IMPACTOS DO ESTILO DE VIDA SOBRE O ENCURTAMENTO DOS TELÔMEROS E SUA RELAÇÃO COM O DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS.

IMPACTS OF LIFESTYLE ON TELOMERE SHORTENING AND ITS RELATIONSHIP WITH THE DEVELOPMENT OF CHRONIC DISEASES.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512171120


Ana Carolina De Lima Rosa1; Emily Raquel Sousa dos Santos1; Joana Aparecida de Souza Morais1; Lívia Vitória Furtado Melo Melo1; Maria De Fátima Mendes Martins1; Raianny Grangeiro de Lacerda1; Raíssa Evellyn Lins Couras1; Suziane Dos Anjos Nascimento1; André Muritiba Araújo2; Tâmara Trindade De Carvalho Santos3


Resumo 

Este estudo realiza uma revisão sistemática para investigar como o estilo de vida  influencia o encurtamento dos telômeros e de que forma essa relação se associa ao  desenvolvimento de doenças crônicas. Telômeros encurtados representam um  marcador de envelhecimento biológico e podem ser alterados por fatores ambientais  e comportamentais. A busca foi realizada nas bases BVS, LILACS e MEDLINE,  utilizando descritores específicos e critérios definidos previamente. Os estudos  selecionados mostram que hábitos como tabagismo, consumo elevado de álcool,  sedentarismo, alimentação desequilibrada, estresse contínuo e alterações do sono  aceleram a perda telomérica. Alguns comportamentos saudáveis, especialmente  prática regular de atividade física, alimentação adequada e manejo do estresse,  demonstram potencial de preservar o comprimento dos telômeros. Também foi  observado que telômeros mais curtos estão associados a maior risco de doenças  crônicas, incluindo esclerose múltipla, doença hepática gordurosa não alcoólica e síndrome metabólica. Esses achados reforçam a importância dos telômeros como  biomarcadores de saúde e envelhecimento. O conjunto das evidências aponta para a  relevância de mudanças sustentadas no estilo de vida como estratégia de prevenção.  Estudos futuros ainda são necessários para esclarecer os mecanismos envolvidos e  avaliar intervenções voltadas à preservação do envelhecimento celular. 

Palavras-chave: Telômeros. Encurtamento telomérico. Estilo de vida.  Envelhecimento celular. Doenças crônicas. 

1. INTRODUÇÃO 

Os telômeros são regiões repetitivas de DNA localizadas nas extremidades dos  cromossomos e desempenham um papel essencial na proteção da estabilidade  genômica durante a divisão celular. A redução progressiva dessas estruturas é um  fenômeno fisiológico do envelhecimento biológico, porém sua taxa de desgaste pode  variar conforme características metabólicas, ambientais e comportamentais do  indivíduo (BORSON; ROMANO, 2020). Outro determinante importante, corresponde  à ação da telomerase, enzima responsável por recuperar o comprimento dos  telômeros e reduzir seu desgaste. Essa variabilidade tem despertado interesse  crescente, sobretudo pela associação entre encurtamento telomérico, inflamação  sistêmica e maior suscetibilidade ao desenvolvimento de doenças crônicas. 

Na presença de disfunções na telomerase ou de processos que aceleram o  desgaste telomérico. Nas telomeropatias, a enzima não funciona adequadamente e o  encurtamento dos telômeros ocorre mais rapidamente que o normal. Como  consequência, as células perdem sua capacidade de proliferação e funcionamento.  O encurtamento dos telômeros tem sido amplamente associado a diversas doenças  crônicas, incluindo fibrose pulmonar e hepática, doenças cardiovasculares, diabetes  mellitus tipo 2 e condições inflamatórias persistentes. Entre as manifestações mais  graves estão a falência da medula óssea, que compromete a produção de células  sanguíneas, e a fibrose pulmonar ou hepática (GOMES et al., 2022). 

Dentre as células que necessitam de replicação constante, as células-tronco  hematopoéticas tornam-se um destaque, uma vez que o fenômeno do esgotamento  da medula, compromete a produção de células sanguíneas, favorecendo o  desenvolvimento de alterações hematológicas importantes, como falência medular,  citopenias e distúrbios imunológicos, favorecendo o envelhecimento celular precoce  e diminuindo a reserva funcional da medula (GOMES et al., 2022). Assim, a falência medular e as citopenias não são apenas doenças primárias, mas também potenciais  consequências de processos crônicos. 

Evidências apontam que o estresse oxidativo desempenha papel central nesse  processo. Martínez-Ezquerro et al. (2019) observaram que níveis aumentados de  dano oxidativo ao DNA se relacionam à redução do comprimento dos telômeros em  adultos, sugerindo que o ambiente celular exerce influência direta sobre essas  estruturas. Condições como obesidade, disfunções metabólicas e estados  inflamatórios de baixa intensidade parecem intensificar esse desgaste ao longo da  vida, indicando uma interação entre fatores fisiológicos e comportamentais. 

A prática regular de atividade física surge como possível fator protetor,  associando-se a menor atrito telomérico e a perfis inflamatórios mais favoráveis,  embora essa relação varie entre populações e metodologias (ARSENIS et al., 2017).  Intervenções combinadas que envolvem alimentação e exercícios apresentam  achados consistentes. Martí et al. (2023), ao analisarem dados do ensaio  PREDIMED-Plus, identificaram menor risco de encurtamento telomérico em mulheres  submetidas à dieta mediterrânea com restrição energética associada ao aumento da  atividade física, reforçando o papel de comportamentos modificáveis na modulação  do envelhecimento celular. 

Por outro lado, fatores nocivos como tabagismo, consumo elevado de álcool e  inatividade física mostram associação reiterada com telômeros mais curtos em  diferentes grupos populacionais. Vyas et al. (2021) destacam que essas relações  apresentam variações conforme sexo e etnia, o que sugere mecanismos biológicos e  sociocomportamentais distintos. Além disso, pesquisas indicam que indivíduos com  determinadas doenças crônicas, como esclerose múltipla, exibem telômeros  significativamente menores, possivelmente devido à inflamação persistente  característica da condição (BÜHRING et al., 2021). 

Diante da amplitude de fatores envolvidos, compreender como hábitos de vida  influenciam o encurtamento dos telômeros é fundamental para elucidar mecanismos  associados ao envelhecimento celular e ao risco de doenças crônicas. Esta revisão  sistemática busca sintetizar as evidências recentes sobre a relação entre estilo de  vida, desgaste telomérico e desenvolvimento de condições crônicas em adultos,  oferecendo uma análise integrada de estudos publicados nos últimos anos. 

2. METODOLOGIA  

Este estudo consiste em uma revisão sistemática de artigos relacionados aos impactos do estilo de vida sobre o encurtamento dos telômeros e sua associação com  o desenvolvimento de doenças crônicas e degenerativas. A revisão sistemática busca  responder a uma questão de pesquisa específica e clara, utilizando métodos  explícitos e rigorosos para identificar, selecionar, avaliar criticamente e sintetizar as  evidências relevantes de estudos primários publicados, a fim de obter um sumário  abrangente, imparcial e confiável sobre o tema (SAMPAIO; MANCINI, 2007). 

O levantamento dos artigos iniciou-se com a definição da questão norteadora:  “Qual é a influência do estilo de vida sobre o encurtamento dos telômeros e sua  associação com o desenvolvimento de doenças crônicas e degenerativas?”. Os  descritores foram identificados no site Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e  no Medical Subject Headings (MeSH). As combinações de busca aplicadas foram:  (“Lifestyle” OR “Life Habits”) AND (“Telomeres” OR “Telomere Shortening”) AND  (“Risk Factors” OR “Chronic Diseases” OR “Aging”); (“Estilo de vida” OR “Hábitos de  vida”) AND (“Telômeros” OR “Encurtamento de telômeros”) AND (“Doenças crônicas”  OR “Envelhecimento precoce”). 

As buscas foram realizadas nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde  (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e  Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), no mês de  setembro de 2025.  

Para garantir transparência no processo de seleção, foi elaborado um  fluxograma, conforme ilustrado na Figura 1, descrevendo todas as etapas da triagem.  Inicialmente, foram identificados 262 estudos. Após a remoção de duplicatas,  procedeu-se à leitura de títulos e resumos. Em seguida, os artigos potencialmente  elegíveis foram avaliados na íntegra. Ao final desse processo, um número reduzido  de estudos foi incluído para a síntese qualitativa, conforme representado no  fluxograma. As etapas do diagrama permitem visualizar, de forma clara e objetiva, a  quantidade de estudos excluídos em cada fase e as justificativas correspondentes. 

Foram adotados os seguintes critérios de inclusão: (i) artigos publicados entre  2018 e 2025; (ii) estudos com população adulta (≥18 anos); (iii) pesquisas que  avaliassem a relação entre estilo de vida e comprimento telomérico; (iv) publicações  nos idiomas português, inglês ou espanhol; e (v) estudos observacionais,  transversais, de coorte ou revisões sistemáticas. 

Foram excluídos os estudos que: (i) foram publicados antes de 2018; (ii)  envolveram populações pediátricas ou idosas com doenças degenerativas avançadas; (iii) não apresentaram mensuração direta do comprimento telomérico; (iv)  não abordaram diretamente a relação entre estilo de vida e telômeros; e (v) duplicatas,  editoriais, cartas ao editor e relatos de caso. 

Ao todo, foram encontrados 262 artigos nas referidas bases de dados. Após a  leitura dos títulos e resumos e a exclusão dos estudos que não atendiam aos critérios  de inclusão, 56 artigos foram selecionados para leitura completa. Desses, 10 artigos  foram incluídos na análise final para compor os resultados e a discussão. 

Figura 1. Fluxograma da Seleção de Artigos 

Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.

Para a análise quantitativa dos dados e a avaliação da força das associações,  foram utilizadas diversas métricas estatísticas reportadas pelos estudos primários. A  Randomização Mendeliana (MR) foi empregada em estudos-chave para inferir a  causalidade entre predisposições genéticas (utilizadas como variáveis instrumentais)  e o Comprimento dos Telômeros de Leucócitos (LTL), mitigando o risco de viés de  confusão inerente a estudos observacionais. A magnitude da associação e do risco  foi quantificada por meio do Odds Ratio (OR) (razão de chances) e do Hazard Ratio  (HR) (risco relativo no acompanhamento), em que valores superiores a 1,0 indicam  aumento do risco/associação, e valores inferiores a 1,0 sugerem efeito protetor. A  Diferença Média Padronizada (SMD) foi utilizada para sumarizar e homogeneizar as  diferenças no LTL entre os grupos de estudo, sendo um indicador crucial em meta análises. O Coeficiente Beta (Beta Ajustado) forneceu a direção e a força do efeito de  variáveis preditoras no LTL. A precisão dessas estimativas foi determinada pelo  Intervalo de Confiança de 95% (IC 95%), e a significância estatística foi estabelecida  por um valor de p < 0,05. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Para facilitar a compreensão dos resultados, os termos técnicos mais importantes foram explicados no quadro 1.

Quadro 1: siglas e termos técnicos importantes

Sigla Significado 
TL / LTL Comprimento dos Telômeros (TL) ou Comprimento dos Telômeros  de Leucócitos (LTL): São as capas protetoras de DNA nas  extremidades dos cromossomos. O encurtamento do TL é um  biomarcador de envelhecimento biológico. O LTL é medido nas  células de defesa (leucócitos) do sangue. 
MR Randomização Mendeliana (Mendelian Randomization): Um método  de análise estatística que utiliza variações genéticas (SNPs— Polimorfismos de Nucleotídeo Único) como “variáveis instrumentais”  para testar se uma exposição (como o tabagismo) causa um  resultado (como o encurtamento do TL). Isso ajuda a inferir  causalidade, superando as limitações de estudos observacionais. 
OR Razão de Chances (Odds Ratio): Uma medida que compara a  chance de um evento (ex: ter telômeros curtos) em um grupo  exposto (ex: fumantes) em relação a um grupo não exposto (ex: não  fumantes). Um OR menor que 1.0 indica um efeito protetor (ou, neste  contexto, uma associação negativa).
NAFLD Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (Non-Alcoholic Fatty  Liver Disease): Distúrbio metabólico caracterizado pelo excesso de  gordura no fígado. 
Fragilidade  (FrailtyUma síndrome biológica que representa a perda de reserva  fisiológica e resistência a estressores, aumentando a vulnerabilidade  a eventos adversos. 
EDSS Escala Expandida do Estado de Incapacidade (Expanded Disability  Status Scale): Usada para quantificar o grau de incapacidade  neurológica de pacientes com Esclerose Múltipla (MS). 
CRP Proteína C Reativa: Um biomarcador de inflamação sistêmica. 
MVPA Atividade Física Moderada a Vigorosa (Moderate-to-Vigorous  Physical Activity): Categorização da intensidade do exercício. 
erMedDiet Dieta Mediterrânea com Restrição Energética (Energy-Reduced  Mediterranean Diet): Uma dieta baseada no padrão mediterrâneo, mas com foco em perda de peso (restrição calórica). 
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.

A análise dos estudos selecionados para esta revisão sistemática identifica o  comprimento dos telômeros de leucócitos (LTL) como um biomarcador fundamental  do envelhecimento biológico. Observa-se que o LTL não é estático, pois sofre um  encurtamento progressivo natural associado à idade cronológica, estimado em cerca  de 50 a 70 pares de bases por ano. Este declínio é notavelmente mais acentuado em  indivíduos do sexo masculino (MOIX et al., 2024). Contudo, além do processo natural  de envelhecimento, evidências robustas demonstram que fatores comportamentais e  de estilo de vida modulam significativamente essa dinâmica, acelerando ou  desacelerando a atração telomérica.  

No que tange aos fatores de risco modificáveis, estilos de vida prejudiciais  exercem um impacto deletério direto sobre a integridade dos telômeros, operando  principalmente através de inflamação e estresse oxidativo. O tabagismo apresentou  uma forte associação causal com o encurtamento do LTL. A predisposição genética  ao tabagismo ao longo da vida correlaciona-se robustamente com telômeros mais  curtos, uma relação que se mantém consistente mesmo após ajustes para  comorbidades como diabetes e índice de massa corporal (IMC) (CHEN et al., 2024;  MOIX et al., 2024). Da mesma forma, o consumo semanal de álcool foi identificado  como um fator causal para a redução do LTL (CHEN et al., 2024).  

A obesidade emerge como um dos fatores mais críticos nesse contexto.  Estudos indicam uma relação causal inversa entre obesidade e o comprimento dos  telômeros (MOIX et al., 2024). A gravidade dessa associação é evidenciada em  cenários de multimorbidade, onde a obesidade eleva em 2,73 vezes o risco de  encurtamento do LTL associado ao desenvolvimento simultâneo de múltiplas doenças  crônicas. Esse impacto superou, inclusive, a influência de outros fatores de risco  clássicos, como o tabagismo e a inatividade física (KIVIMÄKI et al., 2024).  Adicionalmente, fatores psicológicos e metabólicos desempenham papéis relevantes:  a predisposição genética à insônia e níveis elevados de estresse psicológico foram  ligados a telômeros mais curtos, embora a duração do sono em si não tenha mostrado  efeito causal (CHEN et al., 2024). Metabolicamente, níveis elevados de urato (ácido úrico) também foram identificados como causadores da redução do LTL (MOIX et al.,  2024).  

Em contrapartida, a adoção de hábitos saudáveis revelou um potencial protetor  e restaurador sobre a biologia telomérica. A prática de atividade física moderada a  vigorosa (MVPA) demonstrou uma associação causal sugestiva com a preservação  do comprimento dos telômeros, visto que pode reduzir a inflamação crônica e o  estresse oxidativo, atenuando o encurtamento telomérico. Entretanto, é importante  notar que, em populações já acometidas por disfunções crônico-degenerativas, como  diabetes e obesidade, ainda não há clareza se o exercício, isoladamente, é suficiente  para atenuar esse encurtamento de forma significativa (SILVA et al., 2018).  

Um achado particularmente relevante desta revisão é a especificidade da  resposta biológica baseada no sexo do indivíduo frente a intervenções nutricionais e  de estilo de vida. Dados do ensaio clínico PREDIMED-Plus, um estudo randomizado,  de longa duração e grande escala, revelaram que uma intervenção intensiva  combinando Dieta Mediterrânea com atividade física resultou em um aumento real do  LTL após três anos, mas esse benefício foi exclusivo para as mulheres. Enquanto o  grupo feminino na intervenção obteve um ganho de 0,25 unidades relativas no LTL,  contrastando com o encurtamento observado no grupo controle, os homens não  apresentaram diferenças significativas (MARTI et al., 2023). Esse padrão foi  corroborado pela análise do Balanço Oxidativo (OBS), índice que mede a exposição  a fatores pró-oxidantes e antioxidantes. Um OBS mais alto, indicando predominância  de exposição a antioxidantes na dieta e estilo de vida, associou-se positivamente a  telômeros mais longos apenas em mulheres (ZHANG et al., 2022). Esses resultados  sugerem que mecanismos hormonais e metabólicos femininos podem oferecer maior  capacidade de modulação do envelhecimento celular via estilo de vida.  

A análise dos dados confirma que o LTL atua não apenas como um marcador  biológico de envelhecimento celular, mas também como um fator prognóstico e um  elo mecanicista na patogênese de diversas condições crônicas. Na Esclerose Múltipla  (EM), pacientes apresentam LTL significativamente menor em comparação a  controles saudáveis (BÜHRING et al., 2021). A magnitude do encurtamento  correlaciona-se diretamente com a gravidade clínica: quanto mais curto o LTL, maior  a incapacidade física, elevando em 8,3 vezes o risco de conversão da forma  remitente-recorrente (mais branda) para a forma secundária progressiva (mais  agressiva) (HECKER et al., 2021). 

Em relação à Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), observou-se que o aumento no LTL foi associado a uma redução no risco de incidência da  doença. Além disso, o LTL foi identificado como um mediador parcial relevante,  explicando 15,52% da associação observada entre o envelhecimento cronológico e o  desenvolvimento da DHGNA (TANG et al., 2023). Isso sugere que parte significativa  do risco hepático atribuído à idade é, na verdade, impulsionada pela atrição  telomérica. Ademais, análises sobre a Síndrome de Fragilidade em idosos revelaram  que a manutenção de telômeros mais longos confere proteção significativa, reduzindo  em aproximadamente 2,28 vezes a probabilidade de o indivíduo ser classificado como  “frágil”, condição caracterizada pelo grau de vulnerabilidade a eventos adversos de  saúde, como quedas, hospitalização e mortalidade (MARTÍNEZ-EZQUERRO et al.,  2019).  

O quadro 2 apresenta uma síntese das principais características dos 10  estudos selecionados, incluindo os autores, o título, o objetivo principal e os principais  achados com o objetivo de fornecer uma compreensão clara do conteúdo.  

Quadro 2: Características e Principais Achados dos Estudos Incluídos na Revisão  Sistemática 

Autor Título Tipo de Estudo Objetivo Principais Achados
Amelia  Marti, et  al. Effect of a  3-year lifestyle intervention on telomere  length in  participants from PREDIMED-Plus:
A randomized trial
Ensaio  Clínico Randomizado (RCT), Sub estudo aninhado do PREDIMED-Plus. Determinar se  uma intervenção de estilo de vida  de 3 anos  (Dieta Mediterrânea  com restrição  energética – erMedDiet e promoção de atividade física  – PA) poderia  modificar o comprimento  dos telômeros  (TL) em participantes  com síndrome metabólica. O grupo de intervenção (IG) alcançou maior redução de  peso. Não houve alteração no TL na coorte total. No  entanto, as mulheres no IG demonstraram um aumento  no TL após 3 anos (+0,25 ± 0,9), contrastando com o encurtamento no grupo  controle (-0,07 ± 1,0).  Mulheres na IG tiveram risco  83% menor de encurtamento telomérico (OR = 0,17). A  intervenção retardou o encurtamento telomérico em mulheres, mas não em  homens. 
Wan  Zhang,  et al. Association between  the Oxidative  Balance Score and  Telomere Length  from the National  Health and Nutrition Examination Survey 1999-2002Estudo  Transversal (NHANE S 1999- 2002). Avaliar a  associação entre o  Oxidative Balance Score (OBS) – uma  medida de exposições dietéticas e de estilo de vida  pró e antioxidantes – e o comprimento  dos telômeros  de leucócitos  (LTL). A associação entre a OBS e  o LTL (log-transformado) foi positiva e estável apenas em mulheres, mas não em  homens. Mulheres no quartil mais alto de OBS (maior  exposição antioxidante) apresentaram LTL mais  longo (p para tendência <  0,01). Tanto o OBS dietético  quanto o OBS de estilo de vida foram significativamente  associados ao LTL somente  em mulheres. 
Linxi  Tang, et  al. The  association between  telomere length and  non alcoholic  fatty liver  disease: a  prospective studyEstudo  de  Coorte Prospectivo (UK Biobank) . Examinar a associação  entre o comprimento  dos telômeros  (TL) e a incidência de Doença  Hepática Gordurosa Não Alcoólica  (NAFLD) e avaliar como o  TL média o  efeito de fatores de risco conhecidos  (idade, estilo de  vida, poluição  do ar e risco  genético). TL mais longo foi associado  a um risco diminuído de NAFLD (HR ajustado para o  quartil mais alto vs. mais  baixo = 0,87). O TL mediou parcialmente a associação  entre idade e incidência de  NAFLD (15,52%). O risco  mais alto de NAFLD foi encontrado em indivíduos  com baixo TL combinado com idade avançada, alto  risco genético (PRS), alta poluição do ar e estilo de vida desfavorável. 
Miao  Chen, et  al. Association between  modifiable lifestyle  factors  and telomere  length: a univariable and multivariable Mendelian randomization studyRandomização Mendeli ana  (MR) Univariável e Multivariável. Investigar as associações  causais entre  fatores modificáveis do estilo de vida (tabagismo  vitalício, duração do  sono, insônia e  atividade física)  e o comprimento  dos telômeros  (TL). A predisposição genética ao tabagismo vitalício foi  fortemente associada a telômeros mais curtos (OR:  0,882). A predisposição  genética à insônia foi significativamente associada  a telômeros mais curtos (OR:  0,972). Houve uma associação sugerida entre  Atividade Física Moderada a Vigorosa (MVPA) e telômeros mais longos (OR:  1,680). As associações com tabagismo e insônia permaneceram significativas mesmo após ajuste para  IMC, diabetes tipo 2, e  consumo de álcool. 
Samuel  Moix, et  al. Breaking  down causes, consequences, and mediating  effects of telomere  length variation  on human healthRandomização Mendeli ana  (MR) Bidirecional e Multivariável. Dissecar as correlações e relações  causais bidirecionais  entre LTL e 142  traços complexos (incluindo estilo  de vida,  doenças e  longevidade). O LTL é negativamente correlacionado com a carga  de doenças, atuando como  um indicador global de saúde. Fatores que modulam  o LTL (causam encurtamento) incluem:  consumo semanal de álcool, IMC e eventos reprodutivos femininos. Fatores que  preservam o LTL (causam alongamento) incluem:  cessação do tabagismo e  alto nível de escolaridade  (EA). O LTL media parcialmente o impacto  negativo do IMC na longevidade (7,2%) e o efeito  positivo da EA na  longevidade (18,8%). 
Gustavo  de  Moraes  Silva, et  al. Exercício  físico e  comprime nto dos  telômeros:  uma  revisão  sistemática nas  disfunções  crônico degenerativasRevisão  Sistemática. Revisar  sistematicamente a literatura  sobre o efeito  do exercício  físico no  comprimento  dos telômeros  em pessoas  com disfunções  crônico degenerativas. Foram identificados apenas  4 estudos elegíveis, focados  em excesso de peso e  diabetes. Não está claro se o  exercício físico pode atenuar  significativamente o  encurtamento dos telômeros  em indivíduos com  disfunções crônico degenerativas (como  excesso de peso e diabetes).  A heterogeneidade e a pouca  quantidade de estudos  inviabilizam inferências  claras sobre a modalidade ou  dose de exercício para  doenças específicas. 
Jan  Bühring,  Michael  Hecker,  et al. Systematic Review  of Studies  on  Telomere  Length in  Patients  with  Multiple  SclerosisRevisão  Sistemática e Meta análise. Revisar a  literatura sobre  a associação  do  comprimento  dos telômeros  (TL) e a  Esclerose  Múltipla (MS). Quatro dos sete estudos  incluídos relataram TL de  leucócitos significativamente  mais curtos em pacientes  com MS (p = 0,003 na meta análise). TL mais curtos  foram associados a maior  incapacidade (EDSS), menor  volume cerebral e  progressão da doença em  pacientes com MS,  independentemente da  idade. Os resultados  sugerem que o  envelhecimento biológico  contribui para a  heterogeneidade clínica na  MS. 
Michael  Hecker,  et al. Genetic, Environmental and Lifestyle Determinants of  Accelerate d  Telomere  Attrition as  Contributors to Risk  and  Severity of  Multiple  SclerosisRevisão  Narrativa. Revisar os  fatores  (genéticos,  ambientais,  estilo de vida)  ligados ao atrito  telomérico  acelerado que  contribuem  para o risco e  severidade da  Esclerose  Múltipla (MS). Fatores de estilo de vida que  contribuem para o atrito  telomérico e aumento do  risco/severidade da MS  incluem: obesidade,  tabagismo e trabalho  noturno/insônia. Fatores que  se associam a telômeros  mais longos e/ou menor risco  de MS são: Dieta  Mediterrânea, suficiência de  Vitamina D e Atividade  Física. O tabagismo é o  único fator modificável com o  mais alto nível de evidência  estabelecido para a  gravidade da MS. 
Mika Kivimäki,  et al. Obesity  and risk of  diseases  associated  with  hallmarks  of cellular  ageing: a  multicohor t studyEstudo  Multicort e  Prospectivo (UK Biobank e  coortes  
finlandes as). 
Examinar se a  obesidade  aumenta o risco  de desenvolver  doenças  associadas às  nove marcas do  envelhecimento  celular,  incluindo o  atrito  telomérico. Participantes com obesidade  (IMC ≥ 30,0 kg/m²) tinham  1,40 vezes mais risco (HR)  de desenvolver a primeira  doença relacionada às  marcas do envelhecimento.  Para a coocorrência de três  ou mais doenças, a  obesidade foi associada a  um risco de 2,73 vezes maior  para atrito telomérico. A  obesidade demonstrou uma  associação mais forte com  essas doenças do que outros  fatores de risco, como  tabagismo, inatividade física  e alto consumo de álcool. 
José  Darío  Martínez – Ezquerro, et al. Oxidative  Stress and  Telomeres  in Frailty (Título  Implícito) Estudo  Transversal  (Coorte  COSFO MA).Determinar a  associação  entre estresse  oxidativo,  comprimento  dos telômeros e  status de  fragilidade em  idosos  mexicanos. Não houve diferença  significativa nas medições de  estresse oxidativo (ROS e  peroxidação lipídica) entre as  categorias de fragilidade. Foi  encontrada uma diferença  significativa no comprimento  dos telômeros (p < 0,001).  Telômeros mais curtos foram  associados ao status de  fragilidade, sendo o  comprimento menor no  grupo frágil em comparação  aos grupos não frágeis e pré-frágeis. O comprimento dos  telômeros é considerado um  forte candidato a  biomarcador de fragilidade. 
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025. 

Esta revisão sistemática teve como objetivo avaliar as evidências da  associação entre encurtamento dos telômeros e o desenvolvimento de doenças  crônicas, através, principalmente, de fatores de estilo de vida e estresse oxidativo. Os  estudos selecionados apresentam evidências de que fatores externos desempenham  um papel crucial na modulação do encurtamento telomérico. O estresse oxidativo, por  exemplo, demonstra uma forte associação com danos tanto a nível celular quanto  molecular, culminando no encurtamento dessas estruturas protetoras. Além disso, o  estilo de vida de um indivíduo tem um efeito expressivo no tamanho dos telômeros;  isso inclui, notadamente, a qualidade da dieta e os níveis de atividade física  praticados. Arsenis et al. (2017) corrobora com a tese ao afirmar que indícios apontam  o exercício físico, a depender da sua intensidade, com um atenuador da inflamação  crônica e do estresse oxidativo, podendo, desse modo, diminuir o processo de  encurtamento dos telômeros. Essa perspectiva se faz importante por demonstrar que o comprimento telomérico, além de ser um importante biomarcador de  envelhecimento biológico, pode ser modelado por hábitos extrínsecos, levando à  intensificação ou atenuação no aparecimento de doenças crônico-degenerativas.  

Estudos recentes, como de Vyas et al. (2020) indicam uma associação entre  raça e etnia com o comprimento telomérico, geralmente as mulheres possuindo um  comprimento ligeiramente maior que os dos homens, que posteriormente pode ser  influenciado por estilo de vida e comportamentos, além de genética e outros fatores  modificáveis. De acordo com Borson et al (2020) é evidenciado que, além do  comprimento dos telômeros estarem associados a diferentes estilos de vida, o  encurtamento destes pode causar inflamações sistêmicas e doenças crônicas, além  da associação com síndromes metabólicas e inflamatórias, aterosclerose, diabetes  mellitus e doenças cardiovasculares.  

Desse modo, é pertinente afirmar que há uma boa quantidade de estudos  quantitativos e qualitativos que corroboram para o entendimento dos processos  moleculares envolvidos no encurtamento telomérico, bem como as variáveis  moldáveis que influenciam no comprimento dos telômeros, sendo destaque a  atividade física moderada como atenuador do estresse oxidativo, e hábitos nocivos  como tabagismo, alcoolismo, obesidade, estresse crônico, dentre outros, agindo  como potencializadores do encurtamento telomérico.  

Estudos futuros devem ampliar as pesquisas acerca de práticas que auxiliem  na prevenção da modificação do comprimento dos telômeros em ambos os sexos.  Assim como Martin et al. (2023) evidenciou que a intervenção intensiva com Dieta  Mediterrânea aumentou significativamente o comprimento telomérico de leucócitos  (LFL) em mulheres após 3 anos. O resultado, porém, foi sexo-dependente, não  havendo evidenciado modificação nos homens. Dessa forma, requerem-se ensaios  clínicos voltados para resultados em indivíduos do sexo masculino, a fim de haver um  melhor comparativo e investigação dos fatores que mais impactam no retardo do  encurtamento telomérico dos homens e consequente prevenção de doenças crônico degenerativas nesses indivíduos.  

4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O objetivo desta revisão sistemática foi analisar como o estilo de vida influencia  o encurtamento dos telômeros e de que forma essa relação se vincula ao  desenvolvimento de doenças crônicas. Os estudos selecionados demonstram que o comprimento telomérico funciona como marcador sensível do envelhecimento  biológico e reflete tanto processos intrínsecos quanto a exposição contínua a fatores  ambientais e comportamentais. Evidências consistentes mostram que hábitos como  tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, privação de sono, estresse  psicológico e padrões alimentares inadequados aceleram a erosão telomérica por  vias relacionadas ao estresse oxidativo, à inflamação e a disfunções metabólicas. 

Em contrapartida, intervenções baseadas em comportamentos saudáveis,  incluindo atividade física regular, dieta equilibrada e manejo adequado do estresse,  apresentam potencial de preservar a integridade telomérica e reduzir o ritmo de  desgaste celular. Resultados de estudos experimentais, como os provenientes do  ensaio PREDIMED-Plus, reforçam a possibilidade de modulação do comprimento  telomérico a partir de mudanças sustentadas no estilo de vida, especialmente em  populações com fatores de risco metabólicos. 

A relação entre telômeros e doenças crônicas também se destaca. Telômeros  mais curtos foram associados a maior risco e progressão de condições como  esclerose múltipla, doença hepática gordurosa não alcoólica, síndrome metabólica e  multimorbidade. Esses achados fortalecem a compreensão dos telômeros como  biomarcadores que integram diferentes dimensões fisiopatológicas, envolvendo  desde a resposta inflamatória até processos metabólicos de longo prazo. 

Considerando o conjunto das evidências, conclui-se que o estilo de vida exerce  impacto significativo na dinâmica telomérica e, consequentemente, na vulnerabilidade  ao desenvolvimento de doenças crônicas. A integração desses achados aponta para  a importância de políticas de promoção da saúde e de intervenções preventivas  focadas em comportamentos modificáveis. Estudos futuros são necessários para  aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos e avaliar, de forma  longitudinal, o potencial de diferentes estratégias de intervenção para preservar o  envelhecimento celular saudável.

REFERÊNCIAS 

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1Discentes do Curso Superior de Medicina do Faculdade Ages Campus Jacobina
2Coorientador e Discente do Curso Superior de Medicina do Faculdade Ages Campus Jacobina e-mail: andre.muritiba@hotmail.com
3Orientador, Doutorado em Biotecnologia e Docente do Curso Superior de Medicina – Faculdade Ages de  Medicina Campus Jacobina e-mail: tamara.carvalho@ages.edu.br