ESTRATÉGIAS DE ENFERMAGEM PARA A PREVENÇÃO DE PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA (PAV) EM PACIENTES ADULTOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511131025


Anderson Almeida de Araújo
Fernanda Oliveira Cajueiro de Andrade
Orientador: Prof. Esp. Lucas José Sales de Araújo


RESUMO 

A ventilação mecânica tem se consolidado como um recurso fundamental no suporte  respiratório de pacientes críticos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). No  entanto, sua utilização está associada a riscos significativos, sendo a Pneumonia  Associada à Ventilação Mecânica (PAV) uma das complicações mais graves e  frequentes. Este estudo tem como objetivo geral compreender as estratégias que  podem ser implementadas pela enfermagem na prevenção da PAV, considerando o  impacto sobre a qualidade de vida e a segurança dos pacientes. A metodologia  adotada foi baseada em revisão bibliográfica, com a análise de publicações  acadêmicas que discutem as melhores práticas no manejo e prevenção da condição.  Entre as principais considerações finais, destacou-se a importância do papel do  enfermeiro na monitorização e na implementação de protocolos baseados em  evidências científicas, tais como a higienização bucal, a elevação do leito e a  interrupção periódica da sedação. Além disso, a formação contínua e a liderança do  enfermeiro foram apontadas como elementos cruciais para a promoção de uma  cultura de segurança e para a redução da morbimortalidade associada à PAV. 

Palavras-chave: Cuidados Intensivos. Pneumonia. Prevenção. Enfermagem.

ABSTRACT 

Mechanical ventilation has become a fundamental resource for respiratory support in  critically ill patients in Intensive Care Units (ICUs). However, its use is associated with  significant risks, with Ventilator-Associated Pneumonia (VAP) being one of the most  severe and frequent complications. This study aims to understand the strategies that  nursing can implement to prevent VAP, considering its impact on patients’ quality of  life and safety. The methodology adopted was based on a bibliographic review,  analyzing academic publications that discuss best practices in managing and  preventing this condition. Among the main final considerations, the importance of the  nurse’s role in monitoring and implementing evidence-based protocols was  highlighted, such as oral hygiene, bed elevation, and periodic sedation interruption.  Additionally, continuous education and nursing leadership were identified as crucial  elements for promoting a safety culture and reducing VAP-associated morbidity and  mortality. 

Keywords: Intensive Care. Pneumonia. Prevention. Nursing.

1. INTRODUÇÃO 

A ventilação mecânica é um dos principais avanços da medicina intensiva  moderna, desempenhando papel fundamental no suporte à função respiratória de  pacientes em estado crítico. Esse recurso terapêutico possibilita a manutenção da  oxigenação e ventilação adequadas em situações de insuficiência respiratória aguda  e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). 

Conforme ressaltado por Neto et al. (2020), o avanço da medicina intensiva  trouxe consigo a utilização cada vez mais frequente dessa técnica. No entanto,  embora essencial, a ventilação mecânica está associada a complicações importantes,  entre as quais se destaca a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV), uma das infecções mais graves e prevalentes em unidades de terapia intensiva (SILVA et  al., 2017). 

A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) é uma complicação grave  que pode surgir em pacientes submetidos à ventilação mecânica invasiva em  unidades de terapia intensiva (UTIs), representando um desafio significativo para os  profissionais de saúde e para a gestão hospitalar (SILVA, et al. 2017). Essa condição,  além de acarretar impactos clínicos diretos, como sepse e insuficiência respiratória  aguda, está intrinsecamente ligada a uma série de desfechos adversos, incluindo o  aumento da morbimortalidade e o prolongamento do tempo de internação na UTI  (SILVA, et al. 2017). 

Além disso, é observado que por Barbas et al. (2013) que os pacientes  acometidos por PAV frequentemente enfrentam uma série de complicações  adicionais, o que pode comprometer seriamente sua qualidade de vida e resultar em  custos adicionais significativos para o sistema de saúde. 

Entre as complicações da ventilação mecânica destacam-se o suporte  prolongado, o risco de sepse, a dificuldade no desmame e possíveis sequelas  pulmonares, como fibrose e comprometimento respiratório. O enfermeiro, peça  fundamental no cuidado hospitalar, tem papel essencial na prevenção da PAV (BARBAS, et al. 2013). 

Assim, esta pesquisa tem como objetivo compreender as estratégias de  enfermagem para sua prevenção, analisando as indicações da ventilação mecânica,  os riscos e ocorrências de PAV e o papel da enfermagem na UTI.

2. OBJETIVOS: 

2.1 OBJETIVO GERAL 

Compreender as estratégias que podem ser realizadas pela enfermagem na  prevenção da PAV; 

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

  • Analisar as indicações da ventilação mecânica na UTI;
  • Avaliar os riscos e ocorrências de PAV;
  • Indicar o papel da enfermagem em casos de PAV.

3. REFERENCIAL TEÓRICO 

3.1 O USO DA VENTILAÇÃO MECÂNICA NA UNIDADE DE TRATAMENTO  

De acordo com Melo e Almeida (2014), a ventilação mecânica é um  procedimento terapêutico fundamental em medicina intensiva, utilizado para oferecer  suporte à função respiratória de pacientes com comprometimento da ventilação  espontânea ou insuficiência respiratória aguda. Essa técnica aplica pressão positiva  nas vias aéreas, promovendo a expansão pulmonar e a adequada troca gasosa. 

Segundo Neto et al. (2020), as indicações para o uso da ventilação mecânica  variam conforme a gravidade da insuficiência respiratória, podendo ser necessária em  diversas condições clínicas, como insuficiência respiratória aguda, síndrome do  desconforto respiratório agudo (SDRA), insuficiência respiratória hipoxêmica e  obstrução das vias aéreas, entre outras. 

Ainda segundo o autor supracitado, em pacientes com insuficiência respiratória  aguda, a ventilação mecânica é frequentemente utilizada como medida de suporte  temporário, permitindo que os pulmões descansem e se recuperem de condições  agudas que comprometem sua função. 

No caso da SDRA, principal indicação para ventilação mecânica, o objetivo é manter a oxigenação adequada e evitar o agravamento da lesão  pulmonar. O suporte ventilatório também é indicado em insuficiência respiratória hipoxêmica causada por edema pulmonar, embolia pulmonar maciça ou pneumonia grave, visando otimizar a oxigenação e garantir a perfusão dos órgãos vitais (NETO, et al. 2020). 

A decisão de iniciar a ventilação mecânica deve ser cuidadosamente avaliada,  considerando não apenas a gravidade da insuficiência respiratória, mas também as  condições clínicas gerais do paciente e os riscos associados ao procedimento. 

É fundamental uma abordagem individualizada, levando em conta fatores como  a presença de comorbidades, a capacidade pulmonar residual e a resposta do  paciente à terapia ventilatória (FONSECA; MARTINS E FONSECA, 2014). 

Assim como para Machado, et al. (2014) funcionamento da ventilação  mecânica envolve a aplicação de um volume controlado de ar ou oxigênio através de  um ventilador mecânico, ajustado de acordo com as necessidades do paciente,  existem diferentes modos ventilatórios que podem ser utilizados, como a ventilação controlada a volume, a ventilação controlada a pressão, a ventilação assistida, entre  outros. Cada modo ventilatório apresenta características específicas e é selecionado  com base na condição clínica do paciente e nos objetivos terapêuticos estabelecidos. 

É essencial que a ventilação mecânica seja realizada de forma adequada e segura, visando evitar complicações e maximizar os benefícios  terapêuticos. Ademais, é fundamental a aplicação de estratégias de  ventilação protetora, que visam minimizar o trauma pulmonar induzido pelo  ventilador, reduzir o risco de lesão pulmonar associada à ventilação mecânica  (LPAV) e melhorar os desfechos clínicos dos pacientes (BARBAS, et al. 2013). 

De acordo com Pére-Nieto et al. (2022), a ventilação mecânica é necessária  em pacientes adultos, utilizada quando não conseguem respirar espontaneamente de  forma eficaz, seja por falência respiratória, causas neurológicas, ou para proteger as  vias aéreas. Ressaltam, ainda, que esse procedimento tem como intuito assegurar as  trocas gasosas, diminuindo o trabalho respiratório e fadiga da musculatura,  preservando assim a hipóxia e a fadiga diafragmática, e melhorar a recuperação do  paciente em situações que envolvam a insuficiência respiratória, sedação profunda e  recuperação. 

Segundo Machado et al. (2014), o Brasil, encontra-se um conjunto de diretrizes  que visam a prática clínica e promover a segurança e a eficácia no manejo dos  pacientes sob ventilação mecânica, essas diretrizes abrangem uma série de tópicos  relacionados à ventilação mecânica. 

Dentre os tópicos, incluem-se indicações e modos ventilatórios, parâmetros de ajuste, estratégias de desmame e prevenção de complicações, um dos pontos centrais das recomendações brasileiras é a ênfase na aplicação de estratégias de ventilação protetora, visando minimizar o trauma pulmonar induzido pelo ventilador e reduzir o risco de lesão pulmonar associada à ventilação mecânica (LPAV) (MACHADO, et al. 2014). 

Além disso, segundo Celeste, et al. (2023) as diretrizes brasileiras da ventilação  mecânica destacam a importância da individualização do tratamento, levando em  consideração as características clínicas e as necessidades específicas de cada  paciente, além disso esse procedimento exige uma abordagem multidisciplinar,  envolvendo médicos intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais  de saúde na tomada de decisões relacionadas à ventilação mecânica.

Um dos aspectos relevantes abordados nas diretrizes é a aplicação da pausa ao final da inspiração, que consiste na interrupção da ventilação mecânica por alguns segundos no final da inspiração, permitindo que os pulmões se reexpandam e reduzindo o risco de atelectasia e lesão pulmonar, sendo que essa prática tem sido associada a uma melhor oxigenação e uma  redução da pressão nas vias aéreas (PÉRE-NIETO, et al. 2022). 

No entanto, de acordo com Kock, et al. (2017) apesar das recomendações  estabelecidas pelas diretrizes brasileiras, é importante ressaltar que a prática clínica  deve ser sempre baseada em uma avaliação individualizada do paciente, levando em  consideração as peculiaridades de cada caso e as evidências científicas mais  recentes. Dessa forma, é observado a necessidade da educação continuada e do treinamento dos profissionais de saúde envolvidos no manejo da ventilação mecânica, visando garantir a adesão às diretrizes e a obtenção dos melhores resultados clínicos  para os pacientes. 

A ventilação mecânica ocorre de duas formas: a invasiva e a não invasiva. Na  ventilação invasiva é utilizado um tubo oro ou nasotraqueal ou uma cânula de  traqueostomia introduzida na via aérea. Na ventilação não invasiva é utilizada  máscaras faciais ou nasais interligados entre paciente e ventilador (SANTOS, 2018),  esses dispositivos são usados para o fornecimento da ventilação, sendo ela  intermitente ou contínua, indicada principalmente na insuficiência respiratória aguda  (IRpA), na assistência fisioterápica da musculatura respiratória e na pós extubação  (COSTA et al., 2016). 

A atenção aos pacientes sob o uso de VMI é de tarefa dos profissionais de enfermagem, pois a evolução positiva deles depende de cuidados contínuos, capazes de promover a identificação de problemas que atinjam  diretamente suas necessidades. Para uma prestação de cuidados com  qualidade, é necessário que os enfermeiros tenham uma ampla compreensão  dos princípios da VM, além de reconhecer a tolerância fisiológica específica  de cada paciente (PÉRE-NIETO, et al. 2022). 

Ainda de acordo com os autores Pére-Nieto et al. (2022), embora a VMI seja  altamente segura e eletiva, a entubação endotraqueal pode deixar o paciente  vulnerável a complicações, como lesões de traqueia, sinusite, pneumonia, parada  cardíaca, necessidade de sedação, além de aumentar muito a mortalidade e o tempo  de internação pela associação de comorbidades. O uso excessivo e inadequado da  pressão positiva pode ocasionar a complicações, tais como lesão induzida pela VM,  pneumonias, atelectasias e fraqueza muscular do paciente crítico.

3.2. PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA 

A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) é uma complicação grave  em pacientes sob ventilação mecânica invasiva na UTI. 

Sua incidência está relacionada a fatores de risco como uso prolongado de ventilação, presença de tubo endotraqueal ou traqueostomia, imunossupressão e colonização orofaríngea por micro-organismos patogênicos (MOTA et al., 2017). 

De acordo com Mota et al. (2017), a presença do tubo endotraqueal ou  traqueostomia é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da PAV.  A intubação traqueal é frequentemente necessária em pacientes submetidos à  ventilação mecânica invasiva para manter as vias aéreas permeáveis e garantir a  oxigenação adequada. 

No entanto, a presença desse dispositivo aumenta o risco de aspiração de secreções orofaríngeas contaminadas para os pulmões, predispondo à infecção pulmonar. Além disso, o tempo prolongado de ventilação mecânica é outro fator de risco importante associado à PAV (MOTA, et al. 2017). 

Ainda segundo o autor supracitado, pacientes que necessitam de suporte  ventilatório por longos períodos apresentam maior exposição aos riscos da ventilação  mecânica, como lesão pulmonar induzida pelo ventilador, atrofia da musculatura  respiratória e comprometimento das defesas pulmonares, o que eleva a  suscetibilidade à infecção. 

Segundo Molinaro (2009), a aspiração endotraqueal é um cuidado destinado a  remover as secreções das vias aéreas e mantê-las pérvias, realizada por meio da  inserção de uma sonda no tubo endotraqueal.  

Entretanto, observa-se na prática que, por se tratar de uma técnica asséptica, algumas etapas do procedimento são frequentemente desconsideradas, o que pode resultar em complicações adicionais. Entre elas destacam-se queda na saturação de oxigênio, pneumonia nosocomial, aumento da pressão intracraniana, atelectasia, instabilidade hemodinâmica e extubação acidental (MOLINARO, 2009). 

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na abertura anterior da traqueia. É uma alternativa para fornecer um suporte ventilatório prolongado com conforto e segurança, contribuindo com os cuidados, como aspiração e boa higiene oral (FERREIRA, 2011). 

Dessa forma, Ferreira (2011) salienta que o procedimento contribui para o  desmame ventilatório difícil e beneficia a clínica do paciente, como a retirada de  sedativos, prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e de  lesões na pele e mucosas provocadas pelo tubo, possibilidade de reinserção da  alimentação por via oral, até a possibilidade de alta mais precoce. 

Segundo Hashimoto et al. (2020), as principais indicações do procedimento  incluem tempo prolongado de ventilação mecânica e falha no desmame ventilatório.  Alterações neurológicas com Glasgow menor que 8, polineuropatia e incapacidade de  proteger as vias aéreas também constituem indicativos para sua realização. 

Além disso, o procedimento pode ser realizado precocemente em casos de trauma facial significativo, lesões ou tumores no pescoço ou laringe, falhas de extubação, doenças pulmonares crônicas, edema de glote e outras  alterações anatômicas que dificultem a intubação orotraqueal ou a extubação (HASHIMOTO, et al. 2020). 

A imunossupressão do paciente predispõe ao desenvolvimento de infecções respiratórias, incluindo a PAV. Pacientes com comprometimento do sistema imunológico, seja por doenças subjacentes, como câncer ou doenças  autoimunes, ou pelo uso de medicamentos imunossupressores, apresentam resposta imunológica reduzida, tornando-se mais suscetíveis à colonização e infecção por micro-organismos patogênicos (MOTA et al., 2017).  

Costa et al. (2016) destaca outro fator de risco importante é a colonização da  orofaringe por bactérias patogênicas, que podem ser aspiradas para os pulmões,  elevando o risco de infecção pulmonar. Medidas de prevenção, como higiene oral  rigorosa e protocolos de aspiração traqueal, são essenciais para reduzir a colonização  e o risco de infecção em pacientes sob ventilação mecânica invasiva. 

A PAV ocorre principalmente devido à aspiração de conteúdo orofaríngeo contaminado, favorecida pela presença do tubo endotraqueal e pelo comprometimento da função mucociliar. A ventilação mecânica pode causar lesões na mucosa respiratória e alterar as defesas locais, tornando os pulmões mais vulneráveis à colonização e infecção por micro-organismos patogênicos (COSTA et al., 2016). 

Os riscos associados à PAV são significativos e incluem complicações graves, como sepse, insuficiência respiratória aguda e aumento da mortalidade, pacientes com PAV apresentam uma maior necessidade de suporte ventilatório, aumento do tempo de internação na UTI e maior consumo de recursos hospitalares, o que pode impactar negativamente os  resultados clínicos e a qualidade de vida dos pacientes (COSTA et al., 2016). 

De acordo com Silva, et al. (2017) entre as complicações mais graves  associadas à PAV está a sepse, uma condição potencialmente fatal caracterizada por  uma resposta inflamatória sistêmica desregulada do organismo a uma infecção, sendo  que sua presença aumenta significativamente o risco de sepse, levando a um quadro  clínico complexo que exige tratamento intensivo e imediato para evitar complicações  ainda mais graves e potencialmente letais. 

Ademais, a PAV também pode levar à insuficiência respiratória aguda, uma  condição em que os pulmões são incapazes de fornecer oxigênio suficiente para o  corpo, resultando em hipoxemia grave e comprometimento da função orgânica (SILVA, et al. 2017). Pacientes com PAV frequentemente requerem um suporte  ventilatório mais intensivo e invasivo, como a ventilação mecânica com pressão  positiva, para garantir uma oxigenação adequada e manter a função respiratória (SILVA, et al. 2017). 

De acordo com Silva et al. (2017), os impactos negativos da PAV vão além das  complicações clínicas diretas e se estendem para a gestão hospitalar e a qualidade  de vida dos pacientes, tendo em vista que os pacientes com PAV frequentemente  experimentam um aumento significativo no tempo de internação na UTI, bem como  um maior consumo de recursos hospitalares, incluindo medicamentos, equipamentos  médicos e mão de obra especializada. 

Portanto é observado a importância da prevenção da PAV para reduzir sua incidência e minimizar os riscos associados, sendo observado a  importância da aplicação de medidas preventivas, como a higienização das vias aéreas, o uso criterioso de antibióticos, a manutenção da cabeceira  elevada e a implementação de protocolos de aspiração traqueal (SILVA, et  al. 2017). 

Além disso, Costa et al. (2016) destaca que o controle rigoroso da pressão dos  balonetes dos tubos endotraqueais e a prática de estratégias de desmame precoce  da ventilação mecânica também são recomendados para reduzir o risco de aspiração  e infecção pulmonar, assim como é fundamental o tratamento correto da condição por  meio dos profissionais envolvidos, minimizando os riscos e aumentando a qualidade  de vida dos pacientes.

Inúmeros estudos têm sido realizados para avaliar medidas preventivas de  PAV, que podem ser divididas em farmacológicas e não farmacológicas, como o de  Melo et al. (2019). Afirma-se, porém, que as estratégias não medicamentosas são  mais proeminentes devido à sua maior viabilidade, eficácia e custo consideravelmente  mais baixo. Essas medidas resumem-se a qualquer paciente com tubo orotraqueal  sob ventilação mecânica. 

A aspiração de vias aéreas tem sido relatada como uma intervenção indicada para a prevenção da PAV. A fisioterapia respiratória pode ser muito eficaz e deve estar ativamente envolvida no manejo de todas as outras  medidas preventivas, porque afeta a função pulmonar reduzindo a infecção e duração do uso da VMI. Portanto fica claro que todos os pacientes devem  utilizar esta intervenção (MELO, et al., 2019). 

3.3 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO E AS UNIDADES DE TRATAMENTO  INTENSIVA  

De acordo com o COFEN (2017), a enfermagem é uma profissão comprometida  com o cuidado de pessoas, famílias e comunidades em diversos contextos sociais e  culturais. O profissional deve atuar de forma ética e legal, fundamentando-se em  conhecimentos técnico-científicos e teórico-filosóficos para promover o bem-estar da  população. 

O cuidado prestado pela equipe de enfermagem é baseado em conhecimentos das ciências humanas, sociais e aplicadas, sendo executado  na prática diária por meio de assistência, gestão, ensino, educação e pesquisa. Dessa forma, a atuação do enfermeiro se mostra de extrema importância para a sociedade (COFEN, 2017).  

O autor destaca, ainda, que é observado que as funções dos profissionais de  enfermagem incluem o planejamento, organização, execução e avaliação das ações  de saúde, com o objetivo de promover a recuperação e a manutenção da saúde dos  pacientes, prestando assistência e promovendo a qualidade de vida a todos no  processo de nascer, viver, morrer e do luto. 

Atualmente, de acordo com Barbosa et al (2004) o enfermeiro desempenha um  papel fundamental na promoção, prevenção e recuperação da saúde, atuando em  diferentes cenários, como unidades básicas de saúde, centros de referência,  hospitais, instituições de ensino e na própria residência do paciente. 

A Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) é um ambiente hospitalar dedicado ao cuidado de pacientes em estado grave, que requerem  monitoramento constante e intervenções terapêuticas complexas (BARBOSA, et al. 2004).  

Segundo Vargas e Braga (2006), a UTI é projetada para fornecer suporte  médico avançado, com equipamentos e equipes especializadas para garantir o  tratamento mais adequado aos pacientes em estado crítico. 

Essa unidade desempenha um papel crucial no atendimento de  pacientes com condições médicas agudas e críticas, como pós-operatórios de cirurgias de alta complexidade, trauma grave, choque séptico e  insuficiência respiratória aguda (VARGAS; BRAGA, 2006). 

Os cuidados específicos oferecidos em uma UTI são abrangentes e  multifacetados, Brand e Fontana (2014) enfatizam a importância da biossegurança  nesse ambiente, visto que os pacientes críticos estão mais suscetíveis a infecções.  Portanto, a equipe de enfermagem deve seguir rigorosas medidas de higiene e  controle de infecções, garantindo a segurança tanto dos pacientes quanto dos  profissionais de saúde. 

A atuação do enfermeiro em uma UTI é essencial para assegurar a  coordenação dos cuidados e a qualidade do atendimento. Matte, Thofhern e Muniz  (2001) mencionam a aplicabilidade do processo de enfermagem nesse contexto, uma  vez que esse método estruturado auxilia os enfermeiros na avaliação, diagnóstico,  planejamento, implementação e avaliação dos cuidados prestados. 

Através dessa abordagem, os enfermeiros podem garantir uma assistência individualizada e baseada em evidências, adaptada às  necessidades de cada paciente (MATTE; THOFHERN; MUNIZ, 2001). 

A comunicação também é um fator essencial na UTI. Schneider et al. (2009)  ressaltam a importância da comunicação eficaz entre os enfermeiros, a equipe médica  e os familiares dos pacientes, a equipe de enfermagem atua como intermediária na  troca de informações, garantindo que os familiares estejam bem-informados sobre o  estado de saúde do paciente, os procedimentos realizados e as perspectivas de  tratamento.

Além dos aspectos técnicos, a atuação do enfermeiro em uma UTI também  abrange a dimensão emocional, Ouchi et al. (2018) destacam que a introdução de  novas tecnologias em saúde, embora benéfica para o tratamento dos pacientes,  também pode gerar ansiedade e medo nos pacientes e suas famílias. Portanto, os enfermeiros desempenham um papel fundamental ao fornecer explicações claras e  apoio emocional, promovendo a comunicação e o entendimento sobre os  procedimentos e intervenções realizados. 

A questão da morte e do morrer é uma realidade que os enfermeiros de UTI  frequentemente enfrentam, segundo Sulzbacher et al. (2009) os enfermeiros devem  fornecer cuidados paliativos de qualidade, respeitando os valores e crenças dos  pacientes e suas famílias, além de oferecer suporte emocional para lidar com o luto,  pois tratam situações e circunstâncias delicadas durante sua atuação. 

3.4 PREVENÇÃO DA PAV 

Segundo Rahimzadeh et al. (2022), o uso indiscriminado de antimicrobianos no  manejo das infecções pulmonares tem favorecido o surgimento de bactérias  multirresistentes (MDR) e de cepas produtoras de β-lactamases de espectro estendido  (ESBL). Essas alterações resultam de mecanismos genéticos adaptativos e da síntese  de enzimas capazes de inativar a estrutura dos antibióticos, comprometendo sua  eficácia terapêutica. 

Consequentemente, o tratamento das infecções respiratórias tornou-se mais complexo e oneroso, refletindo em maior morbimortalidade. Diante  disso, evidencia-se a urgência no desenvolvimento e implementação de  estratégias eficazes de prevenção e controle dessas infecções (RAHIMZADEH; REZAI, 2022). 

Em uma pesquisa realizada por Navaeifar et al. (2025), o coquetel de fagos  inalado demonstrou eficácia significativa na prevenção da pneumonia associada ao  ventilador (PAV) em crianças, reduzindo a taxa de ocorrência de 53,4% no grupo  placebo para 23,4% nos pacientes tratados (p = 0,033). 

A atividade lítica direcionada dos fagos contra patógenos como MRSA, Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii contribuiu para a ausência dessas bactérias em culturas positivas, evidenciando a ação preventiva do tratamento (NIR-PAZ; ED, 2023).

Navaeifar et al. (2025) destaca que a terapia com fagos administrada por  nebulização mostrou-se segura, sem registro de eventos adversos significativos, e foi  consistente com estudos prévios que relataram melhora clínica e diminuição da  inflamação pulmonar. Embora não tenha havido diferença na mortalidade ou na  duração da internação, os resultados reforçam o potencial do coquetel de fagos como  uma alternativa eficaz e segura para reduzir infecções pulmonares em pacientes  críticos. 

Os probióticos ajudam a restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal, promovendo absorção de nutrientes, regulando a função imunológica e reduzindo a translocação bacteriana do intestino para os pulmões, um fator chave no desenvolvimento da VAP (WANG, et al., 2023). 

No estudo realizado por Peng et al. (2025), a suplementação de HPNS  combinada com probióticos mostrou efeitos positivos significativos na prevenção da  pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) em pacientes críticos (CIPs). A  incidência de PAV foi significativamente menor no grupo de intervenção (6,52%) em  comparação ao grupo controle (30%), indicando que a abordagem nutricional e  probiótica desempenha um papel crítico na prevenção de infecções respiratórias em  pacientes ventilados. 

Além da redução na ocorrência de infecções, o HPNS combinado com probióticos melhorou os sintomas clínicos associados à PAV, como febre, tosse, respiração rápida e presença de rales, sugerindo uma mitigação da  gravidade da doença e melhor recuperação funcional (PENG et al., 2025).  

Shenoy (2021) salienta que apresentam-se melhoras no estado nutricional,  evidenciada pelo aumento do peso, IMC, albumina sérica, pré-albumina e proporção  albumina/proteína total, refletindo maior fornecimento proteico e suporte imunológico  otimizado. Esses resultados indicam que a intervenção promove um ambiente  intestinal saudável, fortalecendo as defesas do organismo e reduzindo a  suscetibilidade a infecções pulmonares.

4. MATERIAIS E MÉTODOS 

Esse método permite que, a partir da teoria existente, se faça uma aplicação e  aprofundamento do conhecimento de forma lógica e estruturada, ajustando a pesquisa  ao contexto e à realidade específica do estudo. Para a realização da revisão  bibliográfica, foram seguidas as etapas de busca, seleção, análise e síntese dos  materiais. O processo de coleta de dados incluiu a utilização das bases Google  Acadêmico e SciELO (Scientific Electronic Library Online), com foco em publicações  acadêmicas como artigos científicos, livros, teses e dissertações. Foram analisados  21 materiais (entre artigos, teses e livros), todos publicados nos últimos 13 anos (de  2003 a 2025). 

Na escolha dos materiais, foram estabelecidos critérios de inclusão claros.  Priorizou-se documentos publicados em língua portuguesa, tanto pela acessibilidade  quanto pela facilidade de compreensão dos conteúdos. Além disso, os materiais  selecionados abordam diretamente o tema central da pesquisa, sendo relevantes para  a compreensão das estratégias analisadas. A seguir, são apresentados os critérios  utilizados no processo de seleção. 

4.1 METODOLOGIA 

A metodologia adotada para a realização da pesquisa baseia-se em uma  revisão bibliográfica e na aplicação do método dedutivo. A revisão bibliográfica,  conforme descrita por Gil (2020), é uma etapa fundamental no processo de elaboração  de pesquisas científicas, consistindo na busca, seleção, análise e síntese de materiais  bibliográficos relevantes sobre o tema de estudo. O objetivo desse meio de pesquisa  é conhecer o estado da arte, identificar lacunas no conhecimento existente e embasar  teoricamente a pesquisa. A revisão não se limita apenas a compilar informações, mas  envolve também uma análise crítica e síntese dos principais pontos abordados pelos  autores. 

O método da pesquisa foi estruturado em cinco etapas principais: definição da  estratégia de busca, seleção de materiais, critérios de inclusão, análise dos materiais  e síntese e discussão dos resultados. 

Na primeira etapa, referente à definição da estratégia de busca, foram utilizadas  palavras-chave relacionadas ao tema de estudo nas bases de dados Google Acadêmico e SciELO. As palavras-chave selecionadas foram específicas para  delimitar a pesquisa, incluindo os termos “pneumonia”, “PAV”, “enfermagem” e “UTI”. Na seleção dos materiais, foram incluídas publicações com acesso completo e  gratuito, escritas em língua portuguesa e que abordassem diretamente o tema central  da pesquisa. Foram priorizados materiais recentes, provenientes de fontes  acadêmicas confiáveis, sendo a seleção realizada com base no título e no resumo dos  artigos. 

Os critérios de inclusão consideraram publicações gratuitas, disponíveis  integralmente, publicadas entre os anos de 2012 e 2025. Foram incluídos documentos  em português e inglês que apresentassem relevância direta ao tema, dando-se  prioridade às produções mais recentes e de fontes reconhecidas pela comunidade  científica. 

Na etapa de análise dos materiais, foram selecionados 26 trabalhos. A análise  priorizou a relevância do conteúdo para a pesquisa, permitindo uma abordagem  histórica e comparativa sobre o tema, destacando os principais pontos de cada  publicação para a composição da síntese final. 

Por fim, na síntese e discussão, realizou-se uma análise crítica das principais  abordagens apresentadas pelos autores, com o objetivo de identificar lacunas  existentes no conhecimento e contribuir para o avanço teórico sobre o tema estudado.

5. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS  

5.1. A ATUAÇÃO E ESTRATÉGIAS ENFERMAGEM PARA A PREVENÇÃO DE PAVs 

Segundo Oliveira et al. (2025) atuação do enfermeiro na UTI é essencial para  a promoção da saúde e recuperação de pacientes em estado crítico, englobando  desde o monitoramento constante de sinais vitais até a realização de cuidados  complexos que demandam alta competência técnica e científica. 

Quando observado pacientes sob ventilação mecânica, o enfermeiro  desempenha um papel fundamental na prevenção de complicações, na manutenção  do conforto e na promoção da segurança do paciente, sendo que segundo Oliveira et  al. (2025), a implementação de estratégias eficazes de enfermagem tem impacto  direto na redução da incidência de pneumonia. 

A prevenção de PAV é um dos principais focos do cuidado do enfermeiro em UTI, dado o risco aumentado de infecções respiratórias em  pacientes entubados, tendo isso em vista, medidas como a elevação da cabeceira do leito em 30 a 45 graus, aspiração das vias aéreas e higienização oral frequente são fundamentais (MOURA; DA SILVA, 2016).  

O autor destaca, ainda, que a educação contínua da equipe de enfermagem  sobre protocolos de prevenção de infecções melhora significativamente os desfechos  clínicos, assegurando uma abordagem baseada em evidências científicas. 

Além disso, um fator fundamental ressaltado é a higiene oral em pacientes sob  ventilação mecânica é um componente crucial do cuidado de enfermagem, uma vez  que a presença de biofilme na cavidade bucal pode servir como reservatório para  patógenos respiratórios, isso por que de acordo com Junior et al. (2020), a  higienização bucal com clorexidina a 0,12% tem se mostrado eficaz na redução de  PAV.  

Outro aspecto relevante é a adesão a protocolos de prevenção de infecções,  que só é possível por meio de uma cultura organizacional focada na segurança do  paciente, segundo Dutra et al. (2019) a percepção dos profissionais de enfermagem  em relação à importância de medidas preventivas está diretamente associada à  diminuição de PAV.

Dessa forma, a liderança do enfermeiro como agente de mudança é crucial para garantir a implantação efetiva de protocolos baseados em  evidências, assim como é observado que o papel do enfermeiro também se  destaca na vigilância de parâmetros ventilatórios e na detecção precoce de  complicações (DUTRA, et al. 2019). 

Gonçalves et al. (2012) afirmam que a monitorização contínua e a resposta  rápida a alterações clínicas reduzem os riscos de hipoxemia e barotrauma. Esse  cuidado intensivo requer conhecimento técnico para ajustar os parâmetros do  ventilador e promover a estabilidade hemodinâmica do paciente. 

Além disso, uma estratégia ressaltada por Dutra, et al (2019) é a interrupção  periódica da sedação também tem sido apontada como uma estratégia eficaz no  manejo de pacientes sob ventilação mecânica, sendo que a redução do tempo de  ventilação está associada à diminuição do risco de infecção pulmonar, pois permite  uma recuperação mais rápida do paciente e menor exposição ao ambiente hospitalar. 

Ademais, a promoção da adesão a medidas preventivas por parte da equipe de  enfermagem apresenta relação direta com a incidência de PAV. Lourençone et al.  (2019) apontam que a formação contínua e a conscientização sobre a importância das  práticas de prevenção têm um impacto significativo na redução de infecções  hospitalares. O enfermeiro, nesse cenário, atua como líder e facilitador, promovendo  uma abordagem multidisciplinar para garantir a segurança do paciente. 

Ainda no contexto das práticas preventivas, a adesão à higienização das mãos  antes e após o contato com o paciente é uma medida essencial para evitar a  transmissão de patógenos. Gonçalves et al. (2012) destacam que a implementação  de campanhas educativas e o monitoramento do cumprimento dessa prática  contribuem significativamente para a redução da PAV. 

A adesão a protocolos de prevenção, como o “bundle” de PAV, que inclui  medidas como a avaliação da necessidade de ventilação, o controle de pressão do  cúmulo do tubo endotraqueal e a profilaxia de úlcera de estresse, tem se mostrado  eficaz na redução da incidência dessa infecção (LOURENÇONE et al., 2019). Essas  medidas, expostas na Tabela 1, quando aplicadas de forma integrada, proporcionam  maior segurança ao paciente.

Tabela 1 – Protocolo de prevenção à Pneumonia por Ventilação Mecânica e nível  de evidência dos cuidados.

* PNR – Problema Não Resolvido: se refere a práticas sem evidência comprovada ou sem um consenso sobre a sua eficácia. 
Fonte: Adaptado de Silva et al. (2012).

5.2 INDICAÇÕES DE VENTILAÇÃO MECÂNICA 

Shah et al. (2025) indica o Colapso Dinâmico Excessivo das Vias Aéreas  (EDAC) como uma das principais indicações para início de ventilação mecânica,  principalmente quando sintomática. A terapia com pressão positiva das vias aéreas  (PAP).  

Em pacientes portadores de EDAC, a utilização da pressão positiva nas vias aéreas (PAP) durante o período noturno, por três meses, demonstrou benefícios expressivos, incluindo redução da dispneia, da ortopneia e da frequência de tosse, além de melhora na qualidade do sono e da qualidade de vida. Apesar de o EDAC ainda não constar nas recomendações internacionais como indicação formal para o uso de PAP, os resultados obtidos indicam que essa terapia pode representar uma alternativa eficaz para o manejo de pacientes sintomáticos com essa condição (SHAH, et al., 2025). 

De acordo com Sarni et al. (2025), a ventilação não invasiva (VNI) representa  um importante avanço na terapia intensiva, pois fornece pressão positiva nas vias  aéreas por meio de máscaras faciais ou capacetes, sem necessidade de intubação  orotraqueal. Essa estratégia destaca-se por reduzir complicações associadas à  ventilação invasiva, como pneumonia, lesões de via aérea e uso prolongado de  sedação. 

Evidências científicas demonstram que a VNI é uma opção terapêutica de primeira escolha em situações específicas, especialmente nas exacerbações agudas da DPOC e no edema agudo de pulmão de origem cardiogênica, contribuindo para menor mortalidade e redução da necessidade de suporte ventilatório invasivo (SARNI, et al., 2025). 

Vianna et al. (2025) ressalta a importância do detalhamento das indicações da  via aérea mecânica, ratificando a necessária presença deste tipo de manejo nos  currículos durante o estágio clínico. Dessa forma, sua pesquisa expõe de maneira  prática as indicações desta terapêutica, como demonstrado na Tabela 2.

Tabela 2 – Indicações de via aérea mecânica.

Fonte: Adaptado de Vianna et al. (2025).

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Conforme Neto et al. (2020) destacam, a evolução da medicina intensiva trouxe  avanços significativos no tratamento de pacientes críticos, mas também aumentou a  incidência de complicações, como a PAV. Nesse contexto, o enfermeiro tem um papel  essencial na monitorização dos pacientes, prevenindo infecções e garantindo a  segurança e o conforto necessários durante o período de ventilação mecânica. 

Barbas et al. (2013) ressaltam que as complicações decorrentes da PAV vão  além da infecção pulmonar, incluindo a sepse e a fibrose pulmonar, diante disso  compreende-se que o papel do enfermeiro, portanto, é crucial não apenas na  prevenção, mas também no manejo das complicações e na reabilitação dos pacientes,  sendo que o acompanhamento contínuo e o suporte emocional fornecido pela  enfermagem contribuem significativamente para a qualidade de vida pós internamento. 

Por meio dessa pesquisa, elencaram-se algumas estratégias fundamentais  para a prevenção a PAV, entre elas a higienização bucal os pacientes, um protocolo  personalizado e, em devidos casos, a pausa na sedação, a adequação o leito entre  30 e 45 graus, o monitoramento contínuo os sinais, o controle de pressão do cúmulo  do tubo endotraqueal e a profilaxia de úlcera de estresse, assim como a própria  higienização do enfermeiro, também são ressaltados fatores essenciais como o  estudo contínuo e o impacto que a liderança tem, sendo que o papel do enfermeiro  como agente de mudança, portanto, é fundamental para garantir a efetividade dessas  medidas. 

A formação contínua e a conscientização dos profissionais de enfermagem  sobre a importância das práticas de prevenção resultam em uma abordagem  multidisciplinar mais eficiente, sendo que a participação ativa do enfermeiro no  planejamento e na execução dessas práticas assegura maior segurança ao paciente  e reflete o compromisso com a qualidade do cuidado, possibilitando a recuperação e  saúde o paciente. 

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ANEXOS

Anexo A: Protocolo de prevenção à Pneumonia por Ventilação Mecânica e nível de evidência dos cuidados.

*PNR – Problema Não Resolvido: se refere a práticas sem evidência comprovada ou sem um consenso sobre a
sua eficácia.
Fonte: Adaptado de Silva et al. (2012).

ANEXO B: Indicações de via aérea mecânica.

Fonte: Adaptado de Vianna et al. (2025).