IDEAÇÃO SUICIDA ENTRE ESTUDANTES DE MEDICINA EM UMA UNIVERSIDADE PRIVADA DO TOCANTINS

SUICIDAL IDEATION AMONG MEDICAL STUDENTS AT A PRIVATE UNIVERSITY IN TOCANTINS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510311934


Leonardo Barros Figueira1
Marcilene Pinheiro Da Costa2
Mariana Vitória César Andrade3
Marina Ribeiro Oliveira Dias4
Angelo Ricardo Balduino5


Resumo 

A entrada do estudante à vida acadêmica pode ser entendida como um processo complexo, que exige,  eventualmente, mudanças acentuadas na vida dos graduandos, caracterizando uma descontinuidade em relação a experiências pessoais, sociais e acadêmicas anteriores. Além disso, as exigências durante a graduação levam ao acadêmico uma carga de estresse que muitas vezes exige mudanças  comportamentais e psicológicas no qual não está preparado, levando às vezes a situações como a  descontinuidade do curso. Este projeto de pesquisa propõe uma revisão bibliográfica de estudos  publicados entre 2019 a 2025, selecionados a partir de bases de dados como PubMed, SciELO, BVS e  Google Scholar. Foram incluídos artigos que analisaram o índice de idealização suicida entre os  estudantes de medicina. O estudo analisou a ideação suicida entre estudantes de Medicina e identificou  que o tema está fortemente associado a transtornos mentais, como depressão, ansiedade e síndrome de  burnout. Após triagem de 120 publicações, apenas cinco estudos atenderam aos critérios de inclusão,  revelando uma alta prevalência de ideação suicida, variando entre 18% e 27%. Constatou-se que muitos  estudantes manifestam a ideação como forma de aliviar o sofrimento psíquico, mediante dos principais  fatores de risco como a pressão acadêmica, carga excessiva de estudos, isolamento social,  automedicação e falta de apoio emocional. O estudo concluiu que estudantes de Medicina enfrentam  alta pressão emocional e acadêmica, favorecendo depressão, ansiedade e ideação suicida. Confirma-se  a influência da sobrecarga e falta de apoio emocional, destacando a necessidade de políticas institucionais, apoio psicológico e ações preventivas para promover um ambiente acadêmico mais  saudável e acolhedor. 

Palavras-chave: Autoextermínio. Estudantes de Medicina. Fatores de risco. Saúde Mental. Suicídio.

1. INTRODUÇÃO 

A inserção do estudante ao ensino superior consiste em um processo complexo, que  demanda mudanças acentuadas na rotina e na vida dos graduandos, se caracterizando por  um processo de descontinuidade em relação a experiências pessoais, sociais e acadêmicas  anteriores. Em consequência, as exigências e a pressão imposta pela instituição ao aluno, pode  assumir uma sobrecarga e estresse que leva à exaustão psicológica, comportamental e física do  aluno (Murakami et al., 2022). Com isso, a ideação suicida entre os estudantes principalmente  de cursos de saúde, como o de medicina, configura um cenário de grave problema de saúde  pública, com prevalência crescente e repercussões significativas para o indivíduo, a  comunidade acadêmica e a sociedade em geral.  

Esse comportamento é impulsionado por uma cultura acadêmica cada vez mais  exaustiva, onde o desempenho é frequentemente medido pela produtividade e excelência  acadêmica. No contexto específico dos estudantes de medicina, o cenário de pressão contínua,  somado à competitividade e à sobrecarga de estudos, desencadeia para o surgimento de sintomas  depressivos, transtornos mentais como ansiedade e em alguns casos mais graves, podem evoluir  para a ideação e o comportamento suicida (Cardoso et al., 2021). 

Fatores predisponentes para o suicídio variam entre grupos demográficos e da população  específicos, os quais mais vulneráveis, como jovens e idosos, são prediletos para isolamento  social, necessitando de esforços para prevenção do autoextermínio. No entanto, estudos  apontam que profissionais e estudantes da área da saúde apresentam maior índice para o  suicídio, possivelmente devido aos conhecimentos técnico sobre métodos letais e ao fácil acesso  a medicações e substâncias potencialmente perigosas (Lorentz, 2021).  

Em somatória de problemas como longas horas de estudo, estágios práticos extenuantes,  a necessidade de lidar com extensos volumes de informação, expectativa de obter um  desempenho acadêmico e profissional, como outros fatores também podem estar relacionados  às altas taxas de idealização e até mesmo do ato de autoextermínio entre os estudantes da  graduação de medicina (Muniz & De Almeida, 2021). 

Outro fator a ser considerado é o impacto de todas as consequências que levam o aluno  ao pensamento de suicídio e como isso implica na formação de futuros médicos. Em que  médicos são frequentemente vistos como exemplos de saúde e conduta ética, e o  desenvolvimento de quadros depressivos, surgimentos de transtornos mentais levanta preocupação sobre a integridade e o preparo desses profissionais para enfrentar as  complexidades da prática médica de maneira ética e equilibrada. A fuga dos problemas e de  desgastes emocionais, que são potencializados pelas pressões acadêmicas pode, inclusive, ser  um indicador de vulnerabilidade que, se não abordadas adequadamente durante a formação,  podem se refletir na prática médica e profissional (Carro & Nunes, 2021).  

O suicídio se insere no campo dos transtornos mentais, sendo uma temática relacionada  a psicopatologias, no qual investiga fatores suscetível como biológicos e psicológicos. De  acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2021), o suicídio é a segunda causa de  morte entre jovens de 15 a 29 anos, sendo responsável por mais de 700 mil mortes anuais no  mundo. No Brasil, a média assume uma variável de 11 mil óbitos por ano, representando a  quarta causa de morte nessa faixa etária (Ferreira & Pereira, 2023).  

Diante desse cenário, é imperativo realizar uma análise aprofundada sobre a ideação  suicida entre os estudantes de medicina. Esta revisão bibliográfica se propõe a investigar a  prevalência deste comportamento, os principais fatores motivacionais que levam ao surgimento  do pensamento, a consequência para saúde física e mental, bem como as implicações éticas  envolvidas. Ademais, serão discutidas as evidências científicas quanto a necessidade de abordar  e desmistificar tal assunto, envolvê-lo no meio acadêmico e destrinchando todas as informações  acerca do mesmo para então compreender os desafios que os cercam e se possível contribuir para conscientização da importância do tema e mitigação destas estatísticas. Assim, esta revisão  busca contribuir para o debate sobre a segurança, a ética e a sustentabilidade para ideação  suicida no meio acadêmico, com especial ênfase nos desafios enfrentados pelos estudantes de  medicina.  

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 2.1 CONTEXTO HISTÓRICO 

A palavra suicídio deriva do latim, Sui (si mesmo) e Caederes (ação de matar), sendo  descrita pela primeira vez em 1737 pelo abade Desfointaines. Essa palavra foi incorporada  posteriormente pela comunidade científica no século XIX, em busca de explicações  psiquiátricas e sociológicas para o tema (Toro et al., 2013). 

Na antiguidade, refere-se à época em que surge a pré-história e foi caracterizada pelo  surgimento dos grandes impérios como Roma, Grécia, Mesopotâmia, Pérsia, Egito e outros.  Neste marco histórico, era possível encontrar opiniões distintas sobre o ato de se matar. 

Aristóteles, por exemplo, era categórico em afirmar que o suicídio de um indivíduo útil,  enfraquecia o Estado, o que o configurava uma irresponsabilidade social. Este ora denuncia o  suicida como um covarde que foge da dor, ora como alguém que cegado pela paixão, comete  violência contra si mesmo. Platão por sua vez, apesar de também considerar o ato uma covardia,  defendia que o ato poderia ser praticado em situações extremas (Barboza, 2023). 

Discussões sobre a aceitação do ato do suicídio são recorrentes em diferentes períodos  e sociedades, e estão diretamente interligadas à cultura, à visão moral, o que dificulta um  consenso. Atualmente, o suicídio se insere no campo dos transtornos mentais, é um tema  relacionado a psicopatologias, investigam-se suas verdadeiras causas e a prevenção,  associando-as a fatores biológicos e psicológicos (Toro et al., 2013). 

2.1 EPIDEMIOLOGIA 

Entre 2010 e 2019, foram registrados no Brasil, 112.230 mortes por suicídio, com um  aumento de 43% no número anual de mortes, de 9.454 em 2010, para 13.523 em 2019. As  estatísticas demonstraram aumento do risco de morte por suicídio em todas as regiões do Brasil.  Neste mesmo período, estima-se que a população brasileira tenha crescido de 190.732.694 para  210.147.125, resultando em crescimento de 10,17%. A taxa nacional em 2019 foi de 6,6 por  100 mil habitantes. As maiores incidências estão nas Regiões Sul e Centro-Oeste, com as  maiores taxas de suicídio entre as regiões brasileiras (Ministério da Saúde, 2021). 

Em relação às notificações de violências autoprovocadas, em 2019 foram registradas  124.709 lesões autoprovocadas no País, um aumento de 39,8% em relação a 2018. Mulheres  foram a grande maioria das vítimas de lesões autoprovocadas, representando 71,3% do total de  registros (Ministério da Saúde, 2021). Na compreensão das ocorrências, as mulheres são mais  acometidas com o intento suicída, mediante alguns fatores que são apontados como a  construção social do gênero; maior prevalência de depresão; maior casos de transtornos  alimentares; gravidez indesejada; situações de violência sexual e doméstica; baixos níveis  hormonais (Marcolan & Silva, 2019). 

O aumento crescente das taxas de suicídio de adolescentes e jovens no Brasil, se torna um  assunto de grande relevância pautado na sociedade. A literatura nos mostra que a adolescência  é um dos principais estágios da vida para o início de comportamentos suicidas, baseados em fatores que se destacam são os sentimentos de tristeza, desesperança e a depressão, ansiedade,  baixa autoestima, experiências adversas pregressas, como abusos físicos e sexuais pelos pais ou outras pessoas próximas, falta de amigos e suporte de parentes, exposição à violência e  discriminação no ambiente escolar e o uso de substâncias psicoativa (Botega, 2014). 

Além disso, a cada 45 segundos ocorre um suicídio em algum lugar do planeta. Há um  contingente de 1.920 pessoas que põe fim à vida diariamente. Atualmente, essa cifra supera, ao  final de um ano, a soma de todas as mortes causadas por homicídios, acidentes de transporte,  guerras e conflitos civis (Botega, 2014). 

O estado do Tocantins registrou no Sistema de Informação de Mortalidade  (SIM/DATASUS) o total de 1025 óbitos por suicídio, referente ao período de 2010 a 2019.  Percebe-se que o número de óbitos cresce a cada ano, e por estes índices crescentes de suicídio  no estado do Tocantins, pode estar sendo reflexo do aumento da população, mas não deixa de  representar uma preocupação constante. No ano de 2019, o estado do Tocantins ocupava a 6ª  posição, com taxa de 8,7 por 100 mil habitantes (Fernandes et al., 2023). No município de Palmas  (TO), das 656 notificações de tentativas de suicídio que foram realizadas dentro de 2010 a 2014,  67,1% delas foram mulheres (Marcolan & Silva, 2019). 

Outra ressalva é que uma tentativa de suicídio é o principal fator de risco para uma futura  efetivação desse intento. Por isso, essas tentativas devem ser encaradas com seriedade, como  um sinal de alerta a indicar a atuação de fenômenos psicossociais complexos. Dar a devida  importância a uma pessoa que tentou se suicidar é uma das principais estratégias para se evitar  um futuro suicídio (Botega, 2014). 

2.2 SUICÍDIO  

Classificado pelo Código Internacional das Doenças (CID-10) como um tipo de morte  violenta por causas externas, isto é, morte não decorrente de doenças, o suicídio é considerado  um fenômeno complexo e multifatorial (Barboza, 2023). Algo que necessita cuidado e  abordagem mais delicada e uma análise maior. O contexto social e econômico, pois além de  vidas perdidas temos um custo significativo aos cofres públicos, o que nos faz lembrar que nem  sempre as tentativas de suicídio passam pelas notificações dos hospitais e centros especializados  (Barboza, 2023). 

As definições de comportamento suicida são altamente variáveis, imprecisas e  costumam mudar, especialmente em relação ao comportamento suicida não fatal e ideação  suicida. Tais termos abrangem a ideação suicida como pensamentos sérios sobre tirar a própria  vida, planos de suicídio e tentativas de suicídio (Nardi et al., 2022). 

Portanto, ficam padronizados as termologias como o “suicídio completo”, sendo um  comportamento auto-lesivo que resultou em fatalidade e foi associado a pelo menos alguma  intenção de morrer como resultado do ato. “Atos preparatórios ou plano de suicídio”, o indivíduo toma medidas para ferir a si mesmo, mas é impedido por ele mesmo ou outros, de  iniciar o ato auto-lesivo antes que o potencial de dano tenha começado. “Tentativa de suicídio”,  o comportamento potencialmente auto-lesivo, associado a pelo menos alguma intenção de  morrer, por causa do ato. A evidência de que o indivíduo pretendia se matar, pelo menos até  certo ponto, pode ser explícita ou inferida do comportamento ou circunstância, em que uma  tentativa de suicídio pode ou não resultar em lesão real. “Ideação suicida”, são os pensamentos  passivos sobre querer estar morto ou pensamentos ativos sobre se matar, não acompanhados de  comportamento preparatório (Nardi et al., 2022). 

Assim, estimativas abordam 73% dos suicídios globais ocorreram em países de baixa e  média renda dentro do ano de 2021, o que configura um fenômeno global em todas as regiões  do mundo (OMS, 2024). Pevisões da Organização Mundial de Saúde (OMS) para 2030  apontam que não estamos no caminho certo para alcançar a redução do suicídio, defende que  os países tomem medidas para prevenir suicídio, de preferência através de uma campanha  nacional abrangente sobre suicídio estratégia de prevenção. Os governos e as comunidades  podem contribuir para a prevenção do suicídio implementando o projeto Viver a Vida (Live  life), por uma abordagem de guia para todos os países, com ou sem uma estratégia nacional de  prevenção do suicídio no momento. 

Mediante a isso, os pilares centrais do projeto Viver a Vida, abordam as seguintes ideias;  como a análise da situação, colaboração multissetorial, conscientização e defesa, capacitação,  financiamento, vigilância, monitoramento e avaliação. Este guia serve como um catalisador  para que os governos desenvolvam ações baseadas em evidências, como também permite aos  países, proteger as vidas de pessoas que se encontram em situação de sofrimento intolerável e  em risco de suicídio (OMS, 2024).  

2.3 FATORES DE RISCOS 

Inúmeros fatores contribuem para o surgimento de intentos suicidas, a maioria se  relaciona com características negativas da vida, e sua presença aumenta as chances de  problemas físicos, emocionais e sociais de se manifestarem. Estes fatores tendem a aumentar a  vulnerabilidade dos indivíduos a situações adversas, e cada um pode reagir de maneira diferente  a estes fatores (Siqueira et al., 2016).

Portanto, não é apenas a presença destes fatores que define seu impacto na vida do  indivíduo, mas também a intensidade, a frequência e a maneira como são interpretados. São  exemplos de desencadeantes a família de origem disfuncional, vulnerabilidade econômica,  experiências de violência física/sexual, vivência em comunidades violentas, e condições de  trabalho insalubres. Os comportamentos de risco, como o uso de drogas, e sexo desprotegido  também podem também ser considerados fatores de risco (Siqueira et al., 2016). 

Em relação aos fatores de proteção que são considerados diante de ideação suicida, estão  os relacionamentos interpessoais significativos, como a família e amigos, atividade física, apoio  espiritual e um ambiente saudável de trabalho. Estes assumem um papel de fatores de proteção,  aspectos pessoais como autoestima, habilidades sociais e autoeficácia (Siqueira et al., 2016). 

Estudos recentes demostraram que as maiores representações sociais sobre o suicídio  estão envolvidas a ideias de sofrimento, desespero, fuga da dor, falta de apoio e empatia das  pessoas próximas, dentre outros (Silva et al., 2020) Ademais, os praticantes de suicídio que têm  transtorno mental e possuem histórico familiar de suicídio, abragem um nível de desesperança maior e menor nível de apoio social são mais propensos a levar a prática suicídio. Intervenções  sociais e clínicas podem focar também em subgrupo de pacientes com estas características para  reduzir efetivamente a taxa de mortalidade por suicídio (Da Silva et al., 2020). 

A neurotransmissão de catecolaminas tem sido descrita como participante no evento  suicida e a enzima catecol-orto-metil-transferase (COMT) aparece em alguns poucos estudos  como estando associada a tal comportamento, além do gene transportador de serotonina  (5HTTLPR) como um dos grandes candidatos mais estudados no comportamento suicida  (Segal, 2009). Sabe-se da compreensão dos fatores genéticos que contribuem para a  vulnerabilidade ao comportamento suicida ainda longe de ser totalmente elucidada, as  características das tentativas de suicídio são importântes em nível prático, com o grau de  letalidade e o risco de incidência. 

No entanto a existência de uma ou mais tentativas é um dos principais fatores preditores  da morte por suicídio. Com isso, os indivíduos que possuem ideações são uma ferramenta chave  para o desenvolvimento de estratégias de prevenção contra novas mortes autoprovocadas  (Braun et al., 2023). Portanto, vemos o suicídio como um fenômeno complexo que apresenta  diversos fatores relacionados tanto de risco como protetivos.

3. METODOLOGIA  

Este trabalho constituiu uma revisão bibliográfica narrativa realizada com o objetivo de  analisar a ideação suicida entre estudantes de medicina, com foco em estudos publicados entre  2019 e agosto de 2025. A metodologia adotada foi delineada em várias etapas, incluindo a  definição de critérios de inclusão e exclusão, a busca e seleção de estudos relevantes, além da  análise e síntese dos resultados obtidos. 

O período selecionado para a revisão foi de janeiro de 2019 a agosto de 2025, escolhido  com o intuito de capturar as publicações mais recentes e relevantes, especialmente considerando  o aumento das discussões sobre a ideação suicida entre os estudantes de medicina. Esse recorte  temporal também visou abranger avanços no entendimento dos riscos, benefícios e impactos  sociais dessa prática. 

A busca bibliográfica foi realizada em bases de dados eletrônicas relevantes para o tema,  incluindo plataformas como PubMed, SciELO, BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) e Google  Scholar. Essas bases foram selecionadas devido à sua relevância na área de ciências da saúde e  pela oferta de uma vasta gama de artigos, dissertações e revisões de literatura em saúde,  educação e neurociência. Os termos de busca utilizados incluíram combinações de palavras chave como “ideação suicida”, “suicídio”, “autoextermínio”, “depressão”, “estudantes de  medicina”, “risco à saúde”. Essas palavras foram aplicadas em português, inglês e espanhol  para garantir maior abrangência dos estudos disponíveis. 

Para assegurar a relevância e a qualidade dos estudos selecionados, foram estabelecidos  os seguintes critérios de inclusão: estudos publicados entre janeiro de 2019 e agosto de 2025;  pesquisas que abordassem especificamente a ideação suicida por estudantes de medicina ou  universitários, com foco em índice de ideias ou tentativas de suicídios; artigos publicados em  periódicos revisados por pares ou em revistas acadêmicas de alto impacto; estudos  quantitativos, qualitativos ou de revisão que apresentassem dados sobre prevalência,  motivações, riscos à saúde e questões éticas relacionadas ao suicídio; e artigos disponíveis nos  idiomas português, inglês ou espanhol. 

Aos critérios de exclusão, foram considerados: estudos publicados fora do período de  2019 a 2025; artigos que não abordassem a ideação suicida por estudantes de medicina, ou que  ficassem em outras populações (por exemplo, estudantes de outras áreas ou profissionais da  saúde); trabalhos de opinião, editoriais ou artigos sem fundamentação empírica; estudos com foco exclusivo acadêmico afetado por qualquer tipo de licença de saúde não relacionada a  ideação suicida; e artigos com dados incompletos ou sem acesso ao texto completo. 

A seleção dos artigos seguiu as etapas de busca inicial nas bases de dados, seguida pela  análise dos títulos e resumos. Aqueles que se mostraram relevantes para o tema em questão  tiveram seus textos completos lidos e analisados. Todos os artigos que atenderam aos critérios  de inclusão foram incorporados à revisão. 

A síntese dos dados foi realizada de forma qualitativa, destacando-se os principais  achados em relação à prevalência de índice de ideação suicida, motivações relatadas pelos  estudantes, fatores de riscos identificados e aspectos éticos mencionados. Além disso, foi dado  destaque aos estudos que investigaram a sobre a saúde mental dos estudantes de medicina, além de traçar um perfil de comportamento e fatores determinantes e condicionantes que permeia o  suicídio entre estudantes, proporcionando assim estratégias de prevenção a nível local e quem  sabe futuramente estadual.  

Essa revisão bibliográfica seguiu rigorosos padrões éticos na seleção e análise dos  artigos, utilizando apenas fontes disponíveis publicamente e preservando a integridade dos  autores originais. Nenhuma informação sensível foi manipulada durante o processo de revisão. Dessa forma, a metodologia empregada possibilitou a elaboração de uma revisão abrangente e  atualizada sobre o uso de psicoestimulantes entre estudantes de medicina, destacando as  principais tendências, riscos e debates éticos sobre o tema. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS 

Durante a fase inicial de busca, foram encontradas 120 referências relacionadas à ideação  suicida entre estudantes de medicina. Após uma triagem cuidadosa, que incluiu a análise dos  resumos e dos principais resultados dos estudos, 15 artigos foram selecionados para uma  avaliação mais detalhada. No entanto, durante a leitura completa desses 15 artigos, observou se que a maioria não atendia aos critérios de inclusão previamente definidos para o estudo.  Dessa forma, chegou-se a apenas 05 estudos, os quais foram considerados relevantes para a  abordagem do tema. 

A tabela foi elaborada com base nos principais achados da literatura, considerando os  seguintes critérios: o nome do(s) autor(es), o ano de publicação, o objetivo do estudo, a  metodologia utilizada, os principais resultados obtidos e as respectivas conclusões. Esses  elementos foram selecionados de maneira criteriosa para proporcionar uma visão clara e objetiva sobre as contribuições de cada estudo em relação à ideação suicida entre os estudantes  de medicina, garantindo assim uma análise robusta e fundamentada sobre o tema. 

Quadro 01 – Artigos selecionados que abordam a ideação suicida entre estudantes de medicina

Autor(es) Ano Objetivo do estudo Metodologia Principais resultados Conclusão
Schlittler et al2023Avaliar a prevalência  de ideação, planejamentos e tentativas  suicidas em uma  amostra de estudantes de graduação em  Medicina do Brasil, e  identificar os fatores  sociodemográficos,  de vida estudantil e  de saúde mais associados a esses comportamentos.Estudo de corte transversal, quantitativo e descritivo.As prevalências de pensa mentos, planejamento e tentativas de suicídio ao longa  da vida foram respectiva mente 196 (27,3%), 64  (8,9%) e 26 (3,6%). Nos 30  dias que antecederam a pesquisa, 36 (5%) pensaram seriamente em pôr fim à própria vida, e 11 (1,5%) planejaram concretamente colocar  fim à própria vida. Bullying,  presença de transtorno mental, procura de assistência em  saúde mental na universidade, uso de calmante sem  prescrição médica, baixo nível socioeconômico, morar  sozinho, religião (ateus, agnósticos e espiritualistas) e  grau de religiosidade são os  fatores que, conjuntamente,  melhor explicam a chance de  comportamento suicida.Pensamentos suicidas, planejamento e tentativas de  suicídio são frequentes entre estudantes de medicina. A identificação de problema grave, que pode  ser prevenido com intervenções adequadas. Todos  os anos do curso apresentam risco para comportamentos suicidas, mediante  a fatores como bullying,  transtornos mentais, automedicação, baixo nível socioeconômico, morar sozinho, tipo e grau de religiosidade estão fortemente  associados ao risco. As faculdades de medicina devem combater o bullying,  identificar estudantes isolados e modificar aspectos  do ambiente acadêmico  que geram sofrimento,  promovendo educação em  saúde mental para toda a  comunidade universitária  e ampliar os serviços de  apoio psicológico e psiquiátrico aos estudantes.
Moraes et al2023 Identificar as principais causas para a  ideação e de tentativas de suicídio em estudantes de medicina  em uma universidade  privada do Triângulo  Mineiro.Estudo  qualitativo com  base na abordagem fenomenológica de interpretação de dados.O estudo investigou a ideação suicida entre estudantes de medicina, com amostra final de cinco participantes. As entrevistas revelaram quatro eixos principais: o suicídio como alívio do sofrimento, mecanismos impulsivos de enfrentamento, fatores acadêmicos e pessoais que geram sofrimento e a importância da rede de apoio. Constatou-se que pressões universitárias e isso lamento agrava o sofrimento, enquanto apoio familiar e terapêutico atuam como proteção. Destaca-se a necessidade de ações institucionais de prevenção e acolhimento psicológico.O suicídio é um fenômeno  complexo e multifatorial   que afeta especialmente os  jovens, sendo considerado  um problema de saúde pública pela OMS. Identificou que fatores como saúde mental fragilizada, estresse por autoexigência,   angústia com processos  seletivos, dificuldades   acadêmicas e falta de  apoio contribuem para  pensamentos ou tentativas  de suicídio entre estudantes de medicina. Diante disso, destaca-se a importância de estratégias de  prevenção, como a criação  de espaços de escuta e  acolhimento, campanhas  informativas e ações de  rastreio de fatores de risco,  para permitir a identificação precoce e o cuidado  adequado desses estudantes. disso, destaca-se a importância de estratégias de  prevenção, como a criação  de espaços de escuta e  acolhimento, campanhas  informativas e ações de  rastreio de fatores de risco,  para permitir a identificação precoce e o cuidado  adequado desses estudantes.
Carro & Nunes 2020 Identificar a prevalência e fatores associados à síndrome de  Burnout nos estudantes de Medicina.Estudo observacional de delineamento transversal.Quinhentos e vinte e dois  (88,2%) alunos participaram da  pesquisa. A prevalência da síndrome de Burnout foi de  12,3%. As associações com síndrome de Burnout que possuíram valor de p < 0,25 foram  “não viver com parceiro”, “residir sozinho”, “dormir até  cinco horas por dia”, “ter até  cinco horas semanais de lazer”,  “possuir pensamento suicida” e  “realizar acompanhamento psicológico”. Após inserir essas  variáveis no modelo multivariado, identificou-se apenas 10%  de maior probabilidade de síndrome de Burnout no estudante  que relatou pensamento suicida, sendo esse o único fator  associado encontrado à ocorrência de burnout (p < 0,001).A prevalência de síndrome  de Burnout entre os acadêmicos de Medicina foi de  12,3%, e apenas a presença  de pensamentos suicidas durante o curso foi associada à  ocorrência de burnout. Ademais, a falta de associações  significativas com características acadêmicas infere a pré existência de dificuldades  emocionais. Ainda, a alta  prevalência de ideação suicida e outros achados, como  o início da necessidade de  acompanhamento psicológico após a entrada na universidade, não descartam a  importância de se acompanhar de perto a saúde mental  dessa população. Isso posto,  é de extrema importância a  realização de mais estudos na  área da saúde mental não somente com estudantes de  Medicina e médicos, mas  também com aqueles que almejam essa formação.
Correia et al2019 Identificar a produção científica sobre síndrome de burnout e ideação suicida entre estudantes de medicina e analisar as produções selecionadas.Estudo realizado por meio de levantamento bibliográfico. O estudo mostra que o burnout aumenta o risco de ideação suicida entre estudantes de medicina, enquanto a  recuperação reduz esse  risco. Em pesquisa com es colas médicas dos EUA e  Canadá, o suicídio foi a segunda principal causa de  morte entre esses alunos.  Estudantes com alto desempenho estão mais vulneráveis ao burnout e ao suicídio, devido à pressão pela  perfeição e medo do fracasso. A faculdade de medicina é descrita como um ambiente psicologicamente  tóxico, e as instituições devem oferecer apoio psicológico e promover debates sobre saúde mental e vulnerabilidade profissional.O levantamento bibliográfico identificou alta prevalência da síndrome de burnout entre estudantes de medicina em vários países, além de sua relação com a ideação suicida. O estudo destaca a necessidade de mais pesquisas e de maior atenção das instituições de ensino à saúde mental dos alunos.
Sol et al2021 Avaliar a prevalência  de comportamento  suicida (ideação,  plano e tentativa) nos  últimos 12 meses e ao  longo da vida e fato associados entre  alunos de Medicina  da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Estudo seccional.As prevalências nos últimos 12  meses foram de 18,9% (IC de  95%: 14,9-23,8) para ideação,  6,1% (IC de 95%: 3,9-9,4) para  plano e 1,7% (IC de 95%: 0,7- 4,1) para tentativa de suicídio.  As prevalências ao longo da  vida foram de 27,7% (IC de  95%: 22,9-33,0) para ideação,  12,5% (IC de 95%: 9,2-16,7)  para plano e 5,7% (IC de 95%:  3,6-9,0) para tentativa de suicídio. Os resultados encontrados  foram maiores que os achados  dos estudos nacionais. O episódio depressivo maior e o tratamento psicológico atual foram  associados ao comportamentosuicida na análise final.O estudo revelou altas prevalências de comportamento suicida entre estudantes: 27,7% apresentaram ideação, 12,5% plano  e 5,7% tentativa ao longo  da vida. A depressão foi  fortemente associada a esses comportamentos, e o  atendimento psicológico  atual relaciona-se ao planejamento suicida. Recomenda-se que universidades ampliem o apoio psicossocial e acadêmico, especialmente a alunos de  baixa renda, e promovam  ações preventivas voltadas  à saúde mental.
Fonte: Elaborado pelos autores.

Entre os artigos selecionados para leitura completa, as principais temáticas encontradas  foram as taxas superiores de suicídio dos estudantes de Medicina em comparação às de outras  áreas de formação, fatores de risco apresentados para o comportamento suicida nesta população  e na população médica, e prevenção do comportamento suicida.  

Os esforços das faculdades de medicina, nas últimas décadas, em dar assistência  psicológica ao aluno se torna obsoleto, mediante a resultados de estimativas que evidenciaram  que a ideação suicida é um fenômeno de alta prevalência entre estudantes, frequentemente estão  associados a fatores de pressão acadêmica que levam casos de saúde mental sendo a ansiedade,  depressão, burnout e até mesmo desenvolvimento de traumas e transtornos. A graduação em  Medicina é extremamente exigente, levando os estudantes a buscar alternativas para superar  suas limitações e lidar com as dificuldades exacerbadas pelo cansaço físico decorrente de uma  rotina intensa. A pesquisa revelou que cerca de 27,7% dos estudantes apresentaram ideação  suicida ao longo da vida, 12,5% elaboraram um plano e 5,7% chegaram a tentar o suicídio (Dos  Santos et al., 2021).

A análise das pesquisas e de relatos de estudos observados revelou que a ideação suicida  surge, em grande parte, como uma tentativa de cessar o sofrimento psíquico, e não  necessariamente o desejo de morrer (Solano et al., 2018). Essa percepção é coerente com o que  aponta a literatura, que compreende o comportamento suicida como uma resposta ao sofrimento  emocional intenso, muitas vezes potencializado por cobranças externas e autocobrança  excessiva. Nesse sentido, o aumento das demandas acadêmicas médicas é identificado como  um fator de risco significativo para o desenvolvimento de instabilidade emocional, elevando a  possibilidade de comportamentos suicidas. É fundamental que os gestores das instituições de  ensino superior atentem para essa questão, que ainda é pouco abordada nas diretrizes nacionais  dos cursos de Medicina (Arensman et al., 2020). 

A correlação entre ideação suicida e efetivação do suicídio é amplamente reconhecida na  literatura como um dos principais indicadores de risco para o comportamento suicida. A ideação  suicida que compreende pensamentos recorrentes sobre a morte ou o desejo de morrer  representa o primeiro estágio que pode evoluir para o planejamento e, eventualmente, para a  tentativa ou efetivação do suicídio (Bertolote et al., 2010). Em somatória, a gravidade e a  intensidade dos pensamentos suicidas estão diretamente correlacionadas com as tentativas de  suicídio, que representam, por sua vez, o maior fator de risco para o suicídio completo. 

Diante desse cenário, essa pesquisa evidenciou que as possíveis causas do aumento da taxa  de suicídio nessa população se baseiam no aumento da prevalência da instabilidade da saúde  mental que muitas vezes não é diagnosticada e não tratadas, bem como também o abuso de  substâncias. Em referência às informações coletadas demonstraram-se que, porcentagem alta  da totalidade dos suicídios, os indivíduos estavam sofrendo por algum transtorno mental.  

Dentre as patologias psíquicas, a depressão é o transtorno psiquiátrico mais frequentemente  associado ao suicídio, em que esse o individuo apresenta alterações comportamentais, aumento  de indecisão, desorganização e sintomas depressivos, que poderiam ser notados por pessoas  próximas (Bertolote et al., 2010). 

Outra patologia que acumina com elevação do índice de autoextermínio na pesquisa é a  síndrome de burnout relacionada à exaustão e a situações de estresse que podem influenciar  negativamente o desempenho acadêmico, a saúde física e o bem-estar psicológico dos  estudantes, tornando-os mais vulneráveis emocionalmente. Pesquisas mostram que o burnout  está associado a um risco aumentado de ideias suicidas, enquanto a recuperação da síndrome  reduz significativamente esse risco (Meleiro & Bahls, 2019). 

A ansiedade por sua vez resulta na resposta psíquica e emocional ao instinto humano de  luta ou fuga que pode se repassar por comportamentos de apreensão ao fato de não saber  controlar ou prever acontecimentos aversivos e sintomas do corpo típico de tensão física.  Quando o medo e a ansiedade se apresentam de forma desproporcional na vida humana  acarretando prejuízos funcionais, se torna um transtorno psiquiátrico. Este transtorno é  comumente encontrado em estudantes perante a vida acadêmica levando ao adoecimento  mental, o qual não quando não tratada, atua como fator de risco importante para o suicídio entre  acadêmicos de medicina. A cultura médica frequentemente valoriza o autocontrole e a  resistência, o que faz com que muitos estudantes ocultem seu sofrimento emocional,  dificultando a intervenção precoce (Do Santos et al., 2021). 

O ambiente médico-acadêmico, caracterizado por competitividade, longas jornadas e  pressão por excelência, é frequentemente descrito como um contexto de toxicidade psicológica,  o que contribui para o adoecimento mental. Postulado isso, os fatores para desenvolvimento de  transtornos encontrados nesta população são grande carga de trabalho, privação do sono,  dificuldade com pacientes, ambientes insalubres, preocupações financeiras e sobrecarga de  informações. O resultado dessa pesquisa revelou que os pensamentos de desesperança  foram mais frequentes em estudantes de Medicina do que nos outros dois cursos.  

Apesar de essas causas estarem claras no estudo da literatura, foram encontrados poucos  estudos que relatam projetos ou programas de apoio a essa população com modelos de  intervenção. Os estudantes que relataram suporte emocional de familiares, amigos e  profissionais de saúde mental demonstraram menor vulnerabilidade à ideação suicida, em  comparação àqueles que se sentiam isolados (Bertolote et al., 2010). Esse dado reforça a  importância de fortalecer vínculos e promover espaços de acolhimento nas instituições de  ensino. 

Em consonância com esses achados, diversos autores defendem a implantação de  programas de apoio psicossocial e tutoria acadêmica, que auxiliem os estudantes na organização  da vida universitária e na gestão emocional frente às demandas do curso. Tais medidas são  essenciais para minimizar o impacto do estresse acadêmico e prevenir o agravamento de  quadros depressivos e de ideação suicida. Por essa razão, estudantes que relataram suporte  emocional de familiares, amigos e profissionais de saúde mental demonstraram menor  vulnerabilidade à ideação suicida, em comparação àqueles que se sentiam isolados (Bertolote et al., 2010). Esse dado reforça a importância de fortalecer vínculos e promover espaços de  acolhimento nas instituições de ensino. 

Os artigos analisados na elaboração deste trabalho evidenciaram uma variedade de fatores  de riscos que levam acadêmicos de medicina à prática do autoextermínio. Diante desses  achados, os resultados confirmam que a ideação suicida entre estudantes de medicina é um  fenômeno multifatorial, relacionado a condições institucionais, pessoais e emocionais. Em  suma, se torna fundamental promover a orientação adequada sobre a busca por uma qualidade  de vida estando direcionada à saúde mental, em que cabe às universidades reconhecer esse  cenário e implementar políticas efetivas de saúde mental, com foco na prevenção, acolhimento  e acompanhamento psicológico contínuo. 

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS  

A análise sobre a ideação suicida entre estudantes de Medicina de uma universidade  privada do Tocantins permitiu compreender a complexidade e a gravidade do sofrimento  psíquico vivenciado por essa população acadêmica. Os resultados evidenciaram que os  estudantes enfrentam elevados níveis de pressão emocional e acadêmica, o que favorece o  desenvolvimento de sintomas depressivos, ansiosos e, em muitos casos, pensamentos suicidas.  Dessa forma, os objetivos propostos foram alcançados, uma vez que foi possível identificar os  principais fatores associados à ideação suicida e compreender como o ambiente universitário,  as demandas do curso e a fragilidade da rede de apoio influenciam diretamente o bem-estar  mental desses futuros profissionais da saúde. 

Adicionalmente, as hipóteses iniciais de que a sobrecarga acadêmica, a competitividade e  a ausência de suporte emocional são determinantes para o surgimento da ideação suicida, uma  vez que, foram confirmadas pelas revisões de artigos. A pesquisa contribui teoricamente ao  ampliar a compreensão sobre a saúde mental dos estudantes de Medicina, reforçando a  necessidade de uma abordagem multidimensional para o fenômeno. No campo prático, o estudo  destaca a urgência de implementação de políticas institucionais voltadas à promoção da saúde  mental, criação de espaços de acolhimento psicológico e fortalecimento das redes de apoio  dentro do ambiente universitário. 

Por consequência, é fundamental que as instituições de ensino superior intensifiquem a  supervisão médica e promovam campanhas educativas voltadas à conscientização sobre os  riscos que adoecem a saúde mental relacionadas à ideação suicida. Além disso, devem estimular práticas saudáveis de manejo do estresse e da carga acadêmica. A criação de programas de  apoio psicológico, direcionados às demandas emocionais e à saúde mental dos estudantes,  mostra-se igualmente essencial para favorecer um ambiente universitário mais equilibrado,  acolhedor e sustentável. 

Em síntese, o estudo reafirma a importância de reconhecer o sofrimento psíquico como  uma realidade presente na formação médica e aponta caminhos concretos para a construção de  um ambiente acadêmico mais humano, acolhedor e preventivo diante da ideação e do comportamento suicida. 

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1Discente do Curso Superior de Medicina do Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos Campus Porto  Nacional e-mail: leonardobarrosfigueira@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina do Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos Campus Porto  Nacional e-mail: marcilenepinheiropdc@gmail.com
3Discente do Curso Superior de Medicina do Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos Campus Porto  Nacional e-mail: marianavca22@gmail.com
4Discente do Curso Superior de Medicina do Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos Campus Porto  Nacional e-mail: enfer.marina@hotmail.com
5Docente do Curso Superior de Medicina do Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos Campus Porto Nacional. Doutor em Ciências do Ambiente (UFT). E-mail: angelo.balduino@itpacporto.edu.br