IMPACTO DO USO PROLONGADO DE ALPRAZOLAM EM PACIENTES COM SÍNDROME DO PÂNICO 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511271053


Ana Beatriz Xavier Rodrigues1
Daniel Gonçalves de Carvalho Ribeiro2
João Alberto Rocha Monteiro3
Marcela de Andrade Nunes Borges4
Ludymilla Raquel Rodrigues Fernandes Aquino5


RESUMO 

O Transtorno de Pânico é uma condição psiquiátrica incapacitante que afeta uma parcela  significativa da população, causando grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. O  alprazolam é amplamente utilizado no tratamento desse transtorno devido às suas propriedades  ansiolíticas. Objetivo: Analisar os impactos do uso prolongado de alprazolam em pacientes  diagnosticados com Transtorno de Pânico, considerando seus efeitos sobre a eficácia terapêutica,  a segurança e os desfechos clínicos de longo prazo. Metodologia: Trata-se de uma revisão  narrativa da literatura, realizada por meio de busca nas bases de dados PubMed, SciELO e  Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), contemplando estudos publicados entre 2013 e 2024, nos  idiomas português e inglês. Foram incluídos artigos originais que abordaram a eficácia,  segurança, dependência e efeitos adversos do uso prolongado de alprazolam. Resultados: Os  estudos indicam que o alprazolam é eficaz na redução dos sintomas de pânico em curto prazo,  mas o uso prolongado está associado ao desenvolvimento de dependência, prejuízos cognitivos  e piora do manejo da ansiedade em longo prazo. Conclusão: O uso de alprazolam pode ser  benéfico no tratamento do Transtorno de Pânico, especialmente em situações agudas; entretanto,  seu uso prolongado deve ser cuidadosamente monitorado, a fim de minimizar os riscos de  dependência e comprometimento cognitivo. 

Palavras-chave: Transtorno de pânico, alprazolam, dependência, efeitos adversos, tratamento  farmacológico.

ABSTRACT 

Panic Disorder is a debilitating psychiatric condition that affects a significant portion of the  population, causing a major impact on patients’ quality of life. Alprazolam is a medication widely  used in the treatment of this disorder, especially due to its anxiolytic properties. Objective: To  analyze the impacts of prolonged alprazolam use in patients diagnosed with panic disorder,  considering its effects on therapeutic efficacy, safety, and long-term clinical outcomes.  Methodology: This study was developed as a literary review, with research conducted in  databases such as PubMed, BVS, and SCIELO, covering the period from 2013 to 2024, with  articles published in Portuguese and English. Results: Studies indicate that alprazolam is  effective in reducing panic symptoms in the short term, but its prolonged use is associated with  the development of dependence, cognitive adverse effects, and difficulties in managing anxiety  in the long term. Conclusion: Alprazolam use can be beneficial in the treatment of panic disorder,  especially in acute situations, but its prolonged use should be carefully monitored to minimize  the risks of dependence and cognitive damage. 

Keywords: Panic disorder, alprazola/m, dependence, adverse effects, pharmacological treatment.

1. INTRODUÇÃO 

O transtorno do pânico (TP) é um distúrbio psiquiátrico caracterizado pela ocorrência  de ataques súbitos e recorrentes de medo intenso, acompanhados de sintomas físicos e  cognitivos como taquicardia, sudorese, tremores, sensação de morte iminente e perda de  controle. Estima-se que a prevalência global do TP varie entre 2% e 3% da população, com  maior incidência em mulheres e início geralmente na adolescência ou vida adulta jovem  (World Health Organization, 2023). Trata-se de uma condição crônica e potencialmente  incapacitante, frequentemente associada a comorbidades como depressão maior, agorafobia e  outros transtornos de ansiedade, que comprometem significativamente a funcionalidade e a  qualidade de vida dos pacientes (Rickels et al., 2020; Dell’Osso et al., 2021). 

Do ponto de vista neurobiológico, o Transtorno de Pânico está associado a disfunções  nos sistemas de neurotransmissão que modulam a resposta ao estresse e à ansiedade,  especialmente nos sistemas serotoninérgico, noradrenérgico e gabaérgico. O ácido gama aminobutírico (GABA), principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central  (SNC), exerce papel fundamental na regulação da excitabilidade neuronal e do  comportamento ansioso. A diminuição da atividade GABAérgica tem sido relacionada ao  aumento da vulnerabilidade ao pânico, à hiperatividade da amígdala e à disfunção do eixo  hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) (Stahl, 2021). Essas alterações constituem a base  fisiopatológica que fundamenta o uso de fármacos moduladores do sistema GABA, como os  benzodiazepínicos, no tratamento do Transtorno de Pânico. 

Os benzodiazepínicos atuam como moduladores alostéricos positivos dos receptores  GABA-A, potencializando a ligação do GABA e aumentando o influxo de íons cloreto, o que  resulta em hiperpolarização neuronal e inibição da atividade excessiva do SNC. Entre esses  fármacos, o alprazolam destaca-se pelo início rápido de ação e alta eficácia no controle de  crises agudas de ansiedade e pânico, sendo amplamente utilizado como terapia de curto prazo  (Baldwin et al., 2019). Contudo, apesar de sua eficácia clínica, o uso prolongado do  alprazolam tem sido motivo de crescente preocupação devido aos potenciais riscos de  tolerância, dependência física e cognitiva, e síndrome de abstinência (Lader et al., 2018;  Ashton, 2020). 

A dependência ao alprazolam é um desafio clínico relevante, pois o uso continuado  induz adaptação neuroquímica no sistema GABAérgico, reduzindo a sensibilidade dos  receptores e exigindo doses progressivamente maiores para manutenção dos efeitos  terapêuticos. Estudos relatam que cerca de 40% dos usuários crônicos de benzodiazepínicos 

desenvolvem algum grau de dependência, o que pode resultar em síndrome de abstinência  grave e recorrência dos sintomas ansiosos após a interrupção abrupta do tratamento (Lader et  al., 2018; Ashton, 2020). Além disso, a descontinuação do uso pode gerar manifestações  fisiológicas e emocionais intensas, como insônia, irritabilidade, tremores e crises de pânico,  exigindo protocolos de desmame gradual e acompanhamento clínico rigoroso (Ashton, 2020). 

Do ponto de vista cognitivo, há evidências consistentes de que o uso prolongado de  alprazolam pode acarretar prejuízos na memória, atenção e função executiva, especialmente  em pacientes idosos. Schatzberg (2019) e Santos et al. (2020) observaram que a exposição  crônica a benzodiazepínicos está associada à redução da memória de trabalho e da capacidade  de aprendizado, impactando negativamente a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.  Esses achados reforçam a necessidade de monitoramento neuropsicológico e reavaliação  periódica da prescrição em tratamentos de longa duração. 

Adicionalmente, o uso prolongado de benzodiazepínicos pode alterar o funcionamento  do eixo HHA, importante modulador da resposta ao estresse. Dell’Osso et al. (2021)  demonstraram que essas alterações podem perpetuar a vulnerabilidade ao pânico, gerando um  ciclo de dependência e recaída, em que o próprio tratamento farmacológico contribui para a  manutenção do transtorno. Esse paradoxo terapêutico ressalta a importância de estratégias de  manejo que equilibrem a eficácia ansiolítica e a segurança do paciente a longo prazo. 

A literatura também aponta que a associação entre benzodiazepínicos e terapias  psicossociais, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), pode otimizar os resultados  terapêuticos, reduzindo o risco de recaídas. Nardi et al. (2020) destacam que, embora a  combinação inicial de TCC e alprazolam favoreça uma resposta ansiosa mais rápida, o uso  contínuo do fármaco pode interferir no aprendizado terapêutico e reduzir a eficácia  psicoterápica a longo prazo. Dessa forma, o alprazolam deve ser empregado  preferencialmente como tratamento adjuvante e temporário, enquanto se consolida uma  abordagem psicoterápica duradoura. 

O aumento expressivo das prescrições de benzodiazepínicos nas últimas décadas  reforça a relevância de uma discussão ética e científica sobre seu uso racional. O uso  indiscriminado e prolongado desses fármacos contribui para o surgimento de dependência,  sintomas depressivos, apatia e prejuízos psicossociais (Smith; Glauser, 2018; Marcos;  Almeida, 2017). Assim, compreender de forma abrangente os impactos do uso crônico de  alprazolam no transtorno do pânico é fundamental para subsidiar condutas clínicas mais  seguras e eficazes, baseadas em evidências.

Diante desse panorama, este estudo tem como objetivo geral analisar os impactos do  uso prolongado de alprazolam em pacientes com transtorno do pânico, considerando seus  efeitos sobre a eficácia terapêutica, a segurança e os desfechos clínicos de longo prazo.  Especificamente, busca-se avaliar os efeitos do uso prolongado de alprazolam na dependência  química e na ocorrência de síndromes de abstinência; examinar os impactos cognitivos e  funcionais associados ao uso crônico; e identificar estratégias alternativas para minimizar os  riscos do uso prolongado, mantendo a eficácia terapêutica e o bem-estar dos pacientes.

2. METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão narrativa da literatura. A revisão narrativa consiste em um  método de pesquisa que tem como objetivo reunir, analisar e discutir criticamente as  evidências científicas disponíveis sobre determinado tema, de forma ampla e interpretativa.  Diferentemente das revisões sistemáticas e integrativas, esse tipo de revisão não segue um  protocolo metodológico rígido, permitindo maior flexibilidade na seleção e interpretação das  informações, o que possibilita uma compreensão mais abrangente do fenômeno estudado  (Rother, 2007). 

Foram incluídos estudos originais que avaliaram o impacto do uso prolongado de  alprazolam em pacientes com Transtorno de Pânico (ou síndrome do pânico), publicados entre  2013 e 2024, nos idiomas português e inglês. Os estudos selecionados deveriam abordar  especificamente os efeitos do uso contínuo de alprazolam no tratamento da síndrome do  pânico, incluindo sua eficácia, segurança, dependência e efeitos adversos a longo prazo.  Foram excluídos estudos de revisão, anais de eventos científicos, livros, relatórios,  monografias, dissertações e teses, a fim de garantir a inclusão de dados primários e mais  atualizados sobre o tema. 

A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS, utilizando os  descritores alprazolam, Transtorno de Pânico, uso prolongado, dependência, efeitos adversos e alprazolam prolonged use, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. 

O processo de seleção envolveu a pré-seleção e a subsequente avaliação dos estudos  conforme os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Após a identificação dos  descritores no título, resumo e/ou palavras-chave, os artigos selecionados tiveram seus  resumos (abstracts) analisados para verificar a elegibilidade. Aqueles que atenderam aos  critérios previamente definidos tiveram o texto completo obtido para análise e extração dos  dados. Artigos adicionais também foram incluídos com o objetivo de contextualizar e  justificar o tema abordado, bem como enriquecer a discussão e fundamentar as análises  apresentadas.

3. DISCUSSÕES 

O uso de benzodiazepínicos no tratamento de transtornos de ansiedade tem sido  amplamente estudado e discutido. Diversas pesquisas apontam para a eficácia dos  benzodiazepínicos, como o alprazolam, no manejo agudo de sintomas de ansiedade,  especialmente em situações de crise. Baldwin et al. (2019) destacam que, apesar de sua  eficácia a curto prazo, o uso prolongado desses medicamentos pode acarretar sérias  consequências para a saúde mental dos pacientes, incluindo dependência, tolerância e déficits  cognitivos. Esses efeitos adversos são particularmente preocupantes, pois podem  comprometer a qualidade de vida dos pacientes e a eficácia do tratamento em longo prazo. No  entanto, é importante observar que os benzodiazepínicos continuam sendo uma opção válida  para o tratamento de transtornos de ansiedade agudos, quando utilizados de forma controlada  e sob supervisão médica. 

Estudos como o de Lader et al. (2018) e Rickels et al. (2020) ressaltam os riscos  associados ao uso contínuo de benzodiazepínicos, especialmente em pacientes com  comorbidades psiquiátricas. Lader et al. (2018) descobriram que até 40% dos pacientes que  utilizam benzodiazepínicos por longos períodos desenvolvem dependência, o que reforça a  necessidade de estratégias de desmame cuidadosas. Em paralelo, Rickels et al. (2020)  compararam o alprazolam com outros benzodiazepínicos e observaram que, embora o  alprazolam seja eficaz na redução de sintomas de pânico, ele apresenta um risco maior de  abstinência severa, o que pode levar a complicações adicionais. Esses achados demonstram a complexidade do uso prolongado de benzodiazepínicos e a necessidade de monitoramento  contínuo. 

Além disso, a combinação de benzodiazepínicos com terapias psicossociais tem sido  considerada uma estratégia promissora, como evidenciado no estudo de Nardi et al. (2020).  Eles descobriram que a combinação de alprazolam com terapia cognitivo- comportamental  (TCC) pode potencializar os resultados iniciais no tratamento do transtorno do pânico.  Contudo, o uso prolongado do medicamento pode inibir o aprendizado terapêutico, afetando  negativamente os resultados a longo prazo. 

A pesquisa aponta que, após 6 meses de uso contínuo, pacientes que estavam em  tratamento combinado mostraram uma redução de 30% na eficácia da TCC, sugerindo que o  uso prolongado de benzodiazepínicos pode interferir no progresso terapêutico. 

A questão dos efeitos cognitivos adversos também é relevante no debate sobre o uso prolongado de benzodiazepínicos. Schatzberg (2019) identificou prejuízos significativos na memória de trabalho e na função executiva, especialmente em pacientes  idosos ou em uso prolongado de alprazolam. Esses déficits cognitivos podem comprometer a capacidade do paciente de realizar tarefas cotidianas, afetando sua autonomia e qualidade de  vida. A pesquisa sugere que a vigilância constante sobre os efeitos cognitivos é essencial,  especialmente em pacientes mais vulneráveis, como os idosos. 

Ashton (2020), por sua vez, discute os protocolos de desmame de benzodiazepínicos e destaca osriscos de abstinência abrupta. A abstinência de alprazolam, quando feita de forma  abrupta, pode resultar em efeitos adversos graves, como ansiedade rebote, insônia, tremores e  outros sintomas físicos e psicológicos intensos. Ashton propôs protocolos lentos e supervisionados para a redução gradual da dose, o que tem se mostrado mais eficaz na  prevenção de complicações durante o processo de descontinuação do medicamento. A aplicação dessas estratégias é fundamental para a segurança do paciente e para minimizar o  risco de recaída. 

Outra linha de pesquisa importante é a análise do impacto do uso prolongado de  benzodiazepínicos na regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), como observou  Dell’Osso et al. (2021). O estudo identificou que o uso contínuo de benzodiazepínicos pode alterar a regulação desse eixo, exacerbando asrespostas ao estresse e perpetuando os sintomas  ansiosos. Esse efeito não apenas agrava o quadro de ansiedade do paciente, mas também pode  criar um ciclo vicioso de dependência e agravamento dos sintomas, dificultando o controle da  condição a longo prazo. 

Por outro lado, os benefícios dos benzodiazepínicos em pacientes com comorbidades  psiquiátricas também foram observados. Smith e Glauser (2018) concluem que os  benzodiazepínicos são eficazes no manejo agudo da ansiedade em pacientes com transtornos  psiquiátricos concomitantes, como depressão e transtornos de personalidade. No entanto, o  uso prolongado desses medicamentos pode aumentar o risco de desenvolvimento de depressão  e apatia. No estudo realizado com 15 pacientes, aproximadamente 50% dos participantes que  usaram benzodiazepínicos por mais de seis meses apresentaram sinais de depressão, enquanto  cerca de 40% relataram sintomas de apatia, sugerindo que o uso contínuo pode afetar a saúde  mental de forma adversa. 

O uso de benzodiazepínicos em tratamentos a longo prazo requer, portanto, um  equilíbrio entre seus benefícios no controle da ansiedade e os riscos potenciais associados ao  uso prolongado. A dependência, a apatia e os déficits cognitivos são questões importantes que  devem ser consideradas tanto pelos profissionais de saúde quanto pelos pacientes. Estratégias de tratamento mais eficazes podem envolver a combinação de  benzodiazepínicos com outras abordagens terapêuticas, como a TCC, e o monitoramento  rigoroso dos efeitos colaterais (Marcos; Almeida, 2017). 

De acordo com Gomes e Silva (2015) é essencial que os profissionais de saúde, ao  prescreverem benzodiazepínicos, considerem os riscos e benefícios do tratamento e forneçam  um plano de manejo adequado para evitar complicações a longo prazo. O desmame  supervisionado e a abordagem gradual são fundamentais para a segurança do paciente e para  a eficácia do tratamento a longo prazo. Assim, um tratamento mais individualizado e centrado  nas necessidades específicas de cada paciente se mostra cada vez mais necessário. 

A pesquisa sobre os efeitos do uso prolongado de benzodiazepínicos também sugere que  uma avaliação constante do paciente é crucial para ajustar o tratamento conforme necessário.  Isso inclui monitorar os efeitos cognitivos, os sintomas de abstinência e o impacto na saúde mental. A implementação de estratégias de redução gradual e a utilização de abordagens terapêuticas complementares, como a TCC, são essenciais para otimizar os resultados do  tratamento.

4. CONCLUSÃO 

O alprazolam, como um benzodiazepínico, demonstrou ser uma ferramenta eficaz no  manejo agudo do Transtorno de Pânico, proporcionando alívio rápido e necessário dos  sintomas. Contudo, os achados desta revisão literária reforçam o consenso crescente de que  seu uso prolongado acarreta sérios riscos, comprometendo a segurança e os desfechos clínicos  de longo prazo.Os principais riscos identificados incluem o desenvolvimento de dependência  química, a exacerbação da ansiedade a longo prazo e o surgimento de déficits cognitivos mensuráveis. A função cognitiva é particularmente afetada, com prejuízos na memória de  trabalho e na função executiva, especialmente notáveis em pacientes idosos ou em uso  crônico, impactando diretamente a qualidade de vida e a autonomia. 

Adicionalmente, a combinação do alprazolam com terapias psicossociais, como a  Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), deve ser cuidadosamente planejada. Embora o  benzodiazepínico possa trazer benefícios no início, o uso continuado demonstrou prejudicar  o aprendizado terapêutico, limitando os ganhos da psicoterapia e a eficácia do tratamento a  longo prazo.Diante desses riscos, é imperativa uma abordagem multidisciplinar que integre  diferentes estratégias terapêuticas. Os protocolos de desmame supervisionado e gradual são  cruciais para a segurança do paciente, pois a interrupção abrupta pode desencadear efeitos  adversos graves, como a ansiedade rebote. 

Em suma, embora os benzodiazepínicos mantenham sua importância clínica no  controle da ansiedade, o seu papel deve ser estritamente limitado a situações agudas e períodos  curtos de tempo. Os resultados desta análise sublinham a necessidade de os profissionais de  saúde adotarem uma vigilância contínua e promoverem a conscientização sobre os riscos e  benefícios. A implementação rigorosa de protocolos de desmame e a priorização de estratégias  terapêuticas de longo prazo, como a TCC, são essenciais para otimizar os resultados e garantir  a recuperação sustentável do paciente com Transtorno de Pânico.

REFERÊNCIAS 

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1Faculdade UNICET, Teresina, Brasil E-mail: ana-beatriz-xavier-mix@hotmail.com

2Faculdade UNICET, Teresina, Brasil E-mail: @daniel.carvalho_@hotmail.com

3Faculdade UNICET, Teresina, Brasil E-mail: johnjohnrochamonteiro@gmail.com

4Faculdade UNICET, Teresina, Brasil  E-mail: Parte superior do documento

5Faculdade UNICET, Teresina, Brasil  E-mail: Parte superior do documento