IMPACTO DA SAÚDE PERIODONTAL NA LONGEVIDADE DAS PRÓTESES DENTÁRIAS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511202045


Erick Johnny Franco Queiroz
Orientador: Prof. Me. Alfredo Waldemar Zenkner Neto


RESUMO

A reabilitação oral por meio de próteses dentárias constitui um marco da odontologia moderna, restabelecendo funções mastigatórias, estéticas e sociais. Entretanto, a longevidade das próteses está diretamente relacionada à condição periodontal, uma vez que tecidos comprometidos podem gerar falhas funcionais e estéticas. O objetivo deste estudo foi analisar a influência da saúde periodontal na durabilidade das próteses dentárias, identificando os principais problemas periodontais que comprometem seu desempenho, avaliando a relação entre doenças periodontais e falhas protéticas e destacando estratégias de manutenção que assegurem maior previsibilidade clínica. A metodologia consistiu em uma revisão de literatura narrativa, realizada em bases como PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a interação entre saúde periodontal e longevidade de próteses fixas ou removíveis. Estudos duplicados, experimentais em animais, resumos e artigos sem indexação formal foram excluídos. Os resultados mostram que saúde periodontal influencia diretamente a durabilidade das próteses, pois inflamações e perda óssea aumentam o risco de falhas. Doenças periodontais comprometem o desempenho protético, especialmente na presença de biofilme e má adaptação marginal. Assim, a manutenção periodontal é essencial para maior previsibilidade clínica.. Em contrapartida, pacientes com saúde periodontal estável, adesão a protocolos de manutenção e hábitos de higiene adequados apresentam taxas significativamente mais altas de sucesso e durabilidade das próteses. Destaca-se, ainda, a importância da integração entre periodontia e prótese, associada ao engajamento do paciente, para resultados funcionais e estéticos duradouros.

Palavras-chave: Saúde periodontal; Próteses dentárias; Reabilitação oral.

ABSTRACT

Oral rehabilitation through dental prostheses is a milestone of modern dentistry, restoring masticatory, aesthetic, and social functions. However, the longevity of prostheses is directly linked to periodontal health, as compromised tissues may lead to functional and aesthetic failures. The aim of this study was to analyze the influence of periodontal health on the durability of dental prostheses, identifying the main periodontal problems that compromise their performance, evaluating the relationship between periodontal diseases and prosthetic failures, and highlighting maintenance strategies that ensure greater clinical predictability. This research was conducted as a narrative literature review, using databases such as PubMed, SciELO, LILACS, and Google Scholar. Articles published between 2015 and 205 in Portuguese, English, and Spanish were included, provided they addressed the relationship between periodontal health and the longevity of fixed or removable prostheses. Duplicated papers, animal or in vitro studies, abstracts, and non-indexed publications were excluded. The results show that periodontal health directly influences the longevity of prostheses, as inflammation and bone loss increase the risk of failure. Periodontal diseases compromise prosthetic performance, especially in the presence of biofilm and poor marginal adaptation. Thus, periodontal maintenance is essential for greater clinical predictability. Conversely, patients with stable periodontal health, adherence to maintenance protocols, and proper hygiene habits exhibit significantly higher success rates and prosthesis longevity. Furthermore, the integration between periodontics and prosthodontics, along with patient engagement, proved essential for long-term functional and aesthetic outcomes.

Keywords: Periodontal health; Dental prostheses; Oral rehabilitation.

1. INTRODUÇÃO

A reabilitação oral por meio de próteses dentárias, sejam fixas, removíveis ou sobre implantes, representa uma das mais relevantes conquistas da odontologia moderna, pois busca restabelecer a função mastigatória, a estética facial e a fonética do paciente. Conforme destacam Almeida et al. (2023), a ausência de dentes não é apenas uma limitação física, mas um fator com profundas repercussões sociais e emocionais, afetando a autoestima, a comunicação e a nutrição do indivíduo. Assim, as próteses desempenham um papel multifacetado, não apenas reabilitando a arcada dentária, mas também restaurando a autoconfiança e a qualidade de vida.

Além do impacto psicossocial, o sucesso de uma reabilitação protética está diretamente relacionado à busca por longevidade e estabilidade das próteses. Como apontam Costa et al. (2016), a durabilidade das restaurações depende de múltiplos fatores, dentre eles o correto planejamento, a escolha dos materiais, e, principalmente, a condição dos tecidos de suporte. Vaz et al. (2015) e Rezende & Fajardo (2016) também enfatizam que a função e a estética devem caminhar juntas, sendo imprescindível o alinhamento entre as estruturas dentárias e periodontais.

Nesse contexto, a integração da odontologia restauradora com outras especialidades se torna essencial. Lobo et al. (2015) e Ferro et al. (2021) reforçam a importância de uma abordagem multidisciplinar para garantir resultados estéticos e funcionais duradouros, especialmente em reabilitações complexas. A relação entre a estética branca (elementos dentários) e a estética vermelha (gengiva e tecidos de suporte) deve ser cuidadosamente considerada no planejamento protético.

Não se pode desassociar a reabilitação protética da condição clínica do periodonto. Segundo Arias et al. (2015), um tecido periodontal comprometido pode comprometer não apenas a estabilidade da prótese, mas também agravar quadros inflamatórios preexistentes, dificultando o sucesso clínico. Da mesma forma, de Lima Júnior et al. (2023) alertam que a ausência de uma interação harmônica entre a prótese e o biotipo periodontal pode resultar em insucessos a curto e longo prazo, reforçando a necessidade de um planejamento que contemple a condição dos tecidos de suporte.

A avaliação clínica prévia é indispensável, incluindo análise do tecido gengival, mobilidade dos dentes pilares, presença de recessões, perdas ósseas e acúmulo de biofilme, conforme observado por Santos et al. (2002) e Petry et al. (2019). Esta etapa inicial assegura que a reabilitação proposta esteja fundamentada em bases periodontais estáveis, aumentando significativamente as chances de longevidade das próteses instaladas.

Desta forma, os objetivos deste estudo visam analisar a influência da saúde periodontal na longevidade das próteses dentárias fixas, identificando os principais problemas periodontais que podem comprometer sua durabilidade, avaliando a relação entre doenças periodontais e falhas protéticas, como deslocamento ou perda do elemento restaurador, e revisando estratégias de manutenção periodontal capazes de garantir a preservação funcional e estética das próteses a longo prazo.

2. METODOLOGIA

O presente estudo trata-se de uma revisão de literatura narrativa, cujo objetivo será analisar a influência da saúde periodontal na longevidade das próteses dentárias. Para isso, foram realizadas buscas sistematizadas em bases de dados científicas amplamente reconhecidas, como PubMed, SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e Google Acadêmico. A pesquisa bibliográfica foi conduzida  utilizando trabalhos publicados entre os anos de 2015 e 2025, disponíveis integralmente em português, inglês ou espanhol.

A seleção dos artigos considerou como critérios de inclusão as publicações disponíveis na íntegra, que abordem diretamente a relação entre a saúde periodontal e o desempenho ou durabilidade de próteses dentárias fixas ou removíveis. Foram excluídos da análise artigos duplicados nas plataformas, estudos experimentais realizados em animais ou in vitro, bem como resumos de eventos, cartas ao editor e teses que não estiverem indexadas em repositórios científicos formais. Trabalhos com foco exclusivo em implantes dentários, que não abordem o tecido periodontal como fator de suporte, também serão desconsiderados.

Para garantir a precisão na identificação dos estudos, foram utilizados descritores padronizados do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), sendo eles: “Periodontia”, “Prótese Dentária” e “Prótese Periodontal. A combinação desses descritores com operadores booleanos como “AND” e “OR” permitirá refinar os resultados obtidos nas plataformas e direcionar a busca para artigos que tratem da relação entre tecidos periodontais e a longevidade dos tratamentos protéticos. A triagem inicial foi feita por meio da leitura dos títulos e resumos dos artigos identificados. Em seguida, os textos completos dos estudos selecionados serão avaliados na íntegra, considerando sua metodologia, resultados, discussões e conclusões.

A análise final foi conduzida com base na extração de dados relevantes ao tema, organizando as evidências em uma abordagem narrativa. Dessa forma, esta revisão buscou reunir e discutir as principais contribuições científicas da última década que sustentam a importância da saúde periodontal como fator para o sucesso e a durabilidade das próteses dentárias, fornecendo subsídios para a prática clínica e para futuras investigações na área.

3. REVISÃO DE LITERATURA

3.1 Saúde periodontal como fator de suporte

A saúde periodontal é o alicerce sobre o qual se sustenta qualquer reabilitação protética duradoura. O periodonto, composto por gengiva, osso alveolar, ligamento periodontal e cemento, atua como estrutura de suporte essencial para a retenção, estabilidade e estética das próteses dentárias. Segundo Costa et al. (2016), a interação entre os preparos restauradores e os tecidos periodontais é dinâmica e indissociável, sendo indispensável preservar as dimensões biológicas para evitar inflamações, recessões e perda de inserção.

A correta morfologia das restaurações protéticas deve respeitar o espaço biológico – a distância que abrange o epitélio juncional e a inserção conjuntiva. De acordo com Gargiulo et al. (1961 apud Costa, 2016) e reafirmado por Schmidt et al. (2013), a violação desse espaço pode desencadear uma série de consequências clínicas, como reabsorção óssea, formação de bolsas periodontais e falhas restauradoras. Assim, a adaptação marginal e a localização cervical das próteses devem ser criteriosamente planejadas, conforme recomendam Pegoraro et al. (2013).

Além disso, o biótipo periodontal influencia diretamente a resposta dos tecidos à intervenção protética. Conforme Caldato et al. (2018), gengivas espessas e festonadas reagem de forma mais estável a procedimentos cirúrgicos e restauradores, enquanto tecidos finos e delicados, como os encontrados nos biótipos tipo IV,  que se caracteriza por ser uma gengiva volumosa, com contorno mais festonado, papilas mais cheias, espessura aumentada e menor risco de recessão, porém tendência a formação de bolsas periodontais em inflamações, são mais suscetíveis a retrações e complicações estéticas (Caldatto, et al., 2023). Essa variação morfológica reforça a importância de uma análise prévia individualizada de cada paciente.

A integração entre as características periodontais e o formato dentário também deve ser considerada. Navarrete et al. (2015) demonstram que dentes com forma quadrada geralmente estão associados a tecidos periodontais mais espessos, enquanto dentes ovais tendem a estar acompanhados de gengiva fina e maior curvatura cervical. Essas particularidades anatômicas influenciam a escolha da técnica e do tipo de prótese, impactando diretamente na previsibilidade do tratamento.

3.2 Relação entre Próteses e Tecido Periodontal

A integração entre próteses dentárias e tecidos periodontais é um fator crucial para o sucesso clínico e estético das reabilitações orais. A interface entre a prótese e o tecido gengival deve respeitar o espaço biológico, que compreende a distância necessária para a inserção dos tecidos periodontais junto à superfície dental. Como destacado por Larissa da Silva Costa et al. (2016), a violação desse espaço pode acarretar inflamações crônicas, perda de inserção e reabsorção óssea, comprometendo não apenas a saúde periodontal, mas também a longevidade do trabalho protético.

Erros técnicos como a má adaptação marginal e o sobrecontorno das coroas podem causar sérios prejuízos periodontais. Segundo Lima Júnior et al. (2023), uma adaptação inadequada pode gerar acúmulo de biofilme, inflamação gengival, sangramento à sondagem e até formação de bolsas periodontais. Essas alterações não só prejudicam a saúde dos tecidos periodontais, como também reduzem a previsibilidade e durabilidade das reabilitações. Da mesma forma, a forma e o posicionamento do término cervical influenciam diretamente na resposta biológica do periodonto.

O preparo dental inadequado e a escolha incorreta dos contornos coronários também têm grande influência sobre o tecido gengival. Conforme Costa et al. (2016) e Pegoraro et al. (2013), o formato cervical axial e o contorno fisiológico das restaurações devem ser respeitados para evitar traumas ao periodonto marginal. Além disso, o preparo excessivo pode levar à exposição pulpar, enquanto o preparo insuficiente favorece o sobrecontorno, prejudicando a higiene e aumentando a inflamação gengival.

A interação entre a forma da coroa e o biotipo gengival também merece atenção. Dentes com formato quadrado geralmente apresentam um biotipo periodontal espesso, mais resistente a retrações, enquanto dentes ovoides estão associados a gengivas finas e maior risco de recessões (Navarrete et al., 2015). Por isso, o conhecimento prévio da morfologia periodontal é essencial para decisões restauradoras assertivas, como reforça o estudo de Caldato et al. (2018).

Portanto, a preservação do espaço biológico, o respeito aos contornos coronários naturais e a adaptação precisa das próteses são pilares fundamentais na harmonia entre a prótese e os tecidos periodontais. A negligência desses fatores pode levar a complicações significativas, que vão desde alterações estéticas até a falência do tratamento. Assim, a integração entre prótese e periodonto não pode ser encarada de forma isolada, exigindo planejamento criterioso e abordagem individualizada para cada paciente.

3.3 Planejamento Multidisciplinar em Reabilitação Oral

O sucesso das reabilitações orais está diretamente relacionado ao planejamento multidisciplinar entre as especialidades odontológicas. De acordo com Lima Júnior et al. (2022) e Costa et al. (2016), a interação entre periodontia e prótese deve ser considerada desde o início do planejamento, especialmente em casos complexos onde há necessidade de harmonizar a estética branca e vermelha. A avaliação periodontal prévia permite identificar alterações como bolsas, recessões, inflamações e biotipo gengival, influenciando diretamente na previsibilidade do tratamento protético.

A avaliação clínica detalhada, com sondagem periodontal e exames radiográficos, possibilita diagnosticar a saúde do periodonto e prever eventuais necessidades cirúrgicas antes da instalação das próteses. Como destacam Caldato et al. (2018) e Souza et al. (2016), o conhecimento do biotipo periodontal orienta a escolha da técnica mais apropriada, podendo envolver gengivoplastias, aumentos de coroa clínica ou enxertos de tecidos duros e moles.

O planejamento multidisciplinar também favorece a adaptação da prótese ao perfil periodontal do paciente. Lima Júnior et al. (2023) apontam que próteses bem adaptadas respeitam o zênite gengival, o sorriso do paciente, a linha do lábio e a proporção entre altura e largura dental, especialmente na região anterior. Esses elementos garantem a estética e evitam danos mecânicos e inflamatórios ao periodonto.

Além disso, a escolha do material restaurador e o desenho protético devem estar em consonância com o estado periodontal do paciente. De acordo com Almeida et al. (2023), próteses fixas mal adaptadas podem exercer forças excessivas sobre os dentes pilares e tecidos de suporte, contribuindo para reabsorções ósseas e falhas restauradoras. Por isso, um plano de tratamento personalizado e interdisciplinar é indispensável para alcançar longevidade funcional e estética.

Dessa forma, a colaboração entre o periodontista e o protesista vai além da soma de técnicas; trata-se de uma sinergia clínica capaz de proporcionar estabilidade tecidual, conforto ao paciente e resultados estéticos previsíveis. A ausência desse planejamento conjunto pode resultar em falhas precoces do tratamento e comprometer a saúde bucal a longo prazo. Como reforçam Ferreira et al. (2018), somente por meio dessa integração é possível atingir excelência em reabilitações orais.

4.DISCUSSÃO

A estabilidade biomecânica das próteses fixas é amplamente reconhecida como dependente da integridade dos tecidos periodontais. Justo et al. (2017) e Fontella, Costa e Vidal (2022) sustentam que o periodonto saudável oferece suporte ósseo adequado e preserva o espaço biológico, garantindo maior longevidade às reabilitações. Entretanto, Oliveira et al. (2025) trazem uma visão mais cautelosa ao argumentar que, mesmo com periodonto aparentemente saudável, falhas na execução protética ainda podem comprometer o prognóstico, sugerindo que a condição periodontal, embora essencial, não é suficiente por si só.

No que se refere aos fatores biológicos de risco, Petyk et al. (2020) atribuem ao biofilme o papel central nas falhas associadas a próteses, especialmente quando há margens mal adaptadas ou o uso de próteses parciais removíveis. Contudo, Zlataric, Celebic e Valentić-Peruzović (2002) enfatizam que o desenho da prótese — mais do que o acúmulo de biofilme por si só — é o principal determinante para alterações periodontais. Essa posição contrasta com a de Oliveira et al. (2025), que defendem um papel igualmente relevante tanto da higiene quanto do desenho protético, indicando que a relação entre esses elementos é mais complexa do que as abordagens isoladas sugerem.

Outro ponto de debate emerge na discussão sobre mobilidade dentária. Para Carreiro et al. (2016) e Fontella, Costa e Vidal (2022), trata-se de um sinal crítico, pois compromete não apenas a adaptação marginal como também acelera as falhas protéticas. Em contraposição, Oliveira et al. (2025) argumentam que, embora a mobilidade seja um fator preocupante, ela pode ser manejada com sucesso por meio de uma seleção mais criteriosa de dentes pilares e reforço no planejamento biomecânico, evitando a exclusão automática desses dentes como elementos de suporte.

A adaptação marginal também gera posições divergentes. Almeida et al. (2011) e Pimentel (2013) defendem que margens inadequadas são um dos principais causadores de falhas, favorecendo a inflamação periodontal e a perda óssea. Entretanto, alguns estudos apontados por Petyk et al. (2020) indicam que o impacto das margens pode ser mitigado por uma higienização rigorosa e acompanhamento clínico próximo, o que relativiza a ideia de que falhas marginais levem inevitavelmente à deterioração periodontal.

No campo dos fatores comportamentais, Petyk et al. (2020) atribuem grande parte das falhas à baixa adesão dos pacientes às práticas de higiene. Xavier (2019) e Ribeiro (2018), porém, argumentam que, embora o comportamento do paciente seja decisivo, o papel do profissional em promover educação continuada, motivação e controle clínico é igualmente determinante. Esses autores desafiam a visão que responsabiliza exclusivamente o paciente, reforçando que o sucesso é resultado de uma relação de corresponsabilidade.

Quando se trata da manutenção periodontal, há novamente nuances entre os autores. Petyk et al. (2020) e Oliveira et al. (2025) defendem protocolos rígidos e frequentes, com intervalos curtos de acompanhamento clínico. Por outro lado, estudos clínicos mais recentes, como os discutidos por Tada et al. (2014), sugerem que a frequência ideal de manutenção pode variar conforme o risco individual, questionando abordagens padronizadas e defendendo um modelo personalizado.

Em relação à longevidade protética, Carreiro et al. (2016) e Oliveira et al. (2025) afirmam que pacientes com periodonto estável apresentam significativamente melhor prognóstico. Contudo, há autores que relativizam essa visão, sugerindo que técnicas protéticas avançadas e novos materiais podem compensar parcialmente as limitações impostas por condições periodontais comprometidas. Apesar disso, Fontella, Costa e Vidal (2022) insistem que, mesmo com avanços tecnológicos, a ausência de saúde periodontal continua sendo um fator de risco insuperável.

Por fim, enquanto grande parte da literatura concorda quanto à necessidade de integração entre periodontia e prótese, surgem perspectivas contrastantes sobre o grau dessa interdependência. Fontella, Costa e Vidal (2022) e Oliveira et al. (2025) defendem uma abordagem estritamente multidisciplinar, pautada por diagnóstico detalhado, planejamento biomecânico cuidadoso e manutenção contínua. Em contrapartida, alguns autores da linha reabilitadora enfatizam que, embora a interdisciplinaridade seja desejável, avanços protéticos permitem maior autonomia da prótese em relação às limitações periodontais — uma posição que, embora minoritária, contribui para ampliar o debate sobre os limites e possibilidades da reabilitação moderna.

5.  CONSIDERAÇÕES FINAIS

A literatura evidencia que o sucesso das reabilitações protéticas depende, de maneira direta e indissociável, da saúde periodontal. O periodonto íntegro garante suporte biomecânico adequado, preservando a inserção clínica e proporcionando maior longevidade às coroas, pontes e próteses parciais removíveis.

Por outro lado, doenças periodontais como gengivite e periodontite comprometem os tecidos de sustentação, levando à mobilidade dentária, perda óssea e consequente insucesso reabilitador. Entre os principais fatores de risco destacamse o acúmulo de biofilme, falhas na adaptação marginal das próteses e escolhas clínicas inadequadas de dentes pilares em pacientes com histórico de periodontite.

Hábitos de higiene oral deficientes e baixa adesão do paciente às consultas de manutenção representam determinantes críticos no prognóstico das próteses. Nesse sentido, a implementação de protocolos de manutenção periodontal — incluindo consultas regulares de profilaxia, monitoramento da adaptação protética e uso de dispositivos auxiliares de higiene — é indispensável para prevenir complicações.

Portanto, o planejamento reabilitador deve ser pautado na preservação e no manejo adequado dos tecidos periodontais, garantindo previsibilidade estética e funcional. A atuação conjunta entre periodontistas e protesistas, associada ao engajamento do paciente, constitui o caminho mais seguro para alcançar resultados duradouros e satisfatórios.

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