ALEITAMENTO MATERNO: MANEJO DO ALEITAMENTO MATERNO NO BINÔMIO MÃE–RECÉM-NASCIDO, FOCANDO NAS TÉCNICAS, DIFICULDADES E PAPEL DO ENFERMEIRO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511170915


Erica Gomes de Oliveira1; Joice Monalizeu de Jesus Ferreira1; Juliana Barbosa da Costa1; Julia Bundu Santana1; Vanessa Maria da Silva1; Silvana Flora de Melo2; Wanessa Galli3; Jamila Fabiana de Oliveira Costa4


RESUMO 

O aleitamento materno é considerado uma das práticas mais eficazes para a promoção da saúde infantil, sendo capaz de suprir todas as necessidades nutricionais do recém-nascido nos primeiros meses de vida, além de reduzir a morbimortalidade e contribuir para o desenvolvimento cognitivo, imunológico e social. Apesar dos avanços obtidos nas últimas décadas, os índices de amamentação exclusiva até os seis meses de idade ainda permanecem abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, revelando a necessidade de maior investimento em políticas públicas, estratégias de educação em saúde e fortalecimento da atenção básica. No contexto contemporâneo, o manejo adequado do aleitamento materno assume grande relevância, uma vez que desafios fisiológicos, como dor mamilar, fissuras, ingurgitamento e mastite, associados a fatores psicossociais, como a falta de apoio familiar e o retorno precoce da mãe ao trabalho, constituem barreiras que frequentemente levam ao desmame precoce. Este estudo tem como objetivo discutir o manejo do aleitamento materno no binômio mãe–recém-nascido, enfatizando as técnicas de amamentação, as dificuldades enfrentadas pelas mães e o papel do enfermeiro na promoção da saúde e no suporte à amamentação. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico em bases de dados nacionais e internacionais, incluindo PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Scopus e Web of Science, considerando estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram incluídas pesquisas que abordaram aspectos relacionados ao manejo do aleitamento materno, técnicas, dificuldades e intervenções de enfermagem, e excluídos relatos de caso, revisões narrativas, dissertações, teses e publicações duplicadas. Os resultados apontaram que o enfermeiro exerce papel central na orientação materna, na prevenção e manejo das intercorrências relacionadas à amamentação e na implementação de práticas educativas que contribuem para o fortalecimento do vínculo mãe–filho. Além disso, verificou-se que oficinas educativas, grupos de apoio e bancos de leite humano representam estratégias efetivas para prolongar a amamentação exclusiva, reforçando a importância do suporte comunitário. Em nível internacional, a Iniciativa Hospital Amigo da Criança mostrou-se eficaz na redução das taxas de desmame precoce, e no Brasil, sua implementação contribui para a qualificação da assistência em saúde. A discussão evidenciou ainda que os fatores sociais, culturais e estruturais permanecem como determinantes relevantes para o sucesso da prática do aleitamento, o que reforça a necessidade de políticas públicas robustas e de uma rede de apoio integrada. Conclui-se que a manutenção do aleitamento materno exige a atuação multiprofissional, especialmente da enfermagem, aliada a políticas de incentivo e a estratégias de educação em saúde, de modo a garantir maior adesão ao aleitamento materno exclusivo, prevenir complicações e assegurar os benefícios dessa prática para a saúde infantil e materna ao longo da vida.

Descritores: Aleitamento materno; Enfermagem; Recém-nascido; Saúde maternoinfantil; Promoção da saúde.

1. INTRODUÇÃO

O aleitamento materno é reconhecido mundialmente como a principal estratégia de promoção da saúde infantil, sendo considerado um alimento completo, capaz de suprir todas as necessidades nutricionais do recém-nascido nos primeiros meses de vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento exclusivo deve ser mantido até os seis meses de idade, estendendo-se de forma complementar até, no mínimo, os dois anos (WHO, 2021). Trata-se de um fenômeno biológico, cultural e social, que envolve não apenas a nutrição, mas também a construção do vínculo entre mãe e filho.

No Brasil, os indicadores de aleitamento materno vêm apresentando avanços nas últimas décadas, embora ainda estejam aquém das metas propostas pela OMS. Estima-se que apenas 45% das crianças menores de seis meses sejam alimentadas exclusivamente com leite materno (BRASIL, 2020). Esse dado evidencia a necessidade de maior investimento em políticas públicas, estratégias de educação em saúde e fortalecimento da atenção básica.

Segundo Oliveira e Santos (2021), o processo de amamentação é permeado por desafios que incluem dor mamilar, ingurgitamento, mastite e dificuldades na pega correta do bebê, fatores que muitas vezes levam ao desmame precoce. Além das questões fisiológicas, aspectos psicológicos e sociais também interferem, como o retorno da mãe ao trabalho e a falta de apoio familiar.

Estudos epidemiológicos demonstram que crianças amamentadas exclusivamente ao seio apresentam menores índices de morbimortalidade infantil, especialmente por doenças respiratórias e diarreicas (VICTORA et al., 2016). Além disso, o aleitamento está associado ao desenvolvimento cognitivo, ao fortalecimento do sistema imunológico e à redução de doenças crônicas na vida adulta, como diabetes e hipertensão (SOUZA; PEREIRA, 2020).

No âmbito da enfermagem, o profissional assume papel central no manejo clínico e educativo do aleitamento materno. De acordo com Araújo e Fernandes (2019), cabe ao enfermeiro orientar a mãe quanto às técnicas de posicionamento e pega correta, identificar dificuldades precocemente e oferecer suporte emocional durante o processo. A prática educativa, por meio de consultas de pré-natal, visitas domiciliares e rodas de conversa, tem se mostrado eficaz para melhorar os índices de adesão ao aleitamento (COSTA et al., 2021).

A literatura evidencia que intervenções comunitárias, como grupos de apoio à amamentação e bancos de leite humano, ampliam significativamente a duração do aleitamento exclusivo (SILVA; SOARES, 2020). Esses espaços fortalecem a rede de apoio e garantem orientações qualificadas para mães em diferentes contextos sociais.

Em nível internacional, pesquisas apontam que países que implementaram programas de incentivo, como a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), obtiveram resultados positivos na redução das taxas de desmame precoce (PÉREZESCAMILLA et al., 2016). No Brasil, a adesão à IHAC tem contribuído para a qualificação da assistência nos serviços de saúde, promovendo ambientes mais favoráveis ao aleitamento materno.

Além de sua relevância clínica, o aleitamento materno apresenta forte impacto econômico. Estudos estimam que o aumento das taxas de amamentação exclusiva até os seis meses poderia evitar mais de 800 mil mortes infantis por ano em todo o mundo e gerar economia de bilhões de dólares em custos com saúde (ROLLINS et al., 2016).

O campo de estudo sobre o manejo do aleitamento materno, portanto, abrange aspectos clínicos, sociais, econômicos e culturais. A atuação do enfermeiro mostrase indispensável, visto que suas intervenções educativas e assistenciais impactam diretamente a adesão materna e a promoção da saúde infantil.

Dessa forma, este trabalho delimita-se a discutir o manejo do aleitamento materno no binômio mãe-recém-nascido, com ênfase nas técnicas de amamentação, nas dificuldades enfrentadas pelas mães e no papel do enfermeiro como protagonista no incentivo e suporte à amamentação.

1. OBJETIVOS 

Discutir o manejo do aleitamento materno no binômio mãe-recém-nascido, enfatizando as técnicas de amamentação, as dificuldades enfrentadas pelas mães e o papel do enfermeiro na promoção da saúde e no suporte à amamentação.

2. MATERIAIS E MÉTODOS 

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico em bases de dados científicas nacionais e internacionais, com o objetivo de reunir, sintetizar e analisar evidências recentes relacionadas ao manejo do aleitamento materno no binômio mãe–recém-nascido, com ênfase nas técnicas, dificuldades e no papel do enfermeiro.

A busca dos artigos é realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Scopus e Web of Science, utilizando descritores controlados e não controlados, combinados com os operadores booleanos AND e OR, a fim de ampliar a abrangência dos resultados obtidos. Os descritores empregados são: “aleitamento materno”, “amamentação”, “enfermagem”, “binômio mãe–recém-nascido”, “breastfeeding techniques” e “nursing care”.

São incluídos estudos publicados entre 2019 e 2024, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordam aspectos do manejo do aleitamento materno, incluindo técnicas, dificuldades e intervenções de enfermagem. São excluídos artigos de revisão narrativa, relatos de caso, dissertações, teses e publicações duplicadas nas bases de dados consultadas.

O desenvolvimento da revisão integrativa segue as seis fases metodológicas propostas por Souza, Silva e Carvalho (2010), descritas a seguir:

Identificação do tema e formulação da pergunta norteadora: “Quais as evidências disponíveis na literatura sobre o manejo do aleitamento materno no binômio mãe–recém-nascido e o papel do enfermeiro nesse processo?”

Estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão: Definidos previamente conforme descrito acima. Identificação dos estudos nas bases de dados: Realizada a partir dos descritores e operadores booleanos selecionados.

Categorização dos estudos selecionados: As informações relevantes são registradas em planilha padronizada, contemplando autor, ano, país, delineamento metodológico, população, intervenções, dificuldades e resultados.

Análise e interpretação dos resultados: Executada de forma qualitativa e descritiva, organizando os achados em categorias temáticas:

(1) Técnicas de aleitamento materno;

(2) Dificuldades enfrentadas pelas mães;

(3) Papel do enfermeiro no suporte à amamentação;

(4) Estratégias educativas para prevenção do desmame precoce.

Apresentação da revisão: Os resultados são sintetizados, destacando convergências e divergências entre os estudos, bem como lacunas de conhecimento e implicações para a prática de enfermagem.

O processo de seleção segue ainda as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), conduzido em três etapas:

(1) identificação dos artigos nas bases de dados;

(2) triagem inicial por títulos e resumos; e

(3) leitura integral dos estudos elegíveis para confirmação da adequação ao objetivo da pesquisa.

Os resultados são comparados em diferentes contextos regionais e internacionais, de modo a ampliar a compreensão sobre as práticas de enfermagem no manejo do aleitamento materno.

4. RESULTADOS 

Os estudos selecionados para esta revisão sistemática refletem a complexidade do fenômeno do aleitamento materno, ao contemplar desde os fatores fisiológicos que interferem na prática até os aspectos sociais, culturais e econômicos que determinam sua continuidade ou interrupção. A análise da literatura revela não apenas os benefícios clínicos já consolidados, mas também as lacunas que ainda persistem no apoio às nutrizes, especialmente no que se refere à atenção primária e à atuação multiprofissional.

Nesse sentido, torna-se evidente a necessidade de maior investimento em políticas públicas consistentes, estratégias de educação em saúde e fortalecimento da atenção básica como instrumentos fundamentais para assegurar a manutenção do aleitamento exclusivo até os seis meses e complementar até os dois anos ou mais, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde. Além disso, a diversidade de metodologias e contextos dos estudos demonstra que a prática da amamentação não pode ser compreendida apenas como uma escolha individual da mãe, mas sim como resultado de uma rede de fatores interligados, que envolvem suporte institucional, familiar e comunitário. A seguir, apresenta-se o quadro 1 a caracterização dos estudos incluídos na revisão, organizada por ano de publicação, autor principal, objetivo e principais achados, de modo a sistematizar o panorama atual das evidências científicas sobre o manejo do aleitamento materno no binômio mãe–recém-nascido. 

Quadro 1 – Caracterização dos estudos segundo autor, ano, periódico, tipo de pesquisa e nível de evidência (2019–2024)

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

O Quadro 2 apresenta a síntese dos estudos incluídos na revisão, destacando o contexto de realização, os objetivos e os principais achados identificados em cada pesquisa. Essa sistematização permite visualizar de forma comparativa as abordagens adotadas pelos autores, evidenciando convergências quanto à importância do papel do enfermeiro no manejo do aleitamento materno, bem como as principais dificuldades enfrentadas pelas nutrizes e as estratégias educativas utilizadas para promover o aleitamento exclusivo. Observa-se que, em diferentes contextos, os resultados reforçam a necessidade de ações sistematizadas, acompanhamento contínuo e apoio multiprofissional para o êxito da amamentação.

Quadro 2 – Síntese dos estudos quanto ao contexto, objetivo e principais achados (2019–2024)

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Os resultados analisados corroboram a relevância do enfermeiro como protagonista no manejo e promoção do aleitamento materno, pois suas ações educativas, de escuta e acompanhamento contínuo fundamentam o sucesso da amamentação. Estudos como os de Araújo e Fernandes (2019) e Fróis Santana, Silva e Martins (2023) confirmam que o enfermeiro exerce papel essencial na orientação das nutrizes e na prevenção de complicações, enquanto Souza e Ayres (2023) ratificam que a presença ativa desse profissional em bancos de leite humano apoia diretamente a manutenção do aleitamento exclusivo. Dessa forma, a atuação do enfermeiro se sustenta como eixo estratégico de cuidado e de promoção da saúde materno-infantil.

Ao cotejar os estudos que abordam estratégias educativas, observa-se convergência quanto à eficácia dessas práticas no fortalecimento da autoconfiança materna e na prevenção do desmame precoce. Silva e Soares (2020) e Costa, Lima e Freitas (2021) comprovam que grupos de apoio e oficinas educativas são ferramentas eficazes para a troca de experiências e aquisição de conhecimentos. Carvalho e Marques (2021) reforçam essa perspectiva ao destacar que as intervenções educativas, quando conduzidas de forma contínua, fundamentam o vínculo entre o profissional de saúde e a nutriz, ampliando a adesão ao aleitamento materno exclusivo. Assim, as evidências confirmam que a educação em saúde é uma estratégia indispensável para a promoção de práticas sustentáveis de amamentação.

Entretanto, ao contrastar os achados de Santos, Varjão, Azevedo et al. (2024) com os de Giugliani (2018) e Lamounier (2019), nota-se que ainda existem fragilidades na atenção primária relacionadas à falta de sistematização e à escassez de protocolos clínicos padronizados. As dificuldades físicas, como dor e fissuras mamilares, apontadas por Oliveira e Santos (2021), defrontam-se com a ausência de intervenções preventivas oportunas, o que comprova a necessidade de um acompanhamento técnico mais efetivo. Além disso, Santos e Silva (2020) confirmam que fatores socioculturais e crenças familiares influenciam diretamente o desmame precoce, evidenciando que o fenômeno da amamentação ultrapassa o campo biológico e se consolida como questão social e educativa.

Por fim, ao cotejar as contribuições internacionais, percebe-se que os estudos de Victora et al. (2016) e Rollins et al. (2016) ratificam o impacto global do aleitamento materno na redução da mortalidade infantil e na prevenção de doenças crônicas, corroborando os achados nacionais de Souza e Pereira (2020). No contexto da pandemia, Prado da Silva e Lopes (2022) confirmam que hospitais credenciados pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança conseguiram manter taxas satisfatórias de amamentação, comprovando que políticas estruturadas e ambientes de apoio são determinantes para o êxito do aleitamento. Assim, os resultados fundamentam a compreensão de que o sucesso da amamentação depende da integração entre políticas públicas, capacitação profissional e suporte familiar, reforçando o papel do enfermeiro como mediador essencial nesse processo.

5. DISCUSSÃO 

A análise dos estudos revelou que o aleitamento materno permanece um desafio multifatorial, que exige integração entre profissionais de saúde, políticas públicas, família e sociedade. Opapel do enfermeiro é destacado como eixo central da promoção e manejo da amamentação, conforme Araújo e Fernandes (2019), reforçado por Fróis Santana, Silva e Martins (2023) e Souza e Ayres (2023), que apontam as ações de orientação, escuta e apoio como determinantes para o êxito do processo.

As intervenções educativas aparecem como estratégias recorrentes e eficazes. Silva e Soares (2020) ressaltam os grupos de apoio como espaços de troca de experiências que fortalecem a confiança materna, enquanto Costa, Lima e Freitas (2021) e Carvalho e Marques (2021) destacam oficinas e atividades coletivas como instrumentos que aumentam o conhecimento e reduzem a incidência de desmame precoce. Contudo, Santos, Varjão, Azevedo et al. (2024) evidenciam fragilidades na atenção primária, indicando que, embora relevantes, as práticas educativas ainda não estão plenamente consolidadas nos serviços de saúde.

No que tange aos fatores de risco, Santos e Silva (2020) identificam aspectos sociais e culturais como determinantes do desmame precoce, enquanto Oliveira e Santos (2021) apontam dificuldades físicas, como dor e fissuras mamilares, que podem desencorajar a nutriz. Tais barreiras reforçam a importância de protocolos assistenciais adequados, defendidos por Giugliani (2018) e Lamounier (2019), que propõem orientações precoces e manejo clínico sistematizado.

Autores internacionais contribuem com uma visão de longo prazo. Victora et al. (2016) e Rollins et al. (2016) ressaltam o impacto do aleitamento na redução da mortalidade infantil e na prevenção de doenças crônicas. Esse achado converge com Souza e Pereira (2020), que confirmam os efeitos protetores do aleitamento materno exclusivo (AME) sobre doenças crônicas não transmissíveis. Pérez-Escamilla et al. (2016) complementam ao demonstrar a eficácia da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) na melhora das taxas de aleitamento.

No contexto da pandemia de COVID-19, Prado da Silva e Lopes (2022) mostraram que hospitais credenciados pela IHAC conseguiram manter práticas favoráveis ao aleitamento, apesar das restrições sanitárias. Ainda assim, Santos Neto et al. (2023) observaram que a autoeficácia da nutriz no puerpério imediato esteve fortemente associada ao apoio familiar e profissional, revelando a necessidade de redes de suporte mais abrangentes.

Do ponto de vista das políticas públicas e recomendações internacionais, a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2021) mantém orientações claras sobre a importância do aleitamento exclusivo até os seis meses, seguido da introdução gradual de alimentos complementares, o que se alinha às evidências apresentadas por Silva, Ribeiro, Bezerra et al. (2022), que mostram que as taxas de AME ainda estão abaixo do preconizado. Boccolini et al. (2017) acrescentam que a amamentação na primeira hora de vida é um dos principais fatores associados à manutenção do aleitamento no longo prazo, reforçando a importância da assistência imediata no pós-parto.

Dessa forma, os estudos convergem ao apontar que o sucesso do aleitamento materno depende de múltiplas variáveis, entre elas: o preparo técnico da equipe de saúde, o apoio familiar, o contexto sociocultural e as políticas públicas estruturadas. Com base nas evidências analisadas, conclui-se que a promoção e manutenção do aleitamento materno requerem ações integradas que envolvam tanto o nível individual quanto coletivo. O enfermeiro assume protagonismo nesse processo, seja na educação em saúde, no manejo clínico das dificuldades ou no fortalecimento do vínculo entre mãe e filho. 

Apesar dos avanços, permanecem desafios relacionados às barreiras socioculturais, à falta de preparo de alguns serviços e às taxas ainda insuficientes de aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Portanto, recomenda-se a ampliação de políticas públicas voltadas ao aleitamento, com ênfase na atenção primária; a capacitação contínua dos profissionais de saúde, sobretudo dos enfermeiros, para o manejo clínico e educativo; o fortalecimento das redes de apoio social e familiar, que se mostraram determinantes para a autoeficácia materna; e a investigação de novas estratégias, incluindo o uso de tecnologias digitais e o teleatendimento, como ferramentas para o incentivo à amamentação. Assim, este estudo responde ao objetivo proposto ao demonstrar que o aleitamento materno, além de uma prática biológica, constitui-se também como um fenômeno social, cultural e político que exige esforços coletivos para sua consolidação.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Conclui-se que o aleitamento materno constitui prática fundamental para a promoção da saúde infantil e fortalecimento do vínculo mãe–recém-nascido, devendo ser compreendido em sua dimensão clínica, social, cultural e econômica. A revisão da literatura evidenciou que o enfermeiro desempenha papel essencial tanto no manejo de dificuldades fisiológicas, quanto no desenvolvimento de ações educativas capazes de ampliar a adesão ao aleitamento materno exclusivo e reduzir as taxas de desmame precoce. Observou-se, ainda, que fatores sociais e estruturais permanecem como barreiras significativas, o que reforça a importância de políticas públicas robustas, estratégias de educação em saúde e fortalecimento da atenção primária para assegurar práticas eficazes e sustentáveis. Dessa forma, a amamentação deve ser encarada não apenas como responsabilidade individual da mãe, mas como resultado de um esforço coletivo que envolve família, profissionais de saúde e instituições, garantindo assim a efetividade das recomendações internacionais e os benefícios do aleitamento ao longo da vida.

7. REFERÊNCIAS  

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1Discentes da universidade Anhembi Morumbi

2Docente da universidade Anhembi Morumbi

3Docente da universidade Anhembi Morumbi

4Cordenadora da universidade Anhembi Morumbi

Curso de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi