SOCIAL UNIVERSITY EXTENSION IN HEALTH PROMOTION IN A SOCIAL WORK COURSE
EXTENSIÓN UNIVERSITARIA PARA FOMENTAR LA DOCENCIA Y LA SALUD EN UN CURSO DE TRABAJO SOCIAL
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202508162146
Ediney Linhares da Silva1
Priscyla Cruz Oliveira2
Karla Carolline Barbosa Dote3
Emanuelly Mota Silva Rodrigues4
Maria Aparecida do Nascimento da Silva5
Mara Joyce de Queiroz6
RESUMO
O estudo objetiva apresentar a extensão universitária como estratégia de ensino e promoção da saúde em curso de Serviço Social. A metodologia engloba as pesquisas qualitativa e descritiva e o relato de experiência dos autores. Fez-se uso do diário de campo e observações simples e participante feitas entre março e julho de 2023 em um Centro Universitário da capital cearense. Enfatiza-se como resultado a participação de 218 alunos, que conduziram ações transversais ao Serviço Social em instituições públicas e privadas. Em síntese, considera-se que a extensão universitária estabelece a relação teórico-prática, fortalecendo o ensino-aprendizagem desde o ingresso discente em curso superior.
Palavras-chave: Ensino Superior. Serviço Social. Extensão Universitária.
ABSTRACT
This study aims to present university extension as a teaching and health promotion strategy in a Social Work course. The methodology includes qualitative and descriptive research and an account of the authors’ experience. A field diary and simple participant observations were used between March and July 2023 at a university center in the capital of Ceará. The result was the participation of 218 students, who carried out actions that cut across Social Work in public and private institutions. In summary, we believe that university extension establishes the theoretical-practical relationship, strengthening teaching-learning from the moment students enter higher education.
Keywords: Higher Education. Social Work. University Extension.
RESUMEN
El estudio pretende presentar la extensión universitaria como estrategia docente y de promoción de la salud en un curso de Trabajo Social. La metodología incluye investigación cualitativa y descriptiva y relato de la experiencia de las autoras. Se utilizó un diario de campo y observaciones simples participantes entre marzo y julio de 2023 en un centro universitario de la capital de Ceará. El resultado fue la participación de 218 estudiantes, que realizaron acciones transversales de Trabajo Social en instituciones públicas y privadas. En resumen, creemos que la extensión universitaria establece una relación teórico-práctica, fortaleciendo la enseñanza y el aprendizaje desde el momento en que los estudiantes ingresan a la universidad.
Palabras clave: Educación superior. Trabajo social. Extensión universitaria
1 INTRODUÇÃO
A extensão universitária é um dos pilares do ensino superior e, unida ao ensino e à pesquisa, age na formação direta do acadêmico, projetando o seu futuro na carreira profissional. Fernandes et al. (2012) relatam que a universidade é cenário de saberes e práticas plurais, necessárias para a formação discente e projeção do seu fazer profissional, capaz ultrapassar limites de conhecimento mediante o conjunto de vivências e experiências oportunizado.
Uma vez considerando a mediação entre os diversos tipos de saberes, tem-se na extensão universitária um elo entre academia e comunidade, favorecendo uma educação libertadora como salienta Freire (1992), o que “exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo”.
Dito isso, volta-se a visão científica ao curso superior de graduação em Serviço Social, cenário formador de profissionais com possibilidade de atuação em diversos espaços sócio-ocupacionais como a previdência, assistência social, habitação, gestão pública, educação, saúde, meio ambiente, setor empresarial, espaços públicos e/ou privados, dentre outros.
Diante dessa gama de oportunidades de exercício profissional, faz-se necessário inserir os alunos desde cedo nos debates acerca da evolução sócio-histórica da profissão, infundindo-lhes o caráter interventivo que se debruça sobre o estudo das questões sociais, que agem sobre as relações sociais estabelecidas a partir das desigualdades geradas pelo sistema socioeconômico (Iamamoto, 2021).
Através do exposto, surge como hipótese que a extensão universitária é capaz de articular o ensino e a promoção da saúde em curso superior de graduação em Serviço Social pela proximidade que é criada entre estudantes e população. Entretanto, ainda que, de modo empírico, percebe-se um problema: como o binômio ensino-aprendizagem é impactado pelas ações extensionistas.
Pois bem, o recorte aqui apresentado poderá ser rechaçado em suas exposições, mas em consequência, deixará oportunidades para que pesquisadores ajam de modo crítico, reflexivo e propositivo para apontar destinos à apreensão desse fenômeno na área de Serviço Social, haja vista ter-se como objetivo prioritário desse estudo apresentar a extensão universitária como estratégia de ensino e promoção da saúde na educação superior.
2 METODOLOGIA
Esse manuscrito fez uso das pesquisas qualitativa e descritiva (Gil, 2017), tendo o diário de campo como principal instrumento de registro das ações de extensão universitária realizadas no curso de graduação em Serviço Social, modalidade Ensino à Distância (EaD), do Centro Universitário Ateneu (Uniateneu), localizado em Fortaleza/CE.
Em adendo, analisou-se o relato de experiência, sendo cumpridos todos os princípios éticos inerentes à pesquisa, muito embora sejam dispensados a esse tipo de estudo a análise e parecer de Comitê de Ética em Pesquisa. Foram utilizadas também, as observações simples e participante acerca das atividades desenvolvidas entre março e julho de 2023.
Por fim, o número aproximado de participantes da extensão universitária foi de 218 discentes, que se reuniram, livremente, em equipes de até dez indivíduos e aplicaram seu planejamento em dois turnos distintos em instituições escolhidas pelo grupo, tendo como critério fundante a autorização de acesso aos locais por meio de carta de parceria assinada entre o centro universitário e a organização cedente do espaço para execução da extensão acadêmica.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Considerando a curricularização da extensão no ensino superior, estabelecida pelas diretrizes da resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018 (Brasil, 2018), apreende-se que a tríade que integra em conjunto com o ensino e pesquisa, favorece o fortalecimento da relação ensino-aprendizagem por meio de integração com diversos setores da sociedade para além das instituições educacionais.
Sob o aspecto destacado nesse recorte científico Freire (2011) analisa impactos na educação a partir de uma educação libertadora, tida como meio pelo qual se pode promover transformação social – algo que se identifica na proposta da extensão acadêmica via orientação docente para que se atinja êxito na relação teoria-prática e se estimule a autonomia discente durante esse processo de trabalho.
Frente ao exposto, a experiência da extensão universitária vivenciada pelos alunos do Uniateneu foi seccionada por etapas preparatórias para seu ingresso nas diversas instituições da comunidade, fato que Santana et al. (2021) identificam como imprescindível no percurso do estudante em busca do desenvolvimento de habilidades, articulação do conhecimento e gestão da tomada de decisão diante do movimento interdisciplinar que o processo educativo enseja.
A primeira etapa consistiu na participação dos extensionistas em curso preparatório cujo teor referiu-se a diálogos sobre a importância do ensino e promoção da saúde na comunidade (Figura 1).
Amiúde, o curso foi dividido em quatro unidades, sendo:
• Unidade I: Desigualdades, contradições sociais, questão social e relações sociais.
• Unidade II: Comunidade, vulnerabilidade, risco social e ações de combate a essas expressões;
• Unidade III: Estratégias de ensino e promoção da saúde, métodos e técnicas de intervenção social, efetivação de direitos;
• Unidade IV: Características da extensão universitária, relação entre instituição de ensino superior e comunidade, transformação social.
Figura 1 – Evidência do curso ofertado aos alunos extensionistas

O Teste de Conhecimentos compôs a segunda etapa da extensão estudada nesse recorte e voltou-se ao preenchimento de um questionário eletrônico composto por dez questões de múltipla escolha para fixação do conteúdo abordado no curso preparatório.
Na terceira etapa ocorreram aulas de orientação para a prestação dos serviços extensionistas, contemplando cinco encontros com duração média de 80min. Durante esse período os alunos puderam interagir entre si e com o docente a fim de tirar dúvidas e apresentar soluções para a escolha metodológica a ser desenvolvida quando da execução da prática acadêmica nos espaços sócio-ocupacionais escolhidos.
Por fim, a quarta e última etapa incitou os alunos a realizarem o planejamento da prática extensionista. Dessa forma o aluno ou grupo de alunos (a composição foi dada como opcional aos extensionistas) estabeleceu parâmetros da atividade de extensão considerando o público-alvo da instituição parceira, cronograma, duração, métodos e técnicas a serem empregadas.
Com a definição das etapas percebe-se que a comunicação estabelecida entre docente, discente e comunidade contribui com a dinâmica que conduz os alunos ao saber fazer, efetivando a conexão entre o aspecto teórico e o campo prático da experiência (Santana, et al., 2021).
Passado o momento antecedente à prática da extensão universitária os alunos foram aos lócus escolhidos para implementar seu planejamento, em consonância com as orientações do professor-coordenador do projeto extensionista.
Ao longo da execução das atividades práticas da extensão universitária alguns alunos e grupos de alunos optaram pelo planejamento de rodas de conversa com temas de relevância social como: educação alimentar, combate ao bullying, saúde bucal na infância, práticas corporais na Educação de Jovens e Adultos: uma perspectiva de saúde na escola, contação de história na educação infantil, valorização e qualidade de vida na terceira idade, além de outras temáticas pertinentes à articulação entre ensino e promoção da saúde nos espaços comunitários.
Em acréscimo, Melo et al. (2016) concordam que essas ações favorecem uma articulação entre ações no âmbito coletivo e os participantes a ela envolvidos assumindo-se como estratégias interventivas nas relações que o grupo possui, o que contribui significativamente com a interpessoalidade deste.
Mas para além disso, também houve atividades de confecção de material de apoio para as ações discentes (Figura 2). Nesse sentido, a prática é a maior aliada no aperfeiçoamento da aprendizagem acadêmica significativa, pois corrobora com a autoconfiança, direciona o conhecimento profissional e melhora o currículo, aumentando assim, as chances para integração desse estudante no mercado competitivo (Arantes; Deslandes, 2017).
Figura 2 – Evidência de material elaborado por alunos extensionistas

Em consequência do percurso educativo, os discentes também foram convidados a realizar produção de escritos acadêmicos, na modalidade de resumo simples, que foram submetidos no evento acadêmico Mostra de Extensão Universitária, agraciando a apresentação dos 30 melhores trabalhos inseridos nas propostas dos projetos de extensão em vigência no Uniateneu.
Ao longo dos meses de acompanhamento e orientação foram percebidos sentimentos opostos expostos em diálogos entre discentes e docente, tais como: a satisfação por colaborar com a comunidade por meio de saber adquirido em sala de aula, receio diante do novo, determinação para execução de tarefas e apreensão com resultados, felicidade com os objetivos alcançados e tristeza pela não participação por motivos pessoais diversos.
Apesar da dualidade verificada no decorrer das observações, foi possível estabelecer fatores crítico-reflexivos e propositivos instigando alunos e grupos de alunos a contribuírem com os conhecimentos oportunizados pela extensão universitária por meio do acesso a escolas, igrejas e equipamentos socioassistenciais.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com o relato, percebe-se que a hipótese levantada foi confirmada. Com os estudos sobre a problemática suscitada foram desdobradas apreensões sobre a articulação entre ensino aprendizagem em conjunto com prática acadêmica na comunidade, apropriação dos participantes das intervenções sobre fatores atinentes à educação, reflexão sobre a importância do ensino e da promoção da saúde para a qualidade de vida, além da compreensão do significado do ensino e da promoção da saúde para o processo de transformação social.
Com isso, nota-se que a graduação em Serviço Social é espaço propício para esse tipo de atividade, capaz de engajar discentes na identificação de demandas sociais. Pontua-se, aliás, que foi assumido durante o processo extensionista um caráter transversal, norteador da inserção dos alunos na rotina comunitária, momento em que se notou a extensão como ação basilar do ensino superior voltados aos futuros assistentes sociais.
REFERÊNCIAS
ARANTES, Á. R.; DESLANDES, M. S. A extensão universitária como meio de transformação social e profissional. Sinapse Múltipla, 6(2), 179-183, 2017. Disponível em: <https://periodicos.pucminas.br/index.php/sinapsemultipla/article/view/16489>. Acesso em: 02.dez. 2023.
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 07, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira e regimenta o disposto na Meta 12.7 da Lei nº 13.005/2014. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=104251-rces007-18&category_slug=dezembro-2018-pdf&Itemid=30192>. Acesso em: 02.dez. 2023.
FERNANDES, M. C. Universidade e a extensão universitária: a visão dos moradores das comunidades circunvizinhas. Educação em Revista. Belo Horizonte, 2012. Disponível em:<https://www.scielo.br/j/edur/a/SfxX7fpVccbMrSSDHqCSNhy/?lang=pt&format=pdf#:~:text=A%20proposta%20de%20extens%C3%A3o%20universit%C3%A1ria,estes%20compartilhassem%20o%20saber%20cient%C3%ADfico.>. Acesso em 08.ago.2023.
FREIRE, P. Extensão ou comunicação? 10. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: ed. Atlas, 2017.
IAMAMOTO, M. V. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 27. ed. São Paulo: Cortez, 2021.
MELO, R. H. V. de et al. Roda de Conversa: uma Articulação Solidária entre Ensino, Serviço e Comunidade. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 40, n. 2, 2016.
SANTANA, R. R. et al. Extensão Universitária como Prática Educativa na Promoção da Saúde. Educação & Realidade, v. 46, n. 2, p. e98702, 2021. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/2175-623698702>. Acesso em: 02.dez.2023.
1Mestre em Ensino na Saúde pela Universidade Estadual do Ceará-UECE. E-mail: edineylinhares@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1258896010904214. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7976-3016.
2Mestre em Ensino na Saúde pela Universidade Estadual do Ceará-UECE. E-mail: priscylakd@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4093421449166467. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1806-7225.
3Doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade de Fortaleza-UNIFOR. E-mail: karlacllf@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4610243225263167. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3249-8670.
4Mestre em Ensino na Saúde pela Universidade Estadual do Ceará-UECE. E-mail: manumotapali@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1644393872270905. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6400-7063.
5Doutoranda em Psicologia pela Universidade de Fortaleza-UNIFOR. E-mail: aparecidan.silva01@gmail.com. Lattes: https://lattes.cnpq.br/0144130902824909. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2711-7826.
6Especialista em Terapia Intensiva pela Universidade Estadual do Ceará-UECE. E-mail: marajoyce21@hotmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8145926718994135. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-6541-8762.
