EPIDEMIOLOGIA DA DOENÇA DE CHAGAS AGUDA NO MARAJÓ, AMAZÔNIA, DE 2018 A 2023

EPIDEMIOLOGY OF ACUTE CHAGAS DISEASE IN MARAJÓ, AMAZON, FROM 2018 TO 2023

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512192208


Danielle Maria Martins Carneiro1
Francywagner Silva Vargas2
Vera Regina da Cunha Menezes Palácios3


Resumo

A doença de Chagas ou tripanossomíase americana é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Pode ser transmitida pela via oral, de grande importância na Amazônia, pois acontece pela ingestão de suco de frutas regionais, sobretudo o açaí, que é importante fonte nutricional e econômica para o amazônida, quando não se observam os cuidados higiênicos na manipulação do fruto. Mas pode acontecer pela via vertical, transplante de órgão ou sangue contaminados e vetorial pela picada do besouro barbeiro. Está associada à pobreza e vida rural e predomina nos locais de pouco acesso à saúde e educação. A doença se desenvolve em dois estágios; agudo, que pode passar despercebida ´por ser pouco sintomática ou ser desconhecida pela população e crônica, que evolui com comprometimento cardíaco, digestivo, neurológico ou misto. O conhecimento da distribuição epidemiológica é de suma importância a fim de implementar ações de mitigação e oferecer diagnóstico e tratamento oportunos para evitar a progressão para formas crônicas, que podem ser debilitantes. O conhecimento da distribuição da doença ajuda o gestor em saúde e educação na tomada de decisões para minimizar ou evitar o dano à população.

Palavras-chave: Doença de Chagas. Marajó. Transmissão oral. Índice de Desenvolvimento Humano.

    1 INTRODUÇÃO E REVISÃO DA LITERATURA

    A doença de Chagas (DC) é endêmica nas Américas Central e do Sul. A contaminação oral é predominante na Bacia Amazônica e epidemiologicamente importante, pois um pequeno inóculo é capaz de produzir doença mais grave que outras formas de contaminação e em menor período de incubação. Acarretando significativo aumento nos gastos em saúde e previdência social.

    A doença é causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi, descoberto em 1909 por Carlos Chagas, que dá nome à doença.  A DC é considerada uma zoonose e tem a capacidade de infectar diversos reservatórios mamíferos. O agente tem sido classificado em seis grupos genéticos (DTU) de I a VI e, um sétimo denominado Bat (BRENIÈRE et al, 2016).O parasita apresenta um ciclo biológico complexo, no qual o vetor e o hospedeiro apresentam formas epimastigotas proliferativas e amastigotas intracelulares, respectivamente, formas tripomastigotas infecciosas não proliferativas ocorrem nos dois hospedeiros (PÉREZ‐MAZLIAH, et al 2021).  

    Os tripomastigotas que circulam no sangue dos hospedeiros são transformados no intestino do vetor em epimastigotas, que evoluem para tripomastigotas e são liberados nas fezes do inseto. Essas formas são infectantes e penetram na pele lesada ou nas mucosas do hospedeiro, onde entram nas células hospedeiras e se transformam em amastigotas. Células do sistema reticuloendotelial, do miocárdio, do tecido nervoso e dos músculos são os mais frequentemente envolvidos (WINTER et al, 2025).

    Os vetores são percevejos comuns nas Américas, popularmente conhecidos como barbeiros, que podem habitar as casas e se alimentam de sangue humano e de animais selvagens ou domésticos (KLOTZ et al, 2021; RAVAZI et al, 2023).

    A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o número de pessoas infectadas na terra é de 6 a 7 milhões e, cerca de 75 milhões de pessoas estejam em risco de adquirir a doença (RIBEIRO, 2024). Estima-se que ocorram 30.000 novos casos ao ano e mais de 10.000 óbitos pela doença no mundo, sendo a contaminação oral a principal forma de transmissão, uma vez que a transmissão vetorial está controlada na maioria dos países americanos (OPAS, 2021; WHO, 2015).

    No Brasil entre os anos de 2019 e 2020, de acordo com dados do Departamento de informação do Sistema Único de Saúde (DATASUS), foram confirmados 564 casos da doença, dos quais 90% ocorreram na região norte do país, destacando-se o estado do Pará com 397 casos diagnosticados. (DATASUS, 2023).

    Os mecanismos de transmissão ao homem são: vetorial, na qual  inseto defeca próximo ao local da picada e as formas contaminantes penetram através da pele e mucosas; congênita, quando a mãe infecta seu filho por via transplacentária; transfusional e por transplante de órgãos de um doador contaminado; acidente de laboratório pelo não uso de equipamentos adequados e o homem entra em contato com excretas contaminadas e oral pela ingestão de alimentos contaminados por fezes ou o inseto triturado (MEDEIROS et al, 2022; ROCA et al, 2021; DE SOUSA et al, 2024).

    A transmissão oral é considerável no país e está associada à ingestão de suco de frutos, como açaí, bacaba, buriti, goiaba e da cana de açúcar, gerando os surtos ocasionais. Esta forma de contaminação é a mais frequente na Amazônia Brasileira, onde o açaí é importante fonte nutricional e econômica para a população. O manejo dos alimentos sem a higiene adequada permite que o inseto, que alberga protozoário, seja triturado e posteriormente ingerido pelo consumidor, resultando em doença aguda (SANGENIS et al, 2016; FRANCO-PAREDES et al, 2020; RIBEIRO, 2024).

    A DC se desenvolve em duas fases distintas, inicialmente aguda e posteriormente crônica. Para os quadros agudos, o período de incubação tem a durabilidade de acordo com a forma de transmissão, sendo na transmissão oral a mais breve, com cerca de 3 a 22 dias e a transfusional a mais longa com cerca de 40 dias (MEDEIROS et al, 2022). 

    A fase aguda dura de cerca de 6 semanas e pode ser assintomática. Quando sintomática, surge febre, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia, exantema e miocardite. Edema bipalpebral unilateral, edema conjuntival com adenomegalia pré-auricular são característicos da inoculação pela conjuntiva, esta tríade é chamada de sinal de Romaña que, apesar da baixa frequência, é considerado lesão patognomônica da doença (HUDSON et al,2021). O chagoma de inoculação, que corresponde ao local da picada de barbeiro, também pode ser observado. A fase aguda, com altas chances de cura, usualmente é autolimitada e pode passar despercebida (SUÁREZ et al, 2022).

    A fase crônica pode ser assintomática, denominada fase indeterminada, ou com manifestações cardíacas, digestivas ou cardiodigestiva. Acomete com mais frequencia o sistema circulatório apresentando insuficiência cardíaca, arritmias ou aneurismas de ventrículo esquerdo. Na forma digestiva culmina com megaesôfago ou megacólon (NUNES DA COSTA et al, 2021).

    Há duas drogas disponíveis para o tratamento, benzinidazol e nifurtimox. O benzinidazol é o medicamento habitualmente utilizado no Brasil e há boas chances de cura quando usado na fase aguda da doença (LASCANO et al,2020)

    O Pará possui uma área territorial de 1.245.828,829km², e segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, a população da região era de 8.120.131pessoas (IBGE, 2022).

    O Pará é composto por doze regiões de integração. Esta é uma divisão políticoadministrativa, cujo objetivo é facilitar o desenvolvimento e as estratégias de administração por agrupar municípios com características semelhantes. A região do Marajó é composta pelos municípios de Afuá, Anajás, Bagre, Breves, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Muaná, Ponta de Pedras, Portel, Salvaterra, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista e Soure. Este espaço territorial abrange ilhas e continente e alberga a ilha do Marajó, que é a maior ilha marítimo- fluvial do planeta (IBGE, 2022).

    O arquipélago do Marajó, cuja principal fonte de renda é o extrativismo e criação de bubalinos, é uma região geograficamente ampla, com dificuldades de acesso, baixo desenvolvimento socioeconômico e menor percentual de profissionais da saúde atuantes. Esses fatores se mostram colaboradores para diminuição do acesso à saúde, informação e tratamentos adequados (GARNELO et al, 2018).

    O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida resumida criada para avaliar o progresso de um país em três dimensões básicas do bem-estar humano: saúde (expectativa de vida ao nascer), educação (anos de escolaridade e taxa de matrícula) e renda (renda nacional bruta per capita), essa medida favorece o conhecimento do comportamento de doenças negligenciadas em uma população, a exemplo a doença de Chagas (ALVES et al., 2021).

    O conhecimento acerca da epidemiologia da doença de forma regionalizada é importante para que políticas públicas para mitigação sejam instituídas a fim de melhorar a qualidade de vida à população local.

    Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo realizar o levantamento epidemiológico acerca dos casos notificados de doença de chagas aguda na região do Marajó, no Pará, entre 2018 e 2023.

    2 METODOLOGIA 

    O presente estudo é epidemiológico ecológico, descritivo, transversal e retrospectivo. Os dados foram coletados a respeito dos casos notificados de doença de Chagas aguda (DCA), na região de integração do Marajó, no estado do Pará, no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), os quais encontram-se disponíveis no banco de dados online do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). 

    As variáveis coletadas e estudadas foram: número de casos de DCA no Marajó por município e ocorrência anual. A análise estatística dos dados foi realizada por meio do uso de frequências relativas com auxílio do programa Excel 2016. 

    O IDH foi coletado por município através da Plataforma Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, que reúne informações de registros disponibilizados pelo Governo Federal (ATLAS BRASIL, 2023). Os últimos anos disponíveis foram 200 e 2010. 

    Em conformidade com a Resolução no 4661/2012, o estudo trata-se de uma análise realizada por meio de banco de dados secundários de domínio público, e não há necessidade da apreciação de um Comitê de Ética em Pesquisa.

    3 RESULTADOS 

    A doença de Chagas aguda no Pará é endêmica acontecendo principalmente na região metropolitana de Belém e Arquipélago de Marajó. Nas ilhas que compõem o arquipélago houve em 2018 a seguinte distribuição por município de residência: Afuá 2 casos, Breves 26, Bagre 1, São Sebastião da Boa Vista 19, Ponta de Pedras 1, Portel 2, Muaná 17, Melgaço 8, Gurupá 1, Curralinho 19. Os municípios de Chaves, Santa Cruz do Arari, Soure, Cachoeira do Arari e Anajás não tiveram ocorrências. 

    No ano de 2019, a composição foi: Afuá 2 registros, Anajás 5, Breves 36, São Sebastião da Boa vista 5, Portel 2, Muaná 8, Melgaço 5, Gurupá 5, Curralinho 11. Os municípios de Chaves, Santa Cruz do Arari, Soure, Ponta de Pedras, Cachoeira do Arari e Bagre não tiveram registros. 

    No ano de 2020, a disposição foi: Afuá 2, Salvaterra 1, Anajás 14, Breves 21, Bagre 7, São Sebastião da Boa Vista 6, Portel 1, Muaná 8, Melgaço 6, Curralinho 1.

    Os municípios de Chaves, Santa Cruz do Arari, Soure, Gurupá, Ponta de Pedras, Cachoeira do Arari e Bagre não tiveram episódios. A evolução dos três períodos pode ser vista na tabela 1.

    Tabela 1. Distribuição da doença de Chagas no Marajó (PA) por município de residência, no período de 2018 a 2020.

    Fonte: elaborado pelas autoras.

    No ano de 2021, o arranjo foi: Afuá 3 casos, Salvaterra 2, Anajás 11, Breves 22, Bagre 18, São Sebastião da Boa Vista 6, Ponta de Pedras 1, Muaná 11, Melgaço 7, Gurupá 1, Curralinho 24, Chaves 1. Os municípios de Santa Cruz do Arari, Portel, Soure e Cachoeira do Arari não tiveram casos. 

    No ano de 2022, a estruturação foi: Afuá 3 casos, Anajás 3, Breves 30, Bagre 16, São Sebastião da Boa Vista 20, Ponta de Pedras 5, Muaná 12, Curralinho 13. Os municípios de Santa Cruz do Arari, Melgaço, Salvaterra, Chaves, Portel, Gurupá, Soure e Cachoeira do Arari não tiveram episódios. 

    No ano de 2023, a divisão foi: Afuá 14 casos, Anajás 14, Breves 37, Cachoeira do Arari 3, Bagre 21, São Sebastião da Boa Vista 26, Ponta de Pedras 9, Portel 3, Muaná 21, Melgaço 11, Gurupá 2, Curralinho 38. Os municípios de Santa Cruz do Arari, Salvaterra, Chaves, Soure e não tiveram casos. A evolução dos três períodos pode ser vista na tabela2.

    Tabela 2. Distribuição da doença de Chagas no Marajó (PA) por município de residência, no período de 2021 a 2023.

    Fonte: elaborado pelas autoras.

    De acordo com o exposto, os municípios de maior ocorrência de registro na série histórica foram Breves, Curralinho, São Sebastião da Boa Vista, Muaná e Bagre.

    O menor número de registros ocorreu em Chaves (1), Soure (2), Salvaterra (3), Cachoeira do Arari (3) e Portel (8).

    O município de Santa Cruz do Arari não teve registros no período analisado. O panorama da distribuição anual pode ser visto no gráfico 1.

    Gráfico 1. DCA no Marajó de 2018 a 2023.

    Fonte: elaborado pelas autoras.

    O IDH avalia a população em três esferas: saúde, educação e renda. O estado tem uma flutuação entre níveis moderados e baixos da medida e a região do Marajó possui municípios com os mais baixos índices nacionais. O melhor índice nacional está em São Caetano do Sul (0,862) e do Pará em Belém (0, 746). A tabela 3 apresenta os mais recentes valores disponíveis para a região retirados da Plataforma Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, que reúne informações de registros disponibilizados pelo Governo Federal (ATLAS BRASIL, 2023).

    Tabela 3. distribuição do IDH em 2010 nos municípios do Marajó.

    Fonte: elaborado pelas autoras.

    4 DISCUSSÃO

    Quanto à Doença de Chagas aguda no Pará, as regiões que mais se destacam são a Metropolitana de Belém e Marajó. Os resultados apontam para elevada ocorrência da doença de Chagas na região do Marajó com distribuição heterogenia entre os municípios. O achado está relacionado a fatores ambientais, culturais e econômicos próprios da localidade, incluindo o consumo de sucos de frutas regionais (DIAS J, et al, 2021).  

    Observa-se o crescente número de casos notificados ao longo da série histórica. Presume-se que tenha acontecido devido a presença de novas frentes de trabalho em saúde e educação na região. A partir do ano de 2006, hospitais Regionais foram instalados no estado, incluindo o Hospital Regional do Marajó, em Breves, que completa 11 anos de funcionamento em 2025. A presença da instituição favoreceu a descentralização da saúde na capital oferecendo atendimentos especializados e uma melhor concentração de profissionais de saúde e laboratórios qualificados na região. 

    Os fatos expostos no parágrafo anterior, corroboram com os estudos de MORAES et al (2024) que afirmam que a presença de atividades de saúde e educação favorecem o diagnóstico das doenças na população e colaboram com diagnóstico e tratamento assertivos.

    O açaí é o suco de fruta regional mais consumido no Pará, especialmente no arquipélago do marajó. Segundo dados do IBGE, o Pará é o maior produtor mundial de açaí com as maiores colheitas sendo realizadas na região marajoara, onde o açaizeiro cresce naturalmente nas regiões várzea, que fazem parte do bioma (IBGE, 2017). Nesta região, o fruto é importante fonte de renda e alimento para a população, sobretudo a ribeirinha, que tem no extrativismo forte apelo de sobrevivência. 

    No estado do Pará predomina a contaminação pela via oral, onde ocorrem pequenos surtos localizados, geralmente familiares. O consumo do açaí sem a higiene adequada na manipulação e processamento dos frutos é o principal fator, uma vez que o açaizeiro não é o biótopo do inseto. Os insetos são esmagados no processo de preparo do suco levando a contaminação do produto (GONÇALVES FELIX E, et al, 2020). Concorrem para a presença do inseto no fruto o fato de que os locais onde estão as máquinas batedeiras de açaí e o abrigo dos frutos possuem luzes que atraem os insetos. Além do cheiro do fruto, que é atraente ao besouro.

    Ademais, a enorme extensão geográfica; dificuldade em acesso, por vezes feitas apenas por pequenas embarcações; associadas à ausência do poder público local dificultam as ações de controle efetivos da doença (VILHENA et al., 2020). A ausência de notificações em alguns municípios, como Santa Cruz do Arari, além do exposto anteriormente, pode estar relacionada possíveis falhas nos sistemas de vigilância e saúde pública, ocasionando subnotificação ou não diagnóstico.

    Importante rememorar que nas regiões de floresta onde se pratica o extrativismo, pecuária ou atividades de caça há aproximação do ciclo silvestre do homem e consequentemente maior exposição ao vetor (DE SOUSA, 2021). 

    O IDH e a DC, estão inversamente relacionados: áreas com baixo IDH concentram a maior carga de doença, devido a fatores como pobreza, saneamento precário, falta de investimentoe condições socioeconômicas desfavoráveis, que criam um ciclo vicioso de vulnerabilidade e perpetuação da enfermidade. O IDH da região estudada é considerado baixo, sobretudo nos municípios mais afetados (Breves, Curralinho e São Sebastião da Boa Vista). O município de Soure tem o melhor IDH da região e tem uma baixa frequencia de notificações. Embora precise considerar a possibilidade de subnotificação. Estes dados corroboram com o estudo apresentado por ALVES W, et al. (2021).

    Neste estudo observa-se que a doença é frequente na região e subnotificada. Quando não diagnosticada e tratada pode evoluir para formas graves como cardiomiopatia chagásica com incapacidade ao labor ou óbito. Portanto, a DC ainda é um desafio na Amazônia, afetando comunidades devido à falta de acesso a informações e serviços de saúde de qualidade.

    5. CONCLUSÃO

    A doença de Chagas permanece como doença negligenciada muito frequente no Brasil, sobretudo nos locais mais pobres e longínquos. O interior do país, a exemplo da região norte, notadamente a Amazônia brasileira, onde está localizada a região de Marajó, permanece invisível ao poder público.

    A região do Marajó apresenta extensão territorial enorme com dificuldade de acesso, algumas vezes só possível por pequenas embarcações, que dificultam o acesso da população à saúde, educação em saúde e implementação de políticas públicas.

    A presença marcante da doença, que acontece principalmente por transmissão oral pela ingestão de açaí é um fato desafiador para as instituições de saúde públicas, que precisam desenvolver e aplicar de forma facilitada e capilarizada as ações de saúde locais, com capacitação de facilitadores, apoio da população e logística eficaz.

    O objetivo primordial é combater a doença, interromper o ciclo de perpetuação e oferecer diagnóstico e tratamento oportunos, a fim de evitar a cronicidade e afastamento ao labor, que perpetuam o ciclo de miséria da população local.

    REFERÊNCIAS

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    1 Doutorando do Curso de Pós Graduação em Biologia Parasitária da Amazônia da Universidade do Estado do Pará. E- mail: dani.carneiro.med@gmail.com
    2 Médico cirurgião cardíaco do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna em Belém do Pará. E -mail: fvagnerv@live.com
    3 Docente do programa de pós- graduação em Biologia Parasitária da Amazônia da Universidade do Estado ddo Pará. E-mail: verareginapalacios@gmail.com