INTRINSIC AND EXTRINSIC FACTORS IN THE PROCESSES OF PREMATURE SKIN AGING AND THEIR INTERFERENCE IN THE MAIN AESTHETIC PROCEDURES.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511170524
Samara Matos Silveira1
Alessandra Borges Sanches de Oliveira2
Resumo
O envelhecimento cutâneo é um processo natural e progressivo, resultante da ação combinada de fatores intrínsecos, como predisposição genética e alterações hormonais, e extrínsecos, como exposição solar, poluição, tabagismo e hábitos de vida inadequados. Esses fatores provocam alterações estruturais e funcionais na pele, como perda de elasticidade, surgimento de rugas, flacidez e hiperpigmentações. No campo da estética, compreender tais influências é essencial para a indicação adequada de procedimentos, como preenchedores e bioestimuladores, visando a obtenção de resultados mais eficazes e seguros. A presente pesquisa, desenvolvida em formato de revisão de literatura, tem como objetivo analisar de que forma os fatores intrínsecos e extrínsecos interferem no processo de envelhecimento cutâneo e, consequentemente, nos resultados dos principais procedimentos estéticos. O estudo busca oferecer subsídios sobre como esses fatores podem acelerar o envelhecimento da pele de maneira não saudável, destacando a importância de cuidados preventivos que integrem saúde e estética. Além disso, reforça o papel do profissional da estética na orientação dos pacientes quanto à influência desses fatores nos tratamentos, promovendo uma abordagem mais consciente, preventiva e eficaz. Dessa forma, a adoção de hábitos saudáveis contribui diretamente para a redução dos efeitos desses agentes sobre a pele, minimizando suas interferências nos procedimentos estéticos e favorecendo a eficácia e a durabilidade dos resultados.
Palavras-chave: Envelhecimento cutâneo. Fatores extrínsecos. Fatores intrínsecos. Procedimentos estéticos. Saúde.
1 INTRODUÇÃO
A pele, maior órgão do corpo humano, exerce funções essenciais como a proteção contra perda hídrica e infecção por microrganismos, além de desempenhar um papel estético importante, pois a aparência jovem pode influenciar positivamente o comportamento social e o status reprodutivo (Walls et al., 2007).
Estruturalmente, a pele é composta por duas camadas principais: a epiderme e a derme, cada uma com características e funções específicas. Os fibroblastos, predominantes na derme, são responsáveis pela produção de colágeno e elastina, enquanto a epiderme atua como a camada protetora mais externa (Zhang e Duan, 2018).
Por ser a interface entre o corpo e o ambiente externo, a pele fornece uma barreira biológica contra poluentes ambientais químicos e físicos (Granato et al., 2020). A exposição constante a oxidantes, como radiação ultravioleta (UV) e poluentes, provoca alterações na estrutura cutânea que aceleram o processo de envelhecimento (Zhang e Duan, 2018).
O envelhecimento cutâneo resulta da interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos, onde o extrínseco inclui a exposição solar, tabagismo e consumo de álcool, que promovem vasoconstrição, diminuição da atividade dos fibroblastos e aumento dos radicais livres, acelerando a degradação celular (Granato et al., 2020).
O envelhecimento intrínseco, por sua vez, é um processo fisiológico e cronológico que se manifesta por pele mais fina, seca, com rugas e atrofia dérmica progressiva. Áreas fotoprotegidas, como a parte interna do braço, apresentam envelhecimento principalmente devido a fatores genéticos e metabólicos (Zhang e Duan, 2018). A interação contínua entre os fatores intrínsecos e extrínsecos ao longo da vida ocasiona a deterioração da barreira cutânea, resultando em ressecamento, prurido, infecções e complicações vasculares (Batista et al., 2022).
Diante desse contexto, compreender as bases fisiopatológicas do envelhecimento cutâneo precoce e suas repercussões nos procedimentos estéticos torna-se essencial. Esta revisão visa analisar os fatores intrínsecos e extrínsecos envolvidos no envelhecimento precoce da pele e investigar como esses fatores influenciam a eficácia e os resultados de procedimentos estéticos, promovendo uma prática clínica embasada em evidências e mais assertiva no cuidado dermatológico.
O objetivo geral deste estudo é identificar fatores intrínsecos e extrínsecos que aceleram o processo do envelhecimento cutâneo e suas interferências nos resultados dos procedimentos estéticos.
Para alcançar essa finalidade, busca-se analisar os fatores intrínsecos, como aspectos genéticos, hormonais e metabólicos que contribuem para o envelhecimento precoce da pele e suas implicações na saúde; investigar fatores extrínsecos, como a exposição solar, poluição, alimentação inadequada, tabagismo e estresse, avaliando seu impacto nos processos de envelhecimento cutâneo acelerado; avaliar, por meio de estudos clínicos e revisão de literatura, a influência desses fatores na eficácia de tratamentos estéticos, como bioestimuladores de colágeno e preenchedores; e discutir a importância da conscientização e da adoção de hábitos saudáveis e preventivos para retardar o envelhecimento e potencializar os resultados estéticos.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Sistema Tegumentar
O sistema tegumentar é considerado o maior órgão do corpo humano, cobrindo cerca de 1,8 metros quadrados em um adulto e correspondendo a aproximadamente 16% do peso corporal total (Martins, 2023). Ele é composto pela pele e seus anexos, que incluem os pelos, unhas, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. Além de representar uma barreira protetora contra agentes físicos, químicos e biológicos, esse sistema possui funções essenciais na regulação térmica, percepção sensorial, síntese de vitamina D, além de estar diretamente ligado à estética e à autoimagem (Santos et al., 2020).
A pele é formada por três camadas principais: epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é a camada mais externa da pele e é composta por tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado. É avascular e recebe nutrientes por difusão a partir da derme. Nessa camada, os principais tipos celulares são os queratinócitos, que produzem queratina, uma proteína que confere resistência e impermeabilidade. Outras células importantes incluem os melanócitos, responsáveis pela pigmentação da pele, e as células de Langerhans, que atuam no sistema imunológico (Carvalho e Souza, 2022).
A derme é a camada intermediária da pele e apresenta tecido conjuntivo denso. Contém vasos sanguíneos, fibras nervosas, folículos pilosos e glândulas. As principais proteínas estruturais da derme são o colágeno e a elastina, que conferem sustentação e elasticidade à pele. É nessa camada que ocorrem as respostas vasculares, inflamatórias e imunes da pele. Além disso, a derme participa ativamente da cicatrização de feridas e na homeostase térmica do organismo (Oliveira e Ferreira, 2023).
A hipoderme, também conhecida como tecido subcutâneo, é a camada mais profunda da pele. É composta por tecido adiposo e conjuntivo frouxo. Atua como isolante térmico, reserva energética e proteção mecânica contra impactos. A espessura da hipoderme pode variar de acordo com o sexo, idade, alimentação e área do corpo (Gonçalves et al., 2021). A pele também possui os anexos cutâneos que derivam da epiderme e são formados pelas unhas, pelos, glândulas sudoríparas e sebáceas. Os pelos têm função de proteção e sensibilidade, estando ligados a glândulas sebáceas e músculos eretores que ajudam na termorregulação. As unhas são estruturas queratinizadas que protegem as pontas dos dedos e auxiliam em tarefas delicadas (Martins, 2023).
As glândulas sebáceas secretam o sebo, que lubrifica e protege a pele e os pelos. Já as glândulas sudoríparas, divididas em écrinas, que estão relacionadas ao controle da temperatura, e, apócrinas que estão presentes em regiões específicas como axilas, que vão auxiliar na excreção de toxinas e na regulação térmica (Moura e Santana, 2021).
O sistema tegumentar é fundamental para a saúde do corpo, atuando como proteção contra agentes externos, regulando a temperatura por meio do suor e do controle dos vasos sanguíneos, além de permitir a percepção sensorial. Também participa da síntese de vitamina D, excreção de resíduos e influencia a aparência, afetando a autoestima (Martins, 2023).
Além da importância fisiológica, o sistema tegumentar está diretamente relacionado à imagem corporal e ao bem-estar emocional. Diversas condições da pele, como acne, manchas, rugas e flacidez, podem afetar a autoestima e a qualidade de vida das pessoas. Por isso, os cuidados com a pele são tanto uma questão de saúde quanto de promoção da autoestima e da qualidade de vida (Amaral e Souza, 2019).
2.2 Envelhecimento Cutâneo
O envelhecimento cutâneo é um fenômeno natural e multifatorial que resulta da interação entre processos biológicos internos e fatores ambientais externos. Ele representa uma série de alterações morfológicas, fisiológicas e bioquímicas que comprometem a integridade, a função e a estética da pele (Santos e Lima, 2021). Para melhor compreensão, o envelhecimento da pele pode ser classificado em duas categorias principais: envelhecimento intrínseco e envelhecimento extrínseco, que atuam conjuntamente, porém com mecanismos e manifestações distintas (Martins, 2023).
2.2.1 Envelhecimento Intrínseco
O envelhecimento intrínseco, também chamado de envelhecimento cronológico, é determinado geneticamente e ocorre de forma inevitável ao longo do tempo, independentemente da exposição a agentes externos. Esse processo está associado a uma série de modificações moleculares e celulares que afetam a homeostase cutânea (Carvalho et al., 2019). Envolve alterações graduais e inevitáveis que ocorrem em todos os tecidos, inclusive na pele, levando à perda de elasticidade, diminuição da espessura dérmica e alteração na função das glândulas sebáceas e sudoríparas (Silva e Costa, 2020; Morais e Nascimento, 2021).
Do ponto de vista histológico, o envelhecimento intrínseco da pele está associado à diminuição da renovação celular na epiderme, redução na atividade dos melanócitos e perda de fibroblastos funcionais na derme (Freitas e Rodrigues, 2019). Isso compromete a produção de colágeno e elastina, componentes essenciais para a sustentação e elasticidade da pele. Além disso, observa-se uma desorganização da matriz extracelular, com aumento de metaloproteinases e redução de proteoglicanos, o que favorece a flacidez e o surgimento de linhas finas (Oliveira et al., 2021).
No processo, as células da pele sofrem uma redução progressiva na capacidade de se dividir, o que está relacionado à teoria dos telômeros, que encurtam a cada divisão celular até atingirem um ponto crítico. Esse mecanismo compromete a regeneração tecidual e aumenta a suscetibilidade à formação de rugas e atrofias cutâneas (Almeida e Lima, 2022). Essa perda de capacidade replicativa também afeta a resposta inflamatória e imunológica da pele, tornando-a mais vulnerável a infecções e menos responsiva a estímulos regenerativos (Souza e Gomes, 2019).
No nível molecular, o envelhecimento intrínseco está associado ao acúmulo gradual de danos ao DNA, às mitocôndrias e a outras organelas celulares, que levam à disfunção celular e ao aumento da apoptose (Santos e Lima, 2021).
A redução hormonal, especialmente dos esteroides sexuais como estrogênio e testosterona, desempenha papel significativo no envelhecimento intrínseco, particularmente nas mulheres no período do climatério e menopausa (Pereira e Oliveira, 2023). A deficiência de estrogênio leva à diminuição da vascularização cutânea, da síntese de colágeno tipo I e da hidratação dérmica, resultando em perda de turgor e brilho natural da pele (Nascimento et al., 2020). Essa alteração hormonal é considerada um dos marcos mais visíveis do envelhecimento cutâneo feminino.
A fisiologia do envelhecimento intrínseco também afeta as glândulas sebáceas e sudoríparas. Com o passar dos anos, ocorre uma redução na produção de sebo e suor, o que compromete a função de barreira da pele e sua capacidade de reter água. Como consequência, a pele torna-se mais seca, áspera e com tendência à descamação, dificultando a adesão de cosméticos e interferindo nos protocolos estéticos (Costa e Freitas, 2019; Lima e Batista, 2021).
Clinicamente, o envelhecimento intrínseco se manifesta de maneira mais branda e homogênea que o extrínseco. São comuns as linhas finas, sulcos suaves e perda de volume em áreas específicas, especialmente ao redor dos olhos e boca. A coloração tende a permanecer uniforme, uma vez que não há acúmulo de danos por radiação UV ou poluentes (Santos e Ribeiro, 2022). Ainda assim, essas alterações afetam a autoestima dos indivíduos e constituem queixas frequentes em clínicas de estética.
2.2.2 Envelhecimento Extrínseco
Diferentemente do envelhecimento intrínseco, o envelhecimento extrínseco é causado principalmente por fatores ambientais e comportamentais que aceleram o processo natural de envelhecimento da pele como tabagismo, exposição solar, poluição, má alimentação, uso de álcool e estresse. Esses elementos contribuem para a geração de espécies reativas de oxigênio (EROs), promovem a inflamação crônica e alteram a estrutura e a função da matriz extracelular, impactando diretamente os resultados de intervenções estéticas (Moraes e Rodrigues, 2020; Gonçalves et al., 2021).
O tabagismo representa um dos fatores extrínsecos mais danosos à pele. A exposição crônica à nicotina e outros compostos tóxicos do cigarro reduz a oxigenação dos tecidos e induz a vasoconstrição, comprometendo a nutrição celular e a síntese de colágeno (Souza et al., 2020). Essas alterações resultam em rugas profundas, flacidez e pele opaca, além de dificultar a cicatrização e aumentar os riscos em procedimentos invasivos e minimamente invasivos (Gonçalves et al., 2021).
A exposição solar excessiva, especialmente à radiação ultravioleta (UV), é a principal responsável pelo fotoenvelhecimento. A radiação UVA penetra profundamente na derme, degradando fibras colágenas por meio da ativação de metaloproteinases, enquanto a UVB causa danos diretos ao DNA celular, provocando mutações (Santos et al., 2022). A figura abaixo representa os danos causados por anos de exposição solar sem a proteção necessária.
Figura 01: Danos causados na pele após 28 anos de exposição solar

Fonte: CNN Brasil
Essas alterações resultam em mudanças clínicas típicas do fotoenvelhecimento, como rugas profundas, perda de elasticidade, manchas hiperpigmentadas, aspereza e irregularidade na textura da pele. Silva et al. (2022) destacam que o fotoenvelhecimento é responsável por até 80% do envelhecimento visível da pele.
A poluição ambiental também exerce efeito cumulativo sobre a saúde cutânea. Compostos como ozônio, dióxido de enxofre e metais pesados induzem estresse oxidativo e inflamação crônica, além de danificarem a barreira cutânea e estimularem a hiperpigmentação (Carvalho e Lima, 2019).
Pesquisas demonstram que moradores de grandes centros urbanos apresentam maior prevalência de sinais precoces de envelhecimento, como melasmas e perda de tônus facial, o que interfere na uniformidade de resultados estéticos (Santos e Lima, 2021).
A má alimentação, especialmente aquela rica em açúcares refinados, gorduras trans e processados, agrava o envelhecimento cutâneo por meio da glicação de proteínas estruturais, como o colágeno, tornando-as mais rígidas e quebradiças (Martins e Almeida, 2020). Além disso, a deficiência de antioxidantes como vitaminas A, C e E reduz a capacidade regenerativa da pele, comprometendo tratamentos estéticos como microagulhamento e bioestimuladores de colágeno (Ferreira e Nascimento, 2019).
O uso excessivo de álcool impacta negativamente a pele ao causar desidratação celular e depleção de antioxidantes naturais, o que contribui para a perda de viço, aumento da flacidez e desenvolvimento de rosácea e telangiectasias (Oliveira e Mendes, 2020). A longo prazo, o álcool compromete a vascularização cutânea e dificulta a recuperação pós-procedimentos, além de potencializar reações inflamatórias e alérgicas a ativos utilizados em estética facial (Martins e Almeida, 2020).
O estresse crônico é outro fator extrínseco relevante, atuando por meio da liberação constante de cortisol e adrenalina. Esses hormônios suprimem a função imunológica e a renovação celular, aceleram a degradação de colágeno e aumentam a sensibilidade da pele (Santos et al., 2020). A degradação das fibras de colágeno é particularmente acentuada, e a pele apresenta alterações histológicas como espessamento da camada córnea, irregularidades na melanogênese e inflamação crônica (Santos e Lima, 2021). No quadro abaixo é possível avaliar a relação do fator extrínseco e sua influência nos procedimentos estéticos.
Quadro 01: Fator Extrínseco
| Tipo de fator extrínseco | Influência nos Procedimentos Estéticos |
| Exposição solar | Aumenta a necessidade de fotoproteção e limita procedimentos agressivos. |
| Tabagismo | Reduz a oxigenação dos tecidos, comprometendo resultados estéticos. |
| Poluição | Favorece o estresse oxidativo, exigindo técnicas antioxidantes e reparadoras. |
| Alimentação inadequada | Prejudica a síntese de colágeno, reduzindo a eficácia dos tratamentos. |
| Estresse | Pode acelerar o envelhecimento cutâneo e interferir na durabilidade dos resultados. |
Fonte: Própria autoria
Portanto, o controle dos fatores extrínsecos é essencial para prevenir o envelhecimento precoce da pele e otimizar os resultados dos procedimentos estéticos. A orientação do paciente sobre fotoproteção, alimentação equilibrada, abandono do tabagismo, moderação no consumo de álcool e manejo do estresse deve ser parte fundamental da prática clínica (Souza et al., 2020; Ferreira e Nascimento, 2019).
2.5 Mecanismos fisiopatológicos do envelhecimento cutâneo
O envelhecimento cutâneo é um processo multifatorial que envolve alterações morfológicas, bioquímicas e funcionais na pele. Essas mudanças são resultado de uma complexa interação entre fatores intrínsecos, ligados à genética e ao tempo biológico, e extrínsecos, como a exposição à radiação ultravioleta, poluentes ambientais e hábitos de vida inadequados. Do ponto de vista fisiopatológico, o envelhecimento da pele está associado a uma desaceleração da renovação celular, alterações na matriz extracelular e aumento do estresse oxidativo (Silva et al., 2022).
A epiderme, camada mais externa da pele, passa por modificações significativas com o avanço da idade. Há uma redução na taxa de proliferação dos queratinócitos, afinamento da camada basal e diminuição da coesão entre as células, o que compromete a função de barreira cutânea. Essas alterações favorecem a desidratação, a sensibilidade e a suscetibilidade a agentes externos. Além disso, observa-se uma diminuição na produção de lipídios epidérmicos e na expressão de proteínas estruturais como a filagrina e a loricrina, essenciais para a integridade da barreira cutânea (Moraes e Rodrigues, 2020).
Na derme, onde se encontram colágeno, elastina e outras proteínas estruturais, os efeitos do envelhecimento são ainda mais evidentes. A redução da atividade dos fibroblastos leva à menor síntese de colágeno tipo I e III, além de uma diminuição na produção de ácido hialurônico e glicosaminoglicanos, substâncias responsáveis pela hidratação e volume da pele. Concomitantemente, há um aumento na expressão de enzimas degradadoras da matriz extracelular, como as metaloproteinases (MMPs), que contribuem para a fragmentação das fibras colágenas e elásticas, resultando em flacidez e rugas profundas (Santos e Lima, 2021).
O estresse oxidativo é um dos principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos no envelhecimento cutâneo, ele ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção de EROs e a capacidade antioxidante da pele. As EROs danificam lipídios, proteínas e DNA celular, acelerando o processo de senescência das células cutâneas. No envelhecimento intrínseco, essas alterações ocorrem de forma gradual, enquanto no extrínseco, especialmente no fotoenvelhecimento, o acúmulo de radicais livres é exacerbado pela radiação ultravioleta (Carvalho et al., 2019).
Outro mecanismo relevante é o encurtamento progressivo dos telômeros, estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos que protegem o material genético durante a divisão celular. Com o envelhecimento, os telômeros encurtam-se a cada ciclo mitótico, limitando a capacidade de proliferação celular. Quando os telômeros atingem um comprimento crítico, a célula entra em senescência ou sofre apoptose. Esse processo compromete a renovação da epiderme e contribui para o afinamento e enfraquecimento da pele (Oliveira e Mendes, 2020).
A inflamação crônica de baixo grau, conhecida como “inflammaging”, é outro componente central do envelhecimento cutâneo. Com o tempo, a pele passa a liberar níveis aumentados de citocinas inflamatórias, como IL-6, TNF-α e IL-1β, mesmo na ausência de infecção. Essa inflamação constante compromete a integridade tecidual, promove a degradação da matriz extracelular e prejudica a função dos fibroblastos e queratinócitos. Estudos mostram que essa resposta inflamatória é intensificada por fatores extrínsecos como radiação solar, poluição e hábitos inadequados (Gonçalves et al., 2021).
Por fim, a senescência celular desempenha um papel fundamental no envelhecimento cutâneo. Células senescentes acumulam-se progressivamente na pele, perdendo sua capacidade de dividir-se e secretando fatores inflamatórios e proteolíticos que afetam negativamente o tecido ao redor. Esse fenótipo secretor pró-inflamatório é conhecido como SASP (Senescence
Associated Secretory Phenotype) e tem sido associado à aceleração do envelhecimento e à diminuição da eficácia de tratamentos estéticos e regenerativos (Ferreira e Andrade, 2023).
2.6 Manifestações clínicas do envelhecimento cutâneo
O envelhecimento cutâneo é um processo complexo e multifatorial que se manifesta por diversas alterações clínicas visíveis, resultantes da interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos. As manifestações clínicas mais comuns incluem rugas, flacidez, alterações na textura e coloração da pele, ressecamento, perda de elasticidade e espessura, presença de telangiectasias, redistribuição da gordura subcutânea e crescimento de lesões benignas (Costa et al, 2020).
De acordo com Silva et al. (2021), tais manifestações impactam significativamente a autoestima, a percepção da imagem corporal e a funcionalidade da pele, sendo um dos principais focos de atenção na área da estética e dermatologia.
As rugas são consideradas os sinais mais evidentes do envelhecimento cutâneo e se apresentam como dobras ou sulcos resultantes da perda de fibras colágenas e elásticas, além da diminuição do volume dérmico. Elas podem ser classificadas como dinâmicas, quando aparecem com a movimentação facial, e estáticas, quando permanecem mesmo em repouso Silva et al. (2021).
O comprometimento da integridade das fibras de colágeno tipo I e III, juntamente à menor produção de ácido hialurônico, promove um colapso da matriz extracelular, favorecendo o aprofundamento das rugas com o passar dos anos. Segundo estudo de Moraes e Costa (2019), a perda da coesão entre as células da epiderme e a redução da atividade dos fibroblastos são mecanismos centrais nesse processo, tornando a pele mais frágil e propensa a fissuras.
A flacidez cutânea é outra manifestação típica do envelhecimento, caracterizada pela perda do tônus e da firmeza da pele, especialmente visível na face, pescoço, abdômen e braços. Essa condição ocorre devido à diminuição da densidade e da organização das fibras elásticas e colágenas, associada à disfunção dos fibroblastos, redução da vascularização e atrofia muscular (Silva et al, 2021).
Andrade e Oliveira (2020) destacam que a flacidez é exacerbada pela ação das metaloproteinases (MMPs), enzimas que degradam os componentes da matriz extracelular, processo esse potencializado pela exposição solar e pela poluição ambiental. Além disso, a redistribuição da gordura subcutânea e o afinamento da derme contribuem para a perda do contorno e da definição facial.
A perda da hidratação da pele também é um sinal importante do envelhecimento. Com o tempo, há diminuição da atividade das glândulas sebáceas e sudoríparas, o que compromete a produção do manto hidrolipídico, levando à sensação de pele seca, áspera e opaca (Carvalho et al, 2019).
Essa desidratação cutânea também se relaciona à diminuição de componentes do fator natural de hidratação (NMF), como ceramidas, ureia e ácido lático. A falta de hidratação favorece microfissuras e aumenta a sensibilidade cutânea, podendo desencadear prurido e dermatites (Lima et al, 2018). Além disso, a redução do ácido hialurônico na derme compromete a retenção de água, agravando o quadro de ressecamento.
As alterações pigmentares são manifestações comuns e incluem tanto a hiperpigmentação quanto a hipopigmentação, refletindo a disfunção progressiva dos melanócitos (Moraes e Rodrigues, 2020). O fotoenvelhecimento acelera esse processo, gerando manchas acastanhadas irregulares, especialmente em áreas expostas ao sol como rosto, dorso das mãos e colo. Com o tempo, ocorre uma diminuição no número de melanócitos e irregularidade em sua distribuição, o que contribui para uma coloração não uniforme da pele, muitas vezes considerada esteticamente indesejável pelos pacientes (Fernandes e Bastos, 2022).
As telangiectasias, por sua vez, surgem como dilatações permanentes dos vasos capilares superficiais e são mais comuns nas regiões nasais, bochechas e membros inferiores. Essa manifestação ocorre devido à perda da elasticidade vascular e ao afinamento da epiderme, que torna os vasos mais visíveis (Costa et al, 2020).
Fatores como exposição solar crônica, predisposição genética, envelhecimento natural e uso prolongado de corticosteroides tópicos estão entre os principais desencadeadores dessas alterações vasculares, que também podem causar sensação de calor ou queimação local (Souza e Pereira, 2021).
A redistribuição da gordura subcutânea é uma característica marcante do envelhecimento, especialmente facial. Observa-se perda de volume em regiões como as bochechas e têmporas, e acúmulo em outras áreas como papada e mandíbula, conferindo uma aparência de cansaço e desânimo.
Estando diretamente relacionado à diminuição do número e da função dos adipócitos, bem como à perda de suporte ligamentar e muscular, impactando diretamente o contorno e a harmonia facial. Esse remodelamento da gordura é também responsável pelo surgimento de sulcos profundos, como o nasogeniano (Ribeiro e Santana, 2023).
A redução da espessura da pele é outra manifestação relevante, resultando em maior fragilidade cutânea, aumento da suscetibilidade a traumas, hematomas e infecções (Costa et al, 2020). Há uma notável diminuição do número de anexos cutâneos, como folículos pilosos e glândulas, bem como redução da vascularização e do aporte de nutrientes à pele. Com o envelhecimento, ocorre uma desaceleração da renovação celular e um comprometimento da barreira epidérmica, tornando a cicatrização mais lenta e o tecido mais propenso a lesões e processos inflamatórios persistentes (Gonçalves et al, 2021).
Por fim, o crescimento de lesões benignas, como ceratoses seborreicas e queratoses actínicas, também é comum com o avanço da idade. Essas lesões são resultado da proliferação desordenada de queratinócitos e da exposição acumulada à radiação ultravioleta (Santos e Lima, 2019). Embora benignas, essas alterações clínicas podem causar desconforto estético e, em alguns casos, evoluir para lesões malignas.
Segundo estudo de Martins et al. (2021), o acompanhamento dermatológico é essencial para monitorar essas alterações e realizar intervenções precoces quando necessário.
2.6 Interferências dos fatores extrínsecos e intrínsecos nos principais procedimentos estéticos
A biomedicina estética considera diversos fatores que influenciam os resultados dos procedimentos estéticos. Fatores intrínsecos desempenham um papel crucial na resposta aos tratamentos, onde a elasticidade da pele e a densidade de colágeno variam com a idade, afetando a eficácia de procedimentos como a aplicação de toxina botulínica. Além disso, condições médicas subjacentes podem interferir nos resultados esperados (Gouveia et al., 2023).
No quadro 02, é possível observar como os principais fatores intrínsecos podem influenciar o resultado do procedimento.
Quadro 02: Fatores Intrínsecos
| Fator Intrínseco | Influência nos Procedimentos Estéticos |
| Genética | Determina predisposição ao envelhecimento precoce e influencia a resposta aos tratamentos. |
| Alterações hormonais | Podem reduzir a eficácia de procedimentos de estímulo de colágeno. |
| Metabolismo celular | Impacta diretamente na regeneração tecidual e no tempo de recuperação. |
| Espessura da pele | Define a profundidade ideal de técnicas como peeling e laser. |
Fonte: Própria autoria
Fatores extrínsecos, como exposição solar acelera o envelhecimento da pele, reduzindo a eficácia de tratamentos como bioestimuladores de colágeno. O tabagismo compromete a vascularização da pele, dificultando a cicatrização e a resposta aos procedimentos. Portanto, é essencial que os profissionais considerem esses aspectos ao planejar intervenções estéticas (SBD, 2024).
A toxina botulínica tipo A é amplamente utilizada na biomedicina estética para suavizar rugas de expressão. No entanto, sua eficácia pode ser influenciada por fatores intrínsecos, como a atividade muscular individual e a espessura da pele. Pacientes com musculatura facial mais ativa podem necessitar de doses ajustadas para alcançar os resultados desejados. Além disso, a resposta ao tratamento pode variar conforme o metabolismo de cada indivíduo (Pontes Ferreira et al., 2023).
Os bioestimuladores de colágeno, como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio, promovem a produção de colágeno, melhorando a firmeza da pele. Fatores extrínsecos, como a exposição a poluentes podem acelerar a degradação do colágeno, reduzindo a eficácia dos bioestimuladores. Assim, é fundamental considerar o estilo de vida do paciente ao indicar esses tratamentos (Silva e Almeida, 2021).
O preenchimento dérmico com ácido hialurônico é uma técnica eficaz para restaurar volumes faciais perdidos. Entretanto, fatores intrínsecos como a densidade óssea e a estrutura anatômica individual podem influenciar a distribuição do produto e o resultado. Pacientes com perda óssea significativa podem apresentar resultados menos duradouros, exigindo sessões de manutenção mais frequentes. A compreensão dessas variações anatômicas é essencial para o sucesso do procedimento (SBD, 2024).
O ácido hialurônico (AH) é amplamente utilizado na estética por sua capacidade de atrair e reter moléculas de água, promovendo hidratação e volume à pele. Sua eficácia está diretamente relacionada ao nível de ingestão hídrica do paciente, uma vez que a água potencializa seus efeitos e contribui para a manutenção da elasticidade e firmeza da pele (Pires e Ribeiro, 2021).
Estudos demonstram que a hidratação adequada, com ingestão mínima de dois litros de água por dia, auxilia na preservação da matriz extracelular e prolonga os resultados dos preenchimentos, além de prevenir sinais precoces de envelhecimento cutâneo (Barrichello et al., 2021).
De acordo com Vieira (2020), os bioestimuladores de colágeno, por sua vez, promovem a produção natural de colágeno e são indicados para tratar a flacidez e melhorar a firmeza da pele.
A vitamina C exerce um papel essencial nesse processo, pois atua como cofator nas reações enzimáticas que estabilizam as fibras colagênicas, além de proteger a pele da ação dos radicais livres por meio de sua potente ação antioxidante. Seu uso, tanto oral quanto tópico, pode potencializar os efeitos dos bioestimuladores, favorecendo a regeneração da pele e otimizando os protocolos de rejuvenescimento facial (Cossetin, De Freitas e Silva, 2020).
A escolha do profissional para realizar procedimentos estéticos é um fator extrínseco crucial. A experiência e o conhecimento técnico do biomédico esteta influenciam diretamente na segurança e nos resultados dos tratamentos. Profissionais capacitados são capazes de identificar as necessidades individuais dos pacientes e ajustar as técnicas conforme necessário. Além disso, estão preparados para manejar possíveis intercorrências, garantindo a eficácia e a segurança dos procedimentos (Schlottfeldt, 2023).
A avaliação prévia do paciente é fundamental para identificar fatores intrínsecos e extrínsecos que possam interferir nos procedimentos estéticos. Um histórico médico detalhado, incluindo informações sobre alergias, uso de medicamentos e hábitos de vida, permite ao profissional planejar intervenções mais seguras e eficazes. Essa abordagem personalizada contribui para a satisfação do paciente e a longevidade dos resultados obtidos (Teixeira, 2024).
A manutenção dos resultados dos procedimentos estéticos depende de cuidados contínuos com a pele e o estilo de vida. Fatores extrínsecos como a adesão a uma rotina de cuidados com a pele, alimentação equilibrada e proteção solar adequada são essenciais para prolongar os efeitos dos tratamentos. O acompanhamento regular com o profissional também permite ajustes e intervenções oportunas, mantendo a estética facial desejada (Gouveia et al., 2023). No Quadro 03, pode-se observar a influencia dos fatores tanto intrínsecos quanto extrínsecos nos procedimentos estéticos.
Quadro 03: Comparação de fatores intrínsecos e extrínsecos e sua influência nos procedimentos estéticos
| Fator | Tipo | Mecanismo de ação e impacto na pele | Influência nos procedimentos estéticos |
| Genética | Intrínseco | Determina densidade de colágeno e elastina, padrão de envelhecimento | Afeta resposta a toxina botulínica e bioestimuladores de colágeno |
| Alterações hormonais | Intrínseco | Redução de estrogênio/testosterona, diminuição vascularização e hidratação | Compromete elasticidade e firmeza, influencia resultados de preenchimentos dérmicos |
| Metabolismo celular | Intrínseco | Diminuição da atividade dos fibroblastos, menor regeneração celular | Reduz eficácia de tratamentos de rejuvenescimento e cicatrização de procedimentos |
| Exposição solar | Extrínseco | Fotoenvelhecimento, degradação de fibras colágenas, danos ao DNA | Rugas profundas e manchas prejudicam uniformidade dos resultados de toxina botulínica e bioestimuladores |
| Tabagismo | Extrínseco | Vasoconstrição, oxigenação reduzida, inflamação crônica | Dificulta cicatrização e diminui eficácia de procedimentos minimamente invasivos |
| Má alimentação | Extrínseco | Deficiência de nutrientes essenciais, desregulação de colágeno | Compromete ação de bioestimuladores de colágeno e preenchimentos dérmicos |
| Consumo de álcool | Extrínseco | Desidratação, aumento do estresse oxidativo | Limita resultados de tratamentos de hidratação e rejuvenescimento |
| Estresse | Extrínseco | Aumento de cortisol, inflamação crônica | Pode reduzir a resposta da pele aos procedimentos estéticos |
Fonte: Própria autoria
A interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos destaca a complexidade da biomedicina estética. Compreender essas influências permite aos profissionais desenvolverem planos de tratamento mais eficazes e personalizados. A educação contínua dos pacientes sobre a importância desses fatores também é vital para o sucesso a longo prazo dos procedimentos estéticos (Pontes Ferreira et al., 2023).
3 METODOLOGIA
O presente estudo trata-se de uma pesquisa do tipo revisão de literatura narrativa, que tem como objetivo analisar as publicações científicas para promover uma síntese de conhecimento sobre o tema e a aplicabilidade dos estudos na prática.
Para a realização da presente revisão, foram verificados a existência de artigos nas bases de dados científicas PubMed, SciELO e Google Acadêmico. Para isso, serão utilizados os seguintes termos: “envelhecimento cutâneo”, “fatores intrínsecos”, “bfatores extrínsecos”, “influência de fatores extrínsecos e intrínsecos no bioestimulador de colágeno” e “influência de fatores extrínsecos na durabilidade da toxina botulínica”.
Para a seleção dos estudos analisados, se definiu critérios de inclusão e exclusão. Para inclusão, assim, considera-se artigos publicados entre os anos de 2016 e 2024, a fim de se obter informações mais recentes e relevantes sobre o tema, nos idiomas português e inglês, e estudos que abordem aspectos relacionados aos fatores intrínsecos e extrínsecos no processo de envelhecimento cutâneo, bem como a interferência deles nos principais procedimentos estéticos como bioestimuladores de colágeno, toxina botulínica e preenchimentos dérmicos.
Já para exclusão, foram desconsideradas publicações superiores aos últimos 10 anos, trabalhos não disponíveis em texto completo, resumos simples, teses, dissertações e monografias, além de publicações que não relacionem os procedimentos estéticos com os fatores endógenos e exógenos.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados obtidos a partir da revisão de literatura e análise de estudos clínicos demonstram que o envelhecimento cutâneo precoce é um fenômeno multifatorial, diretamente influenciado por condições intrínsecas e extrínsecas que interagem ao longo do tempo e provocam alterações estruturais e funcionais na pele. Essas mudanças impactam significativamente a estética facial e corporal, exigindo que o profissional da área compreenda profundamente tais mecanismos para escolher intervenções adequadas e personalizadas.
Diante da adoção de hábitos saudáveis, como uma boa alimentação, prática de exercícios físicos, uso do protetor solar e a interrupção de hábitos prejudiciais, como tabagismo, espera-se a melhora da saúde da pele e prolongação dos efeitos dos tratamentos.
Além disso, vale ressaltar a importância da avaliação individual de cada paciente, considerando os fatores como idade, alterações hormonais e condições genéticas, pois esses elementos, muitas vezes negligenciados, podem interferir significativamente na resposta da pele aos tratamentos estéticos, tanto em curto quanto em longo prazo.
O envelhecimento cutâneo é resultado de um processo multifatorial, no qual fatores intrínsecos e extrínsecos interagem continuamente, impactando tanto a saúde quanto a estética da pele. A análise dos estudos revela que, embora o envelhecimento intrínseco seja inevitável e diretamente relacionado à genética e ao tempo cronológico, o extrínseco exerce papel determinante na aceleração do processo.
Conforme Silva e Costa (2020), a redução gradual da renovação celular e da atividade dos fibroblastos no envelhecimento intrínseco gera alterações progressivas, mas mais brandas, enquanto os fatores extrínsecos, como exposição solar e tabagismo, desencadeiam um acúmulo de radicais livres que potencializam a degradação de colágeno e elastina, favorecendo o surgimento de rugas profundas e flacidez precoce. Essa diferenciação entre os dois tipos de envelhecimento confirma a relevância da atuação preventiva, especialmente no controle dos fatores ambientais e comportamentais.
Observa-se que a presença de fatores extrínsecos compromete significativamente a eficácia e a durabilidade dos tratamentos antienvelhecimento. Segundo Ferreira e Nascimento (2019), hábitos como má alimentação e consumo excessivo de álcool reduzem a capacidade regenerativa da pele e dificultam a resposta a protocolos como o microagulhamento e o uso de bioestimuladores de colágeno.
Da mesma forma, Souza et al. (2020) destacam que o tabagismo, ao causar vasoconstrição e reduzir a oxigenação dos tecidos, interfere negativamente na cicatrização e nos resultados de procedimentos invasivos e minimamente invasivos. Esses achados demonstram que, ainda que as técnicas estéticas modernas ofereçam recursos eficazes para a melhora da aparência cutânea, os fatores extrínsecos permanecem como barreiras relevantes que devem ser considerados no planejamento terapêutico individualizado.
Os resultados também reforçam a importância de uma abordagem integrada que envolva não apenas a aplicação de procedimentos estéticos, mas também a conscientização dos pacientes sobre hábitos saudáveis. Estudos recentes apontam que a adesão a medidas preventivas, como fotoproteção diária, prática regular de exercícios físicos e alimentação equilibrada, potencializa os efeitos das intervenções estéticas (Martins e Almeida, 2020; Santos et al., 2022).
Essa constatação corrobora a ideia de que a estética não deve ser dissociada da saúde integral, pois o controle dos fatores extrínsecos exerce papel fundamental na manutenção dos resultados e na prevenção do envelhecimento precoce. Ademais, fatores intrínsecos, como alterações hormonais no climatério, precisam ser avaliados com cautela, uma vez que afetam diretamente a produção de colágeno e a hidratação da pele, podendo exigir ajustes específicos nos protocolos de tratamento (Pereira e Oliveira, 2023).
Em síntese, os estudos analisados convergem para a compreensão de que o envelhecimento cutâneo é um processo inevitável, mas que pode ser retardado e controlado por meio da combinação de estratégias preventivas e tratamentos estéticos adequados. A discussão evidencia que, ao considerar os fatores intrínsecos e extrínsecos, os profissionais de estética podem oferecer intervenções mais eficazes e duradouras, ao mesmo tempo em que promovem a saúde integral dos pacientes.
Portanto, os resultados desta pesquisa não apenas confirmam o impacto significativo dos fatores ambientais e comportamentais no envelhecimento precoce, como também ressaltam a necessidade de um olhar holístico na biomedicina estética, integrando ciência, prevenção e prática clínica para alcançar melhores desfechos funcionais e estéticos.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
O envelhecimento cutâneo é um processo multifatorial e inevitável, marcado por alterações estruturais, funcionais e estéticas que resultam da interação entre fatores intrínsecos, como a genética e o metabolismo celular, e fatores extrínsecos, como a exposição solar, tabagismo, alimentação inadequada e estresse oxidativo. A compreensão desses elementos é essencial para o planejamento e execução de intervenções estéticas eficazes, seguras e personalizadas, considerando a individualidade de cada paciente e o contexto em que está inserido. Segundo Santos e Rodrigues (2020), o conhecimento aprofundado sobre os mecanismos do envelhecimento permite ao profissional identificar com precisão as alterações teciduais predominantes e escolher protocolos que atuem de forma integrada, otimizando resultados e prevenindo complicações.
A biomedicina estética assume papel relevante nesse cenário, pois alia ciência, tecnologia e humanização para promover o cuidado integral da pele. A atuação do biomédico esteta vai além da aplicação de técnicas, envolvendo a educação do paciente sobre hábitos de vida saudáveis, a importância da fotoproteção e a adoção de uma rotina de cuidados contínuos. Como destacam Nogueira e Lima (2021), o sucesso terapêutico não depende apenas da habilidade técnica, mas também do acompanhamento orientado e da responsabilidade profissional em promover mudanças sustentáveis no estilo de vida. Essa visão holística fortalece a estética como campo de promoção de saúde, e não apenas como prática de correção de imperfeições.
Além disso, a análise integrada dos fatores que aceleram o envelhecimento permite compreender que a pele é um reflexo direto da saúde sistêmica. A nutrição equilibrada, a hidratação adequada e o controle do estresse influenciam diretamente a produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico, fundamentais para a sustentação e elasticidade da pele (Ferreira et al., 2019). Dessa forma, o biomédico esteta deve compreender a estética como uma ciência interdisciplinar, em diálogo constante com áreas como a nutrição, endocrinologia e dermatologia, promovendo uma abordagem global e baseada em evidências científicas. Essa integração multiprofissional é o que possibilita resultados estéticos mais duradouros, naturais e compatíveis com a fisiologia de cada paciente.
Os procedimentos estéticos modernos, como a aplicação de toxina botulínica, os bioestimuladores de colágeno e os preenchedores dérmicos, representam avanços significativos na atenuação dos sinais do envelhecimento, mas sua eficácia está diretamente relacionada à condição biológica da pele e à adesão do paciente às medidas preventivas.
Segundo Moraes e Almeida (2023), pacientes com hábitos saudáveis e que mantêm cuidados diários com a pele apresentam melhor resposta e maior longevidade nos resultados dos tratamentos, reforçando o papel do autocuidado como pilar da estética científica. Portanto, a atuação biomédica deve envolver não apenas a técnica de aplicação, mas a construção de um plano terapêutico individualizado, pautado na análise detalhada da pele, estilo de vida e expectativas do paciente.
Outro ponto de destaque é a necessidade de educação estética preventiva, conceito que vem sendo amplamente valorizado nas práticas contemporâneas. A prevenção do envelhecimento cutâneo precoce, por meio de orientações simples como o uso contínuo do filtro solar, hidratação e alimentação antioxidante, tem impacto expressivo na saúde da pele e na autoestima. De acordo com Oliveira e Mendes (2022), a estética preventiva representa uma evolução do pensamento clínico, pois desloca o foco do tratamento das consequências para o manejo das causas, reduzindo os danos acumulados ao longo do tempo. Essa perspectiva amplia a autonomia do paciente e consolida a estética como parte essencial do cuidado em saúde.
A atuação ética e científica do biomédico esteta é, portanto, indispensável para garantir resultados previsíveis e seguros. O domínio dos mecanismos fisiopatológicos do envelhecimento e a constante atualização em relação às novas tecnologias e formulações cosmecêuticas são requisitos fundamentais para o exercício profissional qualificado. Além disso, o profissional deve compreender que cada intervenção é um processo colaborativo entre ciência e sensibilidade estética, onde o respeito à individualidade do paciente é o principal guia da prática. Como afirmam Barbosa e Pereira (2024), o futuro da biomedicina estética está no equilíbrio entre técnica, conhecimento e humanização, valores que garantem resultados efetivos e sustentáveis a longo prazo.
Em suma, os fatores intrínsecos e extrínsecos atuam de forma interdependente no envelhecimento cutâneo, influenciando diretamente a resposta da pele aos procedimentos estéticos. A compreensão dessa dinâmica possibilita ao biomédico esteta oferecer tratamentos personalizados, capazes de retardar os efeitos do tempo e promover não apenas a estética, mas a saúde integral da pele. Dessa forma, a estética moderna consolida-se como uma área científica de impacto crescente na qualidade de vida, na autoestima e no bem-estar dos pacientes, reafirmando a importância do olhar clínico e humanizado diante das demandas contemporâneas por beleza e saúde.
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1Discente do Curso Superior de biomedicina da Cesupi, Faculdade de Ilhéus/Faculdade Madre Thais, Ilhéus-BA. e-mail: samaramatosios@icloud.com
2Docente do Curso Superior de biomedicina da Cesupi, Faculdade de Ilhéus/ Faculdade Madre Thais, Ilhéus-BA. e-mail: absoliveira.ab@gmail.com
