FATORES INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS NOS PROCESSOS DO  ENVELHECIMENTO CUTÂNEO PRECOCE E SUAS  INTERFERÊNCIAS NOS PRINCIPAIS PROCEDIMENTOS  ESTÉTICOS 

INTRINSIC AND EXTRINSIC FACTORS IN THE PROCESSES OF  PREMATURE SKIN AGING AND THEIR INTERFERENCE IN THE  MAIN AESTHETIC PROCEDURES. 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511170524


Samara Matos Silveira1
Alessandra Borges Sanches de Oliveira2


Resumo 

O envelhecimento cutâneo é um processo natural e progressivo, resultante da ação combinada de fatores  intrínsecos, como predisposição genética e alterações hormonais, e extrínsecos, como exposição solar,  poluição, tabagismo e hábitos de vida inadequados. Esses fatores provocam alterações estruturais e  funcionais na pele, como perda de elasticidade, surgimento de rugas, flacidez e hiperpigmentações. No  campo da estética, compreender tais influências é essencial para a indicação adequada de procedimentos,  como preenchedores e bioestimuladores, visando a obtenção de resultados mais eficazes e seguros. A  presente pesquisa, desenvolvida em formato de revisão de literatura, tem como objetivo analisar de que  forma os fatores intrínsecos e extrínsecos interferem no processo de envelhecimento cutâneo e,  consequentemente, nos resultados dos principais procedimentos estéticos. O estudo busca oferecer  subsídios sobre como esses fatores podem acelerar o envelhecimento da pele de maneira não saudável,  destacando a importância de cuidados preventivos que integrem saúde e estética. Além disso, reforça o  papel do profissional da estética na orientação dos pacientes quanto à influência desses fatores nos  tratamentos, promovendo uma abordagem mais consciente, preventiva e eficaz. Dessa forma, a adoção  de hábitos saudáveis contribui diretamente para a redução dos efeitos desses agentes sobre a pele,  minimizando suas interferências nos procedimentos estéticos e favorecendo a eficácia e a durabilidade  dos resultados. 

Palavras-chave: Envelhecimento cutâneo. Fatores extrínsecos. Fatores intrínsecos. Procedimentos  estéticos. Saúde. 

1 INTRODUÇÃO 

A pele, maior órgão do corpo humano, exerce funções essenciais como a proteção contra  perda hídrica e infecção por microrganismos, além de desempenhar um papel estético  importante, pois a aparência jovem pode influenciar positivamente o comportamento social e o  status reprodutivo (Walls et al., 2007).  

Estruturalmente, a pele é composta por duas camadas principais: a epiderme e a derme,  cada uma com características e funções específicas. Os fibroblastos, predominantes na derme,  são responsáveis pela produção de colágeno e elastina, enquanto a epiderme atua como a  camada protetora mais externa (Zhang e Duan, 2018). 

Por ser a interface entre o corpo e o ambiente externo, a pele fornece uma barreira  biológica contra poluentes ambientais químicos e físicos (Granato et al., 2020). A exposição  constante a oxidantes, como radiação ultravioleta (UV) e poluentes, provoca alterações na  estrutura cutânea que aceleram o processo de envelhecimento (Zhang e Duan, 2018).  

O envelhecimento cutâneo resulta da interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos,  onde o extrínseco inclui a exposição solar, tabagismo e consumo de álcool, que promovem  vasoconstrição, diminuição da atividade dos fibroblastos e aumento dos radicais livres,  acelerando a degradação celular (Granato et al., 2020). 

O envelhecimento intrínseco, por sua vez, é um processo fisiológico e cronológico que  se manifesta por pele mais fina, seca, com rugas e atrofia dérmica progressiva. Áreas  fotoprotegidas, como a parte interna do braço, apresentam envelhecimento principalmente  devido a fatores genéticos e metabólicos (Zhang e Duan, 2018). A interação contínua entre os  fatores intrínsecos e extrínsecos ao longo da vida ocasiona a deterioração da barreira cutânea,  resultando em ressecamento, prurido, infecções e complicações vasculares (Batista et al., 2022). 

Diante desse contexto, compreender as bases fisiopatológicas do envelhecimento  cutâneo precoce e suas repercussões nos procedimentos estéticos torna-se essencial. Esta  revisão visa analisar os fatores intrínsecos e extrínsecos envolvidos no envelhecimento precoce  da pele e investigar como esses fatores influenciam a eficácia e os resultados de procedimentos  estéticos, promovendo uma prática clínica embasada em evidências e mais assertiva no cuidado  dermatológico. 

O objetivo geral deste estudo é identificar fatores intrínsecos e extrínsecos que aceleram  o processo do envelhecimento cutâneo e suas interferências nos resultados dos procedimentos  estéticos. 

Para alcançar essa finalidade, busca-se analisar os fatores intrínsecos, como aspectos  genéticos, hormonais e metabólicos que contribuem para o envelhecimento precoce da pele e  suas implicações na saúde; investigar fatores extrínsecos, como a exposição solar, poluição,  alimentação inadequada, tabagismo e estresse, avaliando seu impacto nos processos de  envelhecimento cutâneo acelerado; avaliar, por meio de estudos clínicos e revisão de literatura,  a influência desses fatores na eficácia de tratamentos estéticos, como bioestimuladores de  colágeno e preenchedores; e discutir a importância da conscientização e da adoção de hábitos  saudáveis e preventivos para retardar o envelhecimento e potencializar os resultados estéticos. 

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA  

2.1 Sistema Tegumentar  

O sistema tegumentar é considerado o maior órgão do corpo humano, cobrindo cerca  de 1,8 metros quadrados em um adulto e correspondendo a aproximadamente 16% do peso  corporal total (Martins, 2023). Ele é composto pela pele e seus anexos, que incluem os pelos,  unhas, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. Além de representar uma barreira protetora  contra agentes físicos, químicos e biológicos, esse sistema possui funções essenciais na  regulação térmica, percepção sensorial, síntese de vitamina D, além de estar diretamente ligado  à estética e à autoimagem (Santos et al., 2020). 

A pele é formada por três camadas principais: epiderme, derme e hipoderme. A  epiderme é a camada mais externa da pele e é composta por tecido epitelial estratificado  pavimentoso queratinizado. É avascular e recebe nutrientes por difusão a partir da derme. Nessa  camada, os principais tipos celulares são os queratinócitos, que produzem queratina, uma  proteína que confere resistência e impermeabilidade. Outras células importantes incluem os  melanócitos, responsáveis pela pigmentação da pele, e as células de Langerhans, que atuam no  sistema imunológico (Carvalho e Souza, 2022). 

A derme é a camada intermediária da pele e apresenta tecido conjuntivo denso. Contém  vasos sanguíneos, fibras nervosas, folículos pilosos e glândulas. As principais proteínas  estruturais da derme são o colágeno e a elastina, que conferem sustentação e elasticidade à pele.  É nessa camada que ocorrem as respostas vasculares, inflamatórias e imunes da pele. Além  disso, a derme participa ativamente da cicatrização de feridas e na homeostase térmica do  organismo (Oliveira e Ferreira, 2023). 

A hipoderme, também conhecida como tecido subcutâneo, é a camada mais profunda  da pele. É composta por tecido adiposo e conjuntivo frouxo. Atua como isolante térmico, reserva energética e proteção mecânica contra impactos. A espessura da hipoderme pode variar  de acordo com o sexo, idade, alimentação e área do corpo (Gonçalves et al., 2021). A pele também possui os anexos cutâneos que derivam da epiderme e são formados  pelas unhas, pelos, glândulas sudoríparas e sebáceas. Os pelos têm função de proteção e  sensibilidade, estando ligados a glândulas sebáceas e músculos eretores que ajudam na  termorregulação. As unhas são estruturas queratinizadas que protegem as pontas dos dedos e  auxiliam em tarefas delicadas (Martins, 2023).  

As glândulas sebáceas secretam o sebo, que lubrifica e protege a pele e os pelos. Já as  glândulas sudoríparas, divididas em écrinas, que estão relacionadas ao controle da temperatura,  e, apócrinas que estão presentes em regiões específicas como axilas, que vão auxiliar na  excreção de toxinas e na regulação térmica (Moura e Santana, 2021). 

O sistema tegumentar é fundamental para a saúde do corpo, atuando como proteção  contra agentes externos, regulando a temperatura por meio do suor e do controle dos vasos  sanguíneos, além de permitir a percepção sensorial. Também participa da síntese de vitamina  D, excreção de resíduos e influencia a aparência, afetando a autoestima (Martins, 2023). 

Além da importância fisiológica, o sistema tegumentar está diretamente relacionado à  imagem corporal e ao bem-estar emocional. Diversas condições da pele, como acne, manchas,  rugas e flacidez, podem afetar a autoestima e a qualidade de vida das pessoas. Por isso, os  cuidados com a pele são tanto uma questão de saúde quanto de promoção da autoestima e da  qualidade de vida (Amaral e Souza, 2019). 

2.2 Envelhecimento Cutâneo 

O envelhecimento cutâneo é um fenômeno natural e multifatorial que resulta da  interação entre processos biológicos internos e fatores ambientais externos. Ele representa uma  série de alterações morfológicas, fisiológicas e bioquímicas que comprometem a integridade, a  função e a estética da pele (Santos e Lima, 2021). Para melhor compreensão, o envelhecimento  da pele pode ser classificado em duas categorias principais: envelhecimento intrínseco e  envelhecimento extrínseco, que atuam conjuntamente, porém com mecanismos e manifestações  distintas (Martins, 2023). 

2.2.1 Envelhecimento Intrínseco 

O envelhecimento intrínseco, também chamado de envelhecimento cronológico, é  determinado geneticamente e ocorre de forma inevitável ao longo do tempo,  independentemente da exposição a agentes externos. Esse processo está associado a uma série de modificações moleculares e celulares que afetam a homeostase cutânea (Carvalho et al.,  2019). Envolve alterações graduais e inevitáveis que ocorrem em todos os tecidos, inclusive na  pele, levando à perda de elasticidade, diminuição da espessura dérmica e alteração na função  das glândulas sebáceas e sudoríparas (Silva e Costa, 2020; Morais e Nascimento, 2021). 

Do ponto de vista histológico, o envelhecimento intrínseco da pele está associado à  diminuição da renovação celular na epiderme, redução na atividade dos melanócitos e perda de  fibroblastos funcionais na derme (Freitas e Rodrigues, 2019). Isso compromete a produção de  colágeno e elastina, componentes essenciais para a sustentação e elasticidade da pele. Além  disso, observa-se uma desorganização da matriz extracelular, com aumento de  metaloproteinases e redução de proteoglicanos, o que favorece a flacidez e o surgimento de  linhas finas (Oliveira et al., 2021). 

No processo, as células da pele sofrem uma redução progressiva na capacidade de se  dividir, o que está relacionado à teoria dos telômeros, que encurtam a cada divisão celular até  atingirem um ponto crítico. Esse mecanismo compromete a regeneração tecidual e aumenta a  suscetibilidade à formação de rugas e atrofias cutâneas (Almeida e Lima, 2022). Essa perda de  capacidade replicativa também afeta a resposta inflamatória e imunológica da pele, tornando-a  mais vulnerável a infecções e menos responsiva a estímulos regenerativos (Souza e Gomes,  2019). 

No nível molecular, o envelhecimento intrínseco está associado ao acúmulo gradual  de danos ao DNA, às mitocôndrias e a outras organelas celulares, que levam à disfunção celular  e ao aumento da apoptose (Santos e Lima, 2021).  

A redução hormonal, especialmente dos esteroides sexuais como estrogênio e  testosterona, desempenha papel significativo no envelhecimento intrínseco, particularmente nas  mulheres no período do climatério e menopausa (Pereira e Oliveira, 2023). A deficiência de  estrogênio leva à diminuição da vascularização cutânea, da síntese de colágeno tipo I e da  hidratação dérmica, resultando em perda de turgor e brilho natural da pele (Nascimento et al.,  2020). Essa alteração hormonal é considerada um dos marcos mais visíveis do envelhecimento  cutâneo feminino. 

A fisiologia do envelhecimento intrínseco também afeta as glândulas sebáceas e  sudoríparas. Com o passar dos anos, ocorre uma redução na produção de sebo e suor, o que  compromete a função de barreira da pele e sua capacidade de reter água. Como consequência,  a pele torna-se mais seca, áspera e com tendência à descamação, dificultando a adesão de  cosméticos e interferindo nos protocolos estéticos (Costa e Freitas, 2019; Lima e Batista, 2021).

Clinicamente, o envelhecimento intrínseco se manifesta de maneira mais branda e  homogênea que o extrínseco. São comuns as linhas finas, sulcos suaves e perda de volume em  áreas específicas, especialmente ao redor dos olhos e boca. A coloração tende a permanecer  uniforme, uma vez que não há acúmulo de danos por radiação UV ou poluentes (Santos e  Ribeiro, 2022). Ainda assim, essas alterações afetam a autoestima dos indivíduos e constituem  queixas frequentes em clínicas de estética. 

2.2.2 Envelhecimento Extrínseco 

Diferentemente do envelhecimento intrínseco, o envelhecimento extrínseco é causado  principalmente por fatores ambientais e comportamentais que aceleram o processo natural de  envelhecimento da pele como tabagismo, exposição solar, poluição, má alimentação, uso de  álcool e estresse. Esses elementos contribuem para a geração de espécies reativas de oxigênio  (EROs), promovem a inflamação crônica e alteram a estrutura e a função da matriz extracelular,  impactando diretamente os resultados de intervenções estéticas (Moraes e Rodrigues, 2020;  Gonçalves et al., 2021). 

O tabagismo representa um dos fatores extrínsecos mais danosos à pele. A exposição  crônica à nicotina e outros compostos tóxicos do cigarro reduz a oxigenação dos tecidos e induz  a vasoconstrição, comprometendo a nutrição celular e a síntese de colágeno (Souza et al., 2020).  Essas alterações resultam em rugas profundas, flacidez e pele opaca, além de dificultar a  cicatrização e aumentar os riscos em procedimentos invasivos e minimamente invasivos  (Gonçalves et al., 2021). 

A exposição solar excessiva, especialmente à radiação ultravioleta (UV), é a principal  responsável pelo fotoenvelhecimento. A radiação UVA penetra profundamente na derme,  degradando fibras colágenas por meio da ativação de metaloproteinases, enquanto a UVB causa  danos diretos ao DNA celular, provocando mutações (Santos et al., 2022). A figura abaixo  representa os danos causados por anos de exposição solar sem a proteção necessária. 

Figura 01: Danos causados na pele após 28 anos de exposição solar 

Fonte: CNN Brasil 

Essas alterações resultam em mudanças clínicas típicas do fotoenvelhecimento, como  rugas profundas, perda de elasticidade, manchas hiperpigmentadas, aspereza e irregularidade  na textura da pele. Silva et al. (2022) destacam que o fotoenvelhecimento é responsável por até  80% do envelhecimento visível da pele. 

A poluição ambiental também exerce efeito cumulativo sobre a saúde cutânea.  Compostos como ozônio, dióxido de enxofre e metais pesados induzem estresse oxidativo e  inflamação crônica, além de danificarem a barreira cutânea e estimularem a hiperpigmentação  (Carvalho e Lima, 2019).  

Pesquisas demonstram que moradores de grandes centros urbanos apresentam maior  prevalência de sinais precoces de envelhecimento, como melasmas e perda de tônus facial, o  que interfere na uniformidade de resultados estéticos (Santos e Lima, 2021). 

A má alimentação, especialmente aquela rica em açúcares refinados, gorduras trans e  processados, agrava o envelhecimento cutâneo por meio da glicação de proteínas estruturais,  como o colágeno, tornando-as mais rígidas e quebradiças (Martins e Almeida, 2020). Além  disso, a deficiência de antioxidantes como vitaminas A, C e E reduz a capacidade regenerativa da pele, comprometendo tratamentos estéticos como microagulhamento e bioestimuladores de  colágeno (Ferreira e Nascimento, 2019). 

O uso excessivo de álcool impacta negativamente a pele ao causar desidratação celular  e depleção de antioxidantes naturais, o que contribui para a perda de viço, aumento da flacidez  e desenvolvimento de rosácea e telangiectasias (Oliveira e Mendes, 2020). A longo prazo, o  álcool compromete a vascularização cutânea e dificulta a recuperação pós-procedimentos, além  de potencializar reações inflamatórias e alérgicas a ativos utilizados em estética facial (Martins  e Almeida, 2020). 

O estresse crônico é outro fator extrínseco relevante, atuando por meio da liberação  constante de cortisol e adrenalina. Esses hormônios suprimem a função imunológica e a  renovação celular, aceleram a degradação de colágeno e aumentam a sensibilidade da pele  (Santos et al., 2020). A degradação das fibras de colágeno é particularmente acentuada, e a  pele apresenta alterações histológicas como espessamento da camada córnea, irregularidades  na melanogênese e inflamação crônica (Santos e Lima, 2021). No quadro abaixo é possível  avaliar a relação do fator extrínseco e sua influência nos procedimentos estéticos. 

Quadro 01: Fator Extrínseco 

Tipo de fator extrínseco Influência nos Procedimentos Estéticos
Exposição solarAumenta a necessidade de fotoproteção e limita  procedimentos agressivos.
TabagismoReduz a oxigenação dos tecidos, comprometendo  resultados estéticos.
PoluiçãoFavorece o estresse oxidativo, exigindo técnicas  antioxidantes e reparadoras.
Alimentação inadequadaPrejudica a síntese de colágeno, reduzindo a eficácia dos tratamentos.
EstressePode acelerar o envelhecimento cutâneo e interferir na durabilidade dos resultados.

Fonte: Própria autoria 

Portanto, o controle dos fatores extrínsecos é essencial para prevenir o envelhecimento  precoce da pele e otimizar os resultados dos procedimentos estéticos. A orientação do paciente  sobre fotoproteção, alimentação equilibrada, abandono do tabagismo, moderação no consumo  de álcool e manejo do estresse deve ser parte fundamental da prática clínica (Souza et al., 2020;  Ferreira e Nascimento, 2019). 

2.5 Mecanismos fisiopatológicos do envelhecimento cutâneo 

O envelhecimento cutâneo é um processo multifatorial que envolve alterações  morfológicas, bioquímicas e funcionais na pele. Essas mudanças são resultado de uma  complexa interação entre fatores intrínsecos, ligados à genética e ao tempo biológico, e  extrínsecos, como a exposição à radiação ultravioleta, poluentes ambientais e hábitos de vida  inadequados. Do ponto de vista fisiopatológico, o envelhecimento da pele está associado a uma  desaceleração da renovação celular, alterações na matriz extracelular e aumento do estresse  oxidativo (Silva et al., 2022). 

A epiderme, camada mais externa da pele, passa por modificações significativas com  o avanço da idade. Há uma redução na taxa de proliferação dos queratinócitos, afinamento da  camada basal e diminuição da coesão entre as células, o que compromete a função de barreira  cutânea. Essas alterações favorecem a desidratação, a sensibilidade e a suscetibilidade a agentes  externos. Além disso, observa-se uma diminuição na produção de lipídios epidérmicos e na  expressão de proteínas estruturais como a filagrina e a loricrina, essenciais para a integridade  da barreira cutânea (Moraes e Rodrigues, 2020). 

Na derme, onde se encontram colágeno, elastina e outras proteínas estruturais, os  efeitos do envelhecimento são ainda mais evidentes. A redução da atividade dos fibroblastos  leva à menor síntese de colágeno tipo I e III, além de uma diminuição na produção de ácido  hialurônico e glicosaminoglicanos, substâncias responsáveis pela hidratação e volume da pele.  Concomitantemente, há um aumento na expressão de enzimas degradadoras da matriz  extracelular, como as metaloproteinases (MMPs), que contribuem para a fragmentação das  fibras colágenas e elásticas, resultando em flacidez e rugas profundas (Santos e Lima, 2021). 

O estresse oxidativo é um dos principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos no  envelhecimento cutâneo, ele ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção de EROs e a  capacidade antioxidante da pele. As EROs danificam lipídios, proteínas e DNA celular,  acelerando o processo de senescência das células cutâneas. No envelhecimento intrínseco, essas  alterações ocorrem de forma gradual, enquanto no extrínseco, especialmente no  fotoenvelhecimento, o acúmulo de radicais livres é exacerbado pela radiação ultravioleta  (Carvalho et al., 2019). 

Outro mecanismo relevante é o encurtamento progressivo dos telômeros, estruturas  localizadas nas extremidades dos cromossomos que protegem o material genético durante a  divisão celular. Com o envelhecimento, os telômeros encurtam-se a cada ciclo mitótico,  limitando a capacidade de proliferação celular. Quando os telômeros atingem um comprimento crítico, a célula entra em senescência ou sofre apoptose. Esse processo compromete a renovação  da epiderme e contribui para o afinamento e enfraquecimento da pele (Oliveira e Mendes,  2020). 

A inflamação crônica de baixo grau, conhecida como “inflammaging”, é outro  componente central do envelhecimento cutâneo. Com o tempo, a pele passa a liberar níveis  aumentados de citocinas inflamatórias, como IL-6, TNF-α e IL-1β, mesmo na ausência de  infecção. Essa inflamação constante compromete a integridade tecidual, promove a degradação  da matriz extracelular e prejudica a função dos fibroblastos e queratinócitos. Estudos mostram  que essa resposta inflamatória é intensificada por fatores extrínsecos como radiação solar,  poluição e hábitos inadequados (Gonçalves et al., 2021). 

Por fim, a senescência celular desempenha um papel fundamental no envelhecimento  cutâneo. Células senescentes acumulam-se progressivamente na pele, perdendo sua capacidade  de dividir-se e secretando fatores inflamatórios e proteolíticos que afetam negativamente o  tecido ao redor. Esse fenótipo secretor pró-inflamatório é conhecido como SASP (Senescence 

Associated Secretory Phenotype) e tem sido associado à aceleração do envelhecimento e à  diminuição da eficácia de tratamentos estéticos e regenerativos (Ferreira e Andrade, 2023). 

2.6 Manifestações clínicas do envelhecimento cutâneo 

O envelhecimento cutâneo é um processo complexo e multifatorial que se manifesta  por diversas alterações clínicas visíveis, resultantes da interação entre fatores intrínsecos e  extrínsecos. As manifestações clínicas mais comuns incluem rugas, flacidez, alterações na  textura e coloração da pele, ressecamento, perda de elasticidade e espessura, presença de  telangiectasias, redistribuição da gordura subcutânea e crescimento de lesões benignas (Costa  et al, 2020).  

De acordo com Silva et al. (2021), tais manifestações impactam significativamente a  autoestima, a percepção da imagem corporal e a funcionalidade da pele, sendo um dos  principais focos de atenção na área da estética e dermatologia. 

As rugas são consideradas os sinais mais evidentes do envelhecimento cutâneo e se  apresentam como dobras ou sulcos resultantes da perda de fibras colágenas e elásticas, além da  diminuição do volume dérmico. Elas podem ser classificadas como dinâmicas, quando  aparecem com a movimentação facial, e estáticas, quando permanecem mesmo em repouso  Silva et al. (2021).  

O comprometimento da integridade das fibras de colágeno tipo I e III, juntamente à  menor produção de ácido hialurônico, promove um colapso da matriz extracelular, favorecendo o aprofundamento das rugas com o passar dos anos. Segundo estudo de Moraes e Costa (2019),  a perda da coesão entre as células da epiderme e a redução da atividade dos fibroblastos são  mecanismos centrais nesse processo, tornando a pele mais frágil e propensa a fissuras. 

A flacidez cutânea é outra manifestação típica do envelhecimento, caracterizada pela  perda do tônus e da firmeza da pele, especialmente visível na face, pescoço, abdômen e braços.  Essa condição ocorre devido à diminuição da densidade e da organização das fibras elásticas e  colágenas, associada à disfunção dos fibroblastos, redução da vascularização e atrofia muscular  (Silva et al, 2021).  

Andrade e Oliveira (2020) destacam que a flacidez é exacerbada pela ação das  metaloproteinases (MMPs), enzimas que degradam os componentes da matriz extracelular,  processo esse potencializado pela exposição solar e pela poluição ambiental. Além disso, a  redistribuição da gordura subcutânea e o afinamento da derme contribuem para a perda do  contorno e da definição facial. 

A perda da hidratação da pele também é um sinal importante do envelhecimento. Com  o tempo, há diminuição da atividade das glândulas sebáceas e sudoríparas, o que compromete  a produção do manto hidrolipídico, levando à sensação de pele seca, áspera e opaca (Carvalho  et al, 2019).  

Essa desidratação cutânea também se relaciona à diminuição de componentes do fator  natural de hidratação (NMF), como ceramidas, ureia e ácido lático. A falta de hidratação  favorece microfissuras e aumenta a sensibilidade cutânea, podendo desencadear prurido e  dermatites (Lima et al, 2018). Além disso, a redução do ácido hialurônico na derme  compromete a retenção de água, agravando o quadro de ressecamento. 

As alterações pigmentares são manifestações comuns e incluem tanto a  hiperpigmentação quanto a hipopigmentação, refletindo a disfunção progressiva dos  melanócitos (Moraes e Rodrigues, 2020). O fotoenvelhecimento acelera esse processo, gerando  manchas acastanhadas irregulares, especialmente em áreas expostas ao sol como rosto, dorso  das mãos e colo. Com o tempo, ocorre uma diminuição no número de melanócitos e  irregularidade em sua distribuição, o que contribui para uma coloração não uniforme da pele,  muitas vezes considerada esteticamente indesejável pelos pacientes (Fernandes e Bastos, 2022). 

As telangiectasias, por sua vez, surgem como dilatações permanentes dos vasos  capilares superficiais e são mais comuns nas regiões nasais, bochechas e membros inferiores.  Essa manifestação ocorre devido à perda da elasticidade vascular e ao afinamento da epiderme,  que torna os vasos mais visíveis (Costa et al, 2020). 

Fatores como exposição solar crônica, predisposição genética, envelhecimento natural  e uso prolongado de corticosteroides tópicos estão entre os principais desencadeadores dessas  alterações vasculares, que também podem causar sensação de calor ou queimação local (Souza  e Pereira, 2021). 

A redistribuição da gordura subcutânea é uma característica marcante do  envelhecimento, especialmente facial. Observa-se perda de volume em regiões como as  bochechas e têmporas, e acúmulo em outras áreas como papada e mandíbula, conferindo uma  aparência de cansaço e desânimo. 

Estando diretamente relacionado à diminuição do número e da função dos adipócitos,  bem como à perda de suporte ligamentar e muscular, impactando diretamente o contorno e a  harmonia facial. Esse remodelamento da gordura é também responsável pelo surgimento de  sulcos profundos, como o nasogeniano (Ribeiro e Santana, 2023). 

A redução da espessura da pele é outra manifestação relevante, resultando em maior  fragilidade cutânea, aumento da suscetibilidade a traumas, hematomas e infecções (Costa et al,  2020). Há uma notável diminuição do número de anexos cutâneos, como folículos pilosos e  glândulas, bem como redução da vascularização e do aporte de nutrientes à pele. Com o  envelhecimento, ocorre uma desaceleração da renovação celular e um comprometimento da  barreira epidérmica, tornando a cicatrização mais lenta e o tecido mais propenso a lesões e  processos inflamatórios persistentes (Gonçalves et al, 2021). 

Por fim, o crescimento de lesões benignas, como ceratoses seborreicas e queratoses  actínicas, também é comum com o avanço da idade. Essas lesões são resultado da proliferação  desordenada de queratinócitos e da exposição acumulada à radiação ultravioleta (Santos e Lima,  2019). Embora benignas, essas alterações clínicas podem causar desconforto estético e, em  alguns casos, evoluir para lesões malignas.  

Segundo estudo de Martins et al. (2021), o acompanhamento dermatológico é essencial  para monitorar essas alterações e realizar intervenções precoces quando necessário. 

2.6 Interferências dos fatores extrínsecos e intrínsecos nos principais  procedimentos estéticos  

A biomedicina estética considera diversos fatores que influenciam os resultados dos  procedimentos estéticos. Fatores intrínsecos desempenham um papel crucial na resposta aos  tratamentos, onde a elasticidade da pele e a densidade de colágeno variam com a idade, afetando  a eficácia de procedimentos como a aplicação de toxina botulínica. Além disso, condições  médicas subjacentes podem interferir nos resultados esperados (Gouveia et al., 2023).

No quadro 02, é possível observar como os principais fatores intrínsecos podem influenciar o  resultado do procedimento. 

Quadro 02: Fatores Intrínsecos 

Fator Intrínseco Influência nos Procedimentos Estéticos
GenéticaDetermina predisposição ao envelhecimento precoce e influencia a resposta aos tratamentos.
Alterações hormonaisPodem reduzir a eficácia de procedimentos de  estímulo de colágeno.
Metabolismo celularImpacta diretamente na regeneração tecidual e no  tempo de recuperação.
Espessura da peleDefine a profundidade ideal de técnicas como peeling e laser.

Fonte: Própria autoria 

Fatores extrínsecos, como exposição solar acelera o envelhecimento da pele, reduzindo  a eficácia de tratamentos como bioestimuladores de colágeno. O tabagismo compromete a  vascularização da pele, dificultando a cicatrização e a resposta aos procedimentos. Portanto, é  essencial que os profissionais considerem esses aspectos ao planejar intervenções estéticas  (SBD, 2024). 

A toxina botulínica tipo A é amplamente utilizada na biomedicina estética para  suavizar rugas de expressão. No entanto, sua eficácia pode ser influenciada por fatores  intrínsecos, como a atividade muscular individual e a espessura da pele. Pacientes com  musculatura facial mais ativa podem necessitar de doses ajustadas para alcançar os resultados  desejados. Além disso, a resposta ao tratamento pode variar conforme o metabolismo de cada  indivíduo (Pontes Ferreira et al., 2023). 

Os bioestimuladores de colágeno, como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de  cálcio, promovem a produção de colágeno, melhorando a firmeza da pele. Fatores extrínsecos,  como a exposição a poluentes podem acelerar a degradação do colágeno, reduzindo a eficácia  dos bioestimuladores. Assim, é fundamental considerar o estilo de vida do paciente ao indicar  esses tratamentos (Silva e Almeida, 2021). 

O preenchimento dérmico com ácido hialurônico é uma técnica eficaz para restaurar  volumes faciais perdidos. Entretanto, fatores intrínsecos como a densidade óssea e a estrutura  anatômica individual podem influenciar a distribuição do produto e o resultado. Pacientes com  perda óssea significativa podem apresentar resultados menos duradouros, exigindo sessões de  manutenção mais frequentes. A compreensão dessas variações anatômicas é essencial para o  sucesso do procedimento (SBD, 2024).

O ácido hialurônico (AH) é amplamente utilizado na estética por sua capacidade de  atrair e reter moléculas de água, promovendo hidratação e volume à pele. Sua eficácia está  diretamente relacionada ao nível de ingestão hídrica do paciente, uma vez que a água  potencializa seus efeitos e contribui para a manutenção da elasticidade e firmeza da pele (Pires  e Ribeiro, 2021).  

Estudos demonstram que a hidratação adequada, com ingestão mínima de dois litros  de água por dia, auxilia na preservação da matriz extracelular e prolonga os resultados dos  preenchimentos, além de prevenir sinais precoces de envelhecimento cutâneo (Barrichello et  al., 2021). 

De acordo com Vieira (2020), os bioestimuladores de colágeno, por sua vez,  promovem a produção natural de colágeno e são indicados para tratar a flacidez e melhorar a  firmeza da pele.  

A vitamina C exerce um papel essencial nesse processo, pois atua como cofator nas  reações enzimáticas que estabilizam as fibras colagênicas, além de proteger a pele da ação dos  radicais livres por meio de sua potente ação antioxidante. Seu uso, tanto oral quanto tópico,  pode potencializar os efeitos dos bioestimuladores, favorecendo a regeneração da pele e  otimizando os protocolos de rejuvenescimento facial (Cossetin, De Freitas e Silva, 2020). 

A escolha do profissional para realizar procedimentos estéticos é um fator extrínseco  crucial. A experiência e o conhecimento técnico do biomédico esteta influenciam diretamente  na segurança e nos resultados dos tratamentos. Profissionais capacitados são capazes de  identificar as necessidades individuais dos pacientes e ajustar as técnicas conforme necessário.  Além disso, estão preparados para manejar possíveis intercorrências, garantindo a eficácia e a  segurança dos procedimentos (Schlottfeldt, 2023). 

A avaliação prévia do paciente é fundamental para identificar fatores intrínsecos e  extrínsecos que possam interferir nos procedimentos estéticos. Um histórico médico detalhado,  incluindo informações sobre alergias, uso de medicamentos e hábitos de vida, permite ao  profissional planejar intervenções mais seguras e eficazes. Essa abordagem personalizada  contribui para a satisfação do paciente e a longevidade dos resultados obtidos (Teixeira, 2024). 

A manutenção dos resultados dos procedimentos estéticos depende de cuidados  contínuos com a pele e o estilo de vida. Fatores extrínsecos como a adesão a uma rotina de  cuidados com a pele, alimentação equilibrada e proteção solar adequada são essenciais para  prolongar os efeitos dos tratamentos. O acompanhamento regular com o profissional também  permite ajustes e intervenções oportunas, mantendo a estética facial desejada (Gouveia et al., 2023). No Quadro 03, pode-se observar a influencia dos fatores tanto intrínsecos quanto  extrínsecos nos procedimentos estéticos. 

Quadro 03: Comparação de fatores intrínsecos e extrínsecos e sua influência nos procedimentos estéticos 

Fator Tipo Mecanismo de ação e impacto na  peleInfluência nos procedimentos  estéticos
Genética Intrínseco Determina densidade de colágeno e  elastina, padrão de envelhecimentoAfeta resposta a toxina botulínica e  bioestimuladores de colágeno
Alterações  hormonaisIntrínseco Redução de  estrogênio/testosterona, diminuição  vascularização e hidrataçãoCompromete elasticidade e firmeza,  influencia resultados de  preenchimentos dérmicos
Metabolismo  celularIntrínseco Diminuição da atividade dos  fibroblastos, menor regeneração  celularReduz eficácia de tratamentos de  rejuvenescimento e cicatrização de  procedimentos
Exposição  solarExtrínseco Fotoenvelhecimento, degradação  de fibras colágenas, danos ao DNARugas profundas e manchas  prejudicam uniformidade dos  resultados de toxina botulínica e  bioestimuladores
Tabagismo Extrínseco Vasoconstrição, oxigenação  reduzida, inflamação crônicaDificulta cicatrização e diminui  eficácia de procedimentos  minimamente invasivos
Má  alimentaçãoExtrínseco Deficiência de nutrientes  essenciais, desregulação de  colágenoCompromete ação de  bioestimuladores de colágeno e  preenchimentos dérmicos
Consumo de  álcoolExtrínseco Desidratação, aumento do estresse  oxidativoLimita resultados de tratamentos de  hidratação e rejuvenescimento
Estresse Extrínseco Aumento de cortisol, inflamação  crônicaPode reduzir a resposta da pele aos  procedimentos estéticos

Fonte: Própria autoria 

A interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos destaca a complexidade da  biomedicina estética. Compreender essas influências permite aos profissionais desenvolverem  planos de tratamento mais eficazes e personalizados. A educação contínua dos pacientes sobre  a importância desses fatores também é vital para o sucesso a longo prazo dos procedimentos  estéticos (Pontes Ferreira et al., 2023). 

3 METODOLOGIA  

O presente estudo trata-se de uma pesquisa do tipo revisão de literatura narrativa, que  tem como objetivo analisar as publicações científicas para promover uma síntese de  conhecimento sobre o tema e a aplicabilidade dos estudos na prática.  

Para a realização da presente revisão, foram verificados a existência de artigos nas  bases de dados científicas PubMed, SciELO e Google Acadêmico. Para isso, serão utilizados  os seguintes termos: “envelhecimento cutâneo”, “fatores intrínsecos”, “bfatores extrínsecos”,  “influência de fatores extrínsecos e intrínsecos no bioestimulador de colágeno” e “influência de  fatores extrínsecos na durabilidade da toxina botulínica”. 

Para a seleção dos estudos analisados, se definiu critérios de inclusão e exclusão. Para  inclusão, assim, considera-se artigos publicados entre os anos de 2016 e 2024, a fim de se obter informações mais recentes e relevantes sobre o tema, nos idiomas português e inglês, e estudos  que abordem aspectos relacionados aos fatores intrínsecos e extrínsecos no processo de  envelhecimento cutâneo, bem como a interferência deles nos principais procedimentos estéticos  como bioestimuladores de colágeno, toxina botulínica e preenchimentos dérmicos.  

Já para exclusão, foram desconsideradas publicações superiores aos últimos 10 anos,  trabalhos não disponíveis em texto completo, resumos simples, teses, dissertações e  monografias, além de publicações que não relacionem os procedimentos estéticos com os  fatores endógenos e exógenos.  

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES  

Os resultados obtidos a partir da revisão de literatura e análise de estudos clínicos  demonstram que o envelhecimento cutâneo precoce é um fenômeno multifatorial, diretamente  influenciado por condições intrínsecas e extrínsecas que interagem ao longo do tempo e  provocam alterações estruturais e funcionais na pele. Essas mudanças impactam  significativamente a estética facial e corporal, exigindo que o profissional da área compreenda  profundamente tais mecanismos para escolher intervenções adequadas e personalizadas. 

Diante da adoção de hábitos saudáveis, como uma boa alimentação, prática de  exercícios físicos, uso do protetor solar e a interrupção de hábitos prejudiciais, como tabagismo,  espera-se a melhora da saúde da pele e prolongação dos efeitos dos tratamentos.  

Além disso, vale ressaltar a importância da avaliação individual de cada paciente,  considerando os fatores como idade, alterações hormonais e condições genéticas, pois esses  elementos, muitas vezes negligenciados, podem interferir significativamente na resposta da  pele aos tratamentos estéticos, tanto em curto quanto em longo prazo.  

O envelhecimento cutâneo é resultado de um processo multifatorial, no qual fatores  intrínsecos e extrínsecos interagem continuamente, impactando tanto a saúde quanto a estética  da pele. A análise dos estudos revela que, embora o envelhecimento intrínseco seja inevitável  e diretamente relacionado à genética e ao tempo cronológico, o extrínseco exerce papel  determinante na aceleração do processo.  

Conforme Silva e Costa (2020), a redução gradual da renovação celular e da atividade  dos fibroblastos no envelhecimento intrínseco gera alterações progressivas, mas mais brandas,  enquanto os fatores extrínsecos, como exposição solar e tabagismo, desencadeiam um acúmulo  de radicais livres que potencializam a degradação de colágeno e elastina, favorecendo o  surgimento de rugas profundas e flacidez precoce. Essa diferenciação entre os dois tipos de envelhecimento confirma a relevância da atuação preventiva, especialmente no controle dos  fatores ambientais e comportamentais. 

Observa-se que a presença de fatores extrínsecos compromete significativamente a  eficácia e a durabilidade dos tratamentos antienvelhecimento. Segundo Ferreira e Nascimento  (2019), hábitos como má alimentação e consumo excessivo de álcool reduzem a capacidade  regenerativa da pele e dificultam a resposta a protocolos como o microagulhamento e o uso de  bioestimuladores de colágeno.  

Da mesma forma, Souza et al. (2020) destacam que o tabagismo, ao causar  vasoconstrição e reduzir a oxigenação dos tecidos, interfere negativamente na cicatrização e  nos resultados de procedimentos invasivos e minimamente invasivos. Esses achados  demonstram que, ainda que as técnicas estéticas modernas ofereçam recursos eficazes para a  melhora da aparência cutânea, os fatores extrínsecos permanecem como barreiras relevantes  que devem ser considerados no planejamento terapêutico individualizado. 

Os resultados também reforçam a importância de uma abordagem integrada que  envolva não apenas a aplicação de procedimentos estéticos, mas também a conscientização dos  pacientes sobre hábitos saudáveis. Estudos recentes apontam que a adesão a medidas  preventivas, como fotoproteção diária, prática regular de exercícios físicos e alimentação  equilibrada, potencializa os efeitos das intervenções estéticas (Martins e Almeida, 2020; Santos  et al., 2022).  

Essa constatação corrobora a ideia de que a estética não deve ser dissociada da saúde  integral, pois o controle dos fatores extrínsecos exerce papel fundamental na manutenção dos  resultados e na prevenção do envelhecimento precoce. Ademais, fatores intrínsecos, como  alterações hormonais no climatério, precisam ser avaliados com cautela, uma vez que afetam  diretamente a produção de colágeno e a hidratação da pele, podendo exigir ajustes específicos  nos protocolos de tratamento (Pereira e Oliveira, 2023). 

Em síntese, os estudos analisados convergem para a compreensão de que o  envelhecimento cutâneo é um processo inevitável, mas que pode ser retardado e controlado por  meio da combinação de estratégias preventivas e tratamentos estéticos adequados. A discussão  evidencia que, ao considerar os fatores intrínsecos e extrínsecos, os profissionais de estética  podem oferecer intervenções mais eficazes e duradouras, ao mesmo tempo em que promovem  a saúde integral dos pacientes.  

Portanto, os resultados desta pesquisa não apenas confirmam o impacto significativo  dos fatores ambientais e comportamentais no envelhecimento precoce, como também ressaltam a necessidade de um olhar holístico na biomedicina estética, integrando ciência, prevenção e  prática clínica para alcançar melhores desfechos funcionais e estéticos. 

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O envelhecimento cutâneo é um processo multifatorial e inevitável, marcado por  alterações estruturais, funcionais e estéticas que resultam da interação entre fatores intrínsecos,  como a genética e o metabolismo celular, e fatores extrínsecos, como a exposição solar,  tabagismo, alimentação inadequada e estresse oxidativo. A compreensão desses elementos é  essencial para o planejamento e execução de intervenções estéticas eficazes, seguras e  personalizadas, considerando a individualidade de cada paciente e o contexto em que está  inserido. Segundo Santos e Rodrigues (2020), o conhecimento aprofundado sobre os  mecanismos do envelhecimento permite ao profissional identificar com precisão as alterações  teciduais predominantes e escolher protocolos que atuem de forma integrada, otimizando  resultados e prevenindo complicações. 

A biomedicina estética assume papel relevante nesse cenário, pois alia ciência,  tecnologia e humanização para promover o cuidado integral da pele. A atuação do biomédico  esteta vai além da aplicação de técnicas, envolvendo a educação do paciente sobre hábitos de  vida saudáveis, a importância da fotoproteção e a adoção de uma rotina de cuidados contínuos.  Como destacam Nogueira e Lima (2021), o sucesso terapêutico não depende apenas da  habilidade técnica, mas também do acompanhamento orientado e da responsabilidade  profissional em promover mudanças sustentáveis no estilo de vida. Essa visão holística  fortalece a estética como campo de promoção de saúde, e não apenas como prática de correção  de imperfeições. 

Além disso, a análise integrada dos fatores que aceleram o envelhecimento permite  compreender que a pele é um reflexo direto da saúde sistêmica. A nutrição equilibrada, a  hidratação adequada e o controle do estresse influenciam diretamente a produção de colágeno,  elastina e ácido hialurônico, fundamentais para a sustentação e elasticidade da pele (Ferreira et  al., 2019). Dessa forma, o biomédico esteta deve compreender a estética como uma ciência  interdisciplinar, em diálogo constante com áreas como a nutrição, endocrinologia e  dermatologia, promovendo uma abordagem global e baseada em evidências científicas. Essa  integração multiprofissional é o que possibilita resultados estéticos mais duradouros, naturais e  compatíveis com a fisiologia de cada paciente.

Os procedimentos estéticos modernos, como a aplicação de toxina botulínica, os  bioestimuladores de colágeno e os preenchedores dérmicos, representam avanços significativos  na atenuação dos sinais do envelhecimento, mas sua eficácia está diretamente relacionada à  condição biológica da pele e à adesão do paciente às medidas preventivas.  

Segundo Moraes e Almeida (2023), pacientes com hábitos saudáveis e que mantêm  cuidados diários com a pele apresentam melhor resposta e maior longevidade nos resultados  dos tratamentos, reforçando o papel do autocuidado como pilar da estética científica. Portanto,  a atuação biomédica deve envolver não apenas a técnica de aplicação, mas a construção de um  plano terapêutico individualizado, pautado na análise detalhada da pele, estilo de vida e  expectativas do paciente. 

Outro ponto de destaque é a necessidade de educação estética preventiva, conceito que  vem sendo amplamente valorizado nas práticas contemporâneas. A prevenção do  envelhecimento cutâneo precoce, por meio de orientações simples como o uso contínuo do filtro  solar, hidratação e alimentação antioxidante, tem impacto expressivo na saúde da pele e na  autoestima. De acordo com Oliveira e Mendes (2022), a estética preventiva representa uma  evolução do pensamento clínico, pois desloca o foco do tratamento das consequências para o  manejo das causas, reduzindo os danos acumulados ao longo do tempo. Essa perspectiva amplia  a autonomia do paciente e consolida a estética como parte essencial do cuidado em saúde. 

A atuação ética e científica do biomédico esteta é, portanto, indispensável para garantir  resultados previsíveis e seguros. O domínio dos mecanismos fisiopatológicos do  envelhecimento e a constante atualização em relação às novas tecnologias e formulações  cosmecêuticas são requisitos fundamentais para o exercício profissional qualificado. Além  disso, o profissional deve compreender que cada intervenção é um processo colaborativo entre  ciência e sensibilidade estética, onde o respeito à individualidade do paciente é o principal guia  da prática. Como afirmam Barbosa e Pereira (2024), o futuro da biomedicina estética está no  equilíbrio entre técnica, conhecimento e humanização, valores que garantem resultados efetivos  e sustentáveis a longo prazo. 

Em suma, os fatores intrínsecos e extrínsecos atuam de forma interdependente no  envelhecimento cutâneo, influenciando diretamente a resposta da pele aos procedimentos  estéticos. A compreensão dessa dinâmica possibilita ao biomédico esteta oferecer tratamentos  personalizados, capazes de retardar os efeitos do tempo e promover não apenas a estética, mas  a saúde integral da pele. Dessa forma, a estética moderna consolida-se como uma área científica  de impacto crescente na qualidade de vida, na autoestima e no bem-estar dos pacientes, reafirmando a importância do olhar clínico e humanizado diante das demandas contemporâneas  por beleza e saúde.

REFERÊNCIAS 

AMARAL, K. F. V.; SOUZA, R. B. A. A importância do sistema tegumentar na  harmonização orofacial, para cirurgiões-dentistas. E-Acadêmica, v. 1, n. 6, p. 1–9, 2019.  Disponível em: https://eacademica.org/eacademica/article/view/514. Acesso em: 21 abr. 2025. 

BARBOSA, L. C.; PEREIRA, R. M. A importância da abordagem humanizada na  biomedicina estética. Revista Científica de Estética e Saúde, v. 9, n. 1, p. 77–88, 2024. 

BARRICHELLO, B. et al. Efeitos da administração oral do ácido hialurônico no  envelhecimento cutâneo: uma revisão. Revista Científica de Estética e Cosmetologia, v. 1, n.  1, p. 39–43, 2021. Disponível em: https://rcec.com.br/journal/index.php/rcec/article/view/23. 

CARVALHO, L. F. et al. Aspectos fisiológicos do envelhecimento cutâneo intrínseco.  Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 23, n. 3, p. 45–55, 2019. Disponível em:  https://www.scielo.br/pdf/rbcs/v23n3/abc233.pdf. Acesso em: 21 abr. 2025. 

CARVALHO, T. A.; SOUZA, A. L. Estrutura e funções do sistema tegumentar: uma  abordagem fisiológica e clínica. Revista Científica da Saúde, v. 10, n. 2, p. 55–65, 2022.  Disponível em: https://revistacientificasaude.com.br/article/view/230. Acesso em: 21 abr.  2025. 

CNN BRASIL. Danos causados pela exposição solar. 2025. Disponível em:  https://www.cnnbrasil.com.br/saude/foto-mostra-danos-causados-na-pele-de-caminhoneiro apos-28-anos-de-exposicao-ao-sol/. Acesso em: 14 set. 2025. 

COSSETIN, M. F.; FREITAS, C. M.; SILVA, L. A. Efeitos da vitamina C na síntese de  colágeno: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Dermatologia Estética, v. 15, n. 2, p.  33–40, 2020. 

FERREIRA, M. T.; LIMA, A. P.; ALVES, R. S. Fatores extrínsecos do envelhecimento  cutâneo e suas implicações nos tratamentos estéticos. Revista Brasileira de Ciências da  Saúde, v. 23, n. 2, p. 111–122, 2019. 

GONÇALVES, J. P. et al. Alterações cutâneas associadas ao envelhecimento: revisão  integrativa. Revista Saúde em Foco, v. 13, n. 1, p. 45–53, 2021. Disponível em:  https://revistasaudeemfoco.com.br/article/view/1120. Acesso em: 25 abr. 2025. 

MORAES, F. A.; RODRIGUES, A. P. Fatores extrínsecos no envelhecimento cutâneo: o  impacto do fotoenvelhecimento. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 95, n. 6, p. 710–718,  2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abd/a/LXKsdfsd7. Acesso em: 25 abr. 2025. 

MORAES, P. R.; ALMEIDA, J. F. Efeitos da toxina botulínica e dos bioestimuladores de  colágeno em peles fotoenvelhecidas. Revista Brasileira de Biomedicina Estética, v. 12, n. 3,  p. 156–169, 2023. 

MOURA, L. B.; SANTANA, C. R. Avaliação da pele e seus anexos nos procedimentos  estéticos: contribuições da biomedicina estética. Revista Brasileira de Cosmetologia Estética,  v. 5, n. 3, p. 100–110, 2021. Disponível em:  https://revistacosmetologiaestetica.com.br/article/view/701. Acesso em: 21 abr. 2025.

NOGUEIRA, C. S.; LIMA, G. R. Abordagem interdisciplinar e ética na estética avançada.  Revista Saúde e Beleza, v. 8, n. 4, p. 44–55, 2021. 

OLIVEIRA, M. R.; MENDES, A. C. Impacto hormonal no envelhecimento da pele: um  enfoque no envelhecimento intrínseco. Revista de Dermatologia e Estética, v. 15, n. 2, p. 98– 106, 2020. 

OLIVEIRA, R. S.; FERREIRA, M. D. Anexos cutâneos: estrutura, função e implicações  clínicas. Revista Ciências da Vida, v. 15, n. 1, p. 22–30, 2023. Disponível em:  https://revistacienciasdavida.com.br/article/view/550. Acesso em: 13 abr. 2025. 

OLIVEIRA, T. P.; MENDES, F. C. Estética preventiva: novos paradigmas no cuidado  cutâneo. Cadernos de Biomedicina e Estética, v. 6, n. 1, p. 89–102, 2022. 

PIRES, R. M.; RIBEIRO, S. L. Estudo dos diversos tipos de bioestimuladores de colágeno  para tratamento de flacidez facial. Revista de Terapias Estéticas, v. 10, n. 4, p. 58–65, 2021. 

SANTOS, A. P. et al. Anatomia funcional do sistema tegumentar humano: implicações para a  saúde e estética. Revista Interdisciplinar de Estudos Biomédicos, v. 4, n. 1, p. 33–41, 2020.  Disponível em: https://revistabiomedicos.com.br/article/view/420. Acesso em: 25 abr. 2025. 

SANTOS, J. P.; LIMA, D. S. Processos celulares no envelhecimento cutâneo: aspectos  intrínsecos. Journal of Aging Skin Research, v. 12, n. 1, p. 12–25, 2021. Acesso em: 15 abr.  2025. 

SANTOS, M. E.; RODRIGUES, J. F. Aspectos biológicos e clínicos do envelhecimento  cutâneo: uma revisão integrativa. Revista Científica de Saúde Estética, v. 7, n. 2, p. 130–145,  2020. 

SILVA, N. C. da et al. Efeitos do fotoenvelhecimento na matriz extracelular da pele: um  estudo recente. Revista Brasileira de Ciências Biomédicas, v. 30, n. 2, p. 113–123, 2022.  Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbcb/v30n2/abc302.pdf. Acesso em: 21 abr. 2025. 

VIEIRA, A. C. Vitamina C e sua importância na prevenção do envelhecimento cutâneo.  Revista de Saúde e Beleza, v. 9, n. 2, p. 14–20, 2020.


1Discente do Curso Superior de biomedicina da Cesupi, Faculdade de Ilhéus/Faculdade Madre Thais, Ilhéus-BA. e-mail: samaramatosios@icloud.com 
2Docente do Curso Superior de biomedicina da Cesupi, Faculdade de Ilhéus/ Faculdade Madre Thais, Ilhéus-BA.  e-mail: absoliveira.ab@gmail.com