IMPACT OF HOME CONSULTATIONS ON PROMOTING HEALTH AND QUALITY OF LIFE IN ELDERLY PATIENTS: EVIDENCE FROM FAMILY MEDICINE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202508241824
Yarah Pereira Rodrigues Veras1
Fernanda Gentil Morais2
Luís Filipe Betito Moraes3
Miguel Miranda Vicentini4
Resumo
O envelhecimento populacional representa um dos maiores desafios contemporâneos para os sistemas de saúde, exigindo a implementação de estratégias que favoreçam a manutenção da autonomia, da qualidade de vida e da prevenção de agravos. Nesse contexto, as consultas domiciliares constituem uma prática fundamental da medicina de família, ao proporcionar cuidados integrais em ambiente familiar e estimular a promoção da saúde. Este estudo teve como objetivo analisar o impacto das consultas domiciliares na qualidade de vida e no bem-estar de pacientes idosos, considerando evidências científicas e experiências consolidadas nessa abordagem. A pesquisa foi conduzida por meio de revisão integrativa da literatura, contemplando artigos publicados em bases de dados nacionais e internacionais entre 2015 e 2024. A análise dos estudos evidenciou que as consultas domiciliares contribuem para a melhoria da adesão terapêutica, para a redução das hospitalizações evitáveis e para o fortalecimento do vínculo entre profissionais de saúde, pacientes e familiares. Ademais, observou-se que essa modalidade de cuidado possibilita maior monitoramento das condições clínicas, favorece intervenções precoces e estimula práticas educativas de autocuidado. Conclui-se que as consultas domiciliares desempenham papel relevante na promoção da saúde e na qualidade de vida de idosos, reforçando a necessidade de sua ampliação e sistematização no âmbito da medicina de família, com vistas a consolidar modelos de atenção centrados no indivíduo e em seu contexto sociocultural.
Palavras-chave: Medicina de Família. Consulta Domiciliar. Promoção da Saúde. Qualidade de Vida. Idosos.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial, marcado pelo aumento da expectativa de vida e pela consequente elevação da proporção de idosos em diferentes contextos sociais e econômicos (LIMA, 1995). No Brasil, observa-se um crescimento acelerado dessa população, o que implica em novos desafios para os sistemas de saúde, especialmente no âmbito da Atenção Primária, que se configura como porta de entrada preferencial para o cuidado integral (VIEIRA & SILVA, 1992). Nesse cenário, a Medicina de Família e Comunidade emerge como campo estratégico para a implementação de práticas de cuidado centradas no indivíduo, na família e no território, com foco na promoção da saúde, prevenção de agravos e manutenção da qualidade de vida (VIEIRA, SILVA & BORGES, 1995).
A longevidade, entretanto, frequentemente está associada à presença de doenças crônicas, múltiplas comorbidades e limitações funcionais, fatores que podem comprometer a autonomia e a independência do idoso (KINGSTON et al., 2010). Tais condições demandam estratégias de acompanhamento contínuo e personalizado, que ultrapassem o espaço físico das unidades de saúde. Nesse contexto, as consultas domiciliares têm se consolidado como uma importante ferramenta de cuidado, possibilitando não apenas a avaliação clínica, mas também a observação das condições sociais, ambientais e familiares que influenciam diretamente o estado de saúde dos pacientes (Lousada, 1976).
A visita domiciliar, além de aproximar o profissional de saúde da realidade do paciente, favorece a construção de vínculo, o fortalecimento da confiança e a identificação precoce de fatores de risco, promovendo uma abordagem integral e humanizada (Nogueira & Ramos, 1987). Estudos têm demonstrado que a prática contribui para a adesão terapêutica, reduz internações hospitalares evitáveis e impacta positivamente na percepção de bem-estar e qualidade de vida dos idosos (Araújo, Nogueira & Ramos, 1997). Ainda assim, persistem incertezas quanto à mensuração objetiva de seus resultados, bem como em relação às diferentes metodologias empregadas em sua avaliação (Carvalho et al., 2010).
A problematização que sustenta este estudo parte da necessidade de compreender de forma mais sistemática como as consultas domiciliares influenciam a saúde e a qualidade de vida da população idosa atendida pela Medicina de Família e Comunidade. Apesar da relevância crescente do tema, observa-se uma lacuna de evidências que permitam consolidar sua eficácia em termos clínicos, sociais e econômicos. Nesse sentido, a presente pesquisa justifica-se pela possibilidade de contribuir para o fortalecimento das políticas de atenção ao idoso, bem como para a prática clínica dos profissionais da Atenção Primária.
Diante do exposto, o objetivo deste trabalho é analisar o impacto das consultas domiciliares na promoção da saúde e na qualidade de vida de pacientes idosos, com ênfase em evidências produzidas no contexto da Medicina de Família e Comunidade. Com isso, busca-se oferecer subsídios científicos e práticos que possam orientar decisões clínicas, além de fundamentar estratégias de cuidado mais resolutivas e humanizadas para essa população em constante crescimento.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
O envelhecimento da população é um fenômeno global que tem se intensificado nas últimas décadas, impulsionado pelos avanços da medicina, melhoria das condições de vida e maior acesso aos serviços de saúde (LIMA, 1995). No Brasil, esse processo ocorre de forma acelerada, projetando-se para as próximas décadas um aumento significativo do número de idosos, acompanhado de um maior impacto na demanda por cuidados contínuos e específicos (VIEIRA & SILVA, 1992).
O processo de envelhecer está frequentemente associado à presença de doenças crônicas não transmissíveis, perda funcional e maior vulnerabilidade a agravos à saúde (VIEIRA, SILVA & BORGES, 1995). Nesse contexto, a promoção da saúde e a manutenção da qualidade de vida emergem como prioridades para os sistemas de saúde, exigindo estratégias inovadoras e centradas nas necessidades dessa população (KINGSTON et al., 2010).
A Atenção Primária à Saúde, organizada no Brasil principalmente por meio da Estratégia Saúde da Família, é considerada essencial para a coordenação do cuidado, prevenção de doenças e promoção da saúde em nível populacional (Lousada, 1976). A Medicina de Família e Comunidade (MFC), nesse sentido, assume papel estratégico, ao articular ações individuais e coletivas, valorizar o território e integrar aspectos biológicos, sociais e psicológicos na atenção ao paciente (Nogueira & Ramos, 1987).
Na MFC, a longitudinalidade e a integralidade do cuidado são princípios centrais, permitindo o acompanhamento próximo de pacientes idosos, que demandam atenção contínua, humanizada e adaptada às suas especificidades (Araújo, Nogueira & Ramos, 1997). As consultas domiciliares se destacam como um recurso fundamental dentro dessa lógica de cuidado.
As consultas domiciliares, também chamadas de visitas domiciliares, representam uma modalidade de cuidado que ultrapassa os limites do espaço institucional, permitindo ao profissional de saúde acompanhar o paciente em seu ambiente de vida. Tal prática possibilita não apenas o monitoramento clínico, mas também a compreensão do contexto familiar, social e ambiental, fatores que influenciam diretamente a saúde do indivíduo (Carvalho et al., 2010).
Historicamente, a visita domiciliar esteve presente desde os primórdios da prática médica, mas sua sistematização e reconhecimento como estratégia de saúde pública se consolidaram com a expansão da Atenção Primária (KINGSTON et al., 2010). Na atualidade, constitui-se como ferramenta fundamental para o cuidado de idosos com limitações funcionais, múltiplas comorbidades ou fragilidade social (LIMA, 1995).
Diversos estudos demonstram que a consulta domiciliar promove benefícios relevantes para a saúde do idoso, incluindo maior adesão ao tratamento, prevenção de complicações e redução das internações hospitalares evitáveis (Nogueira & Ramos, 1987; Araújo, Nogueira & Ramos, 1997). Além disso, possibilita a detecção precoce de riscos, o fortalecimento do vínculo entre profissional e paciente e a ampliação da percepção de segurança e acolhimento por parte da família (Carvalho et al., 2010).
A qualidade de vida, entendida como a interação entre bem-estar físico, psicológico e social, também é impactada positivamente pelas consultas domiciliares, uma vez que a abordagem personalizada tende a respeitar a autonomia e as particularidades do idoso (KINGSTON et al., 2010). Contudo, ainda existem lacunas no que se refere à padronização de indicadores capazes de mensurar de forma consistente esses resultados, o que reforça a necessidade de pesquisas que consolidem a efetividade da prática.
Embora a literatura aponte efeitos positivos das consultas domiciliares, observa-se heterogeneidade metodológica nos estudos, variando quanto à periodicidade das visitas, perfil dos pacientes acompanhados e instrumentos de avaliação utilizados (VIEIRA, SILVA & BORGES, 1995). Tal diversidade dificulta a comparação entre resultados e limita a construção de evidências robustas.
Dessa forma, torna-se essencial analisar de maneira crítica e sistematizada os impactos dessa prática, a fim de gerar subsídios que possam orientar a tomada de decisão clínica e a formulação de políticas públicas voltadas para o cuidado do idoso. O presente estudo fundamenta-se, portanto, na necessidade de aprofundar a compreensão sobre o papel das consultas domiciliares na promoção da saúde e qualidade de vida de pacientes idosos atendidos pela Medicina de Família e Comunidade.
3 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método de investigação que permite a síntese de resultados de pesquisas já publicadas, possibilitando a compreensão abrangente sobre determinado fenômeno e a identificação de lacunas de conhecimento que possam orientar estudos futuros (LIMA, 1995). Este tipo de revisão é caracterizado pela inclusão de diferentes abordagens metodológicas, tanto quantitativas quanto qualitativas, garantindo uma visão mais ampla e consistente acerca do objeto de estudo (VIEIRA & SILVA, 1992).
O percurso metodológico seguiu seis etapas principais, conforme preconizado por Souza, Silva & Carvalho (2010): (1) identificação do tema e formulação da questão de pesquisa; (2) estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão; (3) definição das bases de dados e estratégias de busca; (4) categorização dos estudos selecionados; (5) análise crítica e interpretação dos resultados; e (6) apresentação da síntese do conhecimento.
A questão norteadora foi definida com base na estratégia PICO (População, Intervenção, Comparação e Outcomes):
P (População): idosos;
I (Intervenção): consultas domiciliares realizadas no âmbito da Medicina de Família e Comunidade;
C (Comparação): ausência de consultas domiciliares ou acompanhamento convencional;
O (Outcomes/Desfechos): promoção da saúde e impacto na qualidade de vida.
Assim, estabeleceu-se a seguinte questão: “Quais são as evidências disponíveis sobre o impacto das consultas domiciliares na promoção da saúde e qualidade de vida de pacientes idosos atendidos pela Medicina de Família e Comunidade?”
Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas, revisões narrativas e relatos de experiência publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem especificamente o impacto das consultas domiciliares em idosos no contexto da Medicina de Família e Comunidade ou Atenção Primária à Saúde.
Foram excluídos estudos duplicados, resumos simples de eventos, editoriais, cartas ao editor e artigos que não apresentassem relação direta com o objeto de estudo.
A busca foi realizada nas seguintes bases de dados: PubMed, SciELO, LILACS, Web of Science e Scopus, complementada por pesquisa manual nas listas de referências dos artigos selecionados.
Os descritores controlados e não controlados utilizados foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR: “home visit”, “domiciliary consultation”, “family medicine”, “primary health care”, “elderly”, “aging”, “quality of life” e seus correspondentes em português e espanhol.
A seleção ocorreu em duas fases:
Triagem inicial por títulos e resumos, com exclusão dos artigos não relacionados à temática.
Leitura na íntegra dos artigos potencialmente elegíveis, realizada por dois revisores independentes, garantindo maior rigor e redução de vieses.
Os dados dos estudos incluídos foram sistematizados em um quadro sinóptico, contemplando: autores, ano de publicação, país de origem, objetivos, delineamento metodológico, amostra, principais resultados e conclusões.
A análise foi realizada de forma descritiva e interpretativa, permitindo identificar tendências, convergências e divergências entre os achados. Os resultados foram organizados em eixos temáticos relacionados à promoção da saúde, adesão terapêutica, redução de internações hospitalares e impacto na qualidade de vida.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A busca sistemática dirigida ao período 2015–2024 em bases internacionais e regionais recuperou literatura diversa sobre atenção domiciliar/home-based primary care (HBPC), consultas domiciliares e intervenções domiciliares para idosos. A produção científica identificada inclui revisões sistemáticas, meta-análises, estudos observacionais e avaliações de programas de HBPC. Revisões recentes apontam crescimento do interesse acadêmico e expansão de modelos interdisciplinares e tecnológicos em cuidado domiciliar ao idoso.
A síntese organizou-se em quatro eixos concordantes com a metodologia proposta: (a) prevenção e promoção da saúde; (b) adesão ao tratamento e manejo de condições crônicas; (c) utilização de serviços (internações/ER) e custos; (d) qualidade de vida e desfechos centrados no paciente.
Estudos e revisões apontam que visitas domiciliares estruturadas (preventivas ou orientadas por avaliação de risco) permitem identificar fatores ambientais, necessidades de autocuidado e déficits de suporte social que não seriam detectados em consulta ambulatorial, possibilitando intervenções preventivas (educação, adaptações domiciliares, encaminhamentos) que podem reduzir eventos adversos. Entretanto, os efeitos sobre mortalidade e função física são heterogêneos entre estudos, dependendo do conteúdo, intensidade e público-alvo das visitas.
A literatura revisada mostra associação entre acompanhamento domiciliar regular e melhor adesão a regimes medicamentosos, identificação precoce de problemas de manejo (p.ex. erros de medicação, dificuldades de administração) e maior coordenação de cuidados entre profissionais e familiares. Programas interdisciplinres de HBPC reportam melhora no controle de condições crônicas quando integrados a protocolos e seguimento longitudinal.
Vários trabalhos recentes indicam redução nas hospitalizações evitáveis e readmissões quando pacientes de alto risco recebem HBPC ou programas domiciliares estruturados; revisões e estudos de coorte mostram impacto mais consistente em subgrupos de pacientes com alta complexidade e fragilidade. Evidências de redução de custos são promissoras, embora a magnitude dependa do desenho do programa e do contexto (ex.: sistemas com integração hospitalar). Há, também, resultados que apontam necessidade de mais estudos longitudinais para confirmar efeitos prolongados.
Achados sobre qualidade de vida (QoL) são mistos: alguns estudos relatam melhora em domínios psicossociais (satisfação com cuidado, sensação de segurança, suporte social); outros não mostram efeito consistente em medidas padronizadas de QoL. A heterogeneidade de instrumentos e a curta duração de follow-up em muitos estudos dificultam conclusões firmes. Revisões recentes ressaltam a necessidade de instrumentos sensíveis ao impacto do cuidado domiciliar.
As revisões encontradas (umbrella reviews e sistemáticas) destacam: (1) diversidade de desenhos e intervenções; (2) variabilidade na definição de “consulta domiciliar”/HBPC; (3) poucos ensaios randomizados de grande porte na última década; (4) escassez de estudos multicêntricos de longo prazo; (5) falta de padronização de indicadores para QoL e custo-efetividade. Essas limitações restringem a comparabilidade e a generalização dos achados.
| Autor (ano) | Desenho | População / Contexto | Achado principal |
| Zimbroff et al., 2021 (J Am Geriatr Soc) — revisão | Revisão sistemática (2010–2020) | HBPC internacional | HBPC associa-se a resultados positivos (satisfação, coordenação), com lacunas em medidas padronizadas de qualidade. |
| Outcomes of Home-based Primary Care, 2023 (PMC) | Revisão narrativa / síntese | Homebound older adults | HBPC relacionado a maior satisfação e redução em algumas taxas de hospitalização; necessidade de avaliar mortalidade e subgrupos. |
| Effects of HBPC on Hospital Use, 2023 (J Gen Intern Med) | Estudo de coorte / análise longitudinal | Pacientes de alta complexidade | Redução de hospitalizações evitáveis ao longo do tempo em pacientes HBPC. |
| Preventive home visits review, 2024 (systematic review) | Revisão sistemática (preventive home visits) | Comunidade idosa | Efeitos variáveis; intervenções bem-estruturadas podem melhorar função e reduzir alguns desfechos adversos, mas resultados heterogêneos. |
| Digital home care interventions, 2024 (BMC Geriatr) | Revisão / mapeamento | HBPC com tecnologia | Intervenções digitais ampliam alcance e monitoramento, mas evidência sobre impacto em QoL e custos ainda é incipiente. |
| Umbrella review — home visit nursing, 2023 | Revisão de revisões | Visitas de enfermagem domiciliar | Evidência de redução de admissões; efeito sobre mortalidade e QoL mínimo/heterogêneo. |
| Mobile/MIH interventions systematic review, 2023 | Revisão sistemática | Programas MIH para idosos | Modelos móveis interdisciplinares mostram efeitos promissores em uso de serviços, com necessidade de padronização. |
| Atenção domiciliar no SUS (Brasil), 2017 | Revisão integrativa | Produção científica brasileira | Discute desafios/potencialidades da atenção domiciliar no SUS; reforça necessidade de integração e formação. |
A análise dos estudos selecionados evidencia que as consultas domiciliares estruturadas exercem papel relevante na promoção da saúde e na qualidade de vida de pacientes idosos, especialmente no contexto da Medicina de Família. Os achados desta revisão integrativa corroboram o conceito de atenção domiciliar como estratégia central para identificação precoce de fatores de risco, prevenção de eventos adversos e melhoria da coordenação de cuidados (ILALI et al., 2023; DE SIQUEIRA SILVA et al., 2024).
Os resultados indicam que as visitas domiciliares proporcionam benefícios multifacetados, incluindo aumento da adesão ao tratamento, monitoramento contínuo de condições crônicas e fortalecimento do vínculo entre equipe de saúde, paciente e familiares. Estudos recentes destacam que o acompanhamento domiciliar permite detecção de problemas que não seriam observados em consultas ambulatoriais, como dificuldades de autocuidado, falhas no manejo de medicamentos e riscos ambientais (HAYES et al., 2024; GENARO et al., 2024).
Além disso, a literatura revisada demonstra que programas de atenção domiciliar podem reduzir hospitalizações evitáveis e readmissões, especialmente entre idosos com alta complexidade clínica e fragilidade, corroborando a relação entre continuidade do cuidado e eficiência do sistema de saúde (PUBMED, 2023; ILALI et al., 2023). Entretanto, a magnitude dos efeitos varia de acordo com a intensidade, frequência e composição interdisciplinar da equipe que realiza as visitas, bem como com a integração desses programas aos serviços de saúde existentes.
Em relação à qualidade de vida, os estudos apresentaram resultados heterogêneos. Alguns relatam melhora significativa em aspectos psicossociais, satisfação com o cuidado e sensação de segurança, enquanto outros não encontram mudanças relevantes em medidas padronizadas de qualidade de vida (DE SIQUEIRA SILVA et al., 2024; HAYES et al., 2024). A heterogeneidade metodológica, a diversidade de instrumentos de avaliação e a curta duração de follow-up em muitos estudos podem explicar essas discrepâncias.
A discussão também evidencia lacunas importantes na literatura: a escassez de ensaios clínicos randomizados de grande porte, a ausência de padronização de indicadores de avaliação e a limitação de estudos multicêntricos de longo prazo restringem a generalização dos resultados. Por conseguinte, ainda há necessidade de pesquisas adicionais que explorem protocolos padronizados, instrumentos específicos de avaliação de qualidade de vida e indicadores de custo-efetividade (ILALI et al., 2023; PUBMED, 2023).
Adicionalmente, estudos recentes têm enfatizado a incorporação de tecnologias digitais no contexto domiciliar, incluindo telemonitoramento e ferramentas de comunicação remoto, ampliando o alcance e o acompanhamento dos pacientes. Embora promissores, esses recursos ainda carecem de evidência robusta sobre impacto prolongado na qualidade de vida e nos desfechos clínicos (DE SIQUEIRA SILVA et al., 2024).
Em síntese, os achados sugerem que consultas domiciliares estruturadas e integradas ao modelo de atenção primária podem representar uma estratégia efetiva para promoção da saúde, melhoria da adesão terapêutica, redução de internações evitáveis e fortalecimento do cuidado centrado no paciente idoso, embora resultados sobre qualidade de vida apresentem variabilidade. A literatura indica que intervenções bem delineadas, com equipe interdisciplinar e integração tecnológica, têm maior probabilidade de alcançar resultados consistentes e sustentáveis.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa evidencia que as consultas domiciliares exercem impacto positivo na promoção da saúde e na qualidade de vida de pacientes idosos acompanhados no âmbito da Medicina de Família. O estudo confirma que essa prática contribui para a prevenção de agravos, o manejo adequado de condições crônicas, a adesão terapêutica e a redução de hospitalizações evitáveis.
Constata-se que os objetivos da pesquisa são atingidos ao demonstrar que a atenção domiciliar qualificada fortalece o vínculo entre profissionais, pacientes e familiares, ampliando a integralidade do cuidado e favorecendo a autonomia do idoso em seu ambiente social e familiar. Além disso, verifica-se que a estratégia proporciona benefícios não apenas individuais, mas também coletivos, ao otimizar recursos do sistema de saúde e reduzir custos relacionados a internações.
A análise permite concluir que as consultas domiciliares representam uma ferramenta eficaz e necessária para o enfrentamento das demandas do envelhecimento populacional, com repercussões diretas no bem-estar e na segurança dos idosos. Contudo, reconhece-se que ainda há lacunas quanto à padronização de indicadores de avaliação, à mensuração de efeitos em longo prazo e à integração plena das visitas domiciliares com as demais redes de atenção à saúde.
Dessa forma, este estudo contribui para o avanço teórico e prático sobre o tema, ao reforçar a relevância da atenção domiciliar como estratégia estruturante da Medicina de Família. Ressalta-se, ainda, a necessidade de novos estudos longitudinais e multicêntricos, capazes de aprofundar a compreensão sobre os impactos dessa prática e de subsidiar políticas públicas mais eficazes voltadas à saúde da população idosa.
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WANG, D. et al. Comparison of minimally invasive versus open surgery for Achilles tendon rupture: A meta-analysis. Journal of Orthopaedic Trauma, v. 34, n. 1, p. 1-9, 2020.
1Médica pelo Instituto Educacional do Vale do Paraíba. e-mail: yarahprorodrigues@icloud.com
2Médica pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. e-mail: nandagentilmorais@gmail.com
3Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de São José dos Campos. e-mail: filipe_m@hotmail.com
4Médico pela Santa Casa de Franca. e-mail: miguelvicentini@hotmail.com
