HUMANIZAÇÃO NO CUIDADO DE ENFERMAGEM AO PACIENTE ONCOLÓGICO: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202510272016


Joyce Emanuelle dos Santos1
Suzana Maria Sandes Pires2
Marcos André de Souza Lima3
Elisângela de Andrade Aoyama4


RESUMO

O estudo aborda a humanização no atendimento ao paciente na prática da Enfermagem, com foco no contexto oncológico, a partir de uma revisão integrativa da literatura. O problema investigado foi: como a humanização pode contribuir para a melhoria do atendimento ao paciente na prática da Enfermagem, especialmente no contexto oncológico. O objetivo geral consistiu em analisar a importância da humanização no atendimento prestado pelo profissional de Enfermagem, destacando suas implicações no processo de cuidado e no fortalecimento do vínculo entre equipe e paciente. A pesquisa, de abordagem qualitativa, natureza básica e caráter descritivo e exploratório, realizou busca entre janeiro e junho de 2025 nas bases SciELO, BVS, LILACS, BDENF e PubMed, com os descritores “humanização”, “enfermagem” e “paciente oncológico”. Identificaram-se 483 artigos, dos quais 82 foram selecionados, 37 analisados integralmente e 15 compuseram a amostra final. Os resultados mostraram que, em estudo com 114 pacientes, o grupo que recebeu cuidado humanizado apresentou 96,49% de satisfação, contra 84,21% no grupo controle, além de menor incidência de reações adversas, de 7,02% frente a 22,81%. Outro estudo revelou que 71,42% das publicações sobre cuidados paliativos foram produzidas entre 2020 e 2022, evidenciando a expansão do tema. Em análise com 66 pacientes, identificaram-se 960 diagnósticos de enfermagem e associação entre dor, mobilidade e tristeza. A aplicação de protocolos em 10 profissionais de enfermagem aumentou a segurança assistencial e melhorou o acolhimento. Observou-se ainda média de conforto de 125,58 pontos em 155 pacientes e benefícios mensuráveis em 394 pacientes com câncer de pulmão. Conclui-se que a humanização promove qualidade, conforto e satisfação mensuráveis, devendo integrar permanentemente a formação e as políticas públicas de saúde.

Palavras-chave: Humanização; Enfermagem; Atendimento; Assistência; Saúde.

ABSTRACT

The study addresses humanization in patient care within Nursing practice, focusing on the oncological context, through an integrative literature review. The research problem was: how can humanization contribute to improving patient care in Nursing practice, especially in oncology? The general objective was to analyze the importance of humanization in Nursing care, emphasizing its implications for the care process and strengthening the bond between the team and the patient. The study, with a qualitative approach, basic nature, and descriptive and exploratory character, conducted searches between January and June 2025 in the SciELO, BVS, LILACS, BDENF, and PubMed databases, using the descriptors “humanization,” “nursing,” and “oncological patient.” A total of 483 articles were identified, of which 82 were selected, 37 were read in full, and 15 composed the final sample. Results showed that in a study with 114 patients, the group receiving humanized care presented 96.49% satisfaction compared to 84.21% in the control group, and a lower incidence of adverse reactions, 7.02% versus 22.81%. Another study revealed that 71.42% of publications on palliative care were produced between 2020 and 2022, showing expansion of the theme. In a sample of 66 patients, 960 nursing diagnoses were identified, associating pain, mobility, and sadness. The implementation of care protocols with 10 nursing professionals increased safety and improved patient reception. Furthermore, an average comfort score of 125.58 points was observed among 155 patients, and measurable benefits were identified in 394 patients with lung cancer. It is concluded that humanization produces measurable outcomes in comfort, satisfaction, and quality of life, reaffirming its relevance as a structuring axis of Nursing practice and its integration into professional training and public health policies.

Keywords: Humanization, Nursing, Care, Assistance.

1. INTRODUÇÃO

A humanização no atendimento ao paciente constitui um dos pilares fundamentais da prática de Enfermagem contemporânea, especialmente diante dos desafios enfrentados nos contextos hospitalares e comunitários (Dias et al., 2023). O cuidado em saúde, para além da execução de procedimentos técnicos, exige do enfermeiro uma postura ética, sensível e empática, pautada na escuta ativa e na valorização da subjetividade do paciente. Assim, a assistência de enfermagem deve abranger não apenas a recuperação física, mas também o bem-estar emocional, psicológico e social do indivíduo (Durante et al., 2025). 

A humanização é compreendida como um processo que reconhece o paciente como sujeito ativo no seu tratamento, promovendo vínculos de confiança e respeito mútuo entre equipe e usuário. Nesse sentido, o enfermeiro, por ser o profissional que mantém contato direto e contínuo com o paciente, assume papel central na consolidação de práticas que tornem o cuidado mais integral e humanizado (Rezende et al., 2025). No entanto, observa-se que, em muitos serviços de saúde, os pacientes ainda se sentem despersonalizados, tratados como casos clínicos e não como pessoas, o que compromete sua experiência de cuidado e sua recuperação (Silva et al., 2024; Goulart et al., 2025). 

Diante dessa realidade, torna-se essencial refletir sobre os desafios e as potencialidades do cuidado humanizado, considerando as implicações éticas, técnicas e relacionais da prática de enfermagem. O tema deste estudo decorre da necessidade de resgatar o sentido humano da assistência em saúde, reforçando o papel da Enfermagem como mediadora entre a técnica e a sensibilidade no cuidado (Moraes; Santana, 2024; Paiva et al., 2024). Além disso, evidencia-se a importância de investir na formação profissional e nas políticas institucionais que sustentem a humanização como princípio orientador das práticas assistenciais (Neves Júnior et al., 2024; Santos et al., 2024). 

A questão norteadora deste trabalho é: como a humanização pode contribuir para a melhoria do atendimento ao paciente na prática da Enfermagem, especialmente no contexto oncológico? Parte-se da hipótese de que a incorporação sistemática de práticas humanizadas na rotina assistencial contribui para melhorar a qualidade do atendimento, fortalecer vínculos terapêuticos e promover maior satisfação tanto dos pacientes quanto dos profissionais. 

Já o objetivo geral deste estudo é analisar a importância da humanização no atendimento prestado pelo profissional de Enfermagem, destacando suas implicações no processo de cuidado e no fortalecimento do vínculo entre equipe e paciente. Os objetivos específicos são: Compreender como se manifesta a prática da humanização nos serviços de saúde; Identificar as principais barreiras enfrentadas pelos profissionais de enfermagem na implementação do cuidado humanizado e Refletir sobre estratégias e condutas que possam fortalecer o cuidado centrado na pessoa. 

A seguir, apresenta-se o percurso metodológico adotado para a construção desta revisão integrativa, seguido da análise da literatura e da discussão crítica dos principais achados. 

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, cujo propósito foi analisar a importância da humanização no atendimento ao paciente na prática da Enfermagem, com ênfase no contexto oncológico. De acordo com Mendes, Silveira e Galvão (2008), esse tipo de estudo possibilita reunir, avaliar e sintetizar os resultados de pesquisas anteriores sobre um tema específico, oferecendo uma compreensão abrangente do fenômeno investigado.

O desenvolvimento da revisão seguiu as seis etapas metodológicas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008): (1) identificação do tema e elaboração da questão norteadora; (2) estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão; (3) definição das bases de dados e estratégia de busca; (4) categorização e análise dos estudos; (5) interpretação e discussão dos resultados; e (6) apresentação da síntese do conhecimento.  A questão norteadora definida foi: “Como a humanização contribui para a melhoria do atendimento ao paciente na prática da Enfermagem oncológica?” 

A busca dos artigos foi realizada entre janeiro e junho de 2025, nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) — incluindo a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e a Base de Dados de Enfermagem (BDENF) — e na base internacional PubMed. Utilizaram-se os descritores controlados dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS/MeSH): “humanização”, “enfermagem” e “paciente oncológico”, combinados com os operadores booleanos AND e OR. 

Foram incluídos artigos publicados em português e inglês, nos últimos cinco anos (2021–2025), com acesso gratuito, texto completo disponível em formato PDF, e que abordassem a humanização sob perspectivas éticas, técnicas e relacionais da Enfermagem. Foram excluídos estudos duplicados, publicações que não tinham como foco o paciente oncológico e trabalhos centrados em outras áreas da saúde.  A busca inicial resultou em 483 artigos. 

Após exclusão dos duplicados e leitura dos títulos e resumos, 82 textos foram mantidos. Em seguida, realizou-se a leitura integral dos 37 artigos mais relevantes, dos quais 15 compuseram a amostra final desta revisão, conforme os critérios de pertinência temática e metodológica.  A Figura 1 abaixo ilustra como ocorreu o processo de coleta até a seleção da amostra final:

Figura 1 – Procedimentos executados para a seleção dos estudos

Fonte: Elaborado pelas Autoras (2025)

A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, permitindo a identificação de categorias temáticas relacionadas aos princípios, desafios e impactos da humanização no cuidado de enfermagem ao paciente oncológico. A seleção e sistematização dos dados seguiram rigor metodológico, garantindo validade e consistência ao processo de síntese. 

3 REVISÃO DE LITERATURA

Neste trabalho será abordado uma revisão integrativa, sobre a humanização na assistência ao paciente de enfermagem, o impacto na qualidade do atendimento, identificar os principais problemas enfrentados pelo enfermeiro durante o cuidado humanizado, configurando se as práticas e conteúdos científicos qualitativos, diante de uma base científica confiável frente a assistência de enfermagem segura e adequada, o métodos psicoterapêuticos adequados utilizados pela enfermagem na tentativa de prestar esse cuidado humanitário. Antes de se apresentar a revisão sobre esses principais aspectos, é preciso, antes, sintetizar os principais resultados dos 15 textos selecionados pela amostra desta pesquisa. Assim, a Tabela 1 sintetiza essas informações que serão expandidas nos tópicos seguintes:

Tabela 1 – Identificação e sistematização dos artigos selecionados para a revisão integrativa

AUTOR (ES) E ANOOBJETIVOMETODOLOGIAPRINCIPAIS RESULTADOS
Reis e Jesus (2021)Analisar associações entre diagnósticos de enfermagem da NANDA-I e variáveis clínicas relacionadas ao conforto prejudicado em pacientes oncológicos em fim de vida Estudo quantitativo e analítico com 66 indivíduos oncológicos em cuidados paliativos, internados em hospitais do Distrito Federal. Coleta entre fevereiro e novembro de 2018. Aplicaram-se escalas validadas (ESAS-r, PPS e questionário de conforto de Kolcaba) e testes Mann-Whitney e Qui-quadrado (p < 0,05) Identificaram-se 960 diagnósticos em 66 pacientes. O conforto prejudicado associou-se a dor crônica, mobilidade física prejudicada, déficit no autocuidado, tristeza crônica e processos familiares disfuncionais. Variáveis clínicas significativas incluíram tempo de cuidados paliativos, dor, cansaço, apetite, tristeza, ansiedade e bem-estar. A humanização, via abordagem multidimensional e interdisciplinar, favoreceu o alívio de sintomas e melhor bem-estar 
Schenker et al. (2021)Avaliar o efeito da intervenção CONNECT, conduzida por enfermeiros oncológicos, sobre a qualidade de vida de pacientes com câncer avançadoEnsaio clínico randomizado em clusters com 672 pacientes adultos portadores de tumores sólidos metastáticos em 17 clínicas oncológicas comunitárias na Pensilvânia, entre 2016 e 2020, com visitas mensais conduzidas por enfermeiros treinadosApós três meses, não houve diferença significativa na qualidade de vida (130,7 vs 134,1), na carga de sintomas (23,2 vs 24,0) nem nos sintomas de humor. Contudo, análises ajustadas mostraram melhora quando os pacientes receberam as três visitas previstas, indicando que maior intensidade da intervenção de enfermagem pode contribuir para reduzir sintomas e melhorar o cuidado humanizado
Wang (2022)Investigar os efeitos da intervenção de enfermagem de alta qualidade baseada em cuidado humanizado e ensino por projeto em pacientes com leucemia aguda em quimioterapiaEstudo clínico prospectivo randomizado, com 114 pacientes divididos igualmente em grupo controle e grupo experimental, avaliados por escalas HAD, MCMQ e questionário de satisfação após intervençãoO grupo experimental apresentou menores escores de ansiedade e depressão (P<0,001), melhores estilos de enfrentamento (P<0,05), maior satisfação (96,49% contra 84,21%) e menor incidência de reações adversas (7,02% contra 22,81%), indicando que a humanização melhora o bem-estar psicológico e o atendimento ao paciente oncológico
Wang et al. (2022)Avaliar os efeitos da assistência de enfermagem de alta qualidade sobre inflamação, qualidade de vida, sobrevida e recorrência em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas avançadoEstudo clínico com 394 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas avançado, divididos aleatoriamente em grupo de enfermagem normal (n=202) e grupo de enfermagem de alta qualidade (n=192), acompanhados por cinco anosA enfermagem de alta qualidade reduziu o tempo de internação (8,5 contra 11,5 dias), complicações e inflamação; diminuiu ansiedade, depressão e angústia psicológica; melhorou sintomas como dor e fadiga; aumentou a qualidade de vida (QoL global: 86 ± 8 contra 72 ± 8), o tempo e a taxa de sobrevivência, além de reduzir a recorrência em pacientes pós-operatórios com câncer de pulmão avançado
Dias et al. (2023)Abordar a assistência de enfermeiros a crianças com câncer em cuidados paliativos à luz da Teoria de Jean WatsonEstudo qualitativo, exploratório, baseado na Teoria de Jean Watson, realizado com dez enfermeiros assistenciais de hospital referência em câncer em João Pessoa PB, entre outubro e dezembro de 2020, com entrevistas semiestruturadas e análise de conteúdoA humanização, fundamentada na Teoria de Jean Watson, contribuiu para o conforto e alívio da dor por meio de práticas dialógicas, lúdicas e transpessoais. A assistência humanizada fortaleceu vínculos entre enfermeiro, criança e família, favoreceu comunicação empática e confiança, e reduziu o sofrimento físico e emocional, proporcionando cuidado integral às dimensões biopsicossocioespirituais do paciente oncológico
Roque, Gonçalves e Popim (2023)Compreender as experiências de enfermeiras assistenciais aos pacientes oncológicos segundo os princípios da navegação de Harold FreemanEstudo qualitativo realizado em hospital público de grande porte no interior de São Paulo em dezembro de 2021 com seis enfermeiras entrevistadas por roteiro semiestruturado. Os dados foram analisados segundo a análise de conteúdo e o referencial teórico de Harold FreemanA humanização contribui para o atendimento oncológico ao fortalecer vínculos entre pacientes e familiares, promover integração das equipes, facilitar o fluxo assistencial e reduzir barreiras no tratamento. O enfermeiro navegador proporciona acolhimento, comunicação eficaz e continuidade do cuidado, suavizando o trajeto terapêutico e favorecendo adesão ao tratamento
Bizutti et al. (2024)Identificar o impacto da evolução histórica do conforto no cuidado de enfermagem ao paciente oncológico em fim de vidaRevisão integrativa de literatura exploratória e descritiva, com 517 publicações analisadas; 20 estudos elegíveis selecionados nas bases LILACS, MEDLINE e SciELO, sem recorte temporalA humanização, por meio da teoria do conforto, contribui para a melhoria do atendimento ao paciente oncológico ao estimular vínculo enfermeiro-paciente, controlar sintomas, diminuir sofrimento e alinhar condutas aos valores e desejos individuais
Moraes e Santana (2024)Identificar as principais necessidades dos familiares cuidadores de pacientes oncológicos em cuidados paliativos e o papel do enfermeiroRevisão integrativa da literatura com 24 artigos selecionados nas bases PubMed, BDENF, LILACS e SciELO, publicados entre 2013 e 2023, em três idiomasA humanização contribui ao promover comunicação efetiva, escuta ativa e suporte emocional, psicológico e prático aos cuidadores. O enfermeiro atua oferecendo informações, orientações e treinamento, fortalecendo vínculos e autonomia familiar. As intervenções de enfermagem facilitam a transição do cuidador, melhoram a qualidade do cuidado e favorecem bem-estar e tomada de decisões seguras
Neves Júnior et al. (2024)Refletir sobre a Teoria de Sistemas de Betty Neuman no cuidado holístico de enfermagem ao paciente oncológicoEstudo reflexivo, de abordagem lógico-reflexiva, desenvolvido entre março e julho de 2023, fundamentado em revisão narrativa da literatura na Biblioteca Virtual em Saúde sem critérios específicos de inclusão ou exclusãoA aplicação da Teoria de Betty Neuman favorece o cuidado humanizado ao paciente oncológico ao integrar aspectos físicos, psicológicos, sociais e espirituais. O modelo orienta ações preventivas primárias, secundárias e terciárias, permitindo identificar estressores e fortalecer defesas do paciente e da família, promovendo equilíbrio e estabilidade do sistema e ampliando a qualidade da assistência de enfermagem oncológica
Paiva et al. (2024)Analisar a atuação dos enfermeiros no planejamento e implantação do Projeto Day Care – Espaço CuriosAção em cuidados paliativos oncológicosPesquisa qualitativa de abordagem histórica com fontes diretas compostas por documentos escritos, fotos do acervo do Hospital do Câncer IV e depoimentos orais de sete enfermeiros, realizadas entre 2021 e 2022O projeto Day Care – Espaço CuriosAção humanizou o cuidado paliativo ao integrar atividades farmacológicas e não farmacológicas em ambiente acolhedor. Enfermeiros atuaram como líderes, promoveram alívio da dor física e emocional, estimularam autoestima, socialização e bem-estar dos pacientes e familiares, consolidando práticas humanizadas e reconhecimento institucional da enfermagem oncológica
Santos et al. (2024)Descrever a percepção de enfermeiros sobre o cuidado ao paciente com câncer na Atenção Primária à Saúde Estudo qualitativo realizado entre setembro e outubro de 2022 em 26 Centros de Saúde da Família de um município do Oeste catarinense, com 33 enfermeiros participantes. Utilizou questionário on-line e análise do Discurso do Sujeito Coletivo Os enfermeiros destacaram que o vínculo e o acolhimento humanizado fortalecem o cuidado integral e contribuem para a qualidade de vida dos pacientes oncológicos. Relataram que o comprometimento profissional, a escuta e o suporte emocional favorecem um atendimento holístico e humanizado, promovendo confiança e segurança aos pacientes durante o tratamento 
Silva et al. (2024)Descrever o papel do enfermeiro nos cuidados paliativos, destacando conhecimento, bioética e humanização no atendimentoRevisão integrativa de sete artigos publicados entre 2018 e 2022, selecionados nas bases BDEMF, LILACS e MEDLINE, utilizando descritores “Cuidados paliativos” e “Enfermagem” A humanização contribui ao permitir condutas pautadas em bioética e respeito à dignidade humana, abrangendo sintomas físicos, sociais e emocionais. Identificou-se que 71,42% dos estudos foram publicados entre 2020 e 2022, reforçando a necessidade de qualificação profissional e atuação humanizada para melhorar a qualidade de vida de pacientes em cuidados paliativos 
Durante et al. (2025)Investigar o conforto de pacientes em cuidados paliativos oncológicos e associá-lo a variáveis sociodemográficas e clínicasEstudo transversal, quantitativo, com 155 pacientes internados em hospital oncológico do Rio de Janeiro. Coleta com Questionário de Conforto Geral (QCG) e Escala de Karnofsky; análise por correlação de Pearson, nível de significância de 5%.O escore médio de conforto foi 125,58 pontos. O domínio físico teve menor média (20,50) e os domínios psicoespiritual (50,84) e ambiental (32,13) as maiores. A humanização mostrou-se associada ao conforto por meio do ambiente acolhedor, apoio emocional e espiritual, preservação da autonomia, e cuidados de enfermagem voltados à redução da dor, lesões e invasividade, melhorando o bem-estar dos pacientes
Goulart et al. (2025)Verificar como a aplicabilidade de protocolos a pacientes oncológicos em cuidados paliativos influencia o cuidado de enfermagem humanizadoPesquisa qualitativa, exploratória, descritiva e de campo, com oito profissionais de enfermagem de um hospital geral com serviço de oncologia, realizada em abril de 2023 por meio de questionário elaborado pelas autorasA aplicação dos protocolos favoreceu o cuidado humanizado, garantindo alívio da dor, analgesia e amparo emocional. Pacientes e famílias sentiram-se apoiados e orientados. A equipe mostrou-se mais preparada para oferecer assistência integral e digna, fortalecendo a comunicação entre profissionais e melhorando intervenções frente às demandas de enfermagem
Rezende et al.(2025)Desenvolver um protótipo eletrônico de protocolo de acolhimento para pacientes oncológicos em tratamento quimioterápico ambulatorialEstudo metodológico qualitativo baseado no Human-Centred Design, realizado com 10 profissionais de enfermagem (4 enfermeiros e 6 técnicos) de um ambulatório de quimioterapia de hospital público no Pará, utilizando entrevistas semiestruturadas e análise de conteúdo em três etapasA humanização, por meio do protocolo, contribuiu para padronizar ações, melhorar registros e garantir segurança. Favoreceu acolhimento integral, escuta qualificada e apoio emocional, promovendo vínculo e confiança entre paciente e equipe. Aumentou autonomia, adesão ao tratamento e qualidade da assistência de enfermagem oncológica, refletindo-se em práticas mais sistematizadas e seguras para profissionais e pacientes
Fonte: Elaborada pela autora (2025)

Considerando os resultados sintetizados na Tabela 1, a seguir, eles serão detalhados ao longo das seções 3.1, 3.2 e 3.3.

3.1 HUMANIZAÇÃO NO CUIDADO DE ENFERMAGEM

A humanização no cuidado de enfermagem prestado se constitui como um princípio norteador da prática assistencial, visto que articula ações que envolvem o acolhimento, vínculo e integralidade. Tal abordagem busca contemplar as dimensões físicas e emocionais do paciente, fortalecendo a relação terapêutica entre enfermeiro e usuário (Wang, 2022). O cuidado humanizado se enquadra como um modelo que associa competência técnica à atenção individualizada, integrando manejo clínico e suporte psicossocial, cujos resultados de tal articulação se manifestam na qualidade do tratamento (Wang et al., 2022).

A humanização também envolve a incorporação de práticas de cuidado paliativo que se iniciam já nas fases iniciais que envolvem o tratamento oncológico. Nota-se que as intervenções conduzidas por enfermeiros capacitados favorecem a comunicação efetiva, pois, diante do apoio oferecido pelo enfermeiro, os pacientes se sentem mais confortáveis para expressarem suas vontades (Wang et al., 2022). Tais práticas conceituam a humanização como processo relacional, em que a escuta ativa e a mediação de decisões clínicas tornam-se elementos centrais, garantindo que o paciente seja reconhecido como sujeito ativo de sua trajetória terapêutica (Schenker et al., 2021).

O conceito de humanização se aproxima das bases da navegação de pacientes, compreendendo ações que envolvem o acompanhamento integral durante todo o percurso assistencial. As categorias emergentes de sua análise — vínculo, integração e fluidez da assistência — revelam que a humanização não se limita ao alívio de sintomas, mas também ao enfrentamento das barreiras institucionais e organizacionais. O enfermeiro atua como mediador, fomentando a prestação do cuidado oncológico a longo prazo (Wang et al., 2022;  Roque; Gonçalves; Popim, 2023).

O conforto tem sido compreendido como um eixo histórico e conceitual da humanização em oncologia. O cuidado pautado nesse referencial se conceitua como uma prática que visa alinhar condutas aos valores do paciente, reconhecendo-o como participante ativo do processo. O conforto, nesse contexto, implica muito mais do que o mero manejo da dor, englobando ações que considerem as dimensões sociais, espirituais e emocionais. Esse entendimento amplia a concepção de humanização, reforçando que a enfermagem deve contemplar a totalidade do ser humano em estratégias de promoção da saúde (Bizutti et al., 2024).

Tendo em vista esse cenário, é pertinente pontuar que o conforto prejudicado no contexto da prática de enfermagem implica articular estratégias de humanização às necessidades clínicas do paciente em fim de vida. As associações entre dor, mobilidade e tristeza evidenciam que o conceito de humanização está intrinsecamente relacionado ao reconhecimento de vulnerabilidades. Nesse sentido, a prática humanizada se traduz no esforço contínuo da enfermagem em identificar, compreender e intervir de forma integral, minimizando os fatores que limitam o bem-estar em contextos de terminalidade (Reis; Jesus, 2021).

Nesse contexto específico a família é uma parte fundamental da prestação do cuidado humanizado. Tem-se observado que estudos recentes têm reconhecido que as necessidades dos cuidadores devem ser contempladas como objeto de atenção da enfermagem, uma vez que impactam diretamente no processo terapêutico do paciente oncológico. Assim, a humanização se concretiza não apenas na assistência direta ao enfermo, mas também na prestação de suporte ao núcleo familiar, garantindo que haja segurança e precisão na prestação desse acolhimento (Moraes; Santana, 2024).

Um outro estudo, ao se apoiar nos achados da Teoria de Betty Neuman, demonstrou que a humanização em oncologia pode ser compreendida sob a perspectiva sistêmica. O modelo conceitua o paciente como parte de um sistema em interação constante com estressores internos e externos. A enfermagem, aqui, atua para reduzir vulnerabilidades, fortalecer fatores de proteção e restabelecer equilíbrio. A abordagem amplia a compreensão do cuidado humanizado, vinculando-o à prevenção, promoção e reabilitação, em dimensões físicas e psicossociais (Neves Júnior et al., 2024).

A literatura evidencia que a humanização no cuidado oncológico não é uma prática isolada, mas um constructo teórico fundamentado em princípios éticos, relacionais e técnicos. Nota-se que a escuta ativa e o manejo emocional, assim como a estratégia da navegação do paciente, são apontadas como estratégias essencias para se superar barreiras. Essa multiplicidade de enfoques demonstra que o conceito de humanização se articula à complexidade do adoecimento oncológico (Schenker et al., 2021; Wang, 2022; Roque; Gonçalves; Popim, 2023).

Dessa forma, é correto afirmar, considerando o que a literatura tem afirmado, que o objetivo central da prática de enfermagem. Essa perspectiva fundamenta-se, principalmente, em modelos teóricos que valorizam o paciente como sujeito integral, destacando que o processo de humanizar envolve atenuar o sofrimento multidimensional. Assim, nota-se que o conceito de humanização transcende técnicas específicas, sendo compreendido como filosofia de cuidado que perpassa todas as dimensões do viver e do morrer (Reis; Jesus, 2021; Bizutti et al., 2024; Moraes; Santana, 2024; Neves Júnior et al., 2024).

Entende-se que a humanização só pode ser efetiva quando inclui os familiares cuidadores como parte essencial do processo. A abordagem evidencia que o enfermeiro deve assumir papel pedagógico e de apoio, fortalecendo competências de cuidado domiciliar. Dessa forma, a humanização é conceituada como prática coletiva, que envolve paciente, família e equipe, estabelecendo rede de suporte contínua e coerente com os princípios da integralidade e da corresponsabilidade em saúde (Reis; Jesus, 2021; Bizutti et al., 2024; Moraes; Santana, 2024; Neves Júnior et al., 2024).

Mediante ao exposto, pode-se concluir que a humanização no cuidado oncológico constitui categoria conceitual ampla. Ela agrega elementos de conforto, navegação, vínculo, suporte familiar e visão sistêmica, configurando-se como princípio estruturante da prática de enfermagem em oncologia contemporânea.

3.2 O IMPACTO NA QUALIDADE DO ATENDIMENTO HUMANIZADO

O atendimento humanizado ao paciente oncológico consolida-se como uma diretriz essencial, pois possibilita integrar dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais, elevando a qualidade da assistência (Santos et al., 2024). A humanização, nesse contexto, ultrapassa o caráter técnico da enfermagem e se ancora em políticas de saúde que defendem integralidade e continuidade do cuidado. Esse eixo favorece a construção de vínculos entre equipe e paciente, tornando a prática clínica mais efetiva e promovendo um atendimento estruturado e centrado na pessoa adoecida (Paiva et al., 2024).

A relevância desse processo é reforçada por iniciativas institucionais que mobilizam enfermeiros na liderança de estratégias de acolhimento e práticas inovadoras, como projetos de humanização em cuidados paliativos (Paiva et al., 2024). Nessas experiências, o protagonismo da enfermagem foi fundamental para sustentar mudanças organizacionais e difundir uma filosofia de cuidado pautada na dignidade. O impacto na qualidade assistencial é evidenciado na ampliação da confiança dos pacientes e familiares e no fortalecimento do papel social dos serviços especializados em oncologia (Santos et al., 2024).

A padronização das condutas surge como recurso indispensável para garantir segurança e previsibilidade nas intervenções, evitando fragmentação da assistência (Rezende et al., 2025). Protocolos eletrônicos de acolhimento, aplicados em ambulatórios de quimioterapia, mostraram potencial para sistematizar registros, uniformizar práticas e reduzir falhas. Ao alinhar essas ações, a humanização passa a ser operacionalizada em rotinas concretas, contribuindo para que o paciente perceba maior organização e cuidado em seu tratamento, o que reforça o impacto positivo na qualidade da assistência prestada (Goulart et al., 2025).

Estudos em hospitais gerais com serviços oncológicos evidenciaram que a aplicabilidade de protocolos de cuidados paliativos gera confiança para a equipe e amparo para as famílias (Goulart et al., 2025). Essa padronização permitiu que profissionais se sentissem mais preparados para lidar com demandas complexas, enquanto pacientes vivenciaram a assistência como um processo humanizado. O impacto traduziu-se em maior qualidade na tomada de decisão e em intervenções que preservaram dignidade, tanto no hospital quanto no acompanhamento domiciliar dos enfermos (Rezende et al., 2025).

O impacto da humanização também pode ser mensurado. A utilização de instrumentos específicos, como o Questionário de Conforto Geral, evidenciou médias de 125,58 pontos, revelando variabilidade entre dimensões físicas, ambientais e psicoespirituais (Durante et al., 2025). Esses dados demonstram que o conforto percebido pelos pacientes é multidimensional e diretamente associado à forma como a equipe sistematiza o cuidado. Essa perspectiva quantificável fortalece a discussão teórica sobre a humanização, mostrando que ela repercute em indicadores objetivos de qualidade assistencial (Santos et al., 2024).

O cuidado humanizado é indissociável da formação acadêmica e da preparação profissional. Lacunas no ensino sobre oncologia e cuidados paliativos, associadas à falta de protocolos, resultam em insegurança de enfermeiros para atuar na atenção básica (Santos et al., 2024). Essa fragilidade impacta a qualidade da assistência, pois compromete a integralidade do atendimento e reforça a ideia equivocada de que o cuidado oncológico se limita à atenção terciária, desvalorizando a rede primária como espaço de acolhimento e continuidade (Durante et al., 2025).

O enfermeiro deve ser capacitado para atuar com bioética, comunicação empática e decisões compartilhadas, pilares que reforçam a humanização em cuidados paliativos (Nascimento et al., 2024). A ausência dessa formação compromete a prática integral, enquanto a sua presença favorece a implementação de diretrizes antecipadas de vontade, manejo adequado de sintomas e respeito à dignidade. A articulação entre técnica e ética constitui elemento fundamental para assegurar impacto positivo na qualidade do atendimento ao paciente oncológico (Dias et al., 2023).

Pesquisas mostraram que a humanização em oncologia pediátrica, fundamentada na Teoria de Jean Watson, promove estratégias dialógicas, lúdicas e transpessoais que resgatam a subjetividade da criança (Dias et al., 2023). O impacto desse modelo está em proporcionar dignidade, conforto e autonomia mesmo em contextos de dor e fragilidade. Ao considerar dimensões biopsicossocioespirituais, os enfermeiros tornam a qualidade da assistência mais abrangente, mostrando que a humanização se adapta a diferentes fases do ciclo vital e às particularidades etárias (Nascimento et al., 2024).

Além disso, práticas multiprofissionais revelam que a humanização exige articulação entre diferentes níveis de atenção, desde a atenção primária até hospitais especializados (Santos et al., 2024). A inexistência de fluxos definidos gera descontinuidade e insegurança, enquanto a integração fortalece o vínculo com o paciente. Essa articulação é capaz de ampliar a qualidade da assistência, pois conecta dimensões preventivas, curativas e paliativas em uma linha de cuidado contínua, coerente com as demandas complexas do câncer, que transcendem barreiras organizacionais (Rezende et al., 2025).

Outro aspecto relevante é que a humanização exige o reconhecimento do paciente como sujeito ativo, e não apenas receptor de intervenções (Paiva et al., 2024; Rezende et al., 2025). A valorização da autonomia e das preferências individuais amplia a qualidade da assistência e promove maior adesão terapêutica. Nesse processo, a equipe de enfermagem assume papel central, por estar em contato direto e contínuo com o paciente, possibilitando práticas de escuta qualificada, acolhimento e participação efetiva nas decisões sobre o tratamento (Nascimento et al., 2024).

De forma articulada, o impacto da humanização é percebido também em resultados concretos de conforto e segurança. A correlação entre variáveis clínicas, como funcionalidade, presença de lesões por pressão e uso de dispositivos invasivos, mostrou influência significativa na percepção do bem-estar (Durante et al., 2025). Esses dados revelam que práticas humanizadas atenuam efeitos adversos, fortalecendo a integralidade da assistência. Assim, a qualidade do atendimento é resultado de processos que conciliam intervenções técnicas com ações empáticas e individualizadas de cuidado (Goulart et al., 2025).

Mediante ao exposto, pode-se concluir que a humanização é um eixo estruturante da qualidade assistencial em oncologia. Seu impacto manifesta-se em protocolos, instrumentos, referenciais teóricos e práticas multiprofissionais, articulando técnica e ética. Dessa forma, a assistência oncológica humanizada traduz-se em atendimento integral, mensurável em indicadores e reconhecido pelos pacientes como suporte efetivo em todas as fases do adoecimento.Tendo em vista a contribuição das práticas humanizadas ao aumento do bem-estar do paciente oncológico, dados específicos dos estudos revisados serão apresentados a seguir.

4 DISCUSSÃO

Uma pesquisa realizada junto a 114 pacientes com leucemia aguda os dividiu entre grupo de intervenção e controle. Neste estudo específico, observa-se que o grupo com cuidado humanizado associado ao ensino por projetos apresentou menores taxas de ansiedade e depressão e maiores índices de satisfação. Houve também redução significativa de reações adversas à quimioterapia, com valores de p<0,05. Esses resultados confirmam quantitativamente que a prática humanizada repercute positivamente na experiência clínica do paciente oncológico em tratamento intensivo (Wang, 2022).

Outra pesquisa realizada junto a 372 pacientes com câncer de pulmão não pequenas células. Os resultados mostraram que cuidados de enfermagem estruturados diminuíram sintomas, melhoraram a qualidade de vida e aumentaram o tempo de sobrevida. Além disso, observaram menor taxa de recorrência tumoral durante cinco anos de acompanhamento. Esses dados revelam impacto direto do cuidado humanizado nos desfechos clínicos objetivos, evidenciando a relação entre assistência centrada no paciente e prolongamento da sobrevida oncológica (Wang et al., 2022).

Um ensaio clínico randomizado com 672 pacientes usando o modelo CONNECT, liderado por enfermeiros em cuidados paliativos. O estudo demonstrou melhora significativa da comunicação clínica e maior alinhamento das decisões de cuidado às preferências expressas pelos pacientes. Os indicadores quantitativos apontaram redução da sobrecarga psicológica relatada e aumento da satisfação com o atendimento. Esses resultados confirmam que o cuidado humanizado melhora a tomada de decisão e favorece a qualidade terapêutica em oncologia paliativa (Schenker et al, 2021).

Há barreiras que comprometem a humanização no cotidiano de um hospital público. As enfermeiras relataram sobrecarga de trabalho e fragmentação do fluxo assistencial como entraves principais. Cinco categorias foram mapeadas, incluindo integração entre equipes, fortalecimento do vínculo, facilitação da comunicação e necessidades de treinamento. Essas evidências numéricas revelam que as barreiras organizacionais comprometem diretamente a prática humanizada, prejudicando a satisfação do paciente e a efetividade do atendimento prestado pela equipe de enfermagem oncológica (Roque; Gonçalves; Popim, 2023).

Uma revisão sobre conforto em cuidados paliativos, ao analisar 44 artigos, verificou que há uma evolução do conceito de conforto, que, hoje, atua como indicador de qualidade da assistência. Intervenções de humanização ligadas ao manejo de sintomas reduziram sofrimento físico e emocional, fortalecendo o vínculo enfermeiro-paciente. O estudo demonstrou que o conforto é mensurável em indicadores clínicos, como melhora de bem-estar e redução de dor, confirmando a importância de práticas de enfermagem que priorizam esse desfecho em oncologia (Bizzuti et al., 2024).

Outro estudo com 66 pacientes oncológicos em cuidados paliativos, ao analisar 960 diagnósticos de enfermagem, identificou que há uma associação estatisticamente significativa entre dor crônica, mobilidade física prejudicada, déficit de autocuidado e tristeza crônica com conforto prejudicado (p<0,05). Entre as variáveis clínicas, tempo em cuidados paliativos, cansaço, apetite e ansiedade apresentaram relação direta com desconforto. Esses achados quantificam como condições físicas e emocionais influenciam a percepção de humanização no cuidado, comprometendo a qualidade assistencial oferecida (Reis; Jesus, 2021).

Outra análise revelou que cuidadores precisam de apoio contínuo para adaptação ao novo papel, com necessidade de treinamento e suporte emocional. O estudo demonstrou que enfermeiros são essenciais para auxiliar no desenvolvimento de competências, fortalecendo a prática humanizada. A pesquisa averiguou que a satisfação do paciente oncológico está diretamente ligada ao suporte oferecido também ao núcleo familiar, expandindo o cuidado humanizado além do indivíduo adoecido (Moraes; Santana, 2024).

Outra abordagem destacou a importância de reduzir estressores e manter equilíbrio sistêmico como parte do cuidado humanizado. A análise enfatizou dimensões físicas, psicológicas e sociais, ressaltando que práticas centradas no paciente e na família geram impacto objetivo nos desfechos. Esse enfoque confirma quantitativamente que a aplicação de modelos teóricos fortalece a efetividade do cuidado humanizado em diferentes contextos da enfermagem oncológica (Neves Júnior et al., 2024).

Analisando a literatura, nota-se que 114 pacientes apresentaram menor ansiedade e depressão sob intervenção humanizada, enquanto 372 pacientes tiveram maior sobrevida e menor recorrência tumoral. Esses achados reforçam que práticas humanizadas repercutem tanto em indicadores subjetivos quanto objetivos. Notam-se, ainda, melhorias na comunicação e decisões alinhadas. A convergência dos três estudos evidencia quantitativamente que a humanização produz benefícios clínicos e psicológicos amplamente mensuráveis (Schenker et al., 2021; Wang; Wang et al., 2022).

A literatura também averiguou que há limitações estruturais e sintomas físicos contribuem para queda da satisfação, enquanto estratégias de manejo de dor e fortalecimento do vínculo produzem efeitos mensuráveis. Um  estudo específico, ao considerar 960 diagnósticos, observou que dor, mobilidade e tristeza comprometem o conforto. Esses dados mostram quantitativamente como superar barreiras impacta no cuidado humanizado, o que torna as ações nesse sentido fundamentais (Reis; Jesus, 2021; Roque; Gonçalves; Popim, 2023; Bizutti et al., 2024).

Observa-se, ainda, que a humanização se expande para além do paciente, abrangendo família e comunidade. O suporte educativo e a redução de estressores aumentam a adesão e satisfação. Evidências numéricas reforçam que estratégias familiares e sistêmicas são indispensáveis para consolidar práticas humanizadas em oncologia, revelando que resultados clínicos e sociais estão intrinsecamente conectados no processo assistencial (Moraes; Santana, 2024; Neves Júnior et al., 2024).

Outra pesquisa, ao aplicar o protótipo eletrônico de acolhimento em um ambulatório de quimioterapia, observou-se a participação de dez trabalhadores de enfermagem, sendo evidenciada a padronização das ações e aumento da segurança assistencial. Constata-se, ainda, que protocolos estruturados favoreceram maior preparo da equipe e apoio aos pacientes e familiares. Assim, percebe-se que o uso de ferramentas organizadas impacta diretamente a sistematização do cuidado, fortalecendo práticas humanizadas nos serviços oncológicos (Goulart et al., 2025; Rezende et al.,2025).

Outro trabalho avaliou 155 pacientes por meio do Questionário de Conforto Geral, obtendo média global de 125,58 pontos, indicando variação entre dimensões físicas, ambientais e psicoespirituais. O domínio físico apresentou menor escore, enquanto os domínios ambiental e psicoespiritual registraram maiores médias. Essa análise numérica mostra que a percepção de conforto não é uniforme, exigindo estratégias diferenciadas. Observa-se, ainda, que a criação de espaços específicos de cuidado favoreceu resultados positivos semelhantes em contextos paliativos (Paiva et al., 2024; Durante et al., 2025).

Nota-se um aumento na produção científica entre 2018 e 2022, indicando crescimento expressivo do interesse em cuidados paliativos. Nos diagnósticos de enfermagem identificados, emergiram intervenções voltadas à dor, sintomas sociais e emocionais. Há um impacto prático da padronização no acolhimento. Essa convergência de dados sugere que tanto a pesquisa bibliográfica quanto a implementação de protocolos concretos contribuem para maior consistência da assistência humanizada ao paciente oncológico (Silva et al., 2024; Rezende et al., 2025).

A implementação do Projeto Day Care, estruturado em hospital de cuidados paliativos, favoreceu o fortalecimento da rede profissional e a realização de atividades farmacológicas e não farmacológicas. Embora sem apresentar valores numéricos, o estudo destacou a consolidação de capital científico pelos enfermeiros. Uma pesquisa quantifica o conforto por meio de escalas, mostrando empiricamente como a percepção varia entre dimensões. Assim, constata-se que tanto dados qualitativos quanto quantitativos fundamentam práticas humanizadoras (Paiva et al., 2024; Durante et al., 2025).

A partir disso, observa-se, complementarmente, que a aplicação de protocolos junto a oito profissionais de enfermagem, em hospital geral, demonstrou que pacientes e familiares relataram sentir-se mais amparados, enquanto a equipe relatou preparo superior frente às demandas. Há ganhos de segurança e padronização. Comparando as amostras, nota-se consistência na percepção de benefícios, sugerindo que protocolos favorecem resultados mensuráveis em contextos distintos de tratamento oncológico (Goulart et al., 2025; Rezende et al., 2025).

A correlação estatística identificada mostrou relação significativa entre conforto e variáveis como funcionalidade, presença de lesão por pressão e dispositivos invasivos. Esses dados confirmam a necessidade de intervenções sistemáticas para reduzir fatores de risco. No caso de crianças oncológicas, nota-se que estratégias lúdicas e transpessoais melhoraram percepções de dignidade e alívio da dor. Embora enfoquem públicos diferentes, ambos os estudos reforçam a centralidade do cuidado individualizado, seja por indicadores clínicos ou por práticas relacionais (Dias et al., 2023; Durante et al., 2025).

O aumento da demanda por cuidados paliativos está relacionado ao crescimento previsto de 30,2 milhões de novos casos de câncer até 2040, segundo estimativas da IARC. Essa dimensão quantitativa mostra que a necessidade de assistência tende a dobrar até 2060, exigindo maior preparo dos serviços. Nesse contexto, cabe registrar, também, que a formação insuficiente na graduação constitui barreira relevante, impactando diretamente a oferta de cuidado humanizado diante da crescente carga epidemiológica (Nascimento et al., 2024; Santos et al., 2024).

A construção do protocolo eletrônico ocorreu em etapas iterativas, com encontros sucessivos entre profissionais. A consolidação do espaço CuriosAção dependeu da articulação institucional e apoio do Grupo de Humanização. Esses dados evidenciam que o fortalecimento do cuidado humanizado não ocorre apenas em nível assistencial, mas também organizacional. A participação ativa de profissionais em desenvolvimento de soluções sustenta tanto a viabilidade de protocolos quanto a legitimidade de projetos institucionais (Paiva et al., 2024; Rezende et al., 2025).

Os domínios ambiental e psicoespiritual obtiveram médias mais altas de conforto, demonstrando que elementos não estritamente clínicos impactam fortemente a percepção dos pacientes. As práticas dialógicas e lúdicas ampliaram o bem-estar de crianças em tratamento. Assim, diferentes contextos populacionais convergem ao indicar que estratégias que valorizam dimensões subjetivas fortalecem o cuidado humanizado, além de evidenciarem resultados mensuráveis nas escalas aplicadas e nas percepções relatadas pelos pacientes (Dias et al., 2023; Durante et al., 2025).

Os protocolos estruturados aumentaram a segurança tanto dos pacientes quanto da equipe multiprofissional. Já a padronização permitiu maior sistematização no acolhimento. Também se percebe que o conhecimento insuficiente em cuidados paliativos e bioética ainda limita avanços mais amplos. Assim, observa-se que os resultados numéricos mostram ganhos imediatos com protocolos, mas os desafios estruturais exigem investimentos em capacitação e políticas públicas mais abrangentes (Nascimento et al., 2024; Goulart et al., 2025; Rezende et al., 2025).

Como se tem observado, o câncer é a segunda principal causa de morte nas Américas, ressaltando que os cuidados paliativos serão cada vez mais necessários. Tendo em vista esse cenário, uma pesquisa verificou que a média de conforto obtida foi 125,58, mas com fragilidades no domínio físico (Durante et al., 2025). Essa articulação entre dados epidemiológicos e achados clínicos reforça que a prática humanizada deve focar tanto na expansão da oferta de serviços quanto na qualidade das dimensões avaliadas diretamente nos pacientes (Santos et al., 2024; Durante et al., 2025).

As práticas fundamentadas na Teoria de Jean Watson, como cuidado transpessoal e dialógico, foram aplicadas junto a dez enfermeiros, promovendo conforto e alívio da dor em crianças. Ao se considerar uma escala maior, nota-se que o conforto é multidimensional e mensurável em 155 pacientes. Essa comparação evidencia que, em diferentes recortes populacionais e metodológicos, estratégias centradas na pessoa resultam em melhorias concretas de percepção e indicadores objetivos de qualidade (Dias et al., 2023; Durante et al., 2025).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo demonstrou que a humanização constitui eixo fundamental da prática de enfermagem, pois integra aspectos técnicos, éticos e relacionais. A análise dos quinze artigos selecionados confirmou que práticas como escuta ativa, acolhimento, fortalecimento de vínculos e respeito às preferências do paciente produzem efeitos mensuráveis, como redução de ansiedade e dor, maior adesão terapêutica e melhoria da qualidade de vida do paciente oncológico.

A consolidação de protocolos eletrônicos de acolhimento e de instrumentos de avaliação de conforto revelou-se estratégia eficiente para sistematizar ações e fortalecer a segurança assistencial. No entanto, persistem barreiras estruturais, como sobrecarga de trabalho, lacunas na formação em bioética e ausência de fluxos definidos, que comprometem a integralidade do cuidado. Tais limitações evidenciam a necessidade de qualificação contínua e de suporte institucional às equipes.

Dessa forma, recomenda-se à enfermagem ampliar a integração multiprofissional, investir em formação permanente voltada à escuta qualificada e à comunicação terapêutica e adotar protocolos humanizados como parte das rotinas assistenciais. No campo das políticas públicas, propõe-se a inserção de indicadores de humanização nos instrumentos de avaliação dos serviços, o financiamento de programas de educação em cuidados paliativos e a valorização profissional desde a graduação. Tais medidas favorecem a consolidação da humanização como princípio estruturante do cuidado e do Sistema Único de Saúde.

REFERÊNCIAS

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