IMPACT OF TRAINING IN COMMUNITY FAMILY MEDICINE ON THE PORTFOLIO OF SERVICES OF A BASIC HEALTH UNIT IN A VULNERABLE AREA IN THE FEDERAL DISTRICT: AN EXPERIENCE REPORT
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202503151023
Hadassa Bezerra Franco¹
Orientador: Arthur Fernandes da Silva²
RESUMO
Introdução: A criação do Sistema Único de Saúde em 1988, reestruturou o sistema de saúde brasileiro, enfatizando o papel da Atenção Primária nas Redes de Atenção à Saúde, visando a integralidade do cuidado para a população. A Medicina de Família e Comunidade, especialidade basilar para esse nível de atenção, tem se desenvolvido com políticas e incentivos financeiros que a fortalecem, e sua resolutividade tem sido cada vez mais demandada. O aumento do número de vagas na residência, assim como os incentivos oferecidos têm mostrado resultados positivos na qualidade da assistência, na formação de recursos humanos de qualidade para o SUS e na satisfação dos usuários. Este estudo surge como uma resposta às demandas atuais e evidencia o impacto da residência médica na execução e na ampliação da carteira de serviços de unidades básicas de saúde, notadamente na realização de procedimentos ambulatoriais. Objetivo: Relatar a experiência das médicas residentes em Medicina de Família e Comunidade na realização de pequenos procedimentos cirúrgicos e discutir o impacto positivo da residência médica para a comunidade atendida. Metodologia: realização do relato de experiência das residentes de Medicina de Família e comunidade desde o diagnóstico de demanda, a revisão dos despachos e processos para implementação de procedimentos ambulatoriais e de fluxo para realização de biópsias, até a análise de anotações pessoais para realização da quantificação de procedimentos realizados após a introdução da residência médica na unidade básica de saúde número 6 da Ceilândia, no Distrito Federal. Resultados e discussão: no período analisado, percebeu-se aumento significativo da oferta de procedimentos ambulatoriais à população adstrita, e, apesar dos desafios impostos pela indisponibilidade de recursos, a residência médica tem se mostrado um fator fortalecedor da Atenção Primária a Saúde com impacto para os demais níveis de assistência por meio de sua resolubilidade crescente. Tais procedimentos tem corroborado com a efetivação da oferta de saúde à população, especialmente através do diagnóstico e tratamento de lesões suspeitas e/ou malignas de forma oportuna e resolutiva. Considerações finais: A implementação da residência médica na Unidade de Saúde e o consequente aumento da realização de procedimentos ambulatoriais impactaram positivamente a realidade do serviço de saúde local.
Palavras-chave: Procedimentos ambulatoriais; Atenção Primária à Saúde; Residência Médica.
ABSTRACT
Introduction: The creation of the Unified Health System in 1988 restructured the Brazilian health system, emphasizing the role of Primary Care in Health Care Networks, aiming at the comprehensiveness of care for the population. Family and Community Medicine, a basic specialty for this level of care, has developed with policies and financial incentives that strengthen it, and its resolution has been increasingly demanded. The increase in the number of vacancies in the residence, as well as the incentives offered have shown positive results in the quality of assistance, the training of quality human resources for SUS and the satisfaction of users. This study emerges as a response to current demands and highlights the impact of medical residency on the execution and expansion of the portfolio of services of basic health units, especially in the performance of outpatient procedures. Objective: To report on the experience of resident doctors in Family and Community Medicine in performing small surgical procedures and discuss the positive impact of residency for the community. Methodology: report of experience of the residents of Family Medicine and community since the diagnosis of demand, the review of dispatches and processes for implementation of ambulatory procedures and flow to perform biopsies, to the analysis of personal notes for the quantification of procedures performed after the introduction of medical residency in the Ceilândia number 6 basic health unit, in the Federal District. Results and discussion: in the analyzed period, there was a significant increase in the offer of ambulatory procedures to the adstrite population, and despite the challenges imposed by the the medical residency has been shown to be a strengthening factor of Primary Health Care with impact for other levels of assistance through its increasing resolvability. Such procedures have corroborated with the effectiveness of health care provision to the population, especially through diagnosis and treatment of suspected and/or malignant lesions in a timely and decisive manner. Final considerations: The implementation of medical residency in the Health Unit and the consequent increase in outpatient procedures had a positive impact on the reality of the local health service.
Keywords: Outpatient procedures; Primary Health Care; Medical Residency.
INTRODUÇÃO
A 8ª Conferência Nacional em Saúde, em 1986, presidida por Sergio Arouca, enfatizou a saúde como direito de todos (BRASIL, 2025). Para isso, propôs a reformulação do sistema de saúde, culminando nos fundamentos para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988, com foco no acesso para todos (universalidade), em todos os lugares (descentralização) e de acordo com as diferentes necessidades (equidade) (BRASIL, 1988; BRASIL, 2025).
Para alcançar esse resultado, estabeleceu-se um sistema hierarquizado e integrado entre os diferentes níveis de atenção, surgindo então o modelo de assistência em redes, definido pela Portaria de Consolidação GM/MS nº 3 de 2017 (origem Portaria GM/MS nº 4279/2010), que descreve as Redes de Atenção à Saúde (RAS) como sendo “arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado” (BRASIL, 2025).
Tendo em vista a complexidade desta tarefa, a Atenção Primária tem assumido um papel fundamental nesse modelo assistencial, uma vez que tem como atributos essenciais o primeiro acesso do paciente ao sistema de saúde, a abordagem integral do ser e a coordenação do cuidado, além de seus atributos derivados, que envolvem competência cultural, orientação comunitária e orientação familiar (STARFIELD, 2002).
Nesse cenário, o médico de família e comunidade assume um papel chave, tendo uma população específica pela qual assume a responsabilidade sanitária. Portanto, muitas vezes deve agir como advogado da população, identificando problemas ou situações em que não há efetivação do direito à saúde, buscando soluções para essas situações e promovendo ações que pressionem gerentes, representantes e administradores do setor público para resolução desses impasses (MOFFAT, 2014).
Cabe destacar que a Medicina de família passou por diferentes fases até sua atual configuração. Seu surgimento data de 1974, quando ainda não possuía nome definido nem normativa adaptada (FALK, 2004). Após, ocorre sua aprovação pela CNRM em 1981 como Medicina Geral Comunitária, com várias atualizações até a consolidação da atual Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, que trabalha pelo fortalecimento dos profissionais da APS (FALK, 2002; SIMAS 2018).
Durante esse processo, ressalta-se o fortalecimento da APS para saúde brasileira, com expansão não acompanhada pela capacidade de formação pessoal. Por isso, surgem iniciativas para formação de especialistas e destaca-se o aumento da formação de preceptores. Alguns dos incentivos adotados foram a disponibilização de pontuação adicional de 10% nos processos seletivos de residência para outras especialidades; a oferta para residentes de MFC de cursos de formação de preceptores, com bolsa mensal; o aumento de vagas para a residência; e a adesão de muitos programas de residência médica em MFC à complementação da bolsa residência (SIMAS, 2018).
O Distrito Federal, assim como outros entes federados, aderiu ao incentivo federal de financiamento para residência médica na Atenção Primária, estimulando a formação de recursos humanos, induzindo o aumento do número de residentes e, consequentemente, de especialistas na especialidade de Medicina de Família e Comunidade.
A Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) já produziram normativos sobre as competências imprescindíveis para a formação de médicos de família e comunidade de qualidade (BRASIL, 2019; BRASIL, 2014). Tais conhecimentos, habilidades e atitudes devem ser desenvolvidos durante a residência e, futuramente, atualizados durante toda a atuação desses especialistas, através de estratégias de educação permanente. Dentre tais competências, este trabalho enfatiza a realização de pequenos procedimentos ambulatoriais, como aplicação de anestesia local, drenagem de abscesso, sutura, cantoplastia, biópsias, retirada de cistos, lipomas, lesões suspeitas com margens, inserção e retirada de DIU, remoção de cerume e outros, ressaltando o papel da APS na garantia do acesso à saúde, em suas mais diversas necessidades.
Nesse ínterim, conforme o Caderno de Atenção Básica Nº 30 (CAB-30), é fundamental que os serviços de atenção primária no SUS se responsabilizem pela realização de pequenos procedimentos clínicos e cirúrgicos, evitando sobrecarga dos serviços dos outros níveis de atenção e, com isso, contribuindo para o aumento da resolutividade da APS (BRASIL,2011). Porém, para que isso aconteça de forma apropriada, os critérios de seleção dos pacientes conforme suas condições clínicas, além de um ambiente propício e os materiais necessários devem ser considerados e disponibilizados (GUSSO, 2012). Quanto a isso, de acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), esses procedimentos podem ser realizados no consultório médico, enquadrado como ambiente independente de um hospital no qual pode-se realizar procedimentos que não necessitem de internação e que respeitem as doses máximas estabelecidas para anestesia local (GUSSO, 2012).
Na Unidade Básica de Saúde Nº 6 de Ceilândia (UBS 6 – CEI), no Distrito Federal, um diagnóstico de demanda realizado pelas médicas residentes em medicina de família e comunidade e suas preceptoras evidenciou uma alta demanda da população para realização de pequenos procedimentos cirúrgicos. Para acessar esse problema, dialogou-se com a gerência da Unidade, obteve-se os materiais necessários e desenvolveu-se um fluxo para realização de biópsias nesse serviço de saúde. Essas etapas foram formalizadas sob a regência da Diretoria Regional de Atenção Primária à Saúde (DIRAPS) da Região de Saúde Oeste, por meio de processos registrados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do Distrito Federal.
OBJETIVO
Relatar o desenvolvimento de fluxo para realização de procedimentos ambulatoriais na UBS 6 – CEI no Distrito Federal, discutindo o aumento da oferta desses serviços na unidade após a introdução da residência médica.
METODOLOGIA
O presente relato descreve o impacto do aumento da oferta de pequenos procedimentos ambulatoriais e a implementação da realização de biópsias na UBS 6 – CEI pelas quatro equipes compostas por médicas residentes em MFC, no período de março de 2023 a fevereiro de 2025.
A UBS era composta, em fevereiro de 2023, por seis Equipes de Saúde da Família (eSF), porém apenas três delas contavam com profissional médico. Em março do mesmo ano, a introdução da residência em MFC reorganizou o cenário, perfazendo quatro eSF compostas por médicas residentes, apoiadas por suas preceptoras especialistas. Com a redução da sobrecarga assistencial e estruturação dos processos de trabalho entre as equipes, ficou patente a demanda por procedimentos ambulatoriais, suscitando ações por parte das especialistas em formação.
Iniciou-se pela incorporação de procedimentos simples como retirada de cerume impactado, que foram rapidamente incorporados à prática clínica, após revisão e estudo conjunto da técnica e do material necessário, já disponível na UBS.
Em seguida, percebeu-se uma alta demanda por inserção de Dispositivo Intrauterino (DIU), sendo, então, realizado capacitação das residentes, com treinamento e supervisão adequados, bem como a solicitação do material necessário para realização do procedimento, sendo este também implementado de forma regular na UBS. Para a inserção de DIU, discutiu se em equipes e estabeleceu-se fluxo apropriado, conforme figura 1.
Figura 1. Fluxograma para inserção de DIU na UBS 6 Ceilândia

Fonte: elaboração própria
Posteriormente, foram solicitados materiais para realização de procedimentos como exérese de cistos, lipomas, lesões suspeitas, fibromas moles, lobuloplastias e outros, com solicitação de fluxo para realização de biópsias. Foi preparada uma sala para realização de procedimentos, em periodicidade semanal, as quartas-feiras, com revezamento entre as quatro eSF e pactuado fluxo para coleta de materiais nas quintas-feiras, pelo Laboratório do Hospital Regional de Ceilândia.
No intuito de prover adequadamente os materiais para os procedimentos, foram solicitados quatro kits para procedimentos gerais, dois kits para cantoplastias e três kits para inserção de DIU, compostos por pinças dente de rato (6), tesouras retas (6), porta-agulhas (6), cabos de bisturi (6), cubas redondas (6), campos estéreis (6). Contudo, de acordo com a disponibilidade dos recursos da Secretaria de Saúde, foram cedidos apenas porta-agulhas (4), pinças dente de rato (6), pinça Pozzi (2). Os demais materiais foram encaminhados a instâncias superiores, a fim de providenciar quantitativo suficiente para atender à UBS solicitante e às demais unidades de APS na região de Saúde. Destaca-se que, apesar da indisponibilidade parcial dos materiais solicitados, parte desse instrumental já era de uso rotineiro na unidade, para realização de curativos, cateterização vesical e retirada de pontos, procedimentos protagonizados, principalmente, pela equipe de enfermagem. Não obstante, através da equipe de farmácia da unidade, foi solicitado aumento da oferta dos seguintes materiais: luvas de procedimento, luvas estéreis, soluções degermantes, esparadrapos, fita microporosa, gazes, ataduras, fios de sutura, anestésicos locais e formol, esses fornecidos conforme solicitação.
Quanto a realização de biópsias, a DIRAPS e a Diretoria do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) determinaram a coleta de materiais na unidade todas as quintas-feiras, após correta identificação da peça a ser analisada e inserção da solicitação em sistema de prontuário eletrônico indicado. Esse procedimento tornou-se imprescindível a partir do momento em que os procedimentos de exérese de lesões foram implementados, uma vez que a análise histopatológica contribui para correto diagnóstico e orienta quanto ao seguimento e necessidade de novas intervenções.
No intervalo de março de 2023 a fevereiro de 2025, a realização de procedimentos aumentou significativamente, sendo realizados agendamentos durante consultas médicas, consultas de enfermagem ou procura ativa dos pacientes para procedimentos específicos. As Figuras 2, 3, 4 e 5 contêm alguns procedimentos realizados nesse intervalo. A Figura 6 apresenta as médicas residentes e suas preceptoras se preparando para realização de procedimento.
Figura 2 – Lipoma

Fonte: acervo pessoal.
Figura 3 – Queloide em orelha esquerda

Fonte: acervo pessoal.
Figura 4 – Fibroma mole

Fonte: acervo pessoal.
Figura 5 – Verruga

Fonte: acervo pessoal.
Figura 6. Médicas residentes e preceptoras preparando-se para realização de procedimento em uma paciente.

Fonte: acervo pessoal.
Adicionalmente, foram analisados dados para a quantificação da realização de procedimentos na Unidade após a introdução da residência, por meio da revisão dos registros pessoais dos procedimentos realizados no intervalo de 2 anos entre março de 2023 e fevereiro de 2025. A revisão apontou 160 procedimentos, conforme Tabela 1. Dentre os procedimentos realizados, ressaltamos as 43 biópsias, que proporcionaram diagnóstico de 5 lesões malignas, algumas tratadas com o próprio procedimento e outras com necessidade de encaminhamento para nova abordagem na atenção secundária, conforme Tabela 2.
Tabela 1 – Quantificação de procedimentos ambulatoriais realizados na UBS 6 Ceilândia no biênio 2023-2025.

Fonte: anotações das autoras.
Tabela 2 – Quantificação do número de biópsias realizadas e de lesões malignas diagnosticadas.

Fonte: anotações das autoras.
DISCUSSÃO E RESULTADOS
Analisando os dados expostos, percebe-se os desafios existentes e o impacto significativo da realização de novos procedimentos na UBS, proporcionados por meio da introdução da residência médica na unidade.
É importante ressaltar que, considerando a definição de saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade” (OMS, 1946), os procedimentos realizados, mesmo sem o diagnóstico de lesões malignas, tiveram um impacto positivo na vida dos pacientes. Ainda assim, a Sociedade Brasileira de Dermatologia enfatiza a importância do diagnóstico e tratamento precoce das lesões malignas de pele, que, apesar da baixa letalidade, podem causar danos físicos significativos, além de gerar sofrimento para os pacientes, para seus familiares e para o próprio sistema de saúde (SBD, 2025). No âmbito deste último, infere-se que a realização dos procedimentos na APS gera redução das filas de espera especializadas e dos custos com intervenções mais complexas que podem ser necessárias à medida que a doença avança e o diagnóstico é postergado. A SBD também ressalta a eficácia da cirurgia excisional como tratamento, procedimento que foi realizado na UBS em cinco pacientes, portadores de lesões suspeitas, com posterior confirmação por meio das biópsias realizadas (SBD, 2025). Apesar das limitações decorrentes de recursos ainda insuficientes, o financiamento do sistema de saúde tem sofrido ajustes ao longo dos anos para melhor atender aos desafios de um sistema unificado, que busca garantir saúde para todos, considerando a equidade como fator fundamental, uma tarefa que sem dúvidas apresenta desafios significativos (BRASIL, 2025). Este estudo foi conduzido durante a vigência do programa Previne Brasil, instituído pelo Ministério da Saúde em 2019, que incorporou a captação ponderada, o pagamento por desempenho e incentivos para ações estratégicas. Embora apresente limitações, o programa trouxe avanços para a Atenção Primária, permitindo que sua resolutividade fosse reconhecida e recompensada, fortalecendo seu papel nas Redes de Atenção à Saúde (RAS) (BRASIL, 2019). No entanto, ajustes são essenciais, pois o equilíbrio entre qualificação e quantificação tem gerado desafios para esse modelo de financiamento, além da exclusão de diversos serviços na avaliação do repasse financeiro para a APS, como a realização de procedimentos. Assim, destaca-se que mudanças podem ser vislumbradas com o lançamento em abril de 2024, de novas regras de financiamento pelo Ministério da Saúde, com efeitos financeiros a partir de maio de 2025, visando aprimorar a distribuição de recursos federais, promovendo maior eficiência e equidade na alocação de recursos para a APS em todo o território nacional (BRASIL, 2024; BRASIL, 2025). Essas mudanças surgem para substituir o modelo anterior, com foco na melhoria do atendimento da atenção primária nos municípios, incluindo além do componente fixo, critérios de vínculo e acompanhamento territorial e de qualidade (BRASIL, 2025).
Por fim, e em alinhamento com diversos estudos sobre o impacto da residência médica em diferentes contextos, incluindo aqueles baseados em questionários consolidados, que demonstram a melhoria de indicadores após a implementação do programa de formação – a exemplo do estudo transversal realizado em Montes Claros, Minas Gerais (SOUZA, 2015) -, bem como por meio da quantificação de procedimentos realizados após introdução da residência médica na UBS, como no presente estudo, evidencia-se o impacto positivo da introdução da residência médica nos diversos cenários de APS, incluindo na UBS Nº 6 de Ceilândia.
CONCLUSÃO
A Atenção Primária à Saúde se consolida nas Redes de Atenção à saúde como uma potente coordenadora do cuidado. Progressiva valorização da APS, na forma de qualificação de seus recursos humanos, investimento em estrutura e em custeio, além de novas políticas que ampliam sua carteira de serviços são demonstrações de sua potencialidade crescente.
A introdução da residência médica na UBS Nº 6 de Ceilândia culminou no aumento da oferta de procedimentos ambulatoriais para a população, reafirmando os princípios de acesso, coordenação de cuidado, longitudinalidade e integralidade da APS.
Assim, pelo menos 160 encaminhamentos foram evitados, as longas listas de espera, as demandas dos pacientes precocemente resolvidas e a referência à atenção secundária foi qualificada. Além disso, a formação proposta pela residência médica em Medicina de Família e Comunidade foi fortalecida, atendendo aos requisitos estabelecidos pela CNRM e pela SBMFC.
Conclui-se, então, que houve melhoria das condições de acesso à saúde da população atendida na UBS em tela, ressaltando o indiscutível protagonismo que a Medicina de Família e Comunidade deve ter como especialidade médica estratégica na configuração dos sistemas de saúde.
REFERÊNCIAS
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1Residente do segundo ano do programa de residência médica em Medicina da Família e Comunidade da ESCS-FEPECS
2Orientador e preceptor do programa de residência médica em Medicina da Família e Comunidade da ESCS-FEPECS