HIALURONIDASE NA HARMONIZAÇÃO FACIAL: EFICÁCIA E USOS ADICIONAIS

HYALURONIDASE IN FACIAL HARMONIZATION: EFFECTIVENESS AND ADDITIONAL USES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511252230


Camilly Ribeiro Pereira1
Dra. Thaís Duarte Bifano2


Resumo 

Os preenchedores à base de ácido hialurônico tornaram-se amplamente utilizados na  harmonização facial devido à sua eficácia na volumização e restauração do contorno facial. No  entanto, complicações adversas podem ocorrer, como nódulos, granulomas, infecções e, em  casos mais graves, necrose tecidual. O objetivo deste estudo é analisar a aplicação da  hialuronidase como tratamento para minimizar essas complicações. A metodologia utilizada  baseia-se na revisão bibliográfica de artigos publicados entre 2010 e 2025 selecionados em  bases científicas como PubMed e SciELO. Os resultados apontam que a hialuronidase, uma  endoglicosidase com capacidade de despolimerizar o ácido hialurônico, é um recurso eficaz  para corrigir complicações decorrentes do uso do preenchedor, sendo capaz de reverter seus efeitos de forma rápida e segura. Apesar da sua eficácia, seu uso na dermatologia ainda não é  regulamentado pela Anvisa, sendo utilizado de forma off-label. A literatura destaca a  necessidade de padronização de protocolos para sua aplicação, a fim de garantir segurança e previsibilidade no tratamento de intercorrências. 

Palavras-chave: Ácido hialurônico. Hialuronidase. Complicações estéticas. Harmonização  facial. Rejuvenescimento.

1. INTRODUÇÃO 

A busca por procedimentos estéticos minimamente invasivos tem crescido  significativamente nas últimas décadas, impulsionada pelo desejo de rejuvenescimento, pela  influência da mídia e pela popularização da harmonização facial. O corpo humano produz  naturalmente ácido hialurônico (AH), no entanto, com o avanço da idade e o envelhecimento dos tecidos, a produção se torna menos eficaz, resultando na perda de volume e no surgimento  de sinais de envelhecimento, como o decaimento de algumas regiões faciais. (Cassuto &  Sundaram, 2013). 

Entre as técnicas mais utilizadas para reverter esses sinais, destaca-se o preenchimento  com ácido hialurônico, que se tornou um dos preenchedores dérmicos mais desejados na  dermatologia estética. Seu uso é amplamente conhecido em correção de rugas, volumização  facial e harmonização orofacial, devido às suas propriedades biocompatíveis e reabsorvíveis, o  que o torna padrão-ouro no rejuvenescimento facial. Além disso, sua aplicação relativamente  simples e segura tem atraído diversos profissionais da área estética. Entretanto, apesar da  eficácia e segurança do ácido hialurônico (AH), como qualquer procedimento injetável, ele não  está isento de complicações. As reações adversas podem variar desde manifestações leves,  como eritema e edema, até intercorrências mais graves, incluindo formação de nódulos, efeito  Tyndall, infecções e, em casos extremos, necrose tecidual. Diante desses riscos, a hialuronidase  tem se consolidado como uma ferramenta essencial na reversão de complicações e de resultados estéticos insatisfatórios(Silva Neto et al., 2020). 

A hialuronidase é uma enzima que degrada o ácido hialurônico, composta por  glicosaminoglicano formado pelo ácido D-glucurônico e a N- acetilglicosamina permitindo a correção ou reversão de resultados insatisfatórios e o tratamento de reações adversas (Bernandes  et al., 2018). Estudos demonstram que sua aplicação rápida e com sucesso é fundamental para  minimizar riscos e evitar complicações severas, sendo eficaz na reversão de hipercorreções. No entanto, apesar de sua eficácia, a aplicação da hialuronidase para fins dermatológicos ainda não  possui regulamentação específica pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),  sendo considerada uma prática off-label sendo mais comumente entrada em farmácias  magistrais (Almeida et al., 2017). 

Nesse contexto, a compreensão dos aspectos técnicos e científicos dessa enzima se tornou  totalmente necessário e importante para os novos e experientes profissionais que a utilizam ou  tem desejo de utilizá-la, bem como seus riscos e possibilidades no manejo das complicações  associadas ao preenchimento com ácido hialurônico (HA). A revisão da literatura sobre o tema contribui para o aperfeiçoamento de conhecimento dos profissionais da área estética e médica,  oferecendo assim uma maior segurança nos procedimentos e melhorando a qualidade dos  resultados obtidos. O aprofundamento nesse tema se torna importante para os profissionais de  saúde que realizam procedimentos estéticos, reforçando a importância da padronização de  protocolos para sua utilização segura e eficaz nas clínicas. 

2. REVISÃO DA LITERATURA 

2.1 ÁCIDO HIALURÔNICO E SUA UTILIZAÇÃO NOS PROCEDIMENTOS DE  HARMONIZAÇÃO FACIAL 

A busca pela pele perfeita, sem rugas, volumização e até a minimização de marcas de expressão, foi o ponto inicial para a utilização do ácido hialurônico em grande massa e conhecimento. O envelhecimento natural tem aumentado as buscas de procedimentos e  alternativas para enfrentar seus sinais e impactos (Oliveira et al., 2021). Os preenchimentos cutâneos têm o papel de amenizar ou volumizar áreas indesejáveis ou que a mudança é muito requerida, com uma aplicação fácil e valores que cabem em orçamentos da população o ácido  hialurônico vem trazendo uma revolução (Bernardes et al., 2018). 

O Ácido hialurônico é uma glicosaminoglicano composto de unidades alternadas e  repetitivas de ácido D-glicurônico e N-acetil-D-glicosamina com propriedades hidrofílicas que  permitem grande absorção de água ajudando e provocando aumento do volume tecidual  (Coimbra, Oliveira & Uribe, 2015). O Ácido hialurônico é encontrado abundantemente na  matriz celular e sendo sintetizado pelos fibroblastos a partir da ação de enzimas, a consistência do AH é gelatinosa e possui alta viscosidade atuando imobilizando a água no tecido e alterando  o volume dérmico e a viscoelasticidade da matriz celular (Moraes et al., 2017, Garbugio &  Ferrari, 2010). 

2.2 COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS AO USO DE ÁCIDO HIALURÔNICO

Apesar do crescente uso dos preenchimentos à base de ácido hialurônico, impulsionado por  sua segurança e facilidade de aplicação, ainda existem riscos de efeitos adversos ou  complicações associadas ao seu uso. As principais reações adversas incluem inflamação local, hematomas, efeito Tyndall e edema localizado conforme descrito por Crocco e colaboradores(2012). 

As complicações de origem vascular, embora raras, também podem ocorrer e são  classificadas de acordo com o tempo de surgimento, sendo divididas em precoces e tardias. Nos  casos de reações precoces, é comum o uso de gelo ou fototerapia, para alívio dos sintomas. Já nas complicações tardias, como o aparecimento de nódulos, recomenda-se prontamente o uso da enzima hialuronidase, devido à sua capacidade de degradar o ácido hialurônico, como  relatado por Winslow (2009) e Kim e colaboradores (2014). 

A introdução da hialuronidase revolucionou o manejo das complicações decorrentes do  uso do ácido hialurônico. Atualmente, essa enzima é amplamente utilizada para tratar eventos  adversos leves, como hematomas, nódulos, granulomas, reações inflamatórias e até oclusões vasculares, incluindo casos de necrose tecidual, conforme destacado pela ANVISA (2021). A  hialuronidase atua de forma eficaz na dissolução do ácido hialurônico, possibilitando a  reversão de intercorrências e contribuindo significativamente para a segurança dos  procedimentos estéticos (Trindade et al., 2020). 

2.3 HIALURONIDASE: MECANISMO DE AÇÃO 

De acordo com Bühren e colaboradores (2016), a enzima hialuronidase é responsável pela  degradação do ácido hialurônico, promovendo a despolimerização da sua molécula ao remover  as moléculas de água que compõem sua estrutura. Essa ação resulta na quebra do ácido  hialurônico em polímeros menores, que são facilmente absorvidos na derme. Além disso, a  hialuronidase contribui para a regulação da viscosidade intracelular e aumenta a permeabilidade dos tecidos. Essa enzima está envolvida em diversos processos biológicos, como a difusão de  substâncias pelos tecidos, ação de toxinas e venenos, e também na fertilização (Bordon, 2012;  Balassiano & Bravo, 2014; Almeida & Saliba, 2015). 

Há relatos na literatura indicando que a circulação cutânea de tecidos isquêmicos pode ser significantemente restaurada por meio da injeção direta de hialuronidase em áreas afetadas por complicações relacionadas ao uso de ácido hialurônico, especialmente em casos de oclusão  arterial (Delorenzi, 2014). 

A hialuronidase apresenta um tempo de ação relativamente curto, sendo inativada pelo  fígado e pelos rins em aproximadamente 1-2 minutos após a aplicação. Como qualquer fármaco,  possui contraindicações e deve ser usada com cautela. Entre os grupos para os quais seu uso é  contraindicado estão as gestantes – devido à classificação C da substância – pacientes com histórico de alergia a picadas de abelhas e vespas (uma vez que a hialuronidase está presente no veneno destes insetos), pessoas imunodeprimidas e indivíduos com distúrbios de coagulação  (Almeida & Saliba, 2015). 

2.4 USO OFF-LABEL DA HIALURONIDASE 

Apesar da crescente relevância da hialuronidase nos procedimentos estéticos, seu uso ainda ocorre de forma off-label (fora das indicações aprovadas em bula). Assim como no Brasil,  a maioria dos países da América Latina ainda não possui regulamentações específicas ou diretrizes oficiais que normatizam o uso estético dessa enzima. Dessa forma, a aquisição da  hialuronidase costuma ocorrer por meio de farmácias de manipulação (Almeida et al., 2017).  A enzima é tradicionalmente de origem animal, sendo extraída de tecidos de mamíferos,  especialmente bovinos, embora também existam versões recombinantes e outras obtidas a partir  de venenos de insetos. 

No Brasil, a hialuronidase de origem bovina possui registro na ANVISA como medicamento de uso médico, comercializada sob o nome Hyalozima® 20.000 UTR (Apsen),  sendo indicada como vasodilatador terapêutico. No entanto, a formulação mais amplamente  utilizada para o tratamento de complicações decorrentes de procedimentos estéticos com ácido hialurônico é a hialuronidase 2.000 UTR, de origem testicular bovina purificada, conhecida  comercialmente como Biometil. Essa versão tem se mostrado eficaz na reversão de intercorrências relacionadas ao uso de preenchedores dérmicos (Balassiano; Bravo, 2014;  Almeida et al., 2017). 

2.5 A NECESSIDADE DE PADRONIZAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO

A ausência de padronização e regulamentação específica para o uso da hialuronidase em  procedimentos estéticos pode resultar em aplicações inadequadas, conforme evidenciado pela análise de práticas atuais na literatura. A implementação de diretrizes regulatórias claras teria  impacto significativo na segurança dos procedimentos, favorecendo melhores resultados  clínicos e contribuindo para a formação técnica mais sólida dos profissionais da saúde  envolvidos nessas intervenções. 

As formulações de hialuronidase são indicadas para administração subcutânea ou  intramuscular de forma padronizada. No entanto, a via intravenosa é contraindicada, pois a enzima é rapidamente inativada no sangue. Embora o mecanismo dessa inativação ainda não  seja totalmente compreendido, acredita-se que a formação de anticorpos neutralizantes possa  interferir na atividade da enzima no sistema circulatório (Lee et al., 2010). 

As doses recomendadas de hialuronidase variam de acordo com o tipo e a gravidade da  complicação a ser tratada. Por exemplo, nódulos podem ser tratados com doses entre 50 e 150  unidades internacionais (UI), enquanto as obstruções vasculares exigem doses mais elevadas, que podem variar de 450 a 1500 UI. Em alguns casos, pode ser necessária a reaplicação da  enzima em intervalos de uma hora, até que a complicação seja resolvida por completo (Bufollo  et al., 2021).

2.6 HIALURONIDASE NA PROGRESSÃO DO CÂNCER 

O hialuronano (AH) é abundante como polímero em matrizes articulares e teciduais influenciando os processos de invasão das células tumorais Seus papéis na hidratação,  amortecimento e absorção de choque foram bem estudados. 

Aparentemente contrário a esse papel arquitetônico, o AH também foi bem definido como  um estímulo biológico específico, crítico para facilitar a proliferação e a motilidade celular . Um exemplo marcante dessa função foi observado no desenvolvimento cardíaco  embrionário, onde o AH atua tanto como um substrato para a migração celular quanto como  um sinal para a transição epitélio-mesenquimal (EMT), facilitando o movimento coordenado  das células pericárdicas na formação do septo atrioventricular (Fraser et al., 1997; Laurent et  al., 1996, Toole, 1997, Camenisch et al., 2000, Fraser, Laurent e Laurent, 1997; Laurent,  Laurent e Fraser, 1996, Mcatee; Barycki; Simpson, 2014) 

A superexpressão de HA pode resultar no acúmulo de polímeros dessa substância, o que  pode promover o crescimento tumoral e/ou a metástase. Esses efeitos do HA dependem dos seus níveis de equilíbrio, e o excesso de polímeros de HA pode, na verdade, inibir o crescimento  tumoral. De forma geral, o HA pode tanto promover quanto inibir o crescimento tumoraldependendo do seu estado de equilíbrio: Polímeros de baixo peso molecular tendem a estimular  a proliferação celular, a angiogênese e a metástase, contribuindo para a progressão tumoral. 

Polímeros de alto peso molecular, por outro lado, geralmente atuam como inibidores do crescimento tumoral, podendo reduzir a migração celular e limitar a formação de metástases (Enegd et al., 2002; Itano et al., 2004; Jacobson et al., 2002; Kosaki et al., 1999; Bharadwaj et  al., 2007; Itano et al., 2004). 

2.7 APLICAÇÕES CLÍNICAS DO ÁCIDO HIALURÔNICO NA MEDICINA  MODERNA 

A propriedade viscoelástica do ácido hialurônico (AH) é essencial para a lubrificação e  para o suporte mecânico das articulações. Contudo, em articulações com osteoartrite, tanto a  massa molecular quanto a concentração de AH podem ser reduzidas devido à ação de citocinas  pró-inflamatórias e radicais livres. Essas alterações comprometem a viscoelasticidade do  líquido sinovial, ocasionando problemas articulares. A injeção intra-articular de AH já é um  tratamento aprovado para osteoartrite em diversos países, incluindo os Estados Unidos .(Balaz;  Denlinger, 1993; Sternt, 2003) 

AH é amplamente utilizado em cirurgias oculares, geralmente em associação a implantes  de lentes intraoculares, estando disponível em diferentes formulações comerciais. Em procedimentos cirúrgicos, pode ser aplicado como gel viscoelástico, auxiliando na cicatrização  e nos processos regenerativos. 

Durante a cirurgia de catarata, os géis de AH mantêm o espaço operatório (profundidade  da câmara anterior) e protegem tanto o endotélio da córnea quanto outros tecidos de possíveis  danos mecânicos, atuando ainda como lubrificante (Ghosh, [s.d.]). 

Concentrações mais elevadas de AH durante o estro e a ovulação indicam sua possível  participação em eventos pré-fertilização no desenvolvimento embrionário. Pesquisas apontam  que o AH pode substituir a albumina em meios de cultura para fertilização in vivo, sem  prejudicar o desenvolvimento de embriões criopreservados de camundongos e ovelhas

Além disso, o AH pode atuar como crioprotetor em meios de cultivo de embriões  humanos. (Simon et al., 2003). 

2.8 INDICADOR DE DOENÇA 

O AH está presente em diferentes formas, podendo circular livremente no sangue e no  sistema linfático ou interagir, de modo mais ou menos firme, com a matriz extracelular (MEC).  Em condições normais, apenas pequenas quantidades de AH circulam no plasma. Entretanto,  ele se eleva rapidamente nos tecidos e no sangue durante as fases iniciais da cicatrização e em períodos de intensa renovação celular, decorrentes de lesão tecidual. Da mesma forma,  aumentos rápidos na circulação de AH também podem ocorrer em resposta a situações de  estresse intenso, como hemorragias ou choque. (Fraser et al., 1997; Lee; Spicer, 2000). 

2.9 ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS 

Nos últimos anos, o AH tem se destacado no desenvolvimento de sistemas de liberação  de fármacos por via dérmica e transdérmica. A barreira da camada córnea da pele normalmente  impede a penetração eficiente de moléculas farmacológicas, mas o AH tem demonstrado  potencial em melhorar essa absorção. O efeito benéfico do AH na aplicação tópica de  diclofenaco foi amplamente documentado em ensaios in vitro, in vivo e clínicos Resultados  laboratoriais mostraram que o AH pode aumentar significativamente a eficácia da aplicação dérmica da hialuronidase., ( Wolf et al., 2001; Brown et al., 2002). 

3. METODOLOGIA 

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, elaborada a partir de uma revisão bibliográfica sobre o uso da hialuronidase na

correção de complicações decorrentes da aplicação de ácido hialurônico em procedimentos de  harmonização facial. A abordagem qualitativa foi escolhida por possibilitar uma análise  aprofundada de dados científicos e reflexões teóricas, permitindo compreender de forma  detalhada os aspectos técnicos, biológicos e regulatórios que envolvem o uso da enzima. 

A coleta de dados foi realizada por meio da consulta a artigos científicos publicados entre 2010 e 2025, disponíveis em bases reconhecidas: PubMed, SciELO, Google Scholar e LILACS.  Foram selecionadas publicações que abordam o uso do ácido hialurônico na estética facial, as  complicações associadas à sua aplicação e o papel da hialuronidase como agente reversor. 

Foram definidos critérios de inclusão para garantir a relevância e qualidade dos estudos:  artigos publicados no período de 2010 a 2025, redigidos em português, inglês ou espanhol,  com acesso completo e conteúdo relacionado à aplicação da hialuronidase na dermatologia  estética e medicina. Foram excluídos trabalhos duplicados, de caráter exclusivamente veterinário, opinativo ou sem fundamentação científica comprovada. 

O processo de seleção dos estudos foi conduzido conforme as diretrizes do protocolo  PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Em um  primeiro momento, realizou-se a análise dos títulos e resumos, a fim de verificar a  pertinência dos trabalhos em relação ao tema proposto. Posteriormente, os artigos  considerados potencialmente relevantes foram examinados integralmente, avaliando-se a consistência metodológica, o alinhamento aos critérios de inclusão estabelecidos e a  qualidade das evidências apresentadas. Após essa etapa, foram incluídos apenas os estudos  que demonstraram coerência científica e relação direta com os objetivos da pesquisa. 

Por tratar-se de uma revisão de literatura, o estudo não envolveu experimentação direta  com seres humanos nem coleta de dados primários, sendo, portanto, isento de aprovação pelo  Comitê de Ética em Pesquisa, conforme as normas vigentes. Ressalta-se que todas as fontes utilizadas foram devidamente citadas e os direitos autorais respeitados, em conformidade com  os padrões da ABNT. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

A análise realizada ao longo deste estudo evidencia que a hialuronidase é uma ferramenta essencial na prática da harmonização facial, sendo altamente eficaz na reversão de  complicações associadas ao uso de ácido hialurônico, como nódulos, granulomas, efeito  Tyndall, edemas e, em casos mais graves, obstruções vasculares e necrose tecidual. A literatura  científica revisada confirma que a aplicação rápida e adequada da enzima permite minimizar riscos e melhorar significativamente os resultados clínicos, tornando os procedimentos estéticos  mais seguros e previsíveis. 

Além de sua aplicação estética, observa-se que a hialuronidase possui potencial terapêutico em contextos médicos, como facilitação da absorção de fármacos, melhora na  administração dérmica de medicamentos e possível atuação em processos regenerativos e anti inflamatórios. No entanto, apesar de seu amplo potencial, o uso da hialuronidase ainda ocorre  em grande parte de forma off-label, sem regulamentação específica na dermatologia estética no  Brasil, o que reforça a necessidade de padronização de protocolos, documentação técnica e  capacitação profissional

O estudo também destaca que, embora os mecanismos de ação da hialuronidase sejam  relativamente conhecidos, aspectos como tempo de inativação, dosagens ideais para diferentes  intercorrências e possíveis interações ainda carecem de pesquisa mais aprofundada,  especialmente no que se refere à segurança em populações específicas e à integração com novas  tecnologias estéticas. A falta de diretrizes regulatórias pode resultar em aplicações inadequadas,  aumentando o risco de intercorrências, o que evidencia a importância de normativas claras pela  ANVISA e órgãos internacionais. 

Por fim, o aprofundamento no conhecimento científico sobre a hialuronidase, aliado à  capacitação técnica de profissionais e à regulamentação de seu uso, promove segurançaeficácia e previsibilidade nos procedimentos estéticos, garantindo melhores resultados para os  pacientes. O estudo reforça a importância de disseminar informações técnicas atualizadas e  confiáveis sobre a enzima, contribuindo para a formação de profissionais mais preparados, para  a evolução da prática estética e para a consolidação de tratamentos que respeitem tanto a  segurança quanto a saúde do paciente. 

Em síntese, a hialuronidase se apresenta como uma enzima multifuncional, cuja aplicação  correta e regulamentada não apenas resolve intercorrências, mas também potencializa a  evolução da estética facial, promovendo resultados mais confiáveis, seguros e consistentes. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A presente revisão bibliográfica permitiu compreender a relevância da hialuronidase  como agente terapêutico indispensável na reversão de complicações decorrentes do uso do  ácido hialurônico em procedimentos de harmonização facial. Os estudos analisados  demonstraram que a enzima apresenta elevada eficácia e segurança clínica, atuando de forma  rápida na degradação do preenchedor e possibilitando a restauração funcional e estética das áreas afetadas. Observou-se que, embora amplamente utilizada na prática estética, a aplicação  da hialuronidase ainda carece de padronização de protocolos e de regulamentação formal por  parte das autoridades sanitárias brasileiras. Essa ausência de diretrizes oficiais gera variações  quanto às dosagens, técnicas de aplicação e condutas clínicas, o que pode comprometer a previsibilidade e a segurança dos resultados. A literatura também evidencia o potencial uso  adjuvante da hialuronidase em outros contextos terapêuticos, como no tratamento de fibroses e  na facilitação da difusão de anestésicos locais, ampliando suas possibilidades dentro da dermatologia e da odontologia estética. 

Conclui-se, portanto, que a hialuronidase representa uma ferramenta essencial na estética  facial moderna, sendo imprescindível para o manejo de intercorrências e para a condução ética e segura dos procedimentos com ácido hialurônico. Recomenda-se o desenvolvimento de  protocolos clínicos padronizados, bem como maior regulamentação e capacitação profissionala fim de garantir a eficácia e a segurança no uso dessa enzima no campo da harmonização facial. 

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1Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel. e-mail:  camillyribeiro0904@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel. Doutora em Bioquímica (IQ/USP).  e-mail: thais.bifano@univel.br