a um subespecialista. 
SciELO  2019 CASTRO, R. F. et al.  Comparação entre técnicas cirúrgicas para incontinência urinária de esforço. Analisar a prevalência de recidivas da Incontinência Urinária de Esforço (IUE) em pacientes tratadas com diferentes técnicas cirúrgicas. A conclusão indica que, para as técnicas cirúrgicas comparadas no estudo as taxas de recidiva da incontinência urinária de esforço entre as técnicas de Kelly-Kennedy (29,2%), Burch (39,1%) e Marshall-Marchetti Krantz (50%) não apresentaram diferença estatística significativa entre si. 
LILACS 2020 SOUZA, A. L. et al.   Complicações cirúrgicas no tratamento da incontinência urinária feminina. Sintetizar e analisar as principais complicações associadas aos diferentes tipos de procedimentos cirúrgicos utilizados para corrigir a incontinência urinária de esforço (IUE) em mulheres. A conclusão ressalta que, embora as cirurgias de sling suburetral sejam o padrão-ouro e apresentem altas taxas de sucesso, elas não são isentas de riscos. 
LILACS 2020 SILVA, T. G. et al.  Resultados clínicos do sling suburetral em mulheres com IUE. Avaliar a eficácia, segurança e os resultados funcionais (taxa de cura, complicações e impacto na qualidade de vida) do tratamento cirúrgico da IUE com o procedimento de sling suburetral de faixa média. A conclusão do estudo tipicamente reafirma a posição do sling como padrão ouro para o tratamento cirúrgico da IUE. 
MEDLINE / Pub-Med 2020 BRENNAND, E. A. et al. Duas técnicas intraoperatórias para o tensionamento do sling de uretra média: um ensaio clínico randomizado e controlado Avaliar se o uso de uma tesoura de Mayo como espaçador suburetral, comparado a uma pinça de Babcock segurando um laço da fita sob a uretra, resulta em diferentes taxas de desfechos vesicais anormais 12 meses após a cirurgia de sling suburetral retropúbico. Os desfechos anormais da bexiga foram 12,9% menos frequentes para mulheres com slings suburetrais tensionados pela Babcock. Ambas as técnicas proporcionaram uma cura para a IUE, conforme relatado pelas pacientes, comparável aos 12 meses. Mulheres com slings suburetrais tensionados pela Tesoura experimentaram mais intervenção para obstrução, enquanto aquelas com slings tensionados pela Babcock experimentaram taxas mais altas de erosão da tela. 
MEDLINE/ Pub-Med 2021 O’CONNOR, E. et al.  Diagnóstico e Manejo Não Cirúrgico da Incontinência Urinária O objetivo de nosso estudo é fornecer uma visão geral da avaliação inicial de pacientes com IU, incluindo a anamnese, o exame físico e as investigações básicas.Nossa revisão descreve as estratégias de manejo não cirúrgico para a IU, que incluem medidas conservadoras, terapias comportamentais e físicas, além do tratamento medicamentoso. Também examinaremos as diretrizes mencionadas e apresentaremos uma visão geral da literatura que abrange o diagnóstico e o manejo não cirúrgico da incontinência urinária.
LILACS  2021 MOURA, R. S. et al. Sling transobturatório: análise de
resultados em longo prazo 
Avaliar a taxa de cura subjetiva do sling transobturatório em longo prazo, incluindo a análise dos fatores de risco para falha e o impacto da experiência do cirurgião nos resultados. Desta forma esta revisão permitiu identificar fatores de riscos significativos com a interface do usuário em mulheres, e espera-se o aumento da autoestima e melhora do convívio social, resultando em uma melhor qualidade de vida para essas mulheres. 
SciELO 2021 BARBOSA, A. M. et al.   Sling associado à correção do prolapso genital: resultados funcionais. Avaliar os resultados funcionais e a segurança da realização simultânea da correção cirúrgica do prolapso genital e da cirurgia de sling. A conclusão deste tipo de estudo tende a ser a cirurgia combinada é um procedimento eficaz para o tratamento de pacientes que apresentam prolapso de órgão pélvico e incontinência urinária de esforço. 
LILACS 2021 OLIVETTO, M. M.; SILVA LIMA, B. E.;  DE ALEN-CAR, I.  A intervenção da fisioterapia no tratamento da incon-tinência urinária de esforço. Discutir a importância do papel do profissional fisioterapeuta no cuidado de mulheres com incontinência urinária de esforço. Entende-se que o fisioterapeuta e seus recursos têm um papel fundamental em auxiliar o tratamento de pacientes com incontinência urinária, principalmente para melhorar a qualidade de vida, fortalecer o assoalho pélvico e devolver o conforto para que possam realizar as tarefas diárias.
LILACS 2023 CALDAS, G. P.; RODRIGUES, E. U.; CAVALLI, R. C. Tratamento de incontinência urinária em mulheres. Analisar o resultado do tratamento de mulheres com incontinência urinária diagnosticadas por estudo urodinâmico verificando aderência ao tratamento e influência na qualidade de vida. As mulheres que realizam o tratamento completo e pelo tempo determinado tiveram maior índice de qualidade de vida em relação às que não realizaram. O tratamento que demonstrou melhor impacto na qualidade de vida foi cirúrgico associado à fisioterapia. 

Fonte: Bases, 2025. 

É fundamental ressaltar que este estudo utilizou um recorte temporal de dez anos (20152025) para garantir uma visão abrangente das contribuições mais recentes na área, o que se alinha com a necessidade de explorar a evolução do tema na última década. Contudo, ao analisar a distribuição dos artigos incluídos, observou-se uma escassez de publicações entre 2015 e 2019 que atendessem a todos os critérios metodológicos de inclusão. Embora a maior parte da literatura consolidada emergiu a partir de 2019. 

A decisão de realizar uma cirurgia para a IUE não é tomada de forma isolada. Ela é resultado de uma avaliação minuciosa da paciente, baseada em múltiplos fatores. De acordo com Olivetto, Silva Lima e Alencar (2021) e os autores Caldas, Rodrigues e Cavalli (2023), a escolha da intervenção cirúrgica é considerada, principalmente, quando as abordagens conservadoras (como fisioterapia e exercícios para o assoalho pélvico) e farmacológicas não foram eficazes em resolver os sintomas. 

Para a indicação da cirurgia ser feita, ela é posterior a um diagnóstico que inclui um processo de histórico clínico detalhado, com etapas que englobam a anamnese, exame físico e exames complementares. Na análise de Hu e Pierre (2019) e Hage‐Fransen et al. (2020), a anamnese é fundamental para entender a natureza, gravidade e frequência dos sintomas, além de identificar fatores de risco (como gravidez, obesidade, tabagismo e cirurgias prévias) e comorbidades que podem influenciar o tratamento. 

Durante o exame físico, é realizado um exame pélvico essencial para avaliar o assoalho pélvico e detectar prolapso de órgãos pélvicos. Conforme Am et al. (2021), é crucial realizar testes demonstrativos de incontinência, como o teste da tosse ou da manobra de Valsalva. Por fim, os exames complementares, como a uroanálise, podem ser solicitados para descartar infecção. Em casos mais complexos, Hu e Pierre (2019) e O’Connor et al. (2021) indicam o estudo urodinâmico para confirmar o diagnóstico de IUE, especialmente em pacientes com sintomas persistentes ou comorbidades neurológicas. 

É importante destacar que a individualização é um ponto-chave. Casos de obesidade, prolapso de órgãos pélvicos, falhas em cirurgias prévias ou outras comorbidades exigem uma análise mais criteriosa, e a cirurgia pode ser combinada com outros procedimentos, conforme observado por Barbosa et al. (2021). A avaliação e análise do caso são individualizadas e cada mulher tem sua particularidade. 

No caso das indicações cirúrgicas para o tratamento da IUE, elas evoluíram bastante nas últimas décadas. Segundo Feliciano et al. (2019), atualmente, o padrão-ouro é a colocação de slings sintéticos suburetrais, que se destacam pela sua alta eficácia. As principais abordagens para o sling uretral médio (SUM) são o sling retropúbico (TVT) e o sling transobturatório (TOT). De acordo com a análise de Hu e Pierre (2019) e Brennand et al. (2020), o sling retropúbico é o mais tradicional, realizado por via retropúbica, enquanto o sling transobturatório foi introduzido para reduzir as complicações do TVT, evitando o espaço de Retzius e inserindo o sling entre os forames obturadores. 

Além dos slings sintéticos, existem as operações de sling tradicionais que utilizam materiais biológicos ou sintéticos, buscando restaurar o suporte uretral e prevenir a perda de urina durante o esforço, como detalhado por Saraswat et al. (2020). Outra abordagem técnica é a colpossuspensão de Burch. Castro et al. (2019) explicam que essa alternativa é menos utilizada atualmente devido às vantagens dos slings, como menor tempo cirúrgico e de internação, e recuperação mais rápida. 

As técnicas cirúrgicas para IUE demonstram resultados promissores. Moura et al. (2021) e Silva et al. (2020) mostram que os slings suburetrais apresentam altas taxas de sucesso clínico, que variam entre 80% e 95% em um período de cinco anos após o procedimento. Além disso, Silva et al. (2020) relatam que os índices de satisfação das pacientes geralmente superam 85%. 

No que diz respeito à comparação entre os tipos de slings, o sling transobturatório tem mostrado resultados positivos. Com base nas análises de Hu e Pierre (2019) e Brennand et al. (2020), pacientes que se submeteram a essa abordagem tiveram menos impactos negativos na qualidade de vida, menos sintomas de urgência urinária e menos disfunção sexual, quando comparadas àquelas que receberam o sling retropúbico em análises de longo prazo. 

No entanto, é importante notar que a cirurgia não é isenta de riscos. Souza et al. (2020) e Castro et al. (2019) listam as possíveis complicações, que incluem perfuração vesical, dor pélvica crônica e retenção urinária transitória. A escolha da técnica deve levar em conta esses riscos, além de fatores como a recidiva dos sintomas e o impacto na função miccional. 

A partir da análise dos estudos, evidencia-se que a decisão e a escolha da técnica cirúrgica para o tratamento da incontinência urinária de esforço não podem ser baseadas apenas na eficácia do procedimento, mas devem ser precedidas por uma avaliação diagnóstica abrangente e rigorosa. Barbosa et al. (2021), Hu e Pierre (2019) e O’Connor et al. (2021) convergem no argumento de que a correta identificação do tipo de incontinência, dos fatores de risco, das comorbidades e da presença de outras condições, como o prolapso de órgãos pélvicos, é essencial para guiar a indicação cirúrgica e selecionar o procedimento mais adequado. 

Essa individualização na abordagem é fundamental para otimizar os resultados, elevando as altas taxas de sucesso já demonstradas na literatura e minimizando riscos e complicações, como retenção urinária ou dor pélvica, garantindo assim uma melhora significativa na qualidade de vida da paciente (Brennand et al., 2020; Castro et al., 2019; Souza et al., 2020). 

4. CONCLUSÃO 

O presente estudo atingiu seus objetivos ao analisar as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para a incontinência urinária de esforço (IUE). As evidências demonstram que as técnicas cirúrgicas, como a colocação de slings sintéticos suburetrais (TVT e TOT), apresentam alta eficácia e constituem o tratamento principal para pacientes refratárias a terapias conservadoras. 

A principal contribuição da pesquisa está na consolidação de que o sucesso terapêutico depende de um processo diagnóstico que antecede a cirurgia. A escolha da técnica cirúrgica mais adequada demanda uma avaliação individualizada do histórico clínico e das comorbidades da paciente. Em termos práticos, esta análise reforça que a personalização da abordagem otimiza os resultados clínicos a longo prazo e minimiza o risco de complicações pós-operatórias. O aprofundamento do conhecimento sobre as vantagens e desvantagens de cada sling é crucial para garantir a tomada de decisão compartilhada e informada entre médico e paciente. As evidências reforçam a necessidade de mais estudos comparativos diretos e de longo prazo, a fim de estabelecer diretrizes clínicas ainda mais específicas para cada perfil de paciente com IUE. 

REFERÊNCIAS 

ABREU, L.; ALMEIDA, T. A.; SOUZA, L. C. Intervenções fisioterapêuticas como tratamento da incontinência urinária em mulheres: uma revisão integrativa da literatura. Revista Amazônica de Ciências Médicas e Saúde, v. 1, n. 1, p. 133-143, 2025. 

ABREU, L. R. et al. Incontinência urinária feminina: prevalência e fatores de risco. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 42, n. 3, p. 147-153, 2020. 

AM, M. Evaluation and management of female urinary incontinence. The Canadian journal of urology, v. 28, n. S2, 2021. 

BARBOSA, A. M. et al. Sling associado à correção do prolapso genital: resultados funcionais. Femina, v. 49, n. 9, p. 485-491, 2021. 

BRENNAND, E. A. et al. Two Intraoperative Techniques for Midurethral Sling Tensioning. Obstetrics & Gynecology, v. 136, n. 3, p. 471–481, 5 ago. 2020. 

CALDAS, G. P.; RODRIGUES, E. U.; CAVALLI, R. C. Tratamento de incontinência urinária em mulheres. BioSCIENCE, v. 81, n. 2, p. 6-6, 2023. 

CASTRO, R. F. et al. Comparação entre técnicas cirúrgicas para incontinência urinária de esforço. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 65, n. 8, p. 1032-1038, 2019. 

COELHO, J. S. Avaliação do conhecimento, atitude e prática sobre a incontinência urinária e o impacto na qualidade de vida de mulheres praticantes de exercícios físicos. 2024. 117 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde da Mulher e da Criança) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2024.  

DUARTE, S. M. A. Incontinência urinária em praticantes femininas de halterofilismo e seu bem-estar: um estudo de caso. 2023. Tese de Doutorado. 

FELICIANO, J. P. et al. Sling sintético: padrão ouro no tratamento da incontinência urinária? Revista Urologia em Foco, v. 26, n. 2, p. 90-96, 2019. 

GIUSTI, J. L. et al. Epidemiologia da incontinência urinária feminina: um panorama nacional. Acta Obstet. Bras., v. 12, n. 1, p. 12-18, 2018. 

HAGE-FRANSEN, M. A. H. et al. Pregnancy- and obstetric-related risk factors for urinary incontinence, fecal incontinence, or pelvic organ prolapse later in life: a systematic review and meta-analysis. Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica, v. 100, n. 3, p. 373–382, 2 nov. 2020. 

HU, J. S.; PIERRE, E. F. Urinary Incontinence in Women: Evaluation and Management. American family physician, v. 100, n. 6, 2019. 

IZIDRO, K. et al. Incontinência urinária em dissertações e teses produzidas no cenário nacional: scoping review. In: Teoria e prática de enfermagem: da atenção básica à alta complexidade-volume 2. [S. l.]: [s. n.], 2021. p. 319-339. 

MOREIRA, R. A. et al. Validação de instrumento brasileiro para mapeamento dos fatores de risco e diagnóstico precoce de incontinência urinária feminina. Enfermería: Cuidados Humanizados, v. 13, n. 1, 2024. 

MOSER, B. A. et al. Incontinência urinária em idosos-tratamento e reabilitação. Anais do Seminário Científico do UNIFACIG, n. 4, 2022. 

MOURA, R. S. et al. Sling transobturatório: análise de resultados em longo prazo. Revista Uro, v. 39, n. 4, p. 213-218, 2021. 

O’CONNOR, E. et al. Diagnosis and Non-Surgical Management of Urinary Incontinence – A Literature Review with Recommendations for Practice. International Journal of General Medicine, v. 14, p. 4555–4565, ago. 2021. 

OLIVETTO, M. M.; SILVA LIMA, B. E.; DE ALENCAR, I. A intervenção da fisioterapia no tratamento da incontinência urinária de esforço. Research, Society and Development, v. 10, n. 12, p. e319101220568-e319101220568, 2021. 

ROCHA, G. C. et al. Incontinência urinária em idosos: uma revisão abrangente de epidemiologia, biopatologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento. Seven Editora, p. 65-79, 2024. 

RODRIGUES, B. M.; IAMAMOTO, R. C. T. Impacto na qualidade de vida de mulheres com incontinência urinária: estudo de revisão. Revista eletrônica do centro universitário de jales (REUNI), 2022. 

SARASWAT, L. et al. Traditional suburethral sling operations for urinary incontinence in women. Cochrane Database of Systematic Reviews, v. 2020, n. 1, 28 jan. 2020. 

SILVA, A. E. C. et al. Incontinência urinária de esforço na mulher: aspectos etiopatogênicos, métodos diagnósticos e manejo cirúrgico com técnicas de sling. Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 4, p. 13977-13990, 2023. 

SILVA, T. G. et al. Resultados clínicos do sling suburetral em mulheres com IUE. Ver. Bras. Ginecol. Obstet., v. 42, n. 8, p. 512-519, 2020. 

SOUZA, A. L. et al. Complicações cirúrgicas no tratamento da incontinência urinária feminina. Ver. Bras. Uroginecol., v. 13, n. 1, p. 55-61, 2020.

WIBELINGER, L. M. et al. Disfunções Musculoesqueléticas IX: Prevenção e Reabilitação. Conhecer, 2025.


1Discente de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.
2Discente de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.
3Discente de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.
4Discente de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.
5Docente graduado em Medicina pela Universidade da Paraíba (UFPB), mestre em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e professor do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.
6Docente Coordenadora do Núcleo de Acessibilidade Institucional vinculado ao curso de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ e Mestre em Educação Profissional e Tecnologia.