HIPOTHERAPY IN THE DEVELOPMENT AND WELL-BEING OF NEURODIVERGENT CHILDREN: POTENTIALITIES AND CHALLENGES OF THIS THERAPEUTIC PRACTICE FOR PRACTITIONERS AND THEIR FAMILIES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510291356
Beatriz De Oliveira Andrade; Gabrielle De Almeida Santana; Júlia Sena Nery; Kaio Luiz Miranda De Mendonça; Rafael Da Silva Soares; Amanda Santos Alves Freire; Katiane De Cássia Trés
RESUMO
Introdução. A equoterapia tem se destacado como uma prática terapêutica e educacional capaz de promover benefícios físicos, emocionais e sociais, especialmente entre crianças neurodivergentes. A neurodiversidade, que abrange condições como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), demanda abordagens que valorizem as particularidades cognitivas e comportamentais desses indivíduos. Objetivo. O presente trabalho teve como objetivo geral analisar as potencialidades e os desafios da equoterapia no desenvolvimento e bem-estar de crianças neurodivergentes, considerando seus impactos sobre os praticantes e seus familiares. Metodologia. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada entre 2017 e 2024, com buscas em bases de dados científicas nacionais e internacionais, utilizando descritores em português e inglês relacionados à equoterapia e neurodiversidade. Resultados e discussão. Os estudos analisados demonstraram avanços significativos em aspectos motores, cognitivos e socioemocionais de crianças participantes, embora persistam desafios estruturais, financeiros e metodológicos que limitam o acesso e a expansão da prática. Conclusão. Conclui-se que a equoterapia é uma intervenção promissora para o desenvolvimento global e o bem-estar de crianças neurodivergentes, requerendo, entretanto, maior investimento em políticas públicas, capacitação profissional e pesquisas científicas de longo prazo.
Palavras-chave: Equoterapia. Neurodiversidade. Transtorno do Espectro Autista. TDAH. Inclusão social.
ABSTRACT
Introduction. Hippotherapy has been highlighted as a therapeutic and educational practice capable of promoting physical, emotional, and social benefits, especially among neurodivergent children. Neurodiversity, which includes conditions such as Autism Spectrum Disorder (ASD) and Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD), requires approaches that value the cognitive and behavioral particularities of these individuals. Objective. The present study aimed to analyze the potentialities and challenges of hippotherapy in the development and well-being of neurodivergent children, considering its impacts on both practitioners and their families. Methodology. This is an integrative literature review conducted between 2017 and 2024, based on searches in national and international scientific databases, using descriptors in Portuguese and English related to hippotherapy and neurodiversity. Results and discussion. The analyzed studies showed significant advances in motor, cognitive, and socioemotional aspects of participating children, although structural, financial, and methodological challenges still limit the access and expansion of the practice. Conclusion. It is concluded that hippotherapy is a promising intervention for the global development and well-being of neurodivergent children; however, greater investment in public policies, professional training, and long-term scientific research is required.
Keywords: Hippotherapy. Neurodiversity. Autism Spectrum Disorder. ADHD. Social inclusion.
1 INTRODUÇÃO
A neurodiversidade compreende diferenças neurológicas como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e a dislexia entendidas não mais como patologias a serem corrigidas, mas como variações naturais do funcionamento humano (Caldeira et al., 2024). Essa perspectiva favorece a criação de práticas terapêuticas e educacionais mais inclusivas, que respeitem as especificidades cognitivas e comportamentais dos indivíduos.
Entre as abordagens que se destacam nesse contexto está a equoterapia, método terapêutico que utiliza o cavalo como mediador para estimular o desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo. Pesquisas recentes apontam que a interação com o animal favorece o equilíbrio postural, a coordenação motora, a atenção, a socialização e o controle comportamental em crianças neurodivergentes (Melo et al., 2024; Bender; Guarany, 2017).
Segundo Melo et al. (2024), crianças com TEA que participaram de programas de equoterapia apresentaram avanços expressivos em aspectos motores e sociais, bem como melhorias na comunicação e no autocuidado. Resultados semelhantes foram observados por Caldeira et al. (2024), que identificaram aumento da concentração, da autoestima e da interação social entre participantes com TEA e TDAH. Bender e Guarany (2017) também destacam o papel positivo da equoterapia no desempenho funcional e na integração sensorial de crianças e adolescentes com autismo.
Apesar dos benefícios já documentados, a equoterapia enfrenta desafios significativos, como o alto custo de manutenção, a escassez de profissionais especializados e a limitação do acesso para famílias de baixa renda (Pimentel; Ribeiro; Souza, 2022). Além disso, ainda existem lacunas científicas quanto à compreensão integral de seus impactos sobre o bem-estar emocional e familiar, o que torna pertinente aprofundar o estudo dessa temática. Nesse sentido, o objetivo geral deste trabalho é analisar as potencialidades e os desafios da equoterapia no desenvolvimento e bem-estar de crianças neurodivergentes, considerando os efeitos dessa prática terapêutica tanto para os praticantes quanto para seus familiares.
A justificativa para esta pesquisa fundamenta-se na relevância social e científica do tema. Sob o ponto de vista social, compreender os efeitos da equoterapia sobre o desenvolvimento de crianças neurodivergentes pode contribuir para a ampliação de práticas terapêuticas mais inclusivas e acessíveis, além de sensibilizar profissionais de saúde e gestores públicos sobre a importância de políticas de apoio a esse tipo de intervenção. Sob a ótica científica, o estudo se justifica pela necessidade de atualizar as evidências acerca da eficácia da equoterapia em diferentes dimensões do desenvolvimento infantil, especialmente no contexto brasileiro, onde ainda há carência de pesquisas sistematizadas e de programas acessíveis à população (Silva; Pereira, 2023). Já em termos acadêmicos, a pesquisa contribui para o fortalecimento da produção de conhecimento na interface entre saúde, educação e inclusão social, estimulando novas investigações e práticas baseadas em evidências.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório e descritivo, com abordagem baseada em revisão integrativa da literatura científica. Essa modalidade de estudo permite reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas anteriores sobre determinado tema, proporcionando uma compreensão abrangente e atualizada das evidências disponíveis (Souza; Silva; Carvalho, 2010).
A escolha pela revisão integrativa justifica-se pela diversidade metodológica dos estudos sobre equoterapia e neurodiversidade, possibilitando integrar resultados quantitativos e qualitativos, de forma a identificar avanços, lacunas e desafios presentes na literatura recente.
A busca dos estudos foi realizada entre janeiro e outubro de 2025, nas seguintes bases de dados científicas:
SciELO (Scientific Electronic Library Online), PubMed (National Library of Medicine), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), Scopus e ScienceDirect.
Os descritores controlados foram selecionados a partir dos vocabulários DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headings): Equoterapia / Hippotherapy, Neurodiversidade / Neurodiversity, Transtorno do Espectro Autista / Autism Spectrum Disorder, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade / ADHD, Crianças / Children e Bem-estar / Well-being
Os descritores foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR para otimizar os resultados, utilizando as expressões: (“Hippotherapy” OR “Equoterapia”) AND (“Neurodiversity” OR “Autism Spectrum Disorder” OR “ADHD”) AND (“Children” OR “Child development”).
Foram incluídos estudos: publicados entre 2017 e 2024, redigidos em português, inglês ou espanhol, que apresentassem dados empíricos ou revisões sistemáticas sobre a utilização da equoterapia com crianças neurodivergentes e disponíveis em texto completo nas bases selecionadas. Foram excluídos: artigos de opinião, editoriais, relatos não científicos ou duplicados; estudos que abordassem intervenções com adultos; pesquisas que não apresentassem dados sobre impactos físicos, emocionais, cognitivos ou sociaisda equoterapia.
A seleção foi realizada em três etapas:
- Leitura dos títulos e resumos, para triagem inicial;
- Leitura completa dos textos que atendiam aos critérios de inclusão;
- Extração e categorização dos dados relevantes em planilha elaborada no software Microsoft Excel®, contendo: autor, ano, país, amostra, metodologia, principais resultados e limitações.
Os estudos incluídos foram analisados por meio da análise temática de conteúdo, segundo Bardin (2016), a fim de identificar as principais categorias emergentes relacionadas às potencialidadesedesafios da equoterapia no desenvolvimento de crianças neurodivergentes.
Por se tratar de uma revisão integrativa, não houve coleta direta de dados com seres humanos, sendo, portanto, dispensada a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Contudo, todas as informações utilizadas foram obtidas de fontes científicas públicas e devidamente referenciadas, em consonância com os princípios éticos da pesquisa científica estabelecidos pela Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados esperados deste trabalho incluem a ampliação do conhecimento público sobre a equoterapia, disponibilizando informações acessíveis e cientificamente embasadas, promovendo maior compreensão e interesse nessa prática terapêutica, além de evidenciar seus impactos positivos na qualidade de vida dessas crianças e de suas famílias, com ênfase nos ganhos de autonomia e inclusão social.
Busca-se também engajar a comunidade e os profissionais de saúde em um diálogo interdisciplinar que favoreça a expansão e consolidação da equoterapia como uma abordagem eficaz. Nesse sentido, o trabalho visa estimular a criação de redes de apoio e colaboração entre famílias, terapeutas e centros de equoterapia, utilizando tecnologias que facilitem a troca de experiências e a disseminação de informações.
A revisão integrativa resultou na seleção de 15 estudos publicados entre 2017 e 2024, que atenderam aos critérios de inclusão definidos. As publicações foram provenientes, em sua maioria, do Brasil (53 %), seguidas por Estados Unidos (27 %) e Europa (20 %). Os estudos incluídos englobaram ensaios clínicos, revisões sistemáticas, pesquisas observacionais e relatos de experiência terapêutica. De modo geral, as evidências demonstraram que a equoterapia exerce impacto positivo no desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social de crianças neurodivergentes, sobretudo daquelas com diagnóstico de TEA e TDAH.
3.1 Benefícios motores e cognitivos
Os estudos convergem ao apontar melhorias significativas em aspectos motores, comportamentais e afetivos. Segundo Melo et al. (2024), a prática regular da equoterapia promove estímulos proprioceptivos e vestibulares capazes de aprimorar o equilíbrio e a coordenação motora global. Esses efeitos derivam do movimento tridimensional do cavalo, que reproduz o padrão da marcha humana, favorecendo a integração sensório-motora e o controle postural (Caldeira et al., 2024).
Além dos benefícios físicos, há evidências robustas quanto à ampliação da atenção compartilhada e da interação social. Bender e Guarany (2017) identificaram que crianças com TEA participantes de programas de equoterapia apresentaram maior contato visual, engajamento em atividades coletivas e diminuição de estereotipias. Resultados semelhantes foram descritos por Silva e Pereira (2023), que observaram ganhos na comunicação e no comportamento adaptativo após 12 semanas de intervenção equoterápica.
Além dos ganhos motores, estudos recentes indicam que a equoterapia favorece a atenção sustentada, a concentração e a memória operacional, refletindo em melhor desempenho escolar e em maior capacidade de planejamento (Silva Quadro, 2021). Esses resultados são compatíveis com a hipótese de que a estimulação multissensorial e o ambiente natural e controlado da terapia contribuem para a reorganização neurológica e para o fortalecimento das conexões sinápticas, especialmente em crianças em fase de neurodesenvolvimento.
3.2 Aspectos emocionais e sociais
No campo emocional e social, a equoterapia se mostra um recurso terapêutico promotor de autoconfiança, vínculo e empatia. O vínculo estabelecido com o cavalo, um ser sensível e responsivo, desperta sentimentos de cuidado, responsabilidade e reciprocidade (Baggio et al., 2021). Tais interações são particularmente relevantes em crianças neurodivergentes, que muitas vezes apresentam dificuldades em interpretar emoções e em estabelecer relações interpessoais.
Srinivasan et al. (2018) destacam que as terapias assistidas por equinos resultam em reduções significativas de sintomas de ansiedade, irritabilidade e isolamento social. Corroborando esses dados, Mello (2021) observou que o convívio com o cavalo favorece o controle emocional e a expressão afetiva, além de melhorar o engajamento nas atividades do cotidiano.
Outro aspecto relevante é o impacto da equoterapia na autoestima e na percepção de competência pessoal. Durante as sessões, a criança é estimulada a superar desafios físicos e emocionais, fortalecendo a sensação de conquista. Para Chaves et al. (2021), a vivência de sucesso na interação com o animal e com os terapeutas promove uma reorganização positiva da autoimagem, o que repercute em maior segurança e autonomia.
3.3 Papel da família e interdisciplinaridade
Ao receber o diagnóstico de um filho com deficiência, os familiares enfrentam dificuldades que afetam todo o sistema no qual o praticante está inserido, esses familiares geralmente já possuem uma sobrecarga e uma grande exigência de si em proporcionar uma qualidade de vida melhor aos filhos com deficiências. (Barbosa; Baleiro; Pettengill, 2012).
O apoio familiar é fator determinante para a efetividade da terapia. De acordo com Mello (2021), o envolvimento dos pais no acompanhamento das sessões potencializa a consolidação das habilidades trabalhadas e cria um ambiente doméstico mais favorável à autonomia da criança. A equoterapia, portanto, não se restringe ao indivíduo, mas se estende ao núcleo familiar, promovendo mudanças na forma como os cuidadores percebem e interagem com a criança.
Na percepção dos familiares a Terapia Assistida por Cavalos auxiliou nesse bem-estar físico e mental, melhorando significativamente o cotidiano de seus filhos. As atividades visam melhorar sua qualidade de vida, energizando o desenvolvimento de habilidades em diversas áreas como motricidade, cognição, socialização, comportamento, linguagem, respeitando a singularidade de cada participante (Geist et al., 2024).
A complexidade dessas condições demanda uma abordagem multidisciplinar, envolvendo psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, pedagogos, médicos e outros profissionais, permitindo o desenvolvimento de estratégias personalizadas e integradas (Neves et al., 2024). Essa abordagem interdisciplinar é essencial para garantir que o tratamento atenda não apenas às demandas clínicas, mas também às necessidades emocionais, sociais e educacionais.
3.4 Desafios e limitações
Apesar dos avanços, persistem desafios que dificultam a consolidação da equoterapia como prática amplamente acessível. Entre os principais, destacam-se a escassez de centros especializados, a insuficiência de profissionais capacitados e o custo elevado de manutenção dos animais e das estruturas envolvidas (Pimentel; Ribeiro; Souza, 2022).
Outro ponto crítico é a heterogeneidade metodológica das pesquisas: há variações nos protocolos de intervenção, no número de sessões, nas medidas de desfecho e nos instrumentos de avaliação, o que limita a comparabilidade dos resultados e a generalização das conclusões (Caldeira et al., 2024). Além disso, parte dos estudos apresenta amostras reduzidas e ausência de grupos-controle, o que reforça a necessidade de investigações com maior rigor metodológico.
Também se observa carência de estudos voltados à percepção das famílias e ao impacto emocional do tratamento sobre os cuidadores, um aspecto essencial considerando o papel central da rede familiar no processo terapêutico. A inclusão desse olhar ampliaria a compreensão dos efeitos da equoterapia não apenas sobre o praticante, mas sobre o sistema relacional que o cerca.
3.5 Síntese dos achados e implicações práticas
De maneira geral, os resultados apontam que a equoterapia constitui uma intervenção terapêutica complementar eficaz para o desenvolvimento global de crianças neurodivergentes. O conjunto das evidências analisadas indica que a prática favorece a integração sensorial, a melhoria da atenção e da comunicação, a redução de comportamentos repetitivos e o fortalecimento da autoestima e da autonomia.
Tais achados corroboram a importância de políticas públicas que ampliem o acesso a essa terapia, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, e reforçam a necessidade de formação interdisciplinar de profissionais que atuem de forma ética, segura e baseada em evidências.
Em síntese, a equoterapia revela-se uma ferramenta promissora para promover o bem-estar e a inclusão de crianças neurodivergentes, embora ainda exija esforços estruturais, financeiros e científicos para consolidar sua implementação em larga escala.
4 CONCLUSÃO
A presente pesquisa teve como objetivo analisar as potencialidades e os desafios da equoterapia no desenvolvimento e bem-estar de crianças neurodivergentes, considerando seus efeitos tanto para os praticantes quanto para seus familiares. A partir da revisão realizada, constatou-se que a equoterapia constitui uma prática terapêutica e educacional de caráter interdisciplinar, capaz de promover benefícios expressivos em diferentes dimensões do desenvolvimento humano.
Observou-se que a prática estimula o equilíbrio, a coordenação motora, a atenção e a socialização, além de contribuir para o fortalecimento da autoestima e da autonomia. A interação com o cavalo e o ambiente natural favorece a regulação emocional e o vínculo afetivo, elementos essenciais para o bem-estar de crianças com diferentes perfis neurológicos. Esses resultados reforçam o potencial da equoterapia como instrumento de inclusão e desenvolvimento integral.
No contexto de crianças neurodivergentes, a equoterapia revela-se especialmente relevante, pois proporciona estímulos variados que contribuem para a organização sensorial, o desenvolvimento psicomotor, a regulação emocional e a interação social. Em algumas cidades, como Itabuna, na Bahia, essa prática é oferecida de forma gratuita por instituições como a Associação Sul Baiana de Equoterapia (ASBE) e pela Polícia Militar da Bahia, por meio do Esquadrão de Polícia Montada de Itabuna, garantindo acesso a crianças e famílias de diferentes condições socioeconômicas. No entanto, apesar dos benefícios comprovados, a equoterapia ainda é um recurso pouco conhecido e, consequentemente, subutilizado em muitos contextos clínicos e educacionais.
A escassez de centros especializados, a falta de profissionais capacitados e os custos de manutenção limitam seu acesso, restringindo a expansão dessa prática. Além disso, a alta demanda e as listas de espera significativas evidenciam desafios concretos, tanto para os praticantes quanto para seus familiares, que podem enfrentar atrasos no início da terapia e dificuldades na manutenção da frequência das sessões, comprometendo a efetividade do tratamento. Nesse sentido, torna-se fundamental ampliar o reconhecimento da equoterapia como uma estratégia terapêutica eficaz, estimulando a produção científica, a capacitação profissional e a implementação de políticas públicas que garantam sua difusão, sustentabilidade e expansão, assegurando que mais crianças possam usufruir dos benefícios dessa prática.
Dessa forma, conclui-se que a equoterapia se mostra uma alternativa terapêutica promissora, cujos benefícios extrapolam o campo físico, alcançando também os aspectos emocionais e sociais. Para o avanço da área, recomenda-se o desenvolvimento de novas pesquisas com maior rigor metodológico, abrangendo diferentes faixas etárias, contextos socioculturais e percepções familiares. Investigações dessa natureza poderão fortalecer as evidências científicas e contribuir para a valorização dessa prática como parte integrante das políticas de saúde, educação e inclusão social.
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