HISTORY OF FEMALE TEACHING WORK: REFLECTIONS ON EDUCATION, WORK AND GENDER
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202509201427
Jessé Lisboa Pantoja1
Dra. Jaqueline Mendes Bastos2
Resumo
Uma sociedade patriarcal e machista tende invisibilizar a mulher e descriminá-la, essas características da sociedade brasileira são heranças da colonialidade, e mesmo depois da independência continua a se repetir de forma estrutural e institucionalizada. A classe feminina vem a anos lutando por reconhecimento e igualdade de gênero, já quase sempre têm sua importância diminuída e subjugada pelo fato de ser mulher. O presente artigo se propõe a fazer uma breve discussão sobre Educação, Trabalho e Gênero, procurando tecer algumas considerações de como se deu história da escolarização feminina na educação brasileira, a inserção da mulher no mundo do trabalho no magistério, a feminilização da profissão docente. Buscando contribuir com a historização do avanço das lutas femininas por respeito, dignidade e igualdade de gênero. Para a construção destas notações realizou-se uma revisão bibliográfica, de escritos que tratam da mesma temática. É fundamental compreender que a mulher ao longo dos anos vem ocupando espaços importantes na sociedade, através da educação têm conquistados posições de destaque no mundo do trabalho, contudo, a sociedade ainda persiste em manter estereótipos machistas e patriarcais, portanto se faz imprescindível discutir a igualdade de gênero e lutar para garantir os direitos femininos.
Palavras-Chaves: História. Educação. Trabalho Docente.
Abstract
A patriarchal and sexist society tends to make women invisible and discriminate against them. These characteristics of Brazilian society are a legacy of colonialism, and even after independence, they continue to be repeated in a structural and institutionalized manner. Women have been fighting for years for recognition and gender equality, but their importance has almost always been diminished and subjugated by the fact of being women. This article proposes a brief discussion of Education, Work, and Gender, seeking to explore the history of female schooling in Brazilian education, the insertion of women into the world of work in teaching, and the feminization of the teaching profession. This article seeks to contribute to the historical account of the advancement of women’s struggles for respect, dignity, and gender equality. A bibliographic review of writings addressing the same topic was conducted to construct these findings. It’s crucial to understand that women have occupied important spaces in society over the years. Through education, they have achieved prominent positions in the workplace. However, society still persists in maintaining sexist and patriarchal stereotypes. Therefore, it’s essential to discuss gender equality and fight to guarantee women’s rights.
Keywords: HISTORY. EDUCATION. TEACHING.
INTRODUÇÃO
A mulher em uma sociedade com características patriarcais é um grupo que ao longo da história é intensamente discriminado, a classe feminina vem a anos travando essa luta que busca reconhecimento e igualdade de gênero, uma vez que as mulheres, quase sempre têm sua importância diminuída e subjugada pelo fato de ser mulher. O patriarcalismo é um dos elementos que fundamentaram a invisibilidade que foi imposta às mulheres, esse apagamento tem sua origem nas relações coloniais, e mesmos depois da independência continua a se repetir de forma estrutural e institucionalizada.
A mulher, de acordo com a sociedade machista, sempre teve sua função limitada e pré-determinada, a qual era ser boa esposa, boa mãe, boa dona de casa, logo a mulher não precisava aprender a ler nem escrever, frequentar à escola não teria serventia nenhuma, e poderia ainda a desvirtuar. Por muito tempo se propagou essa ideia e apenas os homens tinham acesso à escolarização, contudo, surgiu a necessidade de formalizar à educação feminina e as mulheres passam a frequentar as escolas para se alfabetizar, aprender às quatro operações e aperfeiçoar as habilidades das prendas do lar. As meninas não frequentavam as mesmas salas de aulas que os meninos, pois eles aprendiam aritmética e outras ciências, até os professores eram diferenciados, os meninos tinham aulas com “professores homens” e as meninas com “senhoras distintas”.
Com a industrialização, surgem novos postos de trabalho para os homens, então a mulher passa a exercer a profissão do magistério, começa a frequentar as “Escolas Normais” para se capacitarem e assim ingressam no mundo do trabalho. Cada vez mais mulheres exerciam à docência, então, institui-se a feminização do magistério, e ser professora passou a ser “coisa de mulher”. Até hoje é uma das profissões que mais empregam o gênero feminino.
Este texto pretende tecer brevemente considerações sobre Educação, Trabalho e Gênero, buscando refletir como aconteceu a escolarização feminina no Brasil, a inclusão da mulher no mercado de trabalho educacional, a feminilização da profissão do magistério, também se propõe sucintamente apresentar relatos de vivencias de Mulheres Professoras. O objetivo é contribuir com o avanço das lutas femininas por respeito, dignidade e igualdade de gênero. Para a elaboração deste artigo optou-se por uma revisão bibliográfica, de escritos que tratam da mesma temática e uma pesquisa qualitativa, a partir da coleta de relatos de mulheres que são professoras e se dispuseram a compartilhar seus pontos de vista sobre o ser mulher e ser professora.
Para Minayo (2007, p. 157) o método qualitativo é pertinente, pois “é o que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam”.
O texto é constituído além da Introdução, por três tópicos: Educação e Escolarização Feminina no Brasil, A Mulher e o Mercado De Trabalho: As Relações De Gênero e a Feminização Do Trabalho Docente, que possui um sub tópico: Magistério é Coisa de Mulher, seguidos das Considerações Finais e das Referências.
EDUCAÇÃO E ESCOLARIZAÇÃO FEMININA NO BRASIL.
Enquanto pelo velho e novo mundo vai ressoando o brado
– emancipação da mulher–, nossa débil voz se levanta
na capital do império de Santa Cruz, clamando:
educai as mulheres!
Povos do Brasil, que vos dizeis civilizados! Governo, que vos dizeis liberal!
Onde está a doação mais importante dessa civilização, desse liberalismo?
(Nísia Floresta, em 1853, p.2)
A mulher em uma sociedade machista e patriarcalista é vista pela sociedade como um ser inferiorizado, a todo momento tem suas habilidades e competências postas à prova, seus conhecimentos e formação são questionados, muitas vezes sem fundamento, e assim precisa demostrar sua capacidade intelectual inúmeras vezes, para ser reconhecida e ter o destaque merecido de seus feitos. A mulher durante muito tempo teve seus direitos negados e renegados pela sociedade, a esta foi atribuído papeis subalternos como os afazeres domésticos, pois lavar, cozinhar, arrumar, limpar, não era coisa para homem.
No século XVI, a educação feminina era desacreditada, a sociedade considerava um desperdício a mulher aprender a ler e escrever, não viam finalidade nesses ensinamentos, era tido como perda de tempo, além do que poderia ser um desvio de conduta, pois uma vez alfabetizadas elas podiam passar a se entreter com cartas de amor, se desvencilhando dos afazeres de casa, deixando de ser prendadas e recatadas. As ideias daquele período concebiam a máxima de que as “mulheres deveriam ser mais educadas do que instruídas”, uma vez que acreditavam que conhecimento e informação não eram necessários às mulheres, elas precisavam de educação para a moralidade, pois deviam ser doutrinadas para serem esposa, mãe e dona de casa, logo não precisavam ir para à escola, muitas recebiam educação em casa, de forma individualizada ou iam para os conventos.
A cerca disso, Leila Algranti, afirma que a função primordial das mulheres da Colônia era serem boas mães e esposas, sendo estes estabelecimentos religiosos a única forma institucional de educação permitida ao sexo feminino mesmo que a instrução não fosse algo pelo qual se batiam, nem parece ter sido uma preocupação das mulheres da elite (Algranti, 2000, p.252). Então, é possível ponderar que, nesse período histórico, a escolarização feminina não era considerada relevante para os papeis desempenhados pelas mulheres na sociedade, portanto, o acesso à educação escolar era pouco ou nenhum.
Até o início do século XIX não ocupavam as carteiras das escolas públicas, não tinham acesso à educação escolarizada, pois era um privilégio apenas para homens, a única educação acessível era a educação para o lar, para ser esposa, para ser mãe, para ser dona de casa. Ler era uma habilidade de poucas, pois a maioria era analfabeta e não sabia se quer assinar seu nome, e em 1827 temos a primeira legislação que autoriza a abertura de escolas públicas femininas.
A Lei Geral de 15 de outubro de 1827, previa, pioneiramente, que as meninas teriam direito a aulas regulares, mas estas tinham como principal meta formá-las para o casamento e para as prendas domésticas, assim, tínhamos uma lei que criava padrões para as instituições escolares, pois estas deveriam estar aptas para receberem as meninas, contudo, mas essa mesma lei também acaba tornando os espaços escolares mais discriminatórios, uma vez que aos meninos eram ensinados todas as ciências, já às meninas, em sua maioria, apenas os conhecimentos básicos, para que pudessem ler, aquilo que era permitido, assinar seu nome e equacionar as quatro operações, de resto os afazeres de casa e o como cuidar de uma família.
A mulher era atribuída a função de educar e criar os filhos, mais do que isso, era considerada a responsável pelo caráter dos filhos entregues à sociedade. Isso era previsto em lei, segundo a Lei de Instrução Pública:
“As mulheres carecem tanto mais de instrução, porquanto são elas que dão a primeira educação aos seus filhos. São elas que fazem os homens bons e maus; são as origens das grandes desordens, como dos grandes bens; os homens moldam a sua conduta aos sentimentos delas.” (Lei de instrução Pública, 1827, apud E. M. Lopes. 1991, p. 26.)
Logo, se os filhos fossem de boa índole, cidadãos respeitados, a mulher teria cumprido sua função com grande êxito, por outro lado, se fosse o inverso, se os filhos fossem desregrados e infringissem as regras sociais, a culpa era da mãe que não soubera educar.
Observa-se que as aulas para as meninas eram ministradas apenas por senhoras consideradas de “boa índole” e ter algum preparo para com os conhecimentos básicos e para as prendas domésticas, era pago um salário simbólico, nada atrativo, com isso se manter as escolas para meninas era complexo. Segundo Maria Lúcia Aranha, por volta de 1832, pela falta de professorado idôneo e pela remuneração parca, o número de escolas para meninas não chegava a vinte em todo o Brasil (ARANHA, 2006, p. 229).
Os currículos diferenciados, ensinados nas escolas, naquele momento, eram justificados com base nas diferentes funções exercidas na sociedade por homens e mulheres, para quais suas habilidades e comportamentos também eram distintos, bem como pela capacidade cognitiva inferior atribuída ao sexo feminino, por isso, algumas matérias apontadas como provimento de maior racionalidade, por exemplo, geometria, filosofia, matemática não estavam disponíveis para serem ensinadas às meninas.
A consolidação da Lei Geral se deu de forma muito lenta, contudo, ter uma lei que garantia frequentar uma escola e ter acesso a um conhecimento até então negado, era uma grande conquista, e com o passar do tempo as lutas femininas se intensificam para que possam ocupar espaços e ter visibilidade e dignidade.
O acesso à educação e escolarização da mulher sempre causou muitos medos aos detentores do poder, os homens, estes sempre procuravam diminuir o ser mulher para não terem seus postos de trabalho e ascensão social ameaçados, além do machismo perpetuado na sociedade, herança do colonialismo patriarcal. A esse respeito Maria Lúcia Aranha considera que:
Os mais conservadores, temendo o desmonte do sistema patriarcal e a dissolução da família, usavam como argumento a ‘natureza’ inferior da inteligência feminina e seu destino doméstico; outros, mais liberais, destacavam a importância de sua educação para o exercício das funções de esposa e mãe (ARANHA, 2006, p. 230).
A mulher passava a ter direito a escolarização, mas uma escolarização que lhe permitisse estar pronta para educar seus filhos, para ser culta e não envergonhar seus maridos nos salões da sociedade, e os ensinamentos para o lar não foram extinguidos. Conquistar espaços a partir da escolarização foi uma luta de gerações, vencer os preconceitos de uma sociedade machista e chegar ao ensino superior só vai acontecer em 1879, foi quando o governo imperial autorizou a entrada feminina nas faculdades, porém, havia condições: as candidatas solteiras tinham que apresentar autorização de seus pais; já as casadas, uma licença por escrito de seus maridos.
A partir de 1889, na vigência do regime republicano, o sistema educacional brasileiro passa a ser reformulado, os métodos de ensinam passam a ser revistos, bem como a organização das escolas e ampliação da rede escolar com a abertura de mais instituições de ensino. Já no início do século XX, além dos aperfeiçoamentos do sistema de ensino, são criados os centros de pesquisas aplicadas a educação, é nesse período, que conforme Tania Garcia, surgem as escolas voltadas especificamente para as mulheres, com a inclusão de disciplinas voltadas à economia doméstica e puericultura, em suma, agora cabia à escola e não mais a família a preparação da dona de casa, através de um método científico e racional (GARCIA, 2014, p. 4-5). As mulheres começavam, mesmo que de forma singela, a ocupar espaço nas escolas.
Conforme Louro, José Veríssimo, escrevendo imediatamente após a Proclamação da República, em 1890, a sua Educação nacional, advoga uma “nova educação” para a mulher e responde qual seria o “programa” dessa educação:
Todo programa de educação há de atender a duas condições, o interesse do educando e o interesse da coletividade em vista da qual se faz a educação. O interesse do educando é indicado pela natureza ou emprego da atividade a que ele se destina; o da coletividade, pelas suas condições e prospectos no meio das outras sociedades humanas. A mulher brasileira, como a de outra qualquer sociedade da mesma civilização, tem de ser mãe, esposa, amiga e companheira do homem, sua aliada na luta da vida, criadora e primeira mestra de seus filhos, confidente e conselheira natural do seu marido, guia de sua prole, dona e reguladora da economia da sua casa, com todos os mais deveres correlativos a cada uma destas funções. Nem as há, ou pode haver mais difíceis, nem mais importantes e consideráveis e, portanto, mais dignas e mais nobres e, se houvessem de ser desempenhadas na perfeição, requerer-se-iam na mãe de família mais capacidades do que têm de comum ainda os mais capazes chefes de Estado. Se esse ideal, como todos os ideais não pode ser atingido, nem por isso devemos abandoná-lo, porque, em moral, para alcançarmos o mínimo compatível com a imperfeição humana, havemos de pretender o máximo. (VERÍSSIMO, 1985 apud LOURO, 2007, p.472)
Os anos seguintes, mais precisamente os anos de 1920 e 1930 renderam debates muito produtivos para o campo da pedagogia, o que gerou inúmeros avanços, no que tange, aos métodos educativos, bem como, a oferta de disciplinas e suas grades curriculares. De um lado da discussão tínhamos os conservadores, ligados a pedagogia tradicional, de outro, os liberais, defensores da Escola Nova, que tinham como meta deixar para trás o pensamento ultrapassado da escola tradicional. Conforme Nara Azevedo e Luiz Otávio Ferreira, a pedagogia tradicional era magistocêntrica e voltada apara a memorização dos conteúdos, o que se buscava era uma escola mais dinâmica e voltada para a realidade e que se adequasse ao mundo em constante transformação, buscando dessa forma recuperar o atraso na educação brasileira (AZEVEDO; FERREIRA, 2006, p. 215). O pensamento liberal é um dos principais responsáveis em contribuir para os avanços educacionais, principalmente na oferta de ensino igualitário para ambos os gêneros.
É em meio a esse embate que em 1932 acontece o lançamento do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, este foi assinado por 26 educadores. Sob o título de “A reconstrução educacional no Brasil: ao povo e ao governo”. Teve circulação nacional com o objetivo de apresentar indicações para uma profunda reformulação da política educacional brasileira. De acordo com Maria Lúcia Aranha, o documento era a favor da obrigatoriedade da educação pública, gratuita e leiga como um dever do Estado a nível nacional. O mesmo, também tratava do caráter discriminatório e antidemocrático do ensino brasileiro, a proposta era de uma base comum para todos, em resumo, uma escola secundária unitária. Porém, estas e outras reivindicações não foram acolhidas na Constituição de 1934 (ARANHA, 2006, p. 303-304).
Segundo Ebenezer Menezes, o texto do manifesto dizia que:
“se depois de 43 anos de regime republicano, se der um balanço ao estado atual da educação pública, no Brasil, se verificará que, dissociadas sempre as reformas econômicas e educacionais, que era indispensável entrelaçar e encadear, dirigindo-as no mesmo sentido, todos os nossos esforços, sem unidade de plano e sem espírito de continuidade, não lograram ainda criar um sistema de organização escolar, à altura das necessidades modernas e das necessidades do país”. (MENEZES, 2001)
O manifesto sugeria que a educação deveria moldar-se para atender a sociedade e seus indivíduos, adequando-se as transformações sociais que ocorrerá no Brasil, pois, o sistema educacional brasileiro era arcaico e não atendia mais as necessidades de uma sociedade que evoluíra historicamente.
Na Era Vargas, período entre 1930 e 1945, a educação das mulheres receberia tratamento diferenciado, com a ampliação do número da oferta de vagas em escolas até então frequentadas apenas por meninos, vale enfatizar que o ensino das meninas ainda estava voltado para a formação de senhoras respeitadas e devotadas à família. Os novos projetos pedagógicos representam um recuo aos avanços conquistados anteriormente, uma vez que estes orientavam o regresso das mulheres para o lar, com o discurso de que assim estariam cuidando da família e servindo à pátria, mais uma vez era negado as mulheres ocupar postos na sociedade, que não o de mãe e esposa.
No Estado Novo, período de 1937 a 1945, o autoritarismo imperou em todas as ações do governo, com uma ideologia patriótica de criar um novo homem para um novo estado, no campo educacional buscou-se intensificar a formação dos homens e fomentar o discurso de que a mulher ideal é delicada, submissa, e dedicada à família. A educação feminina estava atrelada a princípios machistas e patriarcais, continuava-se ofertando ensino para formar “rainhas do lar”. Segundo Guacira Lopes Louro:
“inspirados nas ideias positivistas e cientificistas, justificava-se um ensino para a mulher que, ligado ainda à função materna, afastasse as superstições e incorporasse as novidades da ciência, em especial das ciências que tratavam das tradicionais ocupações femininas. Portanto, quando, na virada do século, novas disciplinas como puericultura, psicologia ou economia doméstica viessem a integrar o currículo dos cursos femininos, representariam, ao mesmo tempo, a introdução de novos conceitos científicos justificados por velhas concepções relativas à essência do que se entendia como feminino. (LOURO, 2007, p. 471)
Com o Populismo, período que vai de 1945 a 1964, as classes populares dos principais centros urbanos do país, começam a emergir, tudo decorrente do processo de industrialização, o Brasil vivenciava a transição do modelo econômico agrário para o modelo desenvolvimentista.
O país passava por inúmeras transformações, não apenas no campo político, mas também no campo econômico, o processo de industrialização se expandia, pois um país moderno é um país industrializado, essas mudanças refletiam diretamente na Educação, isso foi um fator favorável para a inserção da mulher no mercado de trabalho, é claro que isso se deu de forma muito lenta, mas, a condição da mulher na sociedade brasileira passava a se modificar, o estereótipo idealizado de que a mulher perfeita era aquela que estava em casa, cuidando da família, começava a se desmistificar. Mas, para exercer profissões era preciso ter formação, logo a oferta de um ensino para além das agulhas e do fogão se tornava imprescindível.
Com os avanços industriais e tecnológicos “o sistema escolar passou a sofrer pressão social por níveis crescentes de acesso à educação, mas o acordo das elites no poder buscava manter o caráter ‘aristocrático’ da escola e conter a pressão popular pela democratização do ensino” (BELTRÃO; ALVES, 2009, p.5). A educação, a formação, era necessária, mas, não era democrática, não era para todos, e a resistência para com as mulheres ocuparem espaços e funções estava sempre presente.
Os anos foram passando, a sociedade foi se transformando, e assim as mulheres passam a frequentar cada vez mais os espaços escolares, principalmente os da rede pública, e no fim do século XIX já havia cerca de uma aluna para cada três alunos, para muitos pode parecer um número singelo, mas era um grande avanço. Criou-se as escolas “mistas”, nas quais meninos e meninas compartilhavam a mesma sala de aula, essa unificação tornava mais democrática a oferta de educação sem distinção de gênero. Essas escolas, quase sempre, estavam sobre a responsabilidade de professoras, assim o mercado de trabalho educacional abria as portas para as mulheres.
Em pouco tempo regulamentou-se a carreira do magistério, e inauguraram-se as escolas normais, com o objetivo de formar professores e professoras, não demorou muito para que essas escolas passassem a ser reduto quase que exclusivo do sexo feminino. As mulheres além de “rainhas do lar” ganhavam uma nova função na sociedade, o de serem professoras, e passavam a ser as responsáveis por educar e alfabetizar as crianças, e mais tarde, também adultos. A inserção da mulher no mercado de trabalho, as relações de gênero e a feminização do trabalho docente, serão abordadas no capítulo a seguir.
A MULHER E O MERCADO DE TRABALHO: AS RELAÇÕES DE GÊNERO E A FEMINIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE.
A mulher durante muitos anos foi submissa aos valores sociais, princípios patriarcais e machistas, que norteavam sua formação, os conhecimentos destinados a elas tinham objetivos claros, ser boa dona de casa, ser boa mãe e ser boa esposa. Muitas se contentavam e até se orgulhavam de sua função social, outras almejavam ocupar espaços diferenciados e para isso, enfrentaram muitos obstáculos e preconceitos. Ingressar no mercado de trabalho para as mulheres era romper paradigmas familiares e cultural, pois causava estranheza a sociedade ver uma mulher exercendo atividades que não fosse aquelas ligadas ao lar, à família.
Ao buscar inserção no mundo do trabalho, as mulheres quase sempre foram descriminadas por suas atitudes, pois suas ações tinham inúmeras implicações, dentre elas modificar as relações sociais. Aquelas que ousavam pleitear postos de trabalho que até outrora eram exclusivos dos homens, eram malvistas, e quando aceitas recebiam tratamento e salário diferenciados dos colegas do sexo masculino, eram inferiorizadas pelo fato de ser mulher. Ser independente financeiramente ou ainda ser a provedora do sustento familiar era uma grande afronta, com o passar dos tempos, e com a mulher ganhando cada vez mais espaço no mundo trabalho, a mentalidade arcaica, deturpada e inadequada da sociedade foi se modificando morosamente.
Atualmente a mulher mostra ter aptidão para exercer qualquer função e estar em qualquer cargo, tanto na esfera pública, quanto na esfera privada, ou ainda na esfera política, mas embora tenhamos avançados, no sentido de a mulher estar ganhando espaço no mercado de trabalho, mesmo elas tendo formação, capacitação e habilidades incontestáveis é comum ainda haver execração se uma mulher se destacar mais que um homem em alguma atividade.
É necessário observar que a conjuntura, quanto as funções da mulher na sociedade, vem se polindo, porém, a igualdade entre os gêneros ainda está longe de ser uma realidade definitiva. As mulheres têm conquistados muitos direitos, então, refletindo esse novo contexto social, é possível pensar como se ampliou o rol de profissões a serem empreendidas pelo gênero feminino. Além dos trabalhos domésticos, ou daqueles relacionados com os afazeres destinados à família, como tomar conta dos filhos, poucas ocupações eram permitidas às mulheres, um dos primeiros ofícios remunerados e realizados fora dos domicílios pela classe feminina foi o professorado, principalmente no âmbito da educação infantil e nas séries subsequentes, essa atividade tinha aprovação da sociedade, era considerada de grande importância, mas, a remuneração era simbólica.
Na contemporaneidade, as mulheres se destacam no mundo do trabalho exercendo funções de grande visibilidade em todas as áreas, e mesmo com tanta notoriedade no desempenho das funções que executam, é possível perceber que ainda há uma depreciação, principalmente, no quesito salário. As questões de gênero no mundo do trabalho estão para além da necessidade de formação, de se estar qualificado, as hostilidades sofridas pelo gênero feminino acontecem pelo fato de se tratar do ser mulher.
Nos dias de hoje existem inúmeras carreiras, que eram exercidas historicamente apenas por homens, que provocam interesse nas mulheres, e dessa forma o mercado de trabalho se torna mais competitivo, mas essa competição vem carregada sempre de muito preconceito e soberba por parte dos homens, e as mulheres com sua persistência se projetam cada vez mais, aproveitando as oportunidades, alcançando postos de destaque.
O capitalismo expandi os postos de trabalho, e as empresas, detentora dessas vagas já identificaram que as mulheres apresentam capacitação igual, e até superior, a dos homens para desempenharem qualquer função, e que não é necessário ser do sexo masculino para colaborar com uma conduta exitosa para o desenvolvimento das empresas. A partir dos anos de 1990 cresceu expressivamente o exercício de cargos de chefia por mulheres, o que levou a economia a ampliar as concepções éticas e sociais para a relevância do trabalho da mulher, para além disso, características femininas como percepção aguçada para minuciosidades, que as sobrepõe a dos homens, se tornam pontos diferenciais favoráveis ao gênero feminino.
Ocupar espaços e funções, outrora negados as mulheres no mercado de trabalho é uma tendencia na sociedade moderna, o que evidência a concorrência acirrada entre os gêneros por um mesmo espaço. Acreditar na eficiência da mão de obra feminina é investir na busca de ganhos futuros, que estão gerando resultados satisfatórios e lucrativos. Os sujeitos, não importando a que gênero pertençam, possuem qualidades e defeitos, e deveriam ser vistos como iguais, contudo, por muitos anos o mercado de trabalho negou-se a abrir oportunidades para as mulheres, que eram rotuladas como o “sexo frágil”, a chegada tardia das mulheres ao mundo do trabalho é um atraso que deixa sérias lacunas, que aos poucos vêm sendo corrigidas pelo reconhecimento merecido que está sendo conquistado, onde muitos já reconhecem e atribuem a mesma importância dada ao trabalho masculino ao trabalho feminino.
Magistério é Coisa de Mulher
A importância que a escola tem na formação do indivíduo, enquanto ser social, é considerada imprescindível, sem a escola certamente os cidadãos e a sociedade não teriam evoluído intelectualmente e alcançado o nível de desenvolvimento científico e tecnológico que hoje possuem. É na escola que se constrói e se toma para si os conhecimentos de forma estruturada, racional e coesa, contudo, Guacira Louro considera que apesar desta importância para a produção do conhecimento científico, filosófico, cultural e político, a educação foi durante muito tempo um privilégio tanto para o seu estudo e quanto para o ensino, estritamente somente para homens brancos e de classe mais abastada (LOURO (1997). Com isso, as consequências foram para as mulheres, bem como para outros elementos sociais, desastrosas, pois assim as mulheres chegam tardiamente ao mercado de trabalho formal. A democratização do ensino escolar para atender a todos, sem distinção de gênero e classe, embora tenha avanços, continua sendo uma utopia, pois assim como todos os outros seguimentos da sociedade está sob o poder do capital.
Uma das primeiras profissões exercidas por mulheres escolarizadas, foi o trabalho docente, e nos fins do século XIX, já havia indícios da predominância feminina no magistério. Porém, é preciso deixar claro, que nesse período, o acesso à escolarização e ao mercado de trabalho escolar não era para todas as mulheres, às mulheres negras e pobres continuava cabendo somente os afazeres domésticos. Dessa forma, a educação feminina, se torna além de uma questão de gênero, também uma questão de classe e raça.
O magistério inicia-se aqui no Brasil como mais uma ocupação masculina, a princípio exercida pelos Jesuítas, religiosos que foram os responsáveis pela educação na colônia brasileira no período de 1549 a 1759, em seguida assumida por outros homens que se ocupavam das “aulas régias”, ou ainda que procuravam se estabelecer no mercado de trabalho individualmente e de forma autônoma. E somente quando a sociedade percebe a necessidade de educar às mulheres, e como estas inicialmente só poderiam ser assistidas por outras mulheres, a mulher adentra no mundo do trabalho como Professora.
A sociedade brasileira crescia e com ela também se ampliava a demanda de escolas e de mão-de-obra qualificada para atuar na educação, então, a partir da segunda metade do século XIX surgem as primeiras escolas normais, com o objetivo de ofertar qualificação para professores. Conforme Louro:
Ao serem criadas as escolas normais, a pretensão era formar professores e professoras que pudessem atender a um esperado aumento na demanda escolar. Mas tal objetivo não foi alcançado exatamente como se imaginava: pouco a pouco, os relatórios iam indicando que, curiosamente, as escolas normais estavam recebendo e formando mais mulheres que homens. (LOURO, 2007, p. 473)
Esse crescente interesse feminino pela formação do magistério, se justificava, pois, a profissão docente era uma das poucas permitidas às mulheres, e umas das únicas oportunidades para se estudar. Mas o aumento de mulheres nos cursos normais causava preocupação, pois temiam que no futuro, não distante, não houvesse mais homens para atuar na educação. Sobre isso LOURO 2007, enfatiza, que em 1874, por exemplo, relata o diretor geral da instrução que a Escola Normal da província do Rio Grande do Sul vinha registrando “um número crescente de alunas, a par da diminuição de alunos:
O Asilo de Santa Teresa proporciona à Escola, todos os anos, um bom número de educandas, e o mesmo poderá fazer o Asilo de Santa Leopoldina. As educandas têm em geral frequentado com aproveitamento o curso normal e algumas, na regência de cadeiras, têm dado provas de excelente vocação para o magistério. Dentro de certo tempo acontecerá que teremos superabundância de professoras habilitadas pela Escola Normal e falta de professores nas mesmas condições. (PRIMITIVI, 1940 apud LOURO, 2007, p.473)
Esse movimento de supremacia feminina na docência se espalhava por todo país, em algumas regiões com mais expressividade e em outras de maneira mais discreta, o fato é que por conta do processo de urbanização e industrialização do país, com a abertura de novos postos de trabalho, os homens migravam para outras atividades deixando a prática do magistério “disponíveis” para serem ocupadas pelas mulheres, eis então, que se inicia o processo de “feminização do magistério”.
Conforme Maria Jane de Almeida:
[…] de forma que o lar e o bem-estar do marido e dos filhos fossem beneficiados por essa instrução. […] Assim as mulheres poderiam e deveriam ser educadas e instruídas, era importante que exercessem uma profissão — o magistério — e colaborassem na formação de diretrizes básicas da escolarização manter-se-iam sob a liderança masculina. (ALMEIDA, 1996, p. 73)
A mulher recebia o aval social para exercer o magistério, mas o propósito era sempre favorecer à família, independente das aspirações feminina em e projetar para além dos trabalhos de casa. Faz-se necessário destacar que o processo de feminização do magistério não acontece sem objeções e opiniões que se divergem de concordância, a mulher desempenhar a atividade docente, ou qualquer outra função que não as das prendas do lar, gerava muitas críticas e contestações. Sobre isso, LOURO 2007, destaca que:
Para alguns parecia uma completa insensatez entregar às mulheres usualmente despreparadas, portadoras de cérebros “pouco desenvolvidos” pelo seu “desuso” a educação das crianças. Um dos defensores dessa ideia, Tito Lívio de Castro, afirmava que havia uma aproximação notável entre a psicologia feminina e a infantil e, embora essa semelhança pudesse sugerir uma “natural” indicação da mulher para o ensino das crianças, na verdade representava “um mal, um perigo, uma irreflexão desastrosa”. Na sua argumentação, mulheres e clero viviam voltados para o passado e, portanto, não poderiam “preparar organismos que se devem mover no presente ou no futuro”. Outras vozes surgiam para argumentar na direção oposta. Afirmavam que as mulheres tinham, “por natureza”, uma inclinação para o trato com as crianças, que elas eram as primeiras e “naturais educadoras”, portanto, nada mais adequado do que lhes confiar a educação escolar dos pequenos. Se o destino primordial da mulher era a maternidade, bastaria pensar que o magistério representava, de certa forma, “a extensão da maternidade”, cada aluno ou aluna vistos como um filho ou uma filha “espiritual”. O argumento parecia perfeito: à docência não subverteria a função feminina fundamental, ao contrário, poderia ampliá-la ou sublimá-la. Para tanto seria importante que o magistério fosse também representado como uma atividade de amor, de entrega e doação. A ele acorreriam aquelas que tivessem “vocação”. ( LOURO, 2007, P. 474)
Os debates discordantes sobre a capacidade feminina de ter ou não habilidades para atuação no magistério se enfraquecem, e acabam sendo superadas pela destreza e notoriedade desempenhadas pela mulher no ofício de ensinar. Logo são atribuídas à docência qualidades que costumeiramente são femininas, como serenidade, afetividade e dedicação. E assim pelo magistério passa a ser “coisa de mulher”, foi mais um dos motivos para os homens debandarem dessa profissão.
Dentre as várias questões que norteavam a prática feminina do magistério, as trabalhadoras eram consideradas, além de devotadas ao trabalho, obedientes e pouco exigentes, com isso o movimento de feminização do magistério é concebido como manipulação para que o Estado não perdesse o domínio sobre a educação e o ensino. As mulheres se tornaram professoras, mas eram subordinadas a chefias masculinas, além de não terem direito em opinar sobre o planejamento dos conteúdos e das disciplinas a serem ministradas nas escolas, e era essa falta de autonomia que garantia ao Estado soberania sobre a Educação.
A tendência política do processo de feminização da docência, não era nada singela, um dos fatores que contribuíram para esse acontecimento foi a distinção de salários entre aqueles que eram pagos aos professores do sexo masculino quanto aos que eram pagos às professoras do sexo feminino. Então, acabava sendo rentável para os governos terem mulheres atuando em sala de aula, pois era uma mão de obra “mais em conta”, e como aumentava consideravelmente a abertura de escolas e salas de aulas, isso acabava gerando grande economia para o país.
Para Rabelo (2004):
Para que a escolarização se democratizasse era preciso que o professor custasse pouco: o homem, que procura ter reconhecido o investimento na formação, tem consciência de seu preço e se vê com direito à autonomia – procura espaços ainda não desvalorizados pelo feminino. Por outro lado, não se podia exortar as professoras a serem ignorantes, mas se podia dizer que o saber não era tudo nem o principal. Exaltar qualidades como abnegação, dedicação, altruísmo e espírito de sacrifício e pagar pouco: não por coincidência este discurso foi dirigido às mulheres (RABELO, 2004, p. 28-29).
Um discurso machista, elitista que o governo não fazia questão de esconder. A feminilização do trabalho docente de certa forma implicou na precarização do trabalho docente, no desprestígio da profissão, contudo, seria leviano considerar que desvalorização da classe docente se justifica por essa feminilização do trabalho docente, uma vez que outrora isso já era uma realidade. Mesmo com tantos discursos contrários, o espaço conquistado pela mulher enquanto profissional da educação merece reconhecimento, e todas certamente se orgulham de ter uma “profissão que forma todas as outras profissões”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As mulheres ao longo da história vêm lutando muito por dignidade, para ocuparem um espaço no mundo do trabalho, que condizem com sua formação, habilidade e desempenho, é preciso se despir dos preconceitos machistas e patriarcais e corroborar para a igualdade de gênero no mundo do trabalho.
Muitos já foram os avanços conquistados pelas mulheres, desde o direito a sentar em banco escolar quanto a de exercer uma profissão que traga independência financeira e realização pessoal.
Neste trabalho foi possível observar, a partir de uma revisão bibliográfica, como a mulher se escolarizou e chegou à profissão docente ingressando no mundo do trabalho, como a docência se feminizou, se tornando “coisa de mulher”.
Deixar de conceber a mulher como um objeto ou ser coisificado, é transpor as barreiras sociais que perduraram por anos, acreditando e difundindo a ideia de que a mulher é do lar, e tem que ficar em casa cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos, a luta por visibilidade feminina deve ser todos.
Considerando que essas reflexões não esgotam o assunto e singelamente tentam apenas contribuir para o debate sobre História da Educação, Trabalho e Gênero, e possivelmente, despertar, vendo neste, possibilidades de outras leituras sobre a temática tratada.
REFERÊNCIAS
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1Aluno do curso de Mestrado da Facultad de Ciências Sociales Interamericana/FICS, Especialista em Metodologia do Ensino de História e Geografia-FACIBRA, Graduado em História-UFPA, e Graduado em Pedagogia-UNINTER.
2Orientadora, Doutora em Educação- UFRN, Mestre em Educação e Cultura- UFPA, Especialista em Psicologia Educacional-UEPA, Graduada em Pedagogia-UFPA.
