GERENCIAMENTO DE ENFERMAGEM EM SALA DE VACINA: A PERCEPÇÃO DO ENFERMEIRO

NURSING MANAGEMENT IN VACCINE ROOMS: THE NURSES’ PERCEPTION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202509221648


Vitória Maria de Sousa1
Thaiane dos Santos Gomes2
Esther Oliveira Silva3
Andreia da Silva Barbosa4
Flávia Danielli Martins Lima5
Simone Karine da Costa Mesquita6
Tatiana Maria Nóbrega Elias7


Resumo

O presente estudo tem como objetivo compreender a percepção do enfermeiro acerca do gerenciamento em sala de vacina. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa de natureza exploratório-descritivo, realizada nas Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família localizadas no município de São Gonçalo do Amarante/RN. Os dados foram coletados junto a 10 enfermeiros que estavam exercendo suas atividades laborais no período da coleta dos dados, que atuavam na supervisão técnica da sala de vacinas há pelo menos um ano, por meio de um roteiro de entrevista estruturada. A análise de conteúdo identificou três categorias: Supervisão da sala de vacina e atividades realizadas para garantir o funcionamento adequado; Dificuldades e fatores facilitadores na supervisão da sala de vacina; Aspectos a serem melhorados na supervisão da sala de vacina. Evidenciaram-se dificuldades no gerenciamento da sala de vacina, especialmente na supervisão e no desenvolvimento das atividades com qualidade. Um dos fatores principais é o déficit de profissionais, o que consequentemente gera sobrecarga de trabalho. Destaca-se, portanto, a relevância da atuação ampla do enfermeiro na supervisão da sala de vacina, a qual deve ser planejada e executada em conformidade com o que preconiza o Programa Nacional de Imunização, Isso contribuirá para reduzir as deficiências no gerenciamento deste setor de grande relevância na prevenção de doenças.

Palavras Chaves: Enfermagem, supervisão, sala de vacina, imunização, qualidade.

1 INTRODUÇÃO

Na Atenção Primária à Saúde (APS), as Unidades de Saúde da Família (USF) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) são as principais portas de entrada do SUS e constituem estruturas fundamentais para acolhimento dos usuários e efetivação das diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI) (Oliveira et al., 2016).

Nessas circunstâncias, o enfermeiro tem papel fundamental para que sejam desenvolvidas as ações de prevenção de saúde através da vacinação. Esse profissional possui como atribuição privativa a supervisão e gerenciamento das salas de vacinas (COREN/BA, 2022).

A supervisão compreende o processo de planejar, executar e avaliar as atividades realizadas. É inquestionável que o enfermeiro deva agir com diligência e acompanhar com mais efetividade as tarefas diárias nas salas de vacina, com intuito de evitar falhas nos processos os quais possam comprometer a qualidade dos imunológicos ofertados à população (Oliveira et al., 2013).

O profissional enfermeiro possui ação decisiva no processo de organização do serviço de saúde e do pessoal, além de ser essencial em busca da melhor qualidade do cuidado, como direito do usuário. Exige-se que ele seja competente e garanta aos membros da equipe a capacidade para executar tarefas na rotina diária. Logo, o gerenciamento é uma ferramenta essencial para conseguir atingir qualidade no serviço. Há diversas dificuldades para desenvolver no dia a dia esse instrumento, pode influenciar negativamente na qualidade da assistência, como também trazer prejuízos para a baixa qualidade dos imunobiológicos (Pereira et al., 2019).

Dessa forma, a supervisão constitui-se parte integrante do processo de trabalho da Enfermagem e, mais especificamente, do enfermeiro, que desenvolve de forma coletiva e interdependente entre os diferentes agentes de Enfermagem e destes com os demais profissionais da saúde (Chaves et al., 2017).

Ao enfermeiro incumbe, dentre as suas diversas atribuições, a responsabilidade pela supervisão e gerenciamento do serviço desenvolvido em vacinação e pela metodologia de educação e treinamento contínuo da equipe atuante na atividade em pauta (COREN/PE, 2016).

Tendo em vista que o papel do enfermeiro seja indispensável para a qualidade do serviço onde na sala de vacina tem impacto social, é plausível entender como é a rotina diária em salas de vacina, seu gerenciamento e visar a qualidade de acordo com o PNI (Oliveira et al., 2013).

Torna-se de grande importância a análise acerca dos fatores relacionados ao gerenciamento da sala de vacina dentro do que é preconizado no PNI, uma vez que a correta supervisão previne danos relacionados à qualidade dos imunobiológicos destinados à população. De fato, é imprescindível que o profissional enfermeiro possua conhecimento e aja de forma ética e técnica colocando em prática as atividades que envolvem a imunização dentro da regulação determinada.

Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo compreender a percepção do enfermeiro acerca do gerenciamento em sala de vacina.

2 METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa de campo com uma abordagem qualitativa de natureza descritiva e exploratória com a finalidade de atender aos objetivos propostos. A coleta de dados foi desenvolvida em Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família localizadas no município de São Gonçalo do Amarante no Estado do Rio Grande do Norte. O município dispõe de trinta e três salas de imunização ativas distribuídas em unidades de saúde básicas (UBS) e Unidades de Estratégia de saúde da família (USF) e tem, em média, de acordo com o censo de 2010, oitenta e sete mil habitantes.

Participaram da pesquisa 10 enfermeiros que estavam exercendo suas atividades laborais no período da coleta dos dados, que atuavam na supervisão técnica da sala de vacinas na UBS/USF há pelo menos um ano e que tivessem disponibilidade para contribuir com a pesquisa.

A coleta de dados deu-se após aprovação do comitê de ética do Centro Universitário Maurício de Nassau–UNINASSAU Natal, sob o número de parecer: 6.140.140 e CAAE: 69583923.7.0000.0223, foram seguidas todas as questõe éticas conforme preconizado pela Resolução Nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Os participantes foram contatados por meio telefônico para agendamento prévio do dia e local da entrevista.

Os dados foram coletados por meio de um formulário contendo perguntas acerca dos dados sóciodemograficos dos participantes (sexo, faixa etária, escolaridade, tempo de exercício na profissão e tempo de vínculo na gestão da sala de vacinas) além de um roteiro de entrevista com perguntas abertas formuladas através de um roteiro estruturado. As perguntas realizadas foram relacionadas à percepção do enfermeiro sobre o conceito de supervisão da sala de vacinas, quais as atividades realizadas para garantir o funcionamento adequado da sala de vacinas, quais os fatores dificultadores e facilitadores da supervisão e o que poderia melhorar no serviço para facilitar o processo de supervisão da sala de vacinas.

As entrevistas foram realizadas no período de agosto a setembro de 2023 após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos participantes. As entrevistas foram gravadas e armazenadas por meio de um gravador portátil. As falas foram transcritas de forma literal e prezando pelo sigilo da identidade dos voluntários, resolveu-se identificá-los por abreviaturas contendo a letra “E” seguido de um número conforme a ordem da entrevista.

Na análise, utilizou-se a metodologia de análise de dados baseando-se na análise de conteúdo proposta por Bardin, estruturado por três fases: a pré-análise, onde o pesquisador organiza o material para se tornar útil a pesquisa; a exploração do material, que é caracterizado pela categorização; e o tratamento dos resultados considerando objetivo do estudo (Bardin, 2016).

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os entrevistados eram 80% do gênero feminino e 20% do gênero masculino. A faixa etária predominante foi de 18 a 30 anos (40%) e a escolaridade prevalentemente foi em nível de graduação (70%). No que se refere ao tempo de exercício da profissão, o período de 1 a 3 anos foi de 50%, o mesmo dos profissionais que têm acima de 10 anos (50%). Referente ao tempo de vínculo na gestão da sala de vacina, 40% dos profissionais tinham de 1 a 3 anos, 10% de 4 a 6 anos e a maior parte tinham acima de 10 anos (50%) (Tabela 1).

Tabela 1 – Caracterização Sociodemográfica da população estudada. Rio Grande do Norte (RN) – São Gonçalo do Amarante

Logo após a coleta dos dados sociodemográficos, deu-se continuidade ao diálogo com o roteiro da entrevista contendo perguntas abertas, das quais emergiram três categorias de análise, a saber: Supervisão da sala de vacina e atividades realizadas para garantir o funcionamento adequado; Dificuldades e fatores facilitadores na supervisão da sala de vacina; Aspectos a serem melhorados na supervisão da sala de vacina.

Supervisão da sala de vacina e atividades realizadas para garantir um funcionamento adequado.

Dentre os fatores necessários para o funcionamento da sala de vacina, tem- se a atuação do enfermeiro como o fator principal para o planejamento, a organização, a execução e a avaliação das atividades realizada neste setor (Barbosa; Barbosa; Lima, 2021).

Ressaltando a importância também de providenciar materiais essenciais para o consumo, bem como realizar capacitações, gerenciamento e, sendo necessário, também avaliação contínua da rede de frios com o intuito de garantir um serviço íntegro à população (Lima; Almeida, 2021).

Considerando que o enfermeiro tem responsabilidade técnica e administrativa pelas atividades em sala de vacina e que a supervisão de enfermagem é uma ação inserida no processo assistencial e importante ferramenta para a melhoria na qualidade do serviço e para o desenvolvimento de habilidades e competências da equipe de saúde, a supervisão das atividades da equipe de Enfermagem propiciar a qualidade da assistência prestada (Correia;Servo, 2006).

Nessa perspectiva, os entrevistados abordaram a supervisão como fator determinante e direcionador do trabalho na sala de vacinas:

“A supervisão é o monitoramento, orientação das atividades relacionadas à vacinação, é tentar manter a qualidade no serviço em relação à sala de vacina, e essa supervisão é norteada por alguns protocolos que existe no ministério da saúde, e o PNI (programa nacional de imunização) o qual traz bastante orientações até mesmo com relação as vacinas existentes no calendário. Pontos importantes da supervisão da sala de vacina: verificar a questão do armazenamento, temperatura do ambiente sendo ideal +2 a 8, se os registros estão ocorrendo de forma correta, descarte de materiais, se tem os materiais, e se estão sendo feito o descarte de forma correta, além de treinamento para os profissionais”. – B 01

“Em minha concepção, a supervisão da sala de vacinas compreende participar e estar ciente de toda organização e fluxo da sala, planejar as atividades e coordenar a equipe técnica”. – B 02

“Supervisão é sobre verificar o funcionamento dos aparelhos da sala de vacina, a higienização da sala, verificar a validade das vacinas, os insumos, organização do setor, e se a técnica está realizando as atividades conforme é preconizado pelo PNI”. – B 03

Vale salientar que, as ações desenvolvidas em sala de vacina é bem mais que só administrar o imunizante, possui como atividades onde é necessário prestar orientações aos clientes quanto ao que será administrado, sanar suas dúvidas e sempre ressaltar a importância da vacinação. As atividades são desenvolvidas pela equipe de Enfermagem e supervisionada pelo enfermeiro (Silva et al., 2014).

O enfermeiro tendo como papel a responsabilidade direta pela equipe de Enfermagem, precisa aderir em seu cotidiano supervisão planejada da sala de vacina, podendo utilizar os instrumentos já disponibilizados no PNI e, também, desenvolver ações de processo educativo que contem com capacitações dos trabalhadores, a fim de desenvolver o potencial e a qualificação da equipe de Enfermagem (Tertuliano, 2011). Nesse sentido, os entrevistados citam as atividades realizadas na supervisão da sala de vacinas:

Ter uma ação de vigilância de todo o material, do profissional ter esse abastecimento regulado, ter o material necessário, seja o imuno, seja a parte administrativas das ações, observando junto ao técnico de enfermagem os lotes de vencimento regularmente, ter uma atualização contínua da equipe quanto à mudança do calendário de vacinação ou até mesmo o abastecimento do sistema de dados. – B 06

Saber do estoque da sala; Fazer pedido dos imunobiológicos e materiais para aplicação; Conhecer o público-alvo para vacinação; Avaliar a limpeza da sala; Avaliar refrigeramento dos imunobiológicos e se a câmara de frios está adequada e com termômetro funcionando. – B 09

Indiscutivelmente, em sala de vacina, é indispensável uma equipe treinada e capacitada para cumprir as normas e protocolos de armazenamento, conservação, manipulação e administração dos imunobiológicos (Batista; Cunha; Abreu., 2021).

Dificuldades e fatores facilitadores na supervisão da sala de vacina.

Ao serem questionados sobre as dificuldades para o desempenho das funções em sala de vacina, os entrevistados apontam o excesso e a multiplicidade de atribuições do enfermeiro como um dos obstáculos no processo da supervisão:

Como sou a única enfermeira na UBS que trabalho tenho que me dividir em atender a alta demanda de pacientes diários e supervisionar a sala de vacina. Dessa forma, a presença física na sala de vacina se torna mais difícil. – B 09

O acúmulo de atribuições designadas pelo o enfermeiro na APS. – B 04

(….) o processo de trabalho da sala de vacina, a falta de materiais é uma dificuldade importante de ressaltar, porém isso não ocorre em minha realidade, já ocorreu armazenamento inadequado, pois antes era uma geladeira doméstica, caixa térmica inadequada, sem termômetro. – B 01

É evidente que, para supervisionar, é necessário tempo e dedicação. Devido ao excesso de demanda sobre o enfermeiro e à sobrecarga de trabalho com atividades nem sempre específicas da enfermagem, associado à falta de planejamento, compromete-se a qualidade da supervisão da sala de vacinas. As atividades desenvolvidas neste setor estão ligadas às ações preventivas de ampla importância para a sociedade, que necessitam de controle, fiscalização e inspeção. (Oliveira et al.,2013)

Quando há sobrecarga de trabalho do enfermeiro, interfere diretamente na qualidade da assistência e do serviço prestado. Diante da enorme demanda de responsabilidades e da pouca valorização do seu serviço, o enfermeiro se apresenta desgastado e, muitas vezes, insatisfeito com a profissão e ambiente de trabalho (Costa et al., 2018).

É importante um dimensionamento correto de equipe de enfermagem, o qual tem como finalidade prever o quantitativo de funcionários do quadro por categoria para suprir a demanda de assistência de enfermagem prestada à clientela. A qualidade do serviço de enfermagem depende significativamente desse quantitativo de profissionais, assim como da qualidade dos mesmos (COFEN, 2017).

No que se referem aos fatores facilitadores do processo de supervisão, os entrevistados citam o apoio da equipe de enfermagem, bem como o treinamento e capacitação, como aspectos importantes:

O maior facilitador da supervisão da sala de vacina é o profissional técnico de enfermagem, que está sempre presente na sala e é o elo entre o enfermeiro e a sala, sempre deixando- o ciente de todas as informações necessária para supervisão e bom funcionamento. – B 02

Equipe treinada e capacitada para os procedimentos de manuseio, conservação, preparo e administração, registro e descarte dos resíduos resultantes das ações de vacinação. – B 07

A organização do seu tempo para a supervisão e os planejamentos das atividades executadas na sala de vacina. – B 10

Nesse contexto, para obter um bom resultado, é necessário que a equipe esteja preparada com intuito de alcançar a qualidade de forma segura. Alguns instrumentos são utilizados para o monitoramento e controle da temperatura das vacinas, tanto nos refrigeradores domésticos, câmaras refrigeradas quanto nas caixas térmicas (utilizadas no uso diário). A temperatura é verificada diariamente com auxílio de um termômetro o qual registra a temperatura mínima e máxima (BRASIL, 2017).

O treinamento continuado e supervisão permanente dos profissionais que exercem atividades nas salas de vacinas são necessários devido ao grande aumento da complexidade dos calendários de vacinação, mudança e alterações de normas, com a incorporação de novas vacinas e ampliação das faixas etárias sob recomendação de vacinação (Raglione et al., 2016).

Para ampliar a qualidade da assistência e do cuidado integral do paciente, é imprescindível o trabalho em equipe, que consiste conectar não apenas a equipe, mas também colaborar de forma multiprofissional com diversas especializações para o êxito do serviço. (Peduzzi et al., 2016)

Aspectos a serem melhorados na supervisão da sala de vacina.

A recomendação do PNI é que as atividades na sala de vacinas sejam realizadas por uma equipe de enfermagem capacitada para o manuseio, conservação e administração dos imunobiológicos. Essa equipe deverá ser composta, preferencialmente, por dois técnicos ou auxiliares de enfermagem para cada turno de trabalho, e um enfermeiro responsável pela supervisão das atividades da sala de vacina e pela educação permanente da equipe (BRASIL,2014). Nessa perspectiva, observa-se que os entrevistados citam a necessidade de um quantitativo de profissionais exclusivos para a sala de vacinas como um aspecto importante a ser considerado, conforme cita B-02 e B-09:

O que poderia melhorar para facilitar a supervisão da sala de vacinas seria um dimensionamento adequado de profissionais e a organização de um fluxo onde o profissional de enfermagem pudesse ficar pelo menos um dia da semana à disposição exclusivamente da sala de vacinas. B-02

O bom seria se tivesse um enfermeiro exclusivo para a sala de vacina, já que é um ambiente em complexo e que precisa de muita atenção para fornecer o imunobiológico, dose e aplicação correta. B-09

Além do dimensionamento adequado, é essencial que existam profissionais capacitados e preparados para lidar com as especificidades da sala de vacinas. Trata-se de um ambiente em que o trabalho possui certa complexidade e, por isso, é importante e necessário que os profissionais recebam capacitações constantes, tendo em vista que rotineiramente há novas atualizações. Desse modo, com o processo educacional permanente nas unidades, é favorável alcançar bons resultados, tendo em vista que os profissionais serão habilitados a administrar corretamente e desenvolver as atividades com excelência. É imprescindível que o enfermeiro tenha papel de atitude proativo com ações educativas e um acompanhamento mais efetivo das atividades em sala de vacina. Assim, evita-se a ocorrência de falhas nos procedimentos, as quais podem acarretar reflexos na qualidade dos imunobiológicos, disponibilizados para a população (BRASIL, 2014). A importância das capacitações, treinamentos e ações de educação permanente podem ser percebidas nas falas dos entrevistados B-0, B07 e B-06:

Reciclagem e educação permanente. B-04

Ter profissionais capacitados e competentes auxiliados por uma gestão responsável que não deixe faltar insumos necessários ao bom funcionário da sala. B-07

Um técnico exclusivo da sala de vacina, atualizações, capacitações da equipe responsável pela sala de vacina e o apoio com a equipe técnica adequada da secretaria de saúde. B-06

Nesse sentido, é indiscutível que a educação permanente seja a estratégia necessária para obter um bom desempenho no ambiente da sala de vacina, que é complexo e dinâmico. Isso se deve ao fato de estar sempre em constante atualização. A educação permanente é um instrumento que faz parte do processo ensino-aprendizagem, no qual o sujeito que aprende é um agente ativo. Entretanto , mesmo com políticas públicas, a “Educação Permanente em Saúde” é um desafio imprescindível para uma melhor capacitação dos profissionais. Sem dúvida, com uma educação permanente em saúde, é notória a qualidade da atenção (Martins, et al, 2018).

Com as capacitações, há o desenvolvimento da aptidão dos profissionais de saúde da sala de vacinas do território nacional, além de desenvolverem boas práticas de vacinação e organização do processo de trabalho em equipe. O importante é inserir na concepção e na prática das equipes o processo permanente e deliberado de aprendizagem, com o propósito de contribuir continuamente para o desenvolvimento de competências individuais e coletivas (BRASIL, 2014).

4 CONCLUSÃO

A pesquisa realizada proporcionou uma reflexão sobre a percepção do enfermeiro no gerenciamento em sala de vacina, tornando possível analisar as atividades realizadas para garantir um funcionamento adequado, as dificuldades e os fatores facilitadores na supervisão da sala de vacina, e os aspectos a serem melhorados.Foi identificado um déficit no gerenciamento das salas de vacinas, o qual é potencializado devido à sobrecarga de trabalho enfrentada pelo enfermeiro na atenção primária, colocando em risco a qualidade dos insumos e da assistência prestada à população.

Nesse contexto, é imprescindível reorganizar o processo de trabalho do enfermeiro na atenção primária, a fim de integrar as atividades administrativas e assistenciais, juntamente com a promoção de educação continuada aos profissionais de enfermagem para potencializar a importância da supervisão para o desenvolvimento da eficiência do serviço e da equipe.

É necessário ainda que estudos futuros, ao abordar sobre o gerenciamento em sala de vacina, compreendam e acompanhem as ações diárias de gerenciamento das atividades de vacinação, a fim de identificar facilitadores no desempenho dos procedimentos e condutas, e no gerenciamento em sala de vacina e imunização.

5 REFERÊNCIAS

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1Enfermeira. Uninassau Natal. E-mail: vitoriamariaenf2015@gmail.com
2Enfermeira. Uninassau Natal. E-mail: thaianedsgomes@gmail.com
3Graduanda em Enfermagem. Universidade Potiguar. E-mail: estheroliveira047@gmail.com
4Enfermeira. Universidade Potiguar. E-mail: barbosaandreia0904@gmail.com
5Enfermeira. Universidade Federal do Piauí. E-mail: flavia.danielli@academico.ufpb.br
6Enfermeira. Faculdade Santa Emília de Rodat. E-mail: simonekcmesquita@gmail.com
7Enfermeira. Mestre em Enfermagem – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Doutora em Enfermagem- Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Docente da Uninassau Natal. E-mail: tatianaelias@gmail.com