IMPACT OF LONG-TERM USE OF PROTON PUMP INHIBITORS ON THE INTESTINE AND THE RISK OF GASTROINTESTINAL DISEASES
IMPACTO DEL USO PROLONGADO DE INHIBIDORES DE LA BOMBA DE PROTONES EN EL INTESTINO Y EL RIESGO DE ENFERMEDADES GASTROINTESTINALES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511151152
COELHO, Maria Geovanna Teixeira1
PINHEIRO, Aisa Maria da Costa e Silva2
Orientadora: Prof. ALMEIDA, Ana Valéria Santos Pereira de3
RESUMO
O uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs) tem sido amplamente discutido devido à sua eficácia no controle da acidez gástrica, mas também pelos efeitos adversos associados à ingestão contínua. Este estudo realizou uma revisão integrativa da literatura, analisando 15 trabalhos publicados nos últimos anos, com o objetivo de investigar os impactos do uso prolongado de IBPs sobre o intestino e o risco de doenças gastrointestinais. A pesquisa buscou compreender tanto os efeitos clínicos quanto as possíveis complicações sistêmicas decorrentes do uso prolongado desses medicamentos. Os resultados evidenciaram que os IBPs, apesar de controlarem sintomas digestivos e prevenirem complicações ácidas, podem causar alterações na microbiota intestinal, disbiose, deficiência de nutrientes como vitamina B12 e magnésio, e aumento do risco de fraturas ósseas. Estudos também sugerem associação com alterações celulares gástricas, podendo aumentar o risco de gastrite atrófica e neoplasias em uso prolongado. Além disso, a automedicação e o uso inadequado foram identificados como fatores de risco, ampliando a exposição a efeitos adversos. A revisão indicou ainda que o acompanhamento clínico individualizado, a orientação médica e estratégias complementares, como o uso de flavonoides, podem minimizar os riscos associados ao uso contínuo de IBPs. Conclui-se que, embora sejam medicamentos essenciais para o tratamento de doenças ácidas, seu uso prolongado exige monitoramento constante, avaliação periódica e medidas preventivas para garantir segurança e eficácia na saúde gastrointestinal.
Palavras-chave: Inibidores de Bomba de Prótons; Intestino; Doenças Gastrointestinais.
ABSTRACT
The long-term use of proton pump inhibitors (PPIs) has been widely discussed due to their effectiveness in controlling gastric acidity, but also due to the adverse effects associated with continued use. This study conducted an integrative literature review, analyzing 15 studies published in recent years, with the aim of investigating the impacts of long-term PPI use on the intestine and the risk of gastrointestinal diseases. The research sought to understand both the clinical effects and the possible systemic complications resulting from the prolonged use of these medications. The results showed that PPIs, despite controlling digestive symptoms and preventing acid complications, can cause changes in the intestinal microbiota, dysbiosis, deficiencies of nutrients such as vitamin B12 and magnesium, and an increased risk of bone fractures. Studies also suggest an association with gastric cellular changes, which may increase the risk of atrophic gastritis and neoplasms with prolonged use. Furthermore, self-medication and inappropriate use were identified as risk factors, increasing exposure to adverse effects. The review also indicated that individualized clinical monitoring, medical guidance, and complementary strategies, such as the use of flavonoids, can minimize the risks associated with the continued use of PPIs. It concludes that, although these medications are essential for the treatment of acid-related diseases, their prolonged use requires constant monitoring, periodic evaluation, and preventive measures to ensure safety and efficacy for gastrointestinal health.
Keywords: Proton Pump Inhibitors; Intestine; Gastrointestinal Diseases.
RESUMÉN
El uso a largo plazo de inhibidores de la bomba de protones (IBP) ha sido ampliamente debatido debido a su eficacia para controlar la acidez gástrica, pero también a los efectos adversos asociados con su uso continuado. Este estudio realizó una revisión bibliográfica integradora, analizando 15 estudios publicados en los últimos años, con el objetivo de investigar los impactos del uso prolongado de IBP en el intestino y el riesgo de enfermedades gastrointestinales. La investigación buscó comprender tanto los efectos clínicos como las posibles complicaciones sistémicas derivadas del uso prolongado de estos medicamentos. Los resultados demostraron que los IBP, a pesar de controlar los síntomas digestivos y prevenir las complicaciones ácidas, pueden causar cambios en la microbiota intestinal, disbiosis, deficiencias de nutrientes como la vitamina B12 y el magnesio, y un mayor riesgo de fracturas óseas. Los estudios también sugieren una asociación con cambios celulares gástricos, que pueden aumentar el riesgo de gastritis atrófica y neoplasias con el uso prolongado. Además, la automedicación y el uso inapropiado se identificaron como factores de riesgo, lo que aumenta la exposición a efectos adversos. La revisión también indicó que el seguimiento clínico individualizado, la orientación médica y las estrategias complementarias, como el uso de flavonoides, pueden minimizar los riesgos asociados con el uso continuo de IBP. Concluye que, si bien estos medicamentos son esenciales para el tratamiento de las enfermedades relacionadas con la acidez, su uso prolongado requiere un seguimiento constante, una evaluación periódica y medidas preventivas para garantizar la seguridad y la eficacia de la salud gastrointestinal.
Palabras clave: Inhibidores de la Bomba de Protones; Intestino; Enfermedades Gastrointestinales.
1. INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, os inibidores da bomba de prótons (IBPs) tornaram-se uma das classes de medicamentos mais prescritas em todo o mundo, sendo amplamente utilizados no tratamento de condições como refluxo gastroesofágico, úlceras gástricas e síndromes de hipersecreção ácida (Ochoa et al., 2020).
Esses medicamentos atuam inibindo a secreção de ácido gástrico, proporcionando alívio dos sintomas e promovendo a cicatrização de lesões na mucosa gastrointestinal. No entanto, o uso prolongado de IBPs tem gerado preocupações crescentes entre profissionais de saúde e pesquisadores, uma vez que estudos recentes sugerem que essa prática pode estar associada a uma série de efeitos adversos (Araújo et al., 2021).
A microbiota intestinal, composta por trilhões de microrganismos, desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde gastrointestinal e na modulação do sistema imunológico. A alteração dessa microbiota, frequentemente observada em pacientes em uso prolongado de IBPs, pode levar a um desequilíbrio que favorece o crescimento de patógenos e a ocorrência de infecções intestinais (Ribeiro et al., 2022).
Além disso, a redução da acidez gástrica pode comprometer a defesa natural do organismo contra agentes infecciosos, aumentando o risco de doenças gastrointestinais, como gastrite, enterocolite e até mesmo câncer gástrico. Diante desse cenário, é essencial investigar de forma aprofundada os impactos do uso prolongado de IBPs na saúde intestinal e as implicações clínicas associadas (Gonzaga et al., 2021).
Embora esses medicamentos sejam eficazes na redução da acidez gástrica, estudos recentes têm levantado preocupações sobre os efeitos adversos associados ao seu uso prolongado, especialmente no que diz respeito à saúde intestinal e ao aumento do risco de doenças gastrointestinais.
A compreensão desses impactos é crucial, uma vez que a prescrição inadequada ou o uso prolongado sem supervisão médica pode levar a complicações significativas, como infecções intestinais, disbiose e até mesmo doenças crônicas. Portanto, este trabalho se propõe a investigar esses efeitos, contribuindo para formas mais seguras e eficazes para o uso de IBPs. Com isso foi observado o problema: qual é o impacto do uso prolongado de inibidores da bomba de prótons na saúde intestinal e qual é a relação desse uso com o aumento do risco de doenças gastrointestinais?
O trabalho tem como objetivo principal: analisar o impacto do uso prolongado de inibidores da bomba de prótons no intestino e no risco de desenvolvimento de doenças gastrointestinais. E como específicos: revisar a literatura científica existente sobre os mecanismos de ação dos inibidores da bomba de prótons e suas indicações clínicas, investigar os efeitos do uso prolongado de IBPs na microbiota intestinal e na saúde gastrointestinal, avaliar a relação entre o uso prolongado de IBPs e o aumento do risco de doenças gastrointestinais, identificar as recomendações atuais para o uso seguro de IBPs e discutir a necessidade de monitoramento em pacientes em uso prolongado.
2. METODOLOGIA
A metodologia deste TCC, com o tema “Impacto do Uso Prolongado de Inibidores da Bomba de Prótons no Intestino e no Risco de Doenças Gastrointestinais – Revisão Integrativa”, foi orientada para a análise crítica e a síntese dos estudos existentes acerca dos efeitos adversos do uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs) sobre o sistema gastrointestinal, em especial o intestino, e seu potencial aumento no risco de doenças gastrointestinais. A revisão integrativa foi adotada como metodologia principal, com o objetivo de reunir, analisar e discutir as evidências científicas disponíveis sobre os impactos desses medicamentos no organismo, com ênfase em alterações intestinais e condições relacionadas ao trato gastrointestinal e foi realizada nos meses de outubro e novembro de 2025.
A pesquisa foi conduzida por meio de uma busca estruturada em bases de dados científicas como PubMed, Scopus, Google Scholar, Lilacs e BVS, a fim de garantir a seleção de artigos revisados por pares e de alta qualidade científica. Foram utilizadas palavras-chave como: “Intestino” “Inibidores da Bomba de Prótons”, “uso prolongado de IBPs”, “impacto no intestino”, “doenças gastrointestinais”, “efeitos adversos IBPs” e “risco gastrointestinal” para refinar a busca.
Os critérios de inclusão estiveram voltados para estudos que abordaram os efeitos do uso prolongado de IBPs sobre o intestino, como alterações na microbiota intestinal, deficiências de nutrientes e o risco aumentado para condições como enterite, disbiose intestinal e até mesmo câncer gástrico ou intestinal. A pesquisa abrangeu artigos publicados nos últimos dez anos, a fim de assegurar a inclusão de dados atuais sobre o tema e permitir uma visão atualizada dos efeitos desses medicamentos.
Após a busca inicial, foi realizada uma triagem dos artigos com base nos títulos e resumos, para garantir que atendessem aos critérios estabelecidos. A leitura completa dos estudos selecionados possibilitou uma análise mais detalhada, com a extração dos dados relevantes sobre os impactos dos IBPs no trato gastrointestinal. Foram coletadas informações sobre os efeitos diretos e indiretos desses medicamentos no intestino, incluindo alterações na secreção ácida, absorção de nutrientes essenciais e modificações na microbiota intestinal, que são reconhecidas por influenciar o risco de doenças gastrointestinais. Além disso, foram analisados os resultados clínicos dos estudos, como o aumento do risco de infecções intestinais, diarreia associada a Clostridioides difficile e outras patologias gastrointestinais relacionadas ao uso prolongado desses medicamentos.
A síntese dos resultados foi realizada de forma narrativa, agrupando os dados extraídos de acordo com os efeitos observados no intestino e as implicações para o risco de doenças gastrointestinais. A análise crítica dos estudos concentrou-se na qualidade metodológica dos artigos incluídos, avaliando as limitações de cada estudo, como tamanho amostral, desenho metodológico e possíveis vieses. Também foi discutida a consistência dos resultados e a relevância clínica das conclusões, além de se identificar lacunas na pesquisa que precisam ser abordadas em estudos futuros, como a necessidade de mais ensaios clínicos randomizados sobre o impacto de longo prazo dos IBPs no intestino. O objetivo foi fornecer uma visão detalhada dos riscos associados ao uso prolongado desses medicamentos e suas possíveis implicações para a saúde gastrointestinal.
Além disso, o estudo considerou abordagens terapêuticas alternativas ao uso de IBPs, discutindo se existia uma substituição terapêutica viável que pudesse minimizar os riscos para o trato gastrointestinal. As evidências sobre a reversibilidade dos efeitos intestinais após a interrupção do uso desses medicamentos também foram abordadas, com foco na recuperação da microbiota intestinal e na prevenção de complicações a longo prazo. A revisão integrativa, assim, possibilitou uma compreensão aprofundada do impacto do uso prolongado de IBPs, fornecendo informações relevantes para a prática clínica e indicando a necessidade de monitoramento e de possíveis estratégias de prevenção para os pacientes que utilizaram esses medicamentos por períodos prolongados.
3. RESULTADOS
Os resultados deste estudo foram organizados em duas etapas. A primeira consistiu na caracterização dos estudos selecionados, enquanto a segunda abordou os objetivos da pesquisa, direcionados à análise das produções científicas capazes de elucidar a questão central investigada. Essa estratégia metodológica possibilitou uma organização sistemática e criteriosa dos achados, facilitando a compreensão e a interpretação dos resultados obtidos.
Foram encontrados inicialmente 709 artigos, onde foram excluídos artigos incompletos, pagos, em outro idioma, duplicados e revisões. Na organização dos artigos, foram analisados (N=11) evidenciou que, em sua maioria, tratava-se de pesquisas de abordagem quantitativa. A análise, realizada a partir de bases de dados online, apontou predominância homogênea de publicações provenientes da base BVS. Em relação ao período, observou-se um aumento progressivo das publicações nos últimos anos, indicando crescente interesse sobre os efeitos do uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs) no intestino e no risco de doenças gastrointestinais. Quanto ao idioma, houve maior concentração de estudos em língua inglesa (n=6), todos abordando os impactos dos IBPs sobre o trato gastrointestinal. Artigos publicados antes dos anos 2020 não estavam liberados por completos ou não se enquadravam nos critérios da revisão, quanto ao ano de 2024 e 2025, nas referentes bases não tiveram publicações.
A maior parte dos estudos analisados investigou o uso prolongado de IBPs, com ênfase nas alterações intestinais, consequências para a saúde gastrointestinal. As pesquisas relataram os principais efeitos sobre a microbiota intestinal, absorção de nutrientes, risco de disbiose, enterite, infecções intestinais e outras condições associadas, além de discutir estratégias de prevenção e manejo terapêutico, conforme apresentado no quadro a seguir.
Quadro 1- Distribuição dos artigos incluídos nesta revisão de literatura segundo o ano de publicação, autor e título.
| ANO | AUTOR | TÍTULO | RELEVÂNCIA |
| 2021 | ARAÚJO L. S. et al. | Inibidores de Bomba de Prótons: vantagens e desvantagens do uso prolongado | Aborda benefícios terapêuticos dos IBPs e riscos associados ao uso prolongado, como dependência e efeitos adversos. |
| 2020 | BARBOSA, Y. V. et al. | Uso prolongado e inadequado dos inibidores da bomba de prótons e seus efeitos na saúde dos idosos | Evidencia o impacto do uso crônico em idosos, incluindo déficits nutricionais e maior risco de doenças. |
| 2021 | GONZAGA, C. E. et al. | Prevalence of self-medication for dyspeptic symptoms in primary care: a Brazilian survey | Mostra alta prevalência de automedicação com IBPs, indicando uso sem orientação médica. |
| 2021 | IVO, E. D. | Uso de inibidores de bomba de prótons entre estudantes de medicina de uma instituição de ensino superior de Maringá-PR e as consequências a curto e longo prazo | Demonstra falta de conscientização até entre profissionais de saúde sobre os riscos do uso indevido. |
| 2021 | MELO, I. O. et al. | Inibidores da bomba de prótons e carcinogênese | Discute possíveis associações entre o uso prolongado de IBPs e o aumento do risco de câncer gástrico. |
| 2023 | MORRIS, N.; NIGHOT, M. | Understanding the health risks and emerging concerns associated with the use of long-term proton pump inhibitors | Revisão internacional recente que destaca novas evidências de efeitos adversos a longo prazo, como disbiose e doenças renais. |
| 2020 | OCHOA, D. et al. | Effect of food on the pharmacokinetics of omeprazole, pantoprazole and rabeprazole | Explica como a alimentação interfere na absorção e eficácia dos IBPs — relevante para uso racional e seguro. |
| 2021 | PORTER, K. M. et al. | Associations of atrophic gastritis and proton-pump inhibitor drug use with vitamin B-12 status, and the impact of fortified foods, in older adults | Mostra correlação entre IBPs e deficiência de vitamina B12, principalmente em idosos. |
| 2022 | RIBEIRO, R. M. et al. | Inibidores de bomba de prótons aumentam o risco de fratura óssea em pacientes com comorbidades | Relaciona uso prolongado com redução da absorção de cálcio e aumento de fraturas. |
| 2020 | SERAFIM, L. C. et al. | A review of the role of flavonoids in peptic ulcer | Relevante por discutir alternativas terapêuticas naturais, sugerindo substitutos aos IBPs. |
| 2021 | YOZGAT, A. et al. | Long-term proton pump inhibitor use is a risk factor for mortality in patients hospitalized for COVID-19 | Relaciona o uso prolongado de IBPs a piores desfechos clínicos em pacientes com COVID-19. |
Fonte: Autores, 2025.
4. DISCUSSÃO
O uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs) tem sido amplamente discutido na literatura, devido aos efeitos benéficos no controle da acidez gástrica, mas também aos riscos associados ao consumo contínuo desses medicamentos. Esses fármacos são indicados principalmente para tratamento de doenças como gastrite, úlcera péptica e refluxo gastroesofágico, apresentando ação eficaz na redução da produção de ácido clorídrico pelo estômago (Araújo et al., 2021).
Estudos recentes apontam que o uso prolongado pode trazer efeitos adversos significativos, incluindo alterações na microbiota intestinal e aumento do risco de disbiose. Tais alterações impactam diretamente na saúde gastrointestinal e podem contribuir para sintomas digestivos crônicos, como diarreia, desconforto abdominal e inflamações recorrentes (Barbosa et al., 2020).
A adesão inadequada ao tratamento e a automedicação são problemas recorrentes, especialmente entre universitários e jovens adultos. Um estudo com estudantes de medicina demonstrou que muitos utilizavam IBPs sem prescrição médica formal ou por períodos prolongados, aumentando a exposição aos riscos associados ao uso contínuo desses fármacos (Ivo, 2021).
Além disso, o uso prolongado de IBPs está relacionado a alterações nutricionais significativas, como deficiência de vitamina B12, ferro e magnésio, resultando em anemia, fadiga e outros efeitos sistêmicos. Tais deficiências são especialmente preocupantes em idosos, cuja absorção de nutrientes já se encontra comprometida, exigindo monitoramento clínico constante (Porter et al., 2021).
Outro efeito adverso relevante refere-se ao aumento do risco de fraturas ósseas em pacientes com comorbidades, causado pela interferência dos IBPs na absorção de cálcio e na densidade mineral óssea. Esse achado reforça a necessidade de acompanhamento rigoroso e da avaliação periódica da saúde óssea em indivíduos submetidos ao uso prolongado desses medicamentos (Ribeiro et al., 2022).
Estudos também sugerem uma possível relação entre uso crônico de IBPs e carcinogênese gástrica. A inibição contínua da secreção ácida pode favorecer alterações celulares no estômago, como gastrite atrófica, podendo, a longo prazo, aumentar o risco de neoplasias gástricas, embora o tema ainda seja debatido na literatura (Melo et al., 2021).
A farmacocinética dos IBPs pode ser influenciada pela alimentação, sendo demonstrado que a ingestão concomitante de alimentos altera a absorção e a eficácia de medicamentos como omeprazol, pantoprazol e rabeprazol. Esses fatores devem ser considerados na prescrição clínica para garantir efeito terapêutico adequado e reduzir possíveis variações individuais de resposta ao tratamento (Ochoa et al., 2020).
O uso prolongado de IBPs também pode aumentar a vulnerabilidade a complicações infecciosas, como infecção por Clostridioides difficile, e está associado a maior mortalidade em pacientes hospitalizados com COVID-19. Esses achados indicam que cuidados especiais devem ser tomados em pacientes com comorbidades ou imunocomprometidos (Yozgat et al., 2021).
A prevalência de automedicação para sintomas dispépticos é elevada no Brasil, destacando a necessidade de políticas de educação em saúde e orientação médica. A utilização consciente e monitorada de IBPs é essencial para reduzir os riscos de efeitos adversos, garantindo que os benefícios do tratamento superem as complicações associadas ao uso prolongado (Gonzaga et al., 2021).
Por outro lado, quando utilizados de forma controlada e monitorada, os IBPs continuam sendo seguros e eficazes no manejo de condições ácidas crônicas. O acompanhamento clínico periódico, incluindo avaliação de função gastrointestinal e estado nutricional, é essencial para equilibrar os benefícios do tratamento com os riscos potenciais (Morris; Nighot, 2023).
Finalmente, estratégias complementares, como o uso de flavonoides em úlceras pépticas, demonstraram potencial terapêutico ao reduzir a acidez e proteger a mucosa gastrointestinal. Tais abordagens podem auxiliar na diminuição da dependência prolongada de IBPs, permitindo estratégias preventivas e terapêuticas mais seguras e individualizadas (Serafim et al., 2020).
5. CONCLUSÃO
O presente estudo permitiu analisar de forma integrada os efeitos do uso prolongado de inibidores da bomba de prótons sobre o intestino e o risco de doenças gastrointestinais. A revisão dos 15 estudos selecionados evidenciou que, embora os IBPs sejam eficazes no controle da acidez gástrica e no tratamento de doenças como gastrite e úlceras, o uso contínuo apresenta impactos relevantes na saúde do trato gastrointestinal.
Outro ponto relevante é a associação entre o uso prolongado de IBPs e complicações infecciosas, especialmente em pacientes hospitalizados ou imunocomprometidos. A literatura também ressaltou que a automedicação e o uso inadequado são fatores críticos, podendo potencializar os efeitos adversos e comprometer a eficácia terapêutica. Tais achados reforçam a necessidade de orientação médica e acompanhamento clínico rigoroso, especialmente em populações vulneráveis, como idosos e indivíduos com comorbidades. Observou-se, portanto, que o equilíbrio entre os benefícios e os possíveis efeitos adversos depende de monitoramento contínuo, escolha criteriosa do fármaco, tempo de uso adequado e educação em saúde.
Conclui-se que o uso prolongado de IBPs deve ser cuidadosamente avaliado, priorizando sempre a segurança do paciente e a prevenção de complicações a longo prazo. A revisão integrativa demonstrou que, embora sejam ferramentas terapêuticas valiosas, esses medicamentos exigem acompanhamento individualizado, identificação precoce de efeitos adversos e estratégias preventivas para garantir que seu uso seja eficaz, seguro e sustentável para a saúde gastrointestinal.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO LS, et al. Inibidores de Bomba de Prótons: vantagens e desvantagens do uso prolongado, Revista Eletrônica Acervo Científico, 2021; 34: e8662.
BARBOSA, Y. V. et al. Uso prolongado e inadequado dos inibidores da bomba de prótons e seus efeitos na saúde dos idosos. Revista do Congresso Internacional de Envelhecimento Humano, v. 10, n. 4, p. 4-8, 2020.
GONZAGA CE, et al. Prevalence of self-medication for dyspepctic symptoms in primary care: a Brazilian survey, Arquivos de Gastroenterologia, 2021; 58(3): 364-369.
IVO, E. D. Uso de inibidores de bomba de prótons entre estudantes de medicina de uma instituição de ensino superior de Maringá-PR e as consequências à curto e longo prazo. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 9, p. 2-15, 2021.
MELO, I. O. et al. Inibidores da bomba de prótons e carcinogênese: uma revisão da literatura. Revista Médica (São Paulo), v. 100, n. 5, p. 2-7, 2021.
MORRIS, N.; NIGHOT, M. Understanding the health risks and emerging concerns associated with the use of long-term proton pump inhibitors. Bulletin of the National Research Centre, v. 47, n. 134, p. 1-13, 2023.
OCHOA D, et al. Effect of food on the pharmacokinetics of omeprazole, pantoprazole and rabeprazol, BMC Pharmacology and Toxicology, 2020; 21(1): 14-141.
PORTER, K. M. et al. Associations of atrophic gastritis and proton-pump inhibitor drug use with vitamin B-12 status, and the impact of fortified foods, in older adults. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 114, n. 4, p. 1286-1294, 2021.
RIBEIRO RM, et al. Inibidores de bomba de prótons aumentam o risco de fratura óssea em pacientes com comorbidades: uma revisão, Research, Society and Development, 2022;11(15): 6-13.
SERAFIM, L. C. et al. A review of the role of flavonoids in peptic ulcer. Molecules, v. 25, n. 22, p. 5431, 2020.
YOZGAT, A. et al. Long-term proton pump inhibitor use is a risk factor for mortality in patients hospitalized for COVID-19. Turkish Journal of Medical Sciences, v. 51, n. 3, p. 1675-1681, 2021.
1,2Discente do curso de Medicina da UNICET – Teresina.
3Docente da UNICET – Teresina.
