ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E MANEJO DO BURNOUT EM PROFISSIONAIS DA ENFERMAGEM

STRATEGIES FOR PREVENTING AND MANAGING BURNOUT IN NURSING PROFESSIONALS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511170842


Ewerton Lucas Neres Ferreira; Rayanne Celynna Ramos da Silva; Suíla Valeksa Rodrigues de França; Vania Cristina Neres Silva; Viviany Vanessa de Almeida; Luis Carlos Leone Junior


RESUMO 

A Síndrome de Burnout (SB) é um distúrbio emocional de origem ocupacional,  reconhecido pela OMS, caracterizado por exaustão, sentimentos de negativismo ou  cinismo em relação ao trabalho e sensação de ineficácia. Esta síndrome assola os  profissionais da saúde, sendo a enfermagem especialmente afetada. Este trabalho  visa aprofundar o conhecimento sobre o tema e identificar estratégias urgentes de  prevenção e manejo. Trata-se de uma revisão de literatura realizada entre 2014 e  2024, utilizando as bases de dados Scielo, CID-11, Pubmed e Revista Brasileira de  Medicina do Trabalho , resultando na análise completa de 5 artigos. As evidências  apontam que a SB é um problema sistêmico, resultante de exposição crônica a  estressores no ambiente de trabalho. O Sofrimento Moral (MD), que acontece quando  o enfermeiro é incapaz de realizar a ação que julga apropriada , apresenta associação  significativa com a Síndrome de Burnout. Dessa forma, as intervenções mais fortes  devem ser sistêmicas e focar nas causas organizacionais, incluindo: o combate à  sobrecarga de trabalho (através de políticas para dimensionamento adequado de  pessoal e aumento da equipe) ; a melhoria da infraestrutura (garantindo recursos e  equipamentos modernos) ; e a valorização profissional (com remuneração justa e  reconhecimento). Tais estratégias devem ser complementadas por suporte individual,  como a priorização de descanso e pausas , o oferecimento de apoio em saúde mental  e o fortalecimento da resiliência (por meio de técnicas de autocuidado e mindfulness).  Conclui-se que o manejo eficaz exige uma abordagem abrangente, priorizando as mudanças organizacionais ao lado do suporte individual necessário para proteger a  saúde dos cuidadores. 

Palavras-chave: Enfermeiros , Saúde , Síndrome de Burnout , Estratégias. 

ABSTRACT 

Burnout Syndrome (BS) is an emotional disorder of occupational origin,  recognized by the WHO, characterized by exhaustion, feelings of negativism or  cynicism toward work, and a sense of ineffectiveness. This syndrome plagues health  professionals, with nurses being particularly affected. This study aims to deepen the  knowledge on the topic and identify urgent strategies for prevention and management.  This is a literature review conducted between 2014 and 2024, using the Scielo, CID 11, Pubmed, and Revista Brasileira de Medicina do Trabalho databases , resulting in  the full analysis of 5 articles. The evidence suggests that BS is a systemic problem  resulting from chronic exposure to workplace stressors. Moral Distress (MD), which  occurs when the nurse is unable to perform the action they deem appropriate , shows  a significant association with Burnout Syndrome. Therefore, the strongest interventions  must be systemic and focus on organizational causes, including: combating work  overload (through policies for adequate staffing and increasing the team) ; improving  infrastructure (ensuring resources and modern equipment) ; and professional valorization (with fair compensation and recognition). These strategies should be complemented by individual support, such as prioritizing rest and breaks , offering  mental health support, and strengthening resilience (through self-care and mindfulness  training). It is concluded that effective management requires a comprehensive  approach, prioritizing organizational changes alongside the necessary individual  support to protect the health of caregivers. 

Keywords: Nurses , Health , Burnout Syndrome , Strategies. 

Introdução 

Segundo a OMS a síndrome de Burnout é um distúrbio emocional ligado  diretamente ao contexto ocupacional causada pelo excesso de trabalho desgastante,  ela é caracterizada por sintomas como a fadiga física e mental extrema geralmente  causada pelos seguintes pontos: sentimentos de esgotamento ou exaustão de  energia; aumento da distância mental do trabalho ou sentimentos de negativismo ou  cinismo em relação ao trabalho; e uma sensação de ineficácia e falta de realização.  (CID-11,2022).  

A mesma assola os profissionais da saúde ao redor do mundo todo, os autores  Cibele Fabichak, João Silvestre da Silva-Junior e Luiz Carlos Morrone citam estudos  realizados em solo brasileiro que apontavam um acometimento de 78,4% de sintomas  de síndrome de burnout em profissionais que atuavam nas seguintes áreas:  residentes médicos de Ortopedia, Clínica Médica, Cirurgia, Pediatria, Ginecologia e  Obstetrícia, em um hospital público (Fabichak C, Silva-Junior JS, Morrone LC. Burnout  syndrome in medical residents and work organizational predictors. Rev Bras Med  Trab.2014), os profissionais de enfermagem são especialmente afetados por essa  doença, com estudos internacionais revelando uma incidência de 45,60% para  tendência a burnout e 14,70% apresentando a síndrome (Alonso S, Ortega PS,  Manuel V. 2014). 

Por se tratar de um problema crescente e perigoso a síndrome de Burnout deve  ser pesquisada com afinco e estratégias criadas e implementadas com o maior grau  de urgência possível. A pesquisa a seguir visa trazer o aprofundamento sobre o tema  e mostrar formas de amortização do mesmo. 

Métodos

Trata-se de uma revisão de literatura utilizando como bases de dados Scielo,  CID-11, Pubmed,revista Brasileira de medicina do trabalho entre o período de 2014 a  2024. Os critérios de inclusão foram: artigos originais, nacionais e internacionais,  disponíveis na íntegra, excluindo-se materiais duplicados e que não apresentassem  conteúdos que se alinhassem com a temática da pesquisa. Os descritores utilizados  na pesquisa foram: Enfermeiros, Saúde, Síndrome de Burnout, estratégias. Foram  encontrados 456 artigos, após análise por título foram pré-selecionados 47 artigos,  desses artigos foi realizada a leitura do resumo que resultou em 20 artigos e por fim  a leitura da íntegra do material, resultou na análise completa de 5 artigos. 

 Desenvolvimento 

1. A Natureza Sistêmica da Síndrome de Burnout: Fatores Etiológicos e Estruturais 

A discussão sobre como prevenir e manejar a Síndrome de Burnout (SB) em  profissionais de enfermagem precisa, necessariamente, reconhecer que esta  condição é, antes de tudo, um problema do ambiente de trabalho e de sua organização  [Fabichak et al., 2014]. As evidências apontam que a SB resulta de uma “exposição  frequente e prolongada a estressores no ambiente de trabalho” [Fabichak et al., 2014],  e não apenas de falhas individuais [Fabichak et al., 2014]. A SB, que envolve exaustão  emocional, despersonalização e baixa realização profissional [Sullivan et al., 2021;  Villagran et al., 2023], é uma consequência do desgaste crônico em uma profissão já  vulnerável, já que os enfermeiros estão em “contínuo contato com pessoas que têm  problemas ou motivos de sofrimento” [Sánchez Alonso et al., 2014]. 

Um elemento-chave na etiologia da SB na enfermagem é o Sofrimento moral (MD). A  pesquisa indica que existe uma associação significativa entre a intensidade e a  frequência do sofrimento moral e as dimensõesa da Síndrome de Burnout [Villagran  et al., 2023]. O MD acontece quando o enfermeiro “identifica o que é apropriado a  fazer, mas percebe que é incapaz de realizar tal ação” [Villagran et al., 2023]. Em um  estudo com enfermeiros, aqueles que apresentaram alta exaustão emocional e baixa  realização profissional mostraram uma maior prevalência de sofrimento moral  [Villagran et al., 2023]. Por isso, estratégias que visam mitigar o sofrimento moral são,  na verdade, estratégias cruciais de prevenção do Burnout. 

Já que os principais preditores da SB são organizacionais, as intervenções mais fortes  para o manejo e prevenção devem ser sistêmicas [Sullivan et al., 2021]. O desafio  começa na sobrecarga de trabalho, que é um fator preditor negativo frequentemente  relatado [Fabichak et al., 2014]. Em ambientes de alta complexidade, como as UTIs, a sobrecarga é um problema constante [Sánchez Alonso et al., 2014], sendo que a  carga horária superior a 12 horas diárias tem uma associação positiva com o alto  padrão de Exaustão Emocional e Despersonalização [Fernandes et al., 2018]. Por  isso, o manejo deve incluir a garantia de que as organizações “crie políticas para  proteger os enfermeiros do dimensionamento inadequado de pessoal” [Sullivan etal.,  2021]. O aumento da “equipe de enfermagem” [Fabichak et al., 2014] é uma medida  fundamental, pois a sensação de que a instituição está insuficientemente equipada  tem uma correlação negativa com o Burnout [Sullivan et al., 2021]. 

Além do dimensionamento, a prevenção precisa atacar as causas do Sofrimento Moral  ligadas ao ambiente de trabalho. Os enfermeiros relatam que a falta de recursos e as  condições de trabalho ruins afetam a qualidade do cuidado e causam conflitos éticos  [Villagran et al., 2023; Fabichak et al., 2014]. A SB e o MD estão relacionados a  “condições de trabalho”, como o reconhecimento de que os “equipamentos/materiais  permanentes disponíveis são insuficientes” [Villagran et al., 2023]. Por isso, as  instituições precisam melhorar a infraestrutura, “comprar equipamentos mais  modernos” e evitar a “falta de medicações” [Fabichak et al., 2014]. 

Outro ponto que exige manejo institucional é a questão da valorização. O baixo  “reconhecimento/valorização do trabalho” e a falta de “incentivo ao desenvolvimento  profissional” são fatores negativos [Fabichak et al., 2014]. A baixa realização  profissional, que foi a dimensão mais afetada em alguns estudos [Sánchez Alonso et  al., 2014], pode ser tratada através de uma remuneração justa. Enfermeiros que não  se sentem “adequadamente pagos pelo seu trabalho” [Sullivan et al., 2021] tendem a  ter mais burnout. O manejo deve, portanto, incluir uma revisão das políticas de  compensação. 

2. Estratégias de Manejo e Suporte Individual e Organizacional 

As políticas de prevenção devem complementar as mudanças estruturais com suporte  direto ao profissional, protegendo-o do desgaste inerente à profissão. 

O descanso é um pilar da prevenção. A carga horária prolongada leva à “privação do  sono e distúrbio do ciclo vigília-sono” [Fabichak et al., 2014]. Por isso, a gestão deve  priorizar “rest and breaks” (descanso e pausas) [Sullivan et al., 2021], chegando a ser  sugerida a permissão de “pausas noturnas para breves descansos nos plantões  noturnos no pronto-socorro” [Fabichak et al., 2014]. 

No nível de suporte individual, as instituições precisam monitorar o risco de burnout  [Sullivan et al., 2021], já que a detecção precoce pode evitar o desenvolvimento  completo da síndrome. É fundamental oferecer “serviço de apoio em saúde mental”  [Fabichak et al., 2014] e “psychosocial and psychological support” (suporte psicossocial e psicológico) [Sullivan et al., 2021], especialmente porque o estresse  constante pode levar a manifestações comportamentais de fuga, como o “uso abusivo  de substâncias como tabaco e álcool” [Fernandes et al., 2018]. 

Por fim, as estratégias de manejo devem incluir o fortalecimento da resiliência e das  habilidades de enfrentamento dos profissionais. A SB tem uma correlação negativa  com a resiliência [Sullivan et al., 2021], o que mostra que o treinamento pode ajudar.  As organizações devem auxiliar os enfermeiros a “implement strategies to protect their  well-being” (implementar estratégias para proteger seu bem-estar) [Sullivan et al.,  2021] por meio de “self-care techniques” (técnicas de autocuidado) e “mindfulness  training” (treinamento de mindfulness) [Sullivan et al., 2021]. Além disso, em  momentos de alta pressão, como pandemias, é vital ensinar “new working strategies  to prevent burnout” (novas estratégias de trabalho) e reduzir “feelings of uncertainty  and fear” (sentimentos de incerteza e medo) [Marjanovic et al., 2007 citado em  Sullivan et al., 2021]. 

Em suma, a prevenção e o manejo do Burnout na enfermagem exigem uma  abordagem abrangente que priorize as mudanças organizacionais – combatendo a  sobrecarga, garantindo recursos e valorizando o profissional – ao mesmo tempo em  que oferece o suporte individual necessário para proteger a saúde dos cuidadores  [Fernandes et al., 2018]. 

Referências 

CID-11,2022; https://icd.who.int/browse/2025-01/mms/pt#129180281 

Burnout syndrome in medical residents and work organizational predictors Fabichak  C, Silva-Junior JS, Morrone LC. Burnout syndrome in medical residents and work  organizational predictors. Rev Bras Med Trab.2014;12(2) DOI::79-84 

SANCHEZ ALONSO, Patricia; SIERRA ORTEGA, Víctor Manuel. Síndrome de  Burnout en el personal de enfermería en UVI. Enferm. glob., Murcia , v. 13, n. 33, p.  252-266, enero 2014 . Disponible en  <http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1695-61412014000100012&lng=es&nrm=iso>. accedido en 05 sept. 2025.  

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Villagran CA, Dalmolin GL, Barlem ELD, Greco PBT, Lanes TC, Andolhe R.  Association between Moral Distress and Burnout Syndrome in university-hospital  nurses. Rev Lat Am Enfermagem. 2023 Jan-Dec;31:e3747. doi: 10.1590/1518- 8345.6071.3747. PMID: 36722633; PMCID: PMC9886076.

Sullivan D, Sullivan V, Weatherspoon D, Frazer C. Comparison of Nurse Burnout,  Before and During the COVID-19 Pandemic. Nurs Clin North Am. 2022 Mar;57(1):79- 99. doi: 10.1016/j.cnur.2021.11.006. Epub 2021 Nov 9. PMID: 35236610; PMCID:  PMC8576118.