REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602202316
Fernando André de Oliveira Duarte1
Resumo
O presente estudo analisou a adequação (remodelação e colocação em operação) de uma Estação de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEI) em uma empresa do setor de saneantes (detergentes e desinfetantes), localizada em Manaus/AM, diante da geração de efluentes com elevada carga orgânica, presença de tensoativos e variações significativas de pH. O problema de pesquisa consistiu em verificar de que forma intervenções estruturais e operacionais, associadas a processos físicoquímicos, podem reduzir a carga poluidora e assegurar conformidade com a legislação ambiental vigente. Partiu-se da hipótese de que o reordenamento das etapas de tratamento, com controle de dosagem e monitoramento sistemático, elevaria a eficiência do sistema e a estabilidade operacional. O objetivo foi analisar tecnicamente a adequação da ETEI e seus efeitos na eficiência do tratamento e no atendimento aos padrões legais. Adotou-se estudo de caso, com visitas técnicas, análise documental e avaliação de parâmetros físico-químicos (pH, turbidez, DQO e DBO), comparando-se o cenário anterior e posterior às intervenções, incluindo coagulação, floculação, sedimentação e polimento por carvão ativado. Os resultados indicaram melhoria da estabilidade operacional e expressiva redução das cargas orgânicas, com atendimento aos limites da Resolução CONAMA nº 430/2011 no período monitorado. Concluiu-se que a adequação integrada, aliando intervenção técnica e padronização operacional, é viável e eficaz para ETEIs no setor de saneantes, desde que acompanhada de monitoramento contínuo.
Palavras-chave: Tratamento De Efluentes. Saneantes. Processos Físico-Químicos. Carvão Ativado. Conformidade Ambiental.
1. Introdução
O crescimento do setor industrial brasileiro ampliou a geração de efluentes líquidos com características mais complexas, o que exige soluções técnicas eficazes e compatíveis com a legislação ambiental vigente. Na indústria de saneantes (detergentes, desinfetantes e produtos de limpeza), os efluentes apresentam elevada carga orgânica, presença de surfactantes, sólidos suspensos, variações significativas de pH e compostos de difícil degradação. Assim, a adoção de sistemas de tratamento adequados é necessária antes do lançamento em corpos hídricos receptores.
Nesse cenário, as Estações de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEIs) configuram-se como elementos centrais para a mitigação dos impactos ambientais associados às atividades produtivas, especialmente quando dimensionadas e operadas de forma compatível com as especificidades do efluente gerado.
Entre as tecnologias disponíveis, os processos físico-químicos têm se destacado como alternativas eficientes para o tratamento de efluentes industriais do setor de saneantes, sobretudo em situações que envolvem altas concentrações de matéria orgânica, cor, turbidez e compostos recalcitrantes.
Técnicas como coagulação, floculação, neutralização química e filtração com carvão ativado permitem a remoção significativa de poluentes e apresentam relativa flexibilidade operacional, com possibilidade de adaptação a sistemas já existentes. Nesse contexto, a adequação e a otimização de ETEs industriais por meio desses processos tornam-se estratégias relevantes do ponto de vista ambiental e econômico, especialmente quando envolvem a reativação ou remodelação de infraestruturas previamente implantadas.
O tratamento de efluentes industriais por processos físico-químicos é descrito na literatura como um conjunto de operações unitárias que combinam mecanismos físicos e reações químicas para remover sólidos suspensos e coloidais, além de substâncias dissolvidas. Metcalf e Eddy (2014) caracterizam esses processos como operações destinadas à remoção de sólidos e compostos dissolvidos por meio da adição de reagentes químicos. Di Bernardo e Dantas (2005) detalham os mecanismos de coagulação e floculação, definindo a coagulação como a desestabilização de partículas coloidais pela adição de coagulantes e a floculação como a agregação dessas partículas para a formação de flocos. Von Sperling (2014) destaca a neutralização química como etapa crítica em efluentes com pH extremo, como os do setor de saneantes. Jordão e Pessôa (2017) reforçam a flexibilidade desses processos para adaptação a sistemas existentes. Bansal e Goyal (2005) abordam a adsorção em carvão ativado como etapa de polimento voltada à remoção de compostos orgânicos dissolvidos e recalcitrantes. Em conjunto, essas abordagens indicam que o tratamento físico-químico evolui de uma definição geral para a especificação de etapas e a incorporação de processos avançados de polimento, evidenciando sua aplicabilidade a efluentes industriais com diferentes perfis.
Dados recentes evidenciam a magnitude do desafio enfrentado pelo setor industrial no Brasil. Informações disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Anual – Produto (PIA-Produto), permitem acompanhar a produção industrial de diferentes segmentos, incluindo aqueles associados a produtos de limpeza e saneantes, oferecendo subsídios para contextualizar a relevância do tema e seus impactos na geração de efluentes (IBGE, 2024).
Paralelamente, estudos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) indicam que parcela expressiva dos efluentes industriais gerados no país ainda apresenta desafios relacionados ao tratamento adequado, contribuindo para a degradação de corpos hídricos e o comprometimento da qualidade ambiental. Estimase que efluentes industriais com elevada Demanda Química de Oxigênio (DQO), quando lançados sem tratamento apropriado, aceleram processos de eutrofização, reduzem o oxigênio dissolvido e afetam diretamente a biodiversidade aquática, além de representarem riscos à saúde pública (ANA, 2023).
No âmbito legal, a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) nº 430/2011 estabelece limites rigorosos para o lançamento de efluentes líquidos, exigindo que empreendimentos industriais promovam o tratamento prévio de seus resíduos líquidos de modo a garantir o atendimento aos padrões estabelecidos (BRASIL, 2011).
Contudo, na prática, observa-se que diversas empresas, sobretudo de médio porte, enfrentam dificuldades técnicas, operacionais e financeiras para manter suas estações de tratamento em pleno funcionamento, resultando em sistemas subutilizados, desativados ou ineficientes. Essa situação demonstra uma discrepância entre a exigência normativa e a implementação de soluções ambientalmente adequadas.
Diante desse contexto, define-se o seguinte problema de pesquisa: de que forma a adequação de uma ETEI, por meio de processos físico-químicos, pode contribuir para reduzir a carga poluidora gerada por uma indústria de saneantes, assegurando a conformidade com a legislação ambiental e promovendo a sustentabilidade do processo produtivo?
Com base nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar a adequação de uma ETEI, por meio da aplicação de processos físico-químicos, em uma indústria do setor de saneantes, a partir de um estudo de caso em Manaus/AM. Como objetivos específicos, buscou-se caracterizar o efluente industrial gerado pela atividade produtiva; avaliar as condições estruturais e operacionais da ETE existente; descrever e analisar as etapas de tratamento físico-químico implementadas; verificar a eficiência do sistema na redução de parâmetros poluentes, especialmente a DQO; e analisar a conformidade dos resultados obtidos com os limites estabelecidos pela legislação ambiental vigente.
A realização deste estudo justifica-se pela relevância ambiental, técnica e acadêmica do tema. Do ponto de vista ambiental, a adequação de sistemas de tratamento de efluentes industriais contribui diretamente para a preservação dos recursos hídricos e para a redução dos impactos negativos associados ao lançamento de poluentes. Sob a perspectiva técnica, o trabalho oferece subsídios práticos para a otimização de ETEs existentes, demonstrando a aplicabilidade de processos físico-químicos em contextos reais do setor industrial.
No campo acadêmico, a pesquisa amplia o debate sobre soluções sustentáveis para o tratamento de efluentes industriais, especialmente no segmento de saneantes, ainda pouco explorado em estudos de caso detalhados. O estudo contribui para profissionais, pesquisadores e gestores ambientais ao articular fundamentação teórica, aplicação prática e requisitos de responsabilidade socioambiental.
2. Desenvolvimento
2.1 Revisão da Literatura
2.1.1 Tratamento de Efluentes Industriais e seus Impactos Ambientais
O tratamento de efluentes industriais constitui um dos principais instrumentos de controle ambiental associados às atividades produtivas contemporâneas, sobretudo em setores que utilizam grande volume de água e geram resíduos líquidos com elevada carga poluidora. De modo geral, os efluentes industriais apresentam composição físico-química significativamente distinta dos esgotos domésticos, variando conforme o tipo de processo produtivo, matérias-primas utilizadas e práticas operacionais adotadas (METCALF; EDDY, 2014).
Segundo Metcalf e Eddy (2014), os efluentes industriais podem conter altas concentrações de matéria orgânica, sólidos suspensos, óleos, graxas e substâncias tóxicas, o que exige sistemas de tratamento específicos e tecnicamente adequados para evitar impactos significativos ao meio ambiente.
A ausência ou insuficiência de tratamento desses efluentes antes do lançamento em corpos hídricos representa uma das principais fontes de degradação ambiental associadas à atividade industrial. Von Sperling (2014:27) destaca que “o despejo de efluentes sem tratamento adequado compromete a qualidade das águas superficiais”, favorecendo processos de poluição orgânica, redução do oxigênio dissolvido e alteração das condições ecológicas dos ecossistemas aquáticos. Esses efeitos são particularmente intensos em corpos d’água de menor capacidade de autodepuração, comuns em áreas urbanas e industriais.
Entre os impactos ambientais mais recorrentes associados aos efluentes industriais, destaca-se a eutrofização, processo caracterizado pelo enriquecimento excessivo das águas por matéria orgânica e nutrientes. A elevada carga orgânica presente nos efluentes industriais promove o aumento da atividade microbiana, intensificando o consumo de oxigênio dissolvido e podendo levar à mortandade de organismos aquáticos. Tal fenômeno evidencia a relação direta entre o lançamento inadequado de efluentes e a perda da biodiversidade aquática (JORDÃO; PESSÔA, 2017). Outro aspecto relevante refere-se à DQO, parâmetro amplamente utilizado para avaliar o potencial poluidor de efluentes industriais. A DQO representa a quantidade de oxigênio necessária para oxidar quimicamente a matéria orgânica presente no efluente e, quando elevada, indica forte pressão sobre o corpo receptor. Valores elevados de DQO estão associados a processos de degradação acelerada da qualidade da água, com impactos diretos sobre a fauna, a flora aquática e os usos múltiplos dos recursos hídricos (DI BERNARDO; DANTAS, 2005).
Além dos impactos ecológicos, o lançamento inadequado de efluentes industriais também acarreta riscos à saúde pública, sobretudo em regiões onde os corpos hídricos são utilizados para abastecimento, recreação ou atividades econômicas. A Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) ressalta que a contaminação das águas por efluentes industriais pode favorecer a disseminação de doenças e comprometer a segurança sanitária das populações expostas direta ou indiretamente a esses recursos. Nessa perspectiva, o tratamento de efluentes constitui exigência ambiental e medida preventiva de saúde coletiva (BRASIL, 2006).
A literatura técnica aponta que os impactos ambientais dos efluentes industriais não se limitam aos corpos d’água superficiais, podendo alcançar também os solos e as águas subterrâneas. Quando há infiltração de efluentes inadequadamente tratados no solo, pode ocorrer contaminação das águas subterrâneas, ampliando o alcance espacial dos danos ambientais e dificultando os processos de remediação. Essa dinâmica reforça a necessidade de sistemas de tratamento eficientes e integrados à gestão ambiental das indústrias.
No contexto brasileiro, a preocupação com os impactos dos efluentes industriais é reforçada pelos diagnósticos elaborados por órgãos oficiais. A ANA aponta que uma parcela significativa dos corpos hídricos monitorados no país apresenta comprometimento da qualidade da água, em parte associado ao lançamento de efluentes industriais com tratamento insuficiente. Esses dados evidenciam que, apesar dos avanços normativos, ainda persistem desafios relevantes na efetiva implementação de sistemas de tratamento adequados (ANA, 2023).
Nesse contexto, o tratamento de efluentes industriais é um componente essencial para o desenvolvimento sustentável, ao conciliar a continuidade das atividades produtivas com a preservação ambiental. A adoção de tecnologias adequadas, o correto dimensionamento dos sistemas e a manutenção de rotinas de operação e manutenção contribuem significativamente para a redução da carga poluidora e para o atendimento aos padrões legais de lançamento. Assim, o tratamento eficiente dos efluentes passa a ser compreendido como investimento ambiental e não apenas como custo operacional.
Os processos de tratamento, quando bem aplicados, viabilizam a mitigação dos impactos ambientais, a melhoria da imagem institucional das empresas e a redução de riscos legais. Indústrias que investem na eficiência de suas estações de tratamento tendem a apresentar maior conformidade ambiental e menor incidência de sanções administrativas, além de ganhos associados à racionalização do uso da água. Essa perspectiva reforça a integração entre desempenho ambiental e gestão empresarial. A literatura técnica indica que o tratamento de efluentes industriais deve ser planejado a partir das características específicas do efluente gerado e dos impactos potenciais ao meio ambiente. Não existem soluções universais, sendo indispensável a análise técnica detalhada de cada caso para a escolha das tecnologias mais adequadas (METCALF; EDDY, 2014).
2.1.2 Caracterização dos Efluentes Industriais do Setor de Saneantes
Os efluentes industriais gerados no setor de saneantes apresentam características singulares que os diferenciam de outros efluentes industriais e, sobretudo, dos esgotos domésticos. Esse segmento produtivo envolve a fabricação de detergentes, desinfetantes, alvejantes, amaciantes e produtos afins, os quais utilizam matériasprimas químicas variadas, como tensoativos, solventes, fragrâncias, corantes e agentes alcalinos ou ácidos (METCALF; EDDY, 2014).
Uma das principais características dos efluentes do setor de saneantes é a elevada DQO, decorrente da alta concentração de matéria orgânica e de compostos oxidáveis presentes nas formulações. Em operações como lavagem de tanques, envase e limpeza de equipamentos, é comum ocorrer aumento significativo de carga orgânica e de sólidos, o que impõe desafios técnicos relevantes para o tratamento e para o atendimento aos padrões legais de lançamento.
Além da DQO, a presença de surfactantes constitui um dos aspectos mais críticos desses efluentes. Os tensoativos, amplamente utilizados para conferir propriedades detergentes aos produtos, apresentam comportamento químico específico no meio aquático, podendo formar espumas persistentes e dificultar processos convencionais de tratamento (VON SPERLING, 2014).
Segundo Von Sperling (2014:89), “os surfactantes reduzem a tensão superficial da água e podem interferir na transferência de oxigênio, agravando os impactos ambientais quando lançados sem tratamento adequado”. Essa característica reforça a necessidade de processos de tratamento capazes de remover ou reduzir esses compostos.
Outro elemento marcante na caracterização dos efluentes de saneantes é a grande variação de pH observada ao longo do processo produtivo. Dependendo do tipo de produto fabricado, os efluentes podem apresentar caráter fortemente alcalino ou ácido. Variações abruptas de pH comprometem a eficiência de diversos processos de tratamento, além de potencializarem impactos adversos nos corpos receptores (DI BERNARDO; DANTAS, 2005).
A presença de sólidos suspensos e dissolvidos também é recorrente nesses efluentes, especialmente em decorrência de resíduos de matérias-primas, embalagens, aditivos e precipitados formados durante o processo produtivo. A concentração de sólidos influencia diretamente a turbidez e a eficiência das etapas subsequentes de tratamento, exigindo controle adequado das unidades de coagulação, floculação e sedimentação para evitar arraste de partículas e instabilidades no processo. Outro aspecto relevante refere-se à variabilidade temporal e operacional dos efluentes gerados. Em ambientes industriais, a carga poluidora pode variar significativamente ao longo do dia e entre diferentes turnos de produção, em função de mudanças nas formulações e nos volumes processados. No setor de saneantes, essa variabilidade tende a ser acentuada, o que demanda sistemas de equalização capazes de amortecer picos de carga e vazão.
Do ponto de vista ecotoxicológico, os efluentes de saneantes podem conter substâncias com potencial tóxico para organismos aquáticos, mesmo quando presentes em baixas concentrações. Compostos químicos oriundos de atividades industriais podem afetar a biota aquática de forma cumulativa, alterando cadeias tróficas e a dinâmica dos ecossistemas. Essa constatação reforça a importância de uma caracterização detalhada do efluente como etapa inicial do tratamento.
A literatura também aponta que a biodegradabilidade desses efluentes pode ser limitada, em função da presença de compostos recalcitrantes e sintéticos. Metcalf e Eddy (2014) observam que determinados tensoativos e aditivos utilizados em saneantes apresentam baixa degradabilidade biológica, o que reduz a eficiência de processos exclusivamente biológicos e justifica a adoção de tratamentos físicoquímicos como alternativa ou complemento. Essa característica é central para a escolha tecnológica analisada neste estudo.
Do ponto de vista operacional, a caracterização inadequada dos efluentes de saneantes pode levar ao subdimensionamento ou à ineficiência das estações de tratamento. Falhas no diagnóstico inicial do efluente industrial comprometem o desempenho global do sistema e elevam custos operacionais, especialmente em setores com efluentes de alta complexidade química. Assim, a caracterização correta assume papel estratégico no planejamento do tratamento.
Por fim, a caracterização dos efluentes industriais do setor de saneantes deve ser tratada como um processo contínuo, que subsidia tanto o projeto quanto a operação das estações de tratamento. A atualização periódica dos dados de caracterização permite ajustes operacionais, melhora a eficiência na remoção de poluentes e favorece o atendimento às exigências legais. Dessa forma, compreender as particularidades desses efluentes é condição essencial para definir soluções técnicas eficazes e ambientalmente responsáveis.
2.1.3 Estações de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEIs): Concepção, Operação e Desafios
As ETEIs são sistemas projetados para remover ou reduzir contaminantes presentes nos efluentes gerados pelas atividades produtivas, de modo a minimizar impactos ambientais e atender às exigências legais de lançamento. Diferentemente das estações destinadas ao tratamento de esgotos domésticos, as ETEIs devem ser concebidas a partir de uma análise detalhada das características específicas do efluente industrial, considerando sua composição físico-química, variabilidade de vazão e carga poluidora. O sucesso de uma estação de tratamento industrial depende diretamente da compatibilidade entre o processo adotado e as características do efluente a ser tratado (METCALF; EDDY, 2014).
A concepção de uma ETEI envolve etapas fundamentais que incluem o diagnóstico do efluente, a definição das tecnologias de tratamento e o dimensionamento das unidades operacionais. Von Sperling (2014) evidencia que a fase de projeto deve considerar não apenas os parâmetros médios do efluente, como também os cenários de pico, comuns em ambientes industriais, a fim de garantir estabilidade operacional ao sistema. Nesse sentido, a adoção de unidades como tanques de equalização tornase estratégica para amortecer variações bruscas de carga e vazão.
No que se refere às tecnologias empregadas, as ETEIs podem combinar processos físicos, químicos e biológicos, conforme a natureza do efluente. Jordão e Pessôa (2017) observam que, em efluentes industriais com elevada carga orgânica e presença de compostos específicos, os processos físico-químicos frequentemente assumem papel central, seja como tratamento principal ou como etapa complementar aos sistemas biológicos. Essa flexibilidade tecnológica é uma das características marcantes das ETEIs, mas também representa um desafio em termos de operação e controle.
A operação adequada de uma ETEI exige acompanhamento contínuo dos parâmetros de processo e dos indicadores de desempenho do sistema. Segundo Di Bernardo e Dantas (2005:145), “a eficiência das etapas de coagulação, floculação e sedimentação está diretamente associada ao controle rigoroso de variáveis como pH, dosagem de produtos químicos e tempo de mistura”. Pequenas variações nesses parâmetros podem comprometer significativamente a remoção de poluentes e a qualidade do efluente tratado.
Entre os principais desafios operacionais das ETEIs, destaca-se a manutenção da eficiência ao longo do tempo. Na prática, muitas estações industriais apresentam queda de desempenho quando não há manutenção preventiva e corretiva, reposição de componentes e controle consistente das variáveis de processo. Essa situação demonstra que a eficiência de uma ETEI depende do projeto e da gestão operacional contínua.
Outro desafio recorrente está relacionado à capacitação da equipe responsável pela operação da estação. A ausência de operadores treinados e de rotinas operacionais bem definidas contribui para falhas no tratamento e para o descumprimento de padrões ambientais. Em ambientes industriais, onde os processos produtivos são dinâmicos, essa limitação tende a ser ainda mais crítica, exigindo investimento permanente em treinamento e atualização técnica (BRASIL, 2006).
A gestão do lodo gerado durante o tratamento constitui outro aspecto desafiador na operação das ETEIs. O manejo inadequado do lodo pode elevar custos operacionais e gerar novos passivos ambientais, comprometendo a sustentabilidade do sistema como um todo. Assim, a concepção da ETEI deve prever soluções técnicas para o adensamento, desidratação e destinação final adequada desses resíduos.
Do ponto de vista institucional e legal, as ETEIs também enfrentam desafios relacionados à conformidade normativa. Destaca-se que muitas estações industriais operam de forma intermitente ou com eficiência limitada, dificultando o atendimento contínuo aos padrões estabelecidos pela legislação ambiental. Esse cenário reforça a necessidade de integração entre projeto, operação e monitoramento como estratégia para assegurar a regularidade ambiental (ANA, 2023).
Estudos de avaliação e otimização de ETEIs evidenciam que a readequação de sistemas existentes pode ser uma alternativa viável frente à implantação de novas estações. Ajustes operacionais, correções de falhas estruturais e modificações pontuais em unidades de tratamento podem resultar em ganhos expressivos de eficiência, com redução significativa da carga poluidora lançada. Tais experiências reforçam a importância de abordagens baseadas em diagnóstico técnico detalhado e monitoramento sistemático.
Por fim, a literatura técnica indica que os desafios associados às ETEIs não devem ser tratados como eventos isolados, mas como condições inerentes à complexidade do tratamento de efluentes industriais. A concepção integrada, a gestão operacional e o monitoramento contínuo são determinantes para manter o desempenho ambiental das estações (METCALF; EDDY, 2014).
2.1.4 Processos Físico-Químicos Aplicados ao Tratamento de Efluentes Industriais
Os processos físico-químicos desempenham papel central no tratamento de efluentes industriais, especialmente em situações nas quais a composição do efluente apresenta elevada carga orgânica, substâncias recalcitrantes ou baixa biodegradabilidade. Esses processos baseiam-se na adição de reagentes químicos e na aplicação de princípios físicos para promover a remoção de poluentes por meio de reações químicas, formação de agregados e separação sólido-líquido. Os tratamentos físico-químicos são amplamente empregados como etapa principal ou complementar em efluentes industriais complexos, nos quais os sistemas biológicos isolados não atingem a eficiência desejada (METCALF; EDDY, 2014).
Entre os processos mais utilizados destaca-se a coagulação, etapa responsável pela desestabilização das partículas coloidais presentes no efluente. Segundo Di Bernardo e Dantas (2005), a coagulação ocorre a partir da adição de coagulantes químicos, como sais de alumínio ou ferro, que neutralizam as cargas elétricas das partículas, favorecendo sua aglomeração. Essa etapa é fundamental em efluentes industriais ricos em sólidos suspensos, corantes e matéria orgânica dispersa, como aqueles provenientes do setor de saneantes.
Na sequência do processo, a floculação atua promovendo o crescimento dos flocos formados na coagulação, por meio de agitação lenta e controlada. A eficiência da floculação depende diretamente do gradiente de velocidade, do tempo de mistura e do uso adequado de polímeros auxiliares, que aumentam a resistência e o tamanho dos flocos (JORDÃO; PESSÔA, 2017).
A sedimentação é outro processo físico-químico amplamente aplicado, responsável pela separação dos flocos formados, utilizando a ação da gravidade. De acordo com Von Sperling (2014:145), “essa etapa permite a remoção significativa de sólidos sedimentáveis e parte da matéria orgânica associada, reduzindo a carga poluidora do efluente antes das etapas subsequentes”. Em ETEIs, a sedimentação assume relevância especial por contribuir para a redução da turbidez e da DQO.
O controle e a correção do pH constituem processos essenciais no tratamento físicoquímico de efluentes industriais. O pH influencia diretamente a eficiência da coagulação, da floculação e de diversas reações químicas envolvidas no tratamento, sendo comum a necessidade de neutralização prévia em efluentes industriais com caráter ácido ou alcalino acentuado. Essa etapa é particularmente relevante no setor de saneantes, onde as variações de pH são frequentes (DI BERNARDO; DANTAS, 2005).
Além das etapas clássicas, a filtração é frequentemente utilizada como processo complementar, especialmente para o polimento final do efluente tratado. Metcalf e Eddy (2014) observam que sistemas de filtração permitem a remoção de partículas finas remanescentes, melhorando significativamente a qualidade do efluente antes do lançamento ou de etapas adicionais de tratamento. A filtração pode ser realizada por meios granulares, multicamadas ou associada ao uso de carvão ativado.
O uso do carvão ativado, embora frequentemente tratado como etapa específica, integra o conjunto de processos físico-químicos aplicados ao tratamento de efluentes industriais. O carvão ativado apresenta elevada área superficial e capacidade de adsorção, sendo eficaz na remoção de compostos orgânicos dissolvidos, cor, odor e substâncias recalcitrantes. Essa tecnologia é amplamente recomendada para efluentes industriais de elevada complexidade química (BANSAL; GOYAL, 2005). Estudos de caso analisados na literatura demonstram que os processos físicoquímicos apresentam elevada eficiência quando corretamente dimensionados e operados. Em geral, são observadas reduções relevantes de DQO e turbidez após a otimização das dosagens químicas, dos tempos de mistura e do desempenho das unidades de separação sólido-líquido, evidenciando a importância do controle operacional. Esses resultados reforçam a aplicabilidade desses processos em ambientes industriais reais.
Outro aspecto relevante refere-se à flexibilidade dos processos físico-químicos frente às variações de carga e vazão dos efluentes industriais. Diferentemente de sistemas exclusivamente biológicos, os tratamentos físico-químicos podem apresentar respostas mais rápidas a mudanças operacionais, tornando-se alternativas viáveis para indústrias com produção intermitente ou com oscilações de composição do efluente. Essa característica é particularmente vantajosa no setor de saneantes, marcado por variações de formulação e ciclos de limpeza de equipamentos. Além disso, a literatura técnica recomenda que os processos físico-químicos sejam definidos como parte de uma estratégia integrada de tratamento e gestão ambiental. A combinação adequada de processos físicos, químicos e, quando aplicável, biológicos pode elevar a eficiência e contribuir para a conformidade legal (METCALF; EDDY, 2014).
2.1.5 Uso do Carvão Ativado como Etapa de Polimento de Efluentes Industriais
O carvão ativado tem sido amplamente empregado como etapa de polimento no tratamento de efluentes industriais, especialmente em sistemas nos quais se busca elevar a qualidade do efluente tratado antes do lançamento em corpos hídricos ou do reuso industrial (METCALF; EDDY, 2014).
Essa tecnologia destaca-se pela elevada capacidade de adsorção de compostos orgânicos dissolvidos, cor, odor e substâncias recalcitrantes que não são completamente removidas nas etapas anteriores do tratamento físico-químico. O carvão ativado apresenta uma estrutura altamente porosa, com grande área superficial específica, o que favorece a retenção de contaminantes por forças físicas e químicas (BANSAL; GOYAL, 2005).
No contexto do tratamento de efluentes industriais, o uso do carvão ativado é frequentemente associado ao aprimoramento da eficiência global do sistema. Metcalf e Eddy (2014) afirmam que essa etapa é particularmente indicada para efluentes que apresentam compostos orgânicos de difícil degradação, os quais permanecem no efluente mesmo após processos de coagulação, floculação e sedimentação. Assim, o carvão ativado atua como um complemento estratégico, reduzindo concentrações residuais de poluentes e contribuindo para o atendimento aos padrões legais. A adsorção é o principal mecanismo responsável pela eficiência do carvão ativado no tratamento de efluentes. Esse processo ocorre quando as moléculas dos contaminantes são atraídas e retidas na superfície do material adsorvente, em função de interações físicas e químicas, como forças de Van der Waals e ligações químicas específicas. Esse mecanismo explica a elevada eficiência do carvão ativado na remoção de compostos orgânicos dissolvidos, frequentemente associados a valores residuais de DQO.
No setor industrial de saneantes, a etapa de carvão ativado é especialmente relevante devido à presença de tensoativos, fragrâncias e aditivos orgânicos nos efluentes, que podem permanecer mesmo após a clarificação físico-química. Nesses casos, o carvão ativado pode atuar como etapa final de polimento, contribuindo para a melhoria estética do efluente (redução de cor e odor) e para maior segurança ambiental do lançamento.
A literatura técnica aponta que o desempenho do carvão ativado depende de diversos fatores operacionais, como tempo de contato, granulometria do material, vazão do efluente e concentração inicial dos contaminantes. Bansal e Goyal (2005) ressaltam que a eficiência da adsorção é maximizada quando o sistema é adequadamente dimensionado, garantindo contato suficiente entre o efluente e o meio adsorvente. A negligência desses fatores pode resultar em saturação precoce do carvão e redução da eficiência do tratamento.
Outro aspecto relevante refere-se à escolha entre Carvão Ativado em Pó (CAP) e Carvão Ativado Granular (CAG). O CAP é geralmente utilizado em aplicações temporárias ou emergenciais, enquanto o CAG é mais indicado para sistemas contínuos de tratamento e polimento, devido à maior facilidade de operação e regeneração. Em ETEs industriais, o uso de CAG em filtros de leito fixo é uma das configurações mais adotadas (METCALF; EDDY, 2014).
Do ponto de vista ambiental e econômico, a aplicação do carvão ativado deve ser analisada de forma integrada ao sistema de tratamento. Embora o custo inicial do material adsorvente possa ser relevante, sua utilização como etapa de polimento pode reduzir gastos associados a não conformidades ambientais, retrabalhos operacionais e riscos de sanções, além de contribuir para maior estabilidade do sistema.
Estudos e aplicações técnicas em estações de tratamento industriais indicam que a inclusão do carvão ativado pode contribuir para a redução de DQO residual e para o aprimoramento de parâmetros estéticos do efluente tratado, como cor e odor. Essa etapa, quando bem dimensionada e operada, tende a elevar a robustez do sistema e a confiabilidade do polimento final, especialmente em efluentes com presença de compostos orgânicos dissolvidos.
Além da eficiência na remoção de poluentes, o carvão ativado também contribui para a melhoria da percepção ambiental da atividade industrial. A redução de cor, odor e compostos orgânicos residuais diminui significativamente os impactos visuais e olfativos associados ao lançamento de efluentes, favorecendo a aceitação social dos empreendimentos industriais. Essa dimensão social reforça a relevância dessa tecnologia no contexto da sustentabilidade (VON SPERLING, 2014).
Assim, a literatura técnica indica que o uso do carvão ativado como etapa de polimento deve ser precedido por tratamento físico-químico eficiente, a fim de evitar a sobrecarga do meio adsorvente. O carvão ativado tende a apresentar melhor desempenho quando aplicado a efluentes previamente clarificados, nos quais a maior parte dos sólidos e da carga orgânica já foi removida (METCALF; EDDY, 2014).
2.1.6 Monitoramento, Eficiência e Indicadores de Desempenho em ETEs Industriais
O monitoramento contínuo das ETEIs constitui elemento essencial para a avaliação da eficiência dos processos adotados e para a garantia do atendimento aos padrões ambientais estabelecidos. Diferentemente do controle pontual, o monitoramento sistemático permite compreender o comportamento do sistema ao longo do tempo, identificando tendências, falhas operacionais e oportunidades de melhoria. A eficiência de uma ETEI só pode ser devidamente avaliada quando os dados de desempenho são coletados de forma regular e analisados de maneira integrada aos parâmetros operacionais.
A literatura técnica indica que a definição de indicadores de desempenho é uma etapa fundamental do monitoramento. Von Sperling (2014) explica que indicadores bem selecionados traduzem a complexidade dos processos de tratamento em informações objetivas, o que facilita a tomada de decisão e a comunicação dos resultados. Em ETEIs, esses indicadores devem refletir a eficiência ambiental do sistema e sua estabilidade operacional, considerando as particularidades do efluente tratado.
Entre os parâmetros mais utilizados para avaliação da eficiência das ETEIs, destacam-se a DQO e a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). A DQO é amplamente empregada por representar a quantidade total de matéria orgânica oxidável presente no efluente, sendo especialmente útil em efluentes industriais de baixa biodegradabilidade. A redução desses valores entre o efluente bruto e o tratado constitui um dos principais indicadores de desempenho do sistema (APHA; AWWA; WEF, 2017).
Além da DQO e da DBO, parâmetros como pH, turbidez e sólidos suspensos totais são amplamente utilizados no monitoramento de ETEs industriais. Di Bernardo e Dantas (2005:66) indicam que o controle do pH é necessário para avaliar a qualidade do efluente final e manter a eficiência de etapas físico-químicas, como coagulação e floculação. A turbidez e os sólidos suspensos, por sua vez, fornecem informações sobre a eficiência da separação sólido-líquido.
O monitoramento da eficiência deve considerar, ainda, a variabilidade operacional característica dos sistemas industriais. Oscilações na produção e na composição dos efluentes impactam diretamente os indicadores de desempenho, exigindo análises comparativas ao longo de diferentes períodos operacionais. Dessa forma, a interpretação dos dados deve levar em conta fatores como turnos de produção, ciclos de limpeza e alterações nas formulações industriais.
Do ponto de vista metodológico, a padronização dos procedimentos analíticos é indispensável para certificar a confiabilidade dos dados obtidos. A adoção de métodos analíticos reconhecidos internacionalmente permite a comparação dos resultados ao longo do tempo e entre diferentes sistemas de tratamento. Em ETEIs, essa padronização é especialmente relevante, considerando a necessidade de comprovação técnica da eficiência do tratamento perante órgãos ambientais competentes (APHA; AWWA; WEF, 2017).
A eficiência das ETEs industriais também pode ser avaliada por meio de indicadores operacionais, como tempo de detenção hidráulica, consumo de produtos químicos e geração de lodo. O acompanhamento desses indicadores permite identificar desequilíbrios no processo e otimizar o uso de insumos, contribuindo para reduzir custos operacionais e melhorar o desempenho ambiental. Assim, o monitoramento abrange a qualidade do efluente e o funcionamento global do sistema.
No contexto regulatório, o monitoramento contínuo assume papel estratégico para o atendimento às exigências legais. A conformidade ambiental depende não apenas do cumprimento pontual dos limites estabelecidos, mas da manutenção contínua da qualidade do efluente lançado. Assim, o acompanhamento sistemático dos indicadores de desempenho contribui para a redução de riscos legais e ambientais associados à operação das ETEs industriais (ANA, 2023).
Estudos de caso analisados na literatura evidenciam que a ausência de monitoramento adequado compromete a eficiência das estações de tratamento. Falhas no acompanhamento de parâmetros operacionais podem resultar em oscilações significativas na qualidade do efluente tratado, mesmo em sistemas tecnicamente bem projetados. Esse cenário reforça que o desempenho de uma ETE industrial está diretamente relacionado à qualidade do seu sistema de monitoramento. Além dos indicadores tradicionais, a literatura aponta a crescente adoção de indicadores de desempenho integrados, que relacionam eficiência ambiental, custos operacionais e sustentabilidade. A utilização de conjuntos de indicadores permite uma visão mais abrangente do desempenho das ETEs industriais, auxiliando na priorização de ações corretivas e preventivas. Essa abordagem amplia o papel do monitoramento, transformando-o em ferramenta estratégica de gestão ambiental. Portanto, o monitoramento, a avaliação da eficiência e a definição de indicadores de desempenho são processos dinâmicos e contínuos. A melhoria do desempenho das ETEIs depende da retroalimentação constante entre dados de monitoramento, ajustes operacionais e revisão das estratégias de tratamento (METCALF; EDDY, 2014).
2.1.7 Legislação Ambiental Aplicada ao Lançamento de Efluentes Industriais no Brasil
A legislação ambiental brasileira estabelece um conjunto robusto de normas voltadas ao controle da poluição hídrica, com especial atenção ao lançamento de efluentes industriais em corpos d’água. Esse arcabouço normativo tem como objetivo conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção dos recursos naturais, reconhecendo a água como bem público e limitado (BRASIL, 1997).
No âmbito da gestão ambiental, o lançamento de efluentes industriais é condicionado ao atendimento de padrões específicos de qualidade, definidos principalmente pelas resoluções do CONAMA. A legislação brasileira evoluiu significativamente ao estabelecer limites objetivos para parâmetros físico-químicos, tornando o controle ambiental mais técnico e mensurável. Essa evolução normativa reforça a responsabilização das indústrias quanto aos impactos gerados por suas atividades (JORDÃO; PESSÔA, 2017).
Entre os instrumentos legais mais relevantes, destaca-se a Resolução CONAMA nº 357/2005, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e estabelece diretrizes ambientais para seu enquadramento. Essa norma define as classes de qualidade das águas superficiais e os usos permitidos para cada classe, servindo como referência para a avaliação dos impactos do lançamento de efluentes (BRASIL, 2005).
Complementarmente, a Resolução CONAMA nº 430/2011 representa o principal marco regulatório específico para o lançamento de efluentes líquidos no Brasil. Essa resolução estabelece condições, parâmetros, padrões e diretrizes para o lançamento de efluentes em corpos receptores, incluindo limites para pH, temperatura, óleos e graxas, sólidos sedimentáveis e DQO. De acordo com o próprio texto normativo, o lançamento de efluentes somente é permitido após tratamento que assegure o atendimento aos padrões estabelecidos (BRASIL, 2011).
A Resolução CONAMA nº 430/2011 introduz, ainda, o princípio da não degradação do corpo receptor, ao determinar que o efluente tratado não pode provocar o descumprimento das condições e padrões de qualidade da água do corpo hídrico. Metcalf e Eddy (2014) ressaltam que esse princípio impõe às indústrias a necessidade de conhecer a qualidade do efluente tratado e as características ambientais do corpo receptor, ampliando a complexidade do controle ambiental.
Do ponto de vista técnico-operacional, a legislação ambiental exige que as indústrias realizem o monitoramento sistemático dos efluentes gerados e tratados. O acompanhamento contínuo dos parâmetros de lançamento se mostra fundamental para assegurar a conformidade legal e subsidiar a gestão dos recursos hídricos em escala regional. Esse monitoramento deve ser realizado com base em métodos analíticos reconhecidos e aceitos pelos órgãos ambientais competentes (ANA, 2023). Além das resoluções do CONAMA, a legislação ambiental brasileira prevê instrumentos de licenciamento e fiscalização que condicionam a operação de empreendimentos industriais. O licenciamento ambiental constitui mecanismo preventivo, por meio do qual são estabelecidas condicionantes relacionadas ao tratamento e à destinação adequada dos efluentes. O descumprimento dessas condicionantes pode resultar em sanções administrativas, civis e penais (BRASIL, 2006).
Estudos de caso e avaliações técnicas indicam que a dificuldade de atendimento à legislação ambiental está frequentemente associada a falhas no projeto, na operação ou no monitoramento das estações de tratamento de efluentes industriais. Sistemas subdimensionados ou operados de forma inadequada tendem a apresentar recorrentes não conformidades legais, elevando o risco de autuações e passivos ambientais. Esse cenário reforça a necessidade de integração entre exigências legais e soluções técnicas eficazes.
No contexto específico das indústrias de saneantes, o cumprimento da legislação ambiental assume relevância ainda maior, em função da complexidade química dos efluentes gerados. A elevada carga orgânica e a presença de surfactantes exigem maior rigor no tratamento, sob pena de descumprimento dos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 430/2011. Assim, a legislação atua como elemento indutor da adoção de tecnologias mais eficientes e de práticas de monitoramento contínuo. Por fim, a legislação ambiental aplicada ao lançamento de efluentes industriais no Brasil deve ser tratada como um conjunto de obrigações legais e como instrumento de promoção da sustentabilidade. Normas ambientais bem estruturadas contribuem para a melhoria contínua dos sistemas de tratamento e para a proteção dos recursos hídricos, desde que acompanhadas de fiscalização efetiva e capacitação técnica dos agentes envolvidos. Nesse sentido, o atendimento à legislação ambiental é requisito para a atuação responsável das indústrias e para a preservação do meio ambiente (VON SPERLING, 2014).
2.2 Metodologia
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso, de natureza aplicada, com abordagem qualitativa e caráter descritivo e analítico, cujo foco consistiu na análise da adequação de uma ETEI por meio de processos físico-químicos no setor de saneantes. A escolha do estudo de caso justifica-se pela possibilidade de aprofundamento em uma situação real e específica, permitindo compreender, de forma detalhada, os aspectos técnicos, operacionais e ambientais envolvidos no processo de tratamento de efluentes industriais.
Quanto aos procedimentos técnicos, o estudo foi desenvolvido a partir da análise de uma ETEI localizada em uma indústria do setor de saneantes no município de Manaus/AM, contemplando a avaliação das condições iniciais do sistema, a descrição das intervenções realizadas para sua adequação e a análise dos resultados obtidos após a implementação dos processos físico-químicos. Esse delineamento metodológico possibilitou relacionar a teoria apresentada na revisão da literatura com a prática observada no contexto industrial analisado.
A coleta de dados ocorreu por meio de levantamento documental e técnico, envolvendo relatórios operacionais da estação de tratamento, registros de acompanhamento do sistema, informações sobre as etapas de tratamento implantadas e observações diretas do funcionamento da ETEI. Adicionalmente, foram utilizados dados qualitativos referentes às características do efluente industrial antes e após o tratamento, com ênfase em parâmetros amplamente reconhecidos na literatura técnica, como DQO, pH, turbidez e aspectos visuais do efluente tratado. No que se refere às etapas metodológicas, o estudo foi conduzido em quatro fases principais. A primeira fase consistiu na avaliação diagnóstica da ETEI, na qual foram identificadas as condições estruturais e operacionais do sistema existente, bem como as principais limitações relacionadas à eficiência do tratamento. Essa etapa permitiu compreender o cenário inicial da estação e subsidiou as decisões técnicas adotadas na fase seguinte.
A segunda fase envolveu a descrição e análise dos processos físico-químicos aplicados, contemplando as etapas de coagulação, floculação, sedimentação, correção de pH e filtração, bem como a inserção do carvão ativado como etapa de polimento do efluente tratado. Nessa etapa, foram considerados os princípios técnicos descritos na literatura e sua aplicação prática no sistema analisado, destacando-se os ajustes operacionais realizados para a melhoria do desempenho da ETEI.
Na terceira fase, procedeu-se à avaliação qualitativa da eficiência do sistema de tratamento, por meio da comparação entre as condições do efluente bruto e do efluente tratado após a adequação da estação. Essa análise baseou-se na observação da redução da carga poluidora, especialmente da DQO, e na melhoria dos parâmetros físico-químicos e visuais do efluente, sendo os resultados discutidos à luz dos autores que fundamentaram a revisão de literatura.
A quarta fase da metodologia consistiu na análise da conformidade ambiental do sistema, considerando os limites e diretrizes estabelecidos pela legislação ambiental vigente, em especial a Resolução CONAMA nº 430/2011. Nessa etapa, também foi avaliada a importância do monitoramento contínuo como instrumento de controle operacional e garantia da eficiência do tratamento ao longo do tempo.
A análise dos dados foi qualitativa e interpretativa, com comparação entre o cenário inicial e o cenário posterior à adequação da ETEI e confronto dos resultados com os referenciais teóricos e normativos abordados. Não foram aplicados métodos estatísticos inferenciais devido à natureza do estudo e à disponibilidade de dados. Assim, priorizou-se uma análise técnica alinhada aos objetivos propostos.
2.3 Resultados e Discussão
2.3.1 Avaliação das Condições Iniciais da ETEI e do Efluente Industrial
A análise inicial da ETEI indicou um cenário observado em parte das indústrias do setor de saneantes: sistema existente, porém subutilizado e com desempenho operacional insatisfatório. Identificaram-se fragilidades associadas à ausência de padronização operacional, ao controle irregular de parâmetros críticos e a limitações estruturais, que comprometeram a eficiência global do tratamento.
A avaliação inicial evidenciou que o desempenho da ETEI era fortemente influenciado pela falta de manutenção preventiva, pela ausência de padronização operacional e por limitações estruturais, fatores que, em conjunto, tendem a reduzir a eficiência de remoção e a estabilidade do processo ao longo do tempo.
No que se refere ao efluente bruto gerado pela atividade produtiva, os resultados qualitativos indicaram elevada carga orgânica, presença expressiva de surfactantes e variações significativas de pH, características típicas do setor de saneantes. Metcalf e Eddy (2014) destacam que efluentes industriais com esse perfil demandam tratamentos específicos, uma vez que compostos sintéticos e tensoativos reduzem a eficiência de sistemas convencionais. Tal constatação reforça a necessidade de adequação tecnológica da ETEI analisada.
A elevada DQO observada no efluente bruto evidencia o alto potencial poluidor do sistema antes da intervenção. Conforme Di Bernardo e Dantas (2005), a DQO representa a quantidade de oxigênio necessária para oxidar quimicamente a matéria orgânica presente no efluente, sendo um dos principais indicadores do impacto ambiental associado ao lançamento inadequado. Os resultados iniciais, portanto, justificaram tecnicamente a reestruturação da estação de tratamento.
O Quadro 1 a seguir apresenta uma síntese analítica das principais condições estruturais, operacionais e ambientais observadas antes da adequação da ETEI.
Quadro 1 – Síntese do diagnóstico inicial da ETEI

Fonte: Dados da Pesquisa (2026)
Os dados apresentados indicam que a condição inicial da ETEI era incompatível com as exigências ambientais vigentes, em consonância com Von Sperling (2014), que aponta que sistemas mal operados ampliam os riscos de degradação dos corpos hídricos.
2.3.2 Eficiência dos processos físico-químicos após a adequação da ETEI
Após a adequação da ETEI, observou-se melhora significativa na estabilidade operacional e na qualidade do efluente tratado. A reorganização das etapas de coagulação, floculação, sedimentação e correção de pH possibilitou maior controle do processo, refletindo diretamente na redução da carga orgânica e na melhoria dos parâmetros físico-químicos do efluente final.
Corroborando essa observação, Jordão e Pessôa (2017) afirmam que a eficiência dos processos físico-químicos se encontra diretamente relacionada ao ajuste adequado das dosagens químicas e ao controle rigoroso das condições operacionais.
A redução da DQO após o tratamento indica que o sistema remodelado passou a desempenhar adequadamente sua função ambiental. Di Bernardo e Dantas (2005) mostram que a eficiência do tratamento físico-químico pode ser avaliada pela capacidade do sistema em reduzir parâmetros críticos de poluição, especialmente em efluentes com baixa biodegradabilidade. Os resultados observados no estudo de caso são compatíveis com essa abordagem.
Além da redução da carga orgânica, verificou-se melhoria significativa nos aspectos visuais do efluente tratado, como diminuição da turbidez e da coloração, fatores diretamente associados à remoção de sólidos suspensos e matéria orgânica particulada. Esses resultados indicam bom desempenho das etapas de coagulação e floculação, desde que corretamente operadas e acompanhadas por rotinas de controle.
O Gráfico 1 ilustra, de forma comparativa, o comportamento da DQO no efluente bruto e no efluente tratado após a adequação da ETEI.
Gráfico 1 – Comparação qualitativa da DQO antes e após o tratamento

Fonte: Dados da Pesquisa (2026)
A redução expressiva da DQO indica a eficiência do tratamento físico-químico implantado. Metcalf e Eddy (2014) apontam que esse comportamento é esperado quando há integração adequada entre coagulação, floculação e sedimentação, especialmente em efluentes industriais complexos. Dessa forma, os resultados indicam que a adequação da ETEI reduziu o potencial poluidor do efluente e contribuiu para o alinhamento do sistema às exigências ambientais vigentes. 2.3.3 Implantação do filtro multicamadas como etapa de polimento
Para consolidar os ganhos obtidos com a adequação e elevar a qualidade final do efluente, foi implantada uma etapa adicional de polimento por filtração em leito multicamadas, instalada após coagulação, floculação, sedimentação e correção de pH. A unidade foi implantada pelo autor como parte das intervenções executadas na ETEI, com o objetivo de reduzir a turbidez residual, reter flocos remanescentes e aumentar a robustez do sistema frente a variações de carga.
O filtro foi configurado em camadas sucessivas, contemplando seixo rolado lavado (granulometria 3/16), areia beneficiada (tamanho efetivo entre 0,5 e 0,9 mm) e carvão ativado granular, complementadas por manta filtrante na camada superior para retenção de flocos maiores e mitigação de colmatação precoce. O arranjo adotado segue o conceito de granulometria gradativa, combinando mecanismos de retenção física e adsorção, com escoamento em regime descendente, atuando como etapa de “polimento” do efluente previamente clarificado.
A implantação do filtro multicamadas melhorou os aspectos visuais do efluente (redução de turbidez e aumento de transparência) e aumentou a estabilidade da etapa final, ao reduzir o arraste de sólidos finos. A literatura descreve a filtração como etapa complementar para remover partículas remanescentes e melhorar a qualidade do efluente antes do lançamento ou de etapas adicionais de tratamento (METCALF; EDDY, 2014).
2.3.4 Desempenho do Carvão Ativado como Etapa de Polimento
A etapa de polimento com carvão ativado promoveu um avanço significativo na qualidade final do efluente tratado. Observou-se redução adicional de compostos orgânicos residuais, bem como melhoria perceptível da cor e da transparência do efluente.
A etapa de carvão ativado mostrou-se particularmente adequada ao perfil do efluente do setor de saneantes, dada a presença de tensoativos, fragrâncias e aditivos orgânicos que podem permanecer mesmo após a clarificação físico-química. Assim, sua aplicação no sistema analisado contribuiu para o aumento da eficiência global do tratamento e para a melhoria da qualidade final do efluente.
Metcalf e Eddy (2014) ressaltam que o carvão ativado apresenta melhor desempenho quando aplicado a efluentes previamente clarificados, condição atendida após as etapas físico-químicas anteriores. Nesse arranjo, o material adsorvente atuou como complemento, elevando a eficiência global do tratamento e contribuindo para o atendimento contínuo aos padrões de lançamento.
O Quadro 2 apresenta uma análise qualitativa dos efeitos do carvão ativado no polimento do efluente tratado.
Quadro 2 – Avaliação qualitativa do uso do carvão ativado

Fonte: Dados da Pesquisa (2026)
Os resultados corroboram os achados de Bansal e Goyal (2005), que destacam a elevada capacidade de adsorção do carvão ativado na remoção de compostos orgânicos dissolvidos.
2.3.5 Monitoramento, Conformidade Legal e Implicações Ambientais
O monitoramento contínuo dos parâmetros de desempenho da ETEI mostrou-se fundamental para assegurar a eficiência do sistema e a conformidade com a legislação ambiental. A manutenção de rotinas de controle operacional, com registro de parâmetros críticos, contribui para reduzir oscilações na qualidade do efluente tratado e reforça a rastreabilidade do desempenho do sistema ao longo do tempo. Os resultados indicaram que o efluente tratado passou a apresentar características compatíveis com os limites estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 430/2011. Von Sperling (2014) afirma que o atendimento contínuo à legislação depende não apenas do projeto adequado, mas do monitoramento sistemático e da gestão operacional eficiente, aspectos observados no sistema estudado.
Do ponto de vista ambiental, a adequação da ETEI contribuiu para a redução dos riscos de degradação dos corpos hídricos receptores, promovendo maior segurança ambiental e alinhamento às diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos. Os resultados indicam que a aplicação de processos físico-químicos, associada ao polimento por carvão ativado e ao monitoramento contínuo, constitui solução técnica viável e ambientalmente responsável para o setor de saneantes.
3. Conclusão
Este estudo analisou a adequação de uma ETEI por processos físico-químicos no setor de saneantes, com foco em aspectos operacionais, ambientais e legais. A análise caracterizou a condição inicial da estação, identificou limitações operacionais e descreveu os efeitos das intervenções implementadas no sistema de tratamento.
A aplicação integrada de coagulação, floculação, sedimentação e correção de pH contribuiu para a redução da carga orgânica do efluente industrial, com diminuição qualitativa da DQO e melhoria dos parâmetros físico-químicos do efluente tratado. A etapa de polimento com carvão ativado contribuiu para a remoção de compostos orgânicos residuais e para a melhoria da qualidade final do efluente, especialmente quanto à cor e à turbidez.
Do ponto de vista ambiental e legal, a adequação da ETEI contribuiu para o atendimento aos padrões de lançamento estabelecidos pela legislação brasileira e reforçou o papel das estações de tratamento na proteção dos recursos hídricos. O estudo também evidenciou a relevância do monitoramento contínuo e do controle operacional para a manutenção da eficiência do sistema ao longo do tempo. Entretanto, algumas limitações devem ser reconhecidas. O estudo baseou-se em um único estudo de caso, o que restringe a generalização dos resultados para outras realidades industriais. Além disso, a análise dos resultados foi predominantemente qualitativa, em função da disponibilidade limitada de séries históricas de dados laboratoriais, o que inviabilizou avaliações estatísticas mais aprofundadas da eficiência do sistema.
Apesar dessas limitações, o trabalho apresenta contribuições acadêmicas e práticas. No campo acadêmico, amplia a discussão sobre a aplicação de processos físicoquímicos no tratamento de efluentes industriais do setor de saneantes, com integração de aspectos técnicos, operacionais e legais. No campo prático, fornece subsídios para a adequação e otimização de ETEIs, com destaque para soluções viáveis para melhorar o desempenho ambiental das empresas.
Para trabalhos futuros, recomenda-se realizar análises quantitativas com monitoramento contínuo de parâmetros físico-químicos por períodos mais extensos, de modo a viabilizar avaliação estatística da eficiência do tratamento. Também se recomenda comparar diferentes tecnologias de tratamento e avaliar o potencial de reuso do efluente tratado, com foco em práticas de sustentabilidade e economia circular no setor industrial.
Referências
ANA. Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil 2022: informe anual. Brasília: ANA, 2023.
APHA; AWWA; WEF. Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 23. ed. Washington, DC: American Public Health Association, 2017. BANSAL, R. C.; GOYAL, M. Activated Carbon Adsorption. Boca Raton: CRC Press, 2005.
BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2005. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolução CONAMA nº430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução nº 357/2005. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2011.
BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 1997.
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Manual de Saneamento. 3. ed. Brasília, DF: FUNASA, 2006.
DI BERNARDO, L.; DANTAS, A. D. B. Métodos e Técnicas de Tratamento de Água. 2. ed. São Carlos: Rima, 2005.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Industrial Anual – Produto (PIA-Produto). Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/industria/9044-pesquisa-industrialanual-produto.html. Acesso em: 18 fev. 2026.
JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamento de Esgotos Domésticos. 7. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2017.
METCALF; EDDY. Wastewater Engineering: Treatment and Resource Recovery.5. ed. New York: McGraw-Hill Education, 2014.
VON SPERLING, M. Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos. 4. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2014.
Anexos
Anexo A – Foto 1 – Filtro multicamadas (registro da implantação)

Fonte: Acervo do autor (2026)
Anexo B – Foto 2 – Aspecto do efluente de saída

Fonte: Acervo do autor (2026)
Anexo C – Foto 3 – Aspecto do efluente de entrada

Fonte: Acervo do autor (2026)
Anexo D – Foto 4 – Tanques reaproveitados utilizados no tratamento

Fonte: Acervo do autor (2026)
1 fernando@qqs.com.br
MBA Gestão de Sistemas de Abastecimento de Água (SAA) e Sistemas de Esgotos
Instituto de Pós-Graduação – IPOG
Manaus, AM, 18 de fevereiro de 2026
