FACETAS CERÂMICAS EM FLUXO DIGITAL: RELATO DE CASO

CERAMIC FACETS IN DIGITAL FLOW: CASE REPORT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602241004


Álvaro Anez Farezin1
Anderson Silva dos Santos2
Caren Cristine da Silva Batista3
Carina Lélia Muniz4
João Pereira dos Santos Júnior5


RESUMO: A Odontologia moderna desempenha um papel essencial na promoção da autoestima por meio do aprimoramento estético e funcional dos sorrisos. Sob esse viés, as facetas cerâmicas se destacam como uma alternativa eficaz, com vantagens mecânicas e alto padrão estético. Essa técnica conta com a aplicação de uma fina camada de porcelana na superfície dental que associada às inovações tecnológicas digitais CAD/CAM proporciona maior precisão e previsibilidade nos resultados, revolucionando o diagnóstico e o planejamento dos tratamentos por meio de visualizações tridimensionais. Para a revisão de literatura foram realizadas pesquisas nos bancos de dados eletrônicos: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), National Library of Medicine (PUBMED), Google Acadêmico e Scientific Electronic Library (SciELO).  Diante disso, o presente trabalho tem por objetivo descrever um caso clínico de facetas cerâmicas em dentes anteriores com fluxo digital, a fim de compartilhar experiências e resultados clínicos que evidenciam a eficácia e inovação desse procedimento. Logo, os resultados demonstram uma restauração estética de alta qualidade, impactando positivamente a autoestima do paciente. Conclui-se que essa abordagem representa um avanço significativo na prática odontológica, contribuindo para o aprimoramento das técnicas de reabilitação estética.

Palavras-chave: Facetas Dentárias. Materiais Dentários. CAD-CAM.

Abstract: Modern Dentistry plays an essential role in promoting self-esteem through the aesthetic and functional improvement of smiles. From this perspective, ceramic veneers stand out as an effective alternative, with mechanical advantages and a high aesthetic standard. This technique involves the application of a thin layer of porcelain on the tooth surface, which, combined with digital CAD/CAM technological innovations, provides greater precision and predictability in results, revolutionizing diagnosis and treatment planning through three-dimensional visualizations. For the literature review, searches were carried out in electronic databases: Virtual Health Library (VHL), National Library of Medicine (PUBMED), Google Scholar and Scientific Electronic Library (SciELO).  Therefore, the present work aims to describe a clinical case of ceramic veneers on anterior teeth with digital flow, in order to share experiences and clinical results that demonstrate the effectiveness and innovation of this procedure. Therefore, the results demonstrate a high-quality aesthetic restoration, positively impacting the patient’s self-esteem. It is concluded that this approach represents a significant advance in dental practice, contributing to the improvement of aesthetic rehabilitation techniques.

Keyword: Dental Veneers. Dental Materials. CAD-CAM.

INTRODUÇÃO

A Odontologia desempenha um papel importante no aprimoramento do sorriso e na promoção da autoestima, desenvolvendo continuamente novas técnicas e materiais dentários. Nesse sentido as restaurações estéticas podem ser realizadas de modo direto em compósitos e indiretos com materiais cerâmicos, amplamente utilizados por suas qualidades estéticas, biocompatibilidade e excelentes propriedades físicas e mecânicas (Oliveira, et. al., 2023).

A demanda por tratamentos odontológicos com fins estéticos tem crescido significativamente na prática diária dos consultórios. Influenciados por ideais de beleza predominantes na sociedade e na cultura, um número cada vez maior de pessoas a procura por esses procedimentos. O objetivo principal é alcançar um sorriso harmonioso, que além do aspecto visual, também promova a recuperação funcional e contribua para o bem-estar geral (Pereira, et. al., 2016).

A busca pela harmonia do sorriso geralmente decorre de uma conjunção de fatores. Entre as causas mais comuns, destacam-se o desgaste das bordas dos dentes. Outros elementos que comumente motivam essa demanda incluem manchas, escurecimentos, traumas, mudanças na cor dental, além de características anatômicas como espaços excessivos, chamados diastemas (Ferracane, et al., 2013).  

Segundo Alghazzawi, (2024), as facetas dentárias são finas camadas aplicadas na superfície dos dentes a fim de melhorar a estética e funcionalidade. Elas são feitas principalmente com os seguintes materiais, compósito resinoso e porcelana, sendo que as de porcelana podem ser produzidas por CAD/CAM ou manualmente em laboratório, enquanto que as de resina composta em consultório odontológico ou também laboratório.

Dessa forma, para que as facetas cerâmicas consigam garantir resultados estéticos e funcionais, o preparo dentário deve ter um desgaste uniforme e que preserve a estrutura dental, pois o sucesso clínico está intimamente relacionado à qualidade do preparo dentário, às dimensões adequadas do material utilizado, materiais dentários específicos à técnica utilizada e o tipo da porcelana (Oliveira, et. al., 2023).

Além disso, as facetas possuem uma fluorescência natural que replica com precisão a estrutura dos dentes reais, imitando como eles absorvem, refletem e transmitem luz. São excelentes reabilitadores de dentes anteriores comprometidos, por malformações congênitas e adquiridas, onde a junção dentino-esmalte não é alveolar, fraturas coronárias, quando os dentes anteriores requerem grandes modificações morfológicas, como dentes conóides, diastemas, aumentar o comprimento da borda incisal e quando os dentes não reagem ao clareamento, como manchas de tetraciclina de grau III e grau IV (Minase, et. al., 2023).

Importante destacar, que os laminados cerâmicos são uma fina camada de cerâmica, de 0,3 mm a 0,5 mm sobre a superfície vestibular do esmalte dentário, e podem ser classificados em facetas, com espessura variando de 0,5 mm a 2 mm e lentes de contato, com espessura mais fina. A composição desses laminados pode incluir cerâmicas reforçadas por leucita, dissilicato de lítio e porcelana feldspática (Silva, et. al., 2021).

Ademais, a evolução da tecnologia digital computer-aidede design/computerassisted manufacture – CAD/CAM – trouxeram aos profissionais da odontologia uma mudança nos processos de produção, com muitos benefícios. A Reabilitação Virtual Guiada (RVG) é uma técnica de diagnóstico, planejamento e execução, com todas as etapas do tratamento em formato digital, como fotografias, análises estéticas e produção das peças, sendo que todos os princípios de orientação do trabalho são guiados por referências anatômicas, funcionais e estéticas individuas de cada paciente (Teles e De Pádua, 2017).

Notoriamente, os scâneres intraorais estão se tornando cada vez mais comuns na prática odontológica, apresentando maior precisão que os moldes convencionais. Além de tudo, o exame intraoral tridimensional (3D) pode ser usado para registrar imagens clínicas de maneira segura, fácil, confortável, não invasivo, com grande potencial de monitoramento, diagnóstico e acompanhamento de diversas situações clínicas. Além disso, a apresentação de imagens digitalizadas em 3D de fácil compreensão pode encorajar e motivar os pacientes a aceitar um tratamento ou recomendações clínicas (Vág, et. al., 2020).

Essa abordagem digital totalmente 3D oferece um método simples para o clínico, permitindo a sobreposição das digitalizações, resultando em uma medição automática e precisa do desgaste em qualquer área do dente desejado. Desse modo, as facetas impressas em 3D são indicadas para restaurações definitivas e oferecem alta resistência ao desgaste, tenacidade, potencial estético e alta capacidade de ligação à estrutura dentária, proporcionando soluções restauradoras minimamente invasivas para dentes anteriores (Daghrery, 2023).

Quanto à cimentação, esta pode ser convencional ou adesiva. A convencional usa cimentos como fosfato de zinco e ionômero de vidro, dependendo principalmente de colagem mecânica. Já o adesivo utiliza cimentos resinosos que combinam colagem mecânica, micromecânica, química e molecular, sendo o recomendado ao uso de laminados, devido à sua estética, resistência e retenção. Ressalta-se ainda, que a escolha do cimento depende da retenção necessária, condições de isolamento, critérios estéticos e se o substrato é dentina ou esmalte (Ghodsi, et. al., 2023).

Logo, o presente trabalho visa evidenciar uma entre as variadas técnicas disponíveis para a reabilitação estética anterior, através de um caso clínico, cujo procedimento foi de facetas cerâmicas em fluxo digital – devidamente registrado na plataforma Brasil e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), através do parecer: 7.279.820

CASO CLÍNICO

Paciente do gênero feminino, adulta jovem, em bom estado geral de saúde, compareceu à clínica odontológica buscando melhora estética do sorriso. Relatou ser cuidadosa com a aparência e que o sorriso sempre teve papel importante em sua autoestima e vida social.

A partir desse primeiro contato foi realizada a anamnese detalha, iniciando pela história médica, onde a paciente não apresentava doenças sistêmicas relevantes, sem uso contínuo de medicamentos e não possuía histórico de alergias.

Não fumante e sem hábitos parafuncionais.

Já na história odontológica, referiu trauma dentário ocorrido na adolescência, decorrente de uma queda durante atividade esportiva, com impacto direto na região anterior da maxila. Na ocasião, houve envolvimento do elemento 21, com fratura coronária não complicada. 

O atendimento inicial foi realizado de forma conservadora, com restauração em resina composta. Desde então, a paciente relata que o dente apresentou alterações progressivas de coloração ao longo dos anos, tornando-se mais escurecido em relação aos dentes adjacentes (Figura 1). Descreveu também que, após o trauma, nunca realizou tratamento endodôntico no elemento afetado, apenas acompanhamentos esporádicos.

Durante a anamnese, a paciente demonstrou-se colaborativa, consciente de suas condições bucais e bastante motivada para o tratamento. Boa higiene oral, com escovação regular e uso eventual de fio dental. Negou dor espontânea, sensibilidade térmica ou desconforto funcional, referindo apenas incômodo estético, sendo essa sua queixa principal.

Figura 1. Aspecto Inicial

Fonte: De autoria própria.

Ao Exame clínico extraoral se observou: simetria facial preservada, ausência de edema, selamento labial adequado, linha do sorriso média, com exposição dos incisivos superiores durante o sorriso espontâneo.

No Exame intraoral, constatou-se: boa saúde periodontal, com gengiva de coloração rosa-pálida, textura firme e ausência de sangramento à sondagem, arcada superior com alinhamento satisfatório, o elemento 21 apresentava alteração de cor evidente, com tonalidade mais amarelada/acastanhada em comparação aos dentes adjacentes. 

Observou-se, presença de restauração antiga em resina composta no dente 21, com perda de brilho superficial, bordas incisais levemente irregulares, compatíveis com histórico de fratura traumática, dentes adjacentes hígidos, sem lesões cariosas, oclusão funcional preservada, sem contatos prematuros relevantes e diastema.

À percussão vertical e horizontal, o elemento 21 apresentou resposta dentro da normalidade, sem dor relatada. Testes de sensibilidade pulpar indicaram resposta reduzida quando comparado aos dentes vizinhos, reforçando a suspeita de alteração pulpar decorrente do trauma antigo.

O conjunto de achados clínicos, aliado ao histórico de trauma dentário no elemento 21, evidenciou uma condição estética desfavorável que impactava diretamente a satisfação da paciente com seu sorriso, embora sem comprometimento funcional ou doloroso no momento da avaliação. 

Diante da queixa estética e da expectativa da paciente por um sorriso mais harmônico e natural, indicou-se planejamento odontológico com foco na reabilitação estética, respeitando princípios biológicos e funcionais. Para isso, discutiu-se detalhadamente acerca das possibilidades terapêuticas, vantagens, limitações e longevidade dos tratamentos disponíveis.

Optou-se pela reabilitação estética anterior por meio de facetas cerâmicas, planejadas e executadas em fluxo digital, visando a correção da alteração de cor do elemento 21, harmonização da forma, textura e proporção dos dentes anteriores superiores, preservando ao máximo a estrutura dental.

O plano de tratamento foi executado em quatro (4) sessões e incluiu as seguintes etapas: registro fotográfico inicial e escaneamento intraoral digital, planejamento digital do sorriso (Digital Smile Design – DSD), confecção de mock-up para validação estética e funcional, preparo minimamente invasivo dos elementos anteriores envolvidos, confecção das facetas cerâmicas em ambiente CAD/CAM, prova estética e funcional, cimentação adesiva definitiva, acompanhamento clínico pós-operatório.

A primeira sessão clínica contou com registros fotográficos e escaneamento intraoral por meio de scanner digital, a fim de se obter modelos virtuais precisos (Figura 2). 

Figura 2. Escaneamento Intraoral

                                                       Fonte: De autoria própria.

Através desses dados, procedeu-se ao planejamento digital do sorriso, através do sistema ExoCad (Align Technology, San José, Califórnia, EUA), respeitando parâmetros de proporção dental, linha do sorriso, contorno gengival, características faciais da paciente e enceramento digital (Figura 3 – 5).

Diante da aprovação do planejamento digital, foi confeccionado um mock-up, para que na segunda sessão de atendimento a paciente pudesse visualizar o resultado estético proposto, com a finalidade de se avaliar a forma, volume e harmonia do sorriso, contando ainda com pequenos ajustes e a aprovação final. 

Seguidamente, na terceira sessão, os elementos dentários superiores de pré a pré-molares foram preparados de forma minimamente invasiva, restritos predominantemente ao esmalte.  Vale dizer que foi utilizado isolamento absoluto no intuito de resguardar a paciente de possíveis deglutições ou aspirações de instrumentais odontológicos. 

Também foi realizado um novo escaneamento intraoral para confecção das facetas cerâmicas por meio de tecnologia CAD/CAM, utilizando cerâmica em dissilicato de lítio, de alta estética e resistência, compatível com reabilitações anteriores.

Durante a última sessão, antes da cimentação definitiva a paciente foi submetida à prova das facetas com pastas try-in compatíveis com o cimento resinoso selecionado, permitindo a escolha definitiva da tonalidade do cimento, bem como para a verificação de adaptação marginal, cor, translucidez, forma, textura superficial e integração com os dentes adjacentes, oclusão em máxima intercuspidação habitual e movimentos excursivos. 

Procedeu-se o isolamento do campo operatório com dique de borracha e tanto as facetas quanto os remanescentes receberam tratamento adequado para a cimentação. Por se tratar de cerâmica vítrea, o tratamento da superfície interna seguiu o protocolo a seguir:

  • Condicionamento ácido da superfície interna das facetas com ácido fluorídrico, conforme recomendação do fabricante (geralmente entre 5% e 10%, por 20 segundos).
  • Lavagem abundante com água e secagem com jato de ar isento de óleo.
  • Aplicação de agente silano sobre a superfície cerâmica, aguardando o tempo de reação recomendado (aproximadamente 60 segundos).
  • Secagem suave, promovendo a evaporação do solvente, formando uma camada ativa para ligação química entre a sílica da cerâmica e o cimento resinoso.

Esse protocolo promove a criação de microretenções mecânicas e a formação de ligações químicas, fundamentais para a longevidade da cimentação adesiva. O passo a passo da preparação dos dentes ocorreu da seguinte forma:

  • Profilaxia com pedra-pomes e água, seguida de lavagem e secagem.
  • Condicionamento ácido do esmalte com ácido fosfórico a 37% por aproximadamente 30 segundos.
  • Lavagem abundante e secagem, mantendo o esmalte com aspecto fosco.
  • Aplicação do adesivo Âmbar (FGM, Dentscare LTDA, Joinville, SC, Brasil) com fricção ativa sobre a superfície dental, conforme instruções do fabricante.
  • Fotopolimerização do adesivo pelo tempo recomendado.

A cimentação foi realizada com cimento resinoso fotopolimerizável Allcem Veneer (FGM, Dentscare LTDA, Joinville, SC, Brasil), escolhido por sua estabilidade cromática, adequada fluidez e excelente transmissão de luz. 

Dessa forma, o cimento foi aplicado na superfície interna das facetas, que foram posicionadas cuidadosamente sobre os dentes preparados, exercendo-se pressão uniforme para correto assentamento. 

Os excessos iniciais do material foram removidos com pincel e fio dental. Realizou-se uma fotopolimerização inicial para estabilização das facetas, seguida da remoção final dos excessos e fotopolimerização completa em todas as faces (vestibular, incisal e palatina), respeitando os tempos indicados pelo fabricante.

Depois de finalizar a cimentação, foram realizados ajustes oclusais em máxima intercuspidação habitual e nos movimentos excursivos. O acabamento e polimento das margens foram executados com sistemas específicos para cerâmica, assegurando lisura superficial e adequada adaptação marginal.

Ao final do procedimento (Figura 6), a paciente recebeu orientações quanto aos cuidados pós-operatórios e manutenção da higiene oral. Consultas de acompanhamento foram agendadas para avaliação da estabilidade estética, funcional e periodontal da reabilitação.

Figura 6. Aspecto Final

Fonte: De autoria própria.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O respectivo trabalho abordou a intervenção clínica em restauração estética, cuja técnica de escolha foi a de faceta cerâmica em fluxo digital, que tem por atrativo a rapidez e precisão. 

Tal procedimento resultou em significativa melhora estética, com restabelecimento da harmonia do sorriso, correção da coloração do elemento 21 e naturalidade entre as facetas cerâmicas e os dentes adjacentes.

Todavia, autores como Mohammed, et. al., (2022), apontam alguns fatores negativos relacionados à técnica indireta que culminam ao desapontamento clínico, sendo eles: sensibilidade dentária, dificuldades na reparação de fraturas, possíveis problemas periodontais devido ao contorno excessivo, recessão, hiperplasia e vermelhidão, custo elevado, necessidade de acentuado desgaste do elemento dental e possibilidade de insucesso no processo de cimentação, o que implica em infiltrações, resultando em uma restauração insatisfatória.

Por isso, em muitos casos a restauração estética direta, cuja técnica consiste na utilização de compósitos resinosos tem sido a preferência entre os profissionais da odontologia e demonstram maiores vantagens em relação às indiretas, como: abordagem técnica minimamente invasiva, com menor remoção de tecido dental e por serem realizadas em uma única sessão com um custo relativamente mais baixo (Gresnigt, et. al., 2021).  

Segundo Gresnigt, et. al., (2021), embora as facetas diretas em resina composta proporcionem uma estética acessível, aceitável e eficaz, elas sofrem limitações como baixa durabilidade, descoloração, desgastes, fraturas nas margens e perda de formato anatômico. 

Notoriamente, para garantir uma estética duradoura em dentes anteriores é recomendada a técnica indireta, utilizando cerâmicas de alta resistência, devido à sua translucidez, estabilidade de cor, espessuras finas e adesão confiável à estrutura dentária (Assaf, et. al., 2023).

Importante dizer que as cerâmicas mais utilizadas nas restaurações estéticas indiretas são a feldspática e o dissilicato de lítio. A cerâmica feldspática é composta por sílica, quartzo e óxido de alumínio, também oferece boa translucidez, todavia é frágil. Já o dissilicato de lítio, está na categoria das vitrocerâmicas reforçadas, com alta resistência mecânica, versatilidade e excelentes propriedades ópticas. Assim, as facetas vitrocerâmicas, por serem mais cristalinas e resistentes, são mais duráveis em comparação com as feldspáticas (Schutz e Barbosa, 2022; Alghazzawi, 2024).

Ademais, a zircônia é indicada para pacientes com substratos escuros e atividades parafuncionais. Com isso, facetas de zircônia mais finas, apresentando espessura de 0,5 mm, tendem a exibir uma tonalidade de valor mais alto – B1, quando colocadas sobre fundos A1, A2, A3, A3.5 e A4. Enquanto que as facetas com espessura de 0,75 mm e 1,00 mm tendem a exibir uma tonalidade de valor mais baixo – B2 (Mekled, et. al., 2023).

Outro aspecto a ser mencionado são os avanços tecnológicos, a partir do fluxo digital se aumenta a eficiência das etapas terapêuticas, bem como, se proporciona a riqueza de detalhes dos procedimentos. Nesse sentido, moldagens convencionais estão sendo substituídas por scanners intraorais e tecnologia CAD/CAM, contribuindo para o planejamento digital, colaboração para a previsibilidade das restaurações, redução de tempo clínico, diminuição dos custos laboratoriais e no consumo de material, além de aumentar a produtividade (Schutz e Barbosa, 2022).  

Segundo Maiti, et. al., (2024), Os scâneres intraorais estão se tornando cada vez mais comuns na prática odontológica, apresentando maior precisão que os moldes convencionais para algumas aplicações clínicas. A análise do escaneamento intraoral e tridimensional (3D) permite que as condições orais dos pacientes sejam facilmente registradas, tornando-a uma poderosa alternativa para o monitoramento do paciente e subseqüentemente visualizadas de várias formas.   

Diante disso, as facetas de cerâmica fabricadas em fluxo digital, oferecem uma taxa de sobrevivência em longo prazo superior devido ao menor desgaste dental e estabilidade de cor, podendo durar até dez anos. Já a técnica de faceta laminada em cerâmica parcial, quase não remove tecido sadio e usa uma abordagem aditiva para reparar dentes fraturados, é uma alternativa menos invasiva, embora ainda haja falta de dados sobre sua resistência à fratura em comparação com facetas laminadas convencionais e restaurações em resinas compostas diretas (Gresnigt, et. al., 2021).

Segundo Damião, et. al., (2024), é importante avaliar cada caso individualmente, pois nem todos os pacientes possuem indicação para esse procedimento. As falhas em laminados cerâmicos podem ser corrigidas, mas frequentemente exigem a remoção e maior desgaste do tecido dental. Portanto, um preparo dentário bem planejado e minimamente invasivo é fundamental para garantir boa adaptação e adequada distribuição das forças mastigatórias. Bem como uma boa anamnese, indicação e habilidade do profissional.

Além de tudo isso, o sistema adesivo é uma etapa importante e deve ser aplicado corretamente sobre as superfícies dentárias e protéticas para garantir união durável entre as partes, nesse contexto, para o sucesso da cimentação adesiva é recomendado usar os cimentos fotopolimerizáveis, já que os quimicamente ativados ao longo do tempo modificam sua coloração, devido à presença da amina terciária (Schutz e Barbosa, 2022).

Logo, o processo de cimentação é a etapa mais sensível durante o protocolo clínico de facetas indiretas, pois é o responsável pela longevidade das facetas laminadas em cerâmicas, atuando a partir da combinação entre um preparo adequado e a correta escolha do material de cimentação, durabilidade e consequentemente o sucesso do tratamento estético (Komine, et. al., 2024).

Por fim, o resultado desse caso clínico, foi bem sucedido, por ter alcançado as expectativas da paciente, a qual apresentou um alto grau de satisfação, destacando sua elevada autoestima devido o aspecto de seu novo sorriso. Do ponto de vista clínico, se verificou a boa adaptação marginal das facetas, saúde periodontal preservada, estabilidade oclusal e ausência de sensibilidade pósoperatória.

Além de tudo, pode-se dizer que o fluxo digital demonstrou-se uma ferramenta eficaz para aumentar a previsibilidade do tratamento, facilitar a comunicação com a paciente e proporcionar resultados estéticos ainda mais consistentes e previsíveis.

Além de tudo isso, o protocolo adesivo descrito é fundamental para o sucesso clínico das facetas cerâmicas em dissilicato de lítio, uma vez que a associação entre condicionamento ácido com ácido fluorídrico, silanização e cimentação adesiva proporciona resistência de união, excelente estética e previsibilidade a longo prazo.

CONCLUSÃO

Conclui-se que o procedimento de reabilitação em facetas cerâmicas utilizando o fluxo digital, conforme demonstrado no presente relato de caso representa uma abordagem de grande sucesso, previsível e eficaz no que tange a estética anterior. A integração de tecnologias digitais — como escaneamento intraoral, planejamento virtual (DSD) e fabricação CAD/CAM — permitem um diagnóstico com precisão, preparo minimamente invasivo e a confecção de peças com excelente adaptação, estética e funcionalidade. A alta satisfação da paciente e os resultados clínicos satisfatórios reforçam o potencial dessa técnica para harmonizar sorrisos, preservar estrutura dental saudável e promover impacto positivo na autoestima. Portanto, o fluxo digital configura-se como um avanço significativo na odontologia estética, oferecendo maior controle, eficiência e resultados duradouros quando associado a protocolos adesivos adequados e a um planejamento criterioso.

REFERÊNCIAS

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1 Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário São Lucas Campus 1 e-mail: alvaro_no_brasil@hotmail.com
2 Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário São Lucas Campus 1 e-mail: ponat1995@gmail.com
3 Cirurgiã-Dentista egressa do Centro Universitário São Lucas Campus 1 e-mail: caren.batista@saolucas.edu.br
4 Docente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário São Lucas Campus 1 e-mail: leliamuniz@hotmail.com
5 Docente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário São Lucas Campus 1 e-mail: joao.santos@saolucas.edu.br