IMPORTÂNCIA DA INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA DERMATOFUNCIONAL NAS FASES PRÉ-OPERATÓRIA, TRANSOPERATÓRIA E PÓS-OPERATÓRIA DE CIRURGIAS ESTÉTICAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512221738


Izabele Kele da Silva Araujo
Orientadora: Janayne Ferreira do Nascimento
Coorientadora: Ana Claúdia Braga Barros


RESUMO

Objetivo: Este estudo apresenta uma revisão integrativa sobre a importância da intervenção fisioterapêutica dermatofuncional nas fases pré, trans e pós-operatória de cirurgias estéticas. Método: Este, utiliza a abordagem de revisão integrativa, onde foram reunidas informações sobre a crescente demanda por procedimentos cirúrgicos plásticos e a necessidade de cuidados que minimizem complicações, como edema, equimose, fibrose e alterações cicatriciais através da intervenção fisioterapêutica. A coleta de dados foi realizada nas seguintes bases de dados: SciELO, LILACS, Google Scholar e PubMed, considerando publicações entre 2014 e 2025. Resultado: Dos 40 estudos inicialmente identificados, nove atenderam aos critérios de inclusão. Onde demonstraram que a atuação fisioterapêutica, por meio de recursos como drenagem linfática manual, microcorrentes, laser, fotobiomodulação, taping e cinesioterapia, favorece a modulação da resposta inflamatória, reduz o tempo de recuperação, previne complicações e contribui para melhores resultados estéticos e funcionais. Conclusão: A atuação fisioterapêutica dermatofuncional desempenha papel essencial em todas as etapas perioperatórias, promovendo recuperação mais segura, rápida e eficaz.

PALAVRAS-CHAVE: Cirurgia plástica. Dermatofuncional. Fisioterapia. Lipoaspiração. Pós-operatório.

ABSTRACT

Objective: This study presents an integrative review on the importance of dermatofunctional physical therapy intervention in the preoperative, intraoperative, and postoperative phases of cosmetic surgeries. Method: An integrative review approach was used to gather information regarding the growing demand for plastic surgical procedures and the need for care that minimizes complications such as edema, ecchymosis, fibrosis, and scarring alterations through physical therapy intervention. Data collection was carried out in the following databases: SciELO, LILACS, Google Scholar, and PubMed, considering publications from 2014 to 2025. Result: Of the 40 studies initially identified, nine met the inclusion criteria. These studies demonstrated that physical therapy interventions—using resources such as manual lymphatic drainage, microcurrents, laser therapy, photobiomodulation, taping, and kinesiotherapy—help modulate the inflammatory response, reduce recovery time, prevent complications, and contribute to better aesthetic and functional outcomes. Conclusion: Dermatofunctional physical therapy plays an essential role in all perioperative stages, promoting safer, faster, and more effective recovery.

KEYWORDS: Dermatofunctional. Liposuction. Physical Therapy. Postoperative. Plastic Surgery.

1 INTRODUÇÃO

A palavra “plástica” é derivada do termo grego plastikos, que significa moldar ou modelar, e foi escolhida porque esta ciência tem como objetivo manipular e mover tecidos do corpo para um fim específico. Em termos gerais, a cirurgia plástica pode ser dividida em reconstrutiva (reparadora) e estética, que podem ser divididas em diversas outras especialidades. (Sociedade brasileira de cirurgia plástica, 2016).

A busca incessante pelo corpo ideal, aquele que atende às exigências do padrão de beleza socialmente imposto, afeta a todos os gêneros, raças e faixas etárias. Esta fez com que o Brasil se destaque como líder no ranking mundial de procedimentos cirúrgicos estéticos. Segundo a International Society of Aeshetic Plastic Surgery (ISAPS), no ano de 2024, o país realizou cerca de 3,1 milhões intervenções cirúrgicas e não-cirúrgicas legalmente realizadas no ano, ultrapassando os EUA na liderança de realização de procedimentos do gênero (Coltro, 2020).

O aumento na busca por cirurgias plásticas tem intensificado a atenção voltada para as etapas pré, trans e pós-operatórias. Nesse contexto, o atendimento ao paciente passou por uma reestruturação, reconhecendo que a obtenção de resultados cirúrgicos mais satisfatórios não depende apenas da atuação do cirurgião plástico, mas também do envolvimento de uma equipe multidisciplinar responsável pelos cuidados antes, durante e após o procedimento (Santos et al., 2020).

Segundo o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), a Fisioterapia é uma ciência da área da saúde voltada ao estudo, à prevenção e ao tratamento de disfunções cinético-funcionais que acometem órgãos e sistemas do corpo humano, decorrentes de alterações genéticas, traumas ou doenças adquiridas, atuando em todos os níveis de atenção à saúde.

A Fisioterapia Dermatofuncional, anteriormente conhecida como Fisioterapia aplicada à Estética, tem como principal foco o cuidado com a pele, mas sua atuação vai além, abrangendo a restauração, o desenvolvimento e a manutenção da capacidade físico-estéticofuncional. Essa especialidade intervém em distúrbios de origem endócrina, metabólica, dermatológica, linfática, circulatória, osteomioarticular e neurológica — sejam eles clínicos ou cirúrgicos —, que mantêm relação direta com o sistema tegumentar (COFFITO, 2011).

A Resolução COFFITO nº 394/2011 define e regulamenta as áreas de atuação da Fisioterapia Dermatofuncional, incluindo a sua aplicação no acompanhamento pré e pósoperatório de cirurgias plásticas. Nesse contexto, observa-se que essa especialidade tem ampliado significativamente seu campo de atuação e comprovado sua eficácia tanto em procedimentos estéticos quanto em intervenções cirúrgicas. Além de favorecer resultados estéticos mais satisfatórios, a fisioterapia dermatofuncional contribui para a prevenção de complicações, a promoção da recuperação funcional e a reabilitação do sistema tegumentar, aspectos que impactam positivamente a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes.

Durante o período pré-operatório, o fisioterapeuta tem como função avaliar as condições físicas, motoras e sensitivas previamente apresentadas pelo paciente, identificando possíveis alterações que possam interferir no resultado cirúrgico. Além disso, realiza intervenções específicas com o objetivo de preparar a área a ser operada, contribuindo para a prevenção de necroses, edemas e fibroses, bem como para a otimização do processo cicatricial. O profissional também orienta o paciente quanto aos cuidados necessários antes e após o procedimento, visando reduzir o risco de complicações, especialmente em casos que envolvem fatores predisponentes (Lange; Chi, 2018, p. 106).

O período pós-operatório tem início logo após a alta hospitalar ou clínica do paciente e, quanto mais precocemente for iniciada a fisioterapia, mais breve tende a ser essa fase (LANGE; CHI, 2018, p. 115). Nesse estágio, a intervenção fisioterapêutica apresenta-se de forma ampla e adaptada às necessidades de cada caso, com objetivos voltados à modulação do processo cicatricial, à prevenção e ao tratamento de intercorrências e possíveis complicações cirúrgicas, além de favorecer a recuperação funcional e otimizar os resultados obtidos com o procedimento cirúrgico (Carvalho; Oliveira, 2022).

A utilização de recursos como cinesioterapia, a eletrotermofototerapia, as terapias manuais e o taping é amplamente difundida na prática fisioterapêutica, contribuindo para resultados clínicos satisfatórios quando aplicados de forma adequada. A eficácia dessas técnicas está diretamente relacionada à definição precisa dos objetivos terapêuticos e à consideração da fase de reparo tecidual em que o paciente se encontra (Pegorare, 2021, p. 65).

Dentre os recursos utilizados na eletrotermofototerapia, destacam-se as microcorrentes, que auxiliam na redução da dor, estimulam o processo de cicatrização e favorecem o controle do edema. O laser de baixa potência tem como finalidade otimizar a resposta inflamatória, minimizar o acúmulo de líquidos intersticiais e acelerar a regeneração tecidual. A Intravascular Laser Irradiation of Blood (ILIB) também apresenta papel relevante, pois, além dos efeitos mencionados, tem se mostrado eficaz na diminuição da dor (MEYER et al., 2018). Outros recursos, como o LED vermelho e a radiofrequência, também são frequentemente empregados (LANGE; CHI, 2018). No que se refere à terapia manual, inclui-se a drenagem linfática manual, voltada à redução da congestão tecidual, e a mobilização tecidual, entre outras técnicas, as quais demonstram contribuir de maneira significativa para o processo de reabilitação no período pós-operatório.

Com base nas informações apresentadas acerca do papel da Fisioterapia Dermatofuncional no contexto pré e pós-operatório de cirurgias plásticas, o presente estudo tem como objetivo analisar a relevância dessa especialidade nas etapas que antecedem e sucedem os procedimentos cirúrgicos, tanto de caráter estético quanto reparador.

2 METODOLOGIA

A revisão de literatura tradicional ou narrativa consiste na coleta e síntese de resultados provenientes de pesquisas previamente realizadas (SNYDER, 2019). No presente estudo, optou-se pela revisão integrativa, modalidade que, alicerçada em bases teóricas e científicas, permite a reunião e análise de diferentes investigações sobre um tema específico, com o intuito de subsidiar e aprimorar a prática clínica. De acordo com Souza, Silva e Carvalho (2010), a elaboração desse tipo de revisão compreende seis etapas essenciais: definição da pergunta norteadora, busca e seleção da literatura, coleta dos dados, análise crítica dos estudos incluídos, discussão dos resultados e apresentação final da revisão.

O presente estudo teve como finalidade examinar a relevância da fisioterapia dermatofuncional nas etapas pré, trans e pós-operatória de cirurgias plásticas estéticas e reparadoras. Para tanto, realizou-se uma análise de produções científicas disponíveis nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Google Scholar e PubMed, contemplando artigos, teses e dissertações que abordam a temática, conforme os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos.

As palavras-chave foram escolhidas por meio de pesquisa através dos descritores:

cirurgia plástica, dermatofuncional, fisioterapia, lipoaspiração, pós-operatório,. As buscas dos artigos foram realizadas no período entre abril de 2024 e novembro de 2025. As pesquisas foram selecionadas inicialmente pelo título e pelo ano, e foram filtradas com leitura dos resumos, introdução e conclusão.

Os critérios de inclusão dos artigos foram trabalhos publicados nas línguas portuguesa e inglesa, no período entre 2014 e 2025 e que se relacionassem com a fisioterapia dermatofuncional nas cirurgias plásticas e com o reparo tecidual. Foram excluídos trabalhos publicados em outros idiomas, em forma de resumo e publicações não disponíveis gratuitamente.

Ao longo da realização do trabalho, foram abordados pontos essenciais relacionados ao tema e ao propósito definido. Todo o processo de revisão foi desenvolvido de maneira sistemática e ética, assegurando o devido reconhecimento das contribuições e dos resultados apresentados pelos autores analisados.

3 RESULTADOS

A amostra foi composta por nove artigos, sete publicados na língua portuguesa e dois na língua inglesa. Os anos com maior número de publicações foram 2014 e 2018 com dois estudos nos respectivos anos. Todos os artigos foram publicados no Brasil.

Quanto à base de dados, três foram encontrados no Google Scholar, dois na Scielo, dois no Lilacs e dois no Pubmed. Os artigos selecionados apresentaram como objetivo avaliar as evidências sobre importância da intervenção fisioterapêutica dermatofuncional nas fases pré-operatória, transoperatória e pós-operatória de cirurgias plásticas, como apresentado no quadro 1.

Quadro 1: Dados gerais dos estudos.

Autor, Ano, País, RevistaBase de dadosTítuloObjetivo
Chi et al. 2016. Brasil. Revista fisioterapia BrasilLilacsO uso do linfo-taping, terapia combinada e drenagem linfática manual sobre a fibrose no pós-operatório de cirurgia plástica de abdome.Identificar os efeitos de dois protocolos distintos no tratamento da fibrose secundária no pós-operatório de abdominoplastia e lipoaspiração de abdome.
Silva et al. 2014. Brasil. Revista científica da escola da saúde.Google ScholarAvaliação da fibrose cicatricial no pós-operatório de lipoaspiração e/ou abdominoplastia.Avaliar os efeitos do tratamento fisioterápico no pós-cirúrgico de lipoaspiração ou abdominoplastia quanto à presença de fibrose.
Santos et al. 2020. Brasil. Revista Brasileira de cirurgia plástica.ScieloPercepção das pacientes sobre a atuação profissional e os procedimentos realizados no pré, no intra e no pós-operatório de abdominoplastia.Analisar a percepção das pacientes sobre a atuação profissional e os procedimentos realizados no pré, no intra e no pós-operatório de abdominoplastia.
Chi, Marquetti e Dias. 2021. Brasil. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica.ScieloUso do taping linfático na prevenção da formação de equimoses em abdominoplastia e lipoaspiração.Avaliar a ocorrência de equimose de pacientes submetidas à abdominoplastia e/ou lipoaspiração tradicional de abdome e flancos, e correlacionar estatisticamente essas ocorrências com o tratamento de taping linfático no transoperatório.
Chi et al. 2018. Brasil. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica.LilacsPrevenção e tratamento de equimose, edema e fibrose no pré, trans e pós-operatório de cirurgias plásticas.  Propor uma abordagem inédita desde o pré, trans e pós- operatório para prevenir e minimizar as fibroses, edema intenso e equimoses, acelerando a recuperação do paciente e reduzindo o número de sessões.
Tecani et al. 2014. Brasil. Revista Brasileira de Ciências da Saúde.Google ScholarPrevalência e tratamento fisioterapêutico de deiscências da ferida operatória após cirurgias plásticas: análise retrospectiva.Verificar a prevalência de deiscências da ferida operatória e seu respectivo tratamento fisioterapêutico em pós- operatórios de cirurgia plástica.
Migotto e Simões. 2013. Brasil. Revista eletrônica gestão e saúde.Google ScholarAtuação fisioterapêutica dermatofuncional no pós-operatório de cirurgias plásticas.Identificar a incidência de cirurgias plásticas, conhecimento e reconhecimento da atuação fisioterapêutica dermatofuncional no pós- operatório.
Meyer et al. 2024. Brasil. Lasers Med Sci 39.PubmedAnalysis of modified ilib therapy in patients submitted to plastic surgery.Analisar os elementos da terapia ILIB modificada em pacientes submetidos a cirurgia plástica.
Ramos RM et al. 2018. Brasil. Aesthetic Plastic SurgeryPubmedPhotobiomodulation Improved the First Stages of Wound Healing Process After Abdominoplasty: An Experimental, DoubleBlinded, Nonrandomized Clinical Trial.Avaliar o efeito clínico da fotobiomodulação no processo de cicatrização pós-cirúrgica de feridas e analisar sua influência nos estágios de cicatrização para entender em que estágio é melhor aplicá-la. Esta investigação clínica comparou o tratado com o lado não tratado da cicatriz de pacientes que foram submetidos a uma abdominoplastia usando escalas de avaliação de cicatrizes, fotografias padronizadas e questionários subjetivos simples ao longo de um período de acompanhamento de 1 ano.
Silva e Ferreira. 2022. Brasil. Revista UNIBRÁS, v. 2, n. 2.Google ScholarBenefícios da cinesioterapia no pós operatório de cirurgia plástica.Avaliar, por meio de revisão bibliográfica, a importância da cinesioterapia no pós-operatório de cirurgias plásticas, destacando seu papel na prevenção de complicações e na recuperação funcional do paciente.

Fonte: Elaborado pelo Autor (2025).

Com relação aos tipos de estudo dos nove artigos selecionados, descritos também na tabela 2, três são de ensaios clínicos controlados, dois ensaios experimentais quantitativos, um estudo experimental de abordagem quantitativa e qualitativa, uma pesquisa do tipo observacional descritiva e retrospectiva, ensaios clínicos controlados e randomizados, um ensaio clínico randomizado, um se tratava de estudo transversal e observacional, um estudo retrospectivo por análise e um estudo por análise.

Todos os artigos apresentaram a fisioterapia e seus recursos como essenciais no processo de recuperação de cirurgias plásticas e no processo de reparo tecidual, além de um deles afirmar que a fisioterapia, sendo realizada no pré, trans e pós-operatório, reduz o tempo de sessões pós-operatórias e acelera o processo de cicatrização.

Quadro 2: Dados gerais dos estudos.

Autor/AnoBase de dadosDesfecho
Chi et al., 2016.Estudo experimental de abordagem quantitativa e qualitativa.Os protocolos propostos foram eficientes no tratamento de fibroses secundárias a cirurgias de abdominoplastia associada ou não à lipoaspiração.
Silva et al., 2014.Pesquisa do tipo observacional descritiva e retrospectiva.A intervenção precoce da Fisioterapia Dermatofuncional no pós-operatório favorece a reabilitação, promovendo uma modulação da resposta inflamatória, com gradual redução da fibrose na última avaliação.
Santos et al., 2020.Trata-se de um estudo transversal e observacional.A maior parte das pacientes não realizou procedimentos pré-operatórios e realizou pós-operatório iniciado após 1 a 3 dias, com fisioterapeuta, por indicação de um conhecido, com frequência de três vezes na semana, pela queixa de edema, sendo que os procedimentos mais realizados foram a drenagem linfática manual e o ultrassom terapêutico.
Chi, Marquetti e Dias, 2021.Ensaio clínico controlado.O uso do taping linfático no transoperatório de abdominoplastia e lipoaspiração, reduziu ou anulou a formação de equimose no pós- operatório, contribuindo para a diminuição do número de atendimentos fisioterapêuticos, incidência de quadro álgico e acelerando, assim, o restabelecimento dos pacientes no pós-operatório das cirurgias de abdominoplastia e/ou lipoaspiração.
Chi et al., 2018.Ensaio clínico controlado.O tratamento no pré, trans e pós-operatório reduz o edema, a formação de equimose, principalmente, a formação de fibrose no pós-operatório. Também diminui o número de sessões fisioterapêuticas e acelera o restabelecimento do paciente no pós- operatório das cirurgias abdominais.
Tecani et al., 2014.Estudo retrospectivo por análise.A prevalência das deiscências foi elevada, ocorrendo em 9,8% dos pacientes estudados, e todos apresentaram fechamento completo das deiscências por meio do tratamento fisioterapêutico realizado com alta frequência ou ultrassom terapêutico.
Migotto e Simões, 2013.Estudo por análise.Os médicos não apenas conhecem a importância da fisioterapia dermatofuncional, como também encaminham seus pacientes para o tratamento pós-operatório valorizando os recursos fisioterapêuticos empregados e reconhecendo-os como importantes no processo de reabilitação de seus pacientes.
Meyer et al. 2024Ensaio clínico experimental quantitativo.O estudo demonstrou que a terapia ILIB modificada promoveu melhora nos parâmetros hemodinâmicos, como redução da frequência cardíaca e melhor controle da pressão arterial, além de elevar a saturação periférica de oxigênio. Os pacientes tratados também apresentaram redução mais acentuada da dor, medida pela Escala de McGill. Os autores sugerem, ainda, que a técnica pode ter contribuído para evitar a progressão da fibrose, embora esse achado necessite de estudos adicionais para confirmação. Em contrapartida, não foram observadas melhorias relevantes no sono ou nos níveis de ansiedade.
Ramos RM et al. 2018Ensaio clínico experimental quantitativo.O estudo avaliou o efeito da fotobiomodulação por LED na qualidade da cicatriz de pacientes submetidas à abdominoplastia, tendo como desfecho principal a comparação entre o lado tratado e o lado controle. Os resultados mostraram que o tratamento promoveu uma melhora significativa da cicatriz nos primeiros meses, evidenciada pelas escalas VSS e POSAS, pela análise fotográfica e pela mensuração da área cicatricial. Entretanto, após um ano de acompanhamento, as diferenças entre os lados não foram mais observadas, indicando que o benefício da fotobiomodulação ocorre principalmente nas fases iniciais do processo de cicatrização
Silva e Ferreira, 2022.  Revisão de literatura.  O estudo conclui que a cinesioterapia é essencial no pós-operatório de cirurgias plásticas, pois reduz complicações como dores, contraturas, alterações posturais e limitações de movimento, além de melhorar a expansibilidade pulmonar e favorecer uma recuperação mais rápida e funcional. A intervenção fisioterapêutica adequada contribui para restaurar a biomecânica corporal, prevenir deformidades e garantir que o paciente retorne às suas atividades diárias com segurança, reforçando a importância de uma avaliação individualizada e de condutas específicas para cada caso.

Fonte: Elaborado pelo Autor (2025).

4 DISCUSSÃO           

De acordo com Guirro e Guirro (2002), a fisioterapia dermatofuncional baseia-se em fundamentos científicos consistentes e exerce papel essencial nas fases pré e pós-operatória, atuando na prevenção e no tratamento de complicações decorrentes das intervenções cirúrgicas, como edemas recorrentes, fibroses e formações cicatriciais resultantes do trauma tecidual.

Dessa forma, Migotto e Simões (2013) enfatizam que, mesmo quando executada de maneira adequada, a cirurgia pode causar alterações nos tecidos. Os autores salientam a necessidade de considerar diferentes alternativas terapêuticas a fim de reduzir possíveis efeitos adversos. Nesse contexto, a fisioterapia pós-operatória tem como propósito promover a reparação tecidual, favorecer a adaptação corporal e acelerar o processo de cicatrização, contribuindo para a recuperação integral do paciente. Essa abordagem está em consonância com as orientações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que recomenda a atuação do fisioterapeuta nos cuidados pós-operatórios de cirurgias plásticas.

Conforme Chi et al. (2016), as cirurgias de abdominoplastia e lipoaspiração figuram entre os procedimentos plásticos com maior predisposição a complicações, como fibrose, edema acentuado e equimoses. Diante dessas ocorrências, a atuação do fisioterapeuta dermatofuncional torna-se indispensável. Para minimizar tais riscos, é fundamental a realização de uma avaliação minuciosa, voltada à identificação das necessidades e particularidades de cada paciente, abrangendo aspectos como trofismo cutâneo e muscular, presença de edema, qualidade da cicatrização, níveis de dor e alterações de sensibilidade.

Silva et al. (2014) realizaram um estudo que investigou os efeitos da fisioterapia no período pós-operatório de lipoaspiração, com foco na formação de fibrose. A pesquisa analisou 23 prontuários de pacientes submetidos ao tratamento fisioterapêutico conforme o protocolo da PANFIC. Além da fibrose, foram avaliados sinais clínicos como edema e equimose, observando-se que, em média, o início da fisioterapia ocorreu no quarto dia após a cirurgia — o que caracteriza uma intervenção precoce, favorecendo a recuperação e aprimorando os resultados cirúrgicos. As técnicas empregadas incluíram endermoterapia, massagem tecidual e radiofrequência, voltadas principalmente para a modulação da resposta inflamatória e o controle da formação de fibrose.

Nos últimos anos, observa-se um crescente interesse dos fisioterapeutas na busca por abordagens terapêuticas eficazes a serem aplicadas nos períodos pré, trans e pós-operatório, visando à prevenção e ao tratamento de possíveis complicações (Chi et al., 2018). Nesse sentido, Santos et al. (2020) destacam que a fisioterapia realizada antes da cirurgia auxilia na redução do edema, dos hematomas e da formação de tecido cicatricial, além de diminuir o número de sessões necessárias no pós-operatório e acelerar o processo de recuperação do paciente. Entre os recursos utilizados, incluem-se a drenagem linfática manual, as técnicas de eletrotermofototerapia e o uso de taping na área operada.

Além disso, de acordo com Chi et al. (2018), também foram fornecidas orientações nutricionais que incluíam uma dieta de baixa carga glicêmica, associada ao uso de suplemento nutricosmético antiglicante oral — composto por Exsynutriment®, Glicoxyl® e Bioarct® (100 mg de cada, totalizando 30 cápsulas, com administração de uma cápsula diária) — e de um produto antiglicante tópico (Alistin® 10%, 30 g, aplicado duas vezes ao dia na área a ser operada). Essas recomendações, destinadas a serem seguidas por 30 dias ou até o término dos produtos, tiveram como objetivo favorecer o controle da inflamação e reduzir o estresse oxidativo.

Nos últimos anos, o uso do taping no período trans e pós-operatório de cirurgias plásticas tem se expandido significativamente, em razão dos resultados positivos observados quanto à redução e prevenção de equimoses, edemas, dor e fibrose, além de contribuir para a aceleração do processo de cicatrização. Esse recurso também tem se mostrado eficaz na promoção de uma recuperação mais rápida dos pacientes, reduzindo a necessidade de atendimentos fisioterapêuticos (Chi, Marquetti e Dias, 2021).

No pós-operatório de abdominoplastia, com ou sem lipoaspiração, a fisioterapia utiliza diferentes recursos, como ultrassom terapêutico de 3 MHz, com variações de intensidade e potência conforme a tolerância do paciente e tempo de aplicação definido pelo protocolo ou pela área tratada (TACANI et al., 2014; MASSON et al., 2014; CHI et al., 2016; SANTOS et al., 2020). Também são empregados microcorrentes, corrente Aussie, radiofrequência, drenagem linfática manual pelo método Leduc e aplicação de taping ajustado ao tipo de alteração presente, como edema, equimose ou fibrose (CHI et al., 2016; CHI et al., 2018; SANTOS et al., 2020).

Segundo Pirola; Battiston; Giusti, 2011, outros recursos auxiliam no pós-operatório, como o laser de baixa intensidade, ele é um recurso de alta tecnologia, que pode ser usado nas primeiras 24 horas para reduzir a dor e acelerar a cicatrização, corroborando com o ensaio clínico de Ramos RM et al. 2019, que identificou a fotobiomodulação como benéfica na qualidade da cicatriz entre o primeiro e o sexto mês. A fotobiomodulação também se mostrou benéfica de forma sistêmica, 24 horas após o procedimento. E segundo Meyer et al, 2024 a terapia ILIB (Intravascular Laser Irradiation of Blood) melhorou a hemodinâmica e o quadro álgico dos pacientes submetidos a cirurgia plástica.

Entre as novas terapias, encontramos a ozonioterapia, uma técnica que melhora o suprimento de oxigênio tecidual, estimulando a microcirculação e regeneração dos tecidos por sua ação imunológica, reduz a adesão plaquetária e atua como analgésico e antiinflamatório. Estimula o crescimento do tecido de granulação e, ao interagir com fluídos orgânicos, forma moléculas reativas de oxigênio que influenciam o metabolismo celular. Isso facilita a reparação tecidual, promove o crescimento do tecido epitelial, inibe o crescimento bacteriano e tem efeitos antimicrobianos e fungicidas (Damasceno; Lima; Macedo, 2022; Marchesini; Ribeiro, 2020).

A relevância das intervenções fisioterapêuticas no pré, trans e pós-operatório é evidenciada pela sua capacidade de minimizar complicações decorrentes da lipoabdominoplastia. No pós-operatório imediato, estratégias como exercícios respiratórios auxiliam na preservação da mobilidade torácica e da função pulmonar, além de contribuírem para a redução da pressão intra-abdominal durante o ato cirúrgico, conforme apontado por Santos et al. (2020).

Em consonância com esses achados, Silva e Ferreira (2022) destacam que a cinesioterapia exerce papel fundamental na prevenção de alterações posturais, contraturas musculares e limitações de amplitude de movimento após cirurgias plásticas, favorecendo uma recuperação mais rápida, segura e funcional.

5 CONCLUSÃO

Os resultados desta revisão confirmam a importância crucial da fisioterapia no pré, trans e pós-operatório de cirurgias plásticas estéticas, pois contribui para a cicatrização, alivia a dor, reduz edemas e facilita a absorção de hematomas e seromas. Isso resulta na minimização de desconfortos e na prevenção de complicações após a cirurgia.

A pesquisa revelou uma variedade de recursos utilizados para reduzir alterações cicatriciais. No entanto, é fundamental que o fisioterapeuta conduza uma avaliação minuciosa do paciente para selecionar o método mais adequado para ele, garantindo uma recuperação rápida, eficaz e funcional. Os resultados desta revisão evidenciam a extrema importância da fisioterapia no pré, trans e pós-operatório de cirurgias plásticas.

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